O SOS Ação Mulher e Família possui 30 anos de trabalhos voltados à compreensão e erradicação do fenômeno da violência doméstica, sendo pioneiro no desenvolvimento de metodologias e instrumentalização para o atendimento às mulheres e suas famílias vítimas de violências físicas (com ou sem lesão), psicológicas e sexuais, tanto no contexto doméstico, de gênero ou intrafamiliar. No decorrer dos anos, percebemos que é fundamental respeitar o tempo e os recursos internos e externos da mulher vitimizada, para sua compreensão e rompimento do ciclo da violência. A partir desta percepção, as profissionais do SOS desenvolveram uma das metodologias de trabalho no formato de grupo operativo, que tem maior resolutividade no contexto da violência e que possibilita o fortalecimento do vínculo entre equipe interdisciplinar e a usuária, facilitando o acompanhamento, a orientação e a construção de estratégias para a efetiva libertação da mulher frente à violência sofrida. Destaque-se que no cultivo da capacidade da usuária é transversalmente alcançado o agressor, que pela modificação do comportamento da companheira revê seu próprio papel no relacionamento de ambos. O grande trunfo do Grupo de Acompanhamento é ser alimentado pela força da usuária, que cada vez mais toma para si a responsabilidade de gerenciar suas próprias decisões, positivando seus pensamentos no apoio recebido da equipe.
Os dados são da pesquisa "Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados", feita em agosto do ano passado. No capítulo Violência Institucional no Parto, a pesquisa mostra que, entre as entrevistadas, 68% tiveram o parto na rede pública, 16% na privada e 8% recorreram às duas redes hospitalares em ocasiões distintas.
A pesquisa indicou ainda que 23% das entrevistadas ouviram algum tipo de despropósito durante o momento do parto. Entre as frases mais ouvidas, estão "não chora que, no ano que vem, você está aqui de novo" (15%); seguida de "na de hora de fazer não chorou nem chamou a mamãe, por que está fazendo isso agora?" (14%); "se gritar, eu paro agora o que estou fazendo, não vou te atender" (6%); e "se gritar vai fazer mal para o seu neném, seu neném vai nascer surdo" (5%).
Também foi constatado que 10% das mulheres sentiram dor ao fazer o exame de toque durante o trabalho de parto, 10% tiveram negado o pedido de algum tipo de alívio para a dor e 9% responderam que foram ofendidas com gritos do atendente. E ainda 9% das mulheres não foram informadas sobre qual o procedimento o atendente estava fazendo, 8% reclamaram que o atendente se negou a atendê-las e 7% foram humilhadas ou xingadas.
(Imagem retirada da internet)



