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sexta-feira, 31 de julho de 2015

7 coisas que você precisa saber sobre assédio (ilustradas com obras de arte)

POR Priscila Bellini 
23/07/2015

1. Não é legal
"Ai, cara, deixa a gente em paz" - "Bocaccio na corte de Juana de Nápoles", de Gustave Wappers

Você está andando pela rua, a caminho do trabalho e, de repente, ouve uma cantada. Daquelas que arrepiam até seu último fio de cabelo, vinda de um completo estranho. É legal? Não é legal. A pesquisa "Chega de Fiu Fiu" demonstrou o quanto esse momento desagrada a maioria das mulheres: das 7762 participantes do levantamento, 83% delas disse que não gostava de passar pela situação. 

2. Não funciona
"Não vou me interessar por você, cara, não insiste" - "Dois amantes", de Marcus Stone

Não existe pesquisa alguma que mostre que a moça vai se interessar pelo cara, na hora que ouvir um "gostosa", "delícia" ou similares. Ainda que essa seja uma das justificativas mais usadas para tornar o assédio menos grave e aliviar a barra de quem assedia. Quantas garotas já ficaram com os rapazes que fizeram tamanha gentileza?

Por outro lado, o mínimo de reação é a indiferença, e o mais comum é o medo de responder. Das entrevistadas na Chega de Fiu Fiu, o medo foi o sentimento mais expressado.

3. Mulheres ouvem isso desde cedo
"Não aguento mais isso aí - "Amantes em um jardim", de Marcus Stone

Um estudo feito pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos, em parceria com a iniciativa Hollaback, mostrou que esse ritual se repete desde a infância ou comecinho da adolescência. Foram mais de 16 mil entrevistadas em 42 cidades ao redor do mundo, e 13% encarou o assédio pela primeira vez antes dos 10 anos de idade. E 71% passaram por isso dos 11 aos 17 anos. O projeto Everyday Sexism já reuniu vários relatos que se encaixam nesse perfil e mostram que, mesmo muito novas, as mulheres já ouvem comentários invasivos nas ruas. 

4. Ah, e não é um elogio
"Cara, não tenta me explicar que a cantada foi um elogio" - "Conversa de casal", de Simon Glücklich

Bem, se fosse um elogio não geraria medo (a sensação já apontada nas pesquisas) nem seria incômodo. Aliás, a pesquisadora sobre violência de gênero Holly Kearl já destacou que, em geral, comentários que não tem a ver com o gênero da pessoa (ou seja, que não só destinado a mulheres, como o "gostosa" comumente ouvido), sorrisos e elogios são recebidos bem. Quando se trata de um gesto agressivo, a coisa muda de figura. Um estudo canadense, publicado no Journal of Research in Crime and Delinquency, verificou que, de 12 mil entrevistadas, 80% já haviam sofrido algum tipo de assédio em espaços públicos. Para piorar, elas relataram se sentir menos seguras em suas cidades justamente por isso.  

E faz sentido: em geral, se uma mulher não gosta dessa invasão e reage, a postura dos caras muda. Ainda na campanha Chega de Fiu Fiu, as participantes relataram ouvir que eram "metidas" e "mal comidas", já que não ficavam quietas diante de uma agressão.   

5. A roupa não importa
"Até de freira ele enche o saco, meu deus do céu" - "Amor ou dever", de Gabriele Castagnola
Se ainda restam dúvidas, a iniciativa Stop The Catcall já mostrou que, seja de shortinho, seja usando um moletom surrado, mulheres recebem cantadas. Entre as fotos enviadas para o site, estão mulheres com camisetonas brancas, com vestidos coloridos e até fantasiadas de zumbi. E o assédio continua...

6. Não é "da natureza do homem", nem próprio de um só lugar   
"Não aguento mais esses caras me chamando de gostosa por aí" - "A princesa que nunca sorria", de Viktor Vasnetsov

Gene nenhum condiciona os marmanjos a assediar mulheres, claro. O assédio em espaços públicos acontece em todos os países, não só  naqueles considerados menos desenvolvidos. As principais organizações que pesquisam o assunto destacam que essa é uma questão de poder, mais do que qualquer coisa. Os caras berram por aí para dizer quem é que manda no espaço público e para reafirmar que não importa se a mulher está desconfortável. 

E as mulheres do mundo todo se sentem podadas por isso. Não é a toa que 95% das indianas que participaram de uma pesquisa do Centre for Equity and Inclusion afirmaram que a mobilidade delas em espaços públicos era reduzida pelo medo do assédio. No Egito, 96,5% das mulheres que responderam à pesquisa da ONU Mulheres disseram que estranhos tentavam tocá-las em espaços públicos (agarrar, puxar pelo braço, tentar acariciar alguma parte do corpo) e que 95,5% também enfrentavam agressões verbais.    

7. Há várias iniciativas que combatem o problema
"Sai daqui, na boa" - "The embrace", de Frederic Soulacroix

Como os casos de agressões estão vindo à tona, as iniciativas para combatê-los se multiplicaram. A Defensoria Pública de São Paulo já lançou cartilhas sobre o assunto, há um mapa colaborativo em que mulheres relatam seus casos e há eventos internacionais para discutir o problema. Também nos casos de assédio nas ruas, o que vale é o #ChegadeSilêncio.  

#ChegaDeSilêncio - Mais 154 relatos de leitores que sofreram abuso sexual e/ou estupro

POR Redação Super ATUALIZADO EM 29/07/2015
Depois que publicamos, em nossa página do Facebook, cinco imagens combatendo a falta de discussão sobre o estupro, recebemos 104 mensagens de leitores que foram vítimas desse crime. Você pode ler todas aqui.
Nos dias seguintes à publicação, as histórias continuaram chegando. O volume de mensagens recebidas foi ainda maior, e decidimos reproduzir todas mais uma vez.
Desta vez, foram 154 relatos. Os depoimentos 145, 146 e 147 chegaram até nós por e-mail; as últimas sete histórias são protagonizadas por homens. Novamente omitimos os nomes das vítimas.
Estamos transcrevendo todos os relatos para publicá-los em formato de texto, e não apenas prints das conversas. Atualizaremos o post nos próximos dias quando o trabalho estiver finalizado.
Se você também acredita que o estupro deve ser discutido abertamente, junte-se a nós.
#ChegaDeSilêncio
1.

Estupro 11Reprodução

2.



Estupro 2 novo.



IX Jornada Maria da Penha discute combate à violência contra mulher

27/07/2015

“A Lei Maria da Penha continua como importante mecanismo para aumentar a visibilidade do problema da violência doméstica e intimidar os agressores, sendo a Jornada um instrumento para, cada vez mais, aprendermos e aprimorarmos sua aplicação”, disse a conselheira Deborah Ciocci que, juntamente com a conselheira Ana Maria Amarante, coordena a conferência e o Movimento Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no órgão.Na semana em que completa nove anos de existência, a Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006) e as ações implementadas pelo Judiciário para sua efetividade serão debatidas na nona edição da Jornada da Lei Maria da Penha, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Reunindo magistrados, especialistas e atores do Sistema de Justiça, a conferência nacional ocorrerá nos próximos dias 10 e 11 de agosto, na Escola Paulista da Magistratura, em São Paulo/SP.

A palestra inaugural da jornada será apresentada pela ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que falará sobre as ações do Poder Judiciário no enfrentamento à violência de gênero. Este ano, a magistrada encabeçou o programa Paz em Casa que, em parceria com os tribunais de Justiça, promoveu o aumento dos julgamentos dos casos de feminicídio no país. Durante a semana especial, realizada em março, foram 168 júris concentrados em crimes contra mulheres – a média semanal do país é de 13 júris.

Também está confirmada a participação da ministra da Secretaria de Política para Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci, e da representante da ONU para Mulheres no Brasil, Wânia Pasinato, além de magistrados envolvidos em ações ligados ao assunto.

Experiências – O primeiro painel da conferência, sobre feminicídio, será apresentado pela juíza Adriana Ramos de Mello, vencedora do Prêmio Innovare de 2014 pelo projeto Violeta. Aplicada no Rio de Janeiro, a iniciativa aumenta o acesso à justiça de mulheres em situação de risco de morte, fixando em duas horas o prazo máximo para que a mulher obtenha decisão judicial sobre o seu caso, a contar do registro na delegacia até a análise pelo juiz, com escuta do testemunho por uma equipe multidisciplinar do juizado.

De São Paulo, a juíza Teresa Cristina Cabral dos Santos participa do debate sobre as diretrizes nacionais para investigar, processar e julgar as mortes violentas de mulheres. A magistrada, que atua na comarca de Santo André/SP, acredita serem necessárias a criação e a federalização de um Procedimento Operacional Padrão (POP) voltado para policiais militares – em geral, os primeiros a chegar no local da ocorrência relacionada à violência doméstica. “Temos que evitar atendimentos equivocados. Algumas vezes, de maneira bem-intencionada, os agentes tentam conciliar o casal. No entanto, naquela situação, o correto é encaminhar o caso à delegacia. Essa é uma regra que precisamos ter garantida em todos os estados”, diz.

O segundo dia de evento terá apresentação dos trabalhos das Coordenadorias de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher nos estados e, fechando a IX edição da Jornada da Lei Maria da Penha, será exposto um painel sobre o Impacto das Ações do CNJ no Desenvolvimento de Políticas Públicas pelas Coordenadorias. Ao final do encontro, os representantes dos órgãos deverão assinar a Carta da IX Jornada, com as sugestões aprovadas para o aprimoramento das ações de combate à violência familiar.

Sobre a Lei – A Lei Maria da Penha estabelece que todo caso de violência doméstica e intrafamiliar é crime, deve ser apurado por meio de inquérito policial e ser remetido ao Ministério Público. A lei também tipifica as situações de violência doméstica, proíbe a aplicação de penas pecuniárias aos agressores, amplia a pena de um para até três anos de prisão e determina o encaminhamento das mulheres em situação de violência, assim como de seus dependentes, a programas e serviços de proteção e de assistência social. Esses crimes são julgados nos Juizados Especializados de Violência Doméstica contra a Mulher, criados a partir dessa legislação, ou nas Varas Criminais em casos de cidades em que ainda não existem a estrutura.

A Jornada da Lei Maria da Penha ocorre desde 2007 e dentre os resultados mais importantes está a implantação e o incentivo à uniformização de procedimentos das varas especializadas no atendimento à mulher vítima de violências nos estados. A Jornada também promoveu, em ação conjunta com órgãos parceiros, cursos de capacitação para juízes e servidores e possibilitou a criação do Fórum Permanente de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), que promove a discussão do tema entre agentes do sistema de Justiça. O encontro em São Paulo será aberto apenas aos convidados indicados pelos tribunais, pelas procuradorias-gerais de Justiça, defensorias públicas e por órgãos do Poder Judiciário e do Executivo dos estados.

Regina Bandeira
Agência CNJ de Notícias

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Feminicídio – Protocolo Latino-americano

27.07.2015


Documento foi elaborado pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e pela ONU Mulheres. Integra a campanha do Secretário-Geral “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres”. O protocolo reúne esforços para que as investigações e processos penais integrem fatores individuais, institucionais e estruturais como elementos para entender o crime e, em seguida, responder adequadamente às mortes violentas de mulheres pelo fato de serem mulheres.

ONU

O Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas lembra o quanto ainda precisa ser feito

Viena, 30 de Julho de 2015 - A cada ano, milhões de mulheres, homens e crianças são traficadas por dinheiro. São exploradas sexualmente, forçadas a trabalhar em condições perigosas em casas, fazendas e fábricas no mundo tudo, e são vítimas de outras formas de abuso, como casamento forçado ou remoção de órgãos. Apesar do reconhecimento de que este é um dos crimes que mais exploram o ser humano, ainda há pouca ação contra isso: é necessário que se faça mais para desmantelar as redes de crime organizado atrás do tráfico de pessoas, enquanto que, ao mesmo tempo, é fundamental dar mais assistência às vítimas.
Com este cenário, e com o segundo Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, celebrado hoje, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) incentiva os países a tomarem ações para acabar com a impunidade dos traficantes, e para aumentar o suporte às vítimas.
O mais recente Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas do UNODC destaca a real extensão deste crime. Com pelo menos 152 países de origem e 124 países de destino afetados pelo tráfico de pessoas e com mais de 510 fluxos através do mundo, nenhum país está imune. Combinado a isso, as parcelas mais vulneráveis da população parecem estar aumentando, e se tornam alvo dos responsáveis por este crime: 33% das vítimas identificadas são crianças, um crescimento de 5% em relação ao período de 2007-2010. As meninas representam duas de cada três crianças vítimas do tráfico. Junto com as mulheres adultas, representam 70% das pessoas traficadas em todo o mundo.
O Protocolo para Prevenir, Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, especialmente mulheres e crianças, sob a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Internacional, implementado uma década atrás, representa um grande passo para enfrentar este crime. Pela primeira vez, este instrumento internacional trata de todos os atos de tráfico de seres humanos, incluindo exploração sexual, trabalho forçado, remoção de órgãos, servidão doméstica e outras práticas similares.
Apesar disso e de outros progressos encorajadores, a legislação de alguns países nem sempre está de acordo com o Protocolo e falha em cobrir todas as formas de tráfico e suas vítimas deixando milhões de pessoas desprotegidas e vulneráveis. Em algumas áreas, isso resulta em níveis baixíssimos de alguma ação contra os traficantes. No período coberto pelo Relatório Global, 40% dos países reportaram menos de 10 condenações ao ano, enquanto que 15% não tiveram nenhuma condenação.
"Isso demonstra um grau de impunidade que é inaceitável e destaca o fato de que, no momento, os traficantes estão fugindo com seus crimes", disse Yury Fedotov, Diretor Executivo do UNODC. "O mundo está enfrentando desafios muito graves, e nossos recursos estão diminuindo. Mas não podemos permitir que criminosos inescrupulosos explorem essa crise para tirar vantagem do desespero e sofrimento das pessoas. "
Há uma urgência igual em prover serviços de suporte para aqueles diretamente afetados pelos traficantes.
O Secretário Geral Ban Ki-moon, em sua declaração para o Dia Mundial, pediu apoio para o Fundo Voluntário Fiduciário das Nações Unidas para as Vítimas de Tráfico de Pessoas. É um mecanismo que trabalha com ONGs de todo o mundo para ajudar os sobreviventes deste crime, provendo abrigo, serviços básicos de saúde, formação profissional e escolar, assim como suporte psicossocial, legal e econômico.
Como parte das campanhas para o Dia Mundial, o Escritório coordena a campanha #douesperança, que pretende conscientizar as pessoas em relação às vítimas e sobreviventes do tráfico. Para saber mais, clique aqui.

UNODC e DPU promovem capacitação sobre Tráfico de Pessoas em Brasília

Dr. Haman Tabosa de Moraes e Córdova e Rafael Franzini durante a abertura do curso
Brasília, 28 de Julho de 2015 - O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Defensoria Pública da União (DPU) promovem entre os dias 28 e 29 de Julho, em Brasília, uma capacitação sobre Tráfico de pessoas, vítimas e o sistema de justiça criminal.
É parte do mandato do UNODC prover assistência técnica aos Estados Membros por meio de treinamentos e auxílio na elaboração de politicas públicas, sempre observando o respeito aos direitos humanos e as normas internacionais. Nesse contexto, o UNODC e a DPU fecharam a parceria para a capacitação e sensibilização de seus profissionais para o tema do tráfico de pessoas.  O material didático do curso será o Manual contra o Tráfico de Pessoas para Profissionais do Sistema de Justiça Penal, elaborado pelo UNODC em 2008.
A abertura do curso contou com a participação do Defensor Público Geral da União, Dr. Haman Tabosa de Moraes e Córdova e do Representante do Escritório de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil, Rafael Franzini. Em sua fala, Franzini destacou o importante papel da Defensoria Pública da União na atenção e apoio as vítimas do tráfico de pessoas.
Gilberto Duarte do UNODC
Durante o primeiro dia de curso, foram abordados temas como A Política Nacional e o Plano de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, normativas internacionais sobre Direitos Humanos, processos de investigação e atuação da defensoria pública.  Entre os facilitadores que participaram do primeiro dia estão Gilberto Duarte e Indira Fernandes do UNODC, Fabiana Galeno da DPU, Thamara Medeiros da CNJ e Lucicleia Souza e Silva Rollemberg da Secretaria Nacional de Justiça.
O segundo dia terá como foco principal as vítimas do tráfico de pessoas. Serão discutidos temas como reações psicológicas e necessidades das vítimas. Roberta Fernandes da AUSTRAL e Daniela Muscari da DPU estão entre as facilitadoras do segundo dia.
O treinamento ocorre durante a Semana de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que acontece na semana do dia 30 de julho, data escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas como Dia Internacional de Combate ao Tráfico de Pessoas.

Campanha #douesperança oferece apoio às vítimas de tráfico de pessoas

Brasília, 27 de julho de 2015 - Como parte das ações em alusão ao dia 30 de Julho, Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, UNODC, lança a hashtag #douesperanca. Em 2014, a campanha teve grande sucesso com o envolvimento de várias pessoas, no mundo todo, que mandaram suas fotos formando um coração com as mãos.
Este ano a campanha segue, pedindo aos usuários das redes sociais que tirem fotos e postem usando a hashtag #douesperança. A ideia é expressar a solidariedade com milhares de vítimas do tráfico de pessoas, devolvendo-lhes o que lhes foi roubado: a esperança.
Para saber mais, acesse a página da campanha internacional, clicando aqui.

Saiba Mais Sobre A Coração Azul

A Campanha Coração Azul contra o Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), implementada no Brasil em parceria com o Ministério da Justiça e com o apoio institucional do Grupo Globo. O objetivo da campanha é sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre este crime, que ainda afeta a milhares de pessoas em todo o mundo. A campanha também destaca os mecanismos de denúncia, fundamentais para a investigação e conclusão dos casos.

Elza Berquó: “O sexo é um direito das mulheres na velhice”

A demógrafa identifica um novo comportamento nas mulheres acima dos 60 anos. Elas dançam, viajam, fazem ginástica – e algumas iniciam relacionamentos homossexuais

GRAZIELE OLIVEIRA
24/07/2015
A população brasileira vem envelhecendo e, entre os que ultrapassam os 60 anos, as mulheres são maioria. A demógrafa Elza Berquó, de 83 anos, uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), é uma estudiosa desse contingente da população. Em um de seus estudos, a pirâmide da solidão, ela mostra que existem muitas mulheres sem parceiros na faixa acima dos 60 anos, e atribui isso à regra cultural segundo a qual as mulheres se relacionam principalmente com homens mais velhos. Nesta entrevista, ela diz que nessa faixa etária existem também muitas mulheres homossexuais, como as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na novela Babilônia.
Demógrafa Elza Berquó na sede do Cebrap (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)
ÉPOCA – Mulheres bissexuais ou lésbicas, que esconderam isso durante a vida toda, podem assumir relacionamentos homossexuais com mais facilidade na velhice?
Elza Berquó – 
Elas podem. Mas não precisa ser uma pessoa que não tinha saído do armário. Essa mulher pode ter sido casada, tido filhos. Então, encontra outra e tem alguma química entre elas. E aí pronto! A velhice não é um momento em que permitiu a elas sair do armário. Foi o momento em que elas reconheceram que podiam. A outra mulher não está esperando que você seja uma beldade, porque a velhice é perversa mesmo com relação ao físico. Não tem como. Então você tem de estar bem com você e com o mundo, produzindo sua vida e fazendo coisas de que você gosta.
ÉPOCA – O que a senhora achou do beijo gay protagonizado pelas atrizes Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro na novela Babilônia, da TV Globo?
Elza –
 Essas duas estão dentro daquele perfil que eu falei. Acho que são atrizes muito valentes. Tiveram a coragem de ser personagens dessa cena. Aquilo que vai na televisão é recolhido daquilo que está aparecendo na sociedade, e vice-versa. Então, já deve haver situações, em número tal, em que mulheres idosas estão vivendo juntas e se amando. Fiz um estudo com a Universidade do Texas sobre uma nova novela da Globo em que ia surgir um novo tipo de homem – um que não é machista, não é gay e não mata a mulher quando ela o trai. Chamava-se O rei do gado (1996). Um nome simbólico porque gado tem chifres, não é? O personagem de Antonio Fagundes era um novo homem que estava surgindo na sociedade. Era um homem com uma sensibilidade e compreensão que não precisa matar uma mulher por adultério. Meu segundo marido era exatamente esse tipo de homem sensível. Agora, acho que está surgindo um novo tipo de mulher idosa na sociedade. As coisas estão acontecendo, e a novela é feita para você se reconhecer lá, para você não se sentir a última perdida no mundo. Então isso valida muitas vidas. Esse é o papel da televisão.
ÉPOCA – Essa cena sofreu muitas críticas negativas. O que a senhora achou da reação das pessoas?
Elza – 
Muitas pessoas viram lá o que não tiveram coragem de fazer e têm medo de mostrar-se a si mesmas. E as que veem aquilo com naturalidade ainda são uma minoria. Mas que já está acontecendo, por isso foi para a novela. Ninguém inventa um caminho na novela. Ela tem de cobrir o que está acontecendo na sociedade e dar alguns passos para ver se a sociedade quer aquilo ou não.
ÉPOCA – Há especialistas que dizem que as pessoas nascem gays. É possível que as pessoas se tornem homossexuais na terceira idade?
Elza –
 Não acredito que alguém nasça gay. As pessoas nascem com seus cromossomos XX e XY. Agora, o que você pode ter é um ambiente. A relação com a mãe é um dos elementos condutores de comportamentos de filhos que se manifestam como homossexuais. Isso vai aparecendo ao longo da vida. O ambiente, o contexto familiar, as carências. Ninguém nasce assim. Ninguém nunca comprovou que o gênero é definido ao nascer. O sexo sim.
ÉPOCA – Esse argumento de que o meio influencia a orientação sexual da pessoa serve para justificar tentativas de evitar que crianças convivam com gays, por exemplo.
Elza – 
Eu digo que o ambiente familiar tem uma influência. Principalmente da mãe, porque o menino precisa se identificar ao pai, e não à mãe. Às vezes a mãe não solta esse filho dela, como se ele ainda estivesse dentro dela. Isso tem muito a ver. Agora, ver casais homossexuais na televisão não muda o gênero de ninguém. Só se for alguém que ainda não teve coragem de se assumir.
"Há um superavit de mulheres, mas vejo um futuro promissor para todas as idades"
ÉPOCA – Se o ambiente familiar for tão importante para a formação da pessoa, a senhora acredita que uma criança adotada por casal gay teria uma chance maior de se tornar homossexual também?
Elza –
 O ambiente familiar é a criação da mãe! Eu acho uma maravilha que um casal gay adote. Essa criança deve saber desde logo que ela tem duas mães ou dois pais e pronto. Porque todo mundo esconde que a criança é adotada, e em todos os casos tem de dizer depois. Eu não conheço nenhum estudo que mostre que crianças adotadas por casais gays, de mulheres ou de homens, têm maior chance de se tornar gays também.
ÉPOCA – Em geral, as mulheres vivem mais do que os homens. Essa é uma das razões da solidão feminina na velhice?
Elza – 
Quando produzi a pirâmide da solidão, mostrei que, pela regra cultural, a mulher se casa com um homem na mesma idade ou mais velho. Se você pegar um homem de 30 a 35 anos, ele pode escolher as mulheres na faixa dele ou abaixo. Em alguns casos, até estamos convivendo com gente que mora, vive ou casa com homens dez anos mais jovens – e aí há moedas de troca, como a mulher ter mais dinheiro do que ele. São trocas até legítimas. Mas sempre haverá esse desequilíbrio. Isso porque a mulher vai escolher ou ser escolhida por homens mais velhos, que são poucos. E os homens escolhem as mais jovens do que eles, que são muitas. Há um superavit de mulheres. Mas essas mulheres parecem estar se sentindo muito bem. Elas vão para a ginástica, para a dança, viajam, tiram férias, vão num cruzeiro e vão indo...
ÉPOCA – Por que, depois dos 60 anos, as mulheres parecem não ter mais direito ao sexo?
Elza –
 Direito essas mulheres têm, resta saber se há gente disponível. Pelo que nós estamos vendo, não há tanto. Acontece que, no sexo, você pode se satisfazer de várias maneiras. Pode ter companhias amigáveis sem sexo. Eu tive dois casamentos. De um eu me separei e do outro enviuvei, há sete anos, e, realmente, a falta que você sente é de um companheiro, o resto você sublima de outra maneira. O companheiro no cotidiano e na forma de ver o mundo, isso faz muita falta. Existe gente que consegue resolver e arruma outro, não é? Depende de cada um. Eu acho que não há limite para nada. Se está com alguma necessidade sexual, pode se arrumar de alguma forma. Agora saiu uma droga para a mulher que seria uma espécie de Viagra feminino, pois a libido da mulher pode cair. Vejo o futuro muito promissor para todas as idades, para o sexo e tudo mais.
ÉPOCA – A cultura brasileira valoriza bastante o corpo saudável e bonito. Como é possível uma mulher envelhecer bem nesse ambiente?
Elza –
 Valoriza, e muito. Eu acho que esse tipo de comportamento não vai mudar. Se você olhar para o tapete vermelho, as mulheres estão cada vez mais deslumbrantes e, se não o são, são fabricadas para ser. Então é uma concorrência dificílima. Quando trabalhei com a pirâmide da solidão, cheguei a dizer que seria interessante para as mulheres bem mais velhas poder viver com outras. Isso porque o desgaste físico é das duas, então tudo bem. Agora, com o homem não. O homem jamais toleraria esse desgaste, a menos que a mulher tenha envelhecido com ele. O homem não sente libido nenhuma por uma mulher idosa. Mas conheço vários casos de mulheres solucionando isso numa relação homossexual. Isso não é inviável. 

Book rosa


Fora do eixo Rio-São Paulo, milionários tornam-se sócios de agências menores só para ter acesso às bonitas

WALCYR CARRASCO
28/07/2015
Quando fui convidado para escrever uma novela inédita das 11 da noite para a Globo, eu não tinha ideia alguma na cabeça. Mas disse sim. Eu sou fascinado por desafios. Prometi uma ideia para dali alguns meses. Em geral crio de maneira intuitiva. Mas desta vez resolvi fazer diferente. Fui repórter durante boa parte da minha vida. O mundo fashion sempre me fascinou. Como jornalista, eu era especializado em comportamento e moda. Mas também sempre estive do lado glamouroso do mercado. Desfiles, tendências. Mas eu precisava de uma boa ideia e voltei ao meu passado de repórter. E pesquisei algo de que já tinha ouvido falar: o book rosa. Ou, como alguns preferem, ficha rosa. Ou seja, a modelo que aceita também prestar serviços sexuais ao cliente. Book azul no caso dos rapazes – também há clientela. Antes de mais nada, esclareço. Existe. Nem todas as agências fazem. Nem todas as modelos fazem. Mas muitas sim. Em geral meninas e garotos de boa aparência são garimpados pelos olheiros (ou scouters) em lugares distantes. Até algum tempo atrás, com 13 anos já estava bom. De um tempo para cá, internacionalmente se convencionou que modelos não podem ser tão jovens. Fotos de moda flertavam com a pedofilia. A idade média dos modelos aumentou. Mas, sim, 16 já está ótimo. O interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina é um celeiro para quem procura futuros modelos. A genética italiana-alemã é incrível. Mas no Ceará também há mulheres belíssimas. Muitas vezes, das pequenas cidades do interior, saem excursões de ônibus de jovens interessadas em ingressar no mundo da moda. Quem organiza cobra a viagem. De fato, a oportunidade existe. As grandes agências recebem, fazem um filtro. E, se gostam, contratam imediatamente. Uma das mais famosas modelos do mundo foi descoberta assim.

Trazidos por olheiros ou através de excursões, esses jovens são contratados. O que significa? Só que acabam de contrair uma dívida. São hospedados em cinco, seis, dez, em apartamentos. Pagam pelas vagas. Pagam por um book fotográfico. Com futuros trabalhos, óbvio. (Há falsas agências que só fazem books de incautos para ganhar dinheiro. Cobram e ficam na promessa.) No universo das agências profissionais, há catálogos de moda, eventos, desfiles. Distribuir amostras grátis de perfume em um shopping é trabalho de modelo, tanto quanto desfilar para uma grife. O dinheiro às vezes não chega. Mas há formas de fazer dinheiro, não?

Primeiro fui na internet. Descobri um Facebook de Book Rosa e outro de Ficha Rosa. Óbvios demais. Eu queria ir mais longe. Meu lado repórter falou alto. Todo jornalista sabe que existem pessoas que gostam de ser fonte. De dar notícias. Não sei por que, até se prejudicam. É a secretária que grava o próprio chefe fazendo maracutaia. O assessor que tira cópias de um documento e entrega ao repórter. Encontrei um dono de agência de língua comprida. Foi a minha casa. Servi pãezinhos de queijo e café, enquanto ele passava a tarde prejudicando o próprio negócio. Para minha surpresa, descobri que boa parte dos trabalhos de book rosa é paga não pelo, digamos, beneficiário. Mas pelo dono da empresa. Vejam bem. A empresa faz um evento. Contrata as modelos. No trabalho delas (ou deles), está embutida a sequência, num fofo quarto de hotel. A agência dá nota fiscal. Tira comissão de 20%! Fica na verba do evento, o dono da empresa às vezes nem desconfia. Ah, sim, em convenções de políticos com frequência também sobram mulheres. Quem paga? Você, eu. O dinheiro não é entregue diretamente à jovem. Às vezes sim, mas é chamado de “presente”. E o que o dono da agência, ou booker, que programa os trabalhos, mais costuma dizer é:

– Eu gosto de ajudar as modelos.

Em cima disso, sem preconceito, eu construí uma história. Voltei com minha ideia. Foi aprovada. Está aí Verdades secretas. E o país todo descobriu que existe o book rosa. Tornou-se comum falar nisso, e sabe-se como é o jogo para convencer uma garota a fazer. Sei de um empresário importante que chegou, há anos, a ser processado pela mãe de uma garota de 13 anos. Em agências menores fora do eixo Rio-São Paulo, muitas vezes milionários tornam-se sócios para ter melhor acesso às bonitas.

É raro saber de onde surge uma história. Desta vez ficou fácil. Da vida real. Tem gente furiosa comigo porque, repito, nem toda modelo faz, nem toda agência faz. Mas o book rosa existe. Essa é a verdade que eu escrevo e deixou de ser secreta.

O que os homens querem

O cara que mergulha feliz numa relação não deve ser tratado como parte da mobília. Ele quer ser o herói da mulher dele


IVAN MARTINS
29/07/2015
No interior de cada homem há dezenas de outros. Seu pai, seus irmãos, seus amigos, seus vizinhos. Há o tio que bebe, há o primo que bate, há o cara que seduz as mulheres.
Dentro de cada homem há o Homem de Ferro, Capitão Kirk, Don Draper, Rodrigo Cambará e Bentinho. Há também Jesus Cristo, Carlos Marighela e Lincoln.
E estes formam apenas a primeira fileira.
Mais atrás, espiando, estão todos os outros homens da idade dele, da cultura dele, do planeta dele, opinando, apontando, julgando.
Um homem nunca está sozinho. Traz com ele uma multidão de outros homens para dar palpite sobre o que é ser homem.
Por isso é tão difícil responder quando as mulheres perguntam o que os homens querem.
Eles não sabem exatamente. Passam a vida tateando no escuro, em busca de aprovação da assembleia dentro deles. Às vezes vão numa direção e logo avançam noutra, ziguezagueando em busca de consenso interior.
De um lado está o prazer, que as vozes dentro dele prometem ser inesgotável. De outro, o impulso de amar e construir, manchado pelo medo de não ser capaz. Entre esses dois extremos transcorre a vida masculina.
Será tão diferente com as mulheres?
De qualquer forma, uma mulher que ame um homem deveria saber em que polo ele se encontra.
Se o sujeito passou dos 30 anos e ainda acha que a coisa mais importante da vida é ter uma mulher por semana, é um analfabeto afetivo.
Homem multidão (Foto: Ilustração: Cacao)
Um narcisista desse calibre pode ser um grande sedutor, mas tem tanta coisa a aprender que o resto da vida talvez não baste. Tende a ouvir para sempre o canto da sereia, dizendo que há alguém mais interessante na próxima esquina. Está no polo errado.
No polo certo há um monte de caras, naturalmente. Eles namoram, se juntam e casam todos os dias. Ou buscam pela parceira certa na multidão. Os homens também querem amar e ser felizes. Não há só narcisistas inconstantes pelas ruas. Se você tem essa impressão, talvez esteja olhando para o cara errado, ou para o grupo errado de caras. Isso existe. Às vezes, a gente se apaixona pelo impossível ou pelo próprio sofrimento.
Apenas uma minoria triste de homens quer apenas sexo e desdenha os sentimentos. Por ser gente muito jovem ou muito boba.
Talvez por ter alguma coisa quebrada dentro deles que não permita conectar-se aos outros. Não é natural. Quando se transa e se dorme de conchinha, a gente acorda comovido. Homens e mulheres. Pode não ser um grande amor, mas algo fica, algo nos toca, algo nos convoca a ser explorado.
Quem nunca se comove tem algo de errado. Melhor cair fora de fininho. Ok, pode bater a porta.
As mulheres imaginam, frequentemente, que a culpa por esse tipo de atitude masculina é toda delas. Acham que não são bonitas o suficiente, ou altas o suficiente, ou sensual o bastante para atrair o sujeito. Bobagem. Quando o cara tem a ansiedade de comer todas as mulheres do mundo, não há beleza que baste. Ou qualquer outro atributo. O desejo dele é cego e vê apenas a si mesmo. As mulheres, por belas que sejam, viram itens involuntários numa coleção. Desfilam pela vida dele e são mandadas embora.
A cabeça dos homens que gostam das mulheres não funciona com hierarquia de beleza ou de sedução. Ele é sensível à beleza da mulher de quem ele gosta. Tem tesão das pernas dela, acha ela sensual quando a vê na rua, não consegue tirar as mãos do corpo dela mesmo em público. Isso é estar apaixonado. De alguma forma ela o complementa. É um sentimento forte que não depende da beleza da mulher na outra calçada. Ponto.
O problema, se podemos chamar assim, é que mesmo o homem apaixonado precisa muito ser admirado - e as relações rotineiras muitas vezes não ajudam.
O sujeito olha para a cara da namorada e percebe tédio. Chega em casa e é recebido com familiar indiferença. Começa a sentir-se um bosta. Ele deveria ser maduro e discutir o assunto, mas não. Se ressente, tem dificuldade em conversar e as vozes ancestrais da masculinidade ficam dizendo que ele tem de cair fora. Então ele escapa e começa de novo, atrás daquele momento mágico da paixão em que todo mundo se sente o máximo.
Eis algo que nem sempre é levado em conta: os homens querem ser admirados da mesma forma que as mulheres gostam de sentir-se desejadas. Isso existe. Ao menos aqui e agora, ao menos no mundo como ele ainda é. O cara que mergulha feliz numa relação não deve ser tratado como parte da mobília. Ele quer ser o herói da mulher dele.
Estar com um cara sem desejá-lo ou admirá-lo, apenas por ter namorado ou companheiro, é um jeito certo de estragar a vida dos dois. Melhor se distrair com gente avulsa e esperar pelo cara certo. Uma hora aparece.
Quando entra em cena, o amor, com seu arsenal de arrebatamentos, silencia a turba interior masculina e dá à vida uma dimensão épica. Por algum tempo, homem e mulher se sentirão tomados um pelo outro. Os beijos serão longos e o sexo será como entre anjos obscenos. Feliz. Os compromissos se tornarão naturais.
(Se a pessoa que você deseja, homem ou mulher, nunca foi capaz de chegar a esse ponto com você, jogue os dados novamente e mova-se para outra casinha. Já perdeu tempo demais).
Quando o rompante da paixão termina, a liberdade tem de entrar em cena.
Ela assegura que a cada manhã homem e mulher podem partir, mas escolhem ficar. Por desejo. Por admiração. Por que sim. A liberdade destrói a caricatura do homem aprisionado pela mulher e pela família. Desmancha a fantasia de submissão e recoloca a vida em termos adultos. As vozes interiores masculinas são silenciadas.
A combinação de amor e liberdade faz as pessoas crescerem. Ensina homens e mulheres a gostar de si mesmos. Ela transforma meninos e meninas em adultos – e os adultos são capazes de pensar por si mesmos e inventar jeitos novos de ser, sem dar ouvido às vozes ancestrais.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Performance sobre o espaço da mulher na cidade chega ao Rio de Janeiro

27/07/2015  -  -  
Da Redação

Vencedora do Prêmio Funarte – Mulheres nas Artes Visuais em 2013, a performance Entre Saltos, já realizada em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia, chega agora ao Rio de Janeiro.

EntreSaltos
A intervenção urbana, que aborda a figura da mulher no mundo contemporâneo e sua relação com a esfera pública, se dá em forma de uma caminhada onde os participantes vestem um vestido vermelho, calçam um salto alto e levam o outro na mão, justamente para enfatizar o equilíbrio e desequilíbrio enfrentados pelo universo feminino na sociedade.


Qualquer interessado – artista ou não, mulher ou não – pode participar da intervenção.


O coro percorrerá as ruas do centro do município, finalizando com uma instalação feita com os sapatos utilizados durante o trajeto. Idealizada pelo Coletivo Pi, a performance faz parte do Festival de Inverno do SESC Rio. Na última sexta-feira (24/7) aconteceu nas ruas de Teresópolis. Agora, a cidade de Nova Friburgo será palco de uma nova edição do ato, a ser realizado no dia 30/7 (sexta-feira), a partir das 15h, saindo do SESC Nova Friburgo (Avenida Presidente Costa e Silva, 231).


Interessados devem preencher um formulário de inscrição disponível no site do Coletivo Pi.


Antes da performance, o Coletivo realizará oficinais gratuitas preparatórias para os interessados em participar. Acontecerão nos dias 29 e 29/7 (quarta e quinta-feira), das 14h às 18h, também no SESC Nova Friburgo.


Serão expostos conceitos sobre a intervenção urbana, iniciando a preparação para a caminhada pela cidade. Também serão realizados provas de figurino, que será de responsabilidade do Coletivo Pi (pede-se apenas para levar um par de sapatos de salto alto que possam ser doados para a instalação final).


Portal Aprendiz

Jovens na luta contra a intolerância

Gabriela Rivadeneira, presidente da Assembleia Nacional do Equador, fala no Fórum Juvenil do Conselho Econômico e Social 2015. Foto: Evan Schneider/ONU
Gabriela Rivadeneira, presidente da Assembleia Nacional do Equador, fala no Fórum Juvenil do Conselho Econômico e Social 2015. Foto: Evan Schneider/ONU
Por  28/07/2015
Por Thalif Deen, da IPS – 
Nações Unidas, 28/7/2015 – Quando, aos seus 21 anos, o príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdalá, presidiu em abril uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), se converteu na pessoa mais jovem à frente de um dos órgãos políticos mais poderosos do mundo. O cargo foi temporariamente seu porque a Jordânia ocupou nesse mês a presidência mensal do Conselho de Segurança, cujos 15 Estados membros têm a faculdade para fazer a guerra e declarar a paz.
“Eu disse ao príncipe: estamos vivendo no século 21 e você está liderando o mundo no século 21”, contou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após a sessão, que se centrou no papel dos jovens na luta contra o extremismo violento e pela promoção da paz. Para Ban, esta é uma época de grande poder para os jovens, e os educadores têm o papel de lhes ensinar aquilo que é importante para serem cidadãos do mundo e futuros líderes.
A ONU recorre às gerações mais jovens para dirigir a luta contra a intolerância, que inclui homofobia, racismo, discriminação por motivo de gênero e xenofobia. A iniciativa Impacto Acadêmico (Unai), que as Nações Unidas lançaram em 2010, pretende ter a colaboração de instituições de educação superior para realizar os princípios universalmente aceitos de direitos humanos, a alfabetização, a sustentabilidade e a solução de conflitos.
Atualmente, cerca de 30 redes internacionais de universidades e outros institutos de ensino superior apoiam a Unai, representando quase mil instituições que aderiram à campanha de base. “Trabalhamos com instituições educacionais e outros membros da sociedade civil por mais de 11 anos em uma série de seminários intitulada Desaprendendo a Intolerância, explicou Ramu Damodaran, chefe da Divisão de Extensão do Departamento de Informação Pública da Unai.
Em junho, a Unai colaborou com a Fundação UnHate (deixar de odiar), do italiano Grupo Benetton, em um concurso de diversidade para mostrar a contribuição de “jovens de todo o mundo para as soluções elaboradas pessoalmente, que abordam alguns dos problemas mais urgentes do mundo”, informou Damodaran. “Quando a Unai foi criada em 2009, era evidente que este deveria ser um de seus princípios básicos”, acrescentou.
Segundo Damodaran, “quando a Fundação UnHate nos apresentou essa iniciativa, aproveitamos a oportunidade, já que o projeto vai além de falar ou debater sobre os problemas vitais da diversidade e do respeito, e financia projetos específicos, até dez no total”. Cada aspecto é gerido pelos estudantes e professores que concebem o projeto, calculam seu alcance e os custos e em seguida, caso seja escolhido, se encarregam de sua execução, acrescentou.
O concurso teve mais de cem inscritos de 31 países com ideias e soluções inovadoras para lidar com a intolerância, o racismo e o extremismo, entre outros problemas. Um painel de juízes escolheu dez ganhadores que receberam 20 mil euros cada um, doados pela United Colors of Benetton, com sede na Itália.
A ONU afirma que o concurso foi notável por várias razões. Primeiro, em lugar de pedir que os interessados se limitassem a escrever sobre os problemas do mundo, teve um enfoque proativo e solicitou soluções, dando-lhes recursos financeiros importantes para realizá-las. “Este é um empoderamento real da sociedade civil, e da juventude, para mudar o mundo, como muitos dos ganhadores reconheceram com razão em suas reações ao ganhar o prêmio”, diz um comunicado da ONU.
A variedade de tipos de intolerância abordada foi notável, e incluiu a capacitação e a educação das mulheres, os direitos da população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais), os direitos indígenas e propostas para enfrentar a intolerância das principais religiões e os conflitos entre grupos étnicos. Os dez ganhadores são de Alemanha, Burundi, Canadá, China, Estados Unidos, Índia, México, Paquistão e África do Sul.
Os projetos escolhidos propõem, por exemplo, facilitar a educação secundária e superior das mulheres indígenas no sul da Índia, promover a harmonia e o conhecimento religioso entre cristãos, hindus e muçulmanos no Paquistão, enfrentar o preconceito e a discriminação que sofre o coletivo LGBTI na Índia e no México, maiores oportunidades de emprego para as mulheres muçulmanas na Alemanha, documentar as vozes dos imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, retratar a vida cotidiana e as aspirações de palestinos de diversas origens.
Ban Ki-moon identificou várias outras iniciativas da Unai que ajudam a ONU, como a de pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, integraram uma equipe que estudou a origem do vírus ebola, causador de um foco mortal da doença em 2014 em vários países africanos e a da Faculdade de Arquitetura para Mulheres Bhanuben Nanavati da Índia, que colabora com entidades associadas na Tanzânia em matéria de moradia sustentável.
O secretário-geral citou ainda a Universidade Nacional Al Farabi, do Cazaquistão, que investiga novos modelos para a energia renovável, enquanto a Universidade JF Oberlin, do Japão, lançou um ramo juvenil da Unai, chamada Aspire (ação estudantil para promover a inovação e a reforma por meio da educação).
No Catar, a fundação Educação Acima de Tudo, presidida pela xequesa Mozah bint Nasser al Missned, defende o direito das crianças de continuar aprendendo em zonas de perigo. Na Coreia do Sul, a Universidade Global Handong continua seus programas de formação empresarial para ajudar os jovens a criarem postos de trabalho e não apenas buscá-los.