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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Mulheres no Santo Ofício

JN

23/04/2018

O Papa Francisco deu mais um sinal claro da sua determinação em dar mais relevo às mulheres no interior da Igreja Católica. No sábado passado, pela primeira vez, foram nomeadas três peritas como consultoras da Congregação da Doutrina da Fé. Nunca antes esse encargo tinha sido assumido por leigos, era sempre reservado a clérigos.


A partir de agora o conjunto dos consultores daquela Congregação - que já teve a designação de Santa Inquisição Romana e Universal e que, depois, se chamou Congregação do Santo Ofício - passa a ser maioritariamente feminino. É composto por dois consultores clérigos e três leigas. Tem dois especialistas em Direito Canónico, a legislação que regula a Igreja Católica - o P. Manuel Arroba Conde e a Doutora Linda Ghisoni; e três teólogos - o P. Sergio Paolo Bonanni e a professora Michelina Tenace, docentes de teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e a professora Laetitia Calmeyn, que também ensina teologia no Collège des Bernardins, em Paris.

Este é mais um exemplo, entre tantos outros, que demonstram a preocupação de Francisco em promover os leigos e em dignificar a mulher na Igreja. Ainda há poucos meses o Papa propôs à Pontifícia Comissão para a América Latina que refletisse na sua Assembleia Plenária sobre o tema "A mulher, pilar da edificação da Igreja e da sociedade na América Latina".

Esta comissão reuniu no Vaticano, entre os dias 6 e 9 de março. Francisco sugeriu então que fossem convidadas a participar algumas personalidades femininas. O documento final desse encontro, divulgado no início deste mês, denuncia que no continente latino-americano continuam a existir "clérigos machistas, mandões, que pretendem usar as mulheres apenas como escravas dentro da sua paróquia, e como uma clientela submissa ao culto e mão de obra barata para tudo o que se necessite".

Ora, as mulheres "devem ser reconhecidas e valorizadas como corresponsáveis na comunhão e missão da Igreja, presentes em todas as instâncias pastorais de reflexão e decisão pastoral". Para os participantes nessa assembleia "é possível e urgente" ampliar a participação e a colaboração "das mulheres nas estruturas pastorais das comunidades paroquiais, diocesanas, ao nível das 

Conferências Episcopais e na Cúria Romana".

Para que tal seja possível é necessária uma "mudança de mentalidade e um processo de transformação". Só assim será possível uma Igreja Católica "livre de preconceitos, dos estereótipos e das discriminações sofridas pela mulher". O Papa, não só concorda com essa dignificação da mulher no seio da Igreja, como a está a promover ao escolhê-las para ocupar cargos que, até agora, eram reservados aos clérigos.

Apesar de todo esse caminho já trilhado, Francisco continua a colocar a ordenação de mulheres fora do seu pontificado. Não é uma questão para tratar agora, como afirmou por diversas vezes. Há ainda demasiadas resistências ao sacerdócio no feminino numa instituição que, durante dois milénios, foi completamente dominada por homens. Contudo, ao nomear mulheres para lugares a que antes não tinham acesso, o Papa está a habituar os fiéis a vê-las em funções relevantes na Igreja. Isso, no futuro, facilitará uma maior abertura à sua ordenação.

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