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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Atados realiza o Dia das Boas Ações 2017 em abril - SOS Ação Mulher e Família estará presente

Evento mobilizou mais de 40 mil pessoas em todo o Brasil no ano passado
O Atados realiza em abril a segunda edição do Dias das Boas Ações, movimento global que tem o objetivo de despertar nas pessoas o engajamento em diferentes causas sociais.
Até lá, pessoas e organizações poderão participar da mobilização propondo atividades e colaborando com a produção do evento que resultará em um dia inteiro de ações simultâneas em todo o Brasil, no dia 1º de abril. De reformas de ONGs e hortas comunitárias, distribuição de flores, doação de roupas e de alimentos, entre outras, as propostas são livres e mais diversas possíveis, basta inscrevê-las no site ww.diadasboasacoes.com.br.
O movimento conta ainda com um segundo dia, que será 2 de abril, de programação cultural e artística em um grande evento único em algumas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, para celebrar quem já atua para uma sociedade melhor e para convidar mais pessoas a participar de iniciativas sociais.
Para Nina Scheliga, uma das coordenadoras do evento, o Dia das Boas Ações é um dia para fortalecer o que já tem sido feito por milhares de pessoas, ligadas à organizações sociais ou não. “Queremos gerar oportunidades de engajamento em causas sociais, despertando o sentimento de coletividade, para mostrar que gerar impactos positivos na vida das pessoas pode começar com um gesto simples”, explica.
No Brasil, a primeira edição aconteceu ano passado e teve a participação de mais de 40 mil pessoas, reunidas em mais de 40 cidades, com 300 atividades em todo o País.
Dia das Boas Ações
O Dia das Boas Ações (Good Deeds Day) foi idealizado pela filantropa Shari Arison, com o princípio de que “cada pessoa pode fazer uma boa ação e criar um impacto positivo” e teve seu primeiro movimento em 2007 em Israel através da organização não governamental Ruach Tova.

Sobre o Atados
O Atados é uma plataforma social que conecta pessoas e organizações, facilitando o engajamento em diversas possibilidades de voluntariado. www.atados.com.br

Serviço
Dia das Boas Ações 2017
Quando: 1º e 2 de abril
Mais informações: www.diadasboasacoes.com.br

Contato para a imprensa:
Karol Coelho
karol@atados.com.br
(11) 98032-8523

Este app é tão eficaz quanto um anticoncepcional comum

O Natural Cycles é o primeiro software do mundo certificado como método contraceptivo
Por Pâmela Carbonari  20 fev 2017
Quando as primeiras pílulas anticoncepcionais foram lançadas na década de 1960, sua chegada no mercado significou uma revolução nos hábitos sexuais – e foi um grande passo rumo à emancipação das mulheres no mundo ocidental.
Agora, quase 60 anos depois, surge o Natural Cycles, um método inovador como uma saída à contracepção hormonal instigando as mulheres a tomarem conhecimento sobre seus próprios corpos. Trata-se de um aplicativo que monitora com algoritmos a taxa de fertilidade feminina, sem intervenção de hormônios ou dispositivos no organismo.
Na prática, funciona quase como uma tabelinha 2.0: todos os dias a usuária mede sua temperatura com um termômetro basal colocado debaixo da língua e registra no app para que o algoritmo calcule seu ciclo menstrual e suas possíveis variações. A temperatura é crucial para visualizar em que fase do ciclo a mulher está. Por exemplo: depois da ovulação, o aumento dos níveis de progesterona faz com que o corpo da mulher fique 0.45ºC mais quente. O calor também interfere na taxa de sobrevivência dos espermas, nas alterações no ciclo e, consequentemente, nos picos de fertilidade. É o resultado desse cálculo que determina como o aplicativo vai alertá-la: com um cartão vermelho sobre a necessidade de proteção nos dias em que ela estará mais fértil, ou verde quando não há risco de fecundação ao transar desprotegida (o sistema não protege contra DSTs).
Mas é justamente por lidar com informações tão precisas e pessoais que é bastante reducionista dizer que o Natural Cycles funcione como uma tabelinha. Ao contrário do método adotado pelas nossas bisavós, o app respeita o fato de que nem todas as mulheres têm ciclos regulares de 28 dias, e calcula os avisos partindo do princípio de que seja possível engravidar em apenas 6 dias por mês.
Essa adaptação ao calendário de cada mulher aumenta os acertos de quais dias a usuária corre o risco de ficar grávida ou não. Aliás, se usado corretamente, o Natural Cycles é um método mais seguro que a camisinha e com taxas de eficácia semelhantes à pílula – em testes realizados com mil mulheres, menos de cinco engravidaram após o sistema ter mostrado “cartões verdes” em dias férteis.
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(Reprodução Natural Cycles)
As taxas de eficácia do algoritmo desenvolvido pela física nuclear suíça Elina Berglund e seu marido Raoul Scherwizl chamaram a atenção dos órgãos de saúde. A organização de inspeção e certificação alemã Tüv Süd testou clinicamente o Natural Cycles em dois estudos com mais de 4 mil mulheres – e acaba de classificá-lo como um método de contracepção confiável na categoria médica, podendo ser prescrito pelo National Health Service, do Reino Unido, assim como acontece com preservativos, implantes e pílulas. O aplicativo é o primeiro software do mundo a ser oficialmente certificado por autoridades de saúde.
“É muito empolgante que agora exista uma alternativa comprovada às formas convencionais de evitar a gravidez, e que seja possível substituir medicamentos por tecnologia”, afirmou a fundadora Elina Berglund, em entrevista ao site Business Insider. À revista Wired, Berglund conta que criou o aplicativo porque queria que seu corpo ficasse um tempo sem pílula. “Mas eu não encontrava boas formas naturais de controle de natalidade, então desenvolvi um aplicativo para mim mesma.”
O Natural Cycles já tem 150 mil usuárias em 161 países. É possível testá-lo gratuitamente por um mês, e o pacote anual custa US$ 4,20 mensais com o termômetro basal incluso.
Vale lembrar que o aplicativo é totalmente voltado para controle de natalidade. Apenas o uso de preservativo feminino ou masculino previne a transmissão de doenças venéreas. Na dúvida, use camisinha.

Alemanha proíbe boneca que pode ser usada para espionar crianças

De acordo com autoridades alemãs, hackers podem invadir o dispositivo do brinquedo para ouvir e até falar com as crianças
Por Giselle Hirata  21 fev 2017
Cayla parece inofensiva. A boneca, loira e de olhos claros, veste roupinhas descoladas, fala sobre seus hobbies e até conta histórias. Quando está conectada à internet, ela responde com precisão a qualquer pergunta – desde “como está o tempo hoje?” até “qual é o maior mamífero do mundo?”.
Um brinquedo e tanto, não é? O problema é que Cayla se conecta ao seu app de comando via bluetooth e, segundo autoridades alemãs, essa função tem várias brechas – permitindo que hackers invadam, facilmente, o dispositivo para roubar dados pessoais, gravar conversas e até falar com as crianças enquanto elas brincam com a boneca.
A brecha no software foi revelada, pela primeira vez, em 2015. Na época, o grupo britânico Vivid Toy, que distribui o brinquedo, afirmou que os casos de invasão de privacidade relatados eram isolados e foram realizados por técnicos para atualizar a segurança do aplicativo. Mas, especialistas da Federal Network Agency, da Alemanha, advertiram que o problema ainda não tinha sido resolvido. E tinham razão.
Recentemente, o caso voltou à tona depois que um estudante da Universidade de Saarland, Stefan Hessel, alertou que o dispositivo de bluetooth poderia se conectar ao sistema de som do brinquedo em um raio de 10 metros de distância. Ou seja, um invasor poderia espionar alguém através de várias paredes usando a tal boneca.
Por segurança, Cayla já está sendo recolhida das prateleiras das lojas alemãs. “Trata-se de proteger os direitos dos mais fracos da sociedade”, disse Jochen Homann, presidente da agência, à BBC. Para os pais que já compraram o brinquedo, não tem jeito: a recomendação é desativar mesmo a boneca.
O anúncio feito esta semana reflete as crescentes preocupações sobre produtos eletrônicos “inteligentes”. Uma série de relatórios e pesquisas, divulgados por empresas de segurança nos últimos anos, mostra como é fácil invadir computadores, eletrodomésticos e até carrinhos de controle remoto.
A Alemanha tem leis rigorosas de privacidade e considera ilegal vender ou possuir qualquer aparelho de vigilância – dada a sua experiência na era comunista, quando a antiga Alemanha Oriental vigiava seus cidadãos vorazmente. A violação das normas pode resultar em prisão por até dois anos.

3 aplicativos gratuitos que vão ajudar a controlar a sua ansiedade

Uma ajudinha na palma da mão
18/08/2016 / POR ISABELA MOREIRA
ansiedade é um distúrbio caracterizado pela preocupação excessiva, persistente e nada realista de atividades do dia a dia. A definição é da Associação da Ansiedade e Depressão dos Estados Unidos, e varia de pessoa para pessoa. Sentir um friozinho na barriga antes de um evento importante é considerado normal, mas ficar com o coração acelerado ou falta de ar em momentos do cotidiano é sinal de ansiedade patológica, que pode chegar a paralisar o indivíduo.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) mostra que quatro em cada dez brasileiros sofre o mal, que também pode se manifestar por meio de distúrbios como síndrome do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo.
Existem diversas comunidades ao redor do mundo que buscam formas de ajudar pessoas que sofrem com a ansiedade, inclusive com a criação de aplicativos para se controlar nos momentos de crise. Conheça alguns deles.
(Vale lembrar que a primeira medida é sempre buscar um especialista que possa ajudar a identificar as melhores formas de tratamento.)
Self-Help Anxiety Management (SAM)
O aplicativo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Leste de Londres, na Inglaterra, e tem como objetivo ajudar os usuários a mapearem suas crises de ansiedade. Ao passar por um momento como esse, é possível marcar quais foram os sintomas (dores no corpo, falta de ar, entre outros) e fazer exercícios para controlar a respiração. O SAM está disponível em inglês na Apple Store e no Google Play.
Pacifica
É um dos apps mais completos do segmento. "Nos melhores momentos, a ansiedade é chata e desconfortável. Nos piores, é debilitante e isola as pessoas. Entendemos como pode ser desafiador se cuidar: é caro, exige tempo e para muitas pessoas as ferramentas não acessíveis", explica a equipe do Pacifica. Por conta disso, o aplicativo permite que os usuários marquem quais tarefas conseguiram realizar sem problemas ao longo do dia, além de prover exercícios de relaxamento e meditação. A ferramenta está disponível em inglês na Apple Store e no Google Play.
MindShift
Criado pela ONG AnxietyBC em colaboração com o British Columbia Children's Hospital, no Canadá, o aplicativo tem como público-alvo pré-adolescentes e adolescentes. O MindShift dá explicações acessíveis sobre o que é a ansiedade e dá dicas de como lidar com ela. Há desde um diário para desabafar até conselhos e inspirações dentro do app. Ele está disponível em inglês na Apple Store e no Google Play.

5 escritoras de horror que você precisa conhecer agora

Imaginativas, engenhosas, ardilosas, originais e absolutamente aterrorizantes: elas sempre estiveram lá, desde os primórdios

20/02/2017 / POR OSCAR NESTAREZ*

Embora as origens da ficção de horror sejam atribuídas a um autor — o britânico Horace Walpole e seu O Castelo de Otranto (1764) —, sem as mulheres, o gênero que era então conhecido como gótico jamais teria conquistado tantos corações e mentes, e jamais teria roubado o sono de tantos leitores incautos.
Sem elas, um cientista jamais teria insuflado a vida em um corpo composto por partes de cadáveres. Sem elas, alguns dos vampiros mais interessantes e enigmáticos de nossa tradição jamais teriam ganhado vida (eterna). Enfim, sem as escritoras, a ficção de horror — de anteontem, de ontem e de hoje — perderia uma parte inestimável de seu encanto, de sua força e, claro, de sua inspiração.
Para homenagear as grandes escritoras do gênero, elaboramos uma linha do tempo com alguns nomes importantes de cada época:
Clara Reeve (1729 - 1807)
A britânica  figura entre as responsáveis por tornarem o “recém-nascido” gótico um gênero de imenso sucesso comercial. Nascida em 1729 em Ispwich, na Inglaterra, tem em O velho barão inglês (1778) seu maior sucesso.
O êxito se deve principalmente à engenhosidade da autora, que utilizou o enredo de O Castelo de Otranto, de Walpole (publicado quatorze anos antes), adaptando-o e temperando com mais elementos fantásticos e do realismo do século XVIII, muitas vezes buscando explicar o inexplicável. Com isso, o alcance dessas histórias se ampliou significativamente.
Ann Radcliffe (1764 - 1823)
Uma incontestável gigante do gótico, Radcliffe também foi pioneira. É atribuído a ela o aperfeiçoamento de um recurso narrativo conhecido como “sobrenatural explicado”, já utilizado por Clara Reeve. Nele, cada evento supostamente inexplicável em uma história depois é desmistificado por meio da lógica e da ciência.
Radcliffe também foi uma das primeiras a explorarem a terrível figura do vilão gótico, tão demoníaco quanto sedutor — influenciando, aliás, outra autora de enorme importância: Emily Brontë e seu Morro dos Ventos Uivantes (quem leu dificilmente se esquecerá do assombroso e assombrado Heathcliff). 
Foi autora de diversos best-sellers da época, mas seu grande sucesso é, sem dúvida, Os mistérios de Udolpho (1794). O livro relata a trágica história da jovem Emily St. Aubert, que, após a morte da mãe, parte em viagem com o pai pelo sul da França. É um prato cheio para nós, aficionados pelo horror gótico: repleto de incidentes e reviravoltas, passagens de profundo horror físico e psicológico, cenários desoladores, castelos remotos e arruinados e, claro, um vilão impenetrável e intrigante.
Mary Shelley (1797 - 1851)
Sem dúvida, a mais famosa de nossa pequena lista. Uma autora que não apenas atualizou a tradição gótica até então, mas que praticamente fundou novo um gênero literário. Mary Wollstonecraft Godwin nasceu em 1797, filha do filósofo William Godwin e da também escritora Mary Wollstonecraft (aliás, ferrenha defensora dos direitos das mulheres). O “Shelley” vem do amante (e depois marido) de Mary, Percy Bysshe Shelley, aclamado poeta romântico de sua época.

Numa história já conhecida, no verão de 1816, Mary e Percy partem para Genebra para conhecer Lord Byron, a mais famosa figura romântica de seu tempo. O casal foi acompanhado pelo médico e também escritor John Polidori e por Claire Clairmont, meia-irmã de Mary. A trupe passou aquele verão alugando mansões às margens do rio Genebra. E foi em frente à lareira de um desses casarões — a Villa Diodati — que Byron, durante uma noite tempestuosa em que estavam a contar histórias de fantasmas uns para os outros, sugeriu que cada um criasse a sua própria narrativa.

Na ocasião, Mary Shelley concebeu a ideia inicial de Frankenstein - O Prometeu Moderno. A história do cientista que dá vida a um corpo reconstituído foi completada e publicada dois anos depois, em 1818. Mary Shelley tinha apenas 19 anos. Desde então, aquela que é considerada a primeira obra de ficção científica da história jamais saiu de catálogo. E olha que lá se vão quase duzentos anos.
o ator Boris Karloff, no clássico Frankenstein, de 1931 (Foto: Reprodução)
Flannery O’Connor (1925 - 1964)
A primeira autora de nossa lista vinda de outro continente, a América do Norte. E, se você a conhece, talvez até se pergunte: “Flannery O’Connor, escritora de horror?!” É fato que, hoje, ela é reconhecida como uma das mais importantes figuras literárias do modernismo nos Estados Unidos, ao lado de William Faulkner e Ezra Pound. Mas fato é também que as veias do gótico, do grotesco e do horror sempre correram caudalosas pela obra de O’Connor. Sobretudo na forma de um humor para lá de negro e na construção de personagens um tanto... estranhos (quem leu alguns de seus Contos sabe do que falamos).

A escritora também era católica convicta, de forma que a religião marca intensa presença em suas histórias. Nascida na Geórgia, ela via o sul dos EUA  como um lugar “assombrado por Cristo”. Acredite: a forma como Deus e seus anjos costumam se manifestar nas tramas de O’Connor é aterrorizante. Há algo de quase elemental, absolutamente inumano e remoto nas deidades de Flannery O’Connor; e o nosso mundo surge como caprichoso e absurdo. Ou seja, embora não se trate de uma autora específica de horror, sua contribuição — temática e formal — para o gênero é, sem dúvida, tremenda.
Anne Rice (1941)
A mais importante criadora da ficção de horror dos tempos atuais. Também nascida e criada no sul dos EUA, em Nova Orleans, Rice publicou mais de 30 romances. O primeiro deles, Entrevista com o Vampiro (1976), tornou-se um dos maiores best-sellers de todos os tempos — e teve uma adaptação bem sucedida para o cinema, com Brad Pitt, e Tom Cruise no papel de Lestat, o principal personagem de Rice.

Para se ter uma ideia da importância da autora, basta olhar a interminável fila de obras que se filiam à estética de vampirismo romântico-moderno. Stephanie Meyer, com sua série Crepúsculo, que o diga. Mas não se engane: a grande responsável por isso, no melhor dos sentidos, é Anne Rice. Porque, nas mãos dela, os vampiros — que até então eram personagens relativamente bidimensionais — tornam-se complexos e sedutores. Hoje, Rice já passou da impressionante marca de 100 milhões de livros vendidos.

Mas a importância vai muito além dos números, porque Anne Rice atualizou aquele que talvez seja o personagem mais querido de toda a ficção literária de horror. E o melhor: sem desrespeitar a tradição a que os vampiros pertencem, como muitas vezes acontece em histórias de valor artístico no mínimo… questionável.
Levantemos, então, as nossas taças (com vinho ou sangue, como você preferir) e façamos um brinde: a todas as autoras que, com tanto talento, dedicaram-se e dedicam-se a nos roubar horas de sono e paz.
*Oscar Nestarez é ficcionista de horror e mestre em literatura e crítica literária. Publicou Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura (2013, Livrus) e as antologias Sexorcista e outros relatos insólitos (2014, Livrus) e Horror Adentro (2016, Kazuá).

Galileu

Negros escravos cientistas e seus descendentes brasileiros esquecidos

Ernane Xavier, FZEA-USP, Pirassununga, é diretor do Laboratório de Física Aplicada e Computacional

Por Redação
13/02/2017

Recentemente a mídia divulgou com grande amplitude e frequência o fato de que uma mulher, descendente de escravos, se destacou em primeiro lugar no concurso vestibular de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Causaria estranheza destacar o gênero e a cor da pele do ser humano que obteve tal mérito, não fosse o contexto que equaciona a história das negras e negros neste país.

Em 1957 o volume 257 da New England Journal of Medicine, em suas páginas de 1207 a 1211, relatava (e ainda está lá) um importante trabalho na área médica da primeira mulher negra a se formar médica em Harvard, a então norte-americana descendente de escravos dra. Wright.

Chamo a atenção a este fato para questionar se tal feito teria uma amplitude e frequência de divulgação na mídia nos tempos atuais nos EUA, como tivemos no caso recente. Se a resposta for negativa, resguardando a enorme diferença entre Brasil e outros povos, podemos ainda assim elucubrar respostas.

Já que posso neste espaço me levar um pouco pelo pensamento, vou supor alguns pontos interessantes que em breve serão meus argumentos aqui. Imagine seres humanos com as mesmas quantidades de neurônios e a mesma formação morfológica cerebral e corporal que europeus, sendo considerados seres inferiores e submetidos à dor como impulso de vida (açoites regulares) e que ainda tivessem à frente do modo de produção de uma sociedade como sendo a Mehrwert gratuita do explorador.

Recentemente a mídia divulgou com grande amplitude e frequência o fato de que uma mulher, descendente de escravos, se destacou em primeiro lugar no concurso vestibular de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Causaria estranheza destacar o gênero e a cor da pele do ser humano que obteve tal mérito, não fosse o contexto que equaciona a história das negras e negros neste país.

Não existem relatos de que os europeus enviassem engenheiros e técnicos altamente especializados, em detalhes e pormenores, para atuarem no bom funcionamento de engenhos ou mesmo para improvisar desvios em túneis em minas ou em qualquer outro ambiente de trabalho executado por negros. Considere ainda a dor dos açoites como uma forma de avaliar mérito.

Ora, neste cenário carente de misericórdia, o ato de estruturar o pensamento e criar metodologias de ação é uma saída que ameniza a dor e ajuda a instigar o instinto de sobrevivência. Sendo assim, os negros, sim, os escravos, tiveram que “engenhar”, consertar pequenos detalhes de engenhos quebrados, resolver como desviar um túnel de uma mina (vislumbre os quilômetros de túneis em Ouro Preto) caso uma pedra estivesse no caminho, pensar em pequenos e importantes detalhes na colheita do café, e com isso aumentar a riqueza da nação escravocrata diminuindo a dor dos açoites. Um problema complexo de engenharia reversa.

Com este pensamento então faço a seguinte afirmação: durante as centenas de anos de produção da riqueza deste país os Negros foram cientistas e técnicos porque conseguiram manter um modo de produção, cujos detalhes técnicos eram por eles pensados e executados. Este é meu argumento para o fato de que a riqueza herdada pela elite brasileira é oriunda da ação técnica e científica dos escravos durantes as centenas de anos de produção com Mehrwert gratuita.

Cabe aqui dizer, com função argumentativa, o que me leva a atribuir a palavra cientista para um escravo que não publicou seu feito em uma revista científica, como o fez a dra. Wright. Para tal, gostaria de abrir um parênteses e elucubrar que é razoável pensar que na universidade existem os pesquisadores, aqueles que usam o método científico e formam pessoas, publicam artigos, lecionam e executam tarefas administrativas e de gestão, e existem os cientistas, que são aqueles que dentro da universidade realizam as mesmas tarefas que os pesquisadores mas que não se limitam às verdades absolutas e observam o mundo como que cercado por paradigmas a serem transpostos, e que, para estes, a natureza é um livro escrito em uma linguagem que não compreendemos, e têm a humildade de admitir que o pouco que sabemos deste livro é apenas uma tradução mal feita.

Ou seja, o cientista não precisa estar dentro de uma universidade e a ciência não pertence a um grupo específico. Neste contexto: “(travessão) sim! ”, muitos escravos foram cientistas e vislumbraram o paradigma da liberdade de forma metódica e muitas vezes técnica.

Mas e o que dizer daqueles que descendem dos escravos? O que herdaram?

Apesar de terem sidos transportados dos açoites das senzalas para as misérias das favelas (frase inspirada no samba-enredo da Vila Isabel em 1988, escrito por Martinho da Vila), alguns descendentes de escravos fizeram enormes contribuições para a ciência brasileira.

Ou seja, o cientista não precisa estar dentro de uma universidade e a ciência não pertence a um grupo específico. Neste contexto: “(travessão) sim! ”, muitos escravos foram cientistas e vislumbraram o paradigma da liberdade de forma metódica e muitas vezes técnica.

A própria Universidade de São Paulo, que não tem se preocupado com os descendentes dos cientistas negros, teve a influência de um descendente de escravo, o dr. Teodoro Sampaio, que ajudou a fundar a Escola Politécnica (da qual me orgulho de ter sido aluno). Inclusive (e considere este próximo comentário um adendo provocativo e desconexo do texto), ainda se pode sugerir aos nossos gestores que considerem uma estátua do descendente de negro na entrada da USP ao lado do descendente de europeu, o não menos digno dr. Armando Salles de Oliveira, e, na crise financeira que passa nossa USP, tal feito seria louvável.

Continuando o raciocínio, no século 21, o fato de uma mulher negra, ao obter mérito num concurso vestibular para medicina, causar espanto na sociedade mostra o quanto os descendentes de escravos cientistas ainda estão fora da dita “comunidade científica brasileira”. Este deveria ser um fato comum numa sociedade em que metade descende de escravos e a outra metade das diversas etnias que compõem nosso amado e sofrido povo.

(Travessão) Mas o que fazer? Por onde começar? Qual é a receita?

Minha opinião, e minha opinião é tão somente e apenas a minha opinião, é de que devemos rever os estereótipos, abrir o coração da elite que comanda o Brasil e de forma pacífica propor mudanças aceitando primeiramente o que está errado. Existem várias ideias que não são ouvidas, muitos cientistas negros que não estão nas comissões que decidem sobre cotas e outras políticas afirmativas, e é válido lembrar que “Negro samba, negro joga capoeira”, mas negro também faz ciência e tecnologia na história brasileira. Com esta rima “plagiada” do samba-enredo de 1988 da minha querida Mangueira e já em ritmo de carnaval, termino homenageando todos os cientistas descendentes de escravos que arduamente contribuíram e contribuem para o progresso da ciência e tecnologia brasileira. Axé, irmãos!

Por que os homens não amam as mulheres?

Eva Alterman Blay é professora sênior de Sociologia da FFLCH-USP e ex-senadora da República

Por Redação
20/02/2017

Essa é a grande questão do romance e filme suecos Os homens que não amavam as mulheres. O ódio se expressa no estupro, no incesto, na tortura e no assassinato. Depois de meio século de feminismo, pensávamos ter alcançado algum avanço no respeito às mulheres.

Nos Estados Unidos, Trump desqualifica todas as conquistas das mulheres, desrespeita seus corpos, abusa, e se considera o grande patriarca. É o retorno a uma sociedade racista em que, até os anos 1960, os negros eram tratados como semiescravos, os judeus não podiam morar em certos prédios de NY e em várias cidades do interior do país, os latinos eram a casta nefasta.

O recém-eleito presidente pretende apagar os avanços democráticos, retoma um critério nazista ao selecionar os imigrantes, logo ele que vive num país cuja grande riqueza foi construída por imigrantes de todas as religiões, cores e gêneros. Foi na América que os intelectuais, cientistas e todos os tipos de trabalhadores se refugiaram após a 2ª Guerra para construir o que são hoje os Estados Unidos.

A frase que Trump pronuncia com toda empáfia, “A América em primeiro lugar”, lembra a frase do malfadado Hitler, “a Alemanha acima de todos”! Mas nos EUA as mulheres saíram às ruas com seus gorros rosa contra a ditadura racista, para exigir igualdade de direitos, respeito aos próprios corpos, democracia.

Putin, na Rússia, pensa ser o novo czar ou será que lhe baixou o espírito de Stalin?  Aprova uma lei que incentiva o abuso físico contra as mulheres, estimula que os homens batam nas esposas e crianças justificando a descriminalização da violência doméstica em nome da tradição do povo russo.

A seu lado está a Igreja Ortodoxa Russa que cita as escrituras para legitimar que o pai pode bater na prole se for de maneira “amorosa e razoável” (Economist)! Ele reaviva a tradição dos ataques dos cossacos que invadiam as pequenas aldeias, se apossavam dos bens e violentavam as mulheres e meninas.

Desconsideram que sob as marcas físicas há profundas consequências psicológicas, a destruição da autoestima das mulheres e meninas, traumas permanentes e o ensino de um comportamento machista que os meninos repetirão na idade adulta. Sabemos que a violência contra as mulheres começa com um tapa, um empurrão, e vai crescendo até o assassinato.

Nos Estados Unidos, Trump  desqualifica todas as conquistas das mulheres, desrespeita seus corpos, abusa, e se considera o grande patriarca.

As mulheres imaginam que seus companheiros cumpririam as promessas de se modificar após as primeiras agressões, o que nunca acontece. Ao contrário, a violência se agrava e perdura ao longo do tempo.

No Brasil, depois de duas tentativas de assassinar a esposa, o marido de Maria da Penha atirou contra ela, que dormia, deixando-a paraplégica. Por mais de dez anos o agressor não foi punido, até que um grupo organizado de mulheres recorreu à OEA contra a leniente justiça brasileira. Só então o País foi condenado por ignorar por anos a acusação contra o réu confesso. O resultado foi a elaboração da Lei Maria da Penha (2006).

Mas é preciso mais do que uma lei para mudar a mentalidade machista que está enraizada em nossa cultura.

A sociedade tem uma imagem da Universidade como um campo de saber, festeja quando seus filhos e filhas conseguem alcançá-la. Quanta alegria cerca uma jovem que consegue entrar na Faculdade de Medicina, uma das mais procuradas.

É o cumprimento de uma missão dos pais, uma barreira vencida pela jovem. No entanto, a realidade que existe fora da Universidade reaparece dentro de seus muros e de forma cruel através do assédio, da violência, da desqualificação e do estupro. A Universidade é um pedaço da sociedade, ilusão imaginar que, por atravessar o portão, as pessoas sejam diferentes. Elas trazem para a Universidade o que aprenderam na família, na escola, na rua, na tv.

Não por acaso 56% das universitárias já sofreram assédio sexual e uma em cada três já passou por violência sexual (estupro, tentativa de abuso enquanto sob efeito de álcool, ser tocada sem consentimento, ser forçada a beijar veterano). Quando lemos relatos de meninas (por vezes meninos) que foram sexualmente violentadas elas dizem com frequência que não revelaram o que ocorria, pois eram ameaçadas: “Vou matar sua mãe”, “matarei você”…

A realidade que existe fora da Universidade reaparece dentro de seus muros e de forma cruel através do assédio, da violência, da desqualificação e do estupro.

Até que a situação se torne fatal. Quando finalmente a jovem revela a violência, ela é recebida com desconfiança. É mais fácil desacreditar do que admitir realidades tão dolorosas e que obrigarão a que providências sejam tomadas.

Há toda uma ética de comportamento transmitida para as jovens. Delas se espera um comportamento recatado próprio daquela mulher do passado, anterior à que a Constituição de 1988 tornou legalmente igual ao homem. A equidade de gênero constitucional foi uma conquista pelo movimento de mulheres, pelo feminismo.

Parcela dos homens não aceita os direitos igualitários e reage tentando manter os antigos padrões de subordinação da mulher. Não aceitam que as mulheres tenham autonomias das mais corriqueiras, como vestir-se do modo que queiram, escolham trabalhar, estudar e até entrar para a universidade. Como se, ao ter direitos, as mulheres reduzissem o status dos homens.

Temos conseguido humanizar os trotes nas universidades, mas é preciso mais. Falta que alguns docentes não confundam as estudantes com fêmeas a serem desqualificadas, mas como uma nova riqueza intelectual que deve ser formada. Isso se estende a todas as áreas, docentes e colegas. As estudantes não podem ser desqualificadas por terem ido a uma festa ou terem bebido. Sua vontade tem de ser respeitada, qualquer ato, um abraço, um beijo ou uma relação física tem de ser consentido.

Houve vários casos de abuso na USP, como em outras universidades. Os casos ficaram ocultos até que houve uma denúncia na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2015 e os casos vieram a público. Várias alunas fizeram depoimentos sobre assédio sexual. Dentre eles chegaram relatos de alunas que foram estupradas pelo mesmo ex-militar Daniel Tarciso da Silva Cardoso, aluno da Faculdade de Medicina.

Esse foi dos poucos casos que chegaram à Justiça. O processo durou três anos ou mais até que agora, em 2017, ele foi absolvido! Examinando o pronunciamento do Juiz Klaus, fica evidente o peso que ele deu às palavras do acusado e às da vítima: o Juiz Klaus justifica a absolvição afirmando: há “inconsistência das declarações da ofendida”. Quanto às palavras do acusado, diz o juiz haver “prova em sentido diverso a sustentar a versão do acusado, quer de cunho testemunhal… como também documental…” Claramente se vê que as palavras da aluna não valem, as do acusado VALEM! (Carta Capital, 13/2/2017).

Foi oferecido à aluna na festa da faculdade algo “batizado”. Sentindo-se mal, aceitou descansar no quarto do réu “de livre e espontânea vontade”, afirma o juiz. Desde quando entrar num quarto significa consentir em ter relações sexuais? E se uma mulher (ou homem) está sem sentidos, pode o outro se aproveitar para estuprá-la/lo? Laudos psicológicos e psiquiátricos consistentes revelaram que houve abuso sexual e há marcas físicas decorrentes da violência. Nada disso foi considerado. Foram anos de angústia, de constrangedora situação de contar e recontar publicamente o cruel uso do corpo da jovem, para chegar a um veredito de inocência!

Nada vai apagar o sofrimento da agredida, ela vai levar para a vida os traumas recorrentes que está passando. Quanto ao agressor, ele imagina que vai prosseguir sua carreira, paradoxalmente, na especialidade de ginecologia.

Mas há ainda uma esperança de justiça, um obstáculo a ser enfrentado para evitar a impunidade: nós, seres humanos, mulheres e homens, esperamos que o CRM de São Paulo e de outras partes do Brasil não incluam Daniel Tarciso da Silva Cardoso entre seus membros, impedindo-o de exercer a medicina.

I Congresso Brasileiro de Tendências e Inovação na Educação

8 de abril às 8:00 até 18:00

Quais são os desafios de educar com qualidade no século 21 e quais estratégias podem ajudar nessa missão? Para discutir o tema, profissionais da área educacional estarão presentes no 1º Congresso Brasileiro de Tendências e Inovação na Educação, que acontece no dia 8 de abril de 2017, em Campinas.

Realizado pelo Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE), o Congresso conta com apoio do Porvir.

As 10 horas de programação serão divididas em palestras, debates, atividades e painéis. Um deles será comandado pelo Porvir, que irá apresentar os resultados da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, iniciativa que ouviu o que mais de 132 mil jovens acham e esperam da escola.

A primeira palestra do dia fica a cargo do especialista em futuro, tendências e inovação, Luis Rasquilha. Já o segundo horário terá como tema “Imigrantes digitais educando nativos digitais”, comandado pela mestre em educação, Carolina Defilippi.

O professor de neurociência aplicada à educação, Alexandre Rezende, comanda a terceira palestra. Em seguida, o autor do livro “Métodos de ensino para nativos digitais”, Marcelo Veras, fala sobre as competências do professor do futuro.

Além desses debates, os participantes poderão fazer atividades em dois espaços. No espaço 1, chamado “Corpo e Mente”, serão abordados temas como: neurociência, psicopedagogia, psicomotricidade, esporte e treinamento. As práticas irão trabalhar habilidades como autocontrole e memória de trabalho.

No espaço 2, de Gestão e Inovação, serão apresentados indicadores de impacto na gestão de escolas e algumas experiências e metodologias inovadoras de sala de aula. No terceiro e último espaço, com o tema “ensino de matemática, alfabetização, arte e educação e educação inclusiva”, serão apresentadas experiências sobre o ensino da matemática no contexto inclusivo e práticas de escrita e arte.

Estudantes de graduação e pós-graduação, educadores, gestores, e os demais interessados podem realizar a inscrição nesse link. Até o dia 30 de dezembro, o investimento no Congresso é de R$ 90. Depois dessa data, passa a ser R$ 100.

Detalhes

Data:
8 de abril
Hora:
8:00 até 18:00

Local

Expo D. Pedro
Av. Guilherme Campos, 500, Bloco II (Anexo ao Parque D. Pedro Shopping) 
Campinas , Brasil
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Neurociência coloca em xeque a aula tradicional

Para o professor Alexandre Rezende, doutor em morfofisiologia do sistema nervoso, conhecer o funcionamento do cérebro ajuda a criar melhores estratégias na sala de aula

por Marina Lopes  9 de fevereiro de 2017

Qual é a diferença entre assistir à televisão e acompanhar uma aula expositiva? Há quem diga que a segunda opção exige maior concentração, mas a verdade é que elas são praticamente iguais para o cérebro e ambas registram baixa atividade neural. Descobertas como essa trazem apenas mais indícios de que, pela neurociência, a aula tradicional já está com os seus dias contados.

Para o professor Alexandre Rezende, doutor em morfofisiologia do sistema nervoso pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a neurociência aplicada à educação ajuda a identificar problemas que afetam a atenção ou o aprendizado de maneira geral. Se um educador sabe que um ambiente escuro aumenta os níveis de melatonina do organismo –hormônio do sono responsável por regular o relógio biológico, ele jamais vai apagar toda a luz da sala para dar uma longa aula com apresentação de slides. “A neurociência pode ser bastante eficiente no sentido de mudar as estratégias educacionais”, defende.

Desde 2010, quando começou a se aproximar da neuroeducação, Rezende conta que enxergou neste campo a possibilidade de criar estratégias que atingem os alunos com mais eficiência. “É justamente fazer o professor olhar para o aluno e não imaginar um ser inerte e passivo para receber informações”, pontua. Quando um professor entende isso, ele começa a rever uma série de ações recorrentes no ambiente escolar. “Alguns trabalhos mostram claramente a falta de atenção dos alunos durante uma aula padrão”, comenta.

A neurociência mostra que, ao se emocionar, um aluno ou qualquer outra pessoa tem uma capacidade maior de gravar as informações

Apesar de não existir uma receita pronta para transformar as práticas na sala de aula, o professor e doutor em morfofisiologia do sistema nervoso diz que estratégias simples já podem fazer diferença. “A neurociência mostra que, ao se emocionar, um aluno ou qualquer outra pessoa tem uma capacidade maior de gravar as informações. Dentro da sala de aula, é potente criar estratégias que geram emoção”, avalia.

As práticas motivacionais também podem trazer bons resultados para a aprendizagem, principalmente em um momento de grandes discussões sobre como atrair a atenção da nova geração. “Os alunos já não tem muita motivação. Nós, professores, temos que assumir essa responsabilidade e trabalhar para fazer algo diferente em sala de aula”, reflete Rezende.

E o diferente, mencionado por ele, pode estar associado a tendências educacionais diversas, que vão desde o uso de tecnologia até as atividades práticas de educação mão na massa. “As estratégias são diversas e cada professor pode criar algo”, encoraja, ao mesmo tempo em que demonstra a importância de fazer o aluno perceber porque determinada atividade é importante.

Mas como começar a colocar as mudanças em prática? O doutor em morfofisiologia do sistema nervoso afirma que não adianta apenas consumir informações e partir em busca de receitas. “É preciso ter curiosidade e vontade de criar uma nova estratégia”, aponta. Apesar desse campo de conhecimento não estar presente em grande parte dos cursos de formação inicial de professores, ele menciona que os professores podem buscar cursos de especialização ou até mesmo referências sobre o assunto.

- Quer aprender mais? Veja uma lista de livros sugeridos por ele:

1. LENT, R. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais de neurociência. 1ª Ed. Atheneu. São Paulo, SP, 2001.
2. CONSENZA, R.; GUERRA, B.G. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. 1ª ed. Artmed. Porto Alegre, 2011.
3. PIAZZI, P. Ensinando Inteligência: manual de instruções do cérebro de seu aluno. Coleção Neuropedagogia, Volume 3, 1ª ed. Aleph LTDA. São Paulo, 2009.
4. METRING, R. Neuropsicologia e Aprendizagem: fundamentos necessários para planejamento do ensino. 1ª ed. Wak Editora. Rio de Janeiro, 2011.
5. PIAZZI, P. Aprendendo Inteligência: manual de instruções do cérebro para alunos em geral. Coleção Neuropedagogia, Volume 1, 1ª ed. Aleph LTDA. São Paulo, 2009.
6. PIAZZI, P. Estimulando Inteligência: manual de instruções do cérebro de seu filho. Coleção Neuropedagogia, Volume 2, 1ª ed. Aleph LTDA. São Paulo, 2009.
7. RELVAS, M.P. Neurociência e Transtornos de Aprendizagem: As múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. 5ª ed. Wak Editora. Rio de Janeiro, 2011.
8. SILVA, A. B. B. Mentes Inquietas: TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Ed. Revista e Ampliada. Fontanar. Rio de Janeiro, 2011.
9. SILVA, A. B. B. Mentes e Manias: TOC: Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Ed. Revista e Ampliada. Fontanar. Rio de Janeiro, 2011.

Para explorar mais sobre esse assunto e debater como a neurociência pode ajudar na educação, o professor Alexandre Rezende estará presente no 1º Congresso Brasileiro de Tendências e Inovação na Educação, que acontece no dia 8 de abril, em Campinas. O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE) e conta com o apoio do Porvir.