Contribua com o SOS Ação Mulher e Família na prevenção e no enfrentamento da violência doméstica e intrafamiliar

Banco Santander (033)

Agência 0632 / Conta Corrente 13000863-4

CNPJ 54.153.846/0001-90

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Italianos lideram a lista de pretendentes a adoção de crianças brasileiras

28/08/2014 

A maioria dos casos de adoção internacional de crianças é feita por italianos. Dos 16 organismos estrangeiros credenciados junto à Autoridade Central Administrativa Federal (Acaf), 13 são da Itália. No Pará, por exemplo, de acordo com dados do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), desde 2005 foram realizadas 24 adoções  por italianos, 11 por franceses, duas por espanhóis e oito por americanos.

Na opinião de Ludmilla de Azevedo Carvalho, secretária-executiva da área de Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção Internacional (Cejai) a identificação cultural dos italianos com o povo brasileiro é um dos motivos de a maioria das adoções internacionais envolver pretendentes da Itália. “A Itália possui uma licença adoção que facilita a presença dos pais no estágio de convivência da adoção, que é no mínimo de 30 dias”, afirma Ludmilla.

Além disso existem outros fatores de estímulo. O governo italiano permite seis meses de licença remunerada, em caso de adoção internacional, e possibilidade de extensão para um ano com metade da remuneração. Ainda há casos em que casais conseguem licença do trabalho por dois anos, mas sem remuneração. “Os italianos têm grande admiração pelo povo brasileiro. Há muitos casos em que nossa ONG na Itália indica outros países como Vietnã, Índia ou Paraguai, mas quase sempre preferem o Brasil”, observa Sandro Rogério de Andrade Melo, da Azzione per Famiglie Nuove (AFN).

Ele ressalta também o perfil dos casais italianos que não conseguem ter filhos biológicos. Segundo ele,  em sua maioria são católicos, o que pode impedir a utilização de métodos artificiais de reprodução. Outro motivo para a prevalência dos italianos nas adoções de crianças brasileiras, segundo os especialistas, é o limite maior de tolerância em relação à idade. No Brasil, tradicionalmente a maioria dos pretendentes à adoção prefere crianças pequenas e bebês. No Distrito Federal, por exemplo, já foram realizadas, este ano, 6 adoções internacionais, todas por italianos, envolvendo crianças maiores de quatro anos, sendo duas delas já com onze anos. Em 2012, foram realizadas sete adoções, sendo que cinco delas envolvem crianças maiores que nove anos.  

No entanto, dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça, demonstram que também está aumentando o limite de idade na adoção nacional, ou seja, os pretendentes brasileiros têm aceitado com mais frequência crianças maiores. Prova disso é que enquanto agora, em agosto, existem 242 pretendentes aptos a adotar crianças com 10 anos de idade, em agosto de 2012, apenas 179 aceitavam crianças nessa faixa etária.  

Providências – Não existe no Brasil um organismo americano credenciado no país para agilizar as adoções internacionais. Quando ocorre, o processo de adoção é feito diretamente do governo americano para o governo brasileiro, em caráter excepcional, de acordo com a necessidade da criança.

Foi pensando nisso que a Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) se reuniu, na última quarta-feira (20/8) com representantes do Setor de Vistos de Imigrantes do Consulado dos Estados Unidos. Uma das metas  é aumentar a adoção de crianças mais velhas (maiores de 10 anos).

Luiza de Carvalho
Agência CNJ de Notícias

Boletim de ocorrência serve como representação de pais de vítima de abuso sexual

31 de agosto de 2014

Por entender que o boletim de ocorrência (BO) registrado por mãe de ofendida por crime sexual é "demonstração inequívoca" do intento de ver o suposto crime investigado, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina acolheu recurso do Ministério Público contra sentença que envolveu prática de crime sexual e determinou que fosse dada sequência ao processo contra o acusado.
O magistrado de origem extinguiu a ação com o entendimento de que o Ministério Público não tem legitimidade para propor a ação penal em nome da vítima, sem representação específica. A Câmara, porém, anulou essa decisão, alegando que o BO supre a representação, especialmente quando a vítima tem menos de 14 anos.
O relator, desembargador Rui Fortes, observou que "houve duas tentativas inexitosas de citação, percebendo-se, com isso, a diligência do juízo em buscar a cientificação pessoal acerca dos fatos atribuídos ao recorrido". Prova disso é a citação por edital, que deu oportunidade ao suspeito de saber da acusação e buscar um defensor. Mas "quedou-se silente ao chamamento judicial", acrescentou Fortes. Com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Revista Consultor Jurídico

Meditação ou testosterona?

Existem mulheres que trabalham e malham quase como se fossem homens, com ajuda de hormônios (Foto: Ilustração de Mike Deodato)

Na 'Visita' de hoje, Claudia admite que não é super mulher - nem deseja ser

31/08/2014

Um mês e meio sem ajuda em casa. Minha ajudante, braços direito e esquerdo há 10 anos, resolveu tirar merecidas férias - de um mês e meio. Tinha de ir ao Pará visitar a família que não visitava havia 12 anos. Combinamos e lá se foi ela, malas e tudo, enquanto eu garantia que dava conta, e que a vida de mãe solteira que trabalha fora, com uma filha de 11 anos, pode perfeitamente ser levada adiante sem empregada, e vambora.

TIve ajuda em casa desde o dia em que a minha filha nasceu. Val esteve comigo desde os cinco meses da Ju, com toda disponibilidade do mundo, exceto finais de semana - porque eu sempre fui contra esse negócio de folguista. Afinal, se você tem pouco tempo para ficar com seu filho durante a semana, e nos fins de semana contrata uma babá, quando afinal de contas fica com ele(s)?

Bom, mas o fato é que Val é quase minha alma gêmea: mesma idade, mesmo signo, me completando nas coisas em que me sinto menos capaz, enquanto eu compenso suas idiossincrasias, e assim passaram-se muitos e muitos anos, nem sempre de harmonia, mas com a plena certeza de que uma mulher separada com uma filha pequena e família morando longe simplesmente não tem vida profissional - e pessoal - sem ajuda. Vale o investimento, e  não há PEC capaz de mudar isso.

Me chateiam um bocado as críticas da junta de mães xiitas que, acima do bem e do mal, olham torto para quem contrata babás. Respeito quem não tem dinheiro para contratar uma boa ajuda, porque de fato é caro. Mas nunca vi uma mulher ter vida profissional ativa e cuidar de filhos sem ajuda.  Geralmente as críticas vêm de mulheres com trabalhos bem flexíveis ou inexistentes, ou que contam com a ajuda de mães, sogras, tias. Não existe super mulher.

Ou melhor...recentemente, descobri que elas existem. E elas são muitas e estão por toda parte. Uma verdadeira legião de mulheres que decidiram viver suas vidas de um jeito mais...masculino. Buscam a força em aditivos hormonais que as tranformam em verdadeiras máquinas de libido, músculos, disposição e bom-humor. O segredo são implantes de gestrinoma e testosterona, que estão sendo usados com objetivos diversos: combate à TPM, anticoncepcional (no caso da Gestrinoma), aumento da libido e da disposição, emagrecimento. 

Os efeitos são semelhantes aos das "bombas", bem como os possíveis efeitos colaterais como aumento dos pelos, mudança da voz, inchaço das glândulas, acne, insônia, queda de cabelos...e riscos maiores que chegam a câncer no útero. Não existe almoço grátis.

Os depoimentos do lado positivo são incríveis: você trabalha muito, malha feito uma louca e ainda encara a noitada feliz. E não vê uma celulite no corpo. A pele fica firme, a vida segue linda. Outra pessoa que ouvi me relatou que passou a se sentir mais masculina no jeito de ser: menos sentimental, mais objetiva e prática nas decisões, no jeito de pensar. Algo reservado, em geral, aos homens. Nós mulheres convivemos, em geral, com uma profusão de progesterona que nos embota a perspectiva.

Colocando tudo na balança, me pergunto em que momento a saúde deixa de importar realmente e o desejo de ser super mulher fala mais alto. Deve ser em fases assim, como a que eu vivi nas últimas semanas, quando se tem a sensação de não dar conta de si mesma, e os hormônios femininos - sempre eles - confundem a autoestima, a consciência, a sapiência.

Nesse último mês e meio, me senti frequentemente fraca demais para dar conta de "tudo": cuidar bem da minha filha, ter uma alimentação saudável, me exercitar, dormir horas suficientes, cuidar bem da casa, do jardim, manter vida profissional em dia, ser uma companheira atraente, bacana e agradável para o parceiro, enxergar a vida de um jeito leve, bem-humorado. 

Quando, no meu aniversário, o marido me deu de presente um curso de meditação, tive a certeza de que os sinais do meu stress estavam por toda parte.

Mais que meditação, de repente a ideia de um pouco de hormônio masculino pareceu perfeitamente aceitável para me salvar do fundo daquele poço. Talvez um pouquinho de testosterona fosse exatamente o que estivesse me faltando para que o mundo ao meu redor parecesse menos ameaçador e os desafios, simples e corriqueiros. Essa força tornou-se mais do que  meu sonho de consumo, virou obsessão.

Pesquisei o telefone do médico dos implantes, um bambambã que só vem ao Rio de vez em quando e é recebido por filas de espera imensas. Mas, no lugar de discar para ele, liguei para a Val, minha fiel escudeira, e pedi que por favor voltasse logo. Seus últimos 10 dias de férias acertamos depois. Naquela altura, eu faria qualquer oferta para convencê-la. Pronto.

Aliviada com a perspectiva de voltar à vida normal, deu vontade de rir de todo o episódio. E confesso que, de tudo, o que mais senti falta nessas últimas semanas foi justamente do senso de humor.

O fato é que não tenho mesmo talento para ser super mulher. E sinceramente não quero ser capaz de dar conta de tudo, porque me parece insustentável. Saber respeitar os próprios limites costuma ser a chave de uma vida equilibrada e saudável - valores que me são mais caros do que manter o corpo sarado e a disposição de Red Bull.  Me sinto capaz de viver com meus defeitinhos, fraquezas e acho graça desafiá-los. Fazem parte da minha história e do meu jeito, me tornam única. O que me incomoda vou tentando compensar aqui e ali com esforços possíveis.

Lembro a primeira vez que entrei numa sala para fazer ioga. Senti falta dos espelhos. Pensei, comigo:  como me corrigiria "no espelho"? Aos poucos mudei o foco do olhar e da mente e me dei conta de que eu tinha era que olhar para dentro, tomar consciência do meu próprio corpo, e me desconectar não só da sua aparência no espelho e de sua  imagem refletida, mas da imagem das demais pessoas ao meu redor, em constante estado de comparação. É um exercício e tanto.

Semana que vem começo o curso de meditação. Alimento pra alma, diz o marido. Bom ter por perto alguém que se preocupa, afinal de contas, com o que realmente importa e cria sentido pra vida. Bom domingo!

perfil Claudia Penteado - blog da Ruth (Foto: ÉPOCA)

Você votou e já temos a primeira versão do aplicativo de combate a violência contra a mulher

25 de agosto de 2014
app
Na última  sexta-feira, 22 de agosto, foi lançado a primeira versão do PLP 2.0, vencedor pelo voto popular do Desafio Impacto Social do Google | Brasil.
plp2.0

Acesse o Portal PLP 2.0 e saiba mais

Esta 1ª versão é somente para smartphones ANDROID e dá as usuárias a possibilidade de criar uma rede pessoal de proteção.
Esta versão está sendo testada para melhor atendermos as usuárias. Por favor nos relate no site www.plp20.org.br as dificuldades encontradas no manejo do aplicativo.
rede-de-protecao
Clique em MINHA REDE DE PROTEÇÃO e crie sua própria rede cadastrando até 5 numeros de telefone de pessoas da sua confiança que podem socorre-la numa situação de risco.
plp20_1
Na opção ATIVO você pode agitar o seu smartphone e enviar mensagens SMS para os telefones cadastrados com a sua localização. E você pode também desativar seu aplicativo.
app

Fortalecendo uma rede combate a violência contra a mulher clique e conheça o site

Geledés

Mais de 2 mil mulheres e crianças foram sequestradas pelo EI

 Jihadistas | 01/09/2014

Mais de 2 mil mulheres e crianças estão sequestradas no Iraque pelos jihadistas do Estado Islâmico, que as mantém presas em diferentes lugares

Genebra - Mais de duas mil mulheres e crianças estão sequestradas no Iraque pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI), que as mantém presas em diferentes lugares, segundo informações recolhidas pela Missão das Nações Unidas neste país, que acredita que o número real possa ser "muito maior".

"Mulheres sequestradas puderam ligar para a Missão e informaram que o EI tirou seus filhos e que as mulheres são entregues aos combatentes, vendidas ou escravizadas por se negar a se converter (ao islã)", disse o coordenador de todos os analistas e grupos de trabalho de direitos humanos da ONU, Chaloka Beyani.

Em uma sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o Iraque, também foi denunciado o recrutamento forçado de crianças pelo grupo extremista, que as envia à frente de combate para que sirvam de escudos dos combatentes adultos.

Outras são obrigados a dar o sangue para insurgentes feridos, enviadas a patrulhar, a ocupar postos de controle ilegais e em alguns casos a perpetrar ataques suicidas.

"Informações verificadas de Mossul, assim como de Salahedine e Diyala, dão conta do uso de crianças de 13 anos para patrulhar com membros adultos do EI, carregando armas que às vezes são maiores que eles mesmos", indicou a representante especial da ONU sobre as crianças em conflitos armados, Leila Zerrougui.

Ao expor a situação dos menores nas zonas do Iraque onde está presente o EI, disse que receberam 413 relatórios de violações contra crianças desde o início do ano.

"As violações mais frequentes são os assassinatos e as amputações de crianças, com 693 casos reportados, em sua maioria devido a ataques indiscriminados e bombardeios de áreas povoadas, tanto por forças governamentais, como por grupos opositores, incluído o EI".

A estes últimos são atribuídas execução de crianças, junto com outros civis, nas áreas sob seu controle.

A ONU também denunciou que a liberdade de religião está sob ataque no Iraque mediante as conversões forçadas, a expulsão e o exterminamento das comunidades religiosas não sunitas.

Segundo informações confiáveis, os jihadistas estão destruindo - demolindo ou dinamitando - estruturas de grande significado cultural e religioso, como mesquitas, santuários e outros lugares de culto. 

Todos os tipos de infidelidade

A infidelidade não é um desvio de caráter, mas um comportamento-padrão a evitar, afirma um psicólogo após estudar milhares de casais

NATÁLIA SPINACÉ
31/08/2014
Infidelidade (Foto: Getty Images/Ikon Images)
(Foto: Getty Images/Ikon Images)
Não engane a si mesmo: traições acontecem, o tempo todo e desde sempre. Clássicos da literatura, como Anna Karenina, de Liev Tolstói, Madame Bovary, de Gustav Flaubert, e O primo Basílio, de Eça de Queiroz, trataram do poder destruidor delas. Mesmo assim, pesquisas mundo afora mostram que o número de adúlteros, entre homens e mulheres, só cresce – talvez porque mais gente traia, talvez porque mais  gente tenha coragem de admitir. Pouco se avançou, porém, em tentar explicar as razões que levam à quebra do pacto de confiança e exclusividade e entender como evitá-la. Em O que faz o amor durar (editora Fontanar, 248 páginas), o americano John Gottman, doutor em psicologia e pesquisador na Universidade de Washington, apresenta uma nova forma de olhar para esse mistério.
Ao lado da mulher, a também psicóloga Julie Schwartz Gottman, ele estuda o comportamento de casais há mais de quatro décadas. Em seu laboratório, analisa a linguagem corporal, as expressões faciais e tudo o que é dito entre milhares de casais. Para ele, existe um padrão de comportamento que leva à quebra do pacto, e há muitas formas de infidelidade independentes da temida traição física. “Nossa cultura relaciona a infidelidade a um desvio de caráter ou falta de disciplina, mas isso não é verdade”, diz Gottman. “A maioria das traições não é causada por desejo sexual, e sim por alguma carência afetiva.”

As ameaças ao namoro feliz (Foto: Reprodução)Para Gottman, trair vai além da intimidade física com outra pessoa. Um relacionamento amoroso convencional é um contrato de confiança, respeito e proteção mútuos. Tudo que viole esse contrato constitui infidelidade. Além da traição física, ele lista outros dez tipos. Um é o “comprometimento condicional”. Consiste em estar com alguém, mas atento a outras oportunidades. “O indivíduo se sente no direito de flertar e de investir em outras pessoas, mesmo comprometido”, diz. Outro tipo é o “rompimento de promessas”. Uma das partes deixa de cumprir algo previamente combinado, como guardar uma parte do salário ou não sair durante a semana(leia os dez tipos no quadro ao lado).


Apesar das credenciais acadêmicas de Gottman, estudiosos questionam a busca de padrões na infidelidade. “Em relacionamentos, é difícil definir regras que sirvam a todos”, diz  a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora do livro Por que homens e mulheres traem?. Ela estuda a infidelidade há mais de 20 anos. “Nos casos que estudei, cada casal funciona de um jeito, não há um padrão.”
Gottman discorda. Afirma ter detectado um ciclo de ações e reações que mais comumente levam casais a sucumbir a quaisquer desses tipos de infidelidade, inclusive a física. Chama o primeiro estágio de “estado de negatividade”. Tem início quando um dos dois deixa de dar atenção ou apoio ao outro. As situações podem ser as mais variadas – de faltas sérias, como não estar presente na morte de um parente do outro, a descuidados banais, como se esquecer de cumprir uma tarefa doméstica. Quando o sentimento de mágoa por essa falta não é expressado, ele também não é esquecido. O lado magoado passa a provocar o outro. Isso torna os atritos mais frequentes e leva ambos a assumir uma atitude defensiva. A comunicação fica mais difícil e está instalado o estado de negatividade. Começa a segunda etapa do ciclo que leva à traição: as comparações negativas.

Nesse ponto, um dos parceiros compara seu companheiro ao perfil de um estranho na internet, a um colega de trabalho, a um parceiro do passado ou a um amor platônico. Na maioria das comparações, o cônjuge perde, porque, no estado de negatividade, é difícil perceber e lembrar das qualidades do outro. O distanciamento e a frustração criam o ambiente propício para a traição física e para os outros dez tipos de infidelidade.

A estratégia mais básica para manter um bom relacionamento, segundo Gottman, é evitar iniciar o ciclo, em vez de tentar interrompê-lo depois. É preciso expressar as emoções e conversar sobre os incômodos. Importa também manter em dia o pacto e as combinações – se uma parte não tem condições de cumprir o combinado, é melhor conversar e mudar o pacto, em vez de desrespeitá-lo continuamente. No livro, Gottman ensina técnicas que fazem a conversa render, como usar mais “eu” do que “você”. A ideia é mais explicar ao outro o que se sente, menos fazer críticas. Casais devem atentar para todas as formas de infidelidade e considerá-las sinais sérios. Melhor que tentar resistir às tentações é impedir que elas proliferem.

Época

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: UMA QUESTÃO DE GÊNERO

Histórias em quadrinhos: uma questão de gêneroHQs não são protagonizados apenas por figuras masculinas: há diversas tramas centradas em personagens femininas, criadas tanto por quadrinistas mulheres, como homens. Este é o tema de estudo da pesquisadora Ediliane de Oliveira Boff em sua tese de doutorado
Por Anna Beatriz Anjos
Quando pensamos em histórias em quadrinhos, logo nos vêm à cabeça os grandes super-heróis mais famosos: Batman, Superman, Homem Aranha, Gladiador. Todos homens, musculosos e protagonistas das tramas. Quando uma mulher aparece, está quase sempre na condição de “mocinha” que precisa ser salva pela figura máscula, tão bondosa e forte. É sempre assim, certo?
Errado. Há sim quadrinistas que tentem romper com os estereótipos ligados às representações femininas. Este foi o objeto de estudo da publicitária Ediliane de Oliveira Boff em sua tese de doutorado, aprovada pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “De Maria a Madalena: representações femininas nas histórias em quadrinhos” aborda a forma com que o feminino aparece em diversas obras, tanto ao redor do mundo, como no Brasil.
Além das representações da mulher em HQs, Boff estudou também seus autores. É possível um artista homem combater o machismo em seus quadrinhos, ainda que não seja o principal alvo de opressão da sociedade patriarcal? Segundo a pesquisadora, a resposta é positiva, “porque nem todas as mulheres estão preocupadas ou interessadas em discutir e combater o machismo. E nem todas as mulheres têm condições sociais e psíquicas de discutir e combater o machismo”.
Confira, a seguir, a entrevista na íntegra:
Fórum – Como surgiu seu envolvimento com a temática da representação feminina nos quadrinhos? Desde quando a estuda? Por que decidiu focar sua tese de doutorado nesse campo específico?
Ediliane de Oliveira Boff – Meu interesse nos quadrinhos é anterior ao meu interesse em estudar as representações femininas nessas narrativas. Como tema de investigação comecei a me interessar pelas narrativas gráficas quando tive que fazer minha monografia de final de curso de graduação em comunicação, na UNIJUÍ, no Rio Grande do Sul. Eu sabia que gostaria de pesquisar sobre a relação entre HQs e identidades, mas não sabia especificamente de qual obra tratar naquele momento. Então, meu orientador na ocasião, o professor Paulo Ernesto Scortegagna, sugeriu que eu tratasse do personagem Radicci, de Iotti – uma caricatura do descendente de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul. Acabei gostando do tema e vi, posteriormente, que nos quadrinhos de Radicci a relação entre ele e sua esposa Genoveva era fundamental na constituição das histórias. A partir daí eu comecei a ficar mais atenta para a questão de gênero nessas narrativas. Depois, seguindo nessa área, pude ver como a representação feminina constituía um problema no campo dos quadrinhos, sendo que, apesar da existência de grandes personagens femininas que podem ser consideradas bastante transgressoras, muitas outras eram representações estereotipadas e que permaneceram por muito tempo como personagens secundárias e pouco relevantes nas histórias. O outro motivo para que eu fosse pesquisar o gênero nos quadrinhos foi a minha própria experiência como mulher e minhas inquietações e indignações em relação as posições sociais de meu gênero.
(Foto: Reprodução)
Luluzinha, criada por Marjorie Henderson Buell, em 1935 (Foto: Reprodução)
Fórum – Seu trabalho foi dividido em duas partes: a primeira abordou protagonistas femininas de quadrinhos idealizadas por artistas homens; já a segunda tratou de protagonistas femininas a partir das perspectivas das próprias mulheres. Quais as diferenças, em termos de representação do feminino, entre estes dois “grupos” que criou, para efeitos de estudo?
Boff – Como você disse, a divisão foi criada para efeito de estudo e essa é uma questão relevante. Fiz a divisão pois me interessava conhecer o contexto de produção dessas histórias. Uma história feminista ou uma história machista (apesar das críticas à oposição entre essas duas esferas existir, já que o machismo opera com a premissa fundamental de que as mulheres são inferiores e o feminismo opera com a premissa fundamental de que as mulheres não são inferiores) pode ser produzida por homens, mulheres e “gêneros mistos”. No entanto, a atmosfera social em que cada um está inserido é bastante diferente e, de uma maneira ou outra, influencia na produção.
É possível notar, por exemplo, uma maior preocupação em discutir as libertações e repressões sexuais das mulheres na produção das mulheres analisadas na tese. Também é possível constatar maior atuação política na questão do gênero, por parte dessas mulheres. Quanto a temáticas como amor, relacionamento, romantismo, consideradas tradicionalmente como assuntos femininos, é possível encontrá-las igualmente na produção de ambos os gêneros. É necessário enfatizar, contudo, que essa divisão entre produção feminina e produção masculina deve ser vista de maneira bastante crítica se pensarmos no mercado editorial de quadrinhos. Não faz nenhum sentido, por exemplo, agrupar um número x de mulheres para publicar quadrinhos em determinado dia da semana em um jornal, e agrupar um número x de homens para publicar quadrinhos em outro dia da semana no mesmo jornal, sem que se faça alguma relação entre gênero e temática, por exemplo. A segmentação significa, sim, a abertura de outro espaço de publicação, mas não significa necessariamente um rompimento com estruturas tradicionais e conservadoras que continuam demandando a manutenção de seus tradicionais lugares de poder.
Fórum – Em uma entrevista ao portal da USP, você disse que a simples presença de mulheres não basta para que o cenário masculinista da produção de quadrinhos seja mudado. Por quê? Poderia citar alguns exemplos?
Boff – Porque nem todas as mulheres estão preocupadas ou interessadas em discutir e combater o machismo. E nem todas as mulheres têm condições sociais e psíquicas de discutir e combater o machismo. E ainda há quem tire proveito dos modelos tradicionais de ver o gênero feminino e masculino. É possível encontrar no mundo dos quadrinhos artistas mulheres que reforçam (ou em algum momento reforçaram) estereótipos femininos como o da histeria e instabilidade emocional, como por exemplo algumas histórias de Mulheres Alteradas, de Maitena. E é possível encontrar histórias que questionam e debocham dos estereótipos femininos em relação à sexualidade etc, tais como as obras das quadrinistas Claire Bretécher, Aline Kominsky Crumb, Carol Galais entre muitas outras. Apesar das contradições existentes em cada história, é possível encontrar mulheres que defendem as estruturas tradicionais e mulheres que defendem o rompimento dessas estruturas. Se tivermos 90% de mulheres dispostas a manter as estruturas tradicionais nos quadrinhos (entre produtoras, consumidoras, editoras etc), é muito provável que haja a manutenção desse cenário.
Fórum – Algumas correntes de movimentos pregam que apenas os oprimidos podem falar plenamente sobre sua opressão e, assim, assumir o protagonismo da sua luta. Durante a sua pesquisa, isso se confirmou? Ou você encontrou artistas homens que, em seus quadrinhos, contestavam o machismo tanto quanto as mulheres?
Boff – Não acredito que apenas o oprimido possa e deva falar sobre a sua opressão. É preciso reconhecer, contudo, que não é a mesma coisa falar sendo oprimido e falar sendo opressor, ainda que um opressor consciente e dedicado a desfazer a opressão. Também é preciso reconhecer que é possível ser oprimido e opressor ao mesmo tempo. Minha pesquisa trouxe exemplos de muitos artistas homens que contestaram, de uma forma ou outra, o machismo. Muitos artistas homens possuem discursos claramente feministas. Contudo, esses artistas, a não ser que passem por uma transformação de gênero, como foi o caso de Laerte, não passarão pela experiência da opressão feminina, o que não significa dizer que eles não tenham passado por outras experiências opressoras e nem que o machismo também não possa oprimi-los. Os homens também são oprimidos pelo machismo, mas não da mesma forma como são oprimidas as mulheres. A opressão opera de maneira diferente em cada grupo e isso deve ser levado em conta.
(Foto: Reprodução)
Brenda Starr, criada em 1940 por Delia Messick – repórter que discutia sua posição enquanto mulher em seu universo de trabalho (Foto: Reprodução)
Fórum – De que maneira o título da sua tese – “De Maria a Madalena” – se confirmou – ou não – no decorrer da sua pesquisa? Existe essa contraposição extrema de visões sobre a mulher, ou isso veio se modificando com o tempo?
Boff – A oposição entre dois estereótipos femininos – a virgem santa e a prostituta – existe. Também é verdade que essa oposição tem sido suavizada nas atuais criações de quadrinhos. E também é verdade que as figuras de Maria e de Madalena não são oposições como se fez crer. Entre Maria e Madalena e entre outras oposições há sempre uma infinidade de outras manifestações, e, nesse caso, sempre há a dúvida de se Maria e Madalena constituem oposições de fato.
Fórum – Você consegue destacar alguns trabalhos, ou mesmo artistas, que inovaram na representação do feminino nos quadrinhos? Há alguns que podem ser chamados de revolucionários? Por quê – e você poderia contextualizá-los, por favor?
Boff – A revolução não é um movimento individual, portanto não acredito em um artista que tenha revolucionado. Há, é verdade, artistas que possuem uma espécie de ímpeto revolucionário ou vontade de mudar as coisas ou ainda outra visão das coisas, mas poucos empregaram esse espírito em uma crítica agressiva ao paternalismo e a condição de pobreza das mulheres, por exemplo.
Já se considerarmos a inovação, podemos citar várias personagens e artistas pioneiras. A Mulher-Maravilha, por exemplo, criação de William Moulton Marston, publicada em 1941, constituiu uma inovação, já que é uma das grandes heroínas de quadrinhos, com toda a sua força representativa. Brenda Starr, criada em 1940 por Delia Messick, a repórter que questionava sua posição de gênero em seu universo laboral, também inovou no tema, já que apresentava a personagem feminina a partir de uma profissão e não como dona de casa ou esposa/mãe, como era comum nos quadrinhos. A própria Luluzinha, criada por Marjorie Henderson Buell, em 1935, figura infantil que também deu a sua contribuição com a discussão de gênero. Personagens que saiam dos estereótipos “feminino cor-de-rosa” disseminados pelas Historietas Sentimentales na Espanha, por exemplo, tais como Esther (ainda que mantendo alguns preceitos românticos) também podem ser consideradas precursoras; as personagens femininas de Claire Bretécher, na França dos anos 70/80, e suas características andróginas, são igualmente sintomas das modificações sociais em relação ao gênero. Também podemos citar as personagens femininas do Underground (protagonistas criadas por Aline Kominsky, Trina Robbins), entre muitas outras que, em determinado momento, contribuíram com o rompimento de padrões hegemônicos do gênero feminino.
Fórum – Como é o cenário de quadrinistas mulheres no Brasil, hoje? E no mundo? O número vem aumentando?
Boff – Seguramente as quadrinistas ganham maior visibilidade hoje. No Brasil essas movimentações que pretendem por em evidencia o trabalho das mulheres é recente, mas tem ganhado força. Essa visibilidade é ainda bastante menor se considerarmos o número de artistas homens. Muitos eventos de quadrinhos continuam ignorando a presença feminina nos quadrinhos como protagonistas e autoras nesse cenário, por exemplo. E discutir o assunto gênero parece, ainda, um quase tabu. Mas é notável a abertura dos espaços para as publicações femininas de maneira geral. Em lugares como Estados Unidos e Japão essa produção já é bastante ampla.
(Crédito da foto de capa: Reprodução)

Literatura de Cordel: Chica gosta é de mulher

agosto 29, 2014
    
Por Jarid Arraes

Hoje, 29 de Agosto, Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e Bissexual, é uma oportunidade para falarmos sobre a sexualidade feminina. Como contribuição, publico com exclusividade um dos meus cordéis: “Chica Gosta é de Mulher”. Afinal, a Literatura de Cordel também pode – e deve – ser politicamente engajada.

CHICA GOSTA É DE MULHER

(Jarid Arraes)

Tem história nesse mundo
Que contar é obrigatório
Porque toca lá no fundo
E resulta em falatório
Como um fato oriundo
De longínquo território.

Bem numa cidadezinha
Pequenina e isolada
Existia uma menina
Muito da desenrolada
Era sapeca e malina
Doida de espivitada.

Chica era o nome dela
Tão bonita de doer
Só que nunca dava trela
Pra moleque aparecer
Sendo muito tagarela
Já partia a responder.

Quanto mais ela crescia
Mais se desinteressava
Com orgulho ela dizia
Que namoro não visava
Nenhum homem que existia
Para Chica ele prestava.

Como amigos tudo bem
Era bom se divertir
Mas se o papo ia além
Chica mandava partir
Não gostava de nhenhém
De chamego ou tititi.

Na cidade se espalhou
Um rumor de confusão
Pois de Chica se falou
Que ela era sapatão
Pois garoto não beijou
Nem quis dar um apertão.

Então Chica se assustou
E ficou sem entender
Refletiu, muito pensou
E findou a se morder
Porque bem se analisou
E por fim chegou a ver.

O que o povo repetia
Era muito verdadeiro
Chica então compreendia
Porque todo o desespero
Pois sua mãe desfalecia
Com tanto do enredeiro.

De rapazes não gostava
Mas achava interessante
Que as mulheres desejava
Dum jeito forte pulsante
E ela tudo imaginava
Com um fogo incessante.

Na real já percebia
Desde que era criança
Que se enchia de alegria
De amor e de esperança
Quando uma amiga sorria
Já lhe tendo confiança.

Foi parando pra pensar
Numa amiga das antigas
Que chamava pra dançar
Sem nunca sentir fadiga
Pois pra ela iria olhar
E sentir frio na barriga.

Mas havia um problema
Bem difícil de enfrentar
Um danado dum dilema
Todo dia a perturbar
Era o bruto do sistema
Que ia a Chica condenar.

Naquela sociedade
Era homem com mulher
Sem nenhuma novidade
Sem melzinho na colher
Escolher felicidade
Nem se muito se quiser.

O povo já se juntava
Prum ataque planejar
De raiva se espumava
A gritar e a xingar
Só faltava balaclava
Pra merda consolidar.

Foram juntos caminhando
Para Chica encurralar
Com o ódio fervilhando
Pra bater e pra matar
Quando a casa foi chegando
Se puseram a atacar.

Era tanta da corrente
Tinha até tocha de fogo
Uma multidão furente
Que não aceitava o novo
Mas a Chica imponente
Saiu pra falar cum povo.

A massa ficou surpresa
Com a tamanha valentia
Assustada com a brabeza
Nem um pio mais se ouvia
Chica cheia de certeza
Falou tudo o que queria.

Ela não se importava
Se gritavam “sapatão!”
Ela muito acreditava
Na grande revolução
Que só o amor causava
Preenchendo o coração.

E ainda disse além
Que já tinha namorada
Já estava com alguém
Louca de apaixonada
E não tinha seu ninguém
Que lhe desse carteirada.

De mulher ela gostava
Todos tinham que aceitar
Se a mãe se incomodava
Que também fosse mudar
Pois amor não se acaba
Só pra gente não falar.

Chamou sua companheira
Que era filha do prefeito
Deu-se uma bandalheira
Confusão de um tal jeito
No meio da barulheira
Escutou-se o sujeito.

Defendendo a sua cria
O prefeito então falou
Que no fundo já sabia
Disso nunca duvidou
E na vil patifaria
Um fim logo decretou.

O povo ficou perdido
Sem saber o que falar
Logo muito aturdido
Para casa foi voltar
Emburrado e remordido
Sem coragem de gritar.

Mas não pense que acabou
Todo o ódio da cidade
Só porque se aquietou
A pior barbaridade
Chica muito que lutou
Para ensinar igualdade.

Mas sua mãe já entendia
Até mesmo se informava
Se encheu de ousadia
E ao povo ela ensinava
Que aquela rebeldia
Muita coisa conquistava.

Pouco a pouco foi mudando
A mente de muita gente
Chica sempre acreditando
Num mundo bem diferente
Sempre amando e batalhando
Se anda sempre pra frente.

Como a Chica existe um monte
De mulher que mulher ama
Como inesgotável fonte
De amor com forte chama
Puro sentimento insonte
Que por igualdade clama.

Conto isso com razão
Para a todos explicar
Que a sincera atração
Não se pode aprisionar
Parem essa amolação
De a tudo controlar.

Que toda Chica da Terra
Se assuma com valentia
Pois ódio só se encerra
Lutando com maestria
Acaba-se logo a guerra
E planta-se a empatia.

FIM

Criticar a indústria Plus Size é preciso

Por Jarid Arraes
agosto 22, 2014

A indústria da moda é construída sobre o pilar da padronização feminina. Para fazer sucesso nesse ramo, muitos critérios de aparência física precisam ser atendidos; e ser magra, certamente, é um dos requisitos mais importantes. Apesar disso, alguns segmentos da indústria da moda têm concedido espaço para a chamada “moda Plus Size”: uma alternativa supostamente voltada para as mulheres gordas. Mas a maior parte das marcas, sobretudo por meio da publicidade voltada a esse ramo, continuam reproduzindo exclusão e criando uma hierarquização de corpos. Afinal, qual será o tamanho necessário para ser considerada plus size? E por que os catálogos de roupas mostram mulheres tão parecidas umas com as outras?

Para entender esse fenômeno é preciso refletir sobre o que é considerado belo em nossa cultura: o padrão branco e magro de beleza é mantido como o ideal e mulheres realmente gordas ainda são carimbadas como feias, inadequadas e desagradáveis aos olhos. A ideia de que existe um tipo certo de gorda, mais frequentemente a mulher chamada de “gordinha”, “cheinha” ou “gordelícia”, também colabora com a estigmatização das mulheres maiores.

Por isso, ao passar as páginas de um editoral de moda Plus Size, é possível ver várias fotos das ditas mulheres “cheinhas” ou até mesmo magras – geralmente também com cabelos lisos e pele clara. Estrias e celulites, tão comuns nos corpos das mulheres na realidade, são completamente inexistentes nessas imagens. Editar a fotografia e modificar o corpo dessas modelos são práticas comuns; ou seja, apesar da indústria alegar que gera inclusão, acaba por reforçar padrões discriminatórios e irreais, além de naturalizar mentalidades racistas e higienistas.

Não há nada de errado em ter um corpo gordo com celulites e estrias e nenhuma mulher deveria precisar se enquadrar em um padrão de “boneca” para ser considerada bonita. A beleza pode até ser algo subjetivo, mas a indústria Plus Size não parece concordar com essa afirmação, uma vez que perpetua todo tipo de imposição estética sobre suas modelos. As mulheres realmente gordas, aquelas que não têm o corpo meramente “cheinho”, acabam sendo ainda mais discriminadas, considerando que nem mesmo o próprio ramo Plus Size abrange suas necessidades.

Pensando nos tamanhos, formas e modelagens, a maioria massiva das roupas para gordas encontradas no mercado nem de longe consegue atender a vasta diversidade de corpos femininos. A começar pelas próprias gordas, que precisam procurar roupas particularmente grandes mesmo para o padrão “Plus Size”, já que as roupas comercializadas dificilmente vestem seus corpos. Além disso, nem toda gorda tem um corpo curvilíneo, com seios grandes, cintura fina e quadris largos. Os corpos gordos não são todos iguais e as donas desses corpos diversos também querem roupas bonitas, de qualidade e de preço acessível.

Ainda em tempo, há muito mais a ser criticado na indústria Plus Size. É preciso lembrar que a padronização e a segregação de pessoas jamais deve ser aceita, onde quer que esteja, até mesmo no ramo da moda. A indústria Plus Size não fornece uma solução verdadeira para quem é gorda, mas toda mulher tem o direito de se vestir com roupas de qualidade, confortáveis e adequadas para o seu tamanho; é lamentável que algo tão simples ainda necessite de tantos protestos para se tornar realidade.

MC Xuxu: funkeira, travesti e feminista na luta contra o preconceito

Por Jarid Arraes

agosto 20, 2014

Foto: Divulgação
O funk vem ganhando cada vez mais espaço em nossa sociedade, o que também gera muito debate e polarização de opiniões. Apesar de não ser uma unanimidade, o funk pode estimular reflexões complexas sobre sexualidade, consumo, cultura da periferia e feminismo. Se você acha que todos esses tópicos já preenchem bastante tempo de discussão, ainda precisa conhecer a MC Xuxu, travesti e funkeira que usa seu trabalho para combater o preconceito.

Quando seu primeiro vídeo – que mandava “um beijo pras travesti” – viralizou em todo o Brasil, a jovem da comunidade de Santa Cândida, em Juiz de Fora, teve a oportunidade de conquistar um público interessado em diversidade e foi parar até mesmo em rede nacional. Hoje, depois do estouro inicial, MC Xuxu continua trabalhando com uma proposta cada vez mais politizada, levando em frente uma mensagem de inclusão e respeito.

“Eu gosto de cantar o que eu vivo, o que eu sou, e também acredito que todo mundo tem um propósito na carreira e o meu é esse: amenizar o preconceito. Eu sinto necessidade de mostrar a verdade de muitos de nós”, afirma Xuxu, que começou cantando Rap em 2009, até passar uma temporada no Rio de Janeiro, onde conheceu o funk e se identificou com o estilo.

Em seu mais recente vídeo, produzido para sua música “Desabafo”, MC Xuxu mostra a que veio: na cena inicial é agredida por dois homens, exibindo uma encenação que é, na verdade, inspirada em sua própria vida. “Isso aconteceu comigo, só que levei duas facadas, mas não quis mostrar no vídeo; fiquei com medo de ficar pesado”, explica. Embora não seja tão extremo como o fato real, o conjunto emociona, especialmente porque Xuxu segue cantando com muita força, afirmando que se orgulha de ser quem é.

No Brasil, os casos de assassinatos de travestis ainda são ignorados ou tratados como trivialidades. A transfobia brasileira é grave e empurra para a marginalidade milhares de mulheres trans que precisam, assim como Xuxu, batalhar muito mais por direitos já garantidos para quem não é trans. Por isso, MC Xuxu sabe que representa muito bem esse grande grupo de travestis e transexuais. “Onde vou as gatas fecham comigo, é muito importante para mim saber que elas estão curtindo”, declara.

Muitas feministas começam a descobrir o trabalho da MC e se empolgam com suas letras e seu potencial para defender as demandas dos ditos grupos minoritários. No entanto, criar expectativas a respeito de representação e autoidentificação com o Feminismo nem sempre é uma atitude recompensada; várias artistas, sejam cantoras ou atrizes, muitas vezes acabam fazendo colocações lamentáveis e confusas a respeito do Feminismo. Mas Xuxu, que não decepciona, fala sem medo: “Sim, sou feminista e quero representá-las (as feministas) sempre, porque acho que lugar de mulher é onde ela quiser! Direito iguais para todos”.

A funkeira promete mais vídeos que levantem debates acalorados e dá a pista de que seu próximo clipe será polêmico. MC Xuxu não se abala com xingamentos e piadas. Para quem se recusa a refletir e prefere agredir, seu recado é direto: “Falem bem, falem mal, mas falem meu nome”.



Revista Fórum