As pesquisadoras responsáveis pelo estudo e o procurador do trabalho Luiz Carlos Michele Fabre
30 Janeiro 2015
O auditório do Ed. Sede do TRT da 2ª Região, em São Paulo-SP, ficou lotado para a apresentação, nessa quinta-feira (29), da pesquisa Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo no Estado de São Paulo. O relatório foi elaborado pela Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, a partir de análise de procedimentos judiciais e extrajudiciais do Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público Federal (MPF).
Na abertura do evento, a presidente do Tribunal, desembargadora Silvia Devonald, destacou as ações do Regional e mencionou que o combate ao trabalho escravo, trabalho infantil e tráfico de pessoas deve ser uma preocupação de todos. “A Comissão do Trabalho Decente e Seguro do TRT-2 tem desenvolvido várias atividades, incluindo a participação em diligências do MPT. Nós buscamos estabelecer parcerias, porque só juntos nós conseguiremos acabar com essa moléstia”, afirmou.
A coordenadora da pesquisa, Juliana Armede, reforçou a importância das parcerias nessa luta: “A gente não pode admitir que situações como essas continuem perpetuando, por isso o governo de São Paulo busca estreitar os diálogos com diversas entidades, para implementar ações que possam combatê-las”.
Juliana e três especialistas em políticas públicas da Secretaria de Gestão Pública apresentaram os principais resultados da pesquisa. Foram analisados 171 procedimentos do Ministério Público Federal e 86 do Ministério Público do Trabalho. Os dados de cada instituição foram estudados separadamente.
Nos processos do MPF, foi identificada a ocorrência de 33 tipos de crimes, sendo que os mais comuns foram a redução à condição análoga à de escravo, tráfico interno de pessoa para exploração sexual e aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional. Houve exploração laboral em 63% das situações e exploração sexual em 37% dos casos. Entre as vítimas, 65% eram homens, 64% tinham entre 18 e 30 anos e 13% eram menores de 18 anos. Em relação aos acusados, 77% eram homens, e quase metade tinha entre 41 e 50 anos.
Já nos processos do MPT, os crimes mais comuns foram a redução à condição análoga à de escravo, frustração de direitos trabalhistas e tráfico de trabalhadores. A maioria das vítimas também era de homens (78%) e tinha entre 18 e 30 anos (61%). O percentual de menores de idade foi de 10%. Em quase todas as ações, o acusado era pessoa jurídica.
Os procedimentos das duas instituições apresentam alguns aspectos semelhantes. Boa parte das irregularidades aconteceu na indústria têxtil, construção civil ou agricultura e pecuária. Além de brasileiros, especialmente da região nordeste do país, havia vítimas também de origem boliviana, peruana e haitiana, entre outras nacionalidades. A maioria das ocorrências foi registrada na capital paulista, mas também houve muitos casos no interior do estado.
Também estiveram presentes outros magistrados do Tribunal, membros do MPT, bem como servidores do TRT-2,
estudantes, advogados, jornalistas, representantes de empresas e de diversas instituições, como a Polícia Militar, Força Sindical, Consulado dos Estados Unidos, sindicatos, associações e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
Para o vice-presidente judicial do TRT-2, desembargador Wilson Fernandes, “mostrar o que tem sido feito evidencia, e muito, o que ainda precisa ser feito para atingir o objetivo de erradicar esse problema social”.
A coordenadora da pesquisa explicou que um dos desdobramentos do estudo está sendo o desenvolvimento de frentes de atuação junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para intensificar as ações de combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas.
Clique aqui para conferir a íntegra do relatório.
Texto: Carolina Franceschini; Fotos: Diego Dantas – Secom/
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