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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mulher Maravilha: protagonismo feminino ou reforço da imagem hipersexualizada?

A atriz israelense Gal Gadot no papel principal do longa (Foto: Divulgação)

Criada nos anos 40, a personagem dos quadrinhos que virou ícone de beleza e sensualidade acaba de ganhar uma adaptação para o cinema. É a primeira vez que um longa sobre uma super-heroína é produzido por um grande estúdio – ao contrário do que aconteceu com Homem-Aranha, Batman e Super-Homem, que têm dezenas deles. Será o reflexo da luta pelo protagonismo feminino em Hollywood ou mais um reforço da imagem hipersexualizada da garota de shortinho? Marie Claire investiga o fenômeno e mostra como a figura da Mulher Maravilha evoluiu ao longo do tempo

31.05.2017 | POR FERNANDA MOURA GUIMARÃES

No filme Mulher Maravilha, que será lançado este mês nos Estados Unidos, Diana – interpretada pela israelense Gal Gadot – vê um homem pela primeira vez quando um piloto do Exército, Steve (Chris Pine), cai de avião na ilha onde mora. A garota vive em uma sociedade exclusivamente feminina e não sabe que, do outro lado do mundo, a Primeira Guerra Mundial arrasa a Europa. Ao descobrir seus superpoderes, assume o papel de heroína.
Há 76 anos, no auge da Segunda Guerra Mundial, em 1941, o desenhista William Moulton Marston apresentava a personagem ao universo HQ. Até então, não havia protagonista mulher nos quadrinhos, um universo historicamente machista. “A Mulher Maravilha foi inspirada pelas ideias que deram origem ao movimento feminista, como equidade de gênero e direitos políticos”, afirma Jill Lepore, historiadora de Harvard. Forte e independente, a figura era a favor da paz, lutava pelos proletários em greve e contra maridos dominadores. Em uma cena famosa dos quadrinhos, um namorado pergunta: “Anjo, quando é que vamos nos casar?”. Ela responde: “Apenas quando o mal e a injustiça desaparecerem da Terra”.
Desenho da heroína em especial da dc comics lançado este ano (Foto: Divulgação)
A capa oficial da personagem em exposição de 2015, em Hollywood (Foto: Getty Images)
A personagem em dois momentos: à esq., em 1974, com Cathy Lee Crosby para um filme na TV ABC. À dir., Adrianne Palicki para uma série no Canal Warner, Em 2011 (Foto: Grupo Keystone)
Girl Power  
Autor de Wonder Woman Unbound: The Curious History of the World’s Most Famous Heroine, um dos livros mais populares sobre a Mulher Maravilha, o escritor Tim Hanley conta que a personagem inspirou várias gerações. A mais famosa talvez seja a feminista americana Gloria Steinem, que, em 1972, dedicou a capa inaugural da revista militante Ms. à heroína, sob o título: “Mulher Maravilha para presidente”. O editorial celebrava o ativismo da personagem. Mas, da mesma forma que teve o poder de ser exemplo para muitas mulheres, desagradou outras. Principalmente por sua representação física, com roupas justas, botas de couro de cano altíssimo, corpo curvilíneo e seios grandes. A imagem reflete muito mais um fetiche masculino do que a força e o poder de garotas de verdade. Sem contar o modelo intangível de mulher que representa, competente em todas as esferas sociais, inclusive na afetiva, onde sempre encontra um par romântico incrível. Os heróis Batman e Super­-Homem também já se apaixonaram por ela. “Esta é uma crítica recorrente às super-heroínas: sempre jovens, magras e convencionalmente belas”, diz Roberta Garrett, professora de estudos culturais e gênero da University of East London. Um exemplo emblemático é a polêmica que aconteceu ano passado com a ONU. A personagem foi “nomeada” Embaixadora Honorária para o Empoderamento das Mulheres da Organização. Dois meses depois, uma petição assinada por mais de 45 mil pessoas, que alegavam que a escolha reforçava a objetificação da imagem feminina, fez com que fosse destituída do cargo.
Lynda Carter, a atriz que interpretou a personagem na série As Novas Aventuras da Mulher Maravilha, sucesso no fim dos anos 70, foi indiretamente responsável por aumentar a discussão entre feministas e entusiastas da heroína. Nunca entraram em consenso, mas começou aí uma nova obsessão em relação a ela: sua influência na moda e na beleza.
Outras heroínas na tv
Supergil (Foto: Getty Images)
Supergil
Em série exibida pela Warner Channel, Kara Zorel (Melissa Benoist), prima do Super-Homem, assume seus poderes para combater os criminosos.
Jessica Jones (Foto: Getty Images)
Jessica Jones
Krysten Ritter vive uma heroína que abre a própria agência de detetives depois de se aposentar de seus superpoderes. Disponível na Netflix.
A atriz Lynda Carter na série As Novas Aventuras da Mulher Maravilha, sucesso no fim dos anos 70 (Foto: Reprodução)
Ícone fashion
Muitos designers inspiraram-se em seu visual para criar itens e até coleções inteiras. Jean Paul Gaultier relança este mês um de seus perfumes mais clássicos, que leva o próprio nome, com a roupagem da Mulher Maravilha. Ano passado, a Valentino dedicou uma coleção-cápsula à heroína. Em 2011, a gigante de maquiagem M.A.C criou produtos inspirados na personagem. Apesar do apelo comercial, levou quase 80 anos até a Wonder Woman ser protagonista em Hollywood. “O problema é o machismo da indústria”, diz Tim Hanley. “Há uma crença ultrapassada de que personagens femininas não vendem. Esse longa e outros lançamentos, como Captain Marvel em 2019 (filme com uma heroína no papel principal), mostram que o mercado está mudando. Ainda bem”, finaliza. A responsabilidade de dar vida a um ícone desafiou Gal Gadot. “Me sentia como uma menina olhando para o Monte Everest tentando descobrir a melhor maneira de alcançar o topo.” Sentimento que a diretora, Patty Jenkins, também compartilha: “Há uma grande pressão e responsabilidade em fazer este filme. Espero que inspire as pessoas a serem suas heroínas e que elas se divirtam”.
O filme, aliás, é protagonizado, dirigido e produzido por mulheres. Patty Jenkins é a primeira da história a comandar uma produção de super-heróis e a segunda a dirigir um longa com orçamento de mais de US$ 100 milhões. Mulher Maravilha é um exemplo da força feminina que seu criador, William Marston, sempre defendeu. “Ela é a propaganda para o novo tipo de mulher que, acredito, deve dominar o mundo”, disse. E governá-lo foi justamente o que fez: a heroína foi eleita presidente dos Estados Unidos em uma edição dos quadrinhos de 1943 – porém apenas no ano de 3004. Esperamos que, pelo menos nas telas, o final da história seja bem diferente.
O primeiro desenho, em 1941 (Foto: Divulgação)
A estreia na DC Comics, três anos depois (Foto: Divulgação)
Objeto Maravilha (Foto: Divulgação)

Retrocesso! Senado avança com proposta que veta aborto legal

Em meio à crise política que tem tomado os noticiários, votações polêmicas estão se desenrolando dentro do Senado Federal. Esse é o caso do avanço da PEC 29/2015, que altera a constituição e reconhece o direito à vida a partir do momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo

30.05.2017 | POR REDAÇÃO MARIE CLAIRE

Se nas ruas e nas redes, mulheres têm se organizado para lutar pela legalização do aborto, clamando “meu corpo, minhas regras”; no Senado, um retrocesso de direitos têm se desenrolado em meio à crise política que toma o país. Sem alarde, no dia 16 de maio, o relator e senador Eduardo Amorim (PSDB/SE), apresentou seu parecer favorável ao avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29/2015.

Com o intuito de alterar a Constituição Federal, ela reconhece o direito à vida a partir do momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo. Caso seja aprovada pelo Senado, a proposta, que acrescenta no artigo 5º a explicação 'da inviolabilidade do direito à vida, desde a concepção' e estava parada há um ano e meio, segue para votação na Câmara dos Deputados.

Na prática, qualquer interrupção voluntária da gravidez será considerada crime. Ou seja, até mesmo os abortos em caso de risco à vida da gestante, estupro ou fetos com anencefalia, hoje legais, serão considerados atos criminosos. E mais: se todo embrião for considerado uma vida de fato, todos aqueles congelados em clínicas de reprodução assistida poderão assumir uma personalidade política, com direitos preservados por lei.

Autor do artigo Evidence supporting broader access to safe legal abortion", o ginecologista Anibal Faúndes, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), como destacado na coluna de Cláudia Colucci, na Folha de S.Paulo, diz “que leis proibitivas só contribuem para aumentar as complicações e eventuais mortes de mulheres”.

No Brasil, uma mulher morre a cada 9 minutos em decorrência de abortos clandestinos. A redução deste número só será possível por meio da educação e acesso a métodos contraceptivos evidentes, acrescenta Faúndes.

Diante de tal imbróglio, o portal E-Cidadania abriu uma consulta popular. Até esta terça (30), 2.323 se posicionaram contra a proposta, enquanto 1.330 votaram a favor.

Marie Claire

Estudantes norte-americanas criam canudo "anti-estupro" que identifica drogas em bebidas

Victoria Roca, Susana Cappello e Carolina Baigorri, da Flórida, criaram o projeto no ensino médio com o intuito de prevenir casos de estupro e assédio

27.05.2017 14H45 | POR REDAÇÃO MARIE CLAIRE

Três estudantes norte-americanas acabam de criar um projeto que tende a prevenir casos de estupro e assédio. Victoria Roca, Susana Cappello e Carolina Baigorri, da Flórida, desenvolveram um canudo capaz de identificar a existência de drogas em um copo de bebida.
Estudantes do ensino médio da Gulliver Preparatory School, elas tomaram a iniciativa após notarem que ameaças do tipo crescem muito nesta fase. “Sendo uma jovem mulher, sinto que esse é um problema que escutamos muito, especialmente quando entramos no ensino médio”, afirmou Baigorri para o Inside Edition.
Na prática, o canudo muda de cor, atingindo um azul intenso, quando entra em contato com três tipos de drogas muito comuns: anfetaminas, soníferos e anestésicos. "Sabemos que não é uma solução definitiva, porque não acaba de vez com o estupro. Porém, esperamos contribuir para diminuir a incidência de casos de violência sexual e de outras situações perigosas provocadas pelo contato com as drogas”, acrescenta a estudante.
O próximo passo das garotas é concluir a patente e dar início à fabricação em larga escala do canudo. Para isso, pretendem lançar uma campanha online de financiamento coletivo. A proposta é vendê-los não só individualmente, como também para estabelecimentos que ofereçam o item às clientes.
Canudo identifica a presença de drogas em uma bebida (Foto: Reprodução)

Samba de Antonio Nóbrega, poesia da sobrevivência e indíos Ãwa nas telas

Nóbrega viaja pela história do samba no Auditório Ibirapuera. 'Outros Jeitos de Usar a Boca' trata com poesia sobre violência, abuso, amor e feminilidade. 'Taego Ãwa' investiga trajetória de indígenas
por Xandra Stefanel, especial para a Revista do Brasil publicado 11/05/2017
SILVIA MACHADO/DIVULGAÇÃO
Nóbrega
O violinista, dançarino e cantor Antonio Nóbrega passeia pela história do principal gênero musical brasileiro
Semba no Ibirapuera
O artista pernambucano Antonio Nóbrega leva ao Auditório Ibirapuera neste sábado (13, às 21h) e domingo (14, às 19h) o show Semba, que apresenta o rico universo de um dos principais ritmos brasileirosNo espetáculo, o violinista, dançarino e cantor, ao lado de músicos e bailarinos, passeia pela história do samba desde suas formas mais primordiais, envereda pelos batuques regionais, pelas transformações pelas quais o gênero passou e também pelos diferentes sentidos da palavra. Com nome que remete à umbigada em língua banto, o show relembra e homenageia grandes nomes do ritmo, como Noel Rosa, Geraldo Pereira, Ismael Silva, Dorival Caymmi, Paulinho da Viola e Chico Buarque.
Criei o espetáculo com o desejo tanto de apresentar as músicas de compositores que marcam a presença do gênero no país – certamente o mais cultivado pelos nossos músicos – quanto de mostrar quão vasta é a semântica do mundo do samba”, afirma o artista em sua página no Facebook. “Muitas das nossas manifestações populares ainda são denominadas samba tanto por causa da presença da umbigada – sinônimo de semba na língua africana banto e raiz da palavra samba – como pelo caráter de festa, brincadeira, cantoria etc. que elas guardam”, complementa Nóbrega.


Show Semba, de Antonio Nóbrega

Quando: sábado, dia 13, às 21h, e domingo, 14, às 19h
Onde: Auditório Ibirapuera, em São Paulo
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque do Ibirapuera 
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre
Capacidade: 806 lugares
Mais informações: www.auditorioibirapuera.com.br / (11) 3629-1075


Poesia feminista
Violência de gênero, relacionamentos abusivos, maternidade, perdas, feminilidade, empoderamento, volta por cima, autoconhecimento… Tudo isso e muito mais compõem a poesia de Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia. Seu livro Outros Jeitos de Usar a Boca (Editora Planeta, 208 págs.) foi oficialmente lançado no Brasil nessa quarta-feira (10), no Espaço Revista Cult, em São Paulo.
Originalmente publicado de forma independente, o livro ficou por mais de quarenta semanas no topo das listas de best-sellers e foi considerada um dos maiores fenômenos de poesia nos EUA na última década. Trata-se de uma delicada obra poética sobre a sobrevivência que leva o leitor para uma intensa jornada pelos momentos mais amargos da vida de uma mulher.
O livro, que também traz ilustrações de Rupi, é dividido em quatro partes, cada uma com um propósito diferente: a dor, o amor, a ruptura e a cura são os motes que acabam montando um mosaico sobre a condição feminina atual.



Índio Ãwa
Luta indígena

Estreia nesta quinta-feira (11) pela Sessão Vitrine Petrobras o documentário Taego Ãwa, um longa-metragem dos irmãos Henrique e Marcela Borela que mistura registros recentes e antigos para contar a trajetória dos índios ÃwaOs diretores encontraram em uma faculdade cinco fitas VHS com registros dos índios que são mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia. Em seguida, eles acharam outros materiais e foram ao encontro daquele povo para investigar a origem e a trajetória dos Ãwa até os dias atuais.
Os enfrentamentos com os brancos, o histórico de reclusão, a luta por demarcação de território e pela restituição das terras são alguns dos temas que vêm à tona na obraSegundo Marcela Boreli, inicialmente, os Ãwa não aceitaram o projeto para participar do longa-metragem. “Queríamos que o filme partisse do gesto de devolver aos Ãwa aquelas imagens de arquivo que narravam 40 anos de seu desterro e cativeiro, em busca de justiça. Aquelas pessoas tinham sido filmadas demais e fotografadas demais, numa redoma de um discurso de extinção, invisibilidade e animalidade que nos chocava. De certa maneira, carregávamos uma revolta. Descobrimos que eles estavam reivindicando Taego Ãwa, a terra tradicional, depois de quarenta anos de silêncio. Foi nessa primeira visita à Ilha em 2011. Ali, propusemos o filme, mas eles estavam desconfiados. Estavam sofrendo retaliações por estarem encorajados em voltar à terra”, lembra a diretora.
Seis meses depois da nossa primeira visita, os Ãwa entraram em contato conosco e disseram que eles queriam que o filme fosse feito. Aí, nós fomos novamente à Canoanã, na Ilha do Bananal, em 2012, quando tratamos do filme e de como ele seria. Decidimos ali que seria sobre a terra, que se chamaria Taego”, declara Henrique.
Premiado em vários festivais de cinema, Taego Ãwa foi feito em uma parceria entre as produtoras Barroca e F64 filmes com a Associação do Povo Ãwa – APÃWA, entre outras instituiçõesConfira datas, horários e locais de exibição no site do projeto Sessão Vitrine Petrobras.


Taego Ãwa

Direção e roteiro: Henrique Borela e Marcela Borela
Produção executiva: Marcela Borela e Belém de Oliveira
Fotografia: Vinícius Berger
Câmera adicional: Carlos Cipriano
Montagem: Guile Martins
Direção de produção: Camilla Margarida
Produção: Carlos Cipriano
Edição de som e mixagem: Belém de Oliveira
Pós-produção: Sierra Filmes
RBA

Garantia de Direitos: o que fazer quando uma criança desaparece?

POR REDAÇÃO
29/05/2017

Consultor em direitos de crianças e adolescentes, Marcelo Nascimento fala, no quarto vídeo da coluna “Garantia de Direitos” sobre as crianças e adolescentes desaparecidos todos os anos no Brasil. Saiba mais sobre a Lei da Busca Imediata, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e veja orientações sobre o que fazer nesse tipo de situação.

Veja o terceiro vídeo da coluna:


Veja o segundo vídeo da coluna:

 Veja o vídeo de apresentação:

Marcelo Nascimento

Parceiro da Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil desde o desenho do portal, Nascimento é referência nacional quando o assunto é o Sistema de Garantia dos Direitos.
Semanalmente, em vídeos publicados no canal do YouTube da Rede Peteca, o ex-coordenador geral da Política de Fortalecimento de Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República comentará os principais assuntos relacionados à rede de proteção.
“A ideia dos vídeos é fortalecer o diálogo. Precisamos mobilizar quem zela pela infância”, explica Marcelo, que também foi conselheiro tutelar.

Veja o vídeo de apresentação da coluna:

Recentemente, Marcelo Nascimento organizou o Simpósio Nacional de Fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos e Encontro Nacional de Profissionais do SUAS, realizado entre 4 e 7 de abril em Aparecida (SP). Confira a cobertura completa:

Websérie “Filho dos Outros” qualifica debate sobre redução da maioridade penal

POR BRUNA RIBEIRO
20/03/2017

Com o objetivo de qualificar o debate a respeito da redução da maioridade penal, o Coletivo Rebento lança a websérie “O Filho dos Outros”, no dia 22 de março. Disponibilizados na internet, quatro episódios trazem informações sobre o tema em votação no Senado.
Devido à complexidade do tema, o coletivo decidiu abordar outros assuntos, na construção de um argumento que dialogasse com a discussão da redução da maioridade penal.  A websérie foi indicada pela Rio WebFest como melhor roteiro documental.
Cada vídeo tem duração de 13 a 18 minutos e pode ser encontrado no YouTube ou no Facebook do grupo, formado por jornalistas, documentaristas e artistas. Bruno Garibaldi, um dos integrantes, explica que o projeto começou em 2015, contando com recursos obtidos por meio de um site de financiamento coletivo. Ao todo, quase mil pessoas de 14 estados apoiaram a iniciativa.

Temas em debate

No primeiro episódio, por exemplo, Rebento acompanhou a situação do sistema socioeducativo do Ceará, marcado por rebeliões, denúncias de torturas e maus tratos contra os adolescentes.
Já o segundo vídeo conta a história de mães e ex-internos que passaram pela antiga Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem), atual Fundação Casa. Os entrevistados contam a experiência e os impactos sociais e psicológicos deste processo na vida.
A partir da história de quem passou pelo mundo do crime e das facções, o penúltimo episódio mostra como foi o processo de formação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo e os problemas da política de segurança do estado.
A série é encerrada com uma imersão no universo da juventude de periferia, a partir dos rolezinhos, bailes funks e redes sociais. Trata-se de um grupo que afirma a própria identidade na produção cultural e no comportamento, mas ainda é alvo de preconceito e criminalização.
Segundo Garibaldi, a principal vocação da série é ser um documento público e de fácil acesso, com conteúdo de referência a respeito de uma discussão tão importante. “Nossa intenção é sensibilizar as pessoas e engajar o debate, pois a redução pode ser aprovada a qualquer momento.”

Zika sai dos holofotes, as sequelas ficam

  • 30.05.2017
  • Roberta Jansen (do Rio)
Encerrado estado de emergência, doença segue parte do cotidiano de centenas de pessoas. Ainda cercada de mistérios, ela se revela em suas formas mais graves em locais pobres. “Estamos diante do desconhecido”, diz médica.
Decretado o fim da emergência nacional da epidemia de microcefalia, o zika pode ter saído dos holofotes, mas as sequelas do vírus seguem fazendo parte do cotidiano de centenas de pessoas que frequentam diariamente os centros de saúde com atendimento especializado.
É o caso de S., de apenas dez meses, que tem microcefalia grave e, na última terça-feira, chegou ao movimentado ambulatório do Hospital Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, dormindo tranquilamente no colo de sua mãe, A., de 35 anos, depois de ter sofrido uma convulsão de madrugada.
Último filho numa escadinha com outras quatro crianças, de 13, 10, 8 e 2 anos, S. veio ao mundo em uma comunidade muito pobre do interior do estado do Rio, já sem pai. O marido de A. disse para ela que não estava pronto para ter uma criança com um problema congênito tão sério e, simplesmente, abandonou a família.
 O pequenino S. é um símbolo da epidemia que assolou o país nos últimos dois anos. A doença, ainda cercada de vários mistérios para os especialistas, parece se revelar em suas formas mais graves em locais pobres e sem infraestrutura básica, como as favelas e as comunidades carentes – onde várias outras enfermidades grassam de forma invisível.
A observação é da infectologista pediátrica Claudete Araújo Cardoso, médica que cuida de S. e é uma das autoras do artigo Zika: um sofrimento em favelas urbanas, publicado no início do mês na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases junto com especialistas americanos da Universidade de Berkeley.
“O que acontece é que nas áreas mais ricas tem mosquiteiro, repelente, ar condicionado. Então, você pode até ser picado, mas será muito menos vezes”, explica a especialista. “Nas comunidades, a realidade é outra, as pessoas têm uma carga viral muito maior”, acrescenta, mostrando a foto de uma paciente, cujo rosto está coberto de picadas de mosquito.
Mas essa é apenas mais uma hipótese sobre a doença ainda a ser comprovada. O futuro de S. e de tantas outras crianças nascidas com malformações em razão do vírus é incerto. Há mais perguntas sendo feitas do que respostas sendo dadas. E os especialistas temem que o fim da emergência nacional agrave esta situação.
“Estamos diante do desconhecido”, diz a médica.
O diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Wilson Savino, concorda com a colega.
“Hoje, passada a crise maior, quase não se fala mais sobre zika, é como se não fosse mais um problema de saúde”, constata Savino. “Mas as crianças que nasceram com problemas, sobretudo com microcefalia, estão lá e vão viver com dificuldades monstruosas; essas famílias vão vivenciar muitos problemas.”
Alastramento imprevisível
Os médicos não têm sequer como prever se o número de novos casos seguirá baixando ou se podemos esperar uma nova epidemia significativa no próximo verão.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, neste ano, até 15 de abril, foram registrados 7.911 casos de zika em todo o país – uma redução de 95,3% em relação ao mesmo período do ano passado (quando foram contados 170.535 casos).  A hipótese mais aceita para esta queda é de que boa parte da população já estaria, agora, imunizada naturalmente contra a doença, e a tendência seria que o número de casos seguisse caindo. O vírus, no entanto, pode sofrer mutações, como já ocorreu em outros casos.
Neste ano, 3.651 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso sugestivos de infecção pela zika foram notificados ao Ministério da Saúde pelos estados. Até agora, 230 foram confirmados. Desde o início da epidemia, em novembro de 2015, foram notificados 13. 490 casos, com 2.653 confirmações. Mas muitos casos, segundo Claudete, seguem fora do radar das autoridades, completamente invisíveis.
Somente na área coberta pelo hospital universitário da UFF (que engloba sete municípios), a médica sabe que existem pelo menos 500 casos de mulheres que apresentaram sintomas compatíveis com zika durante a gravidez. Apenas 127 crianças e 23 gestantes estão sendo acompanhadas em seu ambulatório. As demais não foram ainda localizadas – trabalho ao qual a médica e sua equipe pretendem se dedicar agora, fazendo uma busca ativa nas comunidades.

“Há casos graves de síndrome congênita que não são de microcefalia e passam despercebidos”, explica Claudete. “Há casos também em que os sintomas só se manifestam tempos depois. Algumas crianças, por exemplo, nascem com o perímetro encefálico normal e depois, simplesmente, param de se desenvolver. Por isso os filhos de todas as mulheres que apresentaram sintomas de Zika na gravidez precisam ser acompanhados.” A recomendação do ministério é de que essas crianças sejam acompanhadas por três anos. Na UFF, no entanto, elas serão monitoradas por cinco anos.
Do total de casos acompanhados por Claudete e sua equipe, apenas 27 são de microcefalia grave, caso do bebê S. Os demais apresentam os mais diversos tipos de alteração – e alguns não apresentam alteração alguma.
“Temos vários casos de crianças com o perímetro encefálico normal (acima de 34 centímetros), mas que apresentam muito líquido dentro do cérebro, que têm a síndrome congênita da Zika”, explica o neurologista pediátrico Alexandre Fernandes, que também trabalha no Antônio Pedro. “Há algumas que não tinham nada e foram piorando. Ainda não sabemos explicar por que isso acontece. É como se o vírus ficasse de alguma forma latente nas crianças e fosse se revelando aos poucos.”
Suspensão da emergência
Diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, o infectologista João Paulo Toledo garante que a suspensão da emergência nacional não terá impacto na vigilância, nas ações de combate ao mosquito e na assistência às crianças nascidas com problemas congênitos.
“Entre 2015 e 2016 houve uma grande mobilização nacional de combate ao Aedes, com a criação de mais de duas mil salas de combate ao mosquito”, explicou Toledo. “Essas salas continuam coordenando ações estaduais e municipais.”
Além disso, segundo Toledo, o Ministério da Saúde financiou a construção de 52 novos serviços de atendimento para crianças com síndromes congênitas (65% deles no Nordeste), que se somam a outros 180 serviços de reabilitação já existentes.
Para Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), as medidas tomadas pelo ministério não são suficientes para responder ao problema.
“Neste cenário de crise econômica e política, a expansão das equipes de saúde para cuidar desse contingente de crianças que nasceram com alterações no sistema nervoso central não foi desenvolvida na escala necessária”, afirma. “Com certeza o que temos não é suficiente. O Brasil não se preparou para isso – e é difícil mesmo, somos um país imenso, com grandes diferenças.” Além disso, diz Savino, os cortes orçamentários em Ciência, Tecnologia e Educação, por exemplo, atingem pesquisas e ações contra a doença.
“Isso não é muito falado, mas, neste ano, vamos ter uma redução significativa de pesquisa, de descobertas, de conhecimento gerado”, afirma o especialista. “E com o fim da emergência o financiamento do exterior também desaparece.”
S. boceja no colo da mãe e abre os olhos. “O pior já passou”, atesta A., olhando carinhosamente para o filho e sorrindo para a médica. “Mas de madrugada levei um susto muito grande por conta da convulsão: pensei que ia perder o meu bebê, não estou preparada.”

DW

Pesquisa identifica evasão escolar na raiz da violência extrema no Brasil

Thiago Guimarães - @thiaguima
Da BBC Brasil em São Paulo
28 maio 2017

Dois grupos de jovens de idade semelhante, todos homens, pobres e criados na mesma região. Um grupo vira matador e o outro, trabalhador. Por quê?
O sociólogo Marcos Rolim procurou essa resposta ao investigar a violência extrema, aquela que mata ou fere mesmo quando não há provocação nem reação da vítima. Modalidade que, acredita ele, está em alta no Brasil.
Em experimento inédito no país, ele entrevistou um grupo de jovens violentos de 16 a 20 anos que cumpriam pena na Fase (Fundação de Atendimento Socioeducativo) do Rio Grande do Sul. Ao final, pediu que indicassem um colega de infância sem ligação com o crime e foi atrás dessas histórias.
Rolim esperava que prevalecessem, no grupo dos matadores, relatos de violência familiar e uso de drogas, mas outro fator se destacou: a evasão escolar (quando o aluno deixa de frequentar a escola). E, aliado a isso, a aproximação com grupos armados que "treinam" esses jovens a serem violentos.
Entre os que cumpriam pena, todos, sem exceção, tinham largado a escola entre 11 e 12 anos. E citavam motivos banais: são "burros" e não conseguem aprender, a escola é "chata", o sapato furado era motivo de chacota. Os colegas de infância continuavam estudando.
Ao comparar esses e outros casos (111 ao todo), incluindo dois grupos de presos jovens do Presídio Central de Porto Alegre, uns condenados por homicídio e outros por receptação, e alunos de uma escola de periferia sem histórico criminal, concluiu que o chamado "treinamento violento" respondeu por 54% da disposição para a violência extrema.
Em outras palavras, isso significa que sem a experiência do "treinamento violento" - aquela que ensina a manusear armas, bater antes de apanhar e exalta atos de violência - a disposição para esses crimes extremos cairia para menos da metade nos casos analisados.
As conclusões de Rolim, que foi vereador em Santa Maria (1983-1988), deputado estadual (1991-1999) e deputado federal pelo PT gaúcho (1999-2003) e hoje não tem filiação partidária, estão no livro recém-lançado A Formação de Jovens Violentos - Estudo sobre a Etiologia da Violência Extrema (editora Appris).
"Muitos meninos que se afastam da escola são, de fato, recrutados pelo tráfico de drogas e são socializados de forma perversa. E isso provavelmente deverá se repetir se a pesquisa for reproduzida em outros locais, pois a diferença estatística foi muito forte", diz Rolim à BBC Brasil.
A conclusão prática, segundo o sociólogo, é que a prevenção da criminalidade deve levar em conta a redução da evasão escolar, aspecto que costuma ser negligenciado no Brasil quando o assunto é segurança pública.
Considerados os índices de evasão escolar, o cenário no Brasil seria, de fato, favorável à violência extrema.
Em 2013, por exemplo, uma pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostrou que um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no país abandona a escola antes de completar a última série.
O Brasil figurava no estudo com a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países de maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), atrás apenas da Bósnia e Herzegovina e do arquipélago de São Cristóvão e Névis.

Família como dor
Outra característica comum aos jovens internados por delitos de grave violência era a vida "independente" da família logo no começo da adolescência. "Às vezes porque o que havia de família era tão confuso ou violento que era preciso mesmo inventar um rumo; outras, porque era preciso se afastar para proteger seus familiares", escreve Rolim.
Um dos jovens entrevistados, identificado apenas como Aírton, descreveu a saída de casa como consequência natural do envolvimento com o tráfico. "Moro sozinho desde os 13 anos. Nesta idade já alugava minha casa. Eu morava com minha mãe, mas meu pai nunca aceitou que eu fosse do crime. Por isso, optei por sair de casa para não viver neste confronto", afirma ao pesquisador.
Os internos da Fase também relataram histórico de problemas familiares sérios. Com duas exceções em 17 entrevistas, "não há qualquer relação afetuosa ou de admiração pelos pais digna de menção", diz Rolim, para quem a violência foi "uma experiencia anterior ao crime para quase todos".
"De alguma maneira, os jovens vivenciaram dinâmicas de agressão física, desrespeito e injustiça entre seus familiares em ambientes de hostilidade e tensionamento prolongado", anota o autor.
Rolim conclui, no entanto, que a convivência familiar não foi um fator decisivo na disposição dos jovens a cometer violência extrema. "Ao contrário do que eu imaginava, jovens extremamente violentos podem vir de famílias bem e mal estruturadas", diz.

Razões da evasão
E por que as escolas não conseguem manter esses jovens na escola?
Embora o assunto não tenha sido foco da pesquisa, Rolim arrisca algumas possíveis explicações, a partir do contato com colegas que desenvolvem pesquisas em instituições de ensino.
A primeira, diz, é o despreparo de professores para lidar com alunos mais vulneráveis e problemáticos.
"O jovem de área de exclusão, que nunca abriu um livro e tem pai analfabeto, tem toda uma diferença de preparação, e grande parte dos professores não está preparada para lidar com ele", afirma.
Rolim cita como exemplo um caso recente registrado em Porto Alegre.
"A pesquisadora presenciou uma cena de indisciplina de um aluno de 10 anos em uma turma pequena; a professora conhecia todos. Ela disse ao menino: 'Tu vai ser bandido como seu pai'. Esse tipo de reação é inaceitável", conta.
Outra possível causa, segundo Rolim, está na falta de conexão das escolas com as comunidades em regiões violentas.
"Pelo medo do crime, a escola deixou de se relacionar com as comunidades nas periferias. Transformaram-se em bunkers com grades, cadeados, polícia na frente. Não prestam serviços, não abrem aos finais de semana, pais e parentes não a frequentam."
O terceiro problema seria a própria educação oferecida na escolas públicas.
"Basicamente, a mesma de 50 anos atrás", afirma o sociólogo.
"Hoje é impossível lidar com crianças conectadas, mesmo as mais pobres, do mesmo jeito. A escola se tornou espaço de pouco interesse e atração para o jovem das periferias", acrescenta.

Violência futura
Em 2015, último dado disponível, o Brasil registrou 170 assassinatos por dia - foram 58 mil homicídios naquele ano, número mais alto do que os de países em guerra. A taxa daquele ano, de 29 casos por 100 mil habitantes, insiste em não baixar.
Na visão de Rolim, o Brasil está "contratando violência futura" em escolas, prisões e nas próprias instituições policiais.
Nas prisões, isso se dá, segundo ele, pela reclusão por crimes patrimoniais.
Dados do governo mostravam que, ao final de 2014, 66% da população carcerária brasileira estava atrás das grades por crimes de drogas, roubos ou furtos - casos de homicídios eram apenas 10%. Jovens negros e de baixa escolaridade são maioria.
"Temos um perfil de encarceramento que não pega autores de crimes mais graves, e pegamos um monte de jovens pobres na periferia, pequenos traficantes e usuários, e vamos recrutando essas pessoas para as facções que atuam nos presídios", diz Rolim, para quem o Estado brasileiro é o "principal recrutador de mão de obra para as facções criminosas".
E os homicídios continuam em alta - estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Publica mostrou, por exemplo, que um em cada três brasileiros diz ter parente ou amigo vítima de assassinato - porque falta investigação e foco dos governos nesse problema, opina o pesquisador.
"A redução dos homicídios não é a prioridade número 1 em nenhum lugar do Brasil. Como grande parte das vítimas é pobre, não há pressão social para investigação. E você lança uma mensagem de que o crime compensa", afirma Rolim. Estudos costumam apontar que menos de 10% dos homicídios no Brasil resultam em condenação.
O investimento, avalia o especialista, deveria ser reforçado na repressão a homicídios e a crimes sexuais.
"E se for para continuar a política de repressão ao tráfico, temos que ir atrás de financiadores, rotas e usar muito mais inteligência do que em prisões em flagrante", argumenta.

Iniciativas de resultado
No meio do que classifica como "desgraça geral" das políticas de segurança no Brasil, Rolim destaca iniciativas voltadas a jovens que mostraram bons resultados na prevenção da violência.
O POD (Programa de Oportunidades e Direitos) RS Socioeducativo, criado em 2009 no Rio Grande do Sul, atende jovens infratores de 12 a 21 anos que deixam o sistema de internação.
Cada jovem passa a receber, por um ano, uma bolsa de meio salário mínimo (R$ 468,50), vale-transporte e alimentação, desde que frequente cursos de formação em áreas como informática, mecânica e manutenção predial.
Segundo o governo gaúcho, a cada dez jovens atendidos pelo programa, apenas três reincidem no crime.
No entanto, Rolim acredita que iniciativas semelhantes ainda sejam pouco divulgadas.
"A população gaúcha, por exemplo, pouco sabe da existência desse programa, porque gestores ficam provavelmente com medo de divulgar e serem criticados por 'estarem dando dinheiro a bandidos'", diz.
"Essa ideologização do tema da segurança pública é outro lado tenebroso dessa história; você acaba perdendo a capacidade de execução de políticas no setor", acrescenta.
A cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre, criou o programa Cada Jovem Conta, que procura identificar jovens de escolas públicas com comportamento de risco para ações de prevenção à violência.
O jovem passa ser acompanhado por uma equipe de diferentes secretarias, como saúde, educação e assistência social, para que frequente atividades esportivas e culturais, entre outras.
A prefeitura de Canoas afirma que mais de 60% dos jovens atendidos melhoraram o desempenho escolar ou voltaram à escola, e suas famílias passaram a frequentar mais os serviços públicos locais.
Neste mês, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para elevar de três para oito anos o tempo máximo de internação para jovens infratores.
A medida, que ainda deverá ter mais uma votação na comissão antes de ir à Câmara, valeria para atos infracionais análogos a crimes hediondos - como estupro e homicídio - cometidos com uso de violência ou grave ameaça.
Rolim diz concordar com o aumento do tempo de internação para um "perfil restrito de jovens" reincidentes, mas criticou a associação com crimes hediondos, que no Brasil incluem o tráfico de drogas.
"Isso colocaria a maioria dos jovens sob a possibilidade de (cumprir) oito anos de pena. Hoje se um jovem der um cigarro de maconha a outro, for flagrado e o ato for equiparado a tráfico, é crime hediondo. Elevar o tempo de internação não é problema, mas estabelecer isso para crimes hediondos é uma impropriedade absoluta", conclui.