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segunda-feira, 4 de junho de 2012

As coisas melhoram

MARGARIDA TELLES
 
No jornalismo, um tipo de matéria é sempre irresistível: as histórias de superação. Casos de pessoas que passaram por situações extremas, chegaram ao fundo do poço, mas deram um jeito de sair de lá. Hoje, me deparei com uma história dessas, contada no livro “Things Get Better”, ou em português “As coisas melhoram”. Katie Piper, a autora, passou por um dos maiores casos de superação que já vi. Ela teve seu rosto queimado com ácido e ficou desfigurada. Como se não bastasse, a aparência era seu instrumento de trabalho, pois Katie era modelo e apresentadora.

A vida de Katie mudou em 2008, quando um rapaz , Danny Lynch , começou a conversar com ela por Facebook. Como eles tinham 30 amigos em comum, ela sentiu-se segura para conhecê-lo, e eles saíram algumas vezes. A modelo começou a duvidar de alguns comportamentos de Danny e das histórias que ele contava, e rompeu relações. Mas ele não aceitou. Passou a assediá-la e ameaçá-la. A estuprou. E pediu a um colega de trabalho para atacá-la com ácido sulfúrico.

O ácido corroeu o rosto de Katie até os ossos. Ela perdeu as pálpebras, a maior parte de seu nariz e um pedaço da orelha. Na primeira operação, tiveram que tirar a pele de todo o seu rosto. Desde então, já foram mais de 100 cirurgias. Depois de um procedimento, Katie precisou ficar em coma induzido por 12 dias, ou não aguentaria a dor.

Confira aqui como Katie era antes do ataque, e como ela ficou pouco tempo depois

Quando acordou ela não conseguia falar, e se comunicava com a mãe por bilhetes. Em um deles, pediu “me mate”. A mãe, determinada a ajudar no que podia, começou um diário. Tirava fotos de Katie, para mostrá-las mais pra frente. Embora a aparência ainda fosse horrível, as fotos mostravam como o quadro melhorava.
Depois de sete semanas no hospital, Katie foi pra casa. Quando saiu, ainda não tinha visto o seu rosto. Uma psicóloga a aconselhou a olhar com um espelho de mão primeiro pequenas partes de seu corpo queimado, como as mãos ou o pescoço. Quando Katie viu o seu rosto inteiro, pensou “alguém precisa me entregar outro espelho, porque esse está quebrado”.

A família foi fundamental para a sua recuperação. Katie precisou usar por muito tempo uma máscara plástica, e sua irmã sugeriu que usasse uma também. Paul, seu irmão, conseguiu levar para casa uma mulher que teve o seu rosto desfigurado em um acidente, e  está muito melhor.

Hoje, a ex-modelo tem um contrato com um canal de TV, colabora para uma revista e trabalha em uma associação de vítimas de queimaduras. Ela já escreveu dois livros. O primeiro é uma biografia. E no segundo, conta como conseguiu aos poucos superar tudo o que lhe aconteceu. Acredito que histórias como essa provam que somos capaz de aguentar muito mais do que acreditamos. Inspirador…

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/06/04/as-coisas-melhoram/

CPI quer investigar exploração sexual de crianças em obras do PAC
Em Jirau e Santo Antônio, houve aumento do número de estupros e de gravidez na adolescência
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes vai investigar denúncias de exploração sexual nos locais de grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – como as das usinas Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. A presidente da CPI, deputada Erika Kokay (PT-DF), disse que também há denúncias de que soldados que atuam na vigilância das fronteiras estariam explorando crianças.
“Em Jirau e Santo Antônio, houve aumento do número de estupros e de gravidez na adolescência, o que indica que houve um recrudescimento da exploração sexual”, disse a deputada. “Você faz uma obra, por exemplo, em Jirau, e 25 mil homens se aportam naquele local. O Estado tem que proteger as crianças.”
Erika Kokay afirma que o licenciamento para a construção de grandes obras precisa levar em conta não só a parte ambiental, mas também a social. "Estamos exigindo que o licenciamento para essas grandes obras seja um licenciamento como a lei prevê, que é um licenciamento socioambiental. Hoje, não temos um licenciamento que diga que aquela comunidade tem condições de abarcar aquela grande obra, se provocar tantos danos às crianças e aos adolescentes."
Enfrentamento
A CPI também quer saber como diversas entidades têm atuado no enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes no País. Em 12 de junho, a comissão vai realizar uma audiência pública com integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), do Comitê de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e da organização não governamental Projeto Legal.

Além disso, a comissão encaminhou aos governadores pedido de informações sobre planos de enfrentamento à exploração sexual de crianças nos estados e sobre verbas destinadas a esse trabalho. Os deputados também querem esclarecimentos sobre as providências tomadas em relação a denúncias de exploração sexual nos últimos cinco anos.


Na segunda (4) e na terça-feira (5), a CPI da Exploração Sexual vai realizar diligências em Natal (RN).


 Rádio Câmara


Começar de Novo


Para tanto, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou o Portal de Oportunidades. Trata-se de página na internet que reúne as vagas de trabalho e cursos de capacitação oferecidos para presos e egressos do sistema carcerário.
As oportunidades são oferecidas tanto por instituições públicas como entidades privadas, que são responsáveis por atualizar o Portal.
Além disso, os presidiários de todo o país contam com mais uma ajuda fornecida pelo CNJ: a produção da Cartilha da Pessoa Presa e da Cartilha da Mulher Presa. Os livretos contêm conselhos úteis de como impetrar um habeas corpus, por exemplo, ou como redigir uma petição simplificada para requerimento de um benefício. Esclarece ainda sobre deveres, direitos e garantias dos apenados e presos provisórios.

A Cartilha, além de estar disponível no portal do CNJ, é distribuída pelo grupo de monitoramento dos mutirões carcerário nos Estados.

Para outras informações:
Endereço: Anexo I - Supremo Tribunal Federal, Praça dos Três Poderes s/n - Brasília - DF - CEP: 70175-900
E-mail: comecardenovo@cnj.jus.br
Telefone:             (61) 2326-6789      

domingo, 3 de junho de 2012


Mulher deve ser ponto-chave para incentivar o consumo consciente, defende pesquisa

Rede de mulheres e governo federal lançam estudo e apresentam propostas para serem levadas à Rio+20

RIO - O consumo mais consciente pode vir a ser o legado da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), e a mulher tem condições para ser a porta-voz deste movimento. Esta é a aposta da Rede de Mulheres Líderes pela Sustentabilidade e do governo federal, que lançaram, nesta quinta-feira, um estudo sobre consumo no Brasil e a “Plataforma 20”, um documento que será levado para a Rio+20 com metas para envolver mulheres no tema do desenvolvimento sustentável.

A plataforma apresenta 15 metas com o objetivo de aumentar a ação de mulheres em três áreas: consumo consciente, empreendedorismo sustentável e mulheres em cargos de gestão. Já a pesquisa qualitativa “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável”, que entrevistou 67 mulheres formadoras de opinião, aponta que a mulher pode se tornar central na campanha para evitar o desperdício, por seu papel motivador na família e na comunidade.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que participou do lançamento da rede e do estudo, explicou o motivo de associar a questão das mulheres à sustentabilidade.

— As pesquisas sobre a nova classe média brasileira indicam que a mulher tem centralidade e é determinante nas decisões de consumo. Não dá para falar de centralidade, de meio ambiente ou de inclusão socioambiental sem ter uma agenda robusta com as mulheres, que tem protagonismo em cuidar da família com a melhor alimentação, por exemplo. É impossível discutir sustentabilidade sem ter agenda do gênero — afirmou Izabella, que contou que o Ministério do Meio Ambiente é o segundo na lista de iniciativas para mulheres, só perdendo para a própria Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Marta Suplicy: “onde Dilma pode usar a caneta em prol das mulheres, ela usa”

Às três áreas de atuação, a senadora Marta Suplicy (PT), que integra a Rede de Mulhreres, que participou do debate de lançamento, acrescentou mais uma:

— A política, já que estas três estão subordinadas a questões políticas — afirmou Marta, que durante o debate, que ainda elogia a presidente Dilma por promover as mulheres no governo. — Por que eu sou vice-presidente do Senado? Por que a Graça Foster é presidente da Petrobras? Onde ela (Dilma Rousseff) tem a oportunidade de usar a caneta, ela usa.

Mulher será tema central na Rio+20

A questão das mulheres será um tema central das discussões da Rio+20, garantiu a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, durante o evento.

— Tenho a convicção, porque eu tive acesso (ao Futuro que Nós Queremos, documento base da Rio+20), que a questão de gênero está contemplada de forma prioritária — ressaltou Eleonora, que exemplificou. — Não existe sustentabilidade sem a inclusão das mulheres, com violência contra as mulheres, seja doméstica ou sexual, com a manutenção da desigualdade sexual do trabalho, sem inclusão de trabalhadoras rurais.

Ainda de acordo com Eleonora, a questão de gênero tem sido defendida pelos representantes diplomáticos do Brasil nas negociações do Futuro que Nós Queremos, em Nova York, as quais terminam no dia 2 de junho.

Acordo quer aumentar rede de mulheres ‘sustentáveis’

Junto com a realização da Rio+20, o governo federal deve lançar uma campanha com o objetivo de promover o tema da sustentabilidade voltada para o gênero. Já entre as metas da Plataforma 20, está o engajamento, até 2020, de cinco milhões de mulheres em um movimento de consumo consciente. Para atingi-la, o Ministério do Meio Ambiente assinou com a Associação Brasileira de Vendas Diretas um acordo que prevê o engajamento das vendedoras diretas das empresas que compõe a entidade, como Natura, Avon e Nestlé.

— Só as empresas desta associação já têm em sua rede 2,8 milhões de mulheres. Partindo do princípio que a vendedora aborda pelo menos uma de suas clientes, já temos cinco milhões. Quisemos ser modestos na meta para mostrar que é possível — afirmou a secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samyra Crespo.

Fonte: Jornal O Globo

Iraque: Mulheres lutam para reestabelecer os direitos | euronews, women and war

Iraque: Mulheres lutam para reestabelecer os direitos | euronews, women and war

Direitos humanos vai ser ensinado nas escolas e universidades do país
O governo aprovou as diretrizes nacionais para a educação em diretos humanos

Por: Lauany Rosa, da Rede Brasil Atual
     
São Paulo – A partir do ano que vem o ensino de direitos humanos vai começar a fazer parte do cotidiano de estudantes de todo o país. A decisão foi tomada pelo governo federal durante a homologação das diretrizes nacionais para educação em direitos humanos.

De acordo com o Plano Nacional de Direitos Humanos, as diretrizes homologadas têm como fundamento os princípios de dignidade humana; o reconhecimento e a valorização das diferenças e das diversidades; a laicidade do Estado; a democracia na educação; a transversalidade, a vivência e a globalidade; e a sustentabilidade socioambiental.

O ensino das diretrizes será inserido no currículo das matérias já existentes da educação básica e de ensino superior. A inserção poderá ocorrer pela transversalidade utilizando temas relacionados aos direitos humanos e tratados interdisciplinarmente; como um conteúdo específico de uma das disciplinas no currículo escolar ou ainda de maneira mista, combinando transversalidade e disciplinaridade.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) declarou em nota que a homologação das diretrizes é um ato de ousadia. "Achamos que é possível a formulação pedagógica dos direitos humanos. Com essas diretrizes, vamos produzir a construção de valores na sociedade para combatermos, no ambiente escolar, o bullying, a homofobia, a discriminação por classe social, cor, raça, religião, entre outros.”

 “O primeiro desafio que precisamos vencer é a violência na própria sala de aula, o desrespeito ao professor, as agressões entre alunos, a discriminação de raça, de orientação sexual e de religião”, disse o ministro da Educação Aloizio Mercadante, em nota. “Nós não podemos ter um pacto de silêncio com essa situação que está presente em sala de aula. A escola tem de ser uma escola de valores, para termos uma cidadania plena no Brasil.”

O presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos e coordenador da ONG Ação Educativa, Sérgio Haddad, observa que o ensino de direitos humanos, no âmbito escolar, facilita o diálogo e ajuda no combate do racismo, sexismo, discriminação social, cultural e religiosa.

Segundo Sérgio Haddad, o Brasil tem evoluído economicamente, porém ainda convive com muitas violações, como o assassinato de pessoas no campo; presídios em condições sub-humanas; violência nas cidades; entre outros direitos que deveriam ser valorizados em nossa sociedade. “Não devemos ser apenas exemplos de inclusão de pessoas no poder econômico, também devemos ser exemplo do exercício dos direitos humanos em sua plenitude”, ressaltou.

Para ele, o sistema escolar está voltado tradicionalmente a uma lógica econômica. “Vivemos em uma sociedade de consumo, na qual a escola só serve para formar trabalhadores que possam ganhar dinheiro e consumir cada vez mais. Não ensinamos os alunos a viver em sociedade ou a respeitar seus companheiros”. Ele lembra que o ensino do respeito às diferenças e da tolerância ajudam a construir um país sem desigualdade e economicamente evoluído.

“As diretrizes são algo concreto para que cada professor nas redes formais e não formais de ensino produzam ações pedagógicas para enfrentarmos situações banalizadas de violência”, exemplificou a ministra Maria do Rosário, ao falar sobre os conflitos contemporâneos existentes na escola e na sociedade, como agressão, racismo, homofobia e outras formas de discriminação.

Para Sérgio Haddad, os professores que vão aplicar a disciplina devem ser preparados com cursos e formações. “O estudo dos direitos humanos modifica a formação geral do aluno; é a forma de despertá-lo para a cidadania. O professor deve estimular esse aprendizado aos poucos, durante as aulas com exemplos do cotidiano.”

As diretrizes integram as ações previstas no Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). O plano apresentou uma série de avanços dos direitos humanos do país. São exemplos a comissão da verdade, os avanços na constitucionalidade da união civil entre pessoas do mesmo sexo e do sistema de cotas para negros nas universidade públicas.


Justiça diz que já identifica casos de europeus vítimas de tráfico de pessoas no Brasil

Por: Pedro Peduzzi, da Agência Brasil

Brasília - A vontade de muitos jovens brasileiros de terem uma experiência profissional no exterior já resultou em muitos casos de vítimas de tráfico de pessoas. De acordo com o Ministério da Justiça, no entanto, com o crescimento econômico do Brasil e o aumento da fiscalização, é cada vez mais comum a identificação de cidadãos europeus vítimas desse crime no território brasileiro, iludidos por falsas oportunidades de trabalho.

“Durante muito tempo os brasileiros eram as maiores vítimas, quando iam aos países centrais. Agora, temos percebido que há ocorrência de tentativas de tráfico de pessoas a partir da América Latina e dos países centrais, que estão em crise. Neles, existem ocorrências de tentativas de tráfico de pessoas enviadas ao Brasil com o mesmo propósito”, disse hoje (31) o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.

O combate a esse tipo de crime foi discutido no Seminário Internacional Brasil-União Europeia sobre Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A constatação de problemas comuns, de acordo com Paulo Abrão, resultou na necessidade de se aproximarem com o objetivo de planejar ações e definir parâmetros para a troca de informações. “Vamos padronizar essa coleta de informações para que, em um ano, tenhamos dados confiáveis para formular nossas políticas”, adiantou.

Presente ao encontro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou a necessidade de cooperação internacional para enfrentar o tráfico de pessoas. “Esse é um problema que preocupa muitos países do mundo, em especial a Comunidade Europeia. Portanto, o enfrentamento não passa apenas por medidas internas de nosso país. Sem uma relação internacional aprofundada e sem a conjugação de esforços, não será possível encontrarmos a solução”, disse.

Isso levou governos de diferentes países a ampliar parcerias visando ao combate desse tipo de crime que, segundo avaliação do secretário Paulo Abrão, “já se constitui como o terceiro maior volume de ativos ilícitos no mundo”. De acordo com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Ana Paula Zacarias, "o tráfico de pessoas movimenta US$ 7 bilhões anuais".

Apesar de os dados ainda serem preliminares, Abrão diz já ser possível identificar o perfil internacional das vítimas de tráfico. “São principalmente mulheres entre 19 e 24 anos. Em geral, são traficadas para diferentes fins. Entre as modalidades mais comuns estão a exploração sexual, a remoção de órgãos e tecidos humanos, trabalho escravo ou servidão em casamentos”.

Abrão explica que as denuncias de prática desse crime no Brasil podem ser feitas nos núcleos e postos de enfrentamento ao tráfico de pessoas instalados em pontos de entrada no país e rodoviárias de diversos estados. “As pessoas podem procurar esses locais para apresentar suas demandas, pois são eles que administram, in loco, a ocorrência dos fatos e depois os levam ao âmbito federal, para eventual ação articulada com a Polícia Federal”.

sexta-feira, 1 de junho de 2012


Presidenta Dilma promove mais um avanço no enfrentamento à violência contra as mulheres


A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou a alteração na Lei de Execuções Penais (Lei nº 12.654), nesta terça-feira (29/05). Com isso, passa a ser permitida a coleta de perfil genético (DNA), sem a necessidade de concordância do suspeito, como prova de identificação da autoria nos casos de crime de estupro e de violência. Os efeitos da Lei nº 12.654 passarão a ter vigor após o prazo de 180 dias a partir desta terça-feira (29/5).

De acordo com a secretária nacional de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Aparecida Gonçalves, a medida determinada pela presidenta representa um grande avanço.

"A partir de agora, teremos mais recursos para acabar com a impunidade e coibir com a violência contra as mulheres. A coleta do DNA permite aos peritos identificar, com maior segurança, os autores de crime de estupro", assinalou Aparecida Gonçalves.

A secretária destaca que todos os já condenados pelo crime de estupro ou por qualquer crime previsto no artigo 1º da Lei 8.072, de 25 de julho de 1990, também serão submetidos à identificação do perfil genético, mediante a coleta de DNA (ácido desoxirribonucléico), por técnica adequada e indolor.

Sobre a coleta do DNA
  • A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso. 
  • Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. 
  • A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer à juíza ou ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. 
  • As informações obtidas, a partir da coincidência de perfis genéticos, deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado. 
  • As informações genéticas, contidas nos bancos de dados de perfis genéticos, não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, conforme determinam as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos. 

Caso de mulher que teve língua cortada pelo marido choca Afeganistão



Aumento de episódios de violência contra mulher causa preocupação no país.

Mesmo após o fim do regime do Talibã, o recente crescimento no número de mulheres vítimas de violência doméstica voltou a assustar o Afeganistão.
Nesta semana, um homem de 22 anos foi preso no norte do país após cortar a língua da esposa durante uma discussão.
A agressão ocorreu na casa do casal no vilarejo de Jangory, na região de Balkh, no norte do Afeganistão.
Policiais identificaram o nome do agressor como Saleh e afirmaram que a mulher, de apenas de 20 anos, estava grávida de sete meses. Segundo as autoridades, ela perdeu o bebê por causa do ataque.
Ela foi encaminhada imediatamente a um hospital da região, onde os médicos de plantão conseguiram reimplantar a língua. Ainda não se sabe, contudo, se ela poderá voltar a falar.
A jovem, que está sendo tratada em um abrigo para mulheres, apareceu em uma coletiva de imprensa em Balkh na última quarta-feira com sua mãe e autoridades locais.
Um repórter da BBC disse que ela estava em choque e não podia falar, mas que queria 'mostrar sua repugnância' ao ocorrido.
Na mesma ocasião, a mãe da vítima disse que Saleh agredia repetidamente sua filha durante os 12 meses em que eles permaneceram casados.
'Ele já chegou a incendiar o quarto dela, além de agredi-la por pelo menos três vezes. Os mais velhos, entretanto, diziam que se tratava de uma típica briga de casal e que não deveriam interferir', disse ela aos repórteres.
'Da última vez, ele cortou a língua dela e eu percebi que ele havia ultrapassado todos os limites', acrescentou.
'Pressão mental extrema'
A agressão em Jangory é o episódio mais recente de uma série de incidentes de violência doméstica que vêm ocorrendo no Afeganistão.

No início deste mês, os padrastos de Sahar Gul, de 15 anos, da província de Baghlan, no norte do país, foram condenados a 10 anos de prisão depois de serem acusados de torturá-la, aparentemente porque ela se recusava a trabalhar como prostituta.
Há duas semanas, duas meninas de 10 e 13 anos se enforcaram na província central de Ghor depois de serem vistas vestidas como meninos para que pudessem visitar um vilarejo próximo.
Em algumas partes das zonas rurais do Afeganistão, mulheres são proibidas de viajar sozinhas ou sair de casa sem permissão. Autoridades afirmaram que as duas meninas foram submetidas a uma 'pressão mental extrema' de seus parentes por, supostamente, envergonharem suas famílias.
Freba Majidi, responsável pelo escritório de proteção à mulher na região do Balkh, disse à BBC que ela lida diariamente com vários casos semelhantes de violência doméstica. Segundo ela, o que rendeu destaque internacional ao caso de Jangory foi a maneira como a mulher foi atacada.
'Trata-se da primeira vez em que vemos um homem cortar a língua de sua mulher', disse ela à BBC.
Apesar de a Constituição da era pós-Talibã promulgada no Afeganistão conferir direitos iguais a homens e mulheres, a ONU estima que a grande maioria das afegãs já foi submetida a algum tipo de violência doméstica.
Grupos feministas já realizaram seguidos protestos nos últimos meses para expressar preocupação sobre o fato de que as melhorias conquistadas até agora nos direitos das mulheres podem sofrer uma reviravolta com a eventual inclusão de representantes do Talibã em um futuro governo.
Na última quarta-feira, na capital do país, Cabul, representantes da Rede de Mulheres Afegãs - uma organização nacional de ativistas feministas - afirmaram estar preocupadas sobre o que poderia acontecer com as mulheres após a saída das tropas internacionais em 2014.
Elas reivindicaram ao governo uma proteção mais ampla às estudantes das escolas do país após uma série de misteriosos envenenamentos, que teriam sido cometidos pelo Talibã.

Tráfico humano está a aumentar | euronews, on the frontline

Tráfico humano está a aumentar | euronews, on the frontline

Fotos mostram frases que vítimas de abuso sexual costumavam ouvir

Projeto "Unbreakable" foi criado pela estudante americana Grace Brown para denunciar crimes de abuso sexual e já conta com cerca de mil fotos.

Debora Pivotto

De tanto ouvir histórias de amigos e conhecidos que sofreram algum tipo de abuso sexual, a americana Grace Brown, 19 nos, decidiu que queria fazer algo para denunciar esse crime. “A minha ideia era mostrar para as pessoas que é um problema muito mais comum do que a gente pensa”, diz Grace.
Para isso, a estudante de fotografia teve a ideia de criar um projeto simples, mas muito impactante. Fotografou as vítimas segurando um cartaz com frases que costumavam ouvir dos abusadores – e que nunca foram esquecidas. Coisas como “Se você contar para alguém, ninguém vai acreditar” ou “é isso que os pais costumam fazer com as filhas”.
Assim, nasceu em novembro de 2011 o projeto Unbreakable (inquebrável, em português), que já conta com quase mil fotografias de pessoas do mundo todo. Veja a seguir uma entrevista com a estudante e uma galeria com mais fotos do projeto.

"Não use roupas íntimas esta noite"
- noivo da minha mãe (eu tinha 6)
(Foto: Grace Brown/divulgação)
Como surgiu a ideia do Unbreakable?
Eu já tinha ouvido muitas histórias de pessoas que tinham sofrido abusos, e elas foram ficando cada vez mais frequentes. Até que um dia, uma amiga desabafou comigo e contou que também já tinha sido uma vítima. E lidar com o sofrimento de uma outra pessoa foi algo muito difícil pra mim. Tive a sensação de que aquilo iria acontecer sempre com os meus amigos. E no dia seguinte, eu acordei com a ideia do projeto.

"Se contar para alguém, seus 
pais não vão mais te amar"



Quantas pessoas já participaram? 
Eu já fotografei cerca de 160 pessoas e outras 800 mandaram as próprias imagens.

Algum brasileiro?
Nunca me preocupo muito com a origem das imagens, mas já vi sim pessoas do Brasil.

Por que acha que tanta gente quer participar? Como isso pode ajudá-las a superar a questão? 
Quando as pessoas passam por situações como essa, muitas vezes, elas não percebem que aquilo é como uma pedra no estômago que estão carregando. Participar do projeto é uma chance de liberar um pouco isso e dizer que ‘sim, eu passei por tudo isso e sobrevivi, sou inquebrável’. As frases são muito pesadas. Eu quis fazer o projeto para mostrar como o abuso sexual é muito mais frequente do que se pensa. Nem imaginei que fosse ter um processo de "cura" por trás disso. Mas algumas semanas depois, as pessoas começaram a falar como tinha sido catártico participar do projeto.


Conheça o drama de pessoas que sofreram abuso sexual na infância

O Profissão Repórter mostra depoimentos de mulheres que sofreram abusos na infância e ficaram caladas durante anos.

Da Redação

Veja o vídeo no link abaixo
O Profissão Repórter desta terça, 29 de maio, falou sobre um crime que marca a infância: abuso sexual. No Brasil, é a agressão mais comum contras as crianças depois do abandono.

Em Porto Alegre, os repórteres Valéria Almeida e Victor Ferreira acompanharam o trabalho da justiça. José Antônio Daltoé foi o primeiro juiz do país a pensar numa forma menos traumática de ouvir crianças que sofreram abusos em julgamento. Elas são ouvidas numa sala separada, com a ajuda de um psicólogo, e um sistema de áudio e vídeo transmite o depoimento para a sala de audiência. Isso evita o encontro com o agressor.

Veja o vídeo no link abaixo
O programa também conta as histórias de duas mulheres que sofreram abuso sexual na infância e ficaram caladas durante longos anos. Uma delas é Isabelle Crisóstomo. Ela sofreu agressões sexuais do ex-padrasto, um professor de física da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que foi condenado e hoje é um foragido da justiça.

Durante uma semana, a repórter Gabriela Lian acompanhou a vida da nadadora olímpica Joanna Maranhão, que afirma ter sofrido abuso de um técnico quando tinha nove anos. Neste tempo, uma nova lei que leva o nome da atleta entrou em vigor e, a partir de agora, a vítima de abuso terá mais tempo para denunciar o abuso sexual na justiça.