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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Botar o respeito na rua: 7 iniciativas que lutam por um Carnaval livre de preconceitos

Hypeness
por: Gabriela Rassy
Chegou a época mais festiva do ano! O Carnaval vem com calor, trajes minimalistas e muita gente animada ocupando as ruas. Mas neste ano, que será o segundo após a sanção da lei de importunação sexual, as campanhas de conscientização estão com mais força do que nunca.
A lei classifica como assédio atitudes libidinosas sem consentimento, isso é, puxar as pessoas pelo braço, das beijo forçado, xingar, tocar em lugares íntimos sem autorização e por aí vai. A pena por passar dos limites pode variar entre um e cinco anos de detenção.
Leandra Leal e Marina Person com tatuagem da campanha Não é Não no Bloco do Baixo Augusta, em São Paulo
Leandra Leal e Marina Person com tatuagem da campanha Não é Não no Bloco do Baixo Augusta, em São Paulo





Mesmo com uma lei em vigor, ainda existe a necessidade de orientar quem ficou no século passado e continua importunando. Obviamente as mulheres e pessoas LGBT são as mais atingidas por esse comportamento criminoso, então governos e grupos da sociedade promovem, com mais força nesse período, iniciativas que lutam por um Carnaval mais diverso, livre de preconceitos e seguro para todes.
Aqui reunimos algumas propostas de coletivos atuantes no Carnaval contra o machismo, a violência, a gordofobia e a homofobia.
Vamos nessa!
Criado em 2017, no Rio de Janeiro, pelas amigas Barbara Menchise, Aisha Jacob, Julia Parucker e Nandi Barbosa, após uma delas sofrer um episódio de assédio, o coletivo Não é Não! distribui uma tatuagem temporária que marca na pele o que alguns insistem em não entender. Assim, o movimento torna os corpos das mulheres um suporte para a luta por uma sociedade mais justa e igualitária.
Segundo a própria descrição, Não é não! é mais que uma frase, ou um grito de guerra. É a criação de um escudo que empodera a mulher. Devolve a ela o direito ao próprio corpo e o poder de fazer com ele o que bem entender. Parece óbvio. Mas infelizmente as mulheres ainda precisam repetir constantemente.
As amigas conseguiram reunir 40 aliadas do projeto em um grupo de WhatsApp e arrecadaram cerca de R$ 3 mil para produzirem 4 mil tatuagens. Depois de começar no Rio, o segundo ano do movimento chegou a São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Olinda, Brasília e Salvador. Neste ano, as tatuagens se espalham por 15 estados e pelo Distrito Federal.
A campanha é promovida pela Catraca Livre desde 2016, em uma luta pelo fim da violência contra a mulher. Como a cultura machista fica mais aflorada no Carnaval, época em que fica um clima de permissividade, casos de assédio ficam mais frequentes.
Em parceria com a Rua Livre, produtora de blocos de Carnaval que pensa ações de impacto social para a folia e para a cidade, e a Prefeitura de São Paulo, a iniciativa marca presença nos principais circuitos do Carnaval de rua paulistano com os Anjos do Carnaval, que vão orientar vítimas de assédio nos blocos pelo segundo ano consecutivo. Neste ano, a campanha chega também em blocos de Belo Horizonte, Salvador, Recife e Rio de Janeiro.
#CarnavalSemAssédio por Gabriel Nogueira#CarnavalSemAssédio por Gabriel Nogueira
A Comissão Feminina do Carnaval de Rua de São Paulo surgiu em agosto de 2019 a partir da necessidade de ampliar a representatividade das mulheres nas discussões e decisões relacionadas à maior festa de rua da cidade.
Mulheres como Andrea Lago, do Cacique Jaraguá, Silvia Lopes, do Nois Trupica Mas Não Cai, Paula Klein, do Agora Vai, Baby Amorim, do Ilú Obá de Min, e Lira Alli, do Vai Quem Qué, há anos reivindicavam esta maior participação, além de movimentos como o Manifesto Carnavalista e o coletivo Arrastão dos Blocos.
A Comissão acredita que o olhar feminino contribui para ampliar a perspectiva de quem produz o Carnaval, apontando novos elementos na luta pela construção de um ambiente mais inclusivo, seguro e acolhedor a todxs, fortalecendo assim a democratização do processo de ocupação do espaço público.
A campanha criada pela modelo Luana Carvalho e pela pesquisadora Gabi Morais trabalha pelo respeito questionando como seria se as pessoas pudessem curtir o Carnaval sem medo. Na página do movimento, elas perguntam como seria se não existisse gordofobia: do que você iria se fantasiar? Como dançaria? Como se sentiria?
“Se eu @lxccarvalho pudesse curtir um #CarnavalSemGordofobia não teria medo de pegar transporte público, usaria uma fantasia sem me preocupar em mostrar certas partes do meu corpo, iria pro bloco pra me divertir e não pensando em qual frase gordofobica vou ouvir, dançaria sem receios”, escreve Luana.
A campanha vem crescendo rápido e recebendo muitos comentários de seguidoras compartilhando respostas aos mesmos questionamentos, pensando sempre se não existisse gordofobia.
As criadoras lançaram ainda um manual com 9 dicas de como não ser uma pessoa gordofóbica no Carnaval. O principal ponto é sobre deixar as pessoas gordas confortáveis, sendo seus amigos ou não, para curtirem em paz a festa.
Fazer elogios, não usar fantasias que reforcem o estereótipo, não fotografar nem ridicularizar estão entre as orientações. Parece básico, mas não é. A última postagem aconselha ainda como pessoas magras podem contribuir no combate à gordofobia.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Coletivo dos Blocos de Rua de Brasília, formado por fotógrafos, designers, produtores, cineastas e artistas da cidade, promove a campanha. Ilustrada por mulheres e pessoas LGBT, a ação chega toda trabalhada na representatividade para falar sobre respeito.
A iniciativa foi pensada para conscientizar dos foliões a se unirem pelo combate à violência, empoderando as pessoas mais atingidas pelo preconceito e pela intolerância. Além da atuação nas redes sociais e de um posto móvel para prestar o atendimento às vítimas, o coletivo faz a distribuição de selos adesivos para identificar quem se comprometeu em dar esse apoio à vítimas durante os blocos.
Para receber o selo basta mandar um e-mail para foliacomrespeito@gmail.com, solicitando a carta compromisso, responder concordando com os itens da carta e receber o selo da campanha. As atrações que que aderem ao movimento propagam o respeito em seus eventos, na busca de uma folia mais segura e feliz para todos e todas.
  • Eu sou do bloco do respeito
Criada em 2019, em Brasília, a campanha volta ainda mais forte em 2020 para conscientizar as pessoas sobre o respeito à vida, às mulheres, à diversidade e ao patrimônio público. Neste ano, a ideia é também abordar questões sobre lixo e sustentabilidade.
O objetivo da ação é trazer mais informação ao público, auxiliando na identificação de comportamentos que podem prejudicar a brincadeira. A campanha conta com a participação das secretarias da Mulher, Mobilidade, Limpeza Urbana, Segurança Pública, Juventude e de Justiça e Cidadania, que trarão mensagens educativas para garantir um Carnaval de respeito e paz.
  • Só se eu quiser
A Coordenadoria Estadual de Políticas para as Mulheres do Piauí lançou a campanha “ Só se eu quiser… Não é não”. A ideia aqui é sensibilizar os cidadãos piauienses sobre a importância do respeito ao corpo e à vontade das mulheres durante o Carnaval.
O órgão entende que, durante este período, os crimes de violências sexuais, físicas ou psicológicas são intensificados, mas muitas mulheres não fazem uma denúncia oficial devido a agressão ter acontecido durante a festa.
As ações acontecerão de forma educacional e preventiva na cidade de Teresina e municípios do entorno com estantes de serviços da CEPM, OAB/PI, COJUV, CEMDROGAS, DETRAN, SESAPI e Defensoria Pública.

Canais de denúncia

Vítimas de importunação e violência sexual no período do Carnaval podem realizar denúncias por meio de diferentes canais, como o 190 (Polícia), 100 (Disque Direitos Humanos) e do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Também é possível prestar depoimento em qualquer posto policial e da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher.
Para que a denúncia se torne mais efetiva, é importante anotar o local, dia e horário em que o fato ocorreu; o endereço e o telefone das pessoas que testemunharam o fato e checar se na região que ocorreu o fato existem câmeras que possam ter registrado a agressão. Se for possível, faça registro audiovisual da agressão. Em casos de crimes de ódio na internet, tire sempre print ou foto da página do agressor para poder apresentar as imagens como prova.

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