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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

8 ilustrações que mostram como as diferenças de gênero afetam o dia a dia das pessoas (FOTOS)


Pergunta: quando uma mulher lava a louça, o que ela é?

Resposta: nada. continua sendo uma mulher que faz apenas a sua obrigação.

Pergunta 2: quando um homem lava a louça, o que ele é?

Resposta: incrível, pelo fato de fazer algo que, para alguns, não pertence ao universo dele.

Um projeto quer simplificar os estereótipos de gênero e fazer com que fique impossível ignorar seus impactos negativos.
Batizado de Man Meets Woman, o novo livro da editora Taschen (apenas disponível nos Estados Unidos, por enquanto), traz ilustrações da artista Yang Liu, que busca analisar, em verde e rosa, como o comportamento de homens e mulheres é visto de forma diferenciada - e equivocada.
sexista
A artista de 38 anos usa imagens minimalistas para ilustrar a complexidade da cultura de gênero, estereotipada, e seu resultado efetivo no ambiente de trabalho, em casa, e em situações corriqueiras do dia a dia, como, por exemplo, falar ao telefone.
Em entrevista ao The Huffington Post, a artista justificou o seu trabalho e disse que “as mulheres estão tentando lutar contra esses estereótipos, que é um importante processo para chegar à igualdade de gênero, mas ainda há muita coisa para se fazer”.
E continua: “Por outro lado, durante o processo, nós nos assustamos ao enfrentar o fato de que homens e mulheres são diferentes em muitos aspectos, mesmo.”
As imagens, lado a lado, mostram a discrepância como os homens e as mulheres se vêem e são vistos por outras pessoas. O formato simples que a artista usa é uma ferramenta instigante para despertar conversas e provocações emocionais sobre o assunto.
O livro estará disponível a partir do dia 6 de outubro, e não tem lançamento previsto para o Brasil, mas pode ser encontrado em sites como a Amazon.
Enquanto isso, veja algumas das imagens que provam que as diferenças estão mais presentes do que você imagina:
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
  • Yang Liu/Taschen
Brasil Post

Caso Bernardo: o mundo é dos adultos, as crianças são invisíveis


Publicado: 
É difícil a gente conseguir elaborar um pensamento sobre esse caso escabroso do assassinato do menino Bernardo. Mas crianças como ele são abusadas diariamente e a sociedade saberá repetir diariamente os abusos que uma criança sofre da própria família.
As pessoas que são criadas em famílias normais, com mais ou menos problemas, mas incapazes de abusos físicos ou psicológicos contra uma criança, têm uma visão romantizada e idealizada do papel de mães, pais e tutores. E é dessa ingenuidade que se constrói o instrumento de tortura perpétua da sociedade contra a criança abusada.
Antes de ser assassinado, o menino pediu ajuda. Toda criança vítima de abuso sabe que só se faz isso em último caso, quando se acha que há risco de morrer logo e esperança de intervenção. As crianças sabem que os adultos se protegem. Quando reclamam, sabem que isso será comunicado ao adulto para que ele tenha a oportunidade de inventar desculpas para as atrocidades que faz, passar de coitadinho e depois descontar de uma forma pior ainda.
Foi exatamente o que as autoridades fizeram no caso do menino Bernardo. Chamaram o pai, conversaram com ele e mandaram o menino para casa. Afinal, pai é pai, né? Toda criança assassinada em episódios de violência familiar tentou reclamar antes, podem conferir. Mas adulto não acredita nisso, principalmente se teve uma infância tranquila ou é bom com crianças.
Quantas pessoas você já viu dando conselhos de "jamais cortar os laços" entre o pai ou a mãe que abandonam ou a criança abandonada? Pensando friamente, existe coisa mais canalha e covarde do que largar uma criança à própria sorte? Quem é capaz disso é capaz de qualquer coisa. Mas as pessoas são capazes de submeter uma criança ao jugo de um monstro desses. Porque quando olham não vêem um monstro, reproduzem de maneira infantil a figura idealizada de mãe e pai que aprenderam na própria infância.
Se a criança não morre nas mãos do abusador, e se consegue superar os traumas que ele produz e reitera diariamente por anos, passará a ser abusada pela sociedade quando for adulta. O abusador desfruta livremente da impunidade quando não chega a matar a criança.
O que abandonou há de voltar, sempre com uma história muito triste, tentando justificar o abandono. O que abusava diariamente vai negar tudo, também sempre com uma história muito triste. E a criança abusada será cobrada porque, afinal, pai é pai; mãe é mãe. A pessoa passará a ouvir "ah, mas você tem que perdoar, é sua mãe", "ah, mas de qualquer maneira pai é pai e agora ele assumiu", "nossa, você sofreu isso mas ela te criou", "ah, mas pensa bem, por outro lado ele fez tanto por você".
Quando envelhece, o abusador continua utilizando o conceito de ingratidão. A maioria das pessoas vai efetivamente condenar a criança abusada que não quer laços com seus abusadores ou não quer passar a vida sendo abusada de diferentes formas.
Muita gente está chocada com a gravação revelada pela RBS mostrando o inferno que o menino Bernardo vivia em casa. Eu não consegui ouvir tudo, confesso. Se você conseguir, reflita profundamente: quantos meninos Bernardos você já tentou fabricar com conselhos ingênuos? Quantos meninos Bernardos adultos você condenou por "ingratidão" contra os pais?
A maldade existe e muitas vezes ela se esconde sobre o que deveria ser mais sagrado no mundo: maternidade, paternidade, sentimento de família. Os adultos têm o dever de proteger as crianças e às vezes, infelizmente, isso significa que precisamos nos despir das nossas fantasias infantis para olhar a realidade como ela é. Infelizmente, poucos adultos estão dispostos a isso.

Jovem inglesa toma soco no rosto após ser assediada em festa em Londres



MARY BRANDON

Publicado: 

Uma jovem inglesa tomou um soco no rosto durante as festividades do Notting Hill Carnival, em Londres, após pedir que um homem parasse de apalpá-la.

Mary Brandon compartilhou, em sua conta do Facebook, uma selfie onde aparece com o olho inchado e um curativo no nariz. Ela ficou nove horas em um pronto socorro para ser atendida.

facebook

A estudante da Universidade de Leeds, contou que, no meio da multidão, um homem passou a mão em seu corpo e a assediou.

“Quando eu pedi que ele parasse, ele fez de novo”, contou Brandon em um depoimento no Facebook.

“Eu o afastei, exercendo meu direito de pedir a um homem que não toque meu corpo sem permissão, então ele me deu um soco no rosto.”

A imagem já foi compartilhada milhares de vezes. 

Segundo o London Evening Standard, a polícia abriu uma investigação para identificar o autor da agressão. Pelo menos 250 pessoas foram presas durante as festividades deste ano.

Brasil Post

Apenas mais uma de desamor

Leide Botelho
Jornalista mineira, cronista esportivo
Publicado: 

Fiz minha estréia aqui em maio deste ano. Falei sobre o impacto da presença da bandeirinha Fernanda Colombo nos gramados do Brasil, mais precisamente após cometer um erro no clássico do futebol mineiro. Uma avalanche de piadas machistas tomou conta das redes sociais. Preconceito.

Antes, porém, do texto sobre Fernanda, assistimos a uma grande indignação pela atitude preconceituosa de um torcedor do Barcelona que arremessou uma banana em direção ao brasileiro Daniel Alves uma banana.

Em cinco meses, nos manifestamos com repúdio, três vezes, dentro do ambiente futebolístico. Tinga, Daniel Alves e Fernanda Colombo - talvez em menor escala com ela por ser mulher.

Copa do Mundo no país do futebol, no país da miscigenação. Recebemos gente de todo mundo e nos mostramos com a cara do mundo. Brancos, pardos, mulatos, índios, múltiplos.

Um mês e meio depois da Copa do Mundo, de maneira triste, confirmamos que só mudamos o personagem nas manchetes. Só redirecionamos a nossa decepção com a maneira de ser do ser humano.

O goleiro Aranha, do Santos, na noite do dia 28 de agosto, recebeu de um grupo de gremistas, em Porto Alegre, insultos que em nada têm a ver com a rivalidade que é aceitável no futebol. Termos pejorativos como "preto fedido", "bando de preto", vieram mais uma vez manchar o que deveria ser somente lindo e imaculado: o futebol.

Mais uma vez, um profissional, sendo relativizado, por sua cor. Mais uma vez a mais idiota sensação de superioridade, fundamentada na diferença.

Infelizmente não é caso raro, nem no dia a dia e nem no futebol.

Ainda dentro de todo esse contexto, uma torcedora filmada proferindo xingamentos ao arqueiro santista se tornou vítima também de nossa intolerância. Sendo mulher, recebeu adjetivos relacionados à sua aparência física, algo tão comum na vida das mulheres, que seleciona e classifica melhores ou piores de acordo com os traços físicos que se carrega.

Sexismo declarado e retuitado por milhares que ainda riram das ofensas como se fosse nosso direito sentenciá-la; como se fôssemos juízes de alguma coisa. Novamente perdemos a razão e nos igualamos por baixo.

Revoltamos-nos, mas na primeira oportunidade agimos de maneira tão pequena quanto aqueles que condenamos. Fazemos da diferença pecado e condenação.

Escrevi durante a noite, que enquanto o ser humano se sentir superior ao outro, usando quaisquer que sejam os argumentos, seremos obrigados a assistir cenas deploráveis como as de ontem. Cenas que se tornam apenas mais uma cena de desamor.

Criamos o caos e propagamos o caos. Afastamos a possibilidade de um mundo melhor quando desrespeitamos as particularidades e tentamos impor ao outro o que pensamos, gostamos e somos.

Há beleza no diferente! Há riqueza no diverso! Bonito mesmo é ver no diferente o que colore o mundo, o que faz o mundo ser mais aprazível e menos monótono.

Precisamos amadurecer e nos reconstruir. Reencontrar a essência; reavaliar-nos. Não somos mais que o outro; somos iguais. O que nos diferencia é bônus para o mundo e não estorvo.
O filósofo francês Jean-Paul Sartre, bem escreveu, "Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é igualmente infinita em todos."

AXE se une à organização Peace One Day para promover a paz mundial



Filmes mostram o verdadeiro poder do amor e da paz

PIN IT por Amanda de Almeida
@iAmandices

No começo do ano, a AXE mandou muito bem com dois filmes da linha PEACE, Make Love, Not War e Shower Gel. Agora, a marca se uniu à organização Peace One Day - que entre outras propostas quer estabelecer o 21 de setembro como o Dia da Paz – para promover a campanha #KissForPeace.

No canal da marca no YouTube é possível encontrar alguns filmes bem bacanas, que mostram como o assunto está sendo tratado. Em Clash and Connect, dirigido por Zoran Petrovski, somos lembrados de que a paz começa com a gente e que é nossa obrigação ensinar o amor, e não o preconceito.

Outro filme bastante forte, The Cycle leva a assinatura da Beautimus Productions e revela que a violência faz parte de um ciclo vicioso que pode ser quebrado com o amor.

Quem tem tempo para guerra e violência, em um mundo cheio de amor? Essa é a pergunta feita pelos criativos da North of Now em Simple Harmony.

Trabalhos bacanas e por uma ótima causa. Mandou bem, AXE.

AXE #KissForPeace: Clash and Connect

AXE #KissForPeace: Simple Harmony

TV brasileira e o estereótipo feminino

JOEL RENNO
Sexta-Feira 29/08/14

As telenovelas, os programas de entretenimento e séries televisivas brasileiros têm dedicado grande parte de seu tempo à comédia.  Muitos desses programas acabam, voluntaria ou involuntariamente, reforçando certos estereótipos tradicionais femininos- em plena segunda onda do feminismo. Há geralmente três tipos de papéis de gênero para as mulheres: a mulher tradicional, a mulher liberada e [...]

As telenovelas, os programas de entretenimento e séries televisivas brasileiros têm dedicado grande parte de seu tempo à comédia.  Muitos desses programas acabam, voluntaria ou involuntariamente, reforçando certos estereótipos tradicionais femininos- em plena segunda onda do feminismo.
Há geralmente três tipos de papéis de gênero para as mulheres: a mulher tradicional, a mulher liberada e a mulher moderna.
A mulher tradicional é impulsionada por emoções e não pela razão e seu comportamento irracional sempre a leva a erros. Felizmente, há sempre o “homem hetero” do qual ela depende para corrigir os seus problemas e limpar a bagunça. As mulheres devem ser administradas por seus homens.
A mulher liberada avançou a partir da década de 1970 e os papéis femininos foram desafiados com a segunda onda do feminismo. Essas mulheres têm empregos, são independentes, engraçadas, e não primariamente um objeto sexual.
A mulher moderna surgiu na década de 1980 e viu, pela primeira vez, a posição do homem e da mulher mais ou menos igual, com trabalho e status familiares semelhantes. Alguns homens podem até ter um papel tolo e frágil- o que causa conflitos e frustrações em muitas mulheres que ainda idealizam o homem provedor e independente, apesar de suas conquistas na carreira e na vida pessoal e familiar. Algumas mulheres queixam-se constantemente dos homens “femininos” não os considerando bons cuidadores dos filhos e até os considerando desajeitados, engraçados e desestimulantes do ponto de vista sexual.
Apesar dos vários papéis, a mulher para ser engraçada tem que ser retratada geralmente pela TV brasileira como o objeto sexual ou exercer um papel masculino deixando totalmente de lado a sua feminilidade. É como se os outros vários papéis femininos não existissem ou fossem secundários ou irrelevantes.
Até quando as mulheres da televisão brasileira estarão submetidas ou escravizadas a seus papéis de gênero, mesmo com todas as conquistas?  Elas podem ser bem sucedidas e ambiciosas, podem ser cuidadoras do lar e emotivas, mas sempre precisam ter o status de objeto sexual.
Será que está havendo legitimidade no retrato da mulher pela televisão brasileira com uma ampla e honesta abordagem dos seus reais interesses e conflitos existenciais?

Geração NoMo: A rebelião das mulheres que não contemplam a maternidade

As famosas e mulheres anônimas levantam a voz para defender sua decisão e constituem a chamada Geração NoMo, 'Not Mothers

' 23 AGO 2014


Duas mulheres que não querem ser mães: Mirren e Tatou. / CORDON
Depois das PANKS (mulheres solteiras e com dinheiro) e os YUMMIES (jovens urbanas com poder aquisitivo), é hora de dar as boas-vindas à mais recente incorporação ao glossário de siglas que acabará nos deixando loucos. Os especialistas em marketing, em conivência mal intencionada com os sociólogos da modernidade, deixaram aflorar uma palavra que engloba as mulheres que não têm filhos. Com uma carga infinitamente menos comercial que os nomes que mencionamos a princípio, o que a Geração NoMo (Not Mothers) reivindica é “o respeito de uma sociedade fundamentada na absurda crença de que uma mulher tem de dar à luz pelo menos uma vez na vida”. Assim argumenta a associação britânica Gateway Women, paladina da causa e responsável por sua popularização.
O livro Rocking the Life Unexpected é a bíblia das mulheres que formam a Geração NoMo. Jody Day, autora da obra e cofundadora da Gateway Women, alcançou no ano passado os primeiros lugares na lista de títulos mais vendidos da plataforma Amazon. A obra, uma salada de “tom autobiográfico, sociológico e de autoajuda”, se dirige ao 47% de mulheres entre 15 e 44 anos que não têm filhos, segundo estatísticas oficiais dos EUA. Day oferece um retrato pormenorizado da realidade à que se expõe quem não tem descendência: “O que ocorre na vida dessas mulheres é muito mais complexo do que parece, pois nem sempre se trata de uma decisão própria ou uma questão biológica. Há muito mais”.
A autora se baseia na própria experiência. Quando completou 40 anos se deu conta de que nunca seria mãe, o que lhe trouxe não poucas dores de cabeça. “A vida que eu sempre tinha esperado não existia, mas pouco a pouco me dei conta de que não estava só”, afirma. No livro ela propõe ações para desdramatizar uma situação que, segundo ela, em algumas ocasiões pode se tornar complicada. “Quando deixei de me importar com a ideia arquetípica da família com a casa e o cachorro, fui em frente”, diz. Seu objetivo de ajudar outras mulheres se sustenta em uma história pessoal de insatisfação e desesperança, mas nem todas as representantes da Geração NoMo procedem de uma odisseia emocional como a de Day. Na realidade, as iniciativas da associação Gateway Women não só se concentram em oferecer assistência psicológica a essas mulheres, mas também tentam destacar a alegria de viver se ajustando a essa situação.
Muitas famosas de Hollywood confessaram recentemente seu desejo de não serem mães. E o fizeram sem complexos. Assim se expressaram atrizes como Helen Mirren, Zooey Deschanel e Audrey Tatou. Cameron Diaz foi muito clara quando uma ocasião lhe perguntaram a respeito. “Tenho uma vida genial em muitos sentidos precisamente por não ter filhos. É só uma opção”, declarou. Eva Mendes, agora grávida, endossou suas palavras. “As crianças são muito fofas, gosto muito delas, mas não as quero para mim porque adoro dormir”. Em nosso país, Maribel Verdú afirmou em uma entrevista que não queria ser mãe “nem num futuro próximo nem no longo prazo”.


Vocação NoMo: Zooey Deschanel, Cameron Diaz e Renée Zellweger. /CORDON PRESS
Há um mês, a ministra do Trabalho do Reino Unido, Esther McVey, contou em uma revista que em seus 46 anos não teve filhos porque ninguém “lhe deu corda em seu relógio biológico”. Depois de deixar claro que adora crianças, afirmou que o motivo de sua decisão se fundamenta no fato de não ter encontrado “a pessoa idônea” para tê-los. "Sou feliz com a minha família, meu trabalho e meus amigos", concluiu. É curioso comprovar a existência dessas respostas – que não deixam de ser a consequência de perguntas que ninguém sabe muito bem por que são feitas e que sempre aparecem quando se trata de mulheres com êxito profissional –, como também surpreende a necessidade de justificar-se com o argumento de que as crianças são uma bênção.
Em 2009, a escritora suíça Corinne Maier invadiu à força as livrarias com uma atitude radicalmente oposta. O livro Sem Filhos: 40 Razões Para Você Não Ter dinamitou qualquer tentação de ferir sensibilidades e verbalizou o que muitas mulheres pensam. “Os filhos são um pé no saco. Se você não tem, desfruta mais do sexo e de maiores oportunidades de trabalho”, disse Maier. Deixando de lado qualquer opinião, o que parece evidente é que a Geração NoMo se apresenta como a reivindicação de um espaço de respeito e liberdade: o respeito às decisões de uma pessoa e à liberdade de poder tomá-las sem ter de dar explicações.

El País

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A 100 passos de um sonho: leve, divertido e com sabor indiano

O filme conta a história de uma família indiana que se muda para o vilarejo de Saint-Antonin-Noble-Val, no sul da França, fugindo de conflitos políticos em Mumbai

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A chef Madame Mallory comanda o 'Le Saule Pleureur' não vê a família de Papa Kadam como uma ameaça para seu restaurante (Reprodução/Internet)
por Paulo Cardoso Jr.*
Estreia nesta quinta-feira, 28, o filme A 100 passos de um Sonho, que é mais um daqueles de você salivar no cinema. Muito parecido com o filme Chef, de Jon Favreau, só que este é uma comédia sobre redes sociais, disfarçada de road trip e com tema gastronômico, enquanto que o filme dirigido por Lasse Hallstrom a gastronomia é o foco.
O filme é baseado no livro homônimo de Richard C.Morais, lançado em 2010, e conta a história de uma família indiana que se muda para o vilarejo de Saint-Antonin-Noble-Val, no sul da França, fugindo de conflitos políticos em Mumbai. É quando o patriarca da família, Papa Kadam (Om Puri) decide abrir uma autêntica casa de cozinha indiana em frente a um dos mais tradicionais restaurantes franceses, o Le Saule Pleureur, premiado com uma estrela do Michelin e comandado pela chef Madame Mallory (interpretada de forma primorosa pela atriz Helen Mirren) que, de início, não vê a família de Papa Kadam como uma ameaça para seu restaurante.
A partir daí é travada uma guerra gastronômica, onde de um lado estão os mais tradicionais pratos da culinária francesa e de outro da indiana. No meio de tudo isso está o chef Hassan Kadam (Manish Dayal), filho de Papa Kadam, que apesar de ser um entusiasta dos temperos indianos, não descarta totalmente os sabores franceses e acha que o ideal seria justamente a união dos dois, ideia completamente impensável tanto por seu pai, quando para Madame Mallory.
Como toda a trama se passa num período de aproximadamente dois anos, podemos acompanhar a evolução do jovem chef Hassan Kadam, a constante mudança de paisagem e admirar cada estação do ano, fazendo com que a fotografia seja um dos destaques do filme. Orçado em US$ 22 milhões, A cada 100 passos de um Sonho já faturou pouco mais de US$ 30 milhões nas bilheterias norte-americanas, onde foi lançado dia 8 de agosto. Nenhuma surpresa, já que a produção conta com o selo de qualidade de Steven Spielberg e Oprah Winfrey.
Um fato interessante que ocorreu nos bastidores, foi que o ator Om Puri todo final de semana, durante a produção, convidava sua família do filme para sua casa e cozinhava os pratos indianos tradicionais. Isso fez com que todos se aproximassem ainda mais, formando um vínculo na tela mais natural e convincente. Leve, divertido e com um pouco de drama. Receita que funciona há mais de um século no cinema agora com uma pitada do sabor indiano.
*Paulo Cardoso Jr. escreve para o site Blah Cultural, parceiro do Opinião e Notícia

Temendo efeito em crianças, OMS pede restrições a cigarro eletrônico

Atualizado em  26 de agosto, 2014
Mulher fumando cigarro eletrônico / Crédito: Thinkstock
Cigarro eletrônico pode ser prejudicial a não-fumantes, diz OMS
O famoso e recém-disseminado cigarro eletrônico pode sofrer mais restrições antes mesmo de ter seu comércio e importação liberados no Brasil.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) fez um relatório alertando para o perigo que o produto pode representar para crianças e adolescentes e, por isso, sugere um controle maior na comercialização do dispositivo até que se tenha a certeza de seus possíveis efeitos.
O cigarro eletrônico já pode ser visto em terras brasileiras - a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a venda e a importação do produto, mas não o uso, a não ser em locais fechados onde a lei impede o fumo – e tem se tornado uma alternativa comum aos fumantes que tentam se livrar dos malefícios advindos do vício do cigarro.
O dispositivo eletrônico oferece pequenas doses de nicotina, mas sai na frente do cigarro comum por não ter a queima do fumo (que inclui substâncias cancerígenas provenientes do tabaco).
A OMS, porém, considera que, apesar do aparente "benefício" para os fumantes, o cigarro eletrônico pode representar uma ameaça para adolescentes e mulheres grávidas (podendo prejudicar o crescimento do feto). A OMS adverte que o vapor do dispositivo eletrônico exala algumas substâncias tóxicas e nicotina no ar e que não há evidências de que ele ajude os fumantes a largar o vício.
Por isso, a Organização pede que o uso desse tipo de dispositivo seja proibido em lugares fechados “até que se prove que o vapor que sai deles não é prejudicial para outras pessoas” e que a venda para crianças ou menores de idade também seja suspensa.
Para os ativistas que defendem o uso do cigarro eletrônico, no entanto, as restrições precisam ser “proporcionais”.

Relatório

O que há dentro de um cigarro eletrônico?

1) Em alguns cigarros eletrônicos, a inalação ativa o vaporizador, que é alimentado por uma bateria. Outros tipos são ativados manualmente.
2) Uma bobina de aquecimento no interior do vaporizador aquece a nicotina líquida que está dentro de um cartucho.
3) A nicotina líquida se transforma em vapor e é inalada. A fumaça produzida é majoritariamente vapor de água. Muitos cigarros eletrônicos têm uma luz de LED como um recurso cosmético para simular o brilho tradicional do cigarro.
O relatório da OMS atenta para o potencial do cigarro eletrônico em supostamente desencadear o aumento do uso de cigarros por crianças. Especialistas em saúde pedem a proibição das propagandas com esse dispositivo que podem motivar crianças e não-fumantes a usar o produto.
Eles alegam que as essências usadas no cigarro eletrônico com sabores doces, de frutas ou bebidas alcoólicas também deveriam ser banidas, já que elas tornam o produto ainda mais atrativo para adolescentes e não-fumantes.
Além disso, a OMS pede que a exposição de cigarros eletrônicos em máquinas de venda automática também sofra restrições.
De acordo com a Organização, enquanto esses dispositivos parecem menos prejudiciais do que os cigarros tradicionais, eles podem representar ameaças para adolescentes e fetos de mulheres grávidas que usam esse tipo de produto.
Mas alguns pesquisadores sugerem que restrições mais duras podem impedir que os fumantes tenham acesso a um produto potencialmente menos prejudicial que o cigarro comum.
“Sempre dissemos que, considerando que a nicotina causa vício, a idade mínima da lei (18 anos) deveria ser aplicada também para os cigarros eletrônicos”, afirma um porta-voz de uma empresa britânica de tabaco. “No entanto, se fortes regulações restritivas servirem de obstáculo para a inovação ou o uso adulto, isso poderá inibir o surgimento de novos produtos – e isso só pode ser algo ruim para a saúde pública.”

Restrições proporcionais

Hazel Cheesman, representante da entidade britânica Ação em Fumo e Saúde, diz que não há provas de qualquer dano a fumantes passivos do cigarro eletrônico e argumenta que a restrição a ele, se acontecer, deveria ser proporcional.
“Fumar mata 100 mil pessoas só no Reino Unido. Todos ou boa parte dos fumantes que trocam o cigarro comum pelo cigarro eletrônico estão mais suscetíveis a reduzir os riscos para a saúde”, afirma.
“Apesar de não podermos estar certos de que cigarros eletrônicos são completamente seguros, como reconhece a OMS, eles são consideravelmente menos prejudiciais do que o fumo do tabaco e pesquisas sugerem que eles estão ajudando fumantes a parar”, completa Cheesman.
Uma convenção internacional para discutir o controle do tabaco acontecerá em outubro, com possíveis novas orientações globais sobre o cigarro eletrônico.

Professor baleado em estado grave expõe face trágica de violência em escolas

Atualizado em  27 de agosto, 2014
Carlos Christian Gomes | Foto: Arquivo pessoal
Professor foi alvejado por aluno que pediu outra chance de refazer avaliação
"Professora, preste atenção, que comigo não são cinco tiros, são seis".
A frase foi dita por um aluno à professora Mariana*, em uma escola estadual em Sergipe, e faz referência ao trágico caso de um professor baleado em Aracaju no dia 12 de agosto.
Carlos Christian Gomes estava na escola em que leciona Biologia quando foi atingido por cinco tiros. Ele continua internado em estado grave, respirando com ajuda de aparelhos.
"A gente quer pensar que é brincadeira, mas nunca se sabe", conta Mariana. Por medo das consequências, a professora achou melhor não dar o nome do aluno à diretora da escola.
O suspeito de atirar contra Carlos Christian é um aluno de 17 anos, que teria ficado revoltado com uma nota baixa. O caso foi destacado por leitores da BBC Brasil em nossas páginas de Facebook, Google+ e Twitter como um símbolo da violência contra professores no País.
O tema da violência em sala de aula foi apontado por internautas, via redes sociais, como um dos assuntos que eles acreditam que deveria ter mais destaque na campanha eleitoral brasileira. E o assunto gerou inúmeras discussões em nossas páginas de 
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A professora Mariana, conta que, depois de ser repreendido por ela, o aluno que ameaçou "dar seis tiros" não repetiu o comentário. "Eu disse (ao aluno) que esse assunto não é algo com o que se brinque e que eu poderia levar a sério, ir à delegacia e fazer um boletim de ocorrência. E que, se qualquer coisa acontecesse comigo, o primeiro suspeito seria ele".
"Alguns alunos se aproveitam da situação para amedrontar mesmo o professor. Se aconteceu com Carlos Christian, pode acontecer com qualquer um. O professor fica vulnerável quando está dando aula."

Intimidação

Dias após a tentativa de homicídio, professores fizeram uma manifestação na frente do Palácio de Despachos do governo de Sergipe contra a violência nas escolas. Pais, parentes e professores que atuam na região de São Cristóvão também fizeram uma passeata pela paz nas proximidades da escola Olga Barreto, onde ocorreu o crime.
O aluno suspeito de atirar contra o professor cursava a 8ª série da Educação de Jovens e Adultos (EJA), se apresentou recentemente à polícia e disse ter planejado o crime.
"Ele disse que as questões na prova não correspondiam à revisão que o professor passou em sala de aula. Afirmou que comprou a arma e pediu ao professor uma segunda chance. Quando o professor disse que não era possível, ele atirou", disse à BBC Brasil a delegada Thereza Simony, responsável pelo caso.
Segundo Claudia Oliveira, que ensina Língua Portuguesa na Escola Olga Barreto há sete anos, o professor Carlos Christian não havia se queixado de problemas de relacionamento com alunos. "Ele é muito responsável em suas atividades, não falta, participa de projetos na escola. Não tinha motivo nenhum para o aluno agir dessa forma."
"O rapaz não tinha comportamento agressivo com nenhum dos professores, mas era um aluno que faltava às aulas, não fazia as atividades. Ele ainda teria outra oportunidade para recuperar a nota, porque aquela era a primeira avaliação que fez", afirmou.

Como lidar?

Segundo Joel Almeida, do Sintese, professores devem ficar atentos a questões como dificuldade de aprendizagem ou comportamento agressivo de alunos.
Caso haja a suspeita de que problemas de comportamento estejam ligados a questões psicológicas ou ao uso de drogas, Almeida diz que os docentes devem procurar coordenadores pedagógicos, que acionem assistentes sociais e psicólogos.
"Mas se o professor perceber que o problema é relacionado à entrada de drogas e armas na escola, a polícia deve ser acionada, porque isso é um problema de segurança pública. Na maioria das vezes, os alunos são usuários, mas há casos em que o sujeito se matricula na escola, mas é um traficante", afirma.
A delegada Theresa Simony diz que, se o professor se sentir ameaçado, pode registrar um boletim de ocorrência na delegacia - ou Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), caso o autor da ameaça seja um menor - e encaminhar o assunto à Justiça.
"Mas antes de tomar uma medida mais drástica, é importante que a escola envolva os alunos e a família deles, para construir um ambiente favorável a que o aluno respeite o professor", ressalta.
O Sintese diz que, apesar da situação de Christian ser incomum, a relação entre professores, alunos, funcionários e diretores frequentemente se torna violenta.
"Na maioria das vezes, a violência é verbal, mas às vezes descamba para a violência física", explica Joel Almeida, diretor de comunicação do sindicato.
"Geralmente, com os alunos, (os conflitos) são (por) questões ligadas à nota. Com os professores mais severos, mais disciplinadores, é comum que existam ameaças ou mesmo depredação de bens. Alguns reclamam de terem carros riscados, pneus furados."
"Eu fui vítima de algo semelhante no semestre passado. Alunos que não conseguiam ser aprovados ficavam horas na porta da minha sala me questionando e ameaçando. Mas conseguimos dialogar e resolver a situação", disse à BBC Brasil a professora Claudia Oliveira, diretora do Sindicato dos Professores de Sergipe (Sintese).

Solução?

Para Almeida, o problema pode ser minimizado com investimento na infraestrutura das escolas e com mais engajamento dos professores. "A comunidade escolar em Sergipe não se reúne para discutir a escola, seus problemas, como vai atuar sobre eles. A escola é um lugar em que o aluno e o professor chegam e saem, às vezes, sem muita relação com outras pessoas na escola."
O medo de possíveis atitudes extremas dos alunos também é um fator que impede que os docentes comuniquem seus problemas a outros, segundo Mariana. "Acontecem muitas coisas nas escolas que ficam só no comentário entre os professores, cada um tem algo a contar. Muitas vezes, não levamos à direção por medo. Temos receio de que, mesmo que seja uma brincadeira, o aluno seja repreendido e acabe levando isso a sério."
A Secretaria de Educação criou, após a tentativa de assassinato de Carlos Christian, uma comissão permanente de acompanhamento da violência nas escolas, formada pela secretaria de Educação, professores, pais, funcionários não docentes e estudantes. O grupo terá um cronograma de visitas às escolas da rede estadual.

'Perdão'

A família de Carlos Christian não quis dar entrevistas. Segundo o Sintese, vários membros da família são professores - que nunca tinham sofrido atos de violência física.
Uma semana após a tentativa de assassinato do docente, sua tia Margarida, professora há 25 anos, divulgou uma carta em que pediu "perdão" ao sobrinho.
"O magistério sempre significou para mim a porta de entrada para um país melhor, mais consciente. Somos uma família de professores. Sua mãe, seu pai, sua irmã, suas primas e eu. Muitas vezes quando você era pequeno, sua mãe, mesmo você febril, deixava-o sobre os cuidados de outros, pois os alunos dela estavam esperando-a", escreveu Margarida.
"Perdoe-me por não tê-lo ensinado a lidar com a violência. Eu falo para você me reportando a todos os alunos que fizeram parte da minha vida durante estes 25 anos de magistério".
"Sempre que meus alunos pensavam em desistir eu argumentava e mostrava outro caminho para eles continuarem. E de repente eu vejo você lutando a favor da vida por ter feito uma avaliação nesse processo de ensino e aprendizagem tentando mostrar ao aluno que ele precisava estudar e se dedicar mais. Ele não entendeu e se revoltou e resolveu descontar em você todos os seus demônios sociais."
A tia do professor afirma ainda que é preciso "diminuir a distância entre os jovens e os adultos" e "aprender e ensinar a estabelecer vínculos". "Mas... eu não lhe ensinei como lidar com um revólver", conclui.

*A pedido da professora, seu nome real foi mantido em sigilo.