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terça-feira, 29 de março de 2016

O papel da universidade no enfrentamento aos estereótipos, por Silvia Pimentel e Celso Campilongo

22/03/2016

“Os fatos fazem todos parte do problema, não da solução”, dizia Wittgenstein. A problematicidade dos fatos em questão é alarmante: persistem, não apenas em nossa sociedade, mas também na Universidade brasileira, atitudes geralmente sutis, mas, em muitos casos, debochadamente descaradas, que lidam com as diferenças de forma desrespeitosa, discriminatória e reprodutora de preconceitos. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon demonstra com clareza estes fatos em relação à violência contra as mulheres. Segundo o estudo, 67% das alunas brasileiras já sofreram algum tipo de agressão ou assédio nas universidades. Além disso, a pesquisa revela que 42% das estudantes entrevistadas já sentiram medo de sofrer algum tipo de violência no ambiente acadêmico.

As “Diretrizes sobre Assédio Moral, Sexual, Discriminação e Desigualdade na Faculdade de Direito da PUC-SP”, recentemente aprovadas por unanimidade pelo colegiado diretivo do curso, podem não ser, evidentemente, a solução do grave problema, mas representam passo importante e em consonância com o histórico alinhamento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a defesa dos Direitos Humanos.

A Universidade é espaço público privilegiado de debate, crítica e discussão. Mas possui inimigos externos e internos poderosos e enfileirados de forma orquestrada. Dentre esses adversários, os mais nefastos são aqueles avessos à solidariedade, os adeptos da intransigência e os que se ufanam de seus próprios estereótipos e preconceitos. São totalitários, radicais e neofascistas. As mesmas ameaças que esses grupos lançam à sociedade democrática, eles dirigem – do interior das Universidades – àquilo que existe de mais característico no ensino superior: não reconhecem nem respeitam o outro e o diferente. Sem isso, não há pluralidade e, consequentemente, não há, também, Universidade digna do nome.

Há poucos meses, noutra importantíssima Faculdade de Direito brasileira, alunos afixaram nos muros da escola “perolas” dessa postura arrogante e inadmissível proferidas por professores. Eram os registros de “piadas” de mau gosto, “brincadeiras” de fundo preconceituoso e “exemplos” claramente discriminatórios que povoavam as aulas. Dentre os estudantes, o acirramento de violências do mesmo tipo também é comum. Infelizmente, são os fatos que fazem parte do problema a ser enfrentado. Não se trata de reproduzir, fora do contexto cultural norte-americano, a controvertida retórica do “politicamente correto” – algumas vezes autoritária e exagerada –, mas de registrar que a sociedade brasileira não aceita mais práticas de desrespeito à diversidade ou supressão de diferenças legítimas. O mesmo se diga do direito brasileiro, que igualmente repudia discriminações. Mas, em nossas Universidades e em nossas Faculdades de Direito, inexplicavelmente, os ranços preconceituosos ainda são fortes. E, pior, bloqueiam o debate e o diálogo exatamente onde mais isso deveria ocorrer.

Daí a importância da iniciativa da Faculdade de Direito da PUC-SP, que teve sua origem em proposta elaborada pelo Grupo de Pesquisa Direito, Discriminação de Gênero e Igualdade, como resposta a caso noticiado de discriminação, ocorrido no final de 2014. Seu objetivo inicial era inserir o tema do assédio sexual na perspectiva de gênero. Durante sua elaboração, vivenciou-se processo de expansão de metas, com a inclusão de outros fatores, tais como aqueles vivenciados por questões econômicas e raciais, comuns aos recém-ingressados alunos do PROUNI. Essa elaboração, de fato, representou avanço qualitativo das diretrizes, considerando, principalmente, o recorrente entrecruzamento dos vários elementos de exclusão, o que resulta em casos de extrema vulnerabilidade.

Merece destaque o compromisso humanista da proposta, que projeta seu cerne em elementos tais como a educação, sensibilização, conscientização e mudança de padrões socioculturais, visando à eliminação de preconceitos e práticas discriminatórias, bem como destacando o papel do professor no desenvolvimento de uma visão de mundo solidária. Em meio à intolerância e ao individualismo exacerbado da sociedade capitalista contemporânea, pós-moderna, o estabelecimento de diretrizes de enfrentamento aos estereótipos de gênero, raça, cor, idade, etnia, origem, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT), situação social, econômica e cultural, dentre outras, representa mensagem de esperança e materializa importantes princípios da Constituição Brasileira de 1988, tais como os de igualdade e cidadania.

Nossa Constituição, fruto do empenho da sociedade civil em efervescente processo de construção democrática, contempla de forma generosa os direitos fundamentais de indivíduos e grupos – direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. No entanto, a quase 30 anos de sua adoção, constata-se um estreitamento das possibilidades ali elencadas. Lamentavelmente, ainda estamos muito longe da realização dos direitos formais conquistados. O grande desafio é retomar o ânimo crítico e transformador da década dos 80, com firme oposição aos resquícios e retrocessos antidemocráticos que afrontam a cidadania e a igualdade de milhões de brasileiras e brasileiros. A Universidade é espaço público privilegiado para tal.

Silvia Pimentel é integrante e ex-presidente do Comitê Sobre a Eliminação da Discriminação Contra as Mulheres, da ONU (Comitê CEDAW). Professora doutora em Filosofia do Direito pela PUC-SP e coordenadora do Grupo de Pesquisa Direito, Discriminação de Gênero e Igualdade.
Celso Campilongo é chefe do Departamento de Teoria do Direito da PUC-SP e professor titular da Faculdade de Direito da USP.

Para acessar o artigo na íntegra, bem como as Diretrizes sobre assédio moral, sexual, discriminação e desigualdade na Faculdade de Direito da PUC/SP, clique aqui.

Agraciadas(os) com a Medalha Ruth Cardoso


Rede Nacional Primeira Infância lança série de entrevistas sobre importância do homem no cuidado das crianças pequenas



Homens pela Primeira Infância RNPI lança série de vídeos sobre o tema
Marco Aurélio Martins, do Instituto Promundo,
 fala sobre paternidade e segurança pública
17 de março de 2016

No mês em que foi sancionado o aumento da licença-paternidade para empregados das empresas cidadãs de 5 para 20 dias, a Rede Nacional Primeira Infância lança uma série de vídeos sobre o envolvimento dos homens no cuidado das crianças pequenas. Quais os desafios e benefícios do fortalecimento desse vínculo? Para responder a essas questões, 11 especialistas sobre cuidado paterno falam de temas como a desnaturalização do cuidado, cultura machista, paternidade e segurança pública, paternidade e desigualdade social, licença-paternidade, feminismo e o papel do gestor público na promoção da paternidade. Os vídeos, com média de dois minutos de duração, estão disponíveis no site da RNPI, e foram gravados durante o I Seminário Nacional Paternidade e Primeira Infância, que aconteceu em 2015, no Rio de Janeiro. (Clique aqui para ver a lista dos vídeos em nosso canal do Youtube)

Entre os especialistas, estão gestores públicos, representantes de organizações da Sociedade Civil e de Universidades. Os entrevistados são Angelita Herrmann, da Área Técnica de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Daniel Costa Lima, mestre em Saúde Pública, Fabio Paes, da Aldeias Infantis SOS Brasil, Heloiza Egas, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Luciana Phebo, da Plataforma de Centros Urbanos do UNICEF, Marco Aurélio Martins, do Instituto Promundo, Marcos Nascimento, do Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz, Maria Luiza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mariana Azevedo, do Instituto Papai, Paulo Bonilha, então coordenador da Área Técnica de Saúde da Criança do Ministério da Saúde, e Thiago Queiroz, do blog Paizinho Vírgula.
Veja alguns destaques das entrevistas:
“Eu acho que um dos grandes desafios para a promoção da paternidade é a gente desnaturalizar esse tema do cuidado, observar que cuidado não é inerente à pessoa mas que se aprende a fazer, e educar meninas e meninos para serem cuidadores. Culturalmente a gente vê as mulheres muito mais envolvidas no cuidado, mas isso não quer dizer que os homens sejam incapazes ou incapacitados para cuidar”, afirma Marcos Nascimento, do Instituto Fernandes Figueira, que fala sobre a cultura machista como um dos desafios para a promoção da paternidade.
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Marcos Nascimento, da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
fala sobre desnaturalização do cuidado
“A principal coisa que eu aprendi com a pesquisa sobre homens que cuidam sozinhos dos filhos é que cuidado faz bem para a saúde do homem. Todos esses pais estavam mais felizes depois que eles passaram a cuidar dos seus filhos todos os dias. Se você cria oportunidades para que os homens sejam cuidadores, vamos estar beneficiando a qualidade de saúde dos pais, e consequentemente, da saúde dos filhos”, diz Maria Luiza Carvalho, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que aborda o papel da universidade na promoção da paternidade.
“Uma das formas dos gestores públicos promoverem o exercício da paternidade é sensibilizar os nossos profissionais da saúde para que estejam atentos para questões pequenas que podem facilitar e induzir um pai a participar, ou não. Se a gente quer que o pai esteja participando no pré-natal, por exemplo, precisa ter duas cadeiras no consultório”, diz Paulo Bonilha, então coordenador da área técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, que fala sobre o papel dos gestores públicos na promoção da paternidade.
“Quando você se dispõe a ser mais sensível no cuidado do seu filho, você percebe como isso se reflete nas suas relações com as outras pessoas. Você percebe que a maneira como você se comunica com o seu filho, não-violenta e tentando entender os sentimentos dele, que essa maneira funciona também com a esposa e com os colegas de trabalho. Essa onda de não-violência e de empatia começa a crescer e a pulsar na sua vida, e isso é muito bacana”, afirma Thiago Queiroz, do blog Paizinho Vírgula, que fala sobre o potencial do impacto do cuidado paterno nas relações sociais.
mariana azevedo
Mariana Papai, do Instituto Papai e coordenadora
do GT Homens pela Primeira Infância
“Uma criança que vê dentro de casa um homem que também é cuidador, que divide tarefas domésticas, que é um homem equitativo, a tendência é que ela seja um adulto mais equitativo também. Da mesma forma que se a criança aprende que os seus conflitos são mediados pela violência, ela vai agir de forma violenta. É importante a gente ver que paternidade também tem a ver com segurança pública”, afirma Marco Aurélio Martins, do Instituto Promundo, que fala sobre a relação entre a promoção da paternidade e segurança pública.
“Hoje não é esperado dos homens que eles assumam um papel de cuidado das crianças, e é importante quebrar esse paradigma. Se a criança, por exemplo, fica na creche, e ligam porque a criança se machucou ou está com febre, sempre vão ligar pra mãe, e acham que é a mãe quem tem que ir buscar.  Não é esperado do pai que ele largue a sua jornada de trabalho para fazer essa tarefa. Mas é esperado da mãe, inclusive com vários julgamentos morais”, diz Heloiza Egas, da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, que fala sobre cultura machista e a importância de se desnaturalizar o cuidado.
“Eu acredito que o maior empecilho ao exercício da paternidade e do cuidado pelos homens é a licença-paternidade tão curta.  É a legislação, que coloca de uma forma muito clara que o cuidado das crianças é algo feminino, um prazer muito grande, mas uma grande responsabilidade e trabalho também, e que poderiam ser compartilhados com os homens”, afirma Daniel Costa Lima, psicólogo e mestre em saúde pública, que fala da curta licença-paternidade como um dos obstáculos à promoção da paternidade.
“O movimento feminista conseguiu muito êxito em fazer com que as mulheres ocupassem o espaço público no mercado de trabalho, na política, na cultura e na educação, mas ainda falta o movimento dos homens se voltarem mais para o espaço doméstico, para compartilhar o cuidado das crianças”, afirma Mariana Azevedo, do Instituto Papai, que fala das relações entre o feminismo, a luta pela igualdade de gênero e a promoção da paternidade.
“Existe uma relação muito forte entre a participação do pai na vida das crianças e a redução das desigualdades. A participação do homem na vida das crianças impacta a vida da menina e do menino, da família, e vai mais além, impacta a cidade”, afirma Luciana Phebo, da Plataforma de Centros Urbanos do UNICEF,  que fala sobre o impacto positivo da participação do pai na vida dos filhos.
“A experiência de ser pai na minha vida foi revolucionária. Quem trabalha com direitos humanos e de infância sempre reivindica e defende direitos de outros.  E desde o nascimento da minha filha, o discurso dos direitos humanos passou a ter insônias, a acordar de uma maneira muito mais atenta para defender direitos de crianças de zero a três anos é urgente, porque cada dia na vida dessa criança tem um impacto gigantesco”, diz Fabio Paes, da Aldeias Infantis SOS Brasil e atual presidente do Conanda, que aborda sua experiência como pai e defensor de direitos humanos.
“A intensidade de ouvir um homem dizendo ‘Eu quero ter o direito de participar’ nos faz revisitar experiências pessoais. Eu fico pensando em quantos momentos, como mãe, não deixei o pai participar do cuidado das crianças, e o quanto foi importante o movimento do pai dizer ‘Sim, eu quero participar’, diz Angelita Herrmann, do Ministério da Saúde, que fala sobre a importância de se repensar as práticas de cuidado, tanto no campo pessoal como na formulação das políticas públicas.
GT Homens pela Primeira Infância
Um dos oito Grupos de Trabalho da Rede Nacional Primeira Infância é o GT Homens pela Primeira Infância, que reúne organizações de diferentes estados brasileiros que atuam na promoção do cuidado paterno. Uma das realizações do GT foi o I Seminário Nacional Paternidade e Primeira Infância, que aconteceu no Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de agosto de 2015, que produziu um “Relatório Técnico”, que sistematiza relato dos debates e apresentações, e com recomendações aos gestores públicos sobre o tema. O relatório está disponível para download gratuito em: http://primeirainfancia.org.br/wp-content/uploads/2015/12/RNPI-CECIP_seminario-nacional-2015.pdf
O GT Homens pela Primeira Infância é integrado pelas organizações: Instituto Papai, Instituto Promundo, Aldeias Infantis SOS Brasil, Área Técnica de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), Comitê Vida da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Plan Brasil, e Portal Aleitamento.com.
Rosa Maria Mattos
Assessora de comunicação da Rede Nacional Primeira Infância

Mulheres indianas poderão assumir postos de combate em guerras

Elas vão poder ocupar qualquer posição no Exército, na Marinha e na Aeronáutica.
POR Camila Almeida ATUALIZADO EM 25/02/2016
mulher indiana exército
Divulgacao_indianarmy
Elas vão à guerra. O governo indiano anunciou que as mulheres vão poder ocupar postos de combate em qualquer uma de suas Forças Armadas. De acordo com o presidente Pranab Mukherjee, segundo o jornal Al Jazeera, a medida é um movimento radical pela igualdade de gênero, num universo que é completamente dominado por homens.
A Índia possui um dos maiores exércitos do mundo - e resistiu por um bom tempo até decidir que mulheres poderão ser recrutadas para qualquer cargo. As preocupações tinham a ver com a maior vulnerabilidade física feminina, que traria maiores riscos à segurança das combatentes, caso elas fossem capturadas. Mas as ponderações foram derrubadas. Hoje, elas já ocupam posições de alto risco como a de pilotas de aeronaves de guerra.
A maioria dos países convoca mulheres apenas para cargos médicos. Apenas uma pequena parcela, que conta com Estados Unidos, Austrália, Alemanha e Israel, admite que elas tenham outros cargos nas Forças Armadas.
Na Índia, mulheres começaram a assumir posições que iam além dos hospitais em 1992, quando apenas 2,5% dos mais de 1 milhão dos cargos oficiais tinham presença feminina. Há mais de 20 anos, as indianas já tinham posições de administração e estratégia. 
As ativistas por direitos iguais de gênero no país comemoram as investidas do presidente, mas acreditam que o processo de inclusão das mulheres nas Forças Armadas vai ser lento e gradual. 

Matrix foi dirigido por duas mulheres trans

Lilly e Lana Wachowski também são responsáveis por obras como "O Destino de Jupiter" e "A Viagem"
POR Felipe Germano ATUALIZADO EM 09/03/2016
Neo
Montagem sobre reprodução | Warner
Matrix é uma das mais relevantes franquias hollywoodianas que surgiram nas últimas décadas. Foi sucesso de crítica, com 87% de aprovação no Rotten Tomatoes, e rendeu comentários como "Um filme incrivelmente tecnológico que faz o gênero avançar", feito por David Hunter, crítico do Hollywood Reporter. Também estourou nas bilheterias. A franquia rendeu 1,6 bilhão de dólares mundialmente, e garantiu alguns recordes no meio do caminho, como maior bilheteria para um filme com censura máxima (por Matrix: Reloaded, ao arrecadar mais de U$ 280 milhões só nos Estados Unidos). Agora foi revelado que os filmes - assim como a série Sense8, os longas Speed Racer, A Viagem e o roteiro de V de Vingança - foram dirigidos por duas mulheres trans.
Em comunicado publicado pelo jornal Windy City Times (que se dedica ao público LGBT de Chicago) Lilly Wachowski, antes conhecida como Andy, revelou ser uma mulher trans. "Sim, eu sou transgênero [...]. Me identifiquei para meus amigos e família. Para a maioria das pessoas do trabalho também. Todo mundo está tranquilo com isso. Sim, graças a minha irmã fabulosa, eles já passaram por isso, mas também porque são pessoas fantásticas. Sem o amor e apoio da minha esposa, amigos e família, eu não estaria onde estou hoje", afirmou. Em 2012, sua irmã, Lana, já havia ido a público afirmar que se identificava como mulher.
A decisão, no entanto, não partiu da vontade de Lilly compartilhar fatos sobre sua vida pessoal. A cineasta foi surpreendida por um jornalista do tablóide inglês Daily Mail, que descobriu sobre a transexualidade de Lilly, e revelou que iria escrever um artigo sobre o assunto. Pelo relato da cineasta, não lhe foi dada a opção de vetar a publicação. A matéria sairia com ou sem o aval da cienasta. "Quando você está vivendo como uma pessoa transgênero, é difícil de esconder. Eu só queria - precisava de um tempo para colocar a cabeça no lugar, para me sentir confortável. Mas, aparentemente, não sou eu que decido isso", afirmou.
Lilly sabia que hoje, viver como trans é uma guerra tão grande quanto a de Neo contra as máquinas. "Ser transgênero não é fácil. [...] Significa que você tem que encarar a dura realidade de viver o resto da sua vida em um mundo que é abertamente hostil a você", disse. Mesmo entre os fãs da série, há indícios misóginos, como textos de masculinistas (grupo de homens que afirmam ser oprimidos por mulheres), que fazem constante referência ao termo "sair da Matrix" - significando perceber a tal "perseguição aos homens". A revelação das diretoras talvez ajude mais pessoas a entenderem um pouco sobre a realidade trans - da mesma forma que Neo percebeu a realidade ao tomar a pílula vermelha.

Brinquedos “de menina” afastam as garotas da ciência

Classificação de brinquedos "para meninos" e "para meninas" estimulam a curiosidade dos rapazes e escanteiam as garotas
POR Pâmela Carbonari ATUALIZADO EM 23/03/2016
Os estereótipos de gênero começam cedo na vida. Mesmo antes do bebê nascer, os pais pintam o quarto de rosa se vier uma menina ou de azul, caso venha um menino. Quando a cor não identifica o sexo do bebê, as roupinhas, os brinquedos e os enfeites do quarto entregam e assim começa a segregação. Cor de menina, brinquedo de menino, roupa de menina, modos de menino...
Não há dúvidas sobre a interferência desses estereótipos precoces na construção da identidade de gênero, o que acaba influenciando também nas escolhas profissionais. Isso ajuda a explicar um pouco porque as mulheres não são tão presentes na ciência quanto os homens.
Discriminados na maternidade
O lugar das mulheres dentro dos laboratórios começa a ser cerceado ainda na infância. E o dos homens, incentivado.
Para a professora de física experimental e conselheira da Universidade de Cambrigde, Athene Donald, os brinquedos sexistas fecham as portas da ciência na cara das mulheres. Segundo ela, Barbies, panelinhas, bonecas e a maioria dos brinquedos tidos como "femininos" não instigam a criatividade, o senso crítico e o desenvolvimento de habilidades motoras. Pelo contrário, são objetos atrelados à passividade, à vaidade e à subserviência.
Já brinquedos "de menino", como Legos, carrinhos, jogos de química, maletas de mecânico, dão mais oportunidades para a criança ficar exposta a brincadeiras que envolvam ciência e engenharia - e, claro, aumentam as chances de ser influenciada por esses conhecimentos desde cedo.
"Precisamos mudar a mentalidade dos pais e professores. O problema de como induzimos estereótipos de gênero em nossos filhos começa incrivelmente cedo. Tem gente que acha que o que uma criança faz aos quatro anos é irrelevante para suas escolhas futuras, mas não é", afirma Donald, que também é vencedora do prêmio L’Óreal-UNESCO para mulheres em ciência.
Um estudo da Universidade de Washington reforça a teoria de Donald: antes mesmo de aprender as operações de divisão e multiplicação, as crianças já acham que "matemática é para meninos".
A pesquisa, conduzida pelo psicólogo Andrew Meltzoff, especialista em desenvolvimento infantil e co-diretor do Instituto de Aprendizado e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington, mostra que o estereótipo de que as ciências exatas são para meninos aparece antes do 2º ano do ensino fundamental.
Um grupo de 247 crianças de 1ª a 5ª série participou de testes que associavam matemática e gênero. Foram avaliados três aspectos: identidade de gênero (se a criança se identifica como feminino ou masculino), associação da capacidade matemática a gênero e autoavaliação sobre habilidades matemáticas.
Em um dos testes, foi pedido às crianças que combinassem quatro tipos de palavras: nomes de meninos, nomes de meninas, palavras relacionadas à matemática e palavras comuns.
Como esperado, a maioria das crianças - tanto meninos como meninas - associou os termos matemáticos a nomes de meninos. Além disso, no teste de autoavaliação, mais meninos do que meninas se declararam identificados com perfil matemático.

E se as princesas da Disney tivessem corpos normais?

Campanha publicitária de uma marca de lingerie acaba com a cinturinha fina, as pernas longas e os braços magrelos das princesas: veja as ilustrações.

POR Helô D'Angelo ATUALIZADO EM 23/03/2016

Sabe aquele corpinho impossivelmente magro das princesas da Disney? Esqueça: a marca inglesa de lingerie Curvy Kate deu um banho de realidade nas protagonistas das animações para deixá-las mais normais. A empresa, famosa por criar lingeries para o público plus size(ou, pelo menos, para mulheres que não vestem tamanho zero), postou a brincadeira no seu blog. Afinal, ninguém que esteja vivo e respirando bem consegue ter uma cintura naturalmente mais fina que o próprio pescoço. Confira:

Mais curvas
"A gente achou que a Bela ficou incrível com esse corpo", escreveu a marca no blog. A gente concorda. Arrasou.
Mais cor, por favor
Pele branca como a neve, lábios vermelhos como o sangue, cabelos… turquesa! Isso mesmo, e com direito a tatuagem, piercing e sutiã combinando. 
Pra marcar
Quem disse que mulher tatuada não é maravilhosa? A Jasmine aparece cheia de desenhos lindos para mostrar que o corpo é dela - e que é ela que decide o que fazer com ele. 
Atlética
A Pocahontas ganhou mais espaço para os órgãos abdominais e pernas mais musculosas do que finas. Ainda bem! Imagina sobreviver na América colonial com aquele tipo físico? Não dá.
Tchau, padrão chato!
A Tiana agora pode andar sem medo das pernas finíssimas (e anatomicamente impossíveis) quebrarem com o peso de um corpo humano normal. E a cintura, que antes tinha quase a mesma grossura que o pescoço, agora é fisicamente possível. 
Pele real
A Aurora tem celulite e dobrinhas… Grande coisa. Ela também tem essa langerie lindíssima (será que ela muda de cor do azul para o rosa que nem o vestido faz no filme?).

As leis mais misóginas do mundo

Pelo menos 44 países desfavorecem as mulheres em suas constituições; conheça as leis mais sexistas do mundo.
POR Helô D'Angelo EDITADO POR Carol Castro ATUALIZADO EM 25/03/2016
machismo
Istock/Juanmonino
Muita gente diz que a desigualdade de gênero não existe mais, que machismo é coisa do passado. Seria bom se fosse assim, mas isso não é verdade. No mundo inteiro, ainda existem leis que discriminam mulheres das mais diversas formas - desde a culpabilização da vítima em casos de estupro e abuso até a proibição de ações simples, como dirigir ou usar calças compridas. 
Era mesmo para ser um papo ultrapassado. Há 20 anos, 189 países assinaram uma plataforma das Nações Unidas chamada Beijing Platform for Action, com o objetivo de discutir e revogar leis que se baseassem em gênero. No entanto, desde então, só metade deles conseguiu diminuir parcialmente o sexismo de suas constituições. Para lutar contra isso, a ONG Equality Now criou uma lista das leis mais absurdas que estão em vigor até hoje. Conheça alguns dos países que perpetuam o machismo de forma constitucional. 
Onde quem manda é o marido
Casamento no Sudão só se um guardião legal permitir. Sem a permissão dele, mulher nenhuma pode se casar. Depois do casório, a "guarda" da mulher passa ao marido - e deve obediência a ele. 
Assim como as esposas do Yêmen. A lei por lá obriga as mulheres a satisfazer seu marido na cama, quer ela queira ou não, quando ele desejar. É ele também quem decide qual o caminho professional sua esposa vai seguir.
A coisa complica ainda mais em outros países. Na Nigéria, o marido pode bater na esposa para "corrigi-la". No Afeganistão, as mulheres só saem de casa se o marido permitir. Na República do Congo, elas só podem assinar contratos, seja para contratar um serviço telefônico ou alugar uma casa, se o marido estiver presente. O mesmo acontece na Nicarágua, em Guiné e em Mali.
Em Mali, aliás, a mulher precisa esperar três meses para se casar após o divórcio ou falecimento do marido. Já os homens podem se casar outra vez quando quiserem. No Japão, esse espaço obrigatório entre um casamento e outro é de seis meses. 
Por falar em divórcio, em alguns lugares, como Israel, esse direito é garantido apenas aos homens. Na Argélia elas até conseguem pedir a separação, desde que paguem uma grana a eles.
Onde a lei define o emprego das mulheres
Existem até constituições que definem quais empregos uma mulher pode ou não aceitar. Na China, elas não podem trabalhar na mineração - é proibido a elas fazer muito esforço físico. A Rússia tem uma lista com 456 tipos de trabalho que as mulheres não podem realizar, também ligados à capacidade física. Em Madagascar, as mulheres não podem trabalhar à noite, só em "estabelecimentos familiares". 

Onde feminicídio tem pena menor
"Crimes de honra" são aqueles realizados para "limpar a honra" de um homem traído. Pode até parecer uma coisa medieval, mas ainda existe - e com pena relativamente branda em alguns países. Na Síria, um homem que mata a sua esposa, mãe ou irmã por ter descoberto um "ato ilícito" ou imoral pode pegar, no máximo, sete anos de prisão. No Egito, homens recebem penas menores quando os assassinatos são pela honra do que por qualquer outro crime grave. 

Onde a palavra da mulher vale menos que a do homem
No Irã, assim como no Paquistão, o testemunho de uma mulher vale pelo menos do que o do homem. Qualquer crime deve ter pelo menos duas testemunhas masculinas para que o testemunho seja válido. Em casos de zina (crime de sexo fora do casamento), livat, tafkhiz, ou  musaheqeh (formas criminosas de relação homossexual), deve haver quatro homens testemunhas. 

Onde a mulher não pode dirigir ou usar determinadas roupas  
Na Arábia Saudita, mulheres não podem nem sequer tirar licença para dirigir. É que, assim, com essa liberdade toda, seria mais fácil para elas se encontrarem com homens de forma privada (um crime chamado de "khilwa") ou abandonarem o hijab (véu islâmico). E se isso acontecesse, o número de estupros poderia aumentar - por culpa delas, claro.

No Sudão, o problema é outro: as mulheres muçulmanas podem ser condenadas ao chicote por usarem calças, que são consideradas roupas indecentes. Esses tipos de proibição são formas de culpabilizar a mulher, e não o homem, por abusos e até por estupros.
Onde o estupro é aceitável
Em vários países, o estupro não é punido em algumas situações. Em geral, isso acontece quando o marido é o agressor. Nas Bahamas, por exemplo, um homem pode ter relações sexuais sem consentimento com sua esposa, se ela for maior de 14 anos - em Singapura e na Índia, a lei é similar, mas as idades mínimas são 13 e 15 anos, respectivamente.

Outra situação comum é a punição ser revogada ou minimizada se o estuprador se casar com a vítima após o ato: no Líbano, a lei simplesmente ignora o crime quando o agressor pede a mulher em casamento, mesmo em casos em que o estupro vem combinado com sequestro. Em Malta, assim como na Palestina, a pena do estuprador é diminuída se ele tiver a intenção de se casar com a vítima, e anulada se o casamento for realizado.