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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Lei de atendimento a vítimas de violência sexual deve reduzir número de abortos no SUS, avalia governo | Agência Brasil

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Com a sanção integral, sem vetos, da lei que obriga os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual, o número de abortos realizados de acordo com legislação vai cair, avalia o governo.
Na sanção, a presidenta Dilma Rousseff manteve a previsão de oferecer às vítimas contraceptivos de emergência – a chamada pílula do dia seguinte – mas vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei alterando a forma como a prescrição está descrita na lei. O termo “profilaxia da gravidez” será substituído por administração de “medicação com eficiência precoce  para a gravidez decorrente de estupro”.
O uso do contraceptivo de emergência, que evita a concepção, vai impedir uma eventual gestação e reduzir o número de abortos legais feitos por mulheres vítimas de estupro. “Além de prestar apoio humanitário essencial para a mulher que foi vítima de uma tortura, porque todo estupro é uma tortura, permite que ela não passe por um segundo sofrimento, que é a prática do aborto legal. O que esse projeto faz é exatamente evitar a prática do aborto legal”, disse o secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desde 2008, quando foi editada uma portaria determinando a prescrição de contraceptivos de emergência em casos de estupro, o número de abortos permitidos pela lei teve redução significativa. “Houve redução de 50% depois que a portaria do Ministério da Saúde entrou em vigor”, afirmou.
Além de incluir no projeto que será encaminhado ao Congresso um trecho que torna mais claro o item sobre a prescrição da pílula do dia seguinte, o governo corrigirá uma imprecisão sobre o conceito de violência sexual. A nova redação considera violência sexual “todas as formas de estupro, sem prejuízo de outras condutas previstas em legislação específica”. Do jeito que está na lei sancionada hoje, o texto poderia excluir do conceito crianças e pessoas com deficiência mental, que não têm como dar ou não consentimento para atividade sexual.
Apesar da pressão de setores conservadores por vetos na lei sancionada hoje, Carvalho disse que o governo não espera resistência dos parlamentares para aprovar o projeto que modifica trechos da lei. “O que estamos fazendo é facilitar a vida do Congresso. Estamos tirando qualquer ambiguidade, qualquer margem de interpretação. Esperamos que não seja uma negociação difícil. É muito difícil que alguém agora se levante contra a precisão de um texto”, disse ele.
Para a ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, os artigos que serão corrigidos por projeto de lei (PL) são fundamentais para a aplicação efetiva da lei, com garantia de atendimento às vítimas de violência. “Os dois artigos que foram corrigidos em projeto de lei são fundamentais para o esclarecimento. O PL é dentro do contexto da violência sexual, do estupro, e nós, do governo, federal não compactuamos com o estupro, porque é uma tortura, é uma violência, é um sofrimento. E temos que ter solidariedade, humanidade, respeito e, sobretudo, piedade com as mulheres e crianças que sofrem violência sexual.”

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A barriga da princesa - e o que ela tem a ver com a sua

Celebridades se refugiam após o parto escondendo a 'gordura'. Kate apareceu com roupa sem esconder a barriga e causou polêmica. Do blog Feminismo pra quê?
kate george william
Ao lado de William, Kate aparece 
com George no colo

A jornada da heroína de um conto de fadas: conhece o príncipe, se apaixonam, se separam por um tempo, se reconciliam, se casam e, dizem, vivem felizes para sempre. Se houver uma gravidez e um herdeiro, melhor ainda. É assim em livro, em último capítulo da novela e nos sonhos não realizados da maioria das garotas. Kate Middleton vive isso. Há pouco mais de uma semana, a Duquesa de Cambridge apareceu radiante com o filho George no colo e o marido ao lado. Eles apresentavam à imprensa o bebê nascido após onze horas de trabalho de parto.
Um momento maravilhoso na vida de uma princesa da ficção, e das mães da vida real que desejaram parir.
Mas o problema foi a barriga de Kate.
Pela reação das pessoas nas redes sociais e de muitos jornalistas, não é de conhecimento público que mulheres que acabaram de dar à luz continuam barrigudas. No mínimo surreal, pois todos nós saímos da barriga de alguém, visitamos novas mamães na maternidade, acompanhamos irmãs, amigas e esposas neste momento. Mesmo assim, o fato de Kate Middleton aparecer gloriosamente vestindo uma roupa que não escondia sua barriga causou polêmica.
Porque em geral as celebridades escondem. Elas se refugiam logo após o parto, aparecendo somente depois de perder a "gordura da gravidez". Fotos? Só de rosto ou segurando o bebê no colo, escondendo a barriga. Muitas já fazem a primeira aparição nas passarelas. De biquíni. A imprensa vibra.
"Gisele Bündchen desfila de biquíni no Havaí dois meses após o nascimento de Vivian"
"Dieta de Juliana Paes: como atriz faz para entrar em forma depois da gravidez"
"Corpões pós-parto: Mamães internacionais exibem físico impecável após dar à luz"
"Dieta pós-parto de Beyoncé tem exercícios às 5h da manhã, omeletes e muita água gelada"
Todas as manchetes acimas são reais, e há incontáveis delas à distância de uma busca no Google. É uma corrida sem linha de chegada. As mulheres precisam ser bonitas para serem amadas. Sendo amadas, precisam ser mães. Sendo mães, precisam continuar bonitas para não serem abandonadas por aquele homem lá que lhe dá valor. Porque o valor está nele, claro, e não nela.
Essa busca insana e doentia por um padrão de beleza machuca pessoas, especialmente mulheres. Nós representamos 90% dos casos de transtornos alimentares. O índice de mortalidade de pacientes com anorexia nervosa chega a 20%. Uma mulher comum não pode levantar às 5h da manhã para fazer ginástica, a exemplo da cantora Beyoncé, simplesmente porque não dormiu a noite inteira com o bebê chorando. No entanto, a pressão por corpos perfeitos atinge todas nós, celebridades ou não, porque estamos permanentemente sendo julgadas por nossa aparência.
Se nem Kate Middleton, uma princesa, conseguiu, como é que você, plebeia, conseguiria?
A quem serve essa paranoia?
Naomi Wolf, em O Mito da Beleza, responde: "ideais não caem do céu. Eles vêm de algum lugar e servem a um propósito. Este propósito é geralmente financeiro, notadamente para aumentar os lucros das empresas que anunciam na mídia, que, em contrapartida, cria tais ideais. O ideais servem a um fim político. Quanto mais fortes as mulheres estavam se tornando politicamente, mais pesados ficaram os ideais de beleza, com o fim de distrair a energia dessas mulheres e derrubar seu progresso".
Precisamos destruir estes padrões e focar no que é realmente necessário para a mudança do mundo. Devemos repensar como o mito da beleza é exatamente uma ficção, assim como os tais contos de fadas. Mostra-se urgente que mulheres compreendam seu papel político na sociedade, entendendo que nosso valor está em nós mesmas, e não no olhar do outro, tampouco no tamanho das nossas barrigas.

Nota da ministra Eleonora Menicucci sobre a sanção do PLC 03/2013

A sanção do PLC 03/2013 pela Presidenta Dilma Rousseff representa, antes de tudo, respeito ao Congresso Nacional que o aprovou por unanimidade nas duas casas. Significa, também, respeito às mulheres que sofrem violência sexual, com a adoção de ações que amenizam seu sofrimento, com o atendimento imediato e multidisciplinar para o controle e tratamento dos impactos físicos e emocionais causados pelo estupro.
 
Esse PLC, de autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) e em tramitação desde 1999, está em consonância com a Constituição da República, com as normas nacionais referentes ao tema e com os tratados internacionais.
 
A violência sexual é uma das formas mais graves de violência. É considerada tortura, que vitima milhares de pessoas, sendo a maioria delas do sexo feminino. Segundo a Organização das Nações Unidas, calcula-se que, em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres se tornará uma vítima de estupro ou de tentativa de estupro no decorrer da vida.
 
O Brasil apresenta um dos piores índices de violência contra mulheres e meninas. É alarmante o número de crianças e adolescentes abusadas e exploradas sexualmente. Estima-se que, a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que em cinco anos os registros de estupro no Brasil aumentaram em 168%: as ocorrências subiram de 15.351 em 2005 para 41.294 em 2010. Segundo o Ministério da Saúde, de 2009 a 2012, os estupros notificados cresceram 157%; e somente entre janeiro e junho de 2012, ao menos 5.312 pessoas sofreram algum tipo de violência sexual. 
 
Vale lembrar que este é um dos crimes que apresentam grandes taxas de subnotificação. A não identificação desses casos pode comprometer o tratamento necessário para a saúde das vítimas de violência sexual.
 
Os dados demonstram, portanto, que a violência sexual no Brasil é uma questão de saúde pública. Os danos à saúde física e mental de quem sofre essa violência são imensuráveis e requerem uma ação efetiva e comprometida do Estado na atenção e no cuidado das vítimas e na repressão desse tipo de crime.
 
A lei complementar ora sancionada agiliza e dá maior sustentação jurídica às iniciativas e ações do Governo Federal nesse sentido, como o Decreto 7958/2013 (humanização e adequação dos serviços de saúde e dos IML, incluindo a guarda da prova), a Lei 10778/2003 (notificação compulsória dos casos de violência contra a mulher) e a Lei 10.886/4 (tipificação da violência doméstica no Código Penal Brasileiro). Fortalece, também, as normas técnicas do Ministério da Saúde que orientam a atenção e atendimento no Sistema Único da Saúde dos casos de violência sexual contra mulheres. 
 
Essa lei, em conformidade com a Constituição, Código Penal e as legislações vigentes, permite a expansão do atendimento, com impactos positivos na prevenção do aborto de mulheres vítimas de estupro. A esse respeito, dados do Ministério da Saúde são eloquentes a respeito dos resultados dos atendimentos prestados pelo SUS por meio dos Serviços de Atenção integral para mulheres e adolescentes em situação ou risco de violência doméstica. 
 
Por exemplo, a anticoncepção de emergência – referendada pela Organização Mundial de Saúde como insumo essencial para se evitar a gravidez fruto de estupro e que é utilizada com o conhecimento e consentimento da vítima– impede a fecundação do óvulo. Dados mostram que quando a rede de saúde oferece o serviço de anticoncepção de emergência, até antes de se completarem 72 horas do estupro, cai o número de abortos legais.
 
São indicadores como esses que mostram a oportunidade de se aumentar o amparo legal para esse serviço, permitindo que os profissionais  das redes públicas de todos os municípios brasileiros se sintam mais amparados e seguros para fazer o atendimento de qualidade. A sanção da lei desmistifica, também, eventuais mal-entendidos com relação ao termo “profilaxia da gravidez”. Este termo é sinônimo de prevenção, contracepção de emergência e redução da mortalidade materna com a realização do pré-natal. 
 
 
Eleonora Menicucci
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres
Presidência da República

Pesquisa de opinião pública sobre assassinatos de mulheres e violência doméstica será lançada, em 5/8, em coletiva com a ministra Eleonora

01/08 - Pesquisa de opinião pública sobre assassinatos de mulheres e violência doméstica será lançada, em 5/8, em coletiva com a ministra Eleonora
Dados serão comentados em coletiva de imprensa
Em São Paulo, evento revelará preocupação da sociedade brasileira com a violência de gênero
Com o objetivo de mensurar a opinião de brasileiras e brasileiros sobre a violência e assassinatos de mulheres, o Data Popular e o Instituto Patrícia Galvão realizaram pesquisa de opinião, cujos dados inéditos serão apresentados em coletiva de imprensa na próxima segunda-feira (05/08), às 11h, em São Paulo. 

O evento terá presença da ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), de representantes da coordenação nacional da campanha “Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha – A Lei é mais forte”, e do diretor do Data Popular, Renato Meirelles. 

Foram feitas 1.501 entrevistas com homens e mulheres maiores de 18 anos em 100 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 10 e 18 de maio deste ano. Os resultados revelam significativa preocupação da população brasileira com a violência doméstica e os assassinatos de mulheres pelos parceiros ou ex; a percepção sobre o que mudou com a Lei Maria da Penha; e considerações sobre as respostas do Estado frente ao problema.

Esta pesquisa contou com o apoio da SPM e da campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha, coordenada pelo órgão e realizada em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, o Ministério da Justiça, o Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça, o Conselho Nacional dos Defensores Públicos-Gerais e o Conselho Nacional do Ministério Público. A iniciativa visa efetivar a implementação da Lei 11.340/2006 e dar celeridade aos julgamentos dos casos de violência contra as mulheres.

Coletiva de imprensa para divulgação dos dados da pesquisa “Percepções sobre a violência e assassinatos de mulheres”
Data: 5 de agosto de 2013 (segunda-feira)
Horário: 11h
Local: Instituto Patrícia Galvão (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2.050, primeiro andar Ala B) – São Paulo/SP

“Para a mulher negra, escrever é um ato político”, afirma escritora Conceição Evaristo no 6º Festival Latinidades


01/08 - “Para a mulher negra, escrever é um ato político”, afirma escritora Conceição Evaristo no 6º Festival Latinidades
Conceição Evaristo fala sobre racismo e sexismo no país Foto: Tainan Pimentel/SPM
Na mesa de diálogo “Mulheres Negras Construindo sua História”, realizada com o apoio da SPM, autora incentivou a expressão literária e alertou para a ação do racismo nas artes e na academia
 
Homenageada do 6º Festival Latinidades 2013, a escritora Conceição Evaristo destacou que a mulher negra deve escrever sua história, já que ela não é contada por mais ninguém. “Para a mulher negra, escrever é um ato político”, declarou na mesa de diálogo “Mulheres Negras Construindo sua História”, organizada com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).
 
Reconhecida por sua produção reveladora do universo das mulheres negras e das relações raciais no Brasil, a autora incentivou o público do Latinidades a se expressar por meio da literatura. “Temos de nos apropriar das nossas histórias. Se não as contarmos, ficarão esquecidas”. E recuperou a constante luta das afro-brasileiras por visibilidade e respeito na sociedade, frisando: “quando a escrita é pessoal, a mulher negra está assumindo o direito de ser representada”. 
 
Sobre as dificuldades que as mulheres negras têm em tornar públicas suas ideias, Conceição alertou para o racismo linguístico, por vezes velado, existente no âmbito acadêmico. “Dizem que nosso texto é militante, literário... São formas de dizer que nossa presença incomoda e que não deveríamos estar ali”, sentenciou.
 
Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, em 1990, passou a publicar nos Cadernos Negros, editados pelo Quilombhoje, nos quais mantém constante produção de contos e poemas. Suas obras mais recentes são: os romances Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da Memória (2006), Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e o livro de contos Insubmissas lágrimas de mulheres (2011). Soma, ainda, publicações em antologias na Alemanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na África do Sul e em Angola.
 
No início deste ano, Evaristo foi uma das especialistas convidadas a participar da comissão julgadora do prêmio “Mulheres Negras Contam sua História”, iniciativa da SPM com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). O concurso agraciou cinco autoras de ensaios e cinco de redações, além de duas menções honrosas em cada categoria. Também fizeram parte da comissão julgadora: Cidinha Silva, Maria de Lourdes Teodoro, Matilde Ribeiro, Sueli Carneiro, Tania Toko e Valdice Gomes da Silva.
 
Resgate de sujeitos históricos – No Latinidades, a coordenadora-geral de Diversidade da SPM, Lurdinha Rodrigues, explicou que a premiação teve como objetivo estimular a reflexão sobre violência e superação do racismo e de todas as formas de preconceito e discriminação. “Foi um resgate do anonimato das mulheres negras como sujeitos na construção da história do Brasil”, avaliou Rodrigues na mesa de diálogo “Mulheres Negras Construindo sua História”, realizada na quinta-feira (25/07), em Brasília. A atividade recuperou o debate sobre os textos inscritos no concurso.
 
Para Lurdinha Rodrigues, o festival demonstra, ano a ano, a força das mulheres no enfrentamento ao racismo. Em sua sexta edição, teve apoio, pela primeira vez, da SPM.
 
Povo quilombola – Na mesa de diálogo, uma das premiadas na categoria ensaio do prêmio “Mulheres Negras Contam sua História”, revelou a história da comunidade quilombola de Pimentel, localizado em Pedro Leopoldo (MG). Cláudia Marques de Oliveira, do Programa Ações Afirmativas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), registrou que grupo vive há mais de 200 anos no local, mas não faz parte da história oficial da cidade, que tem apenas 89 anos.
 
A comunidade, que já teve três mil habitantes, hoje em dia tem menos de 30. Por causa do ativismo em prol do reconhecimento do grupo, Cláudia Marques já sofreu ameaças de morte e adoeceu. “Foi quando o prêmio surgiu. Para mim, foi uma oportunidade de recomeçar a luta e a minha própria vida”, disse.
 
Atualmente ela, que é descendente do povo quilombola gurutubano, luta pela implementação da lei 10.639/03, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino o ensino da história e cultura afro-brasileira. “Agora minha batalha pelos quilombos será via educação”, acrescentou Cláudia.
 
A coordenadora do Teatro Popular (SP), Raquel Trindade, não pôde comparecer à mesa de diálogo, em que seria debatedora. Em mensagem enviada para o evento, avaliou o significado do Festival Latinidades. “Dá a necessária visibilidade ao histórico de lutas e resistência da mulher negra na América Latina e traz à reflexão de temas relacionados ao racismo, sexismo, machismo e superação de desigualdades, com recorte de gênero e raça”, considerou ela, que foi premiada na categoria “redação” do prêmio “Mulheres Negras Contam sua História”.
 
A mediação dos debates foi feita por Cecília Bizerra Sousa, jornalista do Observatório do Direito à Comunicação e mestranda da Universidade de Brasília (UnB). 


Programa Jovem.Com divulga edital para seleção


Amazonas lança, nesta 5ª feira, concurso sobre prevenção à violência contra as mulheres


01/08 - Amazonas lança, nesta 5ª feira, concurso sobre prevenção à violência contra as mulheres
Secretária de Governo do AM, deputada federal Rebecca Garcia, e secretária Executiva de Política para as Mulheres do Amazonas, advogada Márcia Álamo, divulgam a campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha Foto: Silvia Castro
Serão escolhidas melhores redações, cartazes e desenhos sobre a Lei Maria da Penha, que coíbe a violência doméstica e familiar
 
O 1º Concurso Estadual sobre Prevenção à Violência contra a Mulher no Amazonas será anunciado, nesta quinta-feira (01/08), a partir das 17h, no Centro de Mídia da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc), em Manaus. Serão premiadas as melhores redações, cartazes e desenhos que representem a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), que completará sete anos na quarta-feira (07/08).
 
A ação é uma realização da Secretaria Executiva de Políticas para Mulheres (SEPM) e da Secretaria de Governo (Segov), em parceria com a Seduc. O lançamento oficial do concurso para as escolas do interior do Amazonas ocorrerá por meio de transmissão ao vivo do Centro de Mídia da Seduc. No local, as secretárias das Segov e da SEPM, Rebecca Garcia e Márcia Álamo, respectivamente, farão uma apresentação sobre o prêmio e falarão sobre a importância de difundir a Lei Maria da Penha dentro das famílias por meio dos alunos.
 
“O concurso tem o objetivo de envolver os educadores e estudantes no processo de reflexão sobre a importância da prevenção à violência contra as mulheres. Serão escolhidos o melhor desenho dos alunos do ensino fundamental (1º ao 5º ano); o melhor cartaz dos estudantes do 6º ao 9º ano; e a melhor redação sobre o assunto feita por um aluno do ensino médio ou do sistema de educação de jovens”, comentou Rebecca Garcia.
 
A secretária da SEPM, a advogada Márcia Álamo, informou que os estudantes das escolas estaduais terão até o dia 31 de agosto para se inscrever gratuitamente na sua própria escola. Segundo ela, vale como escolha originalidade, criatividade e correspondência ao tema e objetivo do concurso. “Os vencedores do concurso ganharão diversas premiações, com uma solenidade em novembro, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE/AM)”, disse.
 
Além disso, no dia 7, haverá solenidade no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), seção Amazonas, para o lançamento do concurso para as escolas estaduais localizadas na capital.
 
Os vencedores do concurso ganharão diversas premiações, com uma solenidade dia 25 de novembro, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE/AM).

Casamento não tem prazo de validade

Por Jones Figueirêdo Alves

Por pressuposto, o casamento (como instituição ou contrato oneroso) não tem vício redibitório (artigo 441, Código Civil), não tem defeitos ocultos, que o tornem inadequado à vida coexistencial do casal. A utilidade do casamento, ou seja, a aptidão ao uso a que se destina o casamento é o amor que unifica o casal no seu projeto de vida. Bem é dizer, então, que o interesse do casamento é a realização comum.

Consabido que o casal é o começo da história humana (Gêneses, 1, 26, 28, 31) e que o princípio da mútua pertença implica na sua razão de existência, tenha-se a tudo isso paradigmático o vínculo que une homem e mulher com o termo amor (Matheus 19, 4s). Na visão paulina, o de “quererem-se entre si, como parte um do outro”. Quem ama sua mulher ama a si mesmo (Efésios 5, 28).

É neste espaço relacional que o casal se reconhece como entidade, a construir a família a partir da eficácia da união. Em menos palavras, na complementaridade um do outro. O casamento perfeito simbolizado na Estrela de David, que é formada por duas estrelas, entrelaçadas entre si mas guardando suas próprias individualidades.

Um Casal Entidade, como símbolo ou protótipo de união idealizada de comunhão de vida, o de vida a sempre.

A relação do casal a ser estabelecida deve ter o ânimo de definitividade. Não deverá ser precária ou provisória. Como o interesse do casamento é o amor que determina a união, desse modo, o par sobreviverá uno, a cada dia novo. E com este Casal Entidade, a própria união (lato sensu) por ele formada. Afinal, somente assim, dignos do Amor do outro, o celebrarão vida a sempre, para que a felicidade os consagrem permanentes perante a vida e o próprio Amor que os unem.

O casal, portanto, é o duo paritário, em amor, direitos e deveres. Afinal, o êxito do casal impõe e compromete o homem e a mulher à conjugação de uma ordem dialogada e permanente de vida a dois. Assim, Deus viu tudo quanto havia feito e achou que estava muito bom (Gênesis 1,31).

Pois bem.

E quando o defeito oculto é imperceptível à diligência ordinária do contraente, induzido a erro por pressupor que o interesse do outro ao casamento seria o do amor e não motivado por interesse financeiro? A constatação superveniente de tal fato produz efeitos jurídicos? Claro que sim. O casamento contraído sob a égide do mero interesse patrimonial caracteriza erro essencial de pessoa, suscetível, portanto, de ser anulado (artigo 1.557 do Cóigo Civil).

O caso da novela Amor à Vida, onde o vilão Thales (Ricardo Tozzi) diz amar a orfã milionária Nicole (Marina Ruy Barbosa) que, em estado terminal de um câncer raro, admite com ele casar-se, de imediato, repete como obra de arte os fatos da vida.

Na vida real, Volmir (35), agricultor de Planalto (RS), “humilde e ingênuo”, em expectativa de receber vultosa Indenização, conheceu Odete (45) em encontro promovido pelo pai dela. Óbvio, daí, que ao encontro premeditado, seguiu-se imediato namoro e união livre, com diretivas de casamento que, também por óbvio, realizou-se rapidamente; certo também que a tanto, celebrou-se, logo ao primeiro mes de namoro, pacto nupcial onde o regime patrimonial eleito foi o da comunhão universal de bens.

Sucedeu, porém, que, um mês depois, Volmir não recebeu o pagamento da esperada indenização e Odete, por óbvio frustrada, abandonou a casa.

Acórdão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul constitui, agora, o capítulo final da novela real. É o do Processo nº 70052968930/2013, datado de 2 de maio passado, com provimento ao recurso de apelação onde Volmir pretendeu a anulação de seu casamento, indicando que foi induzido a erro a contrair núpcias com Odete, com ele casada por mero interesse econômico.

A decisão do relator, desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, acompanhada à unanimidade de seus pares, é paradigmática, a dizer suficientemente evidenciado que “o casamento foi realizado a partir de premissa do amor desinteressado que se gfragilizou rapidamente, e se revelou como puro interesse patrimonial, o que configura erro essencial quanto à pessoa da apelada.” Vale a pena transcrição do acórdão:

“Apelação Cível. Anulação de casamento. Alegação de erro essencial. Sentenhça reformada pela especificidade do caso. Doutrina. Precedentes jurisprudenciais. – O apelante, pessoa de pouca instrução, se viu rapidamente envolvido e, concomitantemente ao momento que conheceu a recorrida, já firmou pacto antenupcial de comunhão universal de bens e, em 30 dias, se casaram. Os fatos que dão causa ao pedido (ingenuidade do varão, ignorância acerca das consequencias da escolha do regime de comunhão universal de bens e alegação de que a mulher pretendia, apenas, aquinhoar seu patrimonio), no caso dos autos, são suficientes para caracterizar hipótese de erro essencial (artigo 1.557 do CCB – erro quanto à honra e boa fama)”.

Efetivamente, este casal é um casal sazonal, onde as esperanças transmudam-se em ilusões, em prazos curtos. Como disse Sinead O´Connor (cantora irlandesa): “Desculpe por não ser uma mulher mais normal” – dirigindo-se ao marido Barry Herridge, no momento da separação de ambos. Um casamento de apenas dezoito dias, embora não tenha sido contraído por razões econômicas.

Mas não é só. A decisão gaúcha faz demonstrar também factível a possibilidade material de vício de consentimento em estipulações do pacto antenupcial de bens. Isto porque, como contrato de definição do regime patrimonial, é anulável o negócio jurídico quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial (artigo 138, Código Civil); constituindo o erro sustancial o erro de fato por recair sobre circunstancia de fato, ou mais precisamente, “sobre as qualidades essenciais da pessoa ou da coisa”.

Como visto, os Thales e Odetes, vilões de novela e da vida, por certo, não ficam incólumes, ao fim e ao cabo dos casamentos de interesses.

Afinal, o casamento, “antes obrigatório, agora uma opção cultural” (Andrew Cherlin, 2008), será sempre uma instituição fundada pela idéia de infinitude dos casais que a formam; não tem prazo de validade. Por inequívoco, a fenomenologia do casal, em todos os tempos, indica que o único interesse do casamento deverá ser, sempre, o da celebração da vida feita a dois, unidos por amor.

Jones Figueirêdo Alves é desembargador decano do Tribunal de Justiça de Pernambuco, diretor nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e coordenador da Comissão de Magistratura de Família. Autor de obras jurídicas de direito civil e processo civil. Integra a Academia Pernambucana de Letras Jurídicas (APLJ).

Revista Consultor Jurídico
http://www.conjur.com.br/2013-ago-01/jones-figueiredo-relacao-casal-estabelecida-animo-definitividade

8º Fórum de Juventude da UNESCO será realizado em Paris de 29 a 31 de outrubro

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) vai promover o 8º Fórum da Juventude de 29 a 31 outubro em Paris, França. Este ano o tema é ‘Juventude e Inclusão Social: Compromisso Cívico, Diálogo e Desenvolvimento de Competências’.
O evento debaterá os principais objetivos do Programa de Juventude da UNESCO e formulará recomendações estratégicas para os Estados-Membros a serem apresentadas na 37 ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO, que acontecerá também em Paris de 5 a 20 de novembro. Para saber mais, clique aqui.

Jovem tailandesa vence concurso global de pinturas do PNUMA


Trabalho vencedor é de Chiratchaya Kaeokamkong, de 13 anos.
A tailandesa Chiratchaya Kaeokamkong, de 13 anos, foi a vencedora global da 22ª edição do Concurso Internacional de Pintura Infantil sobre Meio Ambiente, informou nesta terça-feira (30) o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que promove a competição. A obra de Chiratchaya foi escolhida entre 700 mil trabalhos de 110 países, todos feitos sob o tema “Água: a Fonte da Vida”, inspirado no Ano Internacional de Cooperação pela Água, celebrado em 2013.
Chiratchaya vai receber um prêmio de 2 mil dólares e uma viagem para Nova York, Estados Unidos, onde será a cerimônia de entrega em setembro. O americano Wesley Gong, segundo colocado, também participará do evento e receberá mil dólares. O concurso reconhece, ainda, os ganhadores regionais: Jessica Qiu (Estados Unidos), Tina Doumit (Líbano), Juan Diaz (Colômbia), Ephraim Finapri (Nigéria), Nattamon Ninkham (Tailândia) e Yevheniia Zakharchuk (Ucrânia).
A galeria com todos os trabalhos vencedores pode ser acessada em http://unep.org/tunza/children/22ndcompetition.aspx.
“Escolhemos este tema para reforçar que a água não vem do filtro ou de garrafas de plástico compradas no supermercado. É um recurso natural fornecido por áreas verdes para rios e lagos. Os jovens artistas mostraram não só que compreendem o papel dos sistemas naturais de prover recursos cruciais, mas também o impacto quando florestas e outros ambientes são degradados”, afirma o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner.
O Concurso Internacional de Pintura Infantil sobre Meio Ambiente é promovido anualmente pelo PNUMA desde 1991 e já recebeu mais de 3 milhões de trabalhos. A iniciativa é uma parceria com Bayer, Nikon e Foundation for Global Peace and Environment.

Inscrições abertas para a 23ª edição

As inscrições para a edição de 2014 do concurso já estão abertas. O tema será o combate ao desperdício de alimentos, como parte da campanha Pensar.Comer.Conservar, promovida em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Podem participar crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos. Para informações em inglês, clique aqui.

UNICEF lança iniciativa para acabar com violência ‘invisível’ contra crianças e adolescentes


Embaixador do UNICEF Liam Neeson
Embaixador do UNICEF Liam Neeson
A violência contra meninas e meninos frequentemente não é vista, ouvida ou denunciada, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta quarta-feira (31) ao anunciar uma iniciativa que convoca cidadãos, legisladores e governos a se pronunciar de forma mais contundente em relação à violência contra crianças e adolescentes.
A iniciativa foi criada no contexto da crescente indignação popular após os terríveis ataques ocorridos em todo o mundo como os disparos contra a adolescente Malala Yousafzai no Paquistão em outubro de 2012; o assassinato de 26 alunos e professores em Newtown, Estados Unidos, em dezembro de 2012; e os estupros coletivos de meninas na Índia e na África do Sul em 2013.
“Em cada país, em cada cultura, há violência contra meninos e meninas,” disse o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Sempre que crianças são feridas e onde quer que elas estejam, devemos mostrar e expressar nossa indignação e nossa raiva. É preciso que tornemos o invisível visível.”
Essa é a principal mensagem da iniciativa de enfrentamento da violência contra meninos e meninas lançada pelo UNICEF. A campanha pede que todos reconheçam a violência contra crianças e adolescentes, unam-se a movimentos globais, nacionais ou locais para acabar com ela e impulsionar novas ideias voltadas para ações coletivas pelo alcance desse objetivo.
O lançamento foi marcado pela divulgação de um vídeo narrado pelo ator e embaixador do UNICEF Liam Neeson. O vídeo mostra ao espectador uma série de cenas que representam a violência invisível. “Esta é uma menina de 15 anos sendo estuprada por várias pessoas”, diz ele enquanto a câmera mostra um local abandonado. “Este professor está batendo em um menino que respondeu a ele, enquanto o resto da turma assiste a tudo.
“Só porque você não consegue ver a violência contra crianças, não significa que ela não exista”, diz Neeson. “Torne o invisível visível. Ajude-nos a fazer a violência desaparecer. Una-se a nós. Levante sua voz!”
Cerca de 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos menores de 18 anos sofreram violência e exploração sexual, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que, a cada ano, 1,2 milhão de meninos e meninas sejam vítimas de tráfico de pessoas, segundo relatório de 2005 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A violência não apenas causa ferimentos físicos, mas também deixa marcas psicológicas. Ela afeta a saúde física e mental, comprometendo a capacidade de aprendizagem e socialização, prejudicando o desenvolvimento.

Iniciativa que agiliza processos de idosos é destaque no Maranhão

Um projeto especial, voltado para priorizar o julgamento de processos que tenham como parte pessoas idosas, tem alcançado grandes resultados na Comarca de Barão do Grajaú, no Maranhão. É o Estatuto do Idoso e a Prioridade na Tramitação, um programa instituído em homenagem ao Dia Mundial do Idoso, comemorado em 1º de outubro.
De acordo com o juiz titular da comarca, Iran Kurban Filho, o projeto teve início em 2012. "O objetivo era julgar até dezembro de 2012 todos os processos em que figuravam como partes pessoas idosas. O projeto foi concluído com sucesso e ensejou a segunda edição neste ano de 2013", destacou o magistrado.
Para 2013, o projeto visou a realização de um mutirão de audiências de conciliações em todos os processos que tramitam na comarca, ajuizados neste ano e nos quais figuram como partes pessoas idosas. O mutirão de conciliação foi dividido em quatro dias. Foram realizadas, no total, 110 audiências de conciliação em processos desse tipo.
Em 16 e 17 de julho, o projeto realizou 44 audiências que resultaram em um número expressivo de acordos, fazendo girar o valor aproximado de R$ 110 mil em benefícios dos idosos. "A iniciativa foi prestigiada pelas partes e pelos advogados, que ressaltaram a importância da prática da conciliação, considerada, nos dias de hoje, um dos objetivos do Judiciário", observou o juiz Iran Kurban.

Bale legal – O Estatuto do Idoso e a Prioridade na Tramitação busca respeitar as diretrizes traçadas pela Lei nº 10.741/2003 que, entre suas inúmeras disposições, determina, em seu artigo 71, a prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60  anos, em qualquer instância.
"Estamos felizes com a implantação desse projeto e, mais ainda, percebendo que ele está alcançando resultados e cumprindo sua missão, que é a prioridade ao idoso", disse o juiz.

Fonte: TJMA

Internos do PI e de SC denunciam agressões de monitores ao CNJ

Internos do PI e de SC denunciam agressões de monitores ao CNJ
Agência CNJ
Adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Piauí e em Santa Catarina relataram à equipe do Programa Justiça ao Jovem, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), maus-tratos sofridos dentro das próprias unidades de internação. Os agressores seriam monitores das instituições, segundo os relatos colhidos pelas então juízas auxiliares do CNJ Cristiana Cordeiro e Joelci Diniz, durante as visitas realizadas em meados do ano passado.
De acordo com os relatórios, publicados no Portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as juízas do CNJ ouviram queixas de violência por parte das equipes do Centro Educacional Masculino (CEM) e do Centro Educacional de Internação Provisória (CEIP), ambos em Teresina/PI. “Os adolescentes reclamaram que são agredidos por funcionários e temem represálias, caso relatem os fatos a seus familiares. Informaram que sofrem sanções administrativas, sempre relacionadas a contenção, ao alvedrio dos servidores e sem qualquer critério”, relataram as magistradas sobre a visita ao CEIP, realizada em agosto de 2012.
Além disso, o relatório do Justiça ao Jovem informa que, segundo juízes do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (TJPI), os adolescentes apreendidos são transportados em viatura policial (camburão), no meio de adultos, até a Central de Flagrantes, enquanto deveriam ser encaminhados à Delegacia Policial Especializada. Entre as recomendações do CNJ ao governo piauiense está o “transporte adequado aos adolescentes, os quais, em hipótese alguma, podem ser conduzidos em ‘camburão’”.
Em Santa Catarina, estado visitado em julho de 2012, as magistradas do CNJ ouviram denúncias de agressões “físicas e psicológicas” dos internos das unidades de internação de Lajes, interior do estado (CASE/CASEP Lajes). “Também foram observadas a insuficiência de técnicos para atender o número de adolescentes e uma postura inadequada de alguns agentes, denotando que o foco é a contenção e não a ressocialização”, afirmaram as juízas no relatório.
No Plantão de Atendimento Inicial (PAI), em Florianópolis/SC, as magistradas receberam denúncias de maus-tratos. “Relatou-se que os adolescentes, ao saírem para audiências, são obrigados a usar, além de algemas, marca-passos (algemas nos tornozelos)”. No relatório, o CNJ recomenda ao governo catarinense o fim do uso das algemas no traslado dos jovens.  

Programa – Ao longo de 2012, o Programa Justiça ao Jovem visitou 59 entidades de internação de adolescentes em conflito com a lei em 15 unidades da Federação, com o objetivo de garantir o cumprimento da legislação. Nessas visitas, que marcaram a segunda fase do programa, o CNJ retornou aos estados cujos sistemas socioeducativos foram identificados como os mais precários do País no Panorama Nacional de Execução das Medidas Socioeducativas de Internação, no intuito de garantir tratamento adequado aos jovens.

Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias

Mesmo após medidas socioeducativas, menores voltam ao crime

Levantamento do Poder Judiciário de Mato Grosso no Complexo Socioeducativo do Pomeri, em Cuiabá, mostra que 71% dos jovens em conflito com a lei tornam a cometer atos infracionais mesmo depois de submetidos a medidas socioeducativas. Outro levantamento da Polícia Judiciária Civil, com números referentes ao primeiro semestre do ano, confirma os altos índices de reincidência. Dados mostram que de cada 10 menores apreendidos, seis são reincidentes, ou seja, 60%.
A situação preocupa a Polícia e a Justiça. O delegado adjunto da Delegacia Especial do Adolescente (DEA), Eduardo Botelho, destaca que os resultados demonstram que os menores não estão sendo de fato recuperados e isso ocorre em função de uma somatória de fatores, entre eles a precariedade da estrutura socioeducativa, as questões familiares que não colaboram para a recuperação e o fato de os jovens abandonarem o ambiente escolar.
"Por isso que, ao lado do trabalho investigativo, é importante que a polícia faça também um trabalho preventivo, indo às escolas públicas semanalmente para realizar palestras, fazendo a abordagem solidária com o encaminhamento dos jovens às entidades filantrópicas para tratamento médico e psicológico", ressaltou o delegado.
O juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça, Antonio Veloso Peleja Júnior, endossa a análise e destaca o perfil do adolescente infrator. Conforme estudo feito por ele em março deste ano, ocasião em que era titular da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, a maioria dos menores é negra (32%) ou parda (56%); possui baixa escolaridade, com apenas o ensino fundamental (67%); ou, no máximo, o ensino médio (33%).

Drogas e roubo - Eles também são pobres e vêm de uma família desestruturada. "São jovens sem pai; as mães trabalham o dia inteiro para prover o lar; têm baixa autoestima e baixo rendimento escolar; vivem em ambiente perigoso, ou seja, em bairros periféricos de bastante violência e tráfico de drogas", complementou o magistrado. Na pesquisa, observou-se que as principais infrações cometidas por esses adolescentes são tráfico ou porte de drogas e roubo.
O juiz Peleja concordou com o delegado que se os adolescentes retornam à situação irregular é porque algo está falhando no cumprimento das medidas socioeducativas e várias questões precisam ser analisadas. "Não existem soluções simples e imediatas para problemas complexos; elas são lentas e graduais. Quando voltam para casa, os jovens precisam do apoio dos familiares e do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e Creas (Centro de Referência e Assistência Social) para o tratamento de toda a família", frisou.
O magistrado salientou a importância de os municípios construírem unidades de internação semiaberta, que faz a ponte entre a internação e a liberdade assistida, e também da necessidade de ampliação da rede de entidades que se dispõem a receber trabalhos comunitários de adolescentes infratores. Em Cuiabá, esse tipo de atividade para menores só existe no Museu do Rio. "É imprescindível estender essa rede de preferência para os bairros, em lugares próximos à casa do menor para facilitar que cumpram as medidas. Muitos desanimam porque têm que pegar dois ou três ônibus para chegar ao local", observou Peleja.

Fonte: TJMT

Universidades dos EUA são investigadas por ignorar casos de estupro

Alessandra Corrêa
Manifestação pedindo investigação de universidades | Foto: Change.org
Instituições em todo o país são investigadas após denúncias de alunas
Pelo menos sete universidades americanas estão sob investigação do Departamento de Educação dos EUA por supostamente ignorar casos de estupro em suas dependências.
Segundo denúncias de estudantes, as universidades não informam de maneira clara os procedimentos para reportar abusos sexuais e não investigam os casos adequadamente. As alunas afirmam que, em muitos casos, as vítimas são censuradas ou sofrem retaliações, enquanto os agressores não são punidos.
O episódio mais recente é o da University of Southern California (USC), em Los Angeles. Na semana passada, um grupo de alunas veio a público divulgar detalhes da denúncia encaminhada em maio ao Gabinete de Direitos Civis (OCR, na sigla em inglês) do Departamento de Educação.
O documento de 110 páginas relata mais de cem casos em que a universidade teria falhado em sua resposta a relatos de violência sexual no campus e serviu de base para a investigação oficial iniciada em junho.
Uma das estudantes, Tucker Reed, de 23 anos, disse à BBC Brasil que foi estuprada no campus pelo ex-namorado, em 2010, e denunciou o caso à universidade e à polícia em 2012. Ela afirma que chegou apresentar gravações em que o suposto agressor teria admitido o estupro, mas seu caso foi rejeitado.
"Esse processo se arrastou por vários meses", diz. "Senti como se tivesse sido estuprada novamente."
Uma das vítimas citadas na denúncia diz que ouviu da polícia responsável pela segurança no campus que mulheres não deveriam "sair, ficar bêbadas e esperar não ser estupradas". Outra relata que foi obrigada a continuar na mesma turma do acusado de estuprá-la.

Direitos civis

A investigação aberta pelo OCR busca determinar se os direitos civis das alunas foram violados e é baseada no chamado Title IX (Título IX), lei federal que proíbe discriminação sexual na educação. Em carta enviada a universidades em 2011, o Departamento de Educação afirma que "assédio sexual a estudantes, incluindo atos de violência sexual, é uma forma de discriminação sexual proibida pelo Title IX".
A USC disse em comunicado que quer trabalhar com os agentes federais para esclarecer qualquer preocupação e está revisando suas políticas para garantir o cumprimento da lei.
O caso não é isolado. Também são alvo de investigações as universidades da Carolina do Norte (em Chapel Hill), do Colorado (Boulder), da Califórnia (Berkeley), Occidental College (Los Angeles), Darthmouth College (Hanover, em New Hampshire) e Swarthmore College (nos arredores da Filadélfia, na Pensilvânia).
Em alguns casos, a investigação tem como base outra lei, o Clery Act, que exige que instituições de ensino superior monitorem e divulguem estatísticas criminais nos campi, incluindo crimes sexuais.
Ao responder às investigações, todas as universidades afirmaram que levam o assunto "muito a sério". Algumas, como Swarthmore e Occidental, já iniciaram revisões de suas políticas e treinamento de funcionários.

Redes sociais

Alexandra Brodsky em manifestação | Foto: Arquivo pessoal
Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades
Essa onda recente de investigações é fruto da articulação das próprias estudantes. Diante do que consideram desprezo e abandono por parte das universidades, elas romperam o isolamento geralmente sofrido por vítimas de estupro e iniciaram, com a ajuda da internet e das redes sociais, um movimento nacional contra violência sexual nas universidades.
Reed relatou sua experiência em um blog e criou o grupo Scar (palavra que significa cicatriz, mas também sigla em inglês para Coalizão de Estudantes Contra o Estupro). Seus relatos inspiraram alunas da Universidade do Colorado a fazer a denúncia ao governo.
As estudantes que denunciaram o Occidental College e o Swarthmore College afirmam ter recebido orientação das alunas que haviam feito a denúncia contra a Universidade da Carolina do Norte. Essas, por sua vez, dizem ter se inspirado no projeto "It Happens Here" ("Acontece Aqui", em tradução livre), iniciado por alunas do Amherst College, em Massachusetts, chamando atenção para o problema.
As alunas do Amherst buscaram ajuda na experiência de Alexandra Brodsky, uma das 16 alunas que denunciaram a Universidade de Yale (no Estado de Connecticut) ao Departamento de Educação em 2011.
"Estamos trabalhando em uma campanha para pressionar o Departamento de Educação a fazer com que a lei seja cumprida", disse Brodsky à BBC Brasil.
No mês passado ela coordenou um protesto em frente à sede do departamento, em Washington, como parte da campanha Ed Act Now ("Lei da Educação Agora", em tradução livre), que já coletou mais de 160 mil assinaturas.
As estudantes também estão lançando o projeto "Know your Title IX" ("Conheça seu Título IX"), para educar as alunas sobre seus direitos.
Brodsky conta que quando relatou à universidade que havia sido vítima de estupro, em 2009, ouviu dos diretores que era melhor não comentar o caso com ninguém.
"Ficou claro naquele momento que eu não seria mais a estudante ideal para Yale, mas um potencial desastre de relações públicas, que precisava ser silenciado", diz. "Me senti traída."
A universidade, uma das mais prestigiosas dos EUA, já havia sido alvo de investigação anterior, de 2004 a 2011, na qual foi multada em US$ 165 mil (cerca de R$ 373 mil) por não relatar episódios de agressão sexual em suas estatísticas criminais. No caso da denúncia de Brodsky, o Departamento de Educação não multou a universidade, que se comprometeu em melhorar suas políticas sobre casos de agressão sexual.
"A investigação encorajou mudanças na política da universidade, mas não ajudou a melhorar a maneira como as sobreviventes de estupro são tratadas", diz Brodsky.
"Eu já me formei. Mas continuo ouvindo relatos de estudantes que enfrentam os mesmos problemas.