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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Aborto: o que podemos aprender com a descriminalização no Uruguai

A descriminalização do aborto fez cair (e não subir) o número de procedimentos e zerou o de mortes maternas no Uruguai. Essa experiência nos ensinar
Por Luiz Felipe Silva e Camila Spósito 
1 dez 2016
“Todo mundo é contra o aborto, mas, com a lei, salvaremos mais vidas.” Foram essas as palavras do ex-presidente uruguaio José Mujica no anúncio da descriminalização da interrupção voluntária da gravidez, em outubro de 2012. Ao também abrigá-la no sistema público de saúde, o Uruguai tinha dois objetivos: diminuir o risco de morte materna e, com campanhas, reduzir a gestação indesejada. Três anos depois, já é possível fazer um balanço: com 8,5 mil abortos legais realizados por ano e nenhum óbito, o Ministério da Saúde considera a política acertada e garante que o serviço está implantado em todo o país, onde vive 1,6 milhão de mulheres (51% de seus 3,3 milhões de habitantes). Porém, há críticas. Não só de opositores mas também de apoiadores – feministas incluídas -, que apontam falhas no sistema. Uma brecha está no pouco alcance a cidades pequenas, como Salto (a 400 quilômetros da capital, Montevidéu), onde 100% dos médicos se recusam a prestar o serviço alegando questões morais ou religiosas. Por essa razão ou por considerar burocrático e humilhante o atendimento nos hospitais, estima-se que cerca de 20 mil mulheres, a cada ano, ainda preferem pagar em torno de 300 dólares pelo aborto em clínicas clandestinas ou realizá-lo em situações precárias, correndo o risco de sequelas e morte. Calcula-se que, antes, o número chegava a 30 mil.
O país vizinho é pioneiro na descriminalização na América do Sul. Com a lei, entrou no grupo das 61 nações que adotam a medida, quase sem restrições, limitando apenas o período para abortar – até 12 semanas, em média. No mapa da página ao lado, publicado neste ano pela ONG Center for Reproductive Rights (que tem sede em Nova York), é possível ver que nesse grupo, pintado de verde, estão as sociedades mais avançadas na economia, na política, no nível de escolaridade e respeito às escolhas individuais. Os 13 países em amarelo patrocinam o aborto para a mulher sem condições socioeconômicas de ser mãe. Em laranja, os 59 que o adotam quando a cidadã não se vê em pleno estado físico, mental ou social. Nessas 133 nações, a gravidez fruto de estupro nem gera questão: a mulher pode abortar. O mapa identifica em vermelho 66 países com legislações arcaicas. Caso do Afeganistão, onde as instituições não funcionam e as mulheres valem menos que o tecido da burca que cobre seus corpos. O Brasil se posiciona na mesma zona, que inclui também o Iraque e o Irã – que põem a sexualidade feminina sob o controle do homem e do Estado.
Nosso Código Penal, de 1942, considera o aborto um crime e só isenta de prisão (por até três anos) as estupradas (desde que tenham aval de um juiz) e as que correm risco de morrer. Em 2012, o Supremo liberou o aborto de anencéfalos. A maioria dos projetos sobre o tema hoje no Congresso Nacional torna a situação ainda pior. Alguns querem penalizar até as que abortam depois de violadas. Nessa linha, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, no mês passado, um projeto do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que dificulta a obtenção da pílula do dia seguinte. Distribuída de graça para vítimas de violência sexual, ela impede a gravidez e passaria a ser fornecida só mediante a prova de estupro. Hoje, basta o relato da mulher. O projeto ainda precisa ser votado no plenário. Já o do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), de março, dificilmente vingará por reconhecer que toda mulher tem o direito de decidir livremente pela interrupção, realizada no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada, com ampla assistência. Cria condições para ela ter o filho, se for a sua opção, informa sobre contracepção e planejamento familiar e institui o ensino de direitos reprodutivos nas escolas. Uma pesquisa do Ibope de 2014 apontou que 79% dos brasileiros rejeitam a descriminalização. Diferentemente da nossa sociedade, a uruguaia é laica; lá, 37% da população se diz sem crenças e, na aprovação da lei, 60% receberam o aborto como medida bem-vinda.
Uruguai
(Luiz Felipe Silva/CLAUDIA)

Em quatro etapas

Praticado fora dos moldes legais, o aborto segue sendo crime no Uruguai. A realização se dá até 12 semanas e seis dias de gestação, estendendo-se a 14 semanas em caso de estupro e sem prazo em risco de morte. Para interromper a gravidez, a mulher se submete a quatro etapas. No hospital, solicita o serviço. Em 24 horas, o médico marca o hemograma e o ultrassom. A segunda fase é com uma equipe de psicólogo, assistente social e ginecologista, que aponta alternativas para desistir do aborto – se ela é pobre, estuda-se a possibilidade de um emprego, por exemplo. Nesse percurso, há muitos relatos de abuso dos profissionais envolvidos. “As mulheres são constrangidas e até pressionadas a mudar de ideia”, conta Camila Csery, do grupo Mujeres en el Horno, que opera a linha 0800, que orienta sobre direitos na área. Outra denúncia: muitas vezes, o atendimento é retardado até a gravidez passar das 12 semanas e, aí, o aborto é cancelado. Com ele aprovado, a mulher deve esperar mais cinco dias para reiterar sua decisão. Durante o processo, 9% desistem. Por fim, ela recebe uma receita, compra o Misoprostol (Cytotec) em farmácia autorizada e vai tomar em casa. A caixa custa o equivalente a 20 reais. O uso do medicamento é o procedimento mais adotado no mundo. O Cytotec, que provoca contrações uterinas, às vezes é associado ao Mefiprestone (Korlym ou Mifeprex), que acelera o processo e tem preço parecido. Francisco Coppola, chefe de ginecologia do Hospital da Mulher Pereira Rossell, na capital uruguaia, diz que o método elimina o perigo de infecção hospitalar, intercorrências cirúrgicas, como perfurações, e evita custos de internação. “A taxa de êxito é alta; e o risco para uma futura maternidade, zero”, afirma. “Mas podem ocorrer mais casos de anemia pós-aborto se comparado à curetagem.”

No mundo e no Brasil

A legalização não aconteceria sem a carga de Mujica sobre o parlamento. “Os políticos são mais conservadores que a sociedade, que vê no aborto um avanço”, analisa Soledad González, da ONG Cotidiano Mujer. O projeto tinha sido aprovado em 2008 e vetado pelo então presidente, Tabaré Vasquez, eleito novamente em 2014. Na eminência de sua volta, a proposta foi tocada às pressas. As feministas se queixam: não foram ouvidas, acham errado fazer a mulher passar por tantas etapas, consideram o limite de 12 semanas baixo e defendem que a cidadã deveria poder optar pela cirurgia. Acreditam que a lei é elitista, para as instruídas das cidades grandes. As pobres seriam constrangidas por médicos antiaborto.
O processo no Uruguai é semelhante ao dos outros países verdes no mapa. Na Alemanha e nos Estados Unidos, também há exigência de exames, aconselhamento e período de reflexão, e a mulher banca os remédios. A cirurgia é adotada em gravidez adiantada e alguns países estabelecem que a mulher pague por ela. Nos Estados Unidos, onde a lei é de 1973, cada Estado legisla sobre o tema, e já há governantes querendo revogar e proibir a prática. No total, 38 estados exigem que seja feito por médico cadastrado; 21 em clínicas privadas autorizadas. Pagam-se, em média, 800 dólares para o atendimento com remédio e 1,2 mil dólares pela cirurgia. O Canadá patrocina tudo e o médico não pode se recusar: se é contra o aborto, não deve nem entrar para o serviço público. De 2007, a lei portuguesa é uma das mais completas. Em geral, a mulher termina o processo com o DIU colocado ou adaptada a outro contraceptivo.
No Brasil, a falta de flexibilização no Código Penal é uma das responsáveis pela realização de quase 1 milhão de abortos clandestinos, por ano, segundo ONGs de saúde e feministas. Em 2013, o Ministério da Saúde registrou 200 mil internações no SUS decorrentes de complicações, ao custo de 60 milhões de reais. Também por isso, a descriminalização é defendida pelos conselhos federais de Medicina e de Psicologia.
O debate não é fácil. “Há ainda muito o que fazer”, diz Lilian Abracinskas, da ONG Mujer Y Salud en Uruguay. “A lei não é o fim do caminho, mas o começo de um processo delicado que envolve a reação do sistema de saúde.” Para ela, pior seria a ausência da lei. “Onde não existe, as mulheres pagam um preço alto, perdem em qualidade de vida e suas famílias sofrem.”

Papa perdoa mulheres que abortaram

Em medida inédita, Francisco ameniza “o sofrimento causado pela escolha difícil”
Em setembro, o papa Francisco deu aos padres o poder de absolver as mulheres que interromperam a gravidez – ato ainda visto como pecado. Antes do anúncio, apenas bispos podiam oferecer o perdão. A medida valerá durante o Ano Santo da Igreja Católica, de dezembro de 2015 a novembro de 2016. Em carta, o pontífice revelou: “Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres com uma cicatriz no coração por essa escolha sofrida e dolorosa”. Para a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, o ato é positivo. “Quem aborta não o faz porque perdeu a sensibilidade diante da vida. Para a grande maioria, a vida é valiosa. Elas não estão dispostas a trazer alguém ao mundo em condições de violência, pobreza e infelicidade”, diz um comunicado do grupo.

“Eu abortei legalmente”

A história da uruguaia Maria que, aos 36 anos, optou pela interrupção da gestação
“Trabalho com educação sexual e falo diariamente sobre proteção, mas errei. Transei sem camisinha. Sabia que corria riscos; então tomei a pílula do dia seguinte. Não funcionou. Contei com a ajuda de uma amiga médica para iniciar o processo do aborto. Quando ela tentou marcar a ecografia (ultrassom), informaram que só tinha data para 20 dias depois – um absurdo! Ela fez um escândalo para conseguir um horário em cinco dias. No exame, a primeira coisa que o médico me disse foi: ‘Oi, mamãe. Levanta a blusa para vermos a barriguinha’. Essa abordagem continuou até que fui dura: ‘É uma interrupção de gravidez. Respeite minha decisão’. Depois, psicólogos e médicos apresentaram os programas sociais existentes. Reafirmei que iria fazer o aborto. Com a receita, comprei o remédio para provocar contrações. O médico não faz nada, a mulher toma sozinha em casa. Senti cólicas fortes e dores incessantes. Nos dois dias seguintes, sangrei sem parar e tive febre alta. No hospital, um exame comprovou que havia restos do embrião. Após uma semana, tomei mais quatro comprimidos. O processo durou 20 dias e passei por tudo sem companhia. O Estado dá a opção, mas apoia pouco. Apesar da decisão acertada, foi muito doloroso.”

Mulheres votarão em Sampa domingo. Para opinar na gestão de Doria

Candidatas ao Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres vêm de lutas por educação, saúde, igualdade racial, meio ambiente, mobilidade urbana...

Você sabia que domingo (4/12) tem eleição só para mulheres? Pode votar quem tem a partir de 16 anos e título de eleitor na capital paulista. Vamos escolher 25 representantes para o Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres, recém-criado com a missão de defender nossos interesses em Sampa. É uma valiosa oportunidade de opinar na administração Doria, que tem apenas três mulheres no secretariado – duas a menos que no governo anterior – e de reequilibrar forças diante da masculina Câmara de Vereadores.
Embora no Legislativo o número de eleitas tenha crescido de cinco para onze, isso não significa avanços. Do total, sete são evangélicas. Lembremos que na atual legislatura a bancada bíblica foi a principal responsável pela retirada de metas que combateriam a discriminação de gênero nas escolas. Entre as vereadoras evangélicas, uma é a cantora gospel Noemi Nonato (PR), que se declara contra o feminismo. Quando tomarem posse, as vereadoras serão nove: Patrícia Bezerra (PSDB), também evangélica, não assumirá sua cadeira no parlamento porque comandará a Secretária de Direitos Humanos e Cidadania. Soninha Francine, eleita pelo PPS, aceitou cargo no governo e cuidará da pasta de Desenvolvimento Social.
A urgência em ter um Conselho
Ele tem que ser porreta (para isso devemos eleger nomes de coragem) e agir rapidamente, já que João Doria extinguirá a Secretaria Municipal de Políticas Para as Mulheres e também a de Igualdade Racial. Essa atitude leva a crer que, tal qual Temer, o prefeito reduzirá a subnitrato de pó de mico as políticas e os programas que nos interessam. Na minha infância em terra mineira, contar que algo se equiparava a subnitrato de pó de mico significava dizer que não valia nada, era reles, insignificante, desprezível, bocó, xulé. Hoje, se ligo para Brasília, na tentativa de falar com o que restou do ministério que representava as mulheres, não encontro alguém no outro lado do telefone. Não há uma só ação interessante a ressaltar.
Talvez por isso, a Casa da Mulher Brasileira, equipamento federal que poderia mudar a vida de muitas vítimas de violências doméstica em São Paulo, viva uma fase de inanição, com a construção inacabada. O receio: a Casa da Mulher Paulistana, na Zona Norte, pode encontrar o mesmo destino. Ela será inaugurada no próximo dia 9, com o objetivo de atender 24 horas, sete dias por semana. Oferecerá moradia temporária (de 15 a 30 dias) para a mulher e seus filhos agredidos, além de apoio social, psicológico e jurídico. Se não tiver seus propósitos contrariados pela administração tucana, a Casa proporcionará rodas de conversa sobre o direito de dizer não ao sexo forçado; de decidir sobre o próprio corpo; o número de filhos que se quer ter e também para debater cidadania, independência financeira, liberdade de pensamento etc.
O que é o conselho
Ele nasce com perfil autônomo, consultivo e deliberativo. Seu papel é ampliar e fortalecer a atuação das mulheres de todas as regiões da cidade no controle social, na fiscalização e formulação, com a Prefeitura, de políticas sociais e de enfrentamento às desigualdades. Pode influir na definição do número de vagas em creches, por exemplo. Ou ajudar a pensar sobre as linhas de ônibus, a rede de ciclovias etc. Além disso, o conselho terá a função de garantir a continuidade dos direitos conquistados até aqui.

Como será formado
O órgão será integrado por 50 mulheres: 25 do poder público e 25 da sociedade civil. É aí que entramos nós, eleitoras. Você, a vizinha, suas amigas e eu escolheremos, pelo voto direto, os nomes da sociedade civil: 15 representantes de entidades (organizações e movimentos com atuação comprovada na temática de gênero) e 10 das regiões da cidade (sendo 2 da Norte; 3 da Sul; 3 da Leste, 1 da Oeste e mais 1 do centro).
Em quem votar
Tem gente boa, experiente, com bandeiras de lutas em todos os setores, como os movimentos negros, de moradia, educação, saúde, sexualidade, trabalho, meio ambiente, mobilidade urbana… Entre no site oficial e veja a lista de candidatas.
A votação
As urnas estarão nas 16 subprefeituras, das 8 ás 17 horas. Confira os locais no site oficial. Votam eleitoras na cidade de São Paulo, a partir de 16 anos e em dia com a Justiça Eleitoral. Mulheres imigrantes (comprovadamente residentes) e transexuais também podem ir às urnas.
A posse
O Conselho toma posse dia 13 de dezembro, quando será lançado o Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, elaborado para nortear a gestão nos assuntos ligados às paulistanas. Será um instrumento importante – assim podemos ir além de provocar coceira, como o reles pó de mico, a que tentam nos reduzir.

Ser machista afeta a saúde mental dos homens, mostra estudo

Estudo indica relação entre comportamento machista com má condição mental em homens
Por Da Redação
23 nov 2016
Atenção, mulheres: mostrem os resultados desse novo estudo aos homens. Ser machista bancando o playboy e impondo poder sob as mulheres, além de retrógrado e ofensivo, pode ser prejudicial também para a saúde mental masculina. A recente pesquisa, publicada no Journal of Counseling Psychology, indicou relação entre o comportamento com má condição mental e dificuldade em procurar ajuda psicológica.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores – liderados pelo professor Y. Joel Wong, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos –, vasculharam os resultados de 78 estudos realizados em um período de 11 anos, tendo sido analisados 19.453 participantes. No novo levantamento, foram observadas 11 variáveis masculinas: atratividade, controle emocional, tomada de riscos, violência, domínio, autoconfiança, priorização do trabalho, poder sob as mulheres, desprezo por homossexuais, busca de status, além de atitudes de playboy.
Dentre elas, exercer poder sob as mulheres, ser playboy e excesso de autoconfiança foram relacionados com saúde mental precária e falta de habilidade em buscar ajuda psicológica, enquanto o restante das variáveis não apresentaram resultado consistente semelhante. “Isso mostra que o sexismo não é apenas prejudicial para as mulheres. Quem adota esse comportamento também e afetado, é um efeito boomerang “, disse o professor Wong à Mashable.
A associação às variáveis negativas prejudicaria a saúde mental mais fortemente em seu sentido interpessoal, isto é, nas relações com as pessoas, do que no sentido intrapessoal. O professor explica que os efeitos incluiriam reprovação social e quebra de conexões saudáveis com família e amigos. “Demonstrar características inapropriadas, como poder perante as mulheres e ser premiado por isso, é destruidor, preocupante e devastador”.

Fórum Fale Sem Medo traz pesquisa inédita sobre violência contra a mulher e palestrantes internacionais – São Paulo/SP, 07/12/2016

01/12/2016
O Instituto Avon, organização ligada a uma empresa privada que mais investe no enfrentamento à violência contra a mulher, realiza no dia 07 de dezembro a 4ª edição do Fórum Fale Sem Medo. O evento, que reúne especialistas, ativistas e sociedade para uma discussão aberta sobre o papel do homem na desconstrução da violência contra a mulher, será realizado no auditório do Masp, em São Paulo, de 10h às 19h. As inscriçõesgratuitas podem ser feitas pelo link: credencial.online/avon2016.
Durante o evento, o Instituto Avon irá apresentar a pesquisa inédita “O papel do homem na desconstrução do machismo”,realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa Locomotiva. O estudo foi criado a partir de entrevistas com especialistas, grupos de discussão e pesquisa quantitativa presencial com 1.800 homens e mulheres com 16 anos ou mais, de 70 municípios de todas as regiões do país, entrevistados entre os dias 12 e 24 de outubro de 2016.
O Fórum Fale Sem Medo contará com a presença dos palestrantes internacionais Michael Kaufman, sênior fellow do Instituto Promundo, cofundador da organização “Laço Branco” (White Ribbon – Canadá) e pesquisador especializado em equidade de gênero; e Lebo Ramafoko, CEO do Soul City Institute for Health Communication, premiada organização sul-africana com sólida experiência na promoção de transformações sociais e no enfrentamento da violência contra a mulher.
Diversos painéis fazem parte da programação, que vão ocorrer simultaneamente em dois auditórios no Masp, com personalidades como a jornalista e cineasta Marina Person, a artista plástica Dona Jacira, a atriz e diretora Roberta Estrela D’Alva, a cantora Paula Lima, a poeta Mel Duarte, a apresentadora Adriana Couto, entre outros. Os temas trazem questões como paternidade e desconstrução da masculinidade violenta; educação e alternativas para a formação de homens não violentos; tabus, mídias e marcas; arte e resistências poéticas; além de experiências inovadoras no enfrentamento da violência contra a mulher. O evento também terá apresentações artísticas e sessões de cinema gratuitas no vão do Masp.
O Fórum Fale Sem Medo é a principal atividade do Instituto Avon para a campanha 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. Desde 25 de novembro de 1986, durante os meses de novembro e dezembro, a ONU convoca o mundo inteiro para discutir questões relacionadas à violência contra as mulheres por meio da sua campanha mundial “16 dias de ativismo”, sempre com início no dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, e término em 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.
Mas, no Brasil, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras, as atividades começam antes, no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e marcam o início dos 21 dias de atividades. Durante o período, o Instituto Avon realiza uma série de ações em todo o país, principalmente nos estados de São Paulo, Bahia e Ceará. A organização lançou uma campanha online, divulgada nas redes sociais da marca. Com o mote “A mudança começa quando o silêncio termina”, o Instituto Avon pretende dar luz à questão da violência invisível, com o intuito de provocar uma mudança de comportamento.
Fale Sem Medo: Não à Violência Contra a Mulher
O Fórum Fale Sem Medo e a pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo” são projetos inseridos na campanha Fale sem Medo – Não à Violência Contra a Mulher, coordenada pelo Instituto Avon. Desde 2008, a organização já investiu R$ 20 milhões em 102 projetos e ações voltados para a educação, articulação, apoio a projetos e engajamento da sociedade nesta causa, que já impactaram mais de 1,5 milhão de pessoas em todo o país. Em 2015, o Instituto lançou de forma pioneira com a Avon a ‘Linha 180’, uma linha de maquiagem invisível que não maquia, mas, ao contrário, revela a dor e o sofrimento da mulher que sofre violência doméstica. Ao propor o uso da ‘nova maquiagem’, a campanha impactou milhares de mulheres para que usassem o serviço telefônico 180, da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), e recebessem orientações em situação de violência. A campanha Fale Sem Medo, do Instituto Avon, soma-se à campanha global Speak Out Against Domestic Violence coordenada pela Avon Foundation For Women.
SERVIÇO
FÓRUM FALE SEM MEDO
Data: 07 de dezembro
Local: Auditório do Masp – São Paulo
Horário: 10h às 19h
Inscrições gratuitas: credencial.online/avon2016
PROGRAMAÇÃO
AGENDA MANHÃ
Sala: Auditório Masp
10h: Abertura
10h30: Apresentação da pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo”
11h15: Debate
AGENDA TARDE
Sala: Auditório Masp
14h: Abertura
14h10: O Instituto Avon e a desconstrução da violência contra a mulher
14h25: Michael Kaufman: “Um futuro sem violência contra as mulheres: paternidade e desconstrução da masculinidade violenta”
15h05: Debate: “Eduque sem medo: alternativas para a formação de homens não-violentos”
  • Michael Kaufman – senior fellow do Instituto Promundo
  • Jacira Roque – contadora de histórias e artista plásticas
  • Djamila Ribeiro – pesquisadora na área de Filosofia Política, professora (FESPSP) e secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo
  • Renato Meirelles – presidente do Instituto Locomotiva
  • Mediação: Marina Person
16h15: Intervalo
16h35: Lebo Ramafoko: “Mídia e tabu: o ativismo da Soul City pelo fim da violência de gênero. Um caso sul-africano”
17h05: Debate: “Resistências poéticas: as artes no enfrentamento da violência contra a mulher”
  • Roberta Estrela D’Alva – atriz, diretora, apresentadora
  • Paula Lima – cantora
  • Mel Duarte – poeta
  • Magno Rodrigues Faria – contador de histórias
  • Mediação: Marina Person
18h30: Encerramento
Sala: Pequeno Auditório
15h as 17h00: Debate: “Experiências inovadoras no enfrentamento da violência contra a mulher”
  • Suelaine Carneiro – Geledés
  • K.K. Verdade – Fundo Elas
  • Sérgio Barbosa
  • Monique Evelle
  • Bel Santos
*O credenciamento de imprensa deve ser feito até o dia 2 de dezembro por e-mail (institucional.avon@fsb.com.br)

“Você é louca”, escreveu Parisotto para Luiza Brunet, em 2014

Desacreditar a vítima é uma das estratégias mais comuns da defesa de homens que cometem violência contra a mulher

Por Tatiana Schibuola

18 nov 2016

Claro. Não existe uma maneira mais comum e óbvia que desacreditar a vítima ao defender-se de uma acusação de violência doméstica. “Louca”, disse Lírio Parisotto em mensagem a Luiza Brunet, lá em 2014, reproduzida por Veja. Os prints de WhatsApp compõem a defesa do empresário na ação criminal que corre em segredo de justiça – e que, em 29 de novembro, terá sua audiência de instrução.

Fato é que o relacionamento não terminou ali. E que, em nenhuma de suas manifestações públicas, Lírio negou que tivesse quebrado duas costelas de Luiza ou explicou o que aconteceu na fatídica noite em que a agressão aconteceu, em Nova York. Pelo contrário. Desde então, tudo o que ele tenta é desacreditá-la .

Em sua conta do Instagram, escreveu: “Tento me defender através da imobilização.” A frase foi, posteriormente, apagada do post. Nos detalhes descritos na ação criminal, Luiza conta que teve as costelas quebradas depois de ser imobilizada. O que levou a juíza Lilian Lage Humes a aceitar a denúncia do promotor Bruno Gaya da Costa, tornando Lírio Parisotto réu.

Ao mesmo tempo, ainda corre na justiça uma ação de reconhecimento e dissolução de união estável. Um processo como esse pode ter consequências materiais, com partilha parcial de bens. Ou não, se não houver comprovação de que ambos construíram algum patrimônio juntos.

Em breve, ambos devem ser ouvidos no julgamento. Ele pode ser absolvido ou condenado de 3 meses a 8 anos de prisão. Até lá, dividem a opinião pública e travam uma batalha por em torno de imagens. Não há consenso. Até mesmo as mulheres que tecem críticas de tom surpreendentemente misógino, reforçando toda a sorte de preconceitos contra mulheres. Entre os comentários da matéria publicada por Veja, que divulgou as conversas, Rosa Maria diz: “Acredito na inocência dele. Sempre achei essa Lei Maria da Penha muito mau (sic) feita.” Ou Letícia: “Esquece do dinheiro desse homem e vai cuidar da sua vida”. Ainda, Cristina: “Profissão ANTIIIIIIGA, a dela!!! (…) Podendo PAGAR uma bem mais novinha!!! (…) VERGONHA ALHEIA dessa velhota que não soube envelhecer com dignidade!!!”.

Gostaria de lembrar Rosa Maria, Letícia e Cristina que:

A Lei Maria da Penha estabelece o conceito de gênero. Ela é aplicada quando a vítima é mulher. “A lei considera uma construção social e histórica do masculino e feminino, em que há dominação do homem e submissão da mulher”, explica Valéria Scarance, Coordenadora Estadual do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo.

Desacreditar a vítima é uma das táticas mais utilizadas por réus pela Lei Maria da Penha, especialmente nos crimes entre parceiros. O autor, quase sempre, é primário, tem bons antecedentes, é trabalhador.

Uma das características mais comuns em relações violentas, já descritas em psicologia, é a dominação por parte do agressor e, então, a inversão da culpa. “Olha o que você me fez fazer.” Esse processo, também conhecido como revitimização, quase sempre recai sobre a roupa da vítima, sua postura, seus relacionamentos anteriores ou o consumo de álcool.

A repetição da violência fragiliza a vítima a ponto de tirar a sua capacidade de reação e de tomada de decisões. É o que faz com que ela peça desculpas pelo que não fez. Chama-se Síndrome do Desamparo Assistido. “Em meu trabalho como promotora de justiça, já ouvi de mulheres coisas como ‘eu não sabia que era violência’ ou ‘o tempo todo eu me perguntava se era culpada, se era eu quem causava essas agressões’”, lembra Valéria Scarance.

Depressão e ansiedade, entre outros transtornos, estão entre as consequências mais comuns em vítimas de violência doméstica, reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde. Abuso de álcool e drogas também entram na lista.

Até chegar à denúncia, uma mulher leva, em média, dez anos, numa série de enfrentamentos e conciliações.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Viva Maria: Taxa de infecção por HIV nas jovens cai, mas aumenta entre homens

01/12/2016
Apresentação Mara Régia


Primeiro de dezembro! Desde os anos 80 essa é uma data criada para nos lembrar, dentre outras coisas, a vulnerabilidade das mulheres frente ao HIV/ AIDS.

No Brasil, passados mais de trinta anos do primeiro diagnóstico em nosso país, as mulheres soropositivas ainda enfrentam muitas barreiras.Isso não só no nível da prevenção quanto no tratamento da doença por causa do preconceito. Agora, finalmente, temos boas notícias e a porta-voz é a Dra Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das infecções sexualmente transmissíveis do HIV/Aids e hepatites virais.

História Hoje: Rosa Parks iniciava em 1955 desobediência civil contra racismo

 01/12/2016

Primeiro de dezembro de 1955. Rosa Parks, uma costureira negra norte-americana se recusa a ceder o lugar a um homem branco nos Estados Unidos. Foi durante uma viagem de ônibus no estado do Alabama, região sudeste do país. Ela acabou presa.

As primeiras filas de assentos nos ônibus eram reservadas para os passageiros brancos. Por lei, os negros tinham que ocupar os lugares detrás nos transportes coletivos. Rosa Parks estava indo pra casa e sentou-se num dos lugares situados na parte central do veículo interurbano.

Mas o motorista, um homem branco, mandou que ela e outros três negros mudassem de lugar para que brancos recém-embarcados ocupassem esses assentos. Rosa Parks se negou a obedecer a ordem e permaneceu sentada. Acabou presa.

Rosa Parks era ativista dos direitos civis. A prisão dela resultou num boicote generalizado dos negros ao transporte público na cidade de Montgomery, capital do Alabama. Os negros caminhavam vários quilômetros, xingados e agredidos por brancos. As empresas de transporte começaram a acumular prejuízos. O protesto espontâneo e silencioso de Rosa Park resultou num ato de desobediência civil com a participação do então jovem pastor Martin Luther King Junior.

Quase um ano mais tarde, a Corte Suprema dos Estados Unidos derrubou a lei de segregação racial nos ônibus de Montgomery. Quando a nova lei passou a vigorar, em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e o sacerdote branco Glen Smiley entraram juntos num ônibus e ocuparam lugares na primeira fila.

Rosa Parks foi condecorada em junho de 1999, pelo então presidente Bill Clinton. Ela recebeu a medalha de ouro do Congresso norte-americano. Na cerimônia, ela ressaltou no discurso de agradecimento que a homenagem deveria servir para encorajar todos os que lutam pela igualdade de direitos em todo o mundo.

Antibiótico pode ajudar a evitar que Zika danifique o cérebro fetal, diz estudo

30/11/2016
Da Agência Xinhua

Cientistas norte-americanos disseram ter identificado células do tecido cerebral fetal que são alvo do vírus Zika e determinaram que um antibiótico comum considerado de uso seguro durante a gravidez, o azitromicina, pode bloquear esta infecção, pelo menos em células cerebrais cultivadas em laboratório. As informações são da agência chinesa Xinhua.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF) relataram que o vírus Zika infecta preferencialmente as células cerebrais com abundância de uma proteína chamada AXL, que atravessa a membrana celular externa com vários tipos de células e serve como um portão de entrada para o vírus invasor.

As células do cérebro fetal que incorporam esta proteína incluíram células estaminais neurais e células progenitoras que eventualmente formam outros tipos de células cerebrais e que desempenham um papel especialmente importante no crescimento e desenvolvimento do cérebro em estágio fetal.

Outras células com  a proteína AXL incluíram micróglia, que são as células imunes do cérebro, e os astrócitos, um tipo de célula cerebral já totalmente desenvolvida e especializada que suporta os neurônios na condução dos sinais neurais. Os neurônios que têm falta da AXL não foram facilmente infectados, em contraste com observado anteriormente em camundongos de laboratório previamente utilizados para estudar a infecção pelo Zika.

Os pesquisadores então examinaram 2.177 remédios aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para verificar sua capacidade de bloquear a infecção por Zika nas células cerebrais cultivadas no laboratório e identificaram vários remédios que o fizeram, incluindo a azitromicina, um antibiótico amplamente utilizado.

As descobertas, publicadas online no Journal Proceedings of the National Academy of Sciences dos EUA, foram lideradas por Joseph DeRisi, líder do Departamento de Bioquímica e Biofísica da UCSF, e Arnold Kriegstein, diretor do Centro de Regeneração e Medicina Eli e Edythe Broad e pesquisador celular na UCSF.

"A nossa caracterização da infecção no cérebro humano em desenvolvimento esclarece a patogênese da infecção congênita ZIKV (pelo vírus Zika) e fornece uma base para pesquisar possíveis estratégias terapêuticas para evitar com segurança as consequências mais graves desta epidemia," concluíram no artigo.

O vírus Zika é transmitido principalmente pelo mosquito tropical Aedes aegypti. Estima-se que entre um por cento e 13 por cento das mulheres infectadas durante a etapa inicial da gravidez pelo vírus têm bebês com microcefalia, condição definida por uma cabeça menor e com danos cerebrais.

Atualmente, não há tratamento para evitar que o vírus Zika prejudique o feto, e o mecanismo biológico que explica como a microcefalia surge a partir da infecção ainda não está claro.

Comissão aprova proibição de revista íntima de homens no trabalho

30/11/2016
Lei atual já veda a revista de funcionárias
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que proíbe a revista íntima nos empregados nos locais de trabalho. A medida está prevista no Projeto de Lei 1941/15, do deputado Luis Tibé (PTdoB-MG), que acrescenta dois artigos à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 4.352/43).
A lei atual já proíbe a revista íntima nas empregadas ou funcionárias. Luis Tibé, no entanto, afirma ser justo fazer valer a medida também para os empregados do sexo masculino, considerando o princípio da igualdade.
A relatora na comissão, deputada Flávia Morais  (PDT-GO), concordou com o argumento. “A legislação trabalhista não prevê expressamente semelhante regra destinada à proteção dos homens. Não obstante, a jurisprudência vem reconhecendo sua aplicação também aos homens”, afirmou.
O texto considera revista íntima o procedimento em que os empregados têm o seu corpo vistoriado, com ou sem a exigência de tirar a roupa. Pela proposta, o empregador que descumprir a proibição poderá pagar multa de R$ 5 mil em favor do empregado prejudicado, independentemente de indenização arbitrada em juízo por danos morais e materiais. Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Sandra Crespo

CCJ aprova proposta que torna imprescritíveis os crimes hediondos

28/11/2016
A comissão decidiu pela admissibilidade de PEC que altera as penas para esses crimes na Constituição
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 229/12, da deputada Keiko Ota (PSB-SP), que torna os crimes hediondos imprescritíveis. 
A PEC também especifica que esses crimes são inafiançáveis, o que já está previsto na Lei 8.072/90.
Atualmente, a Constituição somente considera imprescritíveis o crime de racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático.
Na CCJ, o relator, deputado Sandro Alex (PSD-PR), recomendou a aprovação da PEC 229 e também da PEC 84/15, do deputado Ronaldo Martins (PRB-CE), que trata do mesmo assunto.
Tipos de crime
A Lei 8.072/90 define como hediondos os crimes de homicídio praticados por grupo de extermínio, homicídio qualificado, lesão corporal grave em algumas situações, latrocínio, genocídio, extorsão qualificada por morte, extorsão mediante sequestro, estupro, disseminação de epidemia que provoque morte, falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais e favorecimento da prostituição de criança, adolescente ou vulnerável.

A pena para esses crimes deve ser cumprida inicialmente em regime fechado e é insuscetível de anistia, graça, indulto e fiança.
Tramitação
A proposta será analisada agora por uma comissão especial a ser criada e, em seguida, encaminhada para votação em dois turnos no Plenário da Câmara dos Deputados. 

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Rosalva Nunes

Entidade defende restrições à publicidade voltada a crianças

28/11/2016
O Instituto Alana lançou o "Caderno Legislativo - Publicidade Infantil", documento que detalha as propostas em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado sobre a regulação da publicidade dirigida às crianças.
O caderno teve o apoio da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular; e da Frente Parlamentar Mista de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Renato Godoy, pesquisador do Instituto Alana, afirmou que é preciso alertar a população sobre os males causados pelo excesso de exposição à publicidade infantil, uma vez que já existem estudos que comprovam que as crianças submetidas a esses estímulos tendem a se tornar adultos consumistas. 
Segundo Godoy, outra consequência dessa propaganda é o aumento no número de crianças obesas e com sobrepeso – índice que chega a 33% no Brasil. "Com o caderno legislativo, buscamos ampliar o debate junto à sociedade para que o tema seja cada vez mais forte”, apontou o pesquisador.
Criado em 2006, o Instituto Alana recebe denúncias de publicidade abusiva dirigida às crianças e atua por meio de ações jurídicas, pesquisas e iniciativas educativas.
Restrições
Entre as propostas em tramitação na Câmara está o projeto (PL 5921/01) que altera o Código de Defesa do Consumidor para proibir qualquer tipo de publicidade dirigida ao público infantil.

O autor do texto, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), defendeu que é preciso elaborar leis que protejam meninos e meninas do fluxo maciço de propagandas, apesar do esforço contrário de emissoras de televisão e do mercado publicitário.
Para Hauly, mesmo sem ter sido aprovado ainda, a proposta já trouxe benefícios, pois a questão passou a ser discutida pela sociedade. "Tanto que o Conselho Nacional de Defesa da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovou uma resolução exatamente nos termos do meu projeto, e o STJ decidiu que é abusiva a propaganda que utiliza brinquedos como brinde para vender produtos à criança", informou.
A proposta que proíbe a publicidade infantil ainda vai ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovada, seguirá para o Plenário da Câmara.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Karla Alessandra

Edição – Marcelo Oliveira

Indústria cinematográfica apoia combate à violência contra a mulher na internet

29/11/2016
O combate à violência contra a mulher na internet recebeu o apoio de segmento da indústria cinematográfica. Durante audiência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, o diretor da Motion Picture Association no Brasil, Ricardo Castanheira, defendeu a aprovação de projeto de lei (PL 5204/16) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos. A proposta prevê a possibilidade de um juiz obrigar um provedor de conexão a bloquear o acesso, a partir do Brasil, a sites como os que divulgam pedofilia e pornografia.
Segundo Ricardo Castanheira, as mulheres são as principais vítimas dessas páginas da internet. Ele também destacou que o bloqueio do acesso não interfere na liberdade de navegação na rede. “Estamos a falar de sites onde só se cometem crimes. Não estamos a falar de blogs, onde você escreve e dá sua opinião. Não estamos a falar de espaços informativos”, afirmou. “O projeto 5204 preconiza exatamente a mesma solução que os 27 países da União Europeia já adotaram lá atrás, que a Austrália adotou, que o Canadá adotou.”
Para a deputada Raquel Muniz (PSD-MG), o projeto de lei vai representar um avanço, mas ela ressalvou que não vai resolver o problema. "As pessoas vão se capacitando. À medida que você faz uma proibição, elas descobrem outra maneira de burlar o sistema”, disse.
Para a deputada, é necessário haver um debate multidisciplinar, que envolva também as comissões de Seguridade e de Educação da Câmara.
Polícia Federal
Outro ponto levantado durante a audiência foi a possibilidade de a violência virtual contra as mulheres passar a ser investigada pela Polícia Federal. O delegado Pablo Barcellos Berman não se mostrou simpático à ideia. Ele explicou que esse tipo de conduta não configura crime porque não está prevista em lei.
"Crimes que, na verdade, não foram tipificados. Não existe um crime de violência on-line contra a mulher. Não existe um crime que tipifique essa conduta. O que existe são os crimes tradicionais, que já existiam antes da internet. São: ameaça, injúria, difamação", afirmou o delegado.
Pablo Barcellos disse ainda que, mesmo que os crimes de violência virtual contra as mulheres fossem previstos em lei, passar a competência para a Polícia Federal poderia acabar prejudicando a vítima. Isso porque, segundo ele, as pessoas teriam de se deslocar até uma delegacia da PF para registrar a queixa e só existem cerca de 100 unidades em todo o território nacional para atender os mais de 5 mil municípios brasileiros.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:


Reportagem – Idhelene Macedo
Edição – Pierre Triboli

Sancionada lei que prevê licença-maternidade para advogadas

29/11/2016
O presidente Michel Temer sancionou na sexta-feira (25) a Lei 13.363/16, que prevê licença-maternidade e paternidade para advogados que trabalham por conta própria.
A advogada que der à luz e for a única responsável por uma causa terá direito a pedir a suspensão de prazos processuais por 30 dias contados do parto. Para o pai advogado, a suspensão será de oito dias. A mesma regra vale para adoções.
A lei resultou de substitutivo aprovado pela Câmara em outubro e, depois, confirmado pelo Senado. O texto muda o Código de Processo Civil (Lei 13.105/15) e prevê também que a advogada gestante tenha prioridade de fala e em filas e vaga reservada de estacionamento. Também não terá que passar por raio-x.
Relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA) destacou a importância da medida. “É grande a satisfação em poder ajudar o profissional a conciliar a profissão com a condição de mãe e de pai.”
A vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Daniela Teixeira, viveu ela própria uma situação que espera que não se repita com outras advogadas.
“Eu estava grávida e tinha uma sustentação oral no CNJ. Cheguei às 9h e pedi preferência como gestante. Para minha total surpresa e perplexidade de todos os que estavam na sessão, foi indeferido pelo ministro-presidente ao argumento de que não havia previsão legal”, comentou.
“Fiquei até as 17h, num lugar sem ventilação, sem comida, sem bebida, nervosa, mal acomodada. De lá, saí para o hospital. Fiquei internada e minha filha veio a nascer prematura extrema”, continuou. A filha de Daniela Teixeira nasceu em 2013 com 29 semanas de gestação e passou 61 dias internada em uma unidade de terapia intensiva.
Reportagem – Ana Raquel Macedo
Edição – Ralph Machado

Depois de decisão do STF sobre aborto, Maia cria comissão para discutir tema

30/11/2016
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criou nesta quarta-feira (29) uma comissão especial que pode incluir na Constituição uma regra clara sobre aborto. A medida é resposta a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode abrir precedente para descriminalizar o aborto realizado nos primeiros três meses de gestação. “Sempre que o Supremo legislar, nós vamos deliberar sobre o assunto”, disse Maia.
A comissão instalada vai discutir uma proposta sobre licença-maternidade, mas pode tornar mais rígida a legislação sobre interrupção de gravidez. Maia pediu aos líderes que indiquem logo os integrantes do novo colegiado, para que ele possa iniciar o seu funcionamento.
Deputados vão discutir a Proposta de Emenda à Constituição 58/11, do deputado Dr. Jorge Silva (PHS-ES), que amplia o período de licença-maternidade para compensar a quantidade de dias que o recém-nascido passar internado em razão de nascimento prematuro.
Ao longo da sessão plenária que ultrapassou a madrugada, vários deputados criticaram a decisão do STF. Ao julgar a prisão de pessoas presas em flagrante em uma clínica de aborto, uma turma do tribunal aprovou o voto do ministro Luís Roberto Barroso, em que o magistrado afirma que a criminalização do aborto nos três primeiros meses de gravidez viola direitos fundamentais da mulher.
Código Penal
O líder do PV, deputado Evandro Gussi (SP), afirmou que a decisão do STF revoga o Código Penal, que só admite a interrupção da gravidez em caso de estupro e para salvar a vida da mãe. “Revogar o Código Penal, como foi feito, é verdade, num caso concreto, trata-se de um grande atentado ao Estado de direito. O aborto é um crime abominável porque ceifa a vida de um inocente”, disse.

O deputado Edmar Arruda (PSD-PR) referiu-se à religião para condenar a decisão do STF. “Nós, que somos cristãos, nós que defendemos a família, nós que defendemos a vida, nós não concordamos com essa decisão”.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

Justiça da Itália decide que chamar alguém de homossexual não é ofensivo

A Corte de Cassação da Itália decidiu que usar a palavra homossexual na tentativa de ofender alguém não é crime de difamação porque chamar de homossexual não é ofensivo. Os juízes consideraram que tal palavra define apenas a orientação sexual de uma pessoa. Já outros termos estereotipados continuam sendo considerados difamatórios.
A decisão foi anunciada pela imprensa italiana nesta quarta-feira (30/11). Com esse entendimento, a corte derrubou a condenação de um homem que havia chamado um rival de homossexual, mesmo este sendo heterossexual. A palavra foi usada na tentativa de ofender, mas, segundo a corte, o contexto histórico atual tirou qualquer caráter difamatório do termo. Por isso, não há crime.