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domingo, 2 de abril de 2017

Novo olhar para a história da mulher paulista

Formandos de 1938 da USP em salão do Teatro Municipal de São Paulo.  FFLCH
Estudos históricos recentes reveem a condição de total submissão das mulheres em seu papel social no passado brasileiro, o que prevalecia até poucas décadas na bibliografia. A verdade é que, seja nas elites, camadas intermediárias ou populares, a mulher paulista foi sujeito de sua própria história, lutando nas tensas redes sociais ou nos matrimônios.
A imagem das senhoras da elite paulista do século 19 difundiu-se no imaginário brasileiro — apoiada em relatos de viajantes como Saint-Hilaire ou em cartas da educadora alemã Ina Von Binzer — como reclusas, sem educação formal, só pensando em luxo e festas e tendo à sua volta escravos. Trabalhos recentes, como de Vaz, Algranti e Nazzari, têm apontado, porém, o importante papel das mulheres da oligarquia rural paulista na gerência de suas fazendas pelas longas ausências dos maridos.
Na elite, a autoridade pública e formal do homem tinha como contrapartida a participação estratégica da mulher na família. As brancas eram valorizadas como fulcro do projeto social de dominação portuguesa: imagem de grande dama, que exercia “limpeza de sangue”, socializadora dos filhos e dos escravos, assegurando a formação, harmonização e perpetuação dos valores familiares.
Elas também comandavam atividades produtivas, enquanto o homem abria novas fronteiras ou ocupava cargos públicos, e compartilhavam o status do marido no controle da casa. Dessa forma, as paulistas das elites tiveram função decisiva na continuidade dos clãs e nos bastidores do desenvolvimento do território.
Um exemplo no estado de São Paulo é a chefia feminina de unidades domésticas, com fronteiras abertas desde o século 17, por ação das bandeiras e tropeirismo; no século 18, pela mineração e produção de açúcar; e no século 19, pelo café. Tal fenômeno atingia todos os extratos sociais, nas zonas rural e urbana, mesmo que mulheres só ficassem sozinhas no campo quando os filhos estavam em idade produtiva, ou se contassem com escravos e/ou agregados.
No livro Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX, Maria Odila Dias assinala que, entre o fim do século 18 e início do 19, com a urbanização da capital paulista, cresce o número de mulheres pobres: escravas e forras, sobrevivendo do artesanato caseiro e do pequeno comércio ambulante, tornam-se parte da economia escravista e da concentração da terra. Com o fim da escravidão, veem-se expulsas do centro para a retaguarda da cidade.
Voltando um pouco mais no tempo, no fim do século 17, já se destacava a liderança das mulheres no artesanato doméstico, enquanto os homens se ocupavam de transporte e comercialização, o que os levava a partir para o sertão ou a viajar como intermediários de firmas. Por isso, as mulheres assumiram a administração dos bens, como a roça e o gado. Ao mesmo tempo, mulheres sós, chefes de família, ocupavam posições de lavadeiras, quitandeiras, roceiras e comerciantes.
Essa realidade teve a marca de uma organização familiar matrifocal, isto é, de laços primários bastante fortes entre mães e filhas, embora houvesse certa tensão em movimentos cíclicos, já que filhas e netas se afastavam do lar para casar, formal ou informalmente e, muitas vezes, retornavam trazendo filhos ilegítimos.
As estradas de ferro transformaram o acesso a gêneros alimentícios, e o comércio ambulante foi recuando para os limites da pobreza urbana. Com a urbanização, a cidade de São Paulo viu o aumento do número de mulheres pobres gravitar às margens da classe dominante e conviver com vizinhas mestiças, pardas, mulatas, forras, o que se reproduzia nas maiores vilas e localidades do interior paulista.
No campo, a vida da mulher também não era fácil, acompanhando as atividades do marido, com filhos muito pequenos, que ainda não podiam contribuir. Elizabeth Kuznesof, na obra Nem senhores, nem escravos – os pequenos agricultores em Campinas, considera que “o trabalho da mulher era tão importante quanto o do homem e frequentemente se sobrepunha a ele. (...) Ambos, homens e mulheres, trabalhavam nos campos com divisões dos tipos de trabalho dependendo mais da idade e força que do sexo”.
Maria Odila sustenta que, por conta de fenômenos demográficos e da falta dos esposos, as mulheres tornaram-se fundadoras de capelas, curadoras, negociantes, administradoras de fazendas e se firmaram como líderes políticas locais. Essa liderança lhes exigia coesão e harmonização, estampadas no estereótipo de matriarcas hospitaleiras e generosas. Paralelamente, houve a influência de senhoras prepotentes, em decorrência do status familiar: embora não exercessem cargos na administração pública, na qualidade de proprietárias e herdeiras, elas se intrometiam na política. Exemplo claro é o da marquesa de Santos, no Primeiro Império.
Com a modernização da República, são postas em xeque as relações sociais senhoriais, baseadas em vínculos mais personalistas, de submissão e favor. Tais relações, que pressupunham laços de compadrio e de solidariedade, vão sendo consideradas inadequadas ao mundo moderno e substituídas por relações sociais burguesas. Aos poucos, desaparece aquela mulher que administrava a fazenda como uma verdadeira empresa. Os fazendeiros passam a ter casas nas cidades, sobretudo em São Paulo, onde ficavam com a família a maior parte do tempo.
Em “Mulher e família burguesa”, no livro História das Mulheres no Brasil, Maria Ângela d’Incao observa: “... a emergência da família burguesa, ao reforçar no imaginário a importância do amor familiar e do cuidado com o marido e com os filhos, redefine o papel feminino e ao mesmo tempo reserva para a mulher novas e absorventes atividades no interior do espaço doméstico. (...) Considerada base moral da sociedade, a mulher da elite, a esposa e mãe da família burguesa deveria adotar regras castas no encontro sexual com o marido, vigiar a castidade das filhas, constituir uma descendência saudável e cuidar do comportamento da prole”.
Vale ressaltar, contudo, que a marca da mulher paulista que carregava o fardo da ausência do marido, que estava nas fronteiras, e, embora na retaguarda política, assumia o comando das atividades produtivas e domésticas, ficou registrada em algumas matriarcas das elites urbanas do século 20. Figuras como D. Veridiana Valésia da Silva Prado (1825-1910), D. Maria Angélica de Souza Queiroz Aguiar de Barros (1842-1929), D. Olívia Guedes Penteado (1872-1934) e D. Yolanda Penteado (1903-1983) lideraram a urbanização paulistana e apoiaram movimentos artísticos e culturais. Suas trajetórias reverberam até hoje, gerando reflexões sobre dependência e autonomia; resignação e realização; submissão e protagonismo.
Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, é formada em ciências sociais pela USP, com mestrado em ciências políticas pela mesma instituição e doutorado em psicologia da educação pela PUC-SP. Autora de livros e artigos, preside os conselhos do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e da Fundação Tide Setubal.

‘13 Reasons Why’, os motivos de um suicídio juvenil em uma fita cassete



Dylan Minnette e Katherine Lengford, protagonistas de “13 Reasons Why”.

13 Reasons Why acontece em uma pequena cidade norte-americana sem nome. “Um lugar qualquer onde todo mundo se conhece”, disse em Miami ao EL PAÍS Dylan Minnette, um rapaz sóbrio de 20 anos que interpreta Clay Jensen, um dos personagens principais da trama. O outro é Hannah Baker (interpretada pela atriz Katherine Lengford), uma colega da escola que se suicida por 13 motivos que deixa gravados em fitas.
A série, que estreia na sexta-feira na plataforma online Netflix, baseada no livro de mesmo nome de Jay Asher e tem o título original de 13 Reasons Why, situa em um prototípico ambiente suburbano o relato específico de um suicídio adolescente que, ao contrário do comum, não termina em um buraco negro, pouco a pouco esquecido, de perguntas sobre as causas da decisão de um indivíduo, mas em um intrigante caminho de respostas que o suicídio de Hannah Baker vai desenhando como um fracasso coletivo decantado na mente dela.

“É muito trágico, mas também muito interessante contemplar sua queda. É horrível assistir, pois terminamos amando tanto a Hannah que, mesmo sabendo como tudo vai acabar, ficamos querendo que não ocorra, que ela não faça aquilo. Mas era necessário não enaltecer o suicídio. Mostrá-lo como é, real, consternador”, explicou Minnette. O personagem dele na série é um rapaz calado, apaixonado por Hannah, mas incapaz de dar o passo necessário para se aproximar dela. Hannah se mata, ele recebe as fitas e os 13 capítulos da série evoluem com Clay ouvindo e recriando cenas e relações que terminaram levando a garota ao vazio.

Uma das produtoras da série é a estrela pop Selena Gomez, que aos 24 anos quer se envolver em projetos “que realmente importem”, segundo disse. Gomez, afetada por lúpus, uma doença autoimune, e períodos depressivos, aprendeu com a fama o potencial tóxico de se sentir observada e julgada. Chegou a deixar de usar sua conta no Instagram, a mais seguida do mundo, com 115 milhões de fãs.

Em um dos primeiros capítulos que a imprensa pôde assistir, com um bom roteiro e excelente música e imagem, a sensível e crítica Hannah Baker afirma: “Facebook, Twitter e Instagram nos transformaram em uma sociedade de stalkers [assediadores]”. Algo tão do século XXI como as redes sociais e algo tão atemporal como a angústia do indivíduo frente ao olhar do outro. Hannah se perde no labirinto do que dizem de você, do que você acha que dizem de você, do que sabe e do que não sabe do que dizem de você.

O meio que utiliza para deixar registrado o relato dos motivos de seu suicídio, a velha fita cassete, tem um atrativo especial. Obriga a escutar sua voz com atenção. Os personagens que a ouvem não podem nem responder nem interagir. Só pensar. Em Os Treze Porquês, os segredos de um suicídio do século XXI sobrevivem dentro de um walkman.

El País

sábado, 1 de abril de 2017

Estrutura de proteína essencial à replicação do vírus Zika é desvendada

28 de março de 2017

Maria Guimarães | Revista Pesquisa FAPESP – Com seu tamanho diminuto, um mosquito pode causar um medo considerável. Principalmente se, esmagado com um tapa depois da picada, exibir patas listradas. E mais ainda se quem levou a picada estiver grávida. Transmissor dos vírus causadores de Zika, dengue e chikungunya, o mosquito Aedes aegypti é de fato um inimigo temível.
Por isso o físico Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), sonha com um medicamento que possa ser utilizado em seguida à picada ou logo que aparecem os sintomas, de modo a bloquear a proliferação dos vírus e acelerar a cura. Seu grupo acaba de dar o primeiro passo nessa busca: desvendou a estrutura tridimensional da proteína mais crucial para a replicação do material genético do vírus, conforme descrito em artigo publicado em 27 de março na revista Nature Communications.
“Buscamos o desenvolvimento de fármacos por meio da modelagem de moléculas que interagem com receptores específicos”, conta Oliva. O CIBFar é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. “Mas nunca tínhamos trabalhado com vírus até a formação da Rede Zika (ver Pesquisa FAPESP nº 239).” 
O caráter emergencial da pesquisa chamou a atenção do pesquisador, que começou a coordenar a modelagem molecular das proteínas codificadas pelo genoma do vírus Zika. Trata-se de uma molécula bastante curta de RNA que carrega o código para 10 proteínas: três estruturais, responsáveis pela estrutura física que envolve o material genético, e sete não estruturais, associadas à replicação do RNA viral. “O coração do complexo de replicação é a proteína NS5, uma enzima polimerase que usa o próprio RNA como molde para produzir cópias”, explica Oliva. É essa proteína que seu grupo caracterizou, e que pretende usar como alvo para o desenvolvimento de um fármaco.
Para chegar à estrutura foi necessário clonar o RNA, uma etapa feita em parceria com a Cellco, uma empresa criada e incubada na USP em São Carlos por três ex-doutorandos do IFSC com o objetivo de oferecer soluções para laboratórios de pesquisa em biotecnologia. Depois de sintetizar o gene, de modo a não trabalhar diretamente com o vírus, e produzir a proteína, foi necessário formar cristais com a molécula, uma forma de possibilitar a investigação de sua configuração por meio da cristalografia de raios X. Com isso, foi possível chegar ao detalhe na menor escala possível, com a localização de cada um dos milhares de átomos que compõem a proteína.
De posse desse modelo, resta encontrar uma maneira de interferir com o funcionamento da polimerase e impedir a replicação genética. Os pesquisadores de São Carlos não são os primeiros a adotar essa estratégia. “A farmacêutica Novartis há anos está tentando produzir um fármaco contra dengue focando na NS5 do vírus”, conta Oliva.
Embora a empresa tenha outra escala em termos de recursos financeiros e instalações, se comparada à universidade, ele não se sente em desvantagem. “O que eles fazem, nós também fazemos na busca por uma molécula que bloqueie o sítio ativo da proteína”, afirma. Ele já sabe, na comparação entre a proteína do vírus Zika e a do vírus da dengue, que os respectivos sítios ativos apresentam diferenças importantes.
O fármaco que o grupo do CIBFar busca, portanto, seria específico para Zika. Com a publicação da estrutura cristalizada, ele espera contribuir para uma corrida em que diferentes laboratórios buscarão novos inibidores para a enzima NS5, candidatos a tratamento para a doença.
O artigo de Godoy, A.S. e outros Crystal structure of Zika virus NS5 RNA-dependent RNA polymerase, publicado na Nature Communications, pode ser lido em http://www.nature.com/articles/ncomms14764.

Novo método identifica cerca de 97% da pornografia em telas de celulares e computador

30 de março de 2017

Peter Moon | Agência FAPESP – Um dos problemas mais prementes da universalização do uso do celular e da internet é o acesso indiscriminado a sites e vídeos com conteúdo pornográfico. O acesso a tais conteúdos pode ser voluntário por parte de usuários maiores de idade, mas também pode ser absolutamente desaconselhável quando envolve menores.
O acesso pode ainda ser involuntário, quando se recebe mensagens de correio eletrônico indesejadas, contendo anúncios com conteúdo obsceno, ou ocorrer de forma inadvertida, quando se visita um site invadido por piratas da tecnologia e que lá postaram conteúdo pornográfico.
A indústria de tecnologia da informação e os provedores de conteúdo buscam constantemente alternativas capazes de filtrar em tempo real conteúdo indesejado, bloqueando a sua transmissão ou exibição.
Sistemas do tipo são valiosos para os órgãos policiais, pois aperfeiçoam e agilizam o trabalho de rastreamento e enfrentamento à produção e à divulgação de pornografia infantil, por exemplo. As empresas e escolas também se beneficiam do desenvolvimento de tais tecnologias, pois podem bloquear o conteúdo considerado ofensivo que é acessado por meio de seus computadores.
Foi em busca de uma tecnologia com essas características que pesquisadores do Samsung Research Institute Brazil procuraram em 2012 o Instituto de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Eles estavam em busca de uma solução para ser instalada no sistema operacional de celulares, tevês e computadores que permitisse aos consumidores com filhos a possibilidade de bloquear previamente, no momento da compra de um aparelho, por exemplo, o acesso a conteúdo sensível”, disse Anderson Rocha, professor do IC-Unicamp e coordenador da pesquisa.
A parceria universidade-empresa levou ao desenvolvimento, em 2015, de um sistema baseado em tecnologia de aprendizado de máquina (ou inteligência artificial), capaz de filtrar mais de 90% do conteúdo pornográfico em um dispositivo. A nova tecnologia foi patenteada em copropriedade entre a Samsung e a Unicamp.
Os pesquisadores prosseguiram buscando novas formas de elevar ainda mais o índice de detecção de conteúdos sensíveis, fossem eles pornográficos ou violentos. A solução que produziu melhores resultados foi combinar informações estáticas de fotografias com informações dinâmicas dos vídeos.
“Temos hoje um filtro bastante eficaz, capaz de identificar mais de 97% do conteúdo pornográfico em geral. Trata-se de um patamar superior às soluções atualmente consideradas como estado da arte, cuja eficácia, muitas vezes, oscila de 87% até 94%”, explica o pesquisador, atualmente em período sabático na Nanyang Technological University, em Singapura.
Rocha e outros pesquisadores do IC-Unicamp e da Samsung publicaram recentemente um artigo no periódico Neurocomputing no qual detalham os passos do desenvolvimento da nova tecnologia. A pesquisa contou com apoio da FAPESP.
No novo método, os pesquisadores propõem a combinação do uso de informações estáticas e de movimento com uma metodologia de aprendizado de máquina conhecida como “aprendizagem profunda” (deep learning).
“Trata-se de uma metodologia de aprendizado de máquina baseada na aprendizagem de representações não lineares dos dados. Uma imagem, por exemplo, pode ser representada como um vetor de valores denotando diversas transformações lineares nos seus pixels que podem, por exemplo, capturar informações relacionadas à vizinhança dos pixels, formas, arestas, ou de diversas outras formas”, explicou Rocha.
Na aprendizagem profunda a ideia é buscar representações melhores em cada nível do aprendizado (normalmente na forma de uma rede com diversas camadas) e criar modelos para aprender essas representações a partir de dados em grande escala. Algumas das representações são inspiradas em avanços em neurociência.
Sexo e violência
Os sistemas pioneiros de detecção de pornografia consistem em primeiro tentar detectar cenas de nudez para, em seguida, definir qual o limite de exposição física aceitável, além do qual se configuraria a pornografia, que passaria então a ser filtrada. Essas soluções costumam usar como base de comparação características da pele humana como a cor e a textura, além de dados da geometria corporal humana.
O resultado muitas vezes deixa a desejar, filtrando menos ou bloqueando mais do que deveriam. O problema é que nem todas as imagens com grande exposição de pele humana têm a ver com sexo, como é o caso de gente se bronzeando ou nadando ou cenas de lutadores de MMA ou de luta greco-romana, por exemplo.
Uma solução mais avançada poderia envolver a filtragem de conteúdo adulto feita com base em uma lista de palavras classificadas conforme descrições do que é permitido e do que é pornográfico.
Tal método consistiria em inserir um estágio intermediário com a descrição da imagem entre a extração inicial de dados do conteúdo a ser filtrado e a sua classificação para permissão ou bloqueio. Entretanto, esse método ainda seria incapaz de distinguir a diferença entre cenas ambíguas. Como diferenciar, por exemplo, um exame médico de pornografia?
No caso de vídeos, os pesquisadores da Unicamp acreditam que se possam reduzir os casos de ambiguidade ao se adicionar outro elemento de classificação: informações de movimento extraídas ao longo do tempo.
A solução que desenvolveram extrai um quadro por segundo de cada vídeo que é acessado em tempo real em celular ou computador. Os quadros com as imagens estáticas são em seguida analisados aplicando-se o método de classificação de descrições do que é permitido e do que é pornográfico.
Ao mesmo tempo, a sequência de quadros analisados fornece os elementos para sequenciar os movimentos dos objetos e pessoas presentes na cena. Dependendo do tipo de movimento, o vídeo é bloqueado.
Segundo Rocha, o método foi testado em um conjunto de dados contendo aproximadamente 140 horas com mil vídeos pornográficos e mil vídeos não pornográficos que variavam de 6 segundos a 33 minutos.
Os vídeos pornográficos envolviam atores de etnias diversas e também foram considerados desenhos animados. Entre os vídeos não pornográficos havia cenas de banhistas na praia e em clubes, ou combates de lutas. Foi usando essa metodologia que a equipe do Instituto de Computação da Unicamp conseguiu elevar o nível de filtragem de pornografia aos 97%.
“A taxa cai para 90% no conteúdo envolvendo especificamente pornografia infantil e 80% naqueles que têm cenas de violência, situações muito mais difíceis de filtrar. Ambos os temas fazem parte dos novos esforços de pesquisa do grupo do Instituto de Computação da Unicamp. O filtro detecta quando o conteúdo indesejado começa e quando ele termina. O sistema bloqueia a sua exibição assim que a pornografia inicia e volta a liberá-la assim que ela acaba”, disse Rocha.
“No contexto forense, o sistema permite que se analisem, por exemplo, 30 horas de vídeos no disco rígido do computador de um indivíduo para detectar meia hora de pornografia infantil, configurando assim prova consubstancial para processá-lo”, disse.
A nova tecnologia de análise dos movimentos tem diversas outras aplicações que não só rastrear e bloquear pornografia. Os pesquisadores começam a empregar o método para analisar cenas de violência em manifestações, por exemplo.
“Já é possível rastrear um indivíduo no meio de uma multidão pelo seu modo de andar. É impressionante o que se consegue aprender hoje a partir da análise de dados”, disse Rocha.
O artigo Video pornography detection through deep learning techniques and motion information (doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.neucom.2016.12.017), de Mauricio Perez, Sandra Avila, Daniel Moreira, Daniel Moraes, Vanessa Testoni, Eduardo Valle, Siome Goldenstein e Anderson Rocha, está publicado em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0925231216314928

Mexicano de 21 anos é inocentado de estupro coletivo porque “não curtiu” - e mais uma vez a culpa é da vítima

30.03.2017 | POR REDAÇÃO MARIE CLAIRE

Até quando a impunidade vai continuar ditando as regras quando se trata de abusos sexuais? É essa a pergunta que ativistas mexicanas se fizeram esta semana após o julgamento de um rapaz e três amigos que estupraram uma menina de 17 anos

A impunidade concedida a jovens de famílias ricas e poderosas do México tão criticada por ativistas do país foi comprovada, nesta quarta (29.03), com a absolvição de um jovem de 21 anos, que “penetrou com os dedos” uma menina de 17. Segundo as autoridades, que suspenderam a ação, Diego Cruz não foi culpado do estupro porque “não curtiu”, segundo informações do jornal The Guardian.

O rapaz e outros três jovens privilegiados, que se autodenominavam “Los Porkys”, haviam sido acusados de estuprar a garota após uma festa de Réveillon, em janeiro de 2015. Segundo ela, que não teve a sua identidade revelada, os garotos, que já foram seus colegas de sala em um colégio de elite de Veracruz, a agrediram assim que ela entrou em um carro com eles após a comemoração. Pouco antes de ser denunciado, Cruz fugiu para a Espanha. E só agora foi extraditado para enfrentar o julgamento em seu país de origem.

De acordo com a publicação, o juiz Anuar González decidiu que Diego Cruz, embora tenha molestado os seios e a vagina da menina com as mãos, não era culpado de agressão porque não havia feito com “intenção carnal”, em suas próprias palavras.

“Ele a tocou sexualmente, vagamente a penetrou, mas porque não gostou, não é abuso sexual”, protestou a mexicana Estefanía Vela Barba, ativista dos direitos das mulheres. “Uma vez que não havia prazer no ato, ele foi praticado para provocar humilhação.”

No Facebook, a vítima condenou a decisão e argumentou que estava sendo considerada culpada pela agressão da qual foi vítima. “Não me arrependo de nada. Bebi. Fui à festa. Usei saia curta como muitas meninas da minha idade... E por isso vou ser julgada? Por isso eu merecia o que aconteceu?”

O conselho judiciário federal do México disse que o juiz pode ser investigado sobre a decisão, e que o rapaz permanecerá sob custódia enquanto a vítima recorrer da decisão.

“Meu Corpo, Minha Vida”: documentário levanta a bandeira da descriminalização do aborto no Brasil

30.03.2017 - POR DANIELA CARASCO

O filme de Helena Solberg, que será exibido pelo GNT, se debruça sobre o caso da carioca Jandyra Magdalena dos Santos, que morreu em 2014, aos 27 anos, em uma clínica clandestina no Rio de Janeiro, enquanto tentava interromper sua terceira gravidez. “Enquanto estamos debatendo a descriminalização do aborto, mulheres estão morrendo”, disse a cineasta à Marie Claire

Uma mulher morre a cada 9 minutos no Brasil em decorrência de abortos clandestinos. Estima-se que, por ano, uma milhão de brasileiras se submete à interrupção da gravidez de maneira ilegal. Nas ruas, feministas clamam pela descriminalização da prática, enquanto no Congresso políticos se unem para impedi-la a qualquer custo. Diante de um cenário tão brutal, Helena Solberg fez o documentário “Meu Corpo, Minha Vida”, que será exibido nesta quinta (30.03), às 23h30, no canal GNT.

“Enquanto estamos debatendo a descriminalização do aborto, mulheres estão morrendo”, disse a cineasta em entrevista à Marie Claire. Para apresentar esta realidade de maneira franca e reflexiva, Helena se debruçou sobre a história da jovem carioca Jandyra Magdalena dos Santos, que foi morta em uma clínica clandestina no Rio de Janeiro, em 2017, quando tinha 27 anos e pretendia interromper sua terceira gestação. O caso ganhou repercussão mundial e jogou luz sobre a realidade dramática de muitas brasileiras.

Jandyra foi uma personagem icônica, “vítima do discurso religioso que contaminou as políticas públicas brasileiras”, diz a jornalista Flávia Oliveira, que participa do filme. A jovem reunia vários elementos que dão tanta complexidade ao tema: moradora da periferia, de família religiosa, mãe de dois filhos, separada e que engravidou pela terceira vez por acidente. “Diante do dilema de embarcar na carreira profissional ou em mais uma gestação, ela recorre ao procedimento realizado de maneira clandestina e ainda precisa lidar com sintomas de depressão decorrentes de uma decisão absolutamente solitária”, explica Flávia. “Ela é muito simbólica por ter passado por todos os problemas que as mulheres não deveriam passar, se não fosse esse debate hipócrita e cínico que tomou conta da sociedade e da política.”

Para não parecer militante demais, mas ao mesmo tempo se posicionar a favor da descriminalização que pode salvar a vida de muitas mulheres, Helena procurou ouvir opiniões contrárias, que dessem um panorama bem completo sobre o assunto – do Pastor Silas Malafaia ao ministro do STF Luís Roberto Barroso, que decidiu que aborto nos três primeiros meses de gravidez não é crime, passando pela família de Jandyra e por uma jovem brasileira que realizou o procedimento na Alemanha com todo o aporte do governo local.

Em pouco mais de uma hora, o documentário, que trata até da indefinição sobre o início da vida, deixa claro o quanto o tema ainda é fortemente impactado por questões morais e religiosas. “O que precisa ficar claro é que não é um debate sobre ser contra ou a favor, mas de políticas de saúde pública que envolve uma gama de ações não só de direito ao aborto, como também de acesso a contraceptivos, atendimento psicológico, educação sexual, orientação de planejamento familiar...”, diz Flávia. “Isso sem contar ainda uma outra grande problemática que está presente no discurso de quem se posiciona contra a descriminalização que é a de transformar a maternidade em um castigo para aquela mulher que engravidou sem querer. Se você acha que são pessoas sem condições morais e responsabilidades de assumir um compromisso, como é que a punição a elas é levar a gravidez adiante e ter o filho? É absolutamente contraditório.”

O filme mostra ainda a maneira empoderada com que um grupo cada vez maior de feministas tem se organizado para ir às ruas e lutar não só por mudanças, mas também para barrar o avanço de agendas mais conservadoras encabeçadas principalmente pela bancada evangélica no Congresso.

“No fundo, a criminalização do aborto é o melhor exemplo da negação da liberdade das mulheres. Ter ou não ter um filho? Essa escolha é dela e de mais ninguém. Nenhuma lei tem o direito de impor a uma mulher ter um filho, como também não tem o direito de impor que ela não o tenha, como é o caso, por exemplo, das políticas de esterilização. Portanto, decidir, ‘vou ou não vou ser mãe’, é a manifestação de uma liberdade” diz a escritora Rosiska Darcy de Oliveira, no documentário. “A história das mulheres é a história da negação da liberdade e é também, sobretudo recentemente, a história da conquista desta liberdade. Nós estamos brigando por isso há mais de dois séculos. Nosso corpo é nossa vida, e a nossa vida nos pertence”, encerra.

Marie Claire

IMPERDÍVEL: ‘O Poderoso Chefinho’ investe na fantasia da criança

Animação mostra, a partir da narração do imaginativo Tim, como é duro de repente ter de dividir a atenção dos pais com um recém-chegado irmão
Por Maria Carolina Maia  1 abr 2017
Ainda que o título faça alusão à famosa trilogia de Francis Ford Coppola, a trama de O Poderoso Chefinho está menos — muito menos — para a família de Don Corleone do que para a de um poderoso CEO de uma grande empresa americana. E muito mais para o desenho O Fantástico Mundo de Bobby do que para um thriller da máfia. O enredo não tem nada de novo: um garoto ganha um irmãozinho e sofre ao ter que dividir com ele a atenção e o amor dos pais, que se dedicam em tempo integral ao recém-nascido. A diferença está na forma como a história se desenrola entre esse começo trivial e o final óbvio — isso não é spoiler, o desfecho só poderia ser um, mesmo.
Baseado no livro infantil Boss Baby, da americana Marla Frazee, o longa embarca na imaginação do criativo Tim, o primogênito, que é filho de funcionários de uma fábrica de brinquedos, e inventa toda uma conspiração para explicar a chegada do indesejado irmão, que não apenas já sabe falar e andar, mas comanda um plano para proteger os bebês do lançamento de novas raças de cachorro, que rivalizam com eles pelo amor dos adultos. Uma vez bem-sucedido, o irmãozinho seria promovido na Baby Corp., onde trabalha, e deixaria Tim novamente sozinho com os pais.

O Espaço Entre Nós

Ele é de Marte, ela é da Terra. Agora só falta dar um jeito naqueles 225 milhões de quilômetros

Por Isabela Boscov 31 mar 2017

É 2018, e um grupo de seis astronautas vai se estabelecer em Marte, em um experimento pioneiro. Mas, ops, a astronauta do time embarcou grávida, sem saber. Dar meia-volta é impossível. Ou seja, a criança vai ter de nascer e crescer em Marte, como um segredo muito bem guardado pela Nasa. Mas adolescente é adolescente em qualquer planeta, e Gardner (Asa Butterfield), o protagonista deste filme que entra em cartaz hoje, chega aos 17 anos inquieto, curioso e ansioso por contato com gente de sua idade – como a rebelde Sarah (Janet Montgomery), com quem ele conversa por Skype (ou um equivalente futurista). Gardner, claro, não revela que mora em Marte, porque quem é que acreditaria nisso? Ele diz para Sarah que não pode sair de sua cobertura em Nova York para encontrá-la porque sofre de uma doença hereditária, a oesteogenesis imperfecta, que torna seus ossos quebradiços. É quase verdade: a baixa gravidade a que ele foi submetido desde a gestação afetou seu esqueleto e seus órgãos, e Gardner não sobreviveria à atmosfera da Terra.
O Espaço Entre Nós
(Divulgação)
Mas aí rola um tratamento, Gardner baixa aqui na Terra e, mal alguém vira as costas, foge para atravessar os Estados Unidos à procura de Sarah – e também à procura do sujeito que ele acredita ser seu pai. Gary Oldman, o chefe do projeto, e Carla Gugino, a astronauta que acompanhou Gardner na sua primeira visita à Terra, se desesperam: onde foi parar seu jovem marciano? Seguem-se alguns lances espirituosos, e outros meio bobinhos. Mas o filme do diretor Peter Chelsom (de Dança Comigo?) é sempre simpático, com um pé naquelas deliciosas aventuras juvenis da década de 80, como SpaceCamp. E Asa Butterfield, que está com 20 anos e primeiro chamou a atenção aos 11, em O Menino do Pijama Listrado (e depois em A Invenção de Hugo CabretEnder’s Game e O Lar das Crianças Peculiares), combina atitude e meiguice na medida certa. Além disso, nunca é demais olhar para o planeta pelos olhos de quem o vê pela primeira vez e se deslumbra até com as coisas que temos por banais.

Trailer

O ESPAÇO ENTRE NÓS
(The Space Between Us)
Estados Unidos, 2017
Direção: Peter Chelsom
Com Asa Butterfield, Janet Montgomery, Gary Oldman, Carla Gugino, BD Wong
Distribuição: Diamond

Veja

Por que seu filho não deve ser seu confidente

Pais que se apoiam demais nos filhos podem prejudicar o desenvolvimento das crianças, que correm mais risco de ter transtornos de ansiedade quando adultas

1 abr 2017
Dividir os problemas com os filhos é comum e pode até ser importante para construir uma dinâmica familiar saudável. Mas um estudo científico publicado no Journal of Family Therapy traz um alerta para aqueles pais que exageram nas confidências. Compartilhar detalhes da vida pessoal ou fazer reclamações excessivas do cônjuge podem provocar consequências negativas para a vida das crianças. Segundo a pesquisa, elas têm maiores índices de ansiedade, depressão, distúrbios alimentares e maior risco de abuso de substâncias. “O filho não deve servir às necessidades íntimas dos pais e nem ser colocado no papel de confidente pessoal”, disse ao The Washington Post Lisa M. Hopper, pesquisadora e professora da Universidade de Louisville. 
Lisa conduziu diversos estudos sobre a ‘parentalização’, como o conceito é conhecido na psicologia, que basicamente leva à inversão de papéis. Isso pode ocorrer em famílias em que os pais são divorciados, por exemplo. Em alguns casos, os pais consideram a criança como confidente, revelando assim informações pessoais e sentimentos em relação ao cônjuge. “Não é apropriado, tão pouco, uma mãe dizer: ‘seu pai está sempre me desapontando, estou farta dele'”, disse Juli Fraga, psicóloga de São Francisco, nos Estados Unidos. 
Ao ser exposta a esse tipo de situação, a criança tende a agir como pacificadora e media os eventuais conflitos para tentar fortalecer os laços familiares. Os especialistas acreditam que este tipo de comportamento pode criar uma atmosfera de negligência porque torna as crianças responsáveis pelo emocional e psicológico dos pais, suprimindo suas necessidades normais da infância, como brincar ou fazer amizade com crianças de sua idade.

Efeitos

Os estudos de Lisa têm mostrado que os efeitos da parentalização podem ser de longa duração e perdurar, até mesmo, por gerações. Sua pesquisa coletou dados de 783 universitários para avaliar a ligação entre os papéis desempenhados na infância e as responsabilidades que adquiriram com o funcionamento psicológico adulto.
Os pesquisadores descobriram que aqueles que viveram situações de inversão de papéis tinham maiores riscos de enfrentar ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, além de abusar de substâncias na vida adulta. “Os pais e responsáveis devem estar no topo da hierarquia no sistema familiar”, explicou Lisa. Segundo os psicólogos, um pai ou uma mãe que pede conselhos de relacionamento ou se queixa de outro membro da família, por exemplo, está invertendo o papel de adulto e criança. Ou seja, procura nos filhos o mesmo apoio emocional que buscaria em um amigo ou familiar adulto.
Crianças que assumem responsabilidades mais cedo podem ter resultados positivos, como ética, resiliência e mais autoconfiança. Por outro lado, elas também podem se tornar mais ansiosas e compulsivas. Apesar das boas intenções dos pais, é preciso aprender a traçar limites no relacionamento com os filhos, segundo os especialistas.  Deve-se tomar cuidado, principalmente, nos casos que eles desejam que os filhos sejam seus ‘melhores amigos’. Em muitos casos, isso acontece porque eles têm seu próprio histórico com problemas de apego – seja por ter tido responsáveis distantes, rígidos ou negligentes. 

Limites

Segundo Juli Fraga, a amizade pode ser recíproca entre pais e filhos, baseada em cumplicidade mútua. No entanto, os filhos não possuem a mesma compreensão e maturidade emocional que os adultos.  Ela explica que isso não significa que eles não devam ser afetuosos e amáveis entre si. “É preciso ser honesto e solidário, mas também saber manter os limites apropriados”, conclui a psicóloga.
Um caso que pode servir de exemplo é o que ocorre no seriado Gilmore Girls. A relação das personagens Lorelai e Rory Gilmore é caracterizada por uma invejável proximidade entre mãe e filha. Mas, como acontece com muitas amizades entre pais e filhos, as consequências não aparecem até depois da adolescência. A nova temporada “Um Ano Para Recordar” mostra Rory, já adulta, lutando contra crises de ansiedade e enfrentando dificuldades para confiar em suas próprias decisões sobre carreira e amor, sempre se apoiando em sua mãe. Autor de um livro sobre o tema, o escritor Gregory Jurkovic explica que crianças que assumem esse tipo de responsabilidade durante os anos de desenvolvimento podem ter problemas futuros, como conviver com desconfiança, ambivalência e envolver-se em relacionamentos abusivos.
De acordo com Lisa, é ótimo que os pais compartilhem acontecimentos diários com seus filhos. Porém, essa relação se resume a compartilhar informações de acordo com o desenvolvimento de uma criança — e não deve ser mais do que ela tem capacidade cognitiva para lidar.

Fotos selecionadas no 6º Concurso de Fotografia do SOSAMF

O polêmico esquadrão que combate o assédio sexual nas ruas da Índia



29 março 2017
Assobios, cantadas, ofensas e até mesmo contato físico indesejado - se você é mulher, provavelmente já sofreu algum tipo de assédio nas ruas.
Mas o problema, que acontece em todo o mundo, vem sendo enfrentado de forma diferente na Índia.
A nova administração do Estado de Uttar Pradesh designou uma força policial exclusiva para punir infratores.
O grupo, que inclui agentes homens e mulheres, já tem até um nome: "Esquadrão anti-Romeu", em alusão ao personagem do romance de William Shakespeare (1564-1616).
Os policiais ficam responsáveis por fiscalizar o comportamento dos homens: a qualquer sinal de uma investida sem consentimento das mulheres, eles acabam presos.
O assédio sexual é um problema grave na Índia. Além disso, estupros são frequentes.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado de Uttar Pradesh causou polêmica e dividiu opiniões.
Os críticos dizem que a polícia vem exagerando ao pedir identificação de todos os homens, suspeitos ou não.
Além disso, relatos sugerem que os próprios acompanhantes das mulheres vêm sendo confundidos com potenciais agressores.
“Eles não podem ir a todo lugar e perguntar: ‘O que você está fazendo?’ ‘Por que você está sentado dessa forma’? ‘Levante-se’”, reclama uma mulher.
“Isso não é correto”, completa.