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segunda-feira, 27 de março de 2017

Como se desapaixonar

Existe uma porção de motivos pelos quais temos tanta dificuldade em esquecer um grande amor. E entender isso pode ajudar a recompor um coração partido

Leandro Quintanilha
A comédia romântica 500 Dias com Ela, de Marc Webb, é, na verdade, um desdobramento do gênero: uma comédia romântica dramática. Gosto do slogan do filme. Simples, mas tão apropriado que funciona como uma sinopse. "Um cara conhece uma garota. Ele se apaixona. Ela não." A maioria de nós já viveu uma situação parecida com a do protagonista e sabe como dói não ser correspondido. Esta reportagem trata disso - do dia 501 em diante.

  Para começar, precisamos entender por que uma desilusão afetiva pode ser tão impactante. "A cada rejeição, reeditamos inconscientemente todas as perdas da vida", afirma a psicanalista Regina Navarro Lins, autora de O Livro do Amor (Editora Best Seller), obra que reconstitui em dois volumes a história desse sentimento, da Pré-História aos dias de hoje. Para ela e muitos estudiosos do assunto, o amor é uma construção social.

  Isso significa que você aprende a amar - e a sofrer por amor - com a cultura. "Cada um de nós é tomado por um sentimento de falta, de desamparo, desde que deixa o útero", diz Regina. Aprendemos a esperar que o amor romântico supra essa deficiência, proporcionando prazer, aconchego e segurança. Esse amor não é apenas uma forma de sentimento, mas um modo de ser, um conjunto de ideias, crenças, expectativas e atitudes culturalmente aprendidas ao longo da vida.

  A idealização do outro, a expectativa de completude na relação, a opção pela monogamia, tudo isso seria resultado de um processo histórico, que teria começado na Europa do século 12, com a lenda do amor trágico entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Eis a inspiração de Shakes­peare para o clássico Romeu e Julieta. E de tantos outros escritores, dramaturgos e roteiristas até os dias de hoje.
A biologia explica
No século 19, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer enxergava o amor como uma estratégia da natureza para nos levar a ter uma porção de filhos. Chamava isso de "impulso de vida". Você pensa que é tomado por um sentimento elevado, nobre, mas talvez esteja apenas expressando uma necessidade ancestral de perpetuar a espécie. O que se procura é alguém com quem se possa ter um filho geneticamente favorecido. E esses impulsos permaneceriam em toda a espécie, mesmo que você seja gay ou estéril.

  Da geração anterior à do evolucionista Charles Darwin e cerca de 60 anos antes da psicanálise de Sigmund Freud, Schopenhauer foi o primeiro a apontar motivações biológicas e inconscientes para o que chamamos de amor. "São explicações talvez não muito agradáveis sobre os motivos que nos levam a nos apaixonar, mas pode haver um consolo para a rejeição: saber que nosso sofrimento é normal", afirma o filósofo suíço Alain de Botton em As Consolações da Filosofia" (Editora Rocco).

  "O amor não poderia nos induzir a carregar o fardo da multiplicação da espécie sem nos prometer toda a felicidade que pudéssemos imaginar", prossegue. Para Botton, devemos respeitar essa lei da natureza que ocasionalmente nos leva à rejeição, da mesma forma que respeitamos um relâmpago ou a erupção de um vulcão. São eventos mais fortes que nós.

  Nas palavras do filósofo Schopenhauer, "o que nos perturba e provoca sofrimento nos anos de juventude é a busca obsessiva da felicidade com a firme suposição de que ela deve ser encontrada na vida". A partir dessa crença, surge uma esperança que nasce e morre a cada instante. Isso faz, por exemplo, com que você se sinta derrotado quando um amor não dá certo. Pode ser de algum modo reconfortante compreender, então, que a felicidade nunca foi prioridade desta natureza da qual fazemos parte e que impulsiona o amor.

  De todo modo, essa confusão não é casual. Para Freud, o amor sexual proporciona as mais fortes vivências de satisfação e, por isso, funciona como um protótipo de toda felicidade. Depois de experimentar essa sensação uma vez, é natural que você a persiga sempre. Por isso, o amor ocupa o centro da vida de tanta gente. "O indivíduo se torna dependente, de maneira preocupante, de uma parte do mundo exterior", afirma o psicanalista em sua obra O Mal-Estar na Civilização (Editora Penguin & Companhia das Letras). Essa parte exterior, exterior a você, é a pessoa amada.

  "Nunca estamos mais desprotegidos ante o sofrimento do que quando amamos, nunca mais desamparadamente infelizes do que quando perdemos o objeto amado ou seu amor." Por isso, prossegue o austríaco Sigmund Freud, o criador da psicanálise, "os sábios de todas as épocas desaconselham enfaticamente esse caminho (o do amor romântico) - não obstante, ele jamais deixou de atrair um grande número de seres humanos".
Esteja ciente
Se vamos seguir o caminho desaconselhado, ao menos que o façamos de sobreaviso. Quando o amor não é correspondido ou mesmo quando acaba, o melhor caminho é desconstruir a idealização do outro e da relação, conforme recomenda Ailton Amélio, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Relacionamento Amoroso (Publifolha). "Uma pessoa apaixonada tende a exagerar - um jeito simples de perceber isso é submeter a pessoa amada à avaliação dos seus amigos", afirma. Eles saberão enxergar melhor defeitinhos - ou defeitões - que você talvez não veja.

  O senso comum nos recomendaria também um período de afastamento. Para a psicoterapeuta paulista Miriam Barros, isso faz sentido realmente, mas algumas pessoas podem precisar de novos encontros e conversas para digerir o término. "É preciso desabafar, chorar, esvaziar o sentimento", diz ela. Depois disso, sim: um retiro pode ser oportuno. "Acompanhar a vida do outro por meio de amigos em comum ou mesmo pelas redes sociais é uma forma de se retraumatizar", adverte Miriam Barros.

  Mas por que tanta gente faz isso? Por que tantas músicas e filmes de amor nos estimulam a curtir a fossa? Na opinião da psicóloga e psicodramatista Cecília Zylberstajn, esse apego ao sofrimento amoroso é uma forma de se manter ligado ao outro, ainda que unilateralmente. "Assim, você se torna uma eterna viúva, usando preto para sempre", acredita Cecília. Para ela, o fundamental nessa etapa é viver a realidade. "Muita gente se surpreende com os japoneses, pela velocidade com que reconstruí­ram as áreas devastadas pelo tsunami", diz. A verdade é que eles não perderam muito tempo remoendo o passado, saudosistas. "Com o amor é a mesma coisa: é preciso aceitar a realidade dos acontecimentos para lidar com eles."

  Você não usará preto para sempre, mas o luto é mesmo necessário. Respeite suas necessidades, portanto. Alguns dias serão melhores que outros. "Conhece a expressão bad hair day?", provoca Cecília, referindo-se àqueles dias em que os cabelos "acordam" completamente indomáveis. "O mesmo vale para as emoções." Haverá dias em que será mais difícil "pentear" sua frustração. Aceitar isso ajuda a chegar ao próximo. Outra medida é de ordem prática, como explica a psicoterapeuta Miriam Barros. O vazio deixado pelo ex no espaço da cama tem um correspondente no espaço de tempo do fim de semana. "Você precisa se programar para ocupar o tempo livre e preencher a agenda com atividades e companhias estimulantes", aconselha.

  Também ajuda regular sua perspectiva. Uma relação amorosa bem-sucedida traz consigo as vantagens da companhia e do sexo. Por outro lado, uma relação problemática pode potencializar suas neuroses. Por vezes, casais se mantêm juntos não exatamente pelos benefícios citados algumas linhas acima, mas porque seus defeitos são complementares. É o que se chama de codependência. O fim desse tipo de relação é, portanto, uma oportunidade de libertação e crescimento pessoal. Como se vê, recuperar-se de uma rejeição amorosa requer mudanças comportamentais e psicológicas. E faz parte desse processo compreender os mecanismos biológicos e culturais que levaram você até essa decepção. É a vida, não é pessoal.

  No filme Amantes, de James Gray, o depressivo Leonard (Joaquim Phoenix) precisa escolher entre um amor destrutivo e um saudável. A cultura e a natureza podem levá-lo ao sofrimento, se ele permitir. Ou Leonard pode optar por ser fiel a si mesmo. Porque, sejamos honestos, apenas essa relação é garantida para sempre. Que seja, então, de amor.
22/03/2017
Vida Simples

Comissão sobre Narcóticos da ONU discute paz e desenvolvimento sustentável

A Comissão sobre Narcóticos da ONU iniciou a sua 60ª sessão na segunda-feira (13) em Viena, na Áustria, com o foco nos  esforços de paz, segurança e desenvolvimento sustentável.
O encontro internacional é o primeiro desde a sessão especial da ONU sobre o tema, em abril de 2016, quando foi adotado um novo quadro que coloca as pessoas no centro das políticas globais de controle de entorpecentes.
Em mensagem sobre o evento, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que "o painel é rico e orientado para o futuro", e pediu aos governos que aproveitem o impulso com uma ação conjunta para honrar seus compromissos.
O dirigente máximo da ONU elogiou o acompanhamento intensivo, inclusivo e abrangente da sessão atual com o Acordo de Abril, e solicitou que as discussões sejam feitas nos campos de aplicação da lei, prevenção, saúde, direitos humanos e desenvolvimento.
Em seu discurso, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, descreveu como a agência está trabalhando com os governos e outros parceiros para combater as drogas ilícitas.
"Também estamos ajudando a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e promovendo a paz e a segurança através do desenvolvimento alternativo nos países mais afetados pelo cultivo de plantações ilícitas", disse.
Ele afirmou que o desenvolvimento alternativo visa não só a reduzir o cultivo de coca, papoula e cannabis, mas também melhorar as condições socioeconômicas das comunidades agrícolas marginalizadas.
O alto funcionário da ONU observou que o relatório Mundial sobre as Drogas deste ano - que será lançado provavelmente em junho - terá como foco o nexo entre drogas e crime organizado transnacional, corrupção, fluxos ilícitos financeiros e de armas e terrorismo, que são preocupações crescentes da comunidade internacional.
Entre os projetos empreendidos pelo UNODC, Fedotov destacou a ajuda a países para responsabilizar grandes traficantes, promover a cooperação nos setores de saúde e Justiça e o apoio do escritório para penas alternativas em caso de ofensas menores.
O chefe do UNODC afirmou ainda que o órgão está cooperando com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em diversas atividades, incluindo no tratamento de distúrbios causados pelo uso de drogas e resposta ao HIV/Aids.
A sessão da Comissão sobre Narcóticos reúne cerca de 1,5 mil delegados, representando Estados-membros, organizações intergovernamentais e sociedade civil para uma discussão sobre o problema mundial das drogas.

Quase um terço do total de vítimas de tráfico de pessoas no mundo são crianças, segundo informações do Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2016

17 de março de 2017 - Quase um terço do total das vítimas de tráfico de pessoas no mundo são meninos e meninas, de acordo com o Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas 2016, lançado em dezembro do ano passado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O Relatório estabelece que mulheres e meninas correspondem a 71% das vítimas do tráfico. 
"O tráfico de pessoas com fins de exploração sexual e trabalho forçado continuam sendo as modalidades mais detectadas desse crime. No entanto, existem também vítimas de tráfico para mendigar, para casamento forçado ou fraudulento, ou pornografia", declarou o Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov, na apresentação do Relatório. 
O documento destaca que, enquanto mulheres e meninas tendem a ser vítimas de tráfico com fim de matrimônio ou exploração sexual, homens e meninos são explorados geralmente para trabalho forçado na indústria de mineração, como carregadores, soldados e escravos. 
Além disso, 28 por cento das vítimas de tráfico identificados em todo o mundo são  crianças. Mas, em regiões como a África Subsaariana e na América Central e no Caribe esta população compõe 62 e 64 por cento das vítimas, respectivamente. 
O Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2016 do UNODC inclui ainda um capítulo temático, que descorre sobre as ligações entre o tráfico, migração e conflitos. "As pessoas que fogem da guerra e da perseguição são particularmente vulneráveis ao tráfico ", disse Fedotov. "A urgência da situação pode levá-los a tomar decisões migratórias perigosas. O rápido aumento do número de vítimas de tráfico na Síria após o início do conflito naquele país, parece ser um exemplo do papel destas vulnerabilidades ", acrescentou. 
Dados incluídos no relatório indicam que o tráfico e os fluxos migratórios se assemelham entre si em alguns países de destino em diferentes partes do mundo. Os fatores que aumentam a vulnerabilidade ao tráfico durante o processo de migração incluem a presença do crime organizado transnacional no país de origem e o perfil socioeconômico da pessoa. 
O director executivo do UNODC destacou também que é claramente preciso que mais recursos sejam investidos para identificar e apoiar as vítimas do tráfico, bem como ações destinadas a melhorar o sistema de justiça criminal para detectar, investigar e processar casos tratados com sucesso. 
O relatório, produzido pelo UNODC a cada dois anos, reforça a ligação entre o combate a esse crime e o cumprimento dos  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.  
América do Sul 
  
A ampla maioria das cerca de 5.800 vítimas detectadas na América do Sul são mulheres, segundo dados coletados entre entre 2012 e 2014. Enquanto a maioria das vítimas são mulheres adultas (45%), meninas também foram frequentemente detectadas. 
O número de casos de tráfico de crianças foi particularmente alto: cerca de 40% das vítimas identificadas durante o período do relatório. Já as vítimas adultas foram detectadas com mais frequência nos países do Cone Sul, como Argentina, Chile e Uruguai. 
Mais da metade (57%) das 4.500 vítimas de tráfico de pessoas foram recrutadas para fins de exploração sexual, durante o período. Além disso, cerca de um terço do total de vítimas foram traficadas para fins de trabalho forçado. O relatório destaca ainda que o Brasil relatou um número alto de vítimas, em torno de 3.000 por ano, para delitos como trabalho análogo à escravidão e servidão forçada. 
Uma parte significativa foi vítima de adoção ilegal ou venda de bebês; cerca de 4% das vítimas detectadas na América do Sul entre 2012 e 2014. Aproximadamente 2,5% foram traficadas para a produção de material pornográfico. 
A maior parte do tráfico aparenta ser conduzida por criminosos que operam de dentro de seus países. Mais de 20% das pessoas condenadas por tráfico na América do Sul em 2014 eram estrangeiras, majoritariamente provenientes de outras nações sul-americanas.
A grande parcela do tráfico na região envolve vítimas sul-americanas, tanto originárias do país de identificação (tráfico interno) quanto de outros países da região. 
  
O tráfico transfronteiriço na região ocorre majoritariamente entre países vizinhos. Entre 2012 e 2014, vítimas traficadas da Bolívia foram detectadas na Argentina e no Chile, e vítimas do Paraguai foram encontradas na Argentina. Cidadãos do Paraguai, Peru e Bolívia foram encontrados no ou repatriados do Brasil. Vítimas colombianas foram detectadas no Equador e no Peru. 
Entre os países do Cone Sul, Argentina, Chile e Uruguai são os destinos com maior número de tráfico transfronteriço, enquanto Paraguai e Bolívia são majoritariamente países de origem. 
Todos os países analisados relataram ao menos uma condenação entre 2012 e 2014, e a maioria dos países registrou entre 1 e 20 condenações por ano. Apenas a Argentina registrou um número maior, com totais anuais entre 30 e 60 condenações. O número de investigações é significativamente elevado na América do Sul; Argentina, Brasil, Equador, Peru e Bolívia registraram centenas de investigações. Menos da metade (46%) foi julgada, ao passo que menos de um terço do número de pessoas julgadas (28%) foi condenada. Em média, para cada 100 pessoas oficialmente suspeitas ou investigadas pela polícia, 13 são condenadas por uma corte de primeira instância. 
As definições na legislação brasileira em relação ao tráfico de pessoas dificultaram a realização de uma análise regional compreensível, durante o período. Entretanto, a implementação de uma nova legislação - aprovada em outubro de 2016 - talvez traga mudanças quanto aos dados brasileiros, os quais, por sua vez, podem ter impacto nos números totais na região.

domingo, 26 de março de 2017

Gestante não garante estabilidade provisória em contrato de trabalho temporário

Decisão é do TST.
sábado, 25 de março de 2017

A 1ª turma do TST reformou decisão que concedeu estabilidade provisória a uma ajudante de serviços gerais admitida em contrato temporário quando estava grávida. Segundo o colegiado, o contrato temporário não se assemelha aos contratos por prazo determinado, regulado pelos artigos 479 e 481 da CLT.
De acordo com os autos, a auxiliar assinou contrato de três meses em julho de 2014 e, conforme o previsto, teve o vínculo encerrado em outubro do mesmo ano. Ela, então, ajuizou reclamação trabalhista requerendo a reintegração ao emprego, com base na estabilidade garantida à gestante.
O juízo da vara do Trabalho de Assis Chateaubriand/PR julgou improcedente o pedido, ressaltando que o contrato de trabalho temporário possui características específicas, "devendo perdurar tão somente pelo prazo estipulado pela lei e pelas partes". A sentença observou que, apesar de o exame ter confirmado que ela já estava grávida de 23 semanas ao ser admitida, a ajudante já tinha ciência de que trabalharia por apenas três meses.
O TRT da 9ª região, ao julgar recurso, entendeu que a gestante, mesmo sob a regência de contrato temporário, tem direito à estabilidade prevista no artigo 10, inciso II, alínea "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. No entanto, converteu a reintegração em indenização, uma vez que o período de estabilidade já tinha terminado.
No TST
Segundo os autos, a empresa sustentou que o contrato temporário possui legislação específica, e está fora da incidência da súmula 244 do TST, que trata do contrato por prazo determinado.
O relator, ministro Walmir Oliveira da Costa, explicou que a estabilidade das gestantes (prevista no item III da súmula 244) não alcança as hipóteses de admissões regidas pela lei 6.019/74. "A disciplina própria instituída pela lei não permite incluir o contrato temporário entre os contratos por prazo determinado".
O ministro ressalvou que apesar da ausência de estabilidade, a trabalhadora gestante nessa modalidade contratual está amparada pela legislação previdenciária, nos termos do artigo 30, inciso II, do decreto 3.048/99, e do artigo 11, inciso I, alínea "b", da lei 8.213/91.
A decisão foi por maioria, vencido o desembargador convocado Marcelo Lamego Pertence.
Fonte: TST

O casamento homossexual e a igreja sob a ótica do Direito Eclesiástico

Taís Amorim de Andrade Piccinini
No Brasil, em virtude da liberdade religiosa, a igreja pode professar sua fé e promover seus cultos com base no que crê.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Recentemente foi motivo de manifestações calorosas no Brasil, a decisão dos EUA de aprovar o casamento homossexual.
Esse assunto para o Brasil, não é novo, visto que em 2011 o STF reconheceu a equiparação da união homossexual e em 2013 o CNJ decidiu que os cartórios brasileiros seriam obrigados a celebrar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Mas, no âmbito eclesiástico, muitas dúvidas e questionamentos se instalaram e, na condição de advogada especialista na área, atendi muitos pastores e líderes eclesiásticos preocupados com situações diversas, tais como:
- serei obrigado a realizar casamento homossexual na minha igreja?
- sou obrigado a manter um membro que seja homossexual e não esteja buscando retomar sua verdadeira identidade?
- devo consagrar crianças que são filhas de casais homossexuais ?
Bom, há que se esclarecer que a questão, tanto nos EUA, quanto no Brasil, restringe-se tão somente à esfera pública. Ou seja, a imputação de tal obrigação é restrita aos órgãos públicos; os cartórios são obrigados a reconhecer a união de homossexuais, não alcançando essa obrigação as entidades privadas, como é o caso das entidades religiosas. 
No Brasil gozamos de liberdade religiosa, e é isso que garante às igrejas evangélicas o direito de não terem que celebrar cerimonias de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Isso porque, em virtude dessa liberdade religiosa, a igreja pode professar sua fé e promover seus cultos com base no que crê.

Ora, se a base da igreja evangélica é a Bíblia e se dentre os preceitos cristãos está o entendimento de que o casamento homossexual é condenado por Deus, ao Estado não cabe obrigar as igrejas a realiza-lo!
Note-se que a liberdade religiosa é um direito constitucional que abrange inclusive a liturgia das igrejas:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
….
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
O fato é que a liberdade religiosa abrange uma complexidade de direitos, dentre os quais podemos destacar: 
- liberdade de consciência
- liberdade de crer ou não crer
- liberdade de culto enquanto manifestação da crença
- direito à organização religiosa
- respeito à religião
Nesse entendimento, temos por certo que concordar ou não com o casamento homossexual na esfera das práticas eclesiásticas está intrinsecamente relacionado ao direito de praticar a própria fé, conforme a liberdade religiosa nos permite. E ainda nessa linha de pensamento, ao não celebrar um casamento homossexual a igreja está promovendo sua liberdade de prática da fé, culto e de liturgia.
Ainda no âmbito legal, o nosso Código Civil atual destacou a organização religiosa como um ente dotado de personalidade jurídica de direito privado e determinou, em seu artigo 44, § 1ºque a igreja tem liberdade de promover sua estruturação interna:
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:

IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
É a igreja, portanto, livre para promover sua fé, desde que suas práticas não infrinjam alguma lei. Daí porque, enquanto prevalecer nossa Constituição Federal atual, não pode a igreja ser tolhida em sua crença e isso inclui não ter que se sujeitar a aceitar a condição de homossexualidade e consequentemente, promover cerimonias religiosas entre pessoas do mesmo sexo. 
Ainda, com base no artigo supracitado, a igreja tem autonomia para promover sua estruturação interna (ressalte-se que a igreja, como já dito, é um ente de direito privado, e não público), o que significa que tem legitimidade para estabelecer suas regras de funcionamento. Tal qual um clube estabelece regras aos seus associados, a igreja pode estabelecer regras aos seus membros, inclusive deliberando quem pode e quem não pode ser membro da igreja.

Nesse sentido, temos que o preceito constitucional e legal da liberdade religiosa estende-se a qualquer outro dilema envolvendo questões dessa ordem: não, a igreja não é obrigada a ter em seu rol de membros, pessoas que sejam e queiram continuar na condição de homossexuais; também não é obrigada a consagrar filhos de casais homossexuais. Tudo isso com base na sua fé, na prática da sua fé. No entanto, a proteção das práticas eclesiásticas da igreja se consolida e se formaliza por meio de um estatuto bem elaborado, que indique de forma clara quais os fundamentos e objetivos da igreja, aliados a um regimento interno que delimite as regras para convívio, condições de membresia, relação entre os membros, obreiros, dentre outros. Ou seja, deve a igreja deixar claro e formalizado quais são suas bases de prática eclesiástica, estabelecendo seus critérios de atuação e seu alcance. E é dessa forma que a igreja, pode, por exemplo, consignar quais os casamentos que realizará; quem pode ou não pode ser batizado, consagrado; quem pode servir como obreiro; as condições para ser membro e etc…
Conclui-se, portanto, que sob a ótica do Direito Eclesiástico, a aprovação do casamento entre homossexuais não atinge a igreja, vez que à tais entidades aplica-se o conceito da liberdade religiosa, que lhes concede legitimidade para estabelecerem seus próprios critérios de organização eclesiástica e de administração, respeitando-se suas práticas de culto, liturgias e, principalmente, a própria fé que professam, sendo, sem dúvida alguma, vedado ao poder público ou mesmo ao indivíduo impor-lhe qualquer ação que contrarie tal condição.
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*Taís Amorim de Andrade Piccinini é advogada do Amorim & Leão Advogados.

O país onde garotas estão em evidência por se vestir de homens

  • 25 março 2017

BearyDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionBeary se diz uma 'tomboy'

A produtora Beary está sentada no bar. Percebe que outra jovem se aproxima para puxar papo. "Amei sua camisa. Quantos anos você tem?", a garota pergunta. "Vinte e dois", Beary responde, num agudo bem feminino. A moça então dá uma desculpa qualquer e vai embora. "Isso acontece o tempo todo", diverte-se Beary. "As pessoas acham que sou um cara por causa da minha aparência."
Beary, que prefere não revelar o nome completo, nasceu e mora na Tailândia - líder mundial em cirurgias de troca de sexo e conhecida por aceitar e receber com naturalidade as transgêneros e as krathoeys, palavra local com significado próximo ao de "travesti".
"Eu sou uma tom", explica a produtora. Isso quer dizer que Beary se identifica com o gênero feminino, mas se veste e se comporta como homem.
A palavra vem do inglês "tomboy" (menina que gosta de atividades associadas a homens). As toms namoram as dees, abreviação de "ladies" (senhoritas, em inglês), meninas que fazem questão de manter o estilo "princesa" bem feminino: cabelos longos, roupas justas e unhas pintadas.

Cultura tailandesa


BearyDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionBeary diz ser confundida com meninos em locais públicos

Autora de livro sobre o tema, intitulado Toms and Dees: Transgender Identity and Female Same-Sex Relationships in Thailand ("Toms e Dees: Identidade Transgênero e Relações Entre Mulheres na Tailândia", em tradução livre), a pesquisadora Georgia Megan Sinnot explica que a aceitação das trans no país começou com mudanças na tradição do casamento.
Até a década de 1970, as mulheres se casavam muito jovens e o casamento era uma convenção. Como o sexo antes do matrimônio poderia arruinar a reputação da mulher, muitas passaram a explorar a sexualidade entre si. Mais tarde, com o crescimento econômico do país, começaram a trabalhar nas grandes cidades, alcançaram autonomia financeira e não precisaram mais se casar tão cedo - nem esconder a opção sexual ou de gênero.
Além disso, a percepção do relacionamento entre os tailandeses também contribuiu para melhor aceitação dos casais toms e dees.
Isso porque na cultura tailandesa um casal deve ser composto por uma figura masculina e uma feminina, e não importa que ambos sejam do mesmo sexo. Por outro lado, a relação entre duas toms ou duas dees pode ser considerada um desvio, inclusive dentro do próprio grupo.
Para a dee Masraphinath Ratkotchakornkirasiri, o fator essencial para que ela se apaixone pelas toms é a compreensão feminina. "Elas têm a sensibilidade para me entender como mulher, o que falta em um homem", afirma.

Popularidade

A notoriedade das toms e dees levou ao nascimento, em 2007, da revista Tom Act, especializada no estilo de vida "tomboy". A editora Nathnarath Ratchakodchakinasiri, de 53 anos, diz ter vivido na pele a revolução silenciosa promovida pelas lésbicas tailandesas e afirma querer hoje ajudar a nova geração.
"A revista é um guia para garotas que ainda não sabem como agir, para sentirem que não estão sozinhas", afirma.

Revista Tom ActDireito de imagemREPRODUÇÃO
Image captionA revista especializada em estilo de vida homossexual feminino Tom Act foi fundada em 2007

A existência da revista se deve também a uma demanda de mercado. A publicação busca um nicho formado pelas toms e dees, que hoje inclui lojas de roupas, programas de televisão, novelas e filmes.
Um dos marcos para esse público foi o lançamento do filme Yes or No, em 2011, que se tornou sucesso entre garotas lésbicas ao retratar uma história de amor entre uma tom e uma dee ‒ enredo próximo ao do filme brasileiro Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014), de Daniel Ribeiro, que trata de descobertas amorosas entre dois meninos adolescentes.
Com o fenômeno cada vez mais popular, celebridades também se sentem à vontade para assumir a sexualidade. A miss Tailândia 2006, Lalana Kongtoranin, trocou a coroa pelo boné no início de 2014 ‒ agora ela se veste como uma tom, ainda que diga não gostar de rótulos. Atualmente é seguida por quase 1 milhão de pessoas apenas no Instagram.

Preconceito


Tom ActDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionA editora da revista 'TomAct' diz querer ajudar a nova geração de lésbicas

Apesar da aceitação, a Tailândia ainda registra casos de preconceito contra lésbicas.
Em 2012, uma garota de 14 anos denunciou o próprio pai à polícia por estuprá-la durante quatro anos seguidos. Ele não queria que a filha saísse com as amigas toms por temer que ela se tornasse homossexual. Em 2009, duas meninas foram encontradas mortas na cidade de Chiang Mai. O casal foi esfaqueado mais de 60 vezes por um homem que gostou de uma delas e sentiu repulsa pela relação homossexual.
Entre 2006 e 2012, 15 mulheres homossexuais foram assassinadas no país, de acordo com relatório feito pela Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC, na sigla em inglês). É difícil calcular o número exato de mortes depois dessa data porque a lei tailandesa não classifica os assassinatos como crimes de ódio. Eles são catalogados, na maioria, como passionais.
Além disso, direitos básicos, como o de alterar o nome nos documentos e a união civil entre casais do mesmo sexo, ainda são negados à população LGBT do país.
É nas escolas onde o bullying é mais frequente. Um em cada três estudantes LGBT da Tailândia diz ter sofrido algum tipo de agressão por causa de gênero ou orientação sexual, segundo levantamento da ONG Plan International, Unesco e Universidade de Mahidol.
Anjana Suvarnananda, de 59 anos, lésbica e uma das principais ativistas do país, trabalha para que as instituições de ensino se tornem ambientes inclusivos. Mas, como no Brasil, a tarefa esbarra em setores conservadores da sociedade, que se refletem na política.
"Eles acham que a Tailândia ainda não está pronta para discutir o tema", afirma.

BBC

Grace and Frankie: velhas, nós?

 Publicado 25/03/2017
   
As incomparáveis Lily Tomlin e Jane Fonda como Frankie e Grace, protagonistas da sitcom que leva o nome das personagens: série mostra como recomeçar a vida após os 70

O início é sempre o mesmo: diversão garantida, de forma leve, descontraída e despreocupada, com enredos aparentemente simples que criam ótimos cenários para boas tiradas. E o desenrolar do ano continua também sem grandes mudanças, já que tais contextos são levados mais a sério, pois tiveram mais tempo para ganhar profundidade, e o drama, algumas vezes, se sobrepõe à comédia. E ser igual não é um problema. Pois a série Grace and Frankie, da Netflix e estrelada por Jane Fonda e Lily Tomlin, conquistaram o público por ser assim: aparentemente simples, com ar inclusive de superficial, mas no fundo é profundamente tocante e cheia de camadas e nuances dentro de um tema delicado, a velhice.

Portanto, a terceira temporada da produção, liberada na plataforma na sexta-feira, funciona exatamente como os dois primeiros anos, sem espaço para grandes transformações, reviravoltas, truques ou malabarismos. Apenas mostra, com graciosidade, quatro idosos tentando recomeçar a vida após os 70. E se não é fácil decidir o que fazer quando se tem 20, imagina ser obrigado a mudar de casa, de vida, de companheiro, de emprego e tudo mais quando, teoricamente, deveria ser a hora de parar e só aproveitar todos os anos anteriores de trabalho e dedicação.

Mas Grace (Fonda) e Frankie (Tomlin) não só não podem parar e aproveitar a aposentadoria, como buscam implantar no mercado um novo negócio: vibradores pensados exclusivamente para mulheres acima dos 60 anos. Mas, logo no início da terceira temporada, os contratempos da idade viram grandes empecilhos. Nenhum banco quer fazer um empréstimo a longo prazo para a dupla, pois, bom, as instituições não acreditam que elas terão muitos mais anos de vida pela frente. “Eu tenho cara de caduca, de que estou à beira da morte”, rebate Grace, depois de pedir US$ 75 mil para fazer o protótipo do vibrador, pagando a quantia em dez anos.

“Acho que podemos pensar num prazo de até um ano”, rebate o executivo.

Infelizmente, para elas, todos os bancos têm o mesmo pensamento, obrigando-as a procurar dinheiro até em empresas gerenciadas por jovens empreendedores. “Pegue seu telefone para a gente se adequar ao ambiente”, diz Grace, enquanto senta no sofá para esperar o horário da reunião. Todos ao lado dela e de Frankie, muitos deles com idades para serem seus netos, afinal o ambiente é pensado especificamente para este público, obviamente estão com as cabeças baixas interagindo exclusivamente com seus smartphones. “Eu não me importo em não me adequar”, rebate Frankie, que recebe enquanto fala uma mensagem de texto de Grace dizendo “hey, girl”.

Em contrapartida, os ex-maridos gays das duas, que agora estão casados entre eles, pensam justamente em se aposentar, pois querem curtir a casa nova e a vida a dois que eles esperaram décadas para ter. Particularmente, a história dos dois me soa desinteressante perto do brilhantismo de Jane Fonda e Lily Tomlin, mas mostra também um lado que muitos não querem ver.

Como dito, a série tem tudo o que os anos anteriores mostraram. Poderia, talvez, incrementar algo a mais, ou explorar melhor os dramas, mas nada que tire o prazer em ver uma das melhores séries de comédia da TV atualmente.

Correio Popular