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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Nº de medida protetiva para mulheres aumenta 25% em Campinas, diz TJ-SP

Segundo o Tribunal de Justiça, foram 535 pedidos durante o ano passado. 

Especialista afirmou que as medidas não podem ser encarada como solução.

Do G1 Campinas e Região
31/01/2017

O número de medidas protetivas para mulheres vítimas de violência doméstica em Campinas (SP) aumentou 25% no ano passado, em comparação com 2015. Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), foram 535 pedidos nos 12 meses de 2016, contra 428 no ano anterior. No entanto, de acordo com especialistas, muitas vezes as ações não são respeitadas e é preciso criar estratégias para amparar a vítima e combater as agressões.
A advogada Lúcia Helena Octaviano, voluntária há dez anos em uma ONG que apoia mulheres vítimas de violência em Campinas, afirmou que a medida protetiva não pode ser encarada como solução, mas apenas uma das ações necessárias. Além disso, a especialista afirma que é preciso contrariar o discurso de que a mulher é a culpada pelas agressões sofridas.
“Ela não é a culpada. A sociedade cria isso, que a mulher é a culpada pela violência e que ela pode ter a escolha de sair da violência. A medida protetiva é um papel, ela não é um escudo mágico, então ela precisa ser atendida em outros ambientes, com projetos para que ela não fique sozinha”, disse.

‘Vivo com medo’

Uma mulher que não quis se identificar afirmou que o ex-marido não aceitou a separação e já foi preso duas vezes pelas agressões. Por conta da violência, ela ficou com síndrome do pânico e não consegue mais sair de casa. Segundo a vítima, quando anda na rua ela sempre acha que está sendo perseguida.

“Já fui agredida com capacete, ele já passou com a moto em cima de mim, atropelamento, chutes no meio da rua, surras, quatro costelas quebradas. Eu vivo com medo, vivo doente, está muito difícil continuar”, afirmou.


Ações

A Guarda Municipal desenvolveu um projeto, em parceria com a Justiça, para acompanhar 27 mulheres com medida protetivas em Campinas. Pelo menos 25 agentes fazem ronda no trabalho e na casa das vítimas, além de prestar orientação e ajudar no encaminhamento ao abrigo. Em oito meses, foram sete prisões, além de apreensões de armas e drogas.

“Funciona através das demandas do poder judiciário ou dos órgãos de proteção a mulher. Se o agressor foi reincidente ou se a mulher estiver na iminência de sofrer uma agressão, eles encaminham para que a gente possa fazer o monitoramento", disse a coordenadora do progama, Ana Menezes Rojo.


A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que fez uma parceria com o Ministério Público (MP) para aperfeiçoar a formação dos policiais que atendem casos de violência doméstica. Além disso, a pasta afirmou que apresentou propostas ao Ministério da Justiça para que que haja mudanças na legislação.

O prédio da nova DDM de Campinas, no Jardim Londres (Foto: Reprodução / EPTV)
O prédio da nova DDM de Campinas, no Jardim Londres (Foto: Reprodução / EPTV)

QUE HORAS ELES VOLTAM?

Os rostos e histórias de pessoas que desaparecem sem deixar vestígios

O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente que não disse adeus.


Gente como Marco Aurélio Bezerra Simon, que tinha 15 anos no dia 8 de junho de 1985. Era um sábado e ele fazia parte de um grupo de quatro escoteiros com a mesma idade que ia escalar o Pico dos Marins, próximo a Piquete (SP), na Serra da Mantiqueira. O comando do grupo era do espanhol Juan Bernabeu Céspedes. A 1.700 metros de altura, um dos jovens se machucou e o grupo resolveu voltar. Enquanto dois carregavam o ferido, o quarto escoteiro foi encarregado pelo líder para ir na frente e buscar ajuda. Era Marco Aurélio, na última vez em que ele foi visto.

Desde então, o jornalista Ivo Simon, que vai completar 78 anos em fevereiro, dedicou integralmente sua vida a encontrar o garoto, um dos seus cinco filhos. Naquele fim de semana ele havia ido com a mulher, Neuma, para o sítio. Ela pediu para voltar no sábado. No domingo à noite, Juan ligou avisando que Marco Aurélio tinha sumido.

“Não há uma prova de que ele morreu. Por que eu tenho que acreditar que ele morreu?”, pergunta Simon, diante da descrença de seus interlocutores depois de tantos anos de busca. Na semana seguinte ao desaparecimento, teve início uma das maiores buscas já vistas no país. “Todo mundo me ajudou. A solidariedade do povo foi algo emocionante”, lembra. Nesse time de apoio, estavam três equipes do Comando de Operações Especiais, helicópteros e cães farejadores. Até um certo Michel Temer, então secretário de Segurança Pública, agiu diretamente no caso. Não foi encontrado um único vestígio do jovem. Todas as hipóteses foram levantadas. Nenhuma pista apareceu.

Simon tem uma sombria memória dos últimos momentos com o filho. “Eu dei carona até o metrô, onde eles iam pegar um ônibus. Dei um abraço nele e passou na minha cabeça que jamais iria vê-lo de novo”, afirma. “Pensei: ‘Fizemos tanto para salvar a vida desse garoto e agora vamos soltá-lo no mundo?’.” Ivo e Neuma já tinham dois filhos quando os gêmeos Marco Antonio e Marco Aurélio nasceram, em janeiro de 1970, com seis meses e meio de gestação. Eles passaram três meses em incubadora. Foram longos períodos em operações e internações. Durante muito tempo estiveram entre a vida e a morte. O pai usa a imagem atual de Marco Antonio, 47, para projetar como o irmão estaria hoje.

Juan, o líder da tropa, está vivo e bem. Mora em Manaus. O TAB o procurou para falar sobre o caso, mas não teve retorno. Outros veículos que tentaram ouvi-lo em diferentes ocasiões também ficaram sem resposta. Dona Neuma, mulher, mãe e companheira na busca por Marco Aurélio, morreu no fim de 2015. Com Ivo, ela seguiu todas as pistas que poderiam levar ao filho. O pai lembra de ter assistido a jogos da Copa do Mundo de 1986 dentro da Divisão Anti-Sequestro da Polícia de São Paulo. “O caso era tão estranho que eles queriam achar um culpado, e o principal suspeito era o Juan, mas eu nunca acreditei que ele matou meu filho”, afirma Simon. “Mas a irresponsabilidade dele, de ter deixado o Marco Aurélio seguir sozinho na frente, acabou com a minha vida”, desabafa.


Gente como Ana Paula Moreno, que tinha 23 anos em 3 de outubro de 2009, quando saiu às 5h20 de casa para o trabalho em Carapicuíba (SP) e nunca mais foi vista. Sua mãe, Sandra, se separou grávida de dois meses da filha, a terceira, depois de uma traição. O marido havia sido o primeiro homem da vida dela, e Sandra decidiu viver para os filhos. “Costumava dizer que a sorte que não tive no amor, eu tive com os filhos”, define. As duas trabalhavam na mesma empresa de processamento e emissão de documentos transacionais. Ana Paula pela manhã, Sandra à tarde. Ana gostava de pintar, não era muito de sair e tinha os mesmos amigos desde a adolescência.

“Todos os dias, quando meus filhos saem para trabalhar, eu consigo acompanhá-los mentalmente. Se eu vir a minha filha entrando no shopping e ligar para ela, ela vai me dizer que está entrando no shopping, entende?”, diz Sandra. Ela lembra que, na manhã do desaparecimento, só conseguiu enxergar Ana Paula até a primeira esquina, onde ela viu dois homens. Depois, a filha desapareceu.

Diante da impossibilidade de conseguir resultados na Justiça, Sandra levantou de forma ilegal o extrato telefônico da filha. Nada de suspeito foi encontrado. Conseguiu também levantar a movimentação da conta bancária de Ana Paula. Nem um centavo havia sido sacado.


“Uma das hipóteses que cogitei foi de, eventualmente, ela ter tido um acidente e perdido a memória”, diz a mãe. Isso a levou a passar dias na cracolândia, na região central de São Paulo, mas Ana Paula não estava lá. Passou noites andando pela cidade, entrou em favelas, invadiu lugares de desovas de cadáveres. “Fiquei uma semana com os moradores da Praça da Sé. Depois recebi um telefonema que ela estaria em Santos e passei três dias lá dormindo com os moradores de rua. Fui a Curitiba, Rio, Itu, Recife. Até hoje, onde disserem que ela foi vista, eu vou”, afirma Sandra, que só tem uma certeza: a filha está viva. “Deus me faz acreditar nisso para continuar de pé, porque não estou preparada para lidar com a minha filha morta. Se pensar isso hoje, eu desabo”, confessa.

Sandra esteve nove vezes em Brasília. Visitou o Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos, a Presidência da República. A parceria com o Ministério Público de São Paulo foi a mais efetiva. “A Lei de 2014, que prevê que um inquérito não pode ser encerrado enquanto não houver uma resposta para as famílias, foi tirada do meu projeto”, conta. Sandra elaborou um projeto de lei que foi aproveitado em partes pelo MP.

A gênese tanto da peregrinação quanto da proposta de mudança da lei foi a falta de uma resposta policial. “Eu cheguei lá e eles me disseram: ‘Agora a senhora traz informações e, se tiver novidades, a gente vai atrás’. Aquilo foi um tapa na minha cara, eu queria avançar no delegado”, lembra. “No momento em que fiz um boletim de ocorrência na delegacia em Carapicuíba, não parece razoável que essa informação esteja disponibilizada na mesma hora para todas as delegacias do Brasil? Para pedir as imagens do aeroporto para saber se a minha filha passou por lá eu preciso de uma ordem judicial e, até isso acontecer, minha filha já está no Japão!”

 

Gente como Priscila Vieira Belfort, que tinha 29 anos no dia 9 de janeiro de 2004. Naquela manhã sua mãe, Maria Jovita Vieira, deu carona a ela até o trabalho, na esquina da rua Uruguaiana com a avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. Foi quando viu a filha pela última vez. Funcionária da prefeitura, Priscila estava instalada com a mãe na casa da avó, na Zona Sul, enquanto o irmão, o lutador de MMA Vitor Belfort, ocupava a casa onde as duas moravam, na Zona Oeste, para se preparar para uma luta.

“Sou separada e nós três sempre fomos muito unidos, estávamos sempre juntos”, relembra Jovita. Naquele dia, o namorado da Priscila, Lucas, ligou dizendo que eles tinham combinado de almoçar, mas não tinha notícia dela. Quando Jovita conseguiu falar na Fundação Esporte e Lazer, órgão da prefeitura onde Priscila trabalhava, disseram que ela tinha saído para almoçar e não havia voltado. “Quando recebi o telefonema perguntando por ela, senti uma coisa esquisita. Queria evitar de falar com o Vitor porque ele estava em treinamento, mas quase dez da noite eu liguei para a Joana (Prado, mulher do Vitor) porque era uma situação estranha, ninguém tinha notícia”, conta Jovita. “Aquela primeira noite foi um terror, as horas pareciam intermináveis.”

O caso foi para a Delegacia Anti-Sequestro porque, no primeiro fim de semana, depois que o caso foi noticiado, houve um pedido de resgate, mas era falso. Foi na Anti-Sequestro que aconteceu algo que intriga Jovita até hoje. “Cheguei com o pai da Priscila e vi o Lucas com o pai dele e o Técio Lins e Silva. Desaparecimento não é crime, e ele aparece com o pai e com um dos maiores advogados criminalistas do país?”, questiona. Priscila falava em terminar o namoro e Jovita acredita que Lucas não foi investigado como deveria.


“A primeira coisa que as pessoas pensam sobre um desaparecido é que ou ele brigou com a família ou que mexe com algo suspeito. Levantamos telefonemas, conta bancária, tudo da Priscila, e nada de suspeito apareceu”, lembra a mãe, que se recorda de ter se irritado ao ouvir de um dos agentes dentro da delegacia algo como “ah, mãe, depois do Carnaval ela volta da Bahia...”

Jovita é uma rara mãe que não se furta a falar de morte. “Meu pavor hoje é a minha filha ter sido morta e enterrada como indigente”, diz. Ela foi candidata à vereadora ano passado, usando o sobrenome Belfort. Não se elegeu, mas pensa em se candidatar a deputada estadual em 2018. Sua missão hoje é levantar a bandeira das famílias de desaparecidos. “Tem que passar fotos dos desaparecidos nas TVs, que são concessões públicas, nos telões dos aeroportos, engajar a sociedade”, diz Jovita, que foi uma das principais vozes a reclamar a DDPA (Delegacia de Descobertas de Paradeiros), criada em setembro de 2014. “Vivo hoje para que outras famílias tenham a paz que não sei se eu vou ter”, desabafa. “A delegacia devia se chamar Priscila, de tanto que eu vivo lá.”


MUDANÇA DE CULTURA
A julgar pelos relatos anteriores, a DDPA era emergencial. Mas um decreto não basta para mudar a cultura enraizada nos setores de investigação. “Se você chega na delegacia e diz que seu filho desapareceu, o policial continua achando que isso é um problema seu, que esse assunto é desimportante”, diz Dijaci Oliveira, diretor da Faculdade de Ciências Sociais da UFG (Universidade Federal de Goiás) e autor de “O Desaparecimento de Pessoas no Brasil” (Cânone Editorial, 2012).

Mudar a cultura exige permanente vigilância, como é a postura do Ministério Público. “Dizer que desaparecimento não é crime, para nós, é um discurso fácil. Essa não é uma questão de menor importância, é um trabalho de direitos humanos, e a gente não vê ainda essa consciência pública”, indica a promotora de Justiça Eliana Vendramini, coordenadora do Plid (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos) do MP-SP.  O professor Dijaci Oliveira completa: “Quando não há crime, a polícia não vê razão para investigar. A gente não precisa transformar desaparecimento em crime, mas precisa garantir que, para cada desaparecimento, haja uma investigação policial que ajude a família”.


Nem toda polícia parece desinteressada no assunto. Há policiais como o tenente-coronel Marcus Roberto Claudino, coordenador do Programa S.O.S. Desaparecidos da Polícia Militar de Santa Catarina desde a sua criação, em 2012. Ele relatou sua experiência sobre o tema no livro “Mortos sem Sepultura – O Desaparecimento de Pessoas e seus Desdobramentos” (Palavracom Editora, 2014). Segundo ele, uma polícia mais efetiva no assunto é menos questão de dinheiro e mais de estratégia. “A gente provou aqui que não é preciso muito recurso, mas redirecionar parte do recurso já existente e usá-lo com inteligência”, afirma Claudino.

Ele avalia que cerca de 80% dos desaparecimentos têm raízes em conflitos familiares, entre maus tratos, assédios e consumo de drogas. E faz questão de ressaltar um detalhe pouco lembrado. “Entre os moradores de rua, além de problemas com bebida e droga, há também muita desilusão amorosa. Um exemplo foi o sujeito que encontramos aqui que tinha vindo a pé, de São Paulo a Florianópolis, depois que a mulher o abandonou.”


CONHECE ESSA PESSOA?
A família que busca um parente desaparecido precisa da polícia, mas não só. Em todos os relatos, uma frase é recorrente: “Uma mãe nunca deixa de buscar seu filho”.  Ou seja, a busca por um parente desaparecido é um fardo permanente, que mobiliza, paralisa e, frequentemente, desintegra as pessoas que passam a viver em função dela. Logo, além de polícia, essas famílias precisam de conforto para encarar um roteiro no qual, muitas vezes, tão importante quanto achar a pessoa é saber o que aconteceu com ela. E saber que essa resposta pode não ser a desejada.

“É fundamental tornar conhecido os acontecimentos frente à morte por desaparecimento, pois está em jogo também o destino psíquico, a memória, a história pessoal e social de quem morre e de quem vive”, explica a psicanalista Bárbara de Souza Conte, integrante da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. “Tudo que fica ‘desconhecido’ e não falado é fonte de sofrimento e impede saídas, vias simbólicas de recomposição frente à dor psíquica e à memória do acontecido”, conclui.


O maior conforto que as famílias buscam é encontrar o desaparecido. Mas nem todos analisam se estão realmente preparados para isso. Ivo Simon viu um menino de 15 anos pela última vez, e, se tudo der certo, vai reencontrar um homem de 47 anos, que passou mais de dois terços da vida longe dele. “Seja lá o que tenha acontecido, estou preparado para qualquer coisa, só quero meu filho de volta. Eu nunca mudei a fachada da minha casa, porque, se ele voltar, vai precisar lembrar dela como a conheceu.”

Jovita Belfort despediu-se em 2004 de uma moça de 29 anos, de quem sabia tudo a respeito, e hoje estará diante de uma mulher de 42 anos de quem nada soube desde então. “Não importa, mesmo se ela estiver na rua, mal, destruída, me tragam a Priscila de volta que eu vou arrumá-la.” Sandra Moreno viu a filha pela última vez aos 23 anos e hoje procura uma mulher de 30 anos. Ela é sincera sobre o seu sentimento. “Estou preparada para encontrar a minha filha, não uma pessoa que eu não conheço. A delegacia fez uma projeção de como ela deve estar hoje. Respeito o trabalho dos peritos, mas não consigo olhar, não aceito aquela pessoa. Eu busco a Ana Paula que saiu daqui em 2009.”

Brasileiras rompem machismo na matemática e disputam Olimpíada europeia

Bruna Souza Cruz
Do UOL, em São Paulo
  • Divulgação
    Jamile, Júlia, Juliana e Mariana representarão o Brasil (da esq. para dir.)
    Jamile, Júlia, Juliana e Mariana representarão o Brasil (da esq. para dir.)
As jovens Jamile Falcão Rebouças, Júlia Perdigão Saltiel, Juliana Carvalho de Souza e Mariana Bigolin Groff serão as primeiras representantes do Brasil na European Girls' Mathematical Olympiad (Olimpíada Europeia de Matemática para garotas, em tradução livre), que será disputada em Zurique, na Suíça, entre 6 e 12 de abril. As aprovadas foram anunciadas durante a cerimônia de premiação dos medalhistas da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), no último sábado (28).
"Estou muito empolgada. Não estou acreditando até agora. Acho muito bom [ter] essa olimpíada para meninas porque a gente vai se a 1ª equipe do Brasil a ir. Vou me esforçar bastante. Quero trazer a medalha de ouro para o Brasil", disse Juliana, 16, que mora em Igarapé (MG), região metropolitana de Belo Horizonte.
Para ela, a conquista pode servir de espelho para outras jovens. Além disso, ela acredita que é um incentivo para mudar o cenário predominantemente masculino no universo da matemática.
"Antes eu não via nenhum problema. Achava que era normal mesmo ter muito mais menino na matemática. Mas fui percebendo que ia muito além disso. É toda uma cultura machista de que as meninas têm mais dificuldades em matemática. Também algumas não podem estudar porque têm que ajudar em casa e acaba prejudicando o desempenho nos estudos", afirmou.
"Isso desencoraja mesmo as meninas. E não é só matemática. Outras ciências também. Não é que elas têm menos capacidade, vai muito além", acrescentou.

Deusa da matemática

Mesmo sendo medalhista de competições escolares, Juliana não se considera "gênio" da matemática. Segundo ela, tudo faz parte de esforço e dedicação.
A jovem estudou a vida toda em escolas públicas e, atualmente, está matriculada no terceiro ano do ensino médio no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais).
Ela conta que desde o 6º ano do ensino fundamental participa de competições escolares e já acumulou três medalhas na OBM (uma de prata e duas de bronze), cinco na Obmep (dois ouros, duas pratas e uma de bronze) e duas na Olimpíada Mineira de Matemática.
"Quando comecei a aprender matemática, era uma pessoa meio lenta, mas depois que aprendi mesmo eu consegui resolver problemas com mais facilidade. Amo a matemática. Minha família brinca que sou uma deusa da matemática. Estou muito empolgada, mas estou com medo das equipes da China, das russas", brincou.
Para o futuro, a jovem sonha em fazer faculdade de engenharia aeroespacial ou ciência da computação. "Adoro avião e gosto de programar. Vou tentar faculdade aqui e fora do Brasil. Seria um sonho", conclui.

Polícia de SP vai fotografar lesões de mulheres vítimas de violência

São Paulo - Um novo padrão de atendimento aos casos de violência contra a mulher passa a valer nesta quinta-feira, 12, e deverá ser seguido pelas Polícias Civil, Militar e Científica. Entre as medidas, um policial, de qualquer delegacia, deverá ouvir imediatamente a vítima e fotografar, após autorização, possíveis lesões aparentes que ela apresente.

Também caberá à autoridade policial requisitar perícia especificando que o crime se trata de violência contra a mulher. O protocolo único, que vai reunir informações mais detalhadas para garantir a agilidade na investigação do caso, faz parte do projeto Integrar. É uma parceria entre Secretaria da Segurança Pública e Ministério Público e foi anunciada nesta quinta-feira, 12.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) destacou que o protocolo único vai dar "mais agilidade, rapidez e proteção" às mulheres na luta contra a violência doméstica. "Em qualquer delegacia de qualquer cidade de São Paulo teremos um protocolo único de atendimento rápido, inclusive com a fotografia imediata da mulher", disse. Os policiais receberão cartilha e material didático de treinamento para a realização de cursos e reuniões.
Com o novo atendimento, o policial deverá indicar fatores de risco no registro da ocorrência nos casos de prisão em flagrante ou na representação de medidas protetivas, como histórico de violência do agressor, uso de drogas ou doença mental, presença de crianças na família e ainda se o agressor tem acesso a arma de fogo ou já descumpriu ordem judicial. Neste protocolo único, devem constar também se a vítima é economicamente dependente do agressor e se possui ou não parentes próximos.
O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves, disse que a polícia está "absolutamente preparada" para atender os casos de violência doméstica. "A mulher não precisa ser atendida, ela precisa ser acolhida na repartição policial. E isso vai se materializar ainda mais com o protocolo que foi gestado no grupo de trabalho na secretaria", afirmou. O grupo é formado por representantes do governo do Estado e promotoras do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid), do Ministério Público.
O procedimento determina que registros e diligências emergenciais relacionados a casos de violência contra a mulher deverão ser feitos mesmo se a vítima não portar documento de identidade. Caberá à Polícia Militar a preservação do local do crime e a verificação da existência de medidas protetivas relacionadas ao agressor.
A Política Técnico-Científica fica obrigada a priorizar o atendimento a locais de crimes relacionados à violência contra a mulher e também precisará enviar os laudos periciais à autoridade policial, eletronicamente, tão logo sejam concluídos.
O protocolo dará aos policiais militares o acesso, nos tablets das viaturas, a dados sobre medidas protetivas e restritivas, além de informações criminais sobre quem for abordado na rua. A consulta permitirá que o policial verifique se a pessoa está descumprindo uma medida protetiva de violência doméstica.

Feministas veem como insuficiente novo padrão de atendimento a agredidas em SP

Janaina Garcia 
Do UOL, em São Paulo
A descrição em palavras não traduz a intensidade da dor da vítima de violência doméstica e familiar –diferentemente de uma fotografia que exponha em detalhes a agressão. Essa é uma das premissas de um protocolo de atendimento integrado para atendimento a essas vítimas, implementado na semana passada em São Paulo pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) em parceria com o Ministério Público Estadual.
Batizada de "Projeto Integrar", a ação busca reforçar ações conjuntas entre os órgãos para o enfrentamento da violência contra a mulher. Além da realização de fotos das agressões nas delegacias, por parte de policiais mulheres e com autorização da vítima, outra medida será a realização da perícia em até dez dias –em geral, o procedimento leva 30 dias.
Para especialistas em assuntos ligados à violência de gênero, porém, mais que fotos, o que o atendimento às vítimas de violência doméstica tem demandado, no dia a dia de delegacias e centros de acolhida, profissionais treinados para lidar com essas vítimas.
UOL
Amelinha Teles é advogada e feminista
"O protocolo não altera muito do que acontece hoje, porque muitas mulheres que vão registrar queixa ou falar sobre violência na delegacia ou em qualquer serviço, não raro, não estão machucadas visivelmente, mas psicologicamente. As medidas que precisam ser tomadas vão muito mais na direção de se qualificar quem as atende, em uma dinâmica de funcionamento mais adequada ao cotidiano da vida – e não atendendo as burocracias do Estado", afirma a advogada Amelinha Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo e coordenadora do Projeto Promotoras Legais Populares.
"Esse tipo de atendimento em que a vítima tem uma retaguarda faz parte do Estado Democrático de Direito. Ela precisa de apoio afetivo e psicológico e quer preservar sua vida –mas vai buscar apoio onde tem uma porta aberta para ser atendida. Só que quem a atende tem que estar capacitado, orientado e supervisionado, porque é um trabalho desgastante e difícil em que se precisa acolher, ouvir e dar escuta para essa mulher e poder traduzir isso de acordo com a lei. Não dá para primeiro atender a burocracia  da instituição para, depois, olhar as mulheres", concluiu.

Medidas são "série de boas intenções"

Diretora de conteúdo da agência Patrícia Galvão – que trabalha com a divulgação de material relativo aos direitos da mulher --, a jornalista Marisa Sanematsu considerou as medidas do protocolo "uma série de boas intenções que vêm sendo há bastante tempo recomendadas por especialistas e por pessoas que trabalham na área".
"É relativamente fácil implementar a foto das agressões, por exemplo, porque celular é algo hoje muito mais à mão das pessoas. Mas isso só funcionará e será bom se realmente os profissionais tiverem orientação para aprender a mudar os procedimentos – o que inclui perceber a situação da vítima, que muitas vezes chega e afirma que não aconteceu nada. Perceber isso depende de capacitação", defendeu a diretora. "Há que ter vontade política para mudar, na prática, procedimentos que muitas vezes não estão sendo adequados para garantir a proteção da vítima e responsabilizar o agressor.
Arquivo pessoal/Divulgação
A coordenadora do Núcleo de Gênero do MP-SP, Valéria Scarance

Protocolo prevê treinamento de policiais e agentes, diz MP

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Gênero do MP paulista, promotora Valéria Scarance, além da foto das agressões, o protocolo estabelece ainda a oitiva imediata da vítima e das testemunhas presentes, além da instrução do auto de prisão em flagrante com eventuais medidas protetivas –tomando por base fatores de risco como separação recente, perseguição incessante ou porte de arma de fogo por parte do agressor.
Segundo a promotora, a ideia é implementar o protocolo este ano na capital, a começar pelas delegacias da região norte da cidade, para que, a partir de 2018, isso seja feito em âmbito estadual. Esse é o tempo, explicou, para que policiais e agentes que atuam no enfrentamento da violência contra a mulher tenham treinamento adequado ao que estipula o protocolo.

"A ideia é que a investigação desses casos seja muito mais célere. Com a foto, sob autorização da vítima, e a perícia em dez dias, devolvida por e-mail, devemos conseguir ter uma resposta mais rápida para a formulação de provas mais efetiva e ter ainda algo inovador, que é a verificação dos fatores de risco para essa vítima", explicou a promotora. "A referência a esses fatores de risco é importante porque são diferentes de outros crimes, e isso exige um conhecimento totalmente diferente e específico", complementou.

Com o protocolo e as fotos das agressões, destacou a coordenadora do Núcleo de Gênero do MP, mesmo que a vítima se retrate –ou seja, volte atrás –na acusação, já na fase judicial, o juiz pode entender que o agressor deve ser condenado.
"Lembro de um caso, por exemplo, de uma mulher de mais ou menos 40 anos, casada, que teria sido agredida pelo marido. Chegou à delegacia bem machucada, um dia, mas não registrou ocorrência; no dia seguinte, foi agredida de novo e a PM foi acionada, e ela, socorrida. Teve um braço quebrado, muitos ferimentos, e ela se permitiu ter as agressões fotografadas --com fotos que revelavam a intensidade da lesão. Na instrução processual, ela se retratou e disse que havia caído da escada –muitas mulheres na fase judicial se retratam em razão da fragilidade gerada pela própria violência: não porque esteja recuperada ou isentas de perigo, bem entendido. Mas ali os policiais foram ouvidos, e, embora não tivessem presenciado a agressão, viram a vítima machucada", disse a promotora. "O laudo é importante, mas a foto é como se fosse uma reprodução da cena da agressão naquela pessoa, traz o aspecto humano", completou.
O projeto-piloto na capital será implementado em março. O convênio entre o MP e a SSP na ação será de cinco anos.
Pelos números do Mapa da Violência de 2015, o Estado de São Paulo registrou, em 2013, uma taxa de 2,9 homicídios de mulheres por grupo de 100 mil. A média nacional ficou em 4,8.

UFF Mulher e Avon promovem workshop: violência contra mulher – Niterói/RJ, 08/02/2017

27/01/2017
Como forma de refletir sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher no ambiente universitário, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio do Programa UFF Mulher e do Projeto Observatório de Violência contra a Mulher, em conjunto com o Instituto Avon realizarão o Workshop: Violência contra a Mulher no Ambiente Universitário. Esta atividade tem como objetivos: promover o debate, a troca de ideias, a reflexão, a ação, e, sempre, a indignação diante da persistência da violência contra a mulher no mundo contemporâneo, buscando formas de prevenir a violência na UFF a partir da participação dos diversos setores da Universidade.
O workshop tem como público-alvo gestores de diferentes setores da Universidade, além de colaboradores e pesquisadores ligados ao programa e diversos projetos que o compõem. O ambiente universitário, que deveria ser apenas de interação e educação, também pode ser considerado um espaço de medo para a mulher. Diversas são as causas que contribuem para que isso ocorra: locais e acessos mal iluminados, falta de segurança, exposição a comportamentos machistas e violência de gênero são fatores determinantes para essa situação.
Onde:
Escola de Serviço Social da UFF
Sala 405, Bloco E, Campus do Gragoatá
São Domingos
Niterói – RJ

Quando:
qua, 08/02/2017 –
14:00 até 18:00

Resistir é preciso, por Rosiska Darcy de Oliveira

Trump mal saíra do baile anos 50, e as mulheres do século XXI já estavam nas ruas anunciando que vão enguiçar esse trator
(O Globo, 28/01/2017)
Resistir é preciso. Foi essa a mensagem da Marcha das Mulheres, uma inédita manifestação, simultânea em cinco continentes, contra a brutalidade com que o novo presidente dos Estados Unidos insiste em humilhá-las. E não só a elas.
Trump mal saíra do seu baile estilo anos 50, e as mulheres do século XXI já estavam nas ruas anunciando que vão enguiçar esse trator, movido a atraso e ódio, que ameaça esmagar seus direitos duramente conquistados. Madonna pegou o microfone e avisou: “Lutamos pela liberdade de sermos o que somos e de sermos iguais. Vamos manifestar juntos porque assim, a cada passo da travessia dessa escuridão, dessa era da tirania que é o governo Trump, não teremos medo”.
A Marcha das Mulheres que se espalhou por centenas de cidades americanas e do mundo foi uma irrupção do inesperado. Pelo seu imenso porte, uma surpresa, até mesmo para quem a convocou. E uma aula de democracia contemporânea, do modo de fazer política em tempos de internet e globalização, quando cada um decide em seu foro íntimo que luta quer lutar e joga no mundo sua convocatória. Uma advogada aposentada criou um perfil no Facebook convocando à marcha. Recebeu uma avalanche de adesões. A indignação individual floresceu em ação coletiva.
Vai ser um duro enfrentamento. Afinal, as mulheres são persistentes. Vêm quebrando um paradigma milenar que lhes negava o reconhecimento de sua plena humanidade. Conquistaram direitos de que não estão dispostas a abrir mão e forjaram uma ideia clara do seu lugar no mundo contemporâneo. Espalhadas em todos os continentes, estão em todas as casas, são mães de família, profissionais, cientistas, juízas, celebridades, anônimas. De todas as cores, idades e nacionalidades. São metade da humanidade. O homem mais poderoso da Terra, que exprime um genuíno desprezo por elas, não contava com um adversário dessa envergadura, saindo de cada porta. Seu arsenal nuclear, seus agentes da CIA podem pouco contra elas, que mostram a cara e dizem nas ruas sua indignação. As mulheres em movimento são como a floresta que assombrou Macbeth.
Elas sabem por que o conservadorismo as tem na mira. Um dos ingredientes principais desse veneno é o inconformismo com a perda da supremacia dos homens nas famílias e nos múltiplos espaços da sociedade trazida pela emancipação das mulheres. Sentindo o chão fugir debaixo dos pés, os Trumps da vida querem ressuscitar um mundo em agonia. São eles que se sentem mais atingidos e roubados em suas prerrogativas de autoridade, justamente esses que se habituaram a ter nelas o par perfeito, as bonecas para dançar “My way”, elas que não faziam caminho nenhum, que não iam a parte alguma.
Como conviver agora com mulheres que sabem o que querem e o que não querem, falam com voz própria, afirmam o direito sobre seu próprio corpo e desejo, que levam à prisão espancadores e estupradores? E ainda ousam se candidatar à Presidência dos Estados Unidos! Tudo isso vira de pernas para o ar o mundo em que esses homens estavam instalados, como um direito natural, imutável. A reação vem amadurecendo há muito tempo e se personificou agora, de forma caricatural no presidente recém-eleito dos Estados Unidos. Faz parte da caricatura acreditar que piadas obscenas, gestos agressivos, insultos e ameaças intimidariam e calariam as mulheres. Mas as ruas se coloriram no primeiro grande gesto de resistência a esses tempos de trevas. As mulheres foram as primeiras a protestar defendendo seus direitos e o de todos os que foram agredidos, em nome da civilização por quem se sentem responsáveis e que querem construir com direitos humanos, liberdades individuais e equilíbrio do planeta. Arrastaram multidões.
Fica um alerta: no Brasil também estamos em risco. Uma assustadora onda conservadora, inconformada com o avanço das liberdades, ameaça fazer a História retroceder. No apodrecido Congresso Nacional, um amálgama de fanatismo religioso, bancada da bala e parlamentares de extrema-direita aproveita o campo de ruínas em que se transformou o sistema político para tentar reverter os direitos conquistados nas ultimas décadas por mulheres e gays, para coibir o avanço da ciência e difundir nas escolas teorias criacionistas.
Não se minimize o perigo dessa aliança sombria. Humanistas que somos, temos o mau hábito de não acreditar em catástrofes. Poucos acreditaram no pesadelo Trump. Quem quer acordar no pesadelo que seria o triunfo dessa aliança? Antes que esse fantasma se materialize, é provável que tenhamos, nós também, que sair às ruas. Resistir é preciso.
Rosiska Darcy de Oliveira é escritora; rosiska.darcy@uol.com.br

Campanha nacional combate exploração sexual de crianças e adolescentes no brasil


Com a participação da apresentadora Xuxa Meneghel, ação foi criada pela agência Cucumber Propaganda para o Instituto Liberta, a Childhood Brasil e a Fundação Abrinq

O Instituto Liberta, a Childhood Brasil, e a Fundação Abrinq se unem para o lançamento de campanha publicitária com o objetivo de propor uma nova abordagem para o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Criada pela Cucumber Propaganda, a ação conta com o apoio e parceria dos maiores veículos de comunicação do Brasil para ampla cobertura na mídia nacional. Intitulada ‘Números’, a campanha tem a apresentadora Xuxa Meneghel como uma das embaixadoras da causa e locutora do filme.

A proposta é evidenciar dados relativos ao problema da exploração sexual de crianças e adolescentes no país, a fim de provocar um choque de consciência na sociedade, gerando engajamento e ação imediata, bem como ampliar a quantidade de denúncias pelo telefone, por meio do canal ‘Disque 100’. “É assustador encarar a gravidade do problema e as pessoas tendem a ignorá-lo. É uma grande responsabilidade educar a população de maneira acessível e ao mesmo tempo informativa. Nossa intenção é sensibilizar a nação e estimulá-la a reagir”, afirma Sophie Wajngarten, sócia-diretora da Cucumber Propaganda, que desenvolveu a campanha publicitária.
O Instituto Liberta é uma organização não governamental (ONG) idealizada pelo empresário e filantropo Elie Horn, fundador da Construtora Cyrela Brazil Realty, conhecido por doar 60% de seu patrimônio pessoal para causas sociais dentro do programa The Giving Pledge, fundado por Bill Gates e Warren Buffett. O filantropo delegou a missão para o empresário e advogado Fabio Wajngarten, que foi o responsável por reunir parceiros de marketing e mídia estratégicos para o sucesso da causa “O ser humano, obrigatoriamente, deveria se preocupar com servir, respeitar e cuidar do próximo” afirma Fabio. A ONG tem como foco o combate da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil e irá iniciar essa luta impulsionando a discussão e a conscientização sobre o tema, “Ninguém tem coragem de dizer não para este assunto e há destinos que podemos mudar”, diz Elie Horn.
A iniciativa também pretende aprimorar a legislação correlata a questão. “Nossa missão é manter o assunto em pauta pelos próximos dez anos, ampliando o alcance da mensagem para cada perfil de público, inclusive para que sejam criadas leis mais específicas e abrangentes sobre o tema”, explica Miriam Lefevre Lewensztajn, sócia-fundadora da Cucumber.
Professora Doutora em Direito pela PUC-SP, Luciana Temer preside o Instituto Liberta. Ela tem ampla experiência no assunto. Foi Delegada de Polícia, Secretária da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo e Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social do município de São Paulo. Luciana acredita que “é fundamental jogar luz sobre esta questão. “Conhecer e enfrentar o problema é o primeiro passo para vencê-lo”, afirma.
A campanha já foi testada e otimizada de forma ‘pro bono’ pela Nielsen Consumer Neuroscience Brasil. “A execução da campanha manteve o engajando das pessoas, sendo memorável e favorecendo uma atitude ativa de colaboração frente ao tema”, afirma Janaína Brizante, diretora de neurociência da Nielsen.


Mulheres largam pílula e convocam parceiros a participar da contracepção

Celebrada como símbolo da liberdade sexual na época de seu surgimento, na década de 1960, a pílula anticoncepcional é hoje encarada de um jeito muito diferente por cada vez mais mulheres. Para elas, seu uso se tornou em larga medida uma imposição dos parceiros e serviu para que a responsabilidade de evitar uma gravidez acabasse recaindo apenas sobre a mulher.
(Folha de S.Paulo, 31/01/2016)
Em consultórios médicos e em grupos de discussão na internet, o debate tem esquentado. Além de buscarem métodos alternativos, elas também procuram maneiras de dividir o sentimento de responsabilidade sobre a contracepção.
A publicitária Valéria Sousa, 22, diz que nunca se adaptou aos efeitos colaterais da pílula, mas que usava devido aos parceiros, que se recusavam a empregar a camisinha. “O que mais me motivou a deixar a pílula foram as situações em que eu e algumas amigas nos encontrávamos: por saber que nós usamos pílula, o cara se sentia confortável o suficiente para dar desculpas e não se proteger [usar o preservativo]”, relata.
“Com o tempo, aprendi a sair de situações que a sociedade costuma tratar como normal. Pode ser também uma questão de opinião, mas é bom reforçar que se isso te faz mal, não é necessário usar. Há outros métodos contraceptivos e, principalmente, com responsabilidade dividida”, diz.
A administradora Mariana Lima, 29, começou a questionar, além da divisão das responsabilidades, também os gastos associados à contracepção. Depois de anos usando a pílula e, posteriormente o anel vaginal, ela resolveu largar os métodos hormonais.
“Eu achava injusto pagar R$ 60 todo mês e ainda ter a preocupação de quando colocar, tirar, etc. Passei a pedir pro meu namorado comprar. Mas ainda assim minha ‘preocupação’ continuava, porque era eu que tinha de lembrá-lo sempre da data da compra. Até que tomei a decisão de não usar mais, assim o cuidado seria dos dois”, diz.
Além da maior discussão sob a igualdade dos sexos na responsabilidade pela contracepção, muitas das mulheres buscam outros métodos devido à maior atenção com os potenciais efeitos da pílula –além de um maior risco de problemas circulatórios para quem tem histórico de problemas na família, muitas relatam aumento de peso, diminuição da libido e outros sintomas indesejáveis.
Não há números oficiais que indiquem a quantidade de mulheres que têm repensado seus métodos contraceptivos devido a questões ideológicas, mas o movimento já se faz sentir em muitos consultórios médicos no Brasil.
“Vejo um movimento de mulheres, ainda limitado a redes sociais, organizando-se para exigir dos planos de saúde que indiquem médicos que ofereçam contracepção não hormonal. Mulheres estão convidando os parceiros a refletir sobre contracepção e optando pelo uso correto e exclusivo de preservativo”, diz a ginecologista Halana Faria
“Deixar de usar pílula tem sido um motivo para que mulheres passem a dialogar mais sobre a necessidade de usar preservativo em todas as suas relações.” Mestra em Saúde Pública pela USP, Halana atua no Coletivo Feminista Sexualidade em Saúde, ONG que prioriza o atendimento médico humanizado ao público feminino. Para ela, ainda existe no país a ideia de que as mulheres são as únicas responsáveis pela contracepção.
“Não vamos nos esquecer que há serviços de atendimento geridos por instituições religiosas que recusam-se a oferecer DIU e laqueadura por exemplo. Que quando uma mulher apresenta efeitos colaterais à contracepção hormonal frequentemente não consegue acesso a alternativas”, afirma Halana, que diz não ser contrária à pílula.
Ana Carolina de Magalhães nunca teve efeitos adversos, mas resolveu para de tomar a pílula
Ana Carolina de Magalhães nunca teve efeitos adversos, mas resolveu para de tomar a pílula (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
“Não faço coro à demonização da contracepção hormonal. Acho que há mulheres e grupos sociais que podem, sim, beneficiar-se do seu uso e isso precisa ficar claro”, diz Halana, que ressalta a importância do acesso à informação para que as mulheres possam tomar decisões.
Ana Carolina de Magalhães, pesquisadora na área de física, usou a pílula anticoncepcional sem perceber qualquer problema ou efeito adverso por mais de uma década. Durante uma temporada no Canadá, porém, ela começou a repensar o uso do método e passou a pesquisar alternativas não hormonais.
Ela conta que, nesse processo, teve o apoio do marido para abandonar a pílula e, também, “dividir as responsabilidades” para evitar uma gravidez não planejada. Hoje o casal optou pelo diafragma e pela camisinha associados.
“Parte da decisão de usar a camisinha associada é que é praticamente a única opção de contraceptivo que o homem usa. As outras são coito interrompido, que não nos agrada, além de não ser um método muito confiável, e a vasectomia, que nem sempre é reversível. Sentimos falta de outras opções”, explica.
“Usando a camisinha e o diafragma, cada um fica responsável por um método”, conta Ana Carolina.
EXCESSOS
A pílula anticoncepcional é oficialmente considerada uma linha de tratamento para a síndrome do ovário policístico (SOP). No entanto, na opinião da médica Nathalia Cardoso, que também atende na ONG, ela é possivelmente excessiva em muitos casos de mulheres jovens.
“No início das menstruações, as meninas têm ciclos irregulares, o que é característico da maturação do eixo hormonal, aspecto esse que tende a se regular com o tempo. Adiciona-se a isso o fato de que, com a puberdade, a acne pode aumentar. Esses dois fatores, somente, não diagnosticam a SOP, de forma que temos que ficar atentas para a prescrição indiscriminada de contraceptivos.”
Na opinião do professor da Faculdade de Medicina da Unicamp Luis Bahamondes, hoje as redes sociais têm sido usadas para difundir muitas informações sem lastro científico e que, de uma certa maneira, tem havido uma espécie de demonização da pílula.
“O método é seguro, não é uma ameaça mundial como muitos blogs dizem por ai”, explica o médico, que também é pesquisador da clínica de planejamento familiar da universidade. Ele reafirma a importância de haver uma análise do histórico de saúde das pacientes.

Agência Patrícia Galvão

Transexuais no Brasil: uma luta por identidade


Os desafios que travestis e transexuais enfrentam por viverem no Brasil, um dos países mais intolerantes do mundo


Correio Braziliense

Um país que exclui e mata

Esta série de reportagens mostra como ser transgênero é especialmente difícil no Brasil, o país que, em números absolutos, mais registra assassinatos de travestis e transexuais, segundo levantamento feito pela ONG Transgender Europe.
Após se perceberem de um gênero diferente do que lhes foi atribuído no nascimento, essas pessoas passam a enfrentar uma verdadeira luta para viverem sua identidade. Além do risco constante de serem vítimas de violência, elas não contam com uma legislação que as proteja, são excluídas do mercado de trabalho, têm enorme dificuldade para acessar serviços de saúde, são hostilizadas e violentadas nas escolas e sofrem, frequentemente, com a incompreensão e a rejeição familiar.
Tal quadro faz com que essa parcela da sociedade morra muito, muito cedo. Dados da União Nacional LGBT apontam que o tempo médio de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, enquanto a expectativa de vida da população em geral é de 75,5 anos, de acordo com informações divulgadas em dezembro de 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PARTE 1 - Violência e exclusão do mercado de trabalho

Rotina de exclusão e violência // O Brasil matou ao menos 868 travestis e transexuais nos últimos oito anos, o que o deixa, disparado, no topo do ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras. O dado, publicado pela ONG Transgender Europe (TGEu), é assustador, mas não representa novidade para essa parcela quase invisível da sociedade. Continue lendo.
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Não há vagas... para trans // Segundo o Relatório da violência homofóbica no Brasil, a transfobia faz com que travestis e transexuais tenham “como única opção de sobrevivência a prostituição de rua”. Não é mera força de expressão. Estimativa feita pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que 90% das pessoas trans recorrem a essa profissão. Continue lendo.
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Improvável final feliz, a trajetória de uma transexual brasileira // Quem vê as fotos de formatura que a psicóloga Ariane Senna, 25 anos, posta com orgulho no Facebook, não imagina quantos obstáculos ela teve de enfrentar  até alcançar o diploma. Negra, de origem pobre e vítima da incompreensão familiar, ela parecia destinada, como grande parte das transexuais brasileiras, a um fim trágico. Continue lendo.
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Transexual, travesti, drag queen, crossdresser... afinal, qual é a diferença? // Com a ajuda da psicóloga Isabel Amora, que atende pessoas transgêneras no Hospital Universitário de Brasília (HUB), organizamos um glossário para você entender melhor o universo trans e não se confundir mais. Continue lendo.
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PARTE 2 - Falta de acesso à educação, à saúde e a direitos básicos

Expulsos da escola // Estudo da ABLGBT mostra que 25% dos estudantes que não se declaram heterossexuais no Brasil já foram agredidos fisicamente e 55% ouviram comentários negativos a respeito de pessoas trans no ambiente escolar. Dos entrevistados, 45% disseram que já se sentiram inseguros devido à sua identidade/expressão de gênero. Continue lendo.
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A saúde negada // Para um universo estimado de 752 mil transexuais no Brasil, há ambulatórios especializados em apenas 11 cidades. Já as instituições habilitadas pelo Ministério da Saúde para realizar a cirurgia de adequação sexual são quatro, localizadas em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Continue lendo.
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Transformações documentadas // Espaço democrático, a internet é sinônimo de liberdade para travestis e transexuais. Na rede, youtubers documentam a transição de gênero e ajudam a desestigmatizar esse universo. Os vídeos também mostram histórias de superação e acolhimento. Conheça canais que mostram que a identidade vai muito além do sexo biológico. Continue lendo. 
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O direito a ter direitos // As principais bandeiras dos movimentos trans enfrentam resistência no Congresso. É o que ocorre com a proposta de criminalização da LGBTfobia, ou seja, de atos de discriminação quanto à orientação sexual ou à identidade de gênero, e o direito a atualizar os documentos sem burocracia. Continue lendo.
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Parte 3 - Incompreensão e rejeição familiar

Em vez de acolhimento, rejeição // Nem todos os transexuais têm a sorte de Gabriela, compreendida pela mãe, Rosangela. Pelo Disque 100, canal para denúncias de violações contra essa parcela da sociedade, mantido pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), foram registradas 1.792 agressões contra LGBTs em 2014. Um em cada seis desses crimes foi cometido por parentes das vítimas. Continue lendo.
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Tira-dúvidas // O que os pais precisam saber sobre o filho ou a filha trans? A psicóloga Ingrid Quintão, do espaço Vêr-te-se, responde a algumas das perguntas mais comuns que surgem quando alguém fica sabendo que há um transexual ou travesti na família. Continue lendo.