Drogas: o tempo de pensar fora da caixa chegou!
POR RICARDO NEVES
A Operação Lei Seca que conhecemos no dia-a-dia mostra que a humanidade aprendeu de erros no passado. Por isso é que atualmente podemos legalmente beber, comprar, transportar biritas. Só não podemos é beber álcool e dirigir.
A experiência da absoluta proibição de álcool, feita pela Lei Seca nos EUA que durou de 1920 a 1933, mostrou que aquela era uma política errada. Nunca se bebeu tanto, nunca se contrabandeou tanto e o crime organizado viveu uma época de ouro com os gângsteres mandando até na política.
Tomar uma cervejinha gelada na praia, em casa ou no boteco não tem problema. Tudo isso é possível graças à descriminalização, regulamentação e a constituição legal de uma cadeia produtiva que produz, distribui, emprega e paga taxas.
Existe quem abuse das biritas. Nesse caso é em geral um problema pessoal, que quando passa do limite exige a intervenção das famílias e do sistema de saúde, que inclui inclusive grupos de autoajuda, como o AA, que são extremamente eficazes no equacionamento final da recuperação dos viciados.
Esse entendimento mais esclarecido começa a ser percebido finalmente para o problema das drogas de forma geral, sobretudo para aquelas consideradas leves como é o caso da maconha.
O conservador Wall Street Journal, em matéria assinada por Gary Becker, agraciado com o Prêmio Nobel de Economia em 1992, traz uma matéria que pergunta “Será que a guerra americana contra as drogas foi perdida?” Essa foi uma guerra que, iniciada pelo presidente Nixon em 1971, se tornou de fato a terceira guerra mundial da humanidade. Incluindo nosso país de forma trágica.
Apenas para se ter uma ideia, mais de 75% da população carcerária no Brasil compreende pessoas que cometeram pequenos delitos ligados às drogas; pessoas que estão longe de ser sanguinários narcotraficantes. A política da guerra às drogas representa um custo altíssimo em recursos públicos, em vidas e é um trabalho de enxugar gelo.
O artigo do Wall Street, que você pode ler na íntegra na versão que saiu ontem no Valor Econômico, indaga se não seria mais sensata uma nova política pública para a questão das drogas, na qual se encaixassem soluções de mercado inspiradas na lição aprendida com o caso do álcool.
Tenho para mim que a questão das drogas é de vital importância para a sociedade mundial e não dá mais para adiar uma mudança evolutiva. Há sinais de experimentação importantes sinalizados por fatos recentes como a descriminalização das drogas leves em Portugal, com o estado de Washington nos EUA liberando a maconha, com o presidente do Uruguai na linha de frente na América Latina advogando a liberação da maconha e uma regulamentação que envolva fortemente a presença ativa estatal na produção e distribuição da cannabis.
Esse é um debate que vai evoluir rapidamente ao longo desta década de tal forma que nos anos 2020 deveremos ter outro entendimento mais esclarecido acerca das drogas. Um indicador importante é a argumentação elaborada por uma equipe talentosa de jovens cineastas brasileiros, comandados por Fernando Andrade, que liberou na internet a versão internacional de seu documentário intitulado Quebrando o Tabu, na forma de projeto crowdfunding.
http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/foradacaixa/2013/01/08/drogas-o-tempo-de-pensar-fora-da-caixa-chegou/
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