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quarta-feira, 31 de julho de 2013

“Integração de serviços públicos preservará a vida da vítima”, diz ministra Eleonora em ato de adesão do Paraná ao ‘Mulher, Viver sem Violência’


31/07 - “Integração de serviços públicos preservará a vida da vítima”, diz ministra Eleonora em ato de adesão do Paraná ao ‘Mulher, Viver sem Violência’

Em discurso na tribuna de honra, ministra Eleonora apresenta detalhes do programa do governo federal Foto: Isabel Clavelin/SPM
Realizado no pleno do Tribunal de Justiça, teve, também, a formalização do ingresso de 13 municípios ao Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
O Paraná é a segunda unidade da federação a assinar o termo de adesão ao programa Mulher, Viver sem Violência, do governo federal e coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. O ato ocorreu no pleno do Tribunal de Justiça, na última sexta-feira (26/07), em Curitiba.
Na solenidade, a ministra Eleonora Menicucci, da SPM, apresentou os cinco eixos do programa: atendimento humanizado e coleta de vestígios de crimes sexuais para melhoria das provas periciais; transformação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 em disque-denúncia; construção de centros de atendimentos nas fronteiras secas do Brasil com a Bolívia, a Guiana Inglesa, o Paraguai e o Uruguai; campanhas continuadas de comunicação para prevenção, conscientização e orientação a serviços; e construção da Casa da Mulher Brasileira, uma unidade em cada capital.
“A integração de serviços públicos preservará a vida das mulheres. Elas deixarão de peregrinar em busca por atendimento e deixarão de esperar alguns juizados expedirem as medidas protetivas num prazo maior que 24 ou 48 horas. Esse é o prazo para que elas sejam mortas”, disse a ministra Eleonora. Referindo-se à importância do instrumento, pontuou que mais de “mais de 200 mil mulheres foram salvas da morte”. A expectativa, como revelado para a ministra, é que a integração facilite o acesso das mulheres à garantia legal: “a mulher já sairá da Casa com a medida protetiva em mãos”, completou.
Citando dados alarmantes - dentre os quais a colocação do Paraná como terceiro estado em assassinato de mulheres, Curitiba como a quarta capital e 11 municípios paranaenses entre os cem em óbitos femininos no país –, a ministra frisou que o programa do governo federal não se “resume à Casa da Mulher Brasileira”. Trata-se de articulação institucional voltada ao atendimento das mulheres. “Estamos buscando, cada vez mais e republicanamente, construir e efetivar políticas que defendam a vida das mulheres”, afirmou.
Menicucci frisou que o Mulher, Viver sem Violência fortalece o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e baseia-se na Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, ambos criados na gestão do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. E foi categórica ao apontar a urgência de novos instrumentos e mecanismos para garantir a plena implementação da Lei Maria da Penha, por meio da rigorosa punição de agressores, e serviços públicos de acolhimento integral e humanizado às vítimas.
“A rede de atendimento à mulher em situação de violência foi construída, ampliada e está se consolidando. Mas essa rede sinalizou que as capitais brasileiras precisavam de ação mais forte e determinada dos três Poderes, aliados ao sistema de segurança pública e de justiça, para de fato integrar todos os serviços dessa rede num espaço único”, detalhou a ministra. E pontuou: “a política de enfrentamento à violência contra as mulheres é um processo. A existência da Casa da Mulher Brasileira não elimina, ao contrário, fortalece os municípios-polo que terão, na retaguarda, os três Poderes da República”. 
Expansão de pacto - Na ocasião, 13 municípios assinaram o termo de adesão ao Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres: Apucarana, Araucária, Cascavel, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Irati, Londrina, Maringá, Piraquara, Telêmaco Borba, Toledo e União da Vitória. 
Foram signatários: o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet; o prefeito de Telêmaco Borba, Luiz Carlos Gibson; a prefeita em exercício de Guarapuava, secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Eva Lima; a secretária municipal da Mulher e da Família de Apucarana, Denise Machado; a secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina, Sônia Maria Medeiros; a secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Toledo, Maria Cecília Ferreira; a secretária municipal de Assistência Social de Araucária, Belquis Ferreira; a secretária municipal de Assistência Social e presidenta do Conselho da Mulher de Cascavel, Inês de Paula; a consultora jurídica da prefeitura de União de Vitória, Graziela Amaral; os representantes da prefeitura de Fazenda Rio Grande Ana Lúcia Andrade e Márcio Claudio; e a representante da prefeitura de Irati Ana Claudia Poliski. 

Múltiplas formas de violência - Representando do governador do estado, Beto Richa (PSDB-PR), a secretária estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Maria Tereza Uille Gomes, registrou que “as políticas para as mulheres são resultado da integração entre a União, os estados, os municípios e a sociedade civil organizada”.  Destacou que as mulheres devem ser vistas com a atenção pelo poder público como sujeitos de direitos e pela influência que detêm na vida social e familiar. 
A secretária estadual mencionou algumas das múltiplas formas de violência de gênero, entre elas a doméstica e a institucional, reconhecendo a relevância “de se ter uma casa que abrigue a mulher quando da situação de violência”. Discorreu, ainda, sobre a situação das mulheres nas prisões e o crescente número de apenadas, sobretudo por crimes relacionados ao tráfico de drogas.

Articulação institucional – Reafirmando a capacidade de diálogo e articulação institucional “independente de qualquer projeto temporal, diferença partidária ou ideológica”, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT-PR), enfatizou a necessidade de “clareza de cooperação entre o poder público e a sociedade civil” para a implementação do Mulher, Viver sem Violência.
“Senhora ministra, tenha certeza de que nos orgulhamos muito em poder participar desse momento. Mais que formalidade, é preciso reafirmar e demonstrar todo o trabalho para conquistarmos uma relação de confiança e credibilidade com a sociedade. Será letra morta, se não houver capacidade de fazer esse diálogo”, salientou o prefeito. 

Mudanças sociais - Para Fruet, o século 21 é tempo de transformação. E os avanços sociais no país, a exemplo da inclusão social de pobres e da estabilidade econômica, compõem nova agenda para a sociedade, na qual a eliminação da violência de gênero tende a se incorporar aos anseios por mudanças. “Entendo que há avanço com a implantação do Ligue 180 e a Lei Maria da Penha, como verificam, no Congresso, os deputados Rosinha e Angelo Vanhoni, esse marco institucional muito importante. Mas esse terceiro ciclo é para que todo esse marco institucional se torne real na vida das pessoas”, analisou Fruet em alusão ao Mulher, Viver sem Violência.
Demonstrando engajamento com o programa, o prefeito de Curitiba declarou: “assinamos esse compromisso com o enfrentamento à violência contra as mulheres para que se torne em ação diária de toda a prefeitura, de toda a cidade de Curitiba”. E revelou-se disposto a viabilizar as ações com rapidez. “E com a Casa da Mulher Brasileira ficamos também comprometidos já que toda ação realizada. Se tudo transcorrer bem, já no mês de agosto começaremos a obra, fortalecendo a rede de proteção e abrigamento para que as mulheres saibam que aqui, em Curitiba, esse ato vai ser tratado como covardia. Iremos trabalhar na prevenção e no trabalho imaterial de transformação da sociedade”.
Ao final de seu discurso, Fruet enviou “agradecimentos à presidenta Dilma, que nos recepcionou quando da apresentação desse projeto, e também à ministra Gleisi Hoffmann. Reafirmamos esse compromisso com uma das ações que pode ser uma das maiores transformações que vamos ter na sociedade no século 21”.

Defesa pública seguida de assassinato da vítima – Em depoimento que emocionou o público, a defensora pública-geral do Paraná, Josiane Fruet Lupion, recuperou a história de uma cidadã, vítima de violência doméstica, ocorrida há 25 anos. Mulher demandante de separação judicial, mãe de quatro filhos pequenos, deu basta à violência e tentava, após o fim do casamento em que era vítima de agressões, reconstruir a sua vida, na capital paulista.
“Ela perguntava a mim: quando é que nesse país, nessa cidade, nesse mundo, haverá um local onde a mulher poderá se abrigar da violência que sofre silenciosa, dentro de casa, com seus filhos?", rememorou a operadora de justiça. Depois de conseguir convencer o marido à separação amigável e aceitar a mudança dela e dos filhos de Curitiba, a tão esperada separação aconteceu, numa sexta-feira, como contou a defensora.
“Na segunda-feira, abro A Tribuna do Paraná e ela estava morta, em sua casa, com as malas e os filhos em volta dela. Ele a matou com cinco tiros e seis facadas na frente dos quatro filhos. Foi um atendimento que fiz e me acompanha até hoje. Talvez se tivéssemos, naquela época, esse amparo que hoje temos, talvez aquela situação não tivesse acontecido”, observou a defensora pública-geral do Paraná.
Apoio às políticas públicas - Ao final da cerimônia, a segunda vice-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargadora Dulce Maria Cecconi, reforçou o compromisso do órgão com o enfrentamento à violência de gênero. De acordo com ela, o tribunal opera “no combate e na prevenção da violência contra as mulheres e no cumprimento, dia a dia, das políticas públicas”. 
O ato teve a presença de ativistas da sociedade civil e de representantes de universidades. Entre as diversas autoridades, estiveram presentes: as secretárias nacionais de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, e de Articulação Institucional, Vera Soares – ambas da SPM; os deputados federais Ângelo Vanhoni (PT-PR) e Dr. Rosinha (PT-PR); o corregedor-geral de Justiça do Paraná, desembargador Lauro de Melo; o procurador de Justiça Ricardo Maranhão, representando o procurador-geral do Ministério Público do Estado do Paraná, Gilberto Giacoia; a desembargadora Denise Kruger Pereira, titular da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid); a diretora-adjunta do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Paraná e gestora estadual do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Regina Bley; a secretária municipal da Mulher de Curitiba, Roseli Isidoro; a diretora-presidente da Fundação de Ação Social de Curitiba, Márcia Fruet; e o diretor-jurídico da Itaipu Binacional, Cesar Eduardo Ziliotto.

Especial Mulheres e Cultura: Grafiteira Panmela Castro chama artistas para seleção de projetos e conta sua história de arte urbana engajada com o fim da violência


31/07 - Especial Mulheres e Cultura: Grafiteira Panmela Castro chama artistas para seleção de projetos e conta sua história de arte urbana engajada com o fim da violência
Artista é saudada pelas ministras Eleonora Menicucci (Mulheres) e Marta Suplicy (Cultura) Foto: Isabel Clavelin/SPM
Ela incorpora o pensamento feminista aos seus traços em murais e paredes. Em entrevista ao site SPM, no lançamento dos editais públicos Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – Apoio à Curta e Média-Metragem e Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, convida artistas a participarem da seleção de projetos de artes visuais e de cinema
 
Arte feita por mulheres e inspirada nelas. É com esse espírito que a grafiteira Panmela Castro, mais conhecida como Anarkia Boladona, produz murais pelo mundo há oito anos. Ela retrata o universo feminino e a luta das mulheres pelo enfrentamento à violência.
 
Carioca de 32 anos, trabalha com arte urbana desde os 18. “Comecei com a pichação. Meus amigos achavam estranho eu, uma menina, pichando muro”, lembra em entrevista ao portal da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).  
 
A artista deixou sua marca nas paredes da Funarte, em Brasília no início deste mês, durante o ato de lançamento dos editais públicos Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – Apoio à Curta e Média-Metragem e Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais. Ambos são iniciativa da SPM e do Ministério da Cultura e seguem com inscrições abertas até meados de agosto.
 
Panmela considera que as políticas públicas são necessárias para mudar a realidade das artes visuais no Brasil, em que os homens são a maioria dos artistas. “Não há paridade de gênero na cultura e esse número tem de mudar com as políticas públicas”. Para quebrar essas barreiras de gênero, ela chama as mulheres a participarem da seleção de projetos de artes visuais e de cinema, a fim de garantir o espaço delas no mundo artístico.
 
“Vivo da minha arte, mas ainda tenho dificuldade de ser reconhecida profissionalmente”, conta. São frequentes, segundo ela, os comentários de que o grafite não seria arte “madura”. E sim, expressão para adolescentes.
 
Bacharel em pintura e mestra em Artes, a grafiteira tem uma empresa que produz murais, inclusive com imagens personalizadas, para diversas organizações. Como profissional, já grafitou na França, nos Estados Unidos, no Canadá, na República Tcheca, na Áustria, na Alemanha, na África do Sul, na Turquia, em Israel, entre outro países. 
 
Em 2012, foi eleita como uma das 150 mulheres mais influentes do mundo. Figurou em lista composta pela presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, a ex-presidenta chilena Michele Bachellet, a atriz Angelina Jolie e a fotógrafa e cineasta Cindy Sherman. E soma prêmios na categoria de direitos humanos: o Vital Voices Global Leadership Awards, da Organização Vital Voices, e o DVF Awards, da Fundação Diller Von Furstenberg Family Fundation. 
 
Ousadia nas artes - “Quando comecei, havia um estigma de que menina só desenhava bonequinhas, flores”, declara. Contrapondo-se à infantilização das mulheres, acredita ter influenciado o surgimento de outras grafiteiras. E a arte politizada perpassa sua vida: é fundadora e presidenta da Nami, organização feminista voltada às artes urbanas para promover os direitos das mulheres.
 
Com expressivas figuras femininas, os desenhos de Panmela representam as mulheres que a rodeiam, tais como familiares e amigas. “Muitas mulheres que conheço foram vítimas de violência doméstica. Resolvi contar essas histórias para tentar mudar a situação”, diz. Não é à toa que dedica talento e tempo em oficinas gratuitas sobre arte para divulgação da Lei Maria da Penha.

SPM e Ministério da Cultura recebem inscrições de projetos de artes visuais e de cinema

Exclusivamente voltadas às mulheres, as duas chamadas públicas buscam estimular a produção artística e a gestão cultural – ações destacadas no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015. Projetos para curtas serão financiados em até R$ 45 mil, médias-metragens, R$ 90 mil. Para as artes visuais, serão destinados R$ 70 mil para cada proposta
Informações: www.spm.gov.br
Continuam abertas as inscrições para os prêmios Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – Apoio à Curta e Média-Metragem e Funarte Mulheres nas Artes Visuais,lançados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) e pelo Ministério da Cultura, no início deste mês, em Brasília. A ação marca o investimento do governo federal no fomento às artes, feitas exclusivamente por mulheres em todo o país. Trata-se de demanda da sociedade civil de incentivo e valorização da produção artística e cultural feminina, incorporada ao Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015. 
 
Destinado à seleção de 16 obras audiovisuais, o Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – Apoio à Curta e Média-Metragem receberá, até 19 de agosto, projetos apresentados por pessoas físicas e jurídicas. Dez obras audiovisuais de até cinco minutos (curtas) e seis filmes de 26 minutos (médias). Serão destinados até R$ 45 mil para cada proposta de curta e R$ 90 mil para médias-metragens Essa chamada pública é iniciativa da SPM e do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Audiovisual. 
 
Serão admitidos os gêneros ficção, documentário e animação. A temática deve abordar a construção da igualdade entre mulheres e homens, os direitos das mulheres e de sua cidadania. Os conteúdos devem considerar a diversidade nos meios urbano e rural (campo e floresta), indígenas, negras e povos tradicionais. A premiação presta homenagem à Carmen Santos – atriz, produtora, diretora e empreendedora cultural – pela contribuição à cinegrafia brasileira, dos anos 1920 ao final de 1940.
 
Já o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais pretende selecionar, até 16 de agosto, dez projetos de diferentes linguagens artísticas com até R$ 70 mil, para cada proposta. Visa a incentivar a profissionalização nos processos de gestão e valorização da produção cultural. 
 
Estarão aptos à apresentação: montagem de exposições, mostras, oficinas, intervenções urbanas, publicações, produção crítica e documental, seminários. Todas as propostas devem considerar o resultado de ampliação do mercado de artes visuais da produção feminina e a formação de público.
 
Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais – inscrições até 16 de agosto
Premiação: Seleção de dez projetos.  Cada proposta contemplada receberá R$ 70.000,00 (setenta mil reais). 
Informaçõeswww.funarte.gov.br  | www.spm.gov.br
 
Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013 – inscrições até 19 de agosto
Curta-metragem: dez obras audiovisuais de até cinco minutos. Será destinado até R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) para cada projeto. 
Média-metragem: seis obras audiovisuais de 26 minutos. O valor para cada proposta é de até 90.000,00 (noventa mil reais).

Estudantes do ensino médio, universitários e escolas podem se inscrever no 9º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero


31/07 - Estudantes do ensino médio, universitários e escolas podem se inscrever no 9º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero
31/07 - Estudantes do ensino médio, universitários e escolas podem se inscrever no 9º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero
Até 30 de setembro, redações e artigos científicos de estudantes do ensino médio, universitárias e universitários sobre gênero, mulheres e feminismos podem ser inscritas em concurso nacional. Escolas com ações em prol da igualdade e do enfrentamento de discriminações também serão reconhecidas 

 
Gênero, mulheres, feminismos, relações raciais, geração, classe social e sexualidade. Esses são alguns dos temas que estudantes do ensino médio, graduação, mestrado e doutorado; graduadas e graduados, especialistas; mestras e mestres poderão participar na9ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero. O concurso selecionará, até 30 de setembro, redações e artigos científicos, além de experiências inovadoras de escolas públicas e privadas.  
 
A iniciativa tem como objetivo estimular a produção científica e a reflexão crítica acerca das desigualdades entre mulheres e homens. Os trabalhos que se destacarem receberão premiações, tais como notebooks e equipamentos de informática (para estudantes de ensino médio), bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, de acordo com as normas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 
 
Todas as categorias terão inscrição somente pelo portal www.igualdadedegenero.cnpq.br 
 
Ensino pró-equidade - Escolas públicas e privadas de ensino médio, com projetos e ações pedagógicas para a promoção da igualdade entre mulheres e homens, poderão apresentar iniciativas voltadas ao enfrentamento à discriminação racial, étnica e de orientação sexual. Será escolhida uma escola por unidade da federação. 
 
Professoras e professores orientadores e as escolas que tiverem estudantes premiados receberão assinatura anual da Revista de Estudos Feministas e dos Cadernos Pagu.  
 
O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero é uma realização da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MCTI/CNPq), do Ministério da Educação (MEC) e da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para o Empoderamento das Mulheres e a Igualdade de Gênero. 
 
Recorde de inscrições - A 8ª Edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, ocorrida em 2012, alcançou o recorte de 5.139 trabalhos. Em 2010, foram efetuadas 4.572 inscrições, aumento de 12% no comparativo ao número de participantes da 8º edição.
 
9º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero
Período de inscrições: até 30 de setembro de 2013
Mais informaçõeswww.igualdadedegenero.cnpq.br

Ministra Eleonora firma, nesta 5ª feira, adesão da Bahia ao programa “Mulher, Viver sem Violência”

Em Salvador, ato reunirá governo do Estado, prefeitura e sistema local de justiça

A Bahia será a terceira unidade da federação a formalizar o termo de adesão ao programa “Mulher, Viver sem Violência”, coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Até o final do ano, todos os estados poderão somar-se à iniciativa do governo federal. 

Em Salvador, sob a liderança da ministra Eleonora Menicucci, da SPM, o ato reunirá o governador Jaques Wagner; o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto; o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Mário Alberto Simões Hirs; o procurador-geral do Ministério Público, Wellington César Limar e Silva; e a defensora pública-geral da Bahia, Vitória Bandeira. A solenidade acontecerá nesta quinta-feira (01/08), às 9h, na Sala de Atos da Governadoria.

Estarão presentes: as secretárias nacionais de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, e de Articulação Institucional, Vera Soares – ambas da SPM-PR; a secretária estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, Vera Lúcia Barbosa; e a superintendente de Políticas para as Mulheres de Salvador, Mônica Kalile.

Com a assinatura do documento, a Bahia passará a compor o programa do governo federal que tem por objetivo integrar os serviços públicos de atenção às mulheres em situação de violência, proporcionando-lhes atendimento humanizado. O “Mulher, Viver sem Violência” conta com investimento de R$ 265 milhões e estabelece ações para a melhoria da coleta de vestígios de crimes sexuais; a transformação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da SPM em disque-denúncia para acionamento imediato da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); a criação de seis centros de referência nas fronteiras secas do Brasil com a Bolívia, a Guiana Inglesa, o Paraguai e o Uruguai; e a construção da Casa da Mulher Brasileira - uma unidade desta em cada capital do país.

Com obra, equipamentos e mobiliário financiados pelo governo federal, cujo orçamento é de R$ 4,3 milhões, o espaço terá a capacidade média de atender até 200 pessoas por dia. A Casa da Mulher Brasileira concentrará os seguintes serviços: delegacia, juizado/vara especializada, ministério público, defensoria pública, abrigamento temporário, espaço de convivência para a mulher, sala de capacitação e orientação para trabalho, emprego e renda, além de brinquedoteca.

Na cerimônia, a ministra Eleonora anunciará o local onde será construída a Casa da Mulher Brasileira na capital baiana, em área cedida pela União. Ao final do evento, as autoridades concederão entrevista à imprensa.

Assinatura do termo de adesão da Bahia ao programa “Mulher, Viver sem Violência” 
Data: 1 de agosto de 2013 (quinta-feira)
Horário: 9h
Local: Sala de Atos da Governadoria (3ª Avenida do CAB, 309 – Plataforma IV – Prédio da Governadoria – 3º andar) - Salvador/BA

Seguem abertas inscrições para o Pró-Equidade de Gênero e Raça até 30/8


30/07 – Seguem abertas inscrições para o Pró-Equidade de Gênero e Raça até 30/8
Desde 2005, iniciativa alcançou cerca de 900 mil trabalhadoras e trabalhadores
Empresas e instituições privadas e públicas que promovem a igualdade entre homens e mulheres no ambiente do trabalho poderão aderir a programa e buscar certificação com selo. Inscrições poderão ser feitas pelo e-mail proequidade@spm.gov.br
 
Veja aqui mais informações
 
Empresas e instituições privadas e públicas – que tenham ações ou estejam interessadas em enfrentar discriminações no trabalho – podem participar da 5ª edição do programa Pró-Equidade de Gênero e Raça 2013-2014, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). As inscrições prosseguem até 30 de agosto e podem ser feitas pelo e-mail proequidade@spm.gov.br 
 
Esse é o primeiro passo para que a empresa ou organização privada ou pública inicie a sua participação no programa, que será formalizada por meio de termo de adesão e compromisso na elaboração de plano de ação com metas voltadas à valorização de profissionais e à promoção da igualdade nas relações de trabalho. As organizações que se inscreverem na 5ª edição do programa participarão, em 28 de junho, de oficina em Brasília. Na ocasião, serão apresentadas as etapas do Pró-Equidade de Gênero e Raça e resultados das quatro edições anteriores. 
 
A ministra Eleonora Menicucci, da SPM, alerta que as relações de gênero exercem papel relevante para o entendimento das estratificações no mercado de trabalho, influenciando a sua própria dinâmica e características. “É preciso que as empresas envolvam cada vez mais seus empregados e empregadas em ações voltadas para mudar as relações de trabalho e, com isso, diminuir as desigualdades, que tanto afetam as mulheres nesses espaços”, considera a ministra da SPM.
 
Desde 2005, quando foi criado, o programa atingiu direta ou indiretamente cerca de 900 mil funcionárias e funcionários - 45% mulheres e 55% homens. A maioria delas possui remuneração equivalente a um ou dois salários mínimos (até R$ 1.352,00), representando 53% dos trabalhadores nessa faixa salarial. Quanto maior o salário, menor é a proporção feminina. Apenas 26% recebem 25 salários mínimos ou mais (a partir de R$ 16.950,00), ou seja, a remuneração masculina é quase três vezes maior em relação a das mulheres.
 
As organizações participantes do Pró-Equidade de Gênero e Raça chegam a apresentar quase três vezes mais mulheres em cargos executivos do que as que ainda não aderiram: enquanto elas ocupam 40% das posições de comando e decisão, eles são 59%. De acordo com pesquisa Ethos/Ibope, em 2010, as executivas somavam apenas 14% e os homens ocupavam 86% dos cargos.
 
Mudança na cultura organizacional - O programa tem três pilares: promoção da cidadania e combate à discriminação no acesso, remuneração, ascensão e permanência no emprego de mulheres e homens; compromisso com a igualdade entre mulheres e homens e racial priorizando a gestão de pessoas e a cultura organizacional da empresa ou organização; e difusão de práticas exemplares entre as empresas e instituições que promovam a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.
 
Entre o conjunto de ações do Pró-Equidade, destacam-se: desempenho do plano de ação com metas para combater as discriminações de gênero e raça baseadas na realidade da empresa, monitoramento das mudanças previstas e avaliação do cumprimento das metas e a certificação. Com o selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, a organização é reconhecida publicamente pelas ações desenvolvidas no ambiente profissional formando um conjunto de boas práticas capazes de destacar a empresa por praticar a igualdade entre mulheres e homens e contribuir, dessa forma, com o desenvolvimento mais igualitário do país.
 
O programa não concederá o selo para empresas e organizações com denúncia de assédio que não foram apuradas. Também não serão incorporadas ao programa empresas condenadas na justiça por uso de trabalho escravo ou compulsório.
 
Boas práticas - Em suas quatro edições, o Programa conseguiu reunir práticas de igualdade que formam um conjunto de ações de referência para enfrentar a desigualdade entre mulheres e homens no espaço de trabalho: instalação de salas de aleitamento, ampliação das licenças maternidade e paternidade, adoção de linguagem inclusiva nos crachás e contra-cheques, adaptação de uniformes e equipamentos de proteção individual, incentivo nos contratos de trabalho da empresa inclusive com terceirizados à igualdade de gênero, raça e etnia,  inclusão nos editais de concursos públicos dos temas para igualdade de gênero e diversidade entre os conteúdos programáticos, mudanças nos planos de carreira para incentivar que mais mulheres atinjam os cargos de direção, entre várias outras.
 
Liderado pelo governo federal, por meio da SPM, o programa tem apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

SPM e parceiros realizam conferência internacional sobre uso do tempo, a partir de 7/8, no Rio de Janeiro

Encontro reunirá, até 9 de agosto, especialistas, pesquisadoras e pesquisadores de todo o mundo. Ainda estão abertas as inscrições para a 35ª Conferência da Associação Internacional para Pesquisa de Uso do Tempo
 
Clique aqui para acessar a programação
 
Trinta e oito países da África, América, Ásia, Europa e Oceania participam, de 7 a 9 de agosto, da 35ª Conferência da Associação Internacional para Pesquisa de Uso do Tempo, no Rio de Janeiro. Especialistas apresentarão estudos estatísticos e acadêmicos, baseados no tema central ‘O valor do tempo: debatendo as desigualdades sociais’.
 
As pessoas interessadas em participar podem se inscrever e obter informações sobre o pagamento e o evento pelos endereços: 
 
A conferência está sendo organizada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e ONU Mulheres. É uma promoção da Associação Internacional de Pesquisas de Uso do Tempo (International Association for Time Use Research – Iatur).
 
Para a secretária nacional de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho, a realização da conferência no Brasil deverá fortalecer os estudos e trabalhos sobre o uso do tempo. A expectativa é que a produção ocorra não apenas nos meios acadêmicos, mas também entre as organizações sociais de mulheres que já se interessam pelo tema.
 
Gênero nos dados oficiais - O Comitê Técnico de Estudos de Gênero e Uso do Tempo foi criado, em 2008, como uma das ações previstas no II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM). Tem por objetivo estimular a incorporação da perspectiva de gênero na produção e análise das estatísticas oficiais e nos registros administrativos do país. Entre os principais resultados, está a incorporação do bloco temático sobre gênero na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC), elaborada pelo IBGE desde 2009 e a pesquisa piloto sobre uso do tempo realizada pelo IBGE naquele ano. 
 
Participação internacional – Realizado pela segunda vez no Brasil, o encontro tem significativa presença de pesquisadores e pesquisadoras latino-americanas. Do Brasil, foram 47 trabalhos inscritos, o equivalente a 26% do total, representando a maior participação do país numa conferência de uso do tempo. Contando os últimos 13 anos, desde o ano 2000, é a primeira vez que Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela inscrevem pesquisas.
 
Com 11 trabalhos inscritos, o Reino Unido responde por 6% das submissões da 35ª Conferência. Um desses estudos é “A revolução de gênero contínua no trabalho não remunerado”, do diretor do Centro de Pesquisa em Uso do Tempo da Universidade de Oxford, Inglaterra, Jonathan Gershuny.
 
Memória – A 35ª Conferência sobre Uso do Tempo terá uma plenária em homenagem a um dos primeiros pesquisadores de uso do tempo, o professor húngaro Alexander Szalai. Ele foi responsável pelo primeiro grande estudo multinacional de uso do tempo realizado entre 1965 e 1966. Esse estudo foi implementado em 12 países, com 30 mil entrevistados no total. A publicação resultante, o livro “O uso do tempo”, é considerada referência na área, criando padrões metodológicos referenciais.  A filha do professor húngaro, Julia Szalai, também pesquisadora de uso do tempo, participará da plenária em sua homenagem.
 
A conferência contará com a presença de Neuma Aguiar uma das principais expoentes em pesquisas de uso do tempo no Brasil, e de Indira Hirway, professora de Economia e diretora do Centro para Alternativas de Desenvolvimento (Center for Development Alternatives) de Ahmedabad, Índia.
 
 
35ª Conferência Internacional sobre Uso do Tempo
Data: 7 a 9 de agosto de 2013
Local: Centro Empresarial da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Centro de Convenções (Av. Graça Aranha, 1, Centro – Rio de Janeiro, RJ – 20030-002)

Em artigo, secretária da Bahia afirma compromisso do estado com o programa ‘Mulher, Viver sem Violência’

Texto originalmente publicado no jornal A Tarde, na edição de 15 de julho de 2013, faz referência às parcerias para a implementação de iniciativa proposta pelo governo federal
 
Uma casa para as mulheres ganha corpo em Salvador 
 
por Vera Lúcia Barbosa* 
 
Um espaço que vai abrigar toda a rede de atenção às mulheres em situação de violência, de forma integrada e que tem como objetivo a otimização do atendimento. Esta, em resumo, é a proposta da Casa da Mulher Brasileira, anunciada pela presidenta Dilma Rousseff em março deste ano. A ideia começa a ganhar corpo em Salvador.
 
Estarão presentes em um endereço comum o sistema de segurança, com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), a Justiça, com uma vara ou um juizado especial, além do Ministério Público, da Defensoria e do atendimento psicossocial, nos mesmos moldes dos centros de referência, que já atuam com este público. A concentração desses serviços em um mesmo espaço busca evitar o deslocamento da vítima de um canto a outro da cidade, oferecendo atenção de forma integral. Estão previstos também balcões de orientação sobre emprego e renda, com informação sobre microcrédito, acesso ao trabalho e/ou a cursos de qualificação profissional para contribuir com a autonomia daquelas que são dependentes financeiramente.
 
A instalação prevê, ainda, atendimentos de apoio, com os espaços de convivência, brinquedoteca e alojamento de passagem, para permanências curtas, à espera das providências necessárias a cada caso. Uma central de transportes funcionará de forma a garantir os encaminhamentos aos hospitais de referência, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou unidades básicas de saúde, Instituto Médico Legal (IML) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).
 
Para a implantação de 27 Casas da Mulher Brasileira, uma em cada capital do Brasil, serão destinados recursos federais da ordem de R$ 116 milhões. A primeira delas será a da Bahia. Por conta disso, neste mês de agosto, instituições somam esforços para a sua construção e funcionamento, assinando o Termo de Adesão ao Programa Mulher Viver sem Violência com o governo federal, representado pela ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Um passo importante para concretizar este projeto de tolerância zero em relação à violência, que coloca a Bahia no inadmissível sexto lugar em homicídios de mulheres - conforme estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino Americano e Flacso - a partir do Mapa da Violência, atualizado em 2012.
 
As ações também incluem a ampliação do Ligue 180, que passará a funcionar como disque-denúncia e encaminhamento. Será feito, ainda, o investimento de R$ 20 milhões para adequação do espaço físico dos IMLs nas capitais, para atendimento devidamente humanizado; além da adequação da rede hospitalar de referência, com capacitação de servidores da área de segurança pública e dos profissionais do SUS para coleta de provas, que poderão ser utilizadas nos inquéritos policiais. Prevê a ampliação e melhoria dos núcleos de atendimento às mulheres nas fronteiras, com aporte de R$ 440 mil para cada um dos quatro existentes e destinação de três milhões para a criação de novas unidades.
 
Também será feito um grande investimento na prevenção e enfrentamento à violência, da ordem de R$ 100 milhões, através de campanhas continuadas de conscientização e informação para a mudança de comportamento. As campanhas educativas e disseminação dos mecanismos de proteção à mulher são fundamentais para este trabalho e provam sua eficácia a cada dia.
 
Mas, ao mesmo tempo em que estamos somando esforços para concretizar este projeto, é importante afirmar que seguimos trabalhando para que a rede de atenção às mulheres em situação de violência na Bahia seja ampliada. Seguimos em diálogo e articulação para a instalação de serviços de referência, delegacias e varas em alguns municípios. São ações complementares, que têm sido demandadas permanentemente pelas lideranças municipais, preocupadas em dar respostas efetivas para pôr um fim à violência que atinge mulheres, independentemente de identidade ou classe social. Esta é a nossa meta: garantir para todas as mulheres uma vida sem violência!
 
* Vera Lúcia Barbosa é secretária estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia

Livres para escolher e condenados a escolher

por Fátima Fontes

Introdução
"Porque, paradoxalmente, se o homem é livre de todas as escolhas possíveis, não pode furtar-se à necessidade de escolher: ele é 'obrigado a ser livre', assim como é condenado à responsabilidade eterna." 
(Jean Paul Sartre, por Noëlla Baraquin e Jacqueline Laffitte. Dicionário Universitário dos Filósofos. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pág.267).

Outra vez nos encontramos para refletir sobre nós e nossos vínculos, esse fascinante e intrigante mundo que nos envolve a todos e no qual sou brindada e inspirada a viver e a escrever sobre ele periodicamente.

Desta vez, nosso mote central será a nossa condição de sermos todos "seres de escolha", pois na medida em que diariamente o sopro da vida é soprado em nossas narinas, somos apresentados a um mundo carregado de possibilidades, o que nos obriga a escolher valores, caminhos e ações, pelos quais, como colocado na epígrafe acima, somos também 'condenados à responsabilidade eterna'.

Acontece que essa realidade tão óbvia e clara não está mais sendo percebida e nem tão pouco assumida. Temos acompanhado a um mundo de relações interpessoais em que grande parte das pessoas insiste em se 'desresponsabilizar' por suas escolhas, e a 'culpabilizar' o outro por seus erros, das formas mais banais, ou por caminhos inacreditáveis e até bizarros.

Que venham então nossos estímulos a construir um mundo de escolhas mais responsável e assumido por cada um de nós, afinal não há outro destino além deste, queiramos isto ou não.

Assumir nossas escolhas: desafio relacional

Muito me estimula a pensar sobre nossas inter-relações, como as artes em geral (muitos de vocês, leitores assíduos da coluna, já sabem) e sobretudo as artes cênicas, visto que muito de seus roteiros e ações acompanham muitas vezes nossos dramas, impossibilidades e possibilidades relacionais. Eles criam a distância necessária à reflexão, pois sentados diante da tela, podemos nos ver como numa sala de espelhos, com o conforto de saber que no real, também há espaços possíveis para redesenhos e redirecionamentos relacionais.

Foi o que me aconteceu ao assistir o filme Simplesmente uma Mulher (Just like a woman), drama franco-russo-americano, do diretor franco-argelino Rachid Bouchareb, recém-lançado no Brasil, no qual acompanhamos uma sucessão de escolhas e responsabilizações. O filme conta a seguinte história inter-relacional: Marilyn, jovem norte-americana atendente numa pequena empresa, sonha em trabalhar com a dança do ventre, sua paixão. Nas aulas, ela é a melhor aluna, tanto que seu professor sugere que ela participe da seleção para um grupo de dança em outra cidade. Apaixonada por seu marido desempregado e alcoólatra, ela escolhe manter a vida de casada.

No caminho do trabalho, ela sempre para num mercadinho de uma família árabe, mantendo contato com Mona, jovem egípcia, cujo casamento vive em crise pela pressão constante da sogra para que o casal tenha filhos.

Quando Marilyn é demitida e flagra seu marido com outra mulher, ela decide que é hora de ir embora de sua cidade e tentar a vaga de dançarina em outra cidade.

Para ganhar dinheiro, pretende se apresentar em restaurantes pelo caminho. Fruto de um acaso criado pelo roteiro, nesse mesmo dia Mona, a jovem egípcia dá, equivocadamente, em momento de forte esgotamento emocional, uma dose excessiva de remédios para a sogra, que morre. Assustada, a jovem decide fugir, tornado-se foragida policial. Marilyn e Mona vão se encontrar na estrada, seguindo juntas, dançando (Mona também sabe dançar) em restaurantes e bares do caminho.

E até o fim da trama, que termina em aberto, o que nos fez pensar que talvez para diretor e roteirista a concepção da vida seja complexa, tecida em fios permitindo assim que 'escolhamos em cima das escolhas', acompanharemos a contínua jornada das responsabilizações das duas protagonistas. Nesses caminhos elas viveram o ainda frágil e vulnerável mundo das mulheres, carregado de preconceitos e hostilidades contra elas, baseados numa realidade pautada por um modelo relacional abusivo e machista.

Transpondo o mundo do enredo cinematográfico para a vida que vivemos, como mulheres e homens, filhos e filhas, cidadãos e cidadãos, chefes e subordinados, e em outros papéis relacionais que se complementam, estamos todos, o tempo todo, diante de espaços relacionais de limites e possibilidades, de humilhações e crescimentos, diante dos quais teremos sempre a condição de fazer escolhas: tenham elas o tom da submissão ou dos enfrentamentos.

Para cada uma dessas orientações e escolhas, há que se bancarem as consequências das opções feitas, pois todas as escolhas trarão a também inevitável condição da renúncia à outra situação anterior ou às outras possibilidades. Esse afã por querer tudo, e por não desejar viver os dissabores e as cargas que as escolhas também trazem, tem-se criado um cenário de relações adoecidas do ponto de vista social, afetivo, biológico e espiritual. Construímos, como mundo relacional de 'sobreviventes', estratégias de entretenimentos e diversões que têm dinâmica de indústrias, nos quais shows e eventos os mais diversos, precisam 'distrair' milhares de pessoas de segunda a domingo, tentando livrá-las de seus 'fardos' existenciais.

Na outra ponta, as substâncias psicoativas, legais, como álcool ou cigarro e as ilegais como consumo de cocaína, drogas sintéticas, maconha e outros compostos, cumprem sua função 'entorpecente' dos fardos carregados, afinal 'guerreiros' precisam tomar uma 'breja' para seguir lutando e puxar um 'beck', é o que tentam convencer os slogans dessa outra indústria.

Ainda assim, o efeito anestesiante passa e vem o mundo da ressaca, lembrando a todos que não há como escapar da realidade, a não ser que rompamos com ela de forma a construir mundos delirantes, do ponto de vista psicopatológico ou sociopatológico.

Viver do eterno queixume: meu inferno são os outros

Como viver é complexo, assumir um mundo de escolhas e se responsabilizar por elas, não tem sido o lugar mais vivido. O que mais constatamos é um 'vício' que podemos chamar de ancestral e atemporal, já que o encontramos em narrativas míticas ou históricas que datam das primeiras civilizações, que é 'o vício da eterna queixa pelo que o outro me obriga a fazer'.

Interessante salientarmos que esse 'vício queixoso', não se aplica ao lado iluminado do ser humano, mas recai sempre sobre a sombra humana, passando a ser a justificativa permanente de invejas, ódios e violências.

Sim, porque se temos uma resposta extremamente violenta no trânsito das grandes cidades, o fizemos porque 'o outro' nos fechou, foi absurdamente estúpido, trapaceiro, etc... Ao escolhemos trair os pactos feitos, nos justificamos para isso no fato de que somos humanos, a tentação é grande, a carne é fraca, etc... Ao tratamos o nosso próximo como 'nada', como inexistente, é porque temos que 'correr', e não há tempo a perder para as pequenas, e menos ainda grandes delicadezas.

Mas é exatamente quando adentramos nas soleiras dos mundos íntimos, que nos deparamos com o maior estrago que esse vício provoca. Parece que vivemos numa bolha pessoal e relacional alimentada por uma recorrente expectativa de que o outro seja 'exatamente' como eu quero; que me agrade, que me realize, que me trate de forma especial sempre, que me traga sempre boas notícias, boas notas, bons presentes, boas palavras, que seja enfim 'a pessoa dos meus maiores e melhores sonhos'.

Aonde isto pode nos levar, senão ao pesadelo cotidiano da queixa e da frustração? Passando cada um a viver em suas relações o sombrio cenário do 'zoom fotográfico' do que 'falta no outro': este é sempre avaliado como inteligente, criativo, mas... vive doente, tem compulsões, não quer sair de seus problemas, etc... É generoso, mas... não sabe cuidar de si mesmo, é distraído, às vezes é grosseiro, etc... é muito inteligente mas... não ganha dinheiro, não quer trabalhar, não escolhe bem seus parceiros, etc... Em face de isto tudo, passamos a nutrir nossos relacionamentos de críticas, culpabilizações e condenações do outro, deixando nossas relações impregnadas pelo odor mortífero da insatisfação e queixa eternas.

Daí porque o mais das vezes, sem nos aperceber, escolhemos o mundo da queixa como 'forma de vida', negamos a nossa participação complementar nos descaminhos que elegemos, e menos ainda tomamos o leme de nossas vidas e mudamos de direção, correndo, naturalmente o risco de repetirmos novos ciclos de erros, mas também vivendo a preciosa chance de também acertarmos nas novas escolhas. Tudo isso recheado da necessária responsabilização pelo que faltará nesse novo 'lugar', tanto quanto pelo que será mais difícil ou desafiador no novo cenário escolhido.

E para terminar: inspirando-nos no filósofo Platão

Mais uma vez recorro aos pensadores e poetas para finalizar nossos encontros reflexivos, desta feita busquei nos valiosos ensinamentos do filósofo grego Platão, e sua "República" ( Décimo livro 617 b - e; 618 a,b), algo que em linguagem poética e mítica nos auxilia a viver mais responsavelmente nossas escolhas: 

" ... E a concórdia das oito notas produzia uma só harmonia. E havia três outros seres sentados equidistantes uns dos outros, cada um sobre um trono. Esses eram as Parcas (ou Moiras), as filhas da Necessidade: Laquesis, Cloto e Atropos. Vestiam-se de branco, tinham coroas de flores na cabeça e cantavam em uníssono com a música das sereias. Laquesis cantava as coisas do passado, Cloto as coisas do Presente e Atropos as coisas do Futuro. Com sua mão direita Cloto tocava a circunferência externa do fuso (a roda do destino) auxiliando no giro, mas fazia uma pausa intermitente; Atropos fazia o mesmo com as circunferências internas e Laquesis auxiliava alternadamente ambos os movimentos, um com uma mão e o outro com a outra mão. Quando as almas chegaram [na luz] tiveram imediatamente de se apresentar perante Laquesis onde um intérprete divino as dispôs em ordem, tomou do regaço de Laquesis uma quantidade de sortes e de modelos de vida, subiu em um púlpito e lhes falou: 

'Eis a mensagem de Laquesis, a filha virgem da Necessidade: Almas que vivem por um dia, este é o início de um outro ciclo de geração mortal no qual o nascimento é portador da morte. Teu Dáimon (anjo da guarda) não será destinado a vós por sorteio, mas o escolhereis'. ... 

Em seguida, os modelos de vidas foram colocados sobre o solo diante delas, numa quantidade muitíssimo superior ao das almas ali reunidas, eram de todos os tipos, pois havia ali as vidas dos animais, bem como todas as variedades de vidas humanas. .... Mas não havia nenhuma determinação do perfil e qualidade da alma, pois a escolha de uma diferente vida determinava inevitavelmente a alteração do caráter da alma." ( grifos meus, Livro: A República [ou Da justiça]/ Platão. Tradução, textos complementares e notas Edson Bini/ São Paulo: EDIPRO, 2012.

Não vemos as coisas como elas são, mas como somos

por Dulce Magalhães

"Toda a construção, em todos os aspectos de nossa vida, derivam exclusivamente da forma como percebemos a realidade..."

Toda a aventura começa na forma como enxergamos a realidade.

De fato não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. Mudar de mundo, verdadeiramente, é mudar de olhar. Tudo que estabelecemos como nosso foco de atenção é também o que percebemos, encontramos, realizamos e vivemos. Definir o foco, portanto, é a forma de organizar a trajetória da vida, entendendo que cada escolha pressupõe um caminho que contém determinados resultados.

Quando nossos resultados de vida não estão satisfatórios ou não são os mais felizes, isso significa que é tempo de rever nosso foco, nossa decisões sobre onde colocar nossa atenção, energia e interesse. 

Toda a construção, em todos os aspectos de nossa vida, derivam exclusivamente da forma como percebemos a realidade. O que ocorre talvez não possa ser escolhido ou evitado, contudo a forma como lidamos com os eventos depende exclusivamente de nossa capacidade de perceber, transmutar e definir. Assim, nosso foco define a qualidade e o valor de cada experiência.

Sete questões essenciais para ajustar o foco à vida

Tendo isso em conta, podemos ajustar a vida, ao ajustar nosso foco. Assim, vale a pena refletir sobre alguns aspectos para realizar mudanças positivas:

1ª) Quais são os meus resultados?

Esta é uma pergunta pragmática. Não importa aqui as razões, desculpas ou justificativas. O que vale mesmo são os resultados concretos e mensuráveis e é a partir deste diagnóstico que se pode perceber a necessidade de promover mudanças e ajustar o foco.

2ª) Que resultados desejo?

Definir o que queremos, levando em conta as condições, valores e esforços necessários, é um primeiro movimento para redefinir o foco e ajustar nossa trajetória.

3ª) O que me impede de conseguir o que quero?

Ter clareza das limitações sejam elas pessoais como medo, incapacidade, desconhecimento ou oportunidades; sejam elas condicionais, como tempo, recursos ou pessoas, é uma parte importante do diagnóstico e permite que um novo e aprimorado plano de ação possa ser estabelecido.

4ª) O que possuo para realizar meus propósitos?

Um inventário de habilidades, capacidades, recursos disponíveis, contatos, oportunidades identificadas e conhecimentos, permitem que a equação tenha uma soma positiva e que sejamos inspirados à ação.

5ª) Quais minhas motivações?

Conhecer o que nos move a buscar determinado resultado e quais os esforços que estaríamos dispostos a fazer para realizar os propósitos são a base onde fundamentamos nossa ação e persistimos em nossos objetivos, independente dos desafios.

6ª) Quais meus temores?

O autoconhecimento é a melhor e mais eficaz forma de desenvolver um projeto de vida sustentável, íntegro e pleno. Conhecer nossos medos, receios, ansiedades e angústias é uma maneira de identificar os obstáculos internos para poder superá-los.

7ª) O que estou fazendo para alcançar meus propósitos?

Somente a ação pode nos levar a resultados, desta forma é fundamental identificar como estamos agindo em prol de nossos objetivos e ter a clareza de que toda ação equivale a uma reação proporcional e contrária, que serão os resultados almejados. Assim, se desejamos que a flor floresça precisamos enterrar a semente.

Estes são os aspectos mais essenciais para o ajuste preciso de nosso foco de vida, carreira, relacionamento, saúde, ou qualquer que seja a área que queiramos trabalhar e desenvolver. Nada muda se não mudarmos, este é o convite para afinarmos nosso instrumento de navegação e trilharmos os caminhos primorosos da vida. Reflita sobre isto. Suerte!

Mito do instinto materno gera culpa em mulher que não quer ter filhos

Fábio de Oliveira
Do UOL, em São Paulo 

Quando a gente se depara com uma menina de três ou quatro anos brincando com uma boneca, daquelas que lembram um bebê, não titubeia em pensar na existência de um instinto materno. Mas será mesmo que toda mulher já nasce preparada para se dedicar a um filho?

UOL Comportamento fez essa pergunta a três especialistas de diferentes áreas: uma antropóloga, uma psicóloga e um fisiologista. A argumentação de cada um deles é diversa, mas acaba chegando sempre à mesma conclusão: o instinto materno não existe.

A antropóloga Mirian Goldenberg diz que falar de instinto aprisiona as mulheres ao papel de mãe. "Elas também podem ser outras coisas", diz ela, que é professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Essa ideia, construída culturalmente, vem sendo demolida pelas transformações ocorridas no país nos últimos anos. "Cresceu o número de mulheres que não têm filho ou adiam a gravidez. Isso mostra que o instinto materno não existe", afirma a antropóloga. 

Pressão interna e externa
De acordo com Mirian, as brasileiras começam a derrubar o mito de que só serão felizes se constituírem uma família. Mas há muita estrada pela frente. "Esses valores ainda estão muito introjetados nelas. As mulheres sofrem pressão interna e externa para terem filhos. Ainda não é uma escolha legítima".

As próprias mulheres questionam umas às outras: você não vai passar por uma experiência tão determinante? Até o mercado estimula a crença no instinto materno para aquecer as vendas em efemérides como o Dia das Mães. As que não desempenham esse papel se sentem deslocadas diante da enxurrada de propagandas para a segunda data mais importante do ano para o comércio.

"Imagine se isso aconteceria na Alemanha?", pergunta Mirian, usando como o exemplo o país que incentiva os casais a terem filhos, devido à baixa taxa de natalidade.

Comportamento adquirido, não instintivo
De acordo com a psicóloga Maria Luísa Castro Valente, da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em Assis (SP), a maternidade, como outros comportamentos, é socialmente adquirida.

"A idade reprodutiva está se tornando mais tardia devido à inserção econômica feminina", diz Maria Luísa. "Vivemos em uma cultura na qual muitas mulheres têm contato com um recém-nascido pela primeira vez quando têm seu próprio filho".

Do ponto de vista biológico, o conceito de instinto materno também não encontra eco. "Essa ideia se baseia na existência de um conjunto de comportamentos inatos, que estariam prontos para serem desencadeados pelo estímulo, o recém-nascido", explica Aldo B. Lucion, que é professor de fisiologia do sistema nervoso na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Segundo Lucion, nessa concepção haveria um período específico para que o elo afetivo se efetivasse, ou seja, até alguns dias depois do parto. Depois desse intervalo, nada feito.

"As premissas do instinto materno não foram comprovadas. Esse conceito de padrões comportamentais fixos pode gerar muita ansiedade na mulher, especialmente com seu primeiro filho", explica o professor. "É muito comum a mãe ficar preocupada se está fazendo certo, como se houvesse um conjunto de condutas pré-estabelecido". 

Influências ambientais
Em vários animais, inclusive no ser humano, a maneira de agir das mamães é flexível e extraordinariamente adaptada ao ambiente. Dessa forma, o instinto materno como um padrão pode levar à negligência na construção de um modo de interagir com o bebê.

"Essa interação com o filho é mais dinâmica do que outras relações afetuosas", afirma Lucion. Isso porque ele se desenvolve e se transforma rapidamente com o crescimento, requerendo que o vínculo seja naturalmente ajustável. 

"O comportamento materno é biologicamente essencial e foi um passo evolutivo decisivo", explica o professor. Ter uma prole em pequeno número, que recebe alto investimento, diferencia os mamíferos de outras espécies, que contam com uma grande quantidade de descendentes sem nenhum contato mais próximo com os genitores.

Documentário “Tráfico de Pessoas: Uma Lenda Urbana Real”

A Fundação Memorial da América Latina promove o lançamento do documentário Tráfico de Pessoas: Uma Lenda Urbana Real, produzido pelos alunos de Rádio e TV da Universidade Anhembi Morumbi como trabalho de conclusão de curso. O filme foi dirigido por Rafael Moraes (veja abaixo a lista completa dos produtores do filme). Na ocasião o tema – Tráfico de pessoas – será discutido por especialistas, entre eles, Juliano Lobão, que teve importante atuação junto à Secretaria Estadual de Justiça e Defesa da Cidadania. O evento se dá em 8 de agosto, uma quinta-feira, às 18h, no auditório do Anexo dos Congressistas. O Memorial, ao promover o lançamento deste documentário objetiva fazer com que alcance a população, escolas, ONGs, entidades e autoridades competentes interessadas em alertar, conscientizar e enfrentar o tráfico de pessoas. Este lançamento é, portanto,  mais um ato de enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Para o desenvolvimento deste trabalho foi fundamental a participação do grupo de alunos no 7º Encontro Internacional sobre Migração e Tráfico de Pessoas na América Latina, promovido em setembro de 2012 pelo Memorial, em parceria com o Instituto Latino-Americano de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos – ILADH e com o apoio do Movimento contra o Tráfico de Pessoas – MTCP. Este encontro os ajudou a compreender a temática sob o ponto de vista da responsabilidade social e do dever que a mídia tem em atingir as massas e auxiliar no combate e enfrentamento ao tráfico no Brasil. Nesta ocasião, tiveram a oportunidade de conhecer pessoas atuantes da área, que se colocaram à disposição para  ajudar. Os jovens ficaram surpreendidos com a recepção que tiveram destas pessoas, que cederam seu espaço, e dedicaram algumas horas de seu tempo para os atenderem. E toda esta recepção e carinho com que receberam os motivaram muito a fazer um documentário que pudesse corresponder às expectativas, e que pudesse auxiliar, de alguma forma, nas próximas campanhas de combate e enfrentamento.
O resultado é um vídeo educativo, capaz de informar e conscientizar as pessoas sobre a gravidade do assunto. As informações contidas nesse documento audiovisual pretendem ser uma fonte segura de informações para futuras pesquisas, capacitação de agentes e divulgação do tema, esclarecendo como se constitui o tráfico de pessoas, quem são as vítimas, os aliciadores, quais as políticas públicas de enfrentamento no Brasil e como reincluir as vítimas na sociedade.
Apesar da expressão “tráfico de pessoas” geralmente ser lembrada pelo conceito de exploração sexual, o comércio ilegal de pessoas inclui também a exploração de homens, mulheres e crianças para fins de trabalho escravo, prostituição e venda de órgãos. Após meses de estudos e pesquisas, os alunos constataram que o Brasil está trabalhando seriamente para a divulgação do tema e o combate ao tráfico de seres humanos no país. A novela “Salve Jorge”, exibida no horário nobre no período de 22 de Outubro de 2012 a 17 de Maio de 2013, que falou sobre o tráfico de pessoas, elevou a discussão do tema, porém ainda existem poucos materiais referentes ao assunto com a capacidade de atingir a população de forma rápida e eficiente, a fim de conscientizar as pessoas sobre a gravidade desse tipo de crime. Com a aproximação da Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas no Brasil, em 2016, a entrada e saída de pessoas no país será grande, e a falta de informação deixa a população brasileira vulnerável ao tráfico. Muitas pessoas, iludidas pela promessa de bons empregos e altos salários se deixam enganar por criminosos do setor. Por esse motivo, já estão sendo criados diversos projetos de conscientização da população, como por exemplo, a Campanha da Fraternidade de 2014, que terá como tema o tráfico de seres humanos.
E para fortalecer ainda mais estas campanhas de enfrentamento e auxiliar no combate e enfretamento ao tráfico, o documentário “Tráfico de Pessoas: Uma lenda urbana real” aparece como um produto audiovisual pioneiro na área, de fácil alcance e compreensão do assunto, reunindo em um só vídeo informações que visam ao esclarecimento e estimulam a conscientização sobre o que é o tráfico de pessoas, quem são as vítimas e os aliciadores, e como combater este tipo de crime.
Programa:
18:00h – Recepção ao público.
18:30h – Abertura do evento pelo professor orientador Alexandre Marino, com apresentação do documentário, dos autores e dos convidados que comporão a mesa.
19:00h – Exibição do vídeo.
19:30h – Palestra Dra. Cláudia Luna.
20:00h – Palestra Prof. Antonio Freitas.
20:30h – Palestra Dra. Maria Gabriela.
21:00h – Discussão aberta ao público.
21:30h – Encerramento e coquetel.
Documentário

Direção: Rafael Moraes
Roteiro: Rita de Cássia e Rafael Moraes
Pesquisa: Rita de Cássia
Produção Executiva: Aline Morishita
Direção de Fotografia: Paulo Welter
Edição: Rafael Moraes
Assistentes de Edição: Paulo Welter e Igor Medeiros
Mixagem: Leonardo Argento
Som direto: Rodrigo Galafuz
Produção: Aline Morishita e Rita de Cássia
Cinegrafista: Paulo Welter e Rafael Moraes
Assistente de produção: Rodrigo Galafuz e Igor Medeiros
Entrevistados: Dra. Anália Ribeiro, Dr. Antônio Freitas, Dra. Eliana Vendramini,Dra. Cláudia Luna, Dra. Maria Gabriela e Dr. Juliano de Sá Lobão
Apoio: Verbo Filmes
Serviço:
Lançamento do documentário: “Tráfico de Pessoas: Uma Lenda Urbana Real”
Data: 8 de agosto de 2013, quinta-feira, 18h
Local: Anexo dos Congressistas – Memorial da América Latina
Entrada pedestre: Portão 13
Estacionamento: Portão 15 (pago)
Entrada Franca - serão fornecidos atestados de presença.
Informações: eventoscbeal@memorial.sp.gov.brTel.: (11) 3823-4780 
Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Metrô Barra Funda – São Paulo, SP



http://www.memorial.org.br/2013/07/lancamento-do-documentario-trafico-de-pessoas-uma-lenda-urbana-real/