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segunda-feira, 12 de março de 2012


Especial: Mulher com a saúde em dia

Veja quais são os cuidados necessários em cada fase da vida

Nina Martinez, Estadão.com.br
O Dia da Mulher é um bom momento para lembrar de cuidar da saúde. Saiba quais os principais cuidados que você deve ter em cada fase da vida e fique atenta às consultas e exames necessários.
Cuidar da saúde. As mulheres não podem deixar as visitas ao médico para depois - Divulgação
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Cuidar da saúde. As mulheres não podem deixar as visitas ao médico para depois
12 aos 20 anos
Entre os 12 e os 14 anos, a menina costuma deixar para trás as consultas rotineiras com o pediatra e inicia seu acompanhamento com o ginecologista. É uma fase de muitas dúvidas - sobre a menstruação, cuidados com higiene e prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. É neste momento, antes mesmo do início da vida sexual, que ela deve tomar a vacina contra o HPV, o principal causador do câncer de colo do útero.  
Primeira menstruação: a menarca está chegando cada vez mais cedo - e os especialistas têm várias explicações para o fenômeno, incluindo os ganhos na nutrição e na saúde das meninas ao longo das últimas décadas. A idade com que a mãe menstruou também influencia: aquelas cujas mães menstruaram cedo, tendem a seguir o mesmo padrão. A questão é que o crescimento da menina desacelera após o primeiro ciclo. Então, se ela ainda não ganhou muita altura, é possível procurar um médico para retardar a menarca por uns 2 ou 3 anos, sempre a critério do médico.
“É uma boa opção porque também segura a maturidade sexual que surge com o desenvolvimento do ciclo menstrual”, diz a ginecologista e obstetra Denise Coimbra, do Grupo de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “lsso pode evitar que menina inicie uma vida sexual muito nova, quando ainda não está preparada psicologicamente”, acrescenta ela.
É normal que nos dois primeiros anos a menstruação seja desregulada, já que o corpo ainda está se transformando. É bom ficar atento às cólicas e/ou efeitos que surgem nessa época. Em caso de dores estranhas, consulte um médico.
Dos 14 aos 16 anos, a adolescente começa a se preocupar mais com o corpo e com a vida sexual. A partir daqui, é preciso uma visita anual ao ginecologista para exames de rotina. Este é o momento para tirar dúvidas sobre os métodos anticoncepcionais e como evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis.
Dos 16 aos 20 anos, o médico pode orientar como aliviar o desconforto durante o período menstrual, se for o caso. Caso haja queixa constante de cólicas e muita tensão pré-menstrual, é importante compartilhar com o ginecologista. “Esses são sintomas que podem levar à endometriose, uma doença que prejudica a fertilidade da mulher, e que pode ser evitada se diagnosticada prematuramente”, alerta a ginecologista Rosa Maria Neme, especialista em endometriose.
Cuidados com a higiene: o asseio da região genital afasta diversas doenças e inflamações. Além disso, não é indicado usar protetor diário, que inibe a respiração da vagina, nem emprestar peças íntimas, que podem transmitir bactérias.
Exames preventivos: hemograma e ultrassom pélvico (ou transvaginal, se há vida sexual ativa).
20 aos 45 anos
Nesta fase, espera-se que a mulher já tenha escolhido e se adaptado a um método anticoncepcional seguro. Com uma vida sexual estabelecida, é preciso manter uma rotina de acompanhamento para prevenir doenças.
Papanicolau: simples e rápido, é um exame essencial para prevenir o câncer de colo de útero. No consultório, o médico colhe material do colo uterino, que é analisado no laboratório para detectar qualquer alteração nas células. Após o início da atividade sexual, deve ser feito uma vez ao ano.
Fertilidade: mesmo que a maternidade não esteja entre suas prioridades, é bom começar a se preocupar com sua fertilidade desde cedo. “A mulher tem de sabe que há limite para isso, por mais que existam avanços na medicina” explica a obstetra Denise Coimbra. “O ideal é decidir até os 35 anos, para que haja uns dois anos de espaço, em caso de existir dificuldade para iniciar a gravidez”.
É hora de afastar o risco de qualquer doença ou disfunção que possam comprometer suas chances mais tarde. E adotar hábitos saudáveis, como deixar de fumar.

Câncer de mama: toda mulher deve saber fazer o autoexame, para detectar qualquer alteração nas mamas. Se houver histórico familiar, a preocupação precisa ser redobrada. Antes dos 40, muitos ginecologistas indicam a ultrassonografia de mamas. Já a mamografia é recomendada após essa idade, apesar de ainda haver divergências entre os médicos sobre deixar esse exame para mais tarde. A Sociedade Brasileira de Mastologia e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia indicam que esse exame seja feito anualmente após os 40. Já o Ministério da Saúde orienta o procedimento a partir dos 50. "Para que seja realizado em idade anterior aos 40, a paciente precisa ter casos da doença na família, o que aumenta os riscos", diz Afonso Celso Nazário, chefe de Mastologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Cuidados extras: com o passar da idade, o médico também pode começar a pedir outros exames, como de hipertensão, diabetes, triglicérides e colesterol, entre outros. O de tiroide também entra nessa lista ou pode ser solicitado já desde a adolescência, dependendo da paciente.

Já a colposcopia, que permite visualizar lesões no colo do útero com grande precisão, deve ser feita quando o médico suspeita de alguma alteração.
45 anos em diante
Aqui começa a fase das alterações hormonais. Longe de relaxar as consultas regulares ao ginecologista, agora outros especialistas devem entrar na lista do check-up anual, como o cardiologista.
Menopausa: o fim do período reprodutivo da mulher se chama climatério e ocorre geralmente entre 45 e 55 anos. Os sintomas são: fim ou aumento do ciclo menstrual, calores e dores musculares, entre outros. Dependendo do caso, o médico pode indicar terapia de reposição hormonal para melhorar a qualidade de vida e aliviar os desconfortos dessa fase. Pode ser fitoterápica ou alopática. Vale dizer que esse tratamento exige um período de adaptação da mulher, já que causa efeitos colaterais no início.

Gangorra hormonal: com o passar dos anos, surge dificuldade em eliminar o excesso de peso. A atenção deve ser redobrada, porque os quilos extra também estão relacionados a doenças como câncer, hipertensão e diabetes, entre outras.

Cuidados extras: é hora de continuar com os outros exames, como de diabetes, triglicérides, colesterol, tireoide e hipertensão. O médico também pode indicar à paciente que faça teste de densitometria óssea, para avaliar a saúde dos ossos e afastar o risco de osteoporose.

Exames preventivos: hemograma, ultrassom pélvico e transvaginal, mamografia e papanicolau. Outros exames, somente quando solicitados pelo ginecologista.


Pesquisa diz que maus-tratos na infância alteram genes do estresse em adultos

Taxa de modificação no DNA era maior porcentagem significativamente superior de modificação genética no DNA naqueles que sofreram abuso físico, sexual, emocional ou carência afetiva

Efe
Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade e do Hospital de Genebra descobriu que os maus-tratos na infância modificam a regulação dos genes que controlam o estresse na vida adulta, o que pode provocar o desenvolvimento de várias patologias.

Do estudo, participaram 101 adultos, todos eles vítimas de transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como "borderline".

A equipe de cientistas observou uma porcentagem significativamente superior de modificação genética no DNA de indivíduos que sofreram maus tratos, abuso físico, sexual, emocional ou carência afetiva em relação aos que não sofreram tais situações. As conclusões, publicadas na revista especializada "Translational Psychiatry", apontam que o estresse gerado por abusos provoca uma modificação epigenética do gene receptor de glucocorticóide que atua sobre o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal.

Este eixo regula o controle de estricção, segundo a equipe da Faculdade de Medicina da Universidade de Genebra e dos Hospitais Universitários de Genebra. Quando esse eixo se altera pode perturbar a gestão do estresse na idade adulta e causar o desenvolvimento de psicopatologias.

Os pesquisadores ressaltaram que se os voluntários tivessem sofrido o impacto de outros traumas violentos, como uma catástrofe natural ou um acidente aéreo, os resultados seriam semelhantes.

quarta-feira, 7 de março de 2012


Doação até 30 de abril tem abatimento no IR 2012

O contribuinte pode realizar as doações até o último dia da entrega da declaração

G1

As doações feitas aos fundos da criança e do adolescente até o dia 30 de abril poderão ser deduzidas ainda no Imposto de Renda 2012, ano-base 2011, segundo a Receita Federal. Dessa forma, o contribuinte pode realizar as doações até o último dia da entrega da declação e já fazer o abatimento no documento deste ano. 

Antes, as deduções tinham que ser feitas até 31 de dezembro de cada ano para poderem ser abatidas no IR do ano seguinte. Uma alteração, contudo, é que o abatimento das doações feitas de 1º de janeiro até 30 de abril de 2012 está limitado a 3% do imposto devido. As doações feitas até 31 de dezembro de 2011, por sua vez, estão limitadas a 6%. Se não houver imposto devido, as doações aumentarão o valor das restituições.

De acordo com a Receita Federal, as contribuições dedutíveis devem ser feitas aos fundos controlados pelos conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente. O contribuinte pode fazer a consulta nas prefeituras e governos a respeito dos fundos cadastrados para as doações.


terça-feira, 6 de março de 2012


Nos EUA, a maioria das mães com até 30 anos é solteira

“Isso se chamava ilegitimidade. Agora é o novo normal”. Com essa frase começa uma ótima reportagem publicada no último fim de semana pelo jornal “New York Times” (cuja íntegra você pode ler, em inglês, aqui). Nela, os autores Jason DeParle e Sabrina Tavernise se debruçam sobre a nova família americana e analisam dados como este: nos EUA, a maioria das mulheres que têm um filho antes dos 30 não é casada.
Jason e Sabrina mostram o lado ruim e o bom da nova realidade. O ruim: mais mães solteiras jovens significam, em grande medida, mais pobreza. Em cidades onde a crise apertou, como a pequena Lorain (Ohio), homens que trabalhavam como operários eram os provedores. Hoje, não conseguem mais sustentar uma família e se tornaram, por isso, menos “necessários” financeiramente. Outro motivo, este mais óbvio, é que manter um lar apenas com o salário da mãe é mais difícil que fazê-lo com duas fontes de renda.
O bom: as jovens americanas não estão correndo para o altar por pressão social ou necessidade de fechar as contas no fim do mês. Isso é uma grande diferença se pensarmos que, há 50 anos, um terço dos casamentos realizados nos EUA eram apressados por uma gravidez. “A vida em família hoje significa satisfação pessoal e auto-desenvolvimento”, diz o sociólogo Andrew Cherlin.
Talvez por isso, Amber Strader, 27, não quis se casar em nenhuma das duas vezes em que engravidou. O pai do primeiro filho, conta, dependia dela até para comprar os próprios cigarros. Casar-se com ele, diz Amber, seria “como viver com outra criança”. Outras mulheres, como a jovem Brittany Kidd, 21, dizem evitar o casamento para não recriar os lares despedaçados onde cresceram (leia-se divórcio e a instabilidade financeira e emocional que se segue). “Amo meu namorado, mas não quero terminar como minha mãe”, disse ela ao NYT. Para essas garotas, se o parceiro não parece apto a se tornar um bom companheiro, não há por que dividir a casa com ele. Isso vale mais ainda nas classes mais baixas, em que os homens parecem menos dispostos a dividir tarefas domésticas e tomar decisões em conjunto.
O preço dessa independência, no entanto, parece ser a qualidade de vida. A matéria cita um estudo da Bowling Green State University que diz: crianças de pais casados têm, em média, resultados melhores no que se refere a “educação, vida social, cognição e comportamento”. Um exemplo de como a paternidade compartilhada pode ser melhor é o de Lisa Mercado, que estuda enfermagem, trabalha à noite e precisa deixar a filha de 6 anos com parentes sempre que está fora. “Quero fazer coisas com ela”, diz Lisa, “mas acabo pegando no sono”.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Professor leva ioga à prisão para combater violência e vício nos EUA


James Fox dá aulas em cadeias e escreveu um guia para detentos. 

Em entrevista, ele diz que no início a prática era vista como para 'maricas'.


Giovana Sanchez

Do G1, em São Paulo

Ele fica na mesma sala que homens condenados por homicídio, estupro, tráfico de drogas e outros tipos de crime, e consegue manter silêncio absoluto por, pelo menos, uma hora e meia. Há mais de 10 anos, o americano James Fox ensina técnicas de ioga e meditação para presos em cadeias dos EUA. Nesse tempo, ele conseguiu formar alguns professores de ioga e ajudou milhares a "mudar seu estado mental violento e compulsivo". Com até 20 alunos por turma, as aulas agora têm lista de espera.
[O G1 publica nesta quinta e sexta-feiras (1º e 2) a série 'Transformadores - pessoas que mudam o mundo', com histórias de gente que mudou a própria vida para melhorar a realidade de outras pessoas. Saiba quem são os personagens da série.]
Conheça o responsável pelo Prision Yoga Project (site em inglês):
James Fox atuando em prisão americana (Foto: Divulgação)James Fox atuando em prisão americana (Foto: Divulgação)
G1 - Quando você começou o projeto?
James Fox - Comecei o projeto há quase 11 anos, ensinando garotos de risco. Isso foi logo depois que virei professor de ioga e sabia que queria focar na karma ioga. Eu me interessava pela prática que buscava levar a ioga para a população que não tinha acesso. Então comecei a ensinar em uma instituição de recuperação de jovens infratores. Eram jovens que tinham problema com a família ou com a lei e muitos deles tinham problemas psicológicos, tomavam remédios fortes. E foi lá que eu comecei. Eram 24 garotos de 12 a 18 anos. Ensinei por aproximadamente 6 anos.

Um ano depois de ter começado esse programa, uma organização não governamental que fazia trabalhos para centros de detenção juvenis me chamou. Ensinei lá por alguns anos. Uma outra organização que fazia trabalhos na prisão estadual de San Quentin, na região da baía de São Francisco, estava montando um programa multidisciplinar de reabilitação para os prisioneiros e me chamou para instalar a parte de ioga e meditação do programa.
G1 - E como foram os resultados desde que você começou o trabalho?
James Fox - Bom, no começo foi muito difícil. Era difícil ensinar jovens encarcerados, porque estava lidando com adolescentes. É um período da vida em que nós nos rebelamos naturalmente. Mas ao mesmo tempo tinha bons resultados. Exigiu persistência e criatividade para encontrar jeitos de atingir os jovens. Por exemplo, usava muita música para ensinar técnicas de meditação.

James escreveu um livro de guia para práticas - distribuído gratuitamente. As ilustrações das posições foram feitas pelos prisioneiros (Foto: Divulgação)
Guia para práticas escrito por James e ilustrado
pelos presidiários é distribuído gratuitamente
(Foto: Divulgação)
Depois, meu trabalho com os homens de San Quentin foi difícil no começo porque a ioga é considerada uma prática de mulheres ou "maricas". Então era difícil fazê-los ir às aulas, que eram opcionais. Tinha poucos alunos.
Mas, com o tempo, diria que depois de um ano, espalhou-se a ideia de que a aula de era séria, que realmente os ajudava com a ansiedade e também era um bom exercício físico.
Na verdade há dois desafios em se trabalhar com presidiários. Um é fazer os homens participarem e o outro é trabalhar com os agentes penitenciários, que também achavam que era um programa de "maricas". Nós não tínhamos muito apoio deles para o programa.
G1 - Como são as aulas?
James - Cada sessão é de uma hora e meia. Ensino 4 aulas por semana para 4 grupos diferentes de homens. Foco muito no que é chamado de "mindfulness", que é o derivativo de "vipassana", um tipo de meditação não religiosa que nos EUA se chama meditação 'mindfulness'. É uma prática de autoconscientização, de deixar ir embora o pensamento e se concentrar no corpo e na respiração para permanecer autoconsciente.

O modo como introduzo a prática de ioga é sempre esse, se estamos em movimento ou sentados. É uma introdução de disciplina, de deixar de se preocupar com o pensamento e conectar a mente e o corpo. Tem muita pesquisa feita com essa técnica que mostra os benefícios para o alívio do estresse, para o déficit de atenção e para coisas como o transtorno de estresse pós-traumático.
O que ganhei com as aulas de ioga foi uma estrada para viver uma vida bem mais viva. Aprendi que posso viver o presente com um cuidado que nunca achei possível e ter uma vida saudável, fundamentada e verdadeira."
Presidiário identiicado como T.L.O.
Esse é o fundamento da prática, mas, sabendo que a maioria das questões que os prisioneiros enfrentam são relacionadas com vícios (ao menos 80%) e violência, o que procuro fazer é mostrar para eles que a ioga é uma habilidade que pode ser usada para ajudá-los na recuperação. É uma prática que te ajuda a experimentar o autocontrole.
Essa é a diferença de uma aula para o público, o professor não estaria falando como a prática ajuda na reabilitação, nas tendências violentas.
Geralmente as pessoas olham para os presidiários como seres inferiores. E, de verdade, os presos são um reflexo da sociedade. Questões de vício e violência são comuns na sociedade, tenho certeza de que é similar no Brasil. Temos essa epidemia de vícios de várias substâncias e a violência, que nos desconecta completamente de quem nós somos. 
Acho que existem muitas oportunidades para estender a prática de ioga para outras instituições de reabilitação.
G1 - Qual é o retorno que você tem dos presos?
James - Fiz uma lista de frases de presos contando como as aulas os ajudaram. Há muitos que continuam em contato comigo depois de libertados e eles ainda me dizem que lembram de coisas que aprenderam na prisão que os ajudam.

G1 - Muitos continuam praticando?
James - Sim, embora seja difícil para eles, porque a maioria das aulas é oferecida em estúdios, são caras e quando eles deixam a prisão a primeira coisa que eles têm que fazer é achar um lugar para morar, arrumar um emprego. Às vezes, eles estão separados das famílias e têm muitas outras prioridades. Mas vários acabam praticando sozinhos ou acabam achando um jeito de praticar alguma coisa.

G1 - Em quantas prisões você trabalha?
James - Trabalho nessa principal em San Quentin, no entanto o que tenho feito no último ano é viajar pelos Estados Unidos oferecendo treinamentos para professores de ioga que queiram ensinar em prisões. Como resultado disso, também ajudo professores a fazer contatos com prisões em diferentes partes do país. Também viajei para a Noruega para ajudar a montar um programa parecido nas prisões de lá.

Presidiário faz posição de yoga na prisão de san Quentin (Foto: Robert Sturman/Divulgação)Presidiário faz posição de ioga na prisão de san Quentin (Foto: Robert Sturman/Divulgação)
G1 - Você já viveu alguma situação perigosa na prisão, durante as aulas?
James - Bem, sim. Quando ensino não existem guardas comigo, fico sozinho na sala com os homens - o que é um dos motivos pelos quais em San Quentin eles não permitem que mulheres ensinem. Sempre existe uma chance de alguma coisa acontecer. Você nunca sabe, às vezes pode ter dois presos na mesma turma que têm alguma questão um com o outro. E houve uma vez em que dois deles quase brigaram. Eu interrompi.

Já fiz alguns cursos de prevenção de violência, resolução de conflitos, essas coisas, então não tenho só treinamento em ioga, tenho também em outras áreas necessárias para esse trabalho.
A ioga me ajudou a sair de um lugar negro."
Preso identificado como J.G.
Houve outras vezes em que achei que seria atacado. A primeira vez foi talvez no segundo ano em que estava lecionando. Tive medo, mas soube que era muito importante lidar com a situação. O que poderia fazer é usar o apito - nós temos que carregar um apito. Tinha um homem que estava muito bravo comigo porque disse que ele não poderia entrar na sala com comida e ele não gostou. Ele voltou com dois amigos e eles foram muito agressivos. Pensei que iam me atacar. Tinha uma sala com 11 alunos e pensei: ok, se eu usar o apito nenhum dos outros alunos voltarão pra aula de novo. 
O que fiz foi explicar muito calmamente que queria que todos considerassem a aula como um espaço separado da prisão. E, mesmo que estivéssemos dentro de uma, queria que por uma hora e meia eles não se sentissem como presidiários. E que era o responsável por manter aquele ambiente para que todos pudessem ir para a aula e saber que era um ambiente de paz e tranquilidade. Aí, ele concordou e parou de ir às aulas duas semanas depois.
Isso acontece porque algumas pessoas não estão prontas para vivenciar a paz, a tranquilidade e a ausência de estresse, de jogos mentais praticados entre os presos. Eu não tolero isso. Não nas minhas aulas.
G1 - Eles não estão acostumados com isso, né?
James - Não, eles não estão acostumados com esse nível de consciência. Eles estão habituados a desafiar as pessoas para demonstrar que estão no comando: 'hey eu sou o rei aqui'.

G1 - E você também treina alguns presos para serem professores?
James - Sim, eles não têm um certificado oficial, mas deixo alguns darem parte das aulas. Também ajudo a levantar fundos para alguns presos que querem ser professores quando sair, para que consigam bolsas de estudo.

G1 - E como você se sente em relação a tudo isso? Vale a pena?
James - Ah, sim, não existem dúvidas quanto a isso. Às vezes, penso e vejo que já ensinei milhares de presos nesses últimos 10 anos. Escrevi um manual de ioga e meditação para presidiários em 2009 e eu o envio de graça para os presos dos EUA que me pedem - e também está disponível no meu site. Já enviei mais de 500 livros e recebo cartas de retorno deles dizendo que estavam presos há tantos anos e que o livro significou tanto para eles, pois agora têm uma prática que podem aprender sozinhos.

Contra infidelidade, salário de indonésios é repassado a esposas


Intenção de autoridades de Garontalo é evitar os casos extraconjugais.
Homens não são capazes de se controlar se têm muito dinheiro, diz governo.


Da France Presse

Indonésias fazem fila em caixas eletrônicos da capital, Jacarta (Foto: Adek Berry / AFP)Indonésias fazem fila em caixas eletrônicos da capital, Jacarta (Foto: Adek Berry / AFP)

As autoridades de uma província indonésia depositam a partir de agora o salário de seus funcionários na conta de suas esposas, com o objetivo de lutar contra a infidelidade de seus maridos, informaram nesta sexta-feira (2) fontes policiais.
"Os homens em geral não são capazes de se controlar se têm muito dinheiro com eles", explicou Rifly Katili, porta-voz das autoridades de Gorontalo, nas Célebes do Norte, uma província do nordeste da Indonésia.
"Estou convencido de que (esta medida) vai eliminar qualquer possibilidade de uma aventura extraconjugal", acrescentou para justificar a decisão da região de depositar o salário de seus 3.200 funcionários homens na conta de suas esposas.
A iniciativa foi instaurada na base do voluntariado, e cerca de 90% dos funcionários aceitaram a proposta, indicou o porta-voz.
A medida também é consequência da queixa de várias esposas que indicavam não saber quanto seus maridos ganhavam, explicou.