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domingo, 30 de outubro de 2016

Facebook reforça ferramentas para combater o Bullying

Por 

O Facebook é o lugar em que as pessoas compartilham momentos importantes com amigos e familiares. Por isso, existe a necessidade de desenvolver serviços e ferramentas que ofereçam controle e segurança para que todos se se sintam seguros na plataforma.

Com isso em mente, está sendo atualizada a Central de Segurança e também o Centro de Prevenção ao Bullying, além de colocá-lo disponível em mais de 45 idiomas ao redor do mundo. Entre as novidades dos conteúdos estão vídeos que explicam as políticas e ferramentas mais importantes da rede com uma nova interface, mais amigável e repaginada, cujo objetivo é otimizar a navegação tanto na web como em dispositivos móveis.

As versões atualizadas da Central de Segurança e do Centro de Prevenção ao Bullying já estão disponíveis para os brasileiros, em português, a partir de hoje (24).

Mantendo a Segurança no Facebook

E para aproveitar essa atualização, a empresa compartilhou 5 recomendações de segurança na plataforma:

1. Iniciar o Facebook de modo seguro
As aprovações de login são modos mais seguros de proteger sua conta dos hackers. Quando acessar o Facebook em um novo computador, dispositivo móvel ou navegador, a plataforma solicitará um código que será enviado para o seu telefone celular. Assim, é possível verificar se você é a pessoa que está acessando a conta.
Essa função pode ser ativada na área de configurações de segurança, em “Aprovação de Login”. 

2. Quando tiver acesso a um conteúdo que não deva estar no Facebook, denuncie!
Se encontrar algum conteúdo abusivo, prejudicial ou que considera que não deva estar no Facebook, denuncie por meio das ferramentas que encontram-se na flecha do canto superior esquerdo em todos os conteúdos postados no Facebook. A equipe global trabalha 24 horas, nos 7 dias da semana, para analisar as denuncias e retirar da plataforma todo conteúdo que viole os Padrões da Comunidade. Todas as denúncias são anônimas e jamais serão compartilhadas com alguém as informações dos usuários que a fizerem. Para saber o status da sua denúncia, clique no botão de ajuda.

3. Determine com quem quer compartilhar suas informações
A ferramenta de Seleção de Público permite selecionar quem verá suas publicações e atualizações. Existe a opção de compartilhar com todo mundo, somente amigos ou selecionar uma lista personalizada. É possível também trocar o público de uma publicação depois que o conteúdo já foi ao ar. Para isso, basta clicar no ícone de públicos do post e selecionar a opção desejada. É importante lembrar que quando compartilhar uma informação no mural de outra pessoa ela é quem decide quem poderá acessá-la. Além disso, qualquer pessoa marcada na publicação pode selecionar os públicos que podem vê-la.

4. Verifique quem pode lhe marcar nas publicações
Você pode analisar os conteúdos em que foi marcado ou marcações de pessoas em suas publicações no Facebook. A opção “Análise de Marcações” permite aceitar ou declinar as marcações que outras pessoas fizerem em suas publicações. Também há uma opção chamada “Revisão de Biografia”. Quando ativada, nenhuma publicação será publicada no seu mural sem que você aprove. É possível ativar qualquer uma dessas opções em Configuração de Conta. 

5. Faça uma revisão de suas configurações
Existem ferramentas simples para comprovar a segurança de sua conta e de sua configuração de privacidade. Essa é uma maneira rápida de assegurar que sua conta está segura e suas publicações só estão sendo compartilhadas com quem deseja.

sábado, 29 de outubro de 2016

Campanha poderosa derruba “verdades” sobre cabelos cacheados

“Com esse cabelo você não vai ser contratada”, “não, não é pintando o seu cabelo crespo que vai ficar bonita”, “você é negra, não pode ter cabelo loiro”, “você tem os traços tão finos, pra que usar os cabelos crespos?”. Compilando frases desaforadas e preconceituosas ouvidas todos os dias por milhares de mulheres, a Garnier, marca do Grupo L´Oréal, estreia a campanha “Verdades”, criada pela Publicis. O objetivo é promover a primeira coloração exclusiva do mercado para mulheres cacheadas: Nutrisse Creme Cachos Poderosos.  
O lançamento oficial do produto acontece nesta semana, durante a edição SPFW transN42 do São Paulo Fashion Week, com uma ação que representará as cacheadas ocupando seus espaços, seja nas prateleiras, nas ruas ou mesmo nas passarelas. Em seguida, a campanha continua no ambiente digital e tem previsão de chegar à TV em novembro.
No webfilme, mulheres cacheadas como as atrizes Lucy Ramos e Lellêzinha, porta-vozes da marca, e consumidoras reais derrubam “verdades” que ouvem diariamente.
“Lançar Nutrisse Creme Cachos Poderosos é um marco no mercado brasileiro de coloração. Estamos dando voz a 48 milhões de mulheres hoje que não se veem representadas nesse universo, nem na publicidade e muito menos nas gôndolas”, afirma Camila Ribeiro, gerente de Grupo Coloração Garnier.

Centauro surpreende mulheres sem tempo com esporte no meio do dia

A falta de tempo é o maior adversário do esporte. A partir dessa percepção, a Centauro, multicanal de varejo de produtos esportivos, apresenta ação para incentivar mulheres muito atarefadas a abrirem espaço na agenda para cuidarem de si mesmas. Criado pela Publicis Salles Chemistri e totalmente voltado para o ambiente digital, o projeto está alinhado ao movimento Outubro Rosa, que promove a conscientização em torno da saúde da mulher.
No webfilme veiculado no Facebook, três mulheres relatam suas verdadeiras histórias, ressaltando a dificuldade que encontram para se dedicar a uma atividade física. “Minha rotina é bastante apertada”, explica a psicóloga Ana Queiroz. Em seguida, uma suposta cliente tenta marcar um horário na agenda dela, da empresária Thalassa Lein e da produtora Paula Tartaroti – que também foram surpreendidas pela ação - afirmando se tratar de uma reunião de trabalho.
Quando as três chegam ao local da reunião são pegas de surpresa ao perceberem que o local é, na realidade, uma sala de treinos funcionais. Ainda que relutantes no início, o trio aceita experimentar. “É possível sim você se organizar e encaixar um treino no meio do dia”, conclui Ana. Ao final do filme, a Centauro deixa uma mensagem ao público feminino, com a seguinte assinatura: “Nenhum compromisso é mais importante do que cuidar da sua saúde. Reserve mais tempo para o esporte em sua vida”.
Confira abaixo no filme como o dia dessas mulheres mudou de maneira inesperada:

De quem é a culpa nos crimes contra a dignidade sexual no meio virtual e físico?

Atualmente, é possível observar uma forte relação entre o mundo físico e o virtual, pois o acontecimento em uma esfera pode gerar reflexos na outra, assim como um ato ilícito concretizado no mundo físico pode gerar reflexos no virtual e vice-versa.
Dessa forma, verifica-se que existe um ciclo orgânico entre as duas realidades, de tal forma que há uma verdadeira relação de influência entre ambas. Exemplificando, um caso de revenge porn, ato ilícito praticado exclusivamente no meio virtual, pelo qual alguém dissemina fotos íntimas de seu parceiro ou ex-parceiro para fins de vingança, pode gerar reflexos no mundo físico, ou seja, danos de ordem moral e material, reflexos psicológicos na vítima etc., da mesma forma que o crime de estupro, previsto no artigo 213 do Código Penal, apenas possível no meio físico, pode gerar reflexos no meio virtual, como no caso de ser filmado e exposto na rede.
Notadamente nos crimes contra a dignidade sexual, cujas vítimas em sua maioria são mulheres, a interconexão entre o mundo off-line e on-line é muito intensa. É comum que efeitos de um ato ilícito, praticado exclusivamente no âmbito virtual, se estendam para diversos aspectos da vida de um indivíduo, afetando suas relações pessoais, profissionais e familiares.
A título ilustrativo, recentemente foi divulgada uma pesquisa pelo Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), na qual foi constatado que um em cada três brasileiros concorda com a frase “a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”. Referida frase, bem como o número alarmante de pessoas que concordam com ela, é apenas reflexo de uma sociedade que possui o pensamento de culpa da vítima e, principalmente da mulher, enraizada em seu âmago.
Nesse sentido, uma pessoa que já foi prejudicada por ter sua intimidade exposta no meio virtual passa a ter, além disso, sua posição de “vítima” questionada em seu círculo social, intensificando seu constrangimento decorrente dos fatos danosos.
Tal situação pode ter desdobramentos ainda mais severos na hipótese de um ilícito, concretizado no plano físico, sair da intimidade e privacidade da pessoa ofendida e alcançar publicidade no meio virtual. Isso porque há a real possibilidade da situação se tornar viral, desdobrando seus efeitos e intensificando a gravidade da ofensa sofrida.
Um exemplo clássico que pode ser mencionado é o da mulher que, com base numa expectativa de confiabilidade natural de relacionamentos amorosos, envia fotos íntimas para seu parceiro. Sendo que este, após o término da relação, compartilha fotos com amigos em comum, familiares e até mesmo colegas de trabalho, o que certamente acarretará inúmeros danos nessas esferas.
Essa dialética entre as realidades virtual e física pode ser melhor visualizada com base em um recente exemplo que comoveu o país, quando uma jovem menor de idade foi filmada durante a prática forçada de atos sexuais, tendo sua intimidade e sua imagem expostas, assim como sua reputação questionada e seu passado revirado por terceiros.
Ademais, um dos prejuízos experimentados pela pessoa ofendida, nesse contexto virtual, é que o ilícito pode passar a ser compartilhado pelos usuários, potencializando a ofensa à sua dignidade sexual, imagem e honra, o que torna a reparação ou a superação do fato quase impossível, uma vez que tal conteúdo é difícil de ser completamente removido da internet.
Nesse sentido, a partir do momento em que o ato ilícito se torna viral e a identidade da pessoa ofendida passa a ser pública, verifica-se um fenômeno de exposição, no qual milhares de usuários, usualmente anônimos e que não possuem conhecimento aprofundado dos fatos ou dos indivíduos envolvidos, sentem-se confortáveis para proferirem juízos de valores, unindo-se para formar uma espécie de “tribunal da inquisição”, que objetiva unicamente confirmar um veredicto já alcançado.
Nesse contexto, influenciados pelo pensamento de que usualmente há uma participação ativa da vítima para o acontecimento do ilícito relacionado a vazamento de imagens íntimas, muitos usuários passam a sabatinar sua vida pessoal e privada, criando uma ficta identidade virtual que muitas vezes se sobrepõe a identidade real do ofendido, gerando inúmeros efeitos colaterais na esfera física.
Não suficiente, muitas vezes, tal fenômeno contribui para o cometimento de outras práticas que, igualmente, violam direitos da pessoa ofendida, na medida em que os comentários e postagens proferidos no meio virtual, aparentemente cobertos com o véu da liberdade de expressão, na verdade se configuram atos ilícitos, com reflexos tanto na esfera cível quanto penal.
Exemplificando, um comentário que atinja a honra ou a reputação da pessoa ofendida, em tese, pode configurar os crimes de calúnia, injúria e difamação, previstos nos artigos 138 a 140 do Código Penal. Além disso, é possível observar uma crescente preocupação da sociedade a respeito do comportamento lesivo e leviano de usuários da internet, motivo pelo qual há um movimento de tipificação de tais condutas, como se verifica da aprovação da Lei 13.185/2015, que visa combater o cyberbullying, e o Projeto de Lei 5.555/2013, atualmente em trâmite junto à Câmara dos Deputados, que objetiva alteração na Lei Maria da Penha, tipificação específica para o caso de compartilhamento de imagens íntimas por parte de companheiro em ato de revenge porn.
Entretanto, as pessoas ofendidas que sofrem em decorrência desse comportamento, ainda que excessivo e ofensivo, nem sempre buscam o auxílio das autoridades, principalmente quando as vítimas são mulheres.
Isso ocorre porque, apesar de ser possível verificar um movimento de maior sensibilidade com relação ao assunto, como a sanção da Lei Maria da Penha e a criação de delegacias de defesa da mulher, verifica-se ainda muita falta de sensibilidade na condução desses casos, especialmente em razão de pré-julgamentos, pelos quais a vítima, por vezes, passa a ser vista como ré.
Embora o Código Penal, no artigo 59, efetivamente elenque como um dos parâmetros para fixação da pena a análise do comportamento da vítima, muitas vezes se observa um excesso nessa verificação; isso porque o comportamento a que se refere o caput do artigo deve ser o do momento do fato, entretanto, o que se verifica é o levantamento de um verdadeiro dossiê da vida da vítima, no que muitas vezes parece ser uma tentativa de minimizar a gravidade da conduta ilícita, bem como justificar a ocorrência do crime.
O principal efeito nesse contexto é que muitas vítimas, sentindo-se julgadas e culpadas pelos próprios prejuízos sofridos, optam por não oferecer denúncias ou tentar responsabilizar os verdadeiros agentes dos ilícitos porque temem que a situação, já constrangedora, se intensifique.
A estigmatização da mulher aliada ao constrangimento social imposto pela repercussão da divulgação dos ilícitos por meio da internet e as dificuldades inerentes da investigação destes casos, contribuem para que se crie um movimento que silencia a vítima, colaborando com a impunidade daqueles que são os verdadeiros responsáveis pela situação.
O silenciamento das pessoas ofendidas configura obstáculo tanto à identificação quanto à responsabilização dos agentes dos ilícitos perpetrados, criando óbice à criação de um ambiente onde temas de tal gravidade possam ser discutidos abertamente com o objetivo de desconstruir estigmas acerca do conceito de eventual culpa da vítima, que na verdade inexiste na grande maioria destes casos.
Nesse sentido, faz-se necessária a promoção da conscientização sobre o direito da mulher de exercer a sua liberdade para compartilhar sua intimidade, não sendo razoável a sua responsabilização quando terceiro, quebrando a expectativa de confiança, desrespeita essa liberdade ou se sente no direito de violá-la.
Afinal, de quem é a culpa? A culpa é daqueles que violam direitos alheios, disseminam e compartilham conteúdos ilícitos, e não daqueles que recebem o estigma de culpados devido a uma cultura enraizada na sociedade de culpar a própria vítima pelo ilícito sofrido. Em um mundo cada vez mais sem fronteiras e nem barreiras, com interdependência entre os meios físico e virtual, independentemente de onde ocorram as violações, os danos sempre irão refletir na vida das vítimas como um todo, e elas precisam ser amparadas e protegidas por todos nós.
Gisele Amorim Zwicker é advogada especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual no Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados Associados.
Maria Cecília Oliveira Gomes é advogada especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual no Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados Associados, pós-graduanda em Propriedade Intelectual e Novos Negócios na FGV e membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP.

Revista íntima sem abuso em presídio não invalida prova, decide TJ-RS

Se a revista íntima foi feita por policiais mulheres e sem abuso, as provas materiais coletadas em mulher que tenta entrar no sistema prisional com drogas escondidas em seu corpo são lícitas. Isso porque o direito à intimidade não é absoluto quando confrontado com o direito social à segurança pública.
Com este entendimento, o 2º Grupo Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por maioria, manteve a condenação de uma mulher que tentou entrar com drogas na Penitenciária Estadual do Jacuí, no município de Charqueadas, a segunda maior do estado.
Ela trazia em suas partes íntimas um invólucro contendo 68g de maconha e uma pedra de crack pesando 43g. Com a confirmação da sentença, a ré foi condenada à pena de 2 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão, além de multa. A pena privativa de liberdade foi substituída por restritivas de direitos.
O caso chegou até o colegiado — que pacifica a jurisprudência na 3ª e 4ª Câmaras Criminais — depois que a ré pediu, em Apelação, a prevalência do voto minoritário que a absolvia por falta de provas, diante da suposta ilicitude do ato de revista íntima, que teria “contaminado” a prova colhida.
Prevaleceu a divergência aberta pelo desembargador Ingo Wolfgang Sarlet, afastando a preliminar de que a prova era ilícita. Ele destacou que ninguém tocou nas partes íntimas da mulher, já que ela mesma tirou as drogas de dentro de si. Segundo apontou, ela estava ciente de que se submeteria à fiscalização se entrasse no estabelecimento prisional.
Para Sarlet, além de não haver comprovação da prática de coação física ou moral, as normas para selecionar quem passaria pela revista íntima, baseadas em escolha aleatória das mulheres visitantes, estão de acordo com o artigo 244 do Código de Processo Penal. Afinal, no ambiente prisional, é expressamente proibida a entrada de alguém portando drogas ilícitas.
Citando precedentes do Supremo Tribunal Federal (MS 23.452/RJ) e do Superior Tribunal de Justiça (HC 328.843/SP), ressaltou que os direitos fundamentais à integridade física e psíquica e à intimidade não são absolutos. Reiterou que não se pode considerar o direito à intimidade superior ao da segurança pública, em uma suposta hierarquia normativa, porque essa não existe entre normas-princípios.
“Se assim fosse, qualquer cidadão poderia utilizar-se de tal entendimento para cometer atos ilícitos. Há, sim, que falar em medida de proteção suficiente a possibilitar a incidência do direito fundamental à segurança pública, no caso concreto, por compreender necessária, adequada e apta a ocasionar menos prejuízos à esfera de direitos fundamentais envolvidos, o que demanda que o direito à intimidade da acusada possa ser mitigado sem configurar violação insuperável à dignidade humana dessa”, escreveu.
Embargos infringentes
O relator dos Embargos Infringentes, desembargador João Batista Marques Tovo, se alinhou aos fundamentos de Diógenes Hassan Ribeiro, da 3ª Câmara Criminal, que havia entendido que a “prova colhida” não tinha valor, em razão do ato degradante a que foi submetida a visitante.

Na ocasião, Hassan entendeu que caracteriza violação à dignidade humana a revista corporal íntima sem prévia submissão a outros métodos de revista não invasivos ou a existência de fundada suspeita sobre a pessoa. “No caso, a desconfiança levou imediatamente à realização da revista vexatória, não havendo notícia nos autos de que tenham sido utilizados meios de detecção de drogas menos invasivos à dignidade da ré. E isso vem em seu socorro”, ponderou.
Conforme Tovo, não há norma que autorize, nem de modo implícito, a revista íntima, com exposição do corpo nu. Segundo ele, a Resolução 9/2006 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) veio a coibir excessos, determinando que a “revista manual deverá preservar a honra e a dignidade do revistando”. Nela, não se permite, sequer, a revista íntima. No mesmo sentido, a Resolução 5 do CNPCP proíbe a realização de qualquer revista vexatória, desumana ou degradante. Por fim, a Lei 13.271/2016 proíbe qualquer forma de revista íntima de pessoa do sexo feminino.
Clique aqui para ler o acórdão.
 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio Grande do Sul.

Reconhecida legitimidade de herdeiro testamentário para investigação de paternidade

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) favorável ao prosseguimento de uma ação de investigação de paternidade após a morte do autor, que foi sucedido pelo herdeiro testamentário.
O autor da ação pleiteava o reconhecimento de seu pai biológico e, por consequência, a anulação da partilha de bens feita entre os irmãos. No decorrer da ação, o autor faleceu, deixando apenas um herdeiro testamentário, que buscou a substituição do polo ativo para prosseguir com o processo.
No STJ, os herdeiros que receberam a partilha tentaram reverter a decisão do TJSC que considerou a substituição processual legítima. Para os recorrentes, a substituição não seria possível, tendo em vista o caráter personalíssimo da ação de investigação de paternidade.

Sem impedimento
No entanto, de acordo com o ministro Marco Aurélio Bellizze, relator do recurso, a substituição processual foi legítima.
“Tendo ocorrido o falecimento do autor após o ajuizamento da ação, não há nenhum óbice a que o herdeiro testamentário ingresse no feito, dando-lhe seguimento, autorizado não apenas pela disposição de última vontade do de cujus quanto à transmissão de seu patrimônio, mas também pelo artigo 1.606 do Código Civil, que permite o prosseguimento da ação de investigação de paternidade pelos herdeiros, independentemente de serem eles sucessores pela via legítima ou testamentária”, argumentou o ministro.
Os ministros consideraram que o objetivo do herdeiro testamentário é o prosseguimento na ação de investigação de paternidade e a participação na herança. Para a Terceira Turma, a situação delineada nos autos não retira do herdeiro testamentário o interesse de agir.

Prescrição
Outro argumento rechaçado pelos ministros foi quanto à prescrição do direito de ingressar com a investigação de paternidade. Para eles, o fato de o autor da ação ter 56 anos quando ingressou com o feito não impede a obtenção dos efeitos sucessórios na herança, tendo em vista o caráter imprescritível da ação de investigação de paternidade.
O ministro Bellizze lembrou ainda que, “como não houve o julgamento da ação de investigação de paternidade, não há que se falar na consumação do prazo prescricional para postular a repercussão sucessória desse reconhecimento, o qual nem sequer teve início”.
“O herdeiro que não participou do processo de inventário não pode sofrer os efeitos da coisa julgada referente à sentença que homologou a partilha amigável”, acrescentou o relator.
O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial.

'Jessica Jones': Segunda temporada da série será dirigida apenas por mulheres

HuffPost Brasil  |  De Caio Delcolli
Publicado: 24/10/2016

A segunda temporada de Jessica Jones será dirigida apenas por mulheres.

Melissa Rosenberg, criadora da série da Netflix, fez o anúncio recentemente em evento sobre representatividade no entretenimento, na Universidade da Carolina do Sul. As informações são da Variety.

A produtora e roteirista disse que decidiu aumentar a quantidade de mulheres no cargo de direção dos episódios de Jessica Jones. A Marvel aceitou a ideia, mas durante conversas sobre a produção da segunda temporada, alguém, segundo Rosenberg – ela não citou nome –, sugeriu que apenas mulheres fossem escaladas para a direção.

Rosenberg – que já trabalhou em roteiros para a série Dexter e nos filmes de Crepúsculo – explicou que, embora ela própria não tenha pensado nisso, decidiu integrar a ideia ao projeto. Ela atribui a iniciativa ao seu método de contratar roteiristas diversificados.

"[É] uma decisão consciente e é muito importante showrunners fazerem isso", disse.

"Quando eu entrevisto um roteirista, pergunto de onde ele é, com o que os pais dele trabalham, qual é sua experiência de vida, o que ofereceria à série. Não quero um bando de pessoas que sejam iguais a mim e tenham as mesmas experiências que eu."

A produtora disse também que, atualmente, o segundo ciclo de episódios de Jessica Jones segue sendo escrito. As filmagens estão previstas para ano que vem – serão 13 episódios.

Rosenberg já informou que trauma será um assunto novamente abordado pela série nos novos capítulos.

Pesquisa constata que mulheres que atuam no agro estão otimistas em relação ao futuro

26/10/2016 | Mecânica de Comunicação 
    
Apesar de o agronegócio ser um segmento com predomínio masculino, as mulheres vêm ganhando espaço. As que atuam hoje no setor são mais preparadas, conectadas, comunicativas, abertas à inovação tecnológica e possuem uma visão mais abrangente do negócio. Foi o que revelou uma pesquisa inédita com o título “Mulheres no Agronegócio Brasileiro”, encomendada pela ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e o IEAg - Instituto de Estudos do Agronegócio, realizada pela Fran6 Pesquisa e Biomarketing Consultoria & Agência, viabilizada pelo Transamérica Expo Center e PWC, e que foi divulgada no Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, encerrado nesta quarta (26), em São Paulo.

O levantamento, que ouviu 301 mulheres, indicou também que 60% das representantes do sexo feminino que atuam no campo têm curso superior, 25% possuem pós-graduação e, nada menos que 88% são independentes financeiramente. A pesquisa também apontou que 71% das entrevistadas já tiveram alguma experiência de discriminação na atividade pelo fato de ser mulher. Nesse aspecto, entre as principais dificuldades apontadas por elas estão: não serem obedecidas pelos funcionários (43%) e resistência da família quando manifestam interesse pelo negócio (41%). Em relação ao uso de ferramentas da internet, o levantamento apontou que 69% acessa a web todos os dias – na população brasileira o percentual é de 48% – e que 80% delas usam redes sociais.

Em termos de atividades dentro do agronegócio, o estudo encomendado pela ABAG para entender o perfil da produtora brasileira mostrou que se reproduz a mesma dinâmica nacional, com maior presença da mulher na produção de grãos: 48% que atuam no campo estão no segmento de soja; 42% no de milho; 31% em hortifruti; e 13% em arroz. Por atividade, 42% atuam na agricultura; 25% na pecuária; 20% na agropecuária e 13% na agroindústria.

O estudo também destacou alguns aspectos comportamentais. Exemplos: as entrevistadas disseram que não necessitam tocar o negócio da mesma forma que era no passado; acham que podem fazer as coisas de um modo diferente em relação ao anterior; entendem que os benefícios devem gerar bons resultados para proprietários, trabalhadores, meio ambiente, animais e o planeta. Além disso, a maioria (60%) respondeu que as demandas do trabalho no campo não interferem na vida pessoal. Outro dado comportamental é que as mulheres que atuam no agronegócio são otimistas em relação ao futuro. Na agricultura, o percentual das otimistas chega a 85% e na pecuária alcança a casa de 97%, superando em muito a média dos brasileiros otimistas, que não passa de 58%.

Após a apresentação da pesquisa, Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da ABAG, que fez uma apresentação na abertura do Congresso, salientou que a entidade já prepara uma segunda edição da pesquisa sobre o perfil das mulheres no agronegócio para ser feita em 2017.

MULHERES DO AGRONEGÓCIO FORMULAM CARTA COM SUGESTÕES AO MINISTRO DA AGRICULTURA

28.10.2016

O documento foi formulado durante o Congresso Nacional de mulheres, em São Paulo

No encerramento do primeiro Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (São Paulo, 25 e 26/10), mais de 700 empreendedoras, gestoras, produtoras, executivas, consultoras e comunicadoras do segmento formularam uma carta que está sendo enviada ao Ministro Blairo Maggi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, contendo 5 sugestões básicas “resultantes dos  obstáculos e dificuldades do setor do agronegócio - pontos primordiais para seu crescimento e  fortalecimento, além da aprovação da PEC do teto dos gastos”.  São elas:

1.         Logística – melhoramento dos modais de transporte para escoamento da produção agrícola, o que resultará na diminuição dos custos dos fretes;
2.         Crédito Rural – desburocratização, projetos por produção e redução de juros;
3.         Implantação de uma eficaz política de Seguro Agrícola;
4.         Reforma da Legislação Trabalhista Rural;
5.         Direito de Propriedade - necessidade de segurança jurídica nas propriedades e cumprimento, pelos Estados, das reintegrações de posse.

A carta é assinada pelas “Mulheres do 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio”.

Durante os dois dias do referido congresso, foram apresentados e debatidos vários aspectos ligados à gestão e empreendedorismo, formação profissional, o papel da mulher no agronegócio, discriminação, isonomia, família e outros temas de grande interesse do campo.

Um dos pontos altos dos debates foi a apresentação de uma pesquisa intitulada “Mulheres no Agronegócio Brasileiro”, encomendada pela ABAG–Associação Brasileira do Agronegócio e pelo IEAg–Instituto de Estudos do Agronegócio, à Fran6 Pesquisa e Biomarketing Consultoria e Agência. Fonte: Ascom

RUMO AO TOPO

Marcela Caetano

As mulheres estão ganhando espaço nos cargos de liderança das empresas do agronegócio, mas ainda há muita barreira a ser derrubada

Ainda na adolescência, a paulista Priscila Vansetti decidiu que trabalharia no mundo do agronegócio. O clique ocorreu em uma excursão escolar, depois de ela visitar o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/Esalq/USP). Vansetti ficou tão fascinada com aquele universo que, anos depois, mais precisamente em 1981, se formaria em agronomia na própria Esalq. Ela imaginava brilhar no campo, mas não tinha ideia que seria no de negócios. Afinal, Vansetti, 58 anos de idade, não apenas entrou em um universo masculino como se tornou CEO da DuPont Brasil, a primeira mulher a ocupar o cargo em 79 anos de história da subsidiária da americana no País. Sob seu comando estão 2,3 mil funcionários e uma operação que faturou US$ 1,4 bilhão no ano passado. “Fui criada acreditando que o mundo está aí para ser conquistado”, diz ela que, em outubro, comemora um ano no posto máximo da multinacional.
Por causa de posturas como a de Vansetti, a presença de mulheres em setores do agronegócio tem sido cada vez mais constante, embora a percepção é de que elas ainda sejam uma minoria, principalmente em cargos de liderança. No Brasil não há dados de mapeamento dessas carreiras, mesmo porque as pesquisas são escassas também para mulheres que atuam em outros setores da economia. O que há de disponível são levantamentos mais abrangentes, como o da International Business Report (IBR) – Women in Business, realizado pela consultoria americana Grant Thornton em 36 países, incluindo o Brasil. Os dados mostram que as mulheres ocupam 11% dos cargos de CEOs, o equivalente à presidência de uma companhia, e também 11% dos cargos de CFO, profissionais que respondem pela área financeira. Levando em conta os demais cargos de alto escalão, como as diretorias, por exemplo, a média global dos postos ocupados por mulheres é de 24%. No entanto, no Brasil, o índice cai para 19%. “No caso do agronegócio, o setor é historicamente mais masculino, mas isso está mudando rapidamente”, diz Luiz Carlos Correa, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). “O que queremos é entender o perfil dessas mulheres para identificar quais são os limites e as dificuldades que elas enfrentam em suas carreiras.” Não por acaso, a entidade é uma das patrocinadoras do 1º-   Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que será realizado em São Paulo nos dias 25 e 26 de outubro. No evento, uma pesquisa inédita será apresentada.
Para a administradora Karen Musafir, que também trabalha na DuPont há 13 anos, ocupa o cargo de CFO e responde a Vansetti, a pesquisa pode confirmar de fato o que ela também constata em sua rotina. “Estou no setor agrícola há sete anos e hoje vejo muito mais mulheres na área do que quando entrei”, afirma Musafir, que coordena uma equipe composta em sua maioria por mulheres. No País, a DuPont emprega 2,4 mil funcionários.  “As empresas sabem que se não abrirem oportunidades em seus quadros para as mulheres, que são mais de metade da população, perderão talentos”, diz Vansetti. Por isso, nos últimos anos, a DuPont tem investido em mentoria, processo no qual uma pessoa mais experiente, ou com mais conhecimentos, ajuda a orientar a carreira de outras, preparando-as para a liderança em uma  companhia.

Na Dow, multinacional americana da área química, o projeto global de liderança para elas atende pelo nome de Women Innovation Network (WIN). Trata-se de uma rede para dialogar sobre as barreiras no mercado de trabalho, além promover a colaboração visando o acesso aos cargos de liderança. A política tem dado resultado. Na subsidiária Dow AgroSciences Brasil, que atua por aqui na área de proteção de cultivos e sementes, 30% de seu quadro de funcionários é formado por mulheres. São cerca de 450, do total de 1,5 mil. Já nos cargos de diretoria, as mulheres representam 25%. Marilene Iamauti, diretora de Assuntos Corporativos da unidade, diz que a atual presença de mulheres na companhia é resultado de um trabalho intenso para ampliar o número de boas candidatas por vaga. “Há dez anos isso não era assim”, afirma Iamauti. “Trabalhamos muito no estabelecimento de cotas para a contratação de mulheres.” Graduada em agronomia também pela Esalq, ela salienta que as barreiras profissionais para as mulheres são imensas, mas que é possível derrubá-las.
Foi o que fez a farmacêutica Daniela Contri, gerente de Inovação e Estratégia na América Latina da multinacional alemã Basf, ao participar do processo de registro da primeira soja transgênica desenvolvida no Brasil pela companhia, em parceria com Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O processo que começou em 2008 foi concluído no ano passado, com a aprovação da soja em 17 países.  Para ela, é importante que mais mulheres estejam nas empresas para a promoção da diversidade. “Sinceramente, espero que um dia a presença de mulheres na liderança seja tão óbvia e que ela não seja mais assunto”, diz Contri. “Para isso, basta que as mulheres tenham oportunidade.” Atualmente, nos países da América do Sul, 29% dos cargos de liderança na Basf são ocupados por mulheres. Em todo o mundo, o índice é menor, mas a empresa quer chegar em  2021 com até 24% de seus cargos de chefia nas mãos delas.

IMPERDÍVEL: Livro de contos mostra o gênio de Katherine Mansfield

Escritora que influenciou grandes como Virginia Wolf e Clarice Lispector é resgatada em livro

Por Da redação
29 out 2016

Katherine Mansfield (1888-1923) viveu apenas 34 anos, mas foi o suficiente para deixar uma obra de impacto capaz de sacudir escritoras como a inglesa Virginia Wolf, que disse sentir inveja dela, e a brasileira Clarice Lispector, que uma vez contou ter encontrado a si mesma nas linhas da neozelandesa — “Sou eu”, teria dito ao devorar páginas da escritora em uma livraria. O talento de Katherine Mansfield é tão grande que atraiu tradutores como Érico Veríssimo e Ana Cristina César, que tiveram de lidar com as dificuldades de verter para o português assonâncias bem talhadas no inglês. 15 Contos Escolhidos de Katherine Mansfield, coletânea com textos publicados entre 1915 e 1922 que a Record põe agora nas lojas, ajuda a entender a força da escritora. Ali, entre textos como Êxtase (já traduzido como Felicidade no Brasil), As Filhas do Falecido Coronel e Uma Xícara de Chá, Mansfield usa da sua influência do russo Tchekhov para contar a história de personagens comuns como donas de casa, empregadas, crianças, balconistas e cantoras decadentes que em algum momento terão uma epifania e arrastarão o leitor em sua sinuosa desventura emocional ou social. Clique aqui para ler um trecho.

Sete a menos






Em 20 de outubro, quando em Buenos Aires a marcha #NiUnaMenos (organizada para chamar a atenção para a violência contra as mulheres) chegava a seu momento culminante, em Mendoza um homem matava sua irmã – com uma chave de fenda – e em Tucumán outro homem jogou álcool e ateou fogo em sua companheira. Enquanto isso, em minha casa, eu via na televisão uma apresentadora que, depois de falar sentidamente sobre a violência de gênero, chamava os comerciais: um anúncio de sabão em que uma mulher lavava a roupa de seus filhos travessos – homens –, seguido de outro em que um homem dirigia um automóvel por paisagens que transpiravam liberdade, seguido de outro em que uma mulher ensinava sua filha a cozinhar frango ao forno. Na Colômbia jogam-nos ácido, no Chile arrancam-nos os olhos, na Argentina (meu país) ateiam-nos fogo. Cada qual cultiva suas bestas. Os homens nos matam. Matam-nos, também, outras coisas. Mata-nos o leite contaminado que ingerimos diariamente e que faz parecer normal (a todos nós) que as mulheres dos comerciais lavem roupa e os homens saiam para conhecer o mundo. Que faz que ninguém encontre rastros de submissão jurássica na frase (repetida por homens e mulheres) “ter um filho é a coisa mais maravilhosa que pode acontecer a uma mulher”. Que faz que os jornalistas continuem adotando artigos sobre “a primeira mulher condutora de metrô” como quem diz: “Olhem: não são idiotas, conseguem acionar alavancas!”. Que faz que o corpo de uma fêmea jovem pareça mais vulnerável que o de um macho jovem. Que faz que se duas mulheres viajarem juntas se diga que viajam “sozinhas”. Mata-nos esse leite infecto que, mais que leite de berço, parece uma canção de enterro ou uma profecia sem escapatória. (Na Argentina, um homem mata uma mulher por dia, de modo que desde aquela marcha até hoje, em meu país, há sete mulheres a menos e sete caixões a mais).

Orna Donath: “O instinto materno não existe”


A socióloga israelense Orna Donath sabia que estava colocando o dedo numa ferida quando ousou perguntar a um grupo de mães se elas se arrependiam de ter tido filhos. Mas nunca imaginou que iria provocar uma polêmica global que não dá sinais de trégua. Seu livro Regretting Motherhood (“arrependendo-se da maternidade”, inédito no Brasil) reúne depoimentos de 23 mulheres que sem dúvida amam seus filhos, mas, se pudessem decidir agora, sabendo o que a maternidade significa e implica, optariam por não tê-los. A tese de fundo que Donath desenvolve é que às mulheres precisam trilhar um caminho pré-determinado; que, apesar de se supor que decidimos ser mães livremente, a pressão social para ter filhos é enorme, e o resultado é que algumas acabam se arrependendo.

Donath é uma mulher jovem (40 anos), miúda e amável, que trabalha há anos na Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Beerseba (Israel), pesquisando a maternidade e o papel das mulheres na sociedade. Vive num subúrbio de Tel Aviv e é uma feminista que já trabalhou com mulheres vítimas de abusos. Por sua maneira de encarar a vida, lembra os milhares de jovens israelenses cosmopolitas que pouco têm a ver com as minorias ultrarreligiosas e nacionalistas que condicionam o futuro de um país em eterno conflito com os palestinos. Sua luta é outra. Em 2008, cansada de ser advertida no trabalho que um dia se arrependeria de não querer ter filhos, Donath se lançou à pesquisa que fez dela o rosto global das mães arrependidas. Seu atrevimento com um tema altamente espinhoso lhe proporcionou fama e reconhecimento internacional, mas também acusações e insultos desumanos. Donath parece ter despertado alguma fera.

Pergunta. Já lhe chamaram de tudo...
Resposta. Já me chamaram de menina mimada, narcisista e egoísta por não querer ter filhos. Tem gente que escreveu comentários nas redes sociais dizendo que sem filhos eu seria uma mulher vazia, uma velha solitária rodeada de gatos.

P. Seu livro se centra no arrependimento materno. Ficar se lamentando serve de alguma coisa?
R. Sim. Do ponto de vista pessoal é importante. Reconhecer o que se passa com você alivia. Se você sofre e não sabe identificar o que acontece, pode acabar culpando os filhos em vez de culpar a circunstância de ser mãe. As pessoas costumam dizer: enterre seus sentimentos e siga em frente, mas acho que reconhecer as emoções pode ser um alívio. Do ponto de vista social, o fato de as mulheres reconhecerem seu arrependimento pode ser um sinal de alerta para que se deixe de pressioná-las a serem mães, de vender a ideia de que a maternidade vai valer a pena para cada uma delas. Pode ser que as mulheres sejam biologicamente iguais entre si, mas somos diferentes uma das outras. Algumas querem ser mães, e outras não.

P. Você entrevistou 23 mulheres para o seu livro, uma amostra diminuta, a qual não convém extrapolar. Até que ponto você calcula que seja difundido o arrependimento maternal?
R. Nunca saberemos. Certamente não afeta a maioria das mulheres, mas é mais comum do que pensamos. Na Alemanha fizeram recentemente uma pesquisa em que 8% das participantes diziam se arrepender. Mas mesmo que fossem só as 23 mulheres que entrevistei, já valeria o debate social.

“Na Internet já me disseram de tudo. Houve quem mencionasse que sem filhos eu seria uma mulher vazia, uma velha solitária rodeada de gatos.”

P. Por que acredita que seu trabalho fez tanto barulho?
R. Porque há uma percepção de que este debate é perigoso para o Estado e para a ordem social, que estabelece que a essência das mulheres na vida é serem mães. E eu proponho que é possível não ser mãe e também ser e depois se arrepender. O problema é que não há um roteiro alternativo. As pessoas não conseguem imaginar outras opções porque a imaginação está tomada por um discurso único, segundo o qual para ser feliz é preciso ter filhos. Eu não digo que a vida sem filhos será perfeita. Pode ser uma vida difícil, mas suficientemente boa.

P. A polêmica na Alemanha [onde o livro foi lançado inicialmente] foi descomunal.
R. Sim, foi uma grande surpresa. Meu plano era publicar primeiro o livro em Israel, mas, por causa de uma entrevista que saiu na Alemanha, há um ano e meio um debate fortíssimo surgiu por lá. É curioso que tenhamos a imagem da Alemanha como um país onde as mulheres não têm por que serem mães se não quiserem, mas a realidade social é muito mais complexa. Lá fui abordada por jovens que me disseram se sentir pressionadas para serem mães. Pode ser que na Alemanha seja frequente não ter filhos, mas há uma hierarquia social entre ser mãe e não ser. A pressão não é tão evidente como em Israel, mas, cutucando um pouco, ela existe.

P. É muito difícil decidir ser mãe ou não se você não tem como saber de antemão como vai se sentir depois que seu filho nascer.
R. É verdade. É uma aposta que se pode ganhar ou perder. O problema é que a sociedade promete a todas as mulheres que ganharão sendo mães, as empurram garantindo a vitória.

P. É possível que uma determinada etapa da maternidade seja mais difícil, mas que os sentimentos mudem à medida que as crianças cresçam.
R. No meu estudo participaram avós que ainda se arrependem. Pode ser que a relação mude, mas no fundo elas sabem que não desejam tê-la. Ser mãe é uma maneira de estar no mundo; mesmo que os filhos se tornem independentes, você sempre os tem na cabeça.

P. Existe o instinto maternal?
R. Não necessariamente. Tratamos, de fato, de proteger a vida do bebê, o alimentamos, é uma criatura indefesa, mas isso não precisa ser equivalente a instinto maternal. E, em todo caso, se existisse, não seria domínio exclusivo das mulheres. Os casais gays que adotam filhos são uma prova evidente.

P. Na sua opinião, por que a maternidade é supervalorizada?
R. Parece que o parto, a amamentação e a criação têm de ser experiências maravilhosas. A maternidade é uma relação humana como qualquer outra, não o reino mítico que vendem. Quando a experiência materna não é tão maravilhosa quanto se supõe que deveria ser, muitas mulheres se sentem monstros. Reduzir as expectativas faria com que se considerassem menos culpadas. É como o amor, nem sempre é cor de rosa.

“A maternidade é uma relação humana como qualquer outra, não o reino mítico que vendem.”

P. Frequentemente é difícil ficar satisfeita quando a divisão de tarefas em casa é desigual e as jornadas de trabalho são intermináveis. Até que ponto as condições podem contribuir para o arrependimento?
R. As condições são importantes, mas não explicam tudo. Há muitas mães que têm de tudo: tempo, dinheiro…, e mesmo assim se arrependem de serem mães. Eu mesma, ainda que tivesse as condições ideais, ainda que fosse milionária, não iria querer ter filhos, e ponto.

P. Sim, mas quando as condições são hostis, muitas jogam a toalha, renunciam às suas carreiras profissionais para se dedicar à maternidade. Com o tempo, essa decisão gera uma enorme frustração.
R. Mas é que, para mim, não é uma questão de mães versus carreira profissional. Nem todas as mulheres desejam ter uma carreira profissional. Pede-se a elas que sejam a mãe perfeita ou que sejam como um homem, uma grande profissional, mas há muitas identidades de mulheres, que não querem ser mães nem ter sucesso profissional. Desejo viver numa sociedade em que eu possa não ser mãe e ir para minha casa depois do trabalho para ficar atirando aviõezinhos de papel. Não tenho por que ser doutora nem escritora. Não quero que o importante seja o que eu faço, e sim o que eu sou.

P. As mulheres são mais preparadas para cuidar?
R. Não. Não tem nada a ver com a natureza, é uma questão política. Há mulheres incapazes de cuidar de alguém, e o contrário, mas nos venderam que é uma questão de sexo. Os homens podem cuidar muito bem, mas para a sociedade este sistema é muito útil. Nós fazemos tudo sem ganhar nada, enquanto que eles ganham dinheiro, viajam e entram e saem do cuidado dos filhos quando bem entendem.

Não se trata, insiste Donath, na defensiva, de posições hostis ou viscerais, que alguns pretendem endossar. “Olha, frequentemente me interpretam mal. Dão a impressão de que meus estudos são propaganda contra a maternidade ou as crianças, e isso é falso. Há mulheres que querem ser mães e ficam satisfeitas com isso, mas eu gostaria que tivessem mais liberdade para decidir.”

El País