Contribua com o SOS Ação Mulher e Família: Banco Santander 033 / Agência 0632 / Conta Corrente 13000863 – 4 / CNPJ 54.153.846/0001-90

Pessoas físicas e jurídicas podem destinar IR para o SOS Ação Mulher e Família através do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente: http://fmdca.campinas.sp.gov.br/

domingo, 31 de julho de 2016

O Boticário celebra pais não tradicionais em nova propaganda (VÍDEO)

HuffPost Brasil
Publicado: 27/07/2016 

Para celebrar a paternidade fora dos estereótipos, o Boticário lançou nesta semana uma tocante campanha para o Dia dos Pais deste ano que mostra uma relação familiar fora dos padrões.
Na propaganda, um pai é apresentado à filha como um "amigo" da mãe. Uma vez unidos, o pai acompanha o crescimento da menina participando diretamente dele, mesmo que deixando suas unhas serem pintadas por ela ou brincando de casinha.
O laço de ambos não se torna menos legítimo por causa disso ou da ausência de uma ligação sanguínea entre ambos.
Em 2015, a marca lançou outra campanha celebrando a adoção.

'Homem é assim mesmo': 8 passos para acabar com a cultura do estupro


Jornalista, ativista de direitos humanos e criadora do FemMap, site que documenta projetos feministas pelo mundo
Publicado: t

É preciso muito esforço para que possamos sair do ciclo violento em que vivemos. Para as mulheres é ainda mais difícil, pois elas são alvo de violências sistemáticas sobre seu corpo. Os 130 casos de estupro que acontecem diariamente no Brasil mostram que existe uma estrutura complexa sustentando uma sociedade doente. Uma cultura do estupro. E mesmo diante de números alarmantes, em que homens são os agressores em mais de 90% das vezes, sempre tem alguém tentando justificar um ato com a máxima: "homem é assim mesmo, não tem jeito".
Tem jeito, sim.
Pode parecer radical que se diga que todos colaboram para sustentar esse sistema, mas infelizmente não nos damos conta de que tudo está interligado. A violência contra a mulher, especificamente, possui uma base de sustentação. Para acabar com os estupros e assassinatos, é preciso acabar com a estrutura toda.
Fiz um pequeno apanhado de exemplos dos diversos níveis de violência que as mulheres sofrem, numa tentativa de esclarecer onde cada um de nós pode prestar mais atenção para acabar com esse ciclo:
1. A base: educação machista
Criar um filho é uma responsabilidade da qual não temos sequer a real dimensão. E reproduzir machismo é tão natural que mães e pais precisam se policiar o tempo todo. É extenuante, mas necessário. Criar meninas empoderadas e meninos desconstruídos é estar atento às tantas influências externas que os jogam de volta no ciclo.
O que evitar: separação de gêneros nas brincadeiras, repreensão de meninas que se comportam de forma expansiva ("isso não é coisa que menina faz"), incentivo à violência entre garotos e dos garotos para as garotas. Fazer a menina limpar a casa enquanto seu irmão assiste TV, dizer a um menino que chorar é "coisa de mulherzinha".
2. As piadas misóginas
A gente cresce e o comportamento doente aprendido na infância vem junto. Essas piadas e ditos sobre mulheres servem apenas pra reforçar estereótipos. Por causa de piadas assim que mulheres têm mais dificuldades para ocupar cargos mais altos nas empresas - parece besteira, até alguém dizer que ela subiu porque deu pro chefe, ou que subiu porque trabalha "como homem".
O que evitar: Não conte, nem incentive, nem fique quieto quando alguém fizer uma piada machista. Ao apontar os pequenos deslizes que cometemos, criamos uma oportunidade para reflexão.
3. As cantadas de rua
Esse tópico parece sempre levantar polêmica, pois "como paquerar sem cantar alguém na rua?". Uma paquera é bem diferente de uma cantada. Paquera é parar pra conversar, criar um artifício para conhecer alguém melhor, é o flerte, que continua se for correspondido. Cantada de rua é assédio, é invadir o espaço de uma pessoa desconhecida e obrigá-la a ouvir o que você quer fazer com os peitos/bunda/vagina dela. Não é engraçado, nem bonito, nem charmoso, nem eficiente. É uma pífia demonstração de poder. Um desrespeito.
O que evitar: tudo. Desde um assobio até qualquer comentário sobre a aparência da pessoa, tudo tem que parar. Não há motivo algum para dizer a uma estranha na rua, da forma que for, que ela tá bonita. Respeite a estranha e não chegue perto.
4. O assédio e abuso sexual
Assédio sexual é mais uma demonstração de poder, mas diferente da cantada de rua, é com pessoas que se conhecem. Para as crianças, o bicho pega aqui, geralmente com algum membro da família ou amigos próximos dos pais. A sexualização infantil é uma realidade e cria traumas profundos. É preciso ficar de olho no comportamento delas com adultos e sempre levar em conta seus incômodos - um abuso pode estar acontecendo sem a gente saber. Um relato de abuso por uma criança não pode ser ignorado ou dispensado sem consequências. Para os adultos, as relações hierárquicas no trabalho são campo vasto para assédios.
O que evitar: Qualquer tentativa de sexualizar alguém no trabalho tem alto potencial de cair aqui. Passadas de mão em público, massagens fora de contexto, enfim, qualquer ato libidinoso não consentido é assédio. Com as crianças, fique atenta aos olhares e movimentos dos adultos. Nem todo tio legal é assediador, mas redobrar a atenção previne problemas futuros. E nunca, NUNCA pergunte a uma vitima de assédio que roupa ela estava usando. Isso é irrelevante. Ela não causou isso, não é culpa dela.
5. O abuso psicológico
Nem sempre a gente percebe quando está num relacionamento abusivo. O abusador, então, raramente se dá conta doa agressão que comete. Muitas vezes o que acontece é uma reprodução do relacionamento dos pais e, se este for de acordo com as regras mais antigas do patriarcado, temos a receita perfeita para a opressão feminina. O homem não respeita as opiniões da mulher, quer decidir por ela. Ele a engana e a confunde.
O que mais me preocupa aqui é como nossa sociedade valoriza o ciúme e o trata como prova de amor. "Ele é ciumento porque me ama muito". O ciúme levado às últimas consequências é a principal causa de feminicídios. E tudo começa nas discussões acaloradas sobre "quem é esse cara que tava falando com você?".
O que evitar: o famoso gaslighting. Diminuir a pessoa, dizer que ela está louca, que não disse o que disse. Tratar o parceiro como alguém menos capaz de tomar decisões. Usar o ciúme como estopim para uma agressão. Perseguir, ameaçar, censurar, gerar insegurança, mentir. Respeito entre parceiros é fundamental para a igualdade entre eles.
6. A agressão física
Mais uma forma de dominação do outro. A agressão física é estimulada entre homens ("vamos resolver tudo no braço"), uma coisa patética. Contra mulheres tudo ganha um toque de horror a mais pelos motivos torpes e a dificuldade de revidar. Enfim, agressão física perde pontos, perde a razão, perde tudo. E basta uma vez pra sair fora desse relacionamento. Bateu? Saia fora.
O que evitar: o desrespeito ao espaço do outro, seja batendo, seja gritando. Um tapa, soco, beliscão, puxão de cabelo, estrangulamento, tudo isso são formas de se impor na força. Nunca, nunca levante a mão contra outra pessoa, principalmente se ela for mais fraca.
7. O estupro
A forma mais violenta, baixa e humilhante de demonstração de poder contra uma mulher. O estupro nada tem de sexual : é o uso da força para violar uma pessoa. Mesmo assim, muitos apenas reconhecem o estupro quando cometido por um estranho, num beco escuro tarde da noite, com uma arma na mão - a ainda arranjam um jeito de culpar a vítima, "que não devia estar ali". Mas há outras maneiras de violar o corpo de outra pessoa, usando entorpecentes, manobras psicológicas ou força bruta. E todos eles também são estupro.

Não é nenhum bicho de sete cabeças perceber que alguém não quer transar. Às vezes irrita ("ela me provocou", "ela queria na balada", "ela veio até em casa", "ela casou comigo"), mas se ela não quer mais, não é pra forçar. Nunca. Nunquinhajamais.
O que evitar: qualquer relação, QUALQUER RELAÇÃO sem consentimento é um estupro. Qualquer abuso sexual de adultos com menores de 18 anos é estupro. Qualquer toque sexual numa estranha no metrô/ônibus/rua/multidão é estupro. Não estupre, não faça sexo com pessoas embriagadas, desacordadas, dopadas, com crianças ou quando a pessoa disser "não, não tô afim". NÃO FAÇA.
O que evitar também: Culpar a pessoa que sofreu violência. Queremos sempre buscar entender e desvendar os mínimos detalhes de um crime. Assim, buscamos contradições no depoimento da vítima, não para defender o agressor, mas para garantir que não se trata de uma acusação mentirosa. Agora, roupa curta, passado promíscuo, histórico baladeiro, hábitos pouco ortodoxos e estar na rua a noite não serão, nunca, justificativas para uma violência. Quer investigar? Descubra se o ato foi consentido, nada além disso.
8. O feminicídio

Mulheres morrem por serem mulheres. Morrem por que o parceiro, "que a amava tanto", perde a cabeça num ataque de ciúmes e atira nela. Mulheres morrem por não se submeterem a um marido que a acha apenas mais uma propriedade dele. Elas morrem por responderem a uma agressão, por que não sabem o "seu lugar".
O que evitar: matar alguém. Não mate ninguém nunca. Aos outros seres humanos normais: nunca busque justificativa para um assassinato. E se o que você encontrar como justificativa envolver um coração partido, ciúmes ou uma traição, nunca culpe a vítima. Ninguém merece morrer, menos ainda por motivações mesquinhas como essas.
Enfim, minha pequena tentativa de descrever - e desconstruir - o que chamamos de cultura do estupro.


Qual é a 'cara' de um estuprador?

Marisa Peters
Feminista, mãe, blogueira

Publicado: 26/07/2016

Por que vilanizamos nossos estupradores de maneira que eles pareçam imaginários? Nas nossas lembranças, eles raramente têm nome, são apenas "o estuprador".

Meu estuprador era uma pessoa. Um rapaz de sardas, tímido, quieto e muito mais educado que os amigos dele.

Ele era o bebê de alguém. Alguém o amou no passado, e alguém o ama hoje. Ele é o filho de alguém. Irmão de alguém. Ele carregou as compras do supermercado para o pai. Ele sentou ao lado do bully no ônibus da escola. Ele foi gentil.

Ele é o namorado de alguém e provavelmente segurou alguém de um jeito diferente que me segurou.

Ele é um estuprador. Ele é meu estuprador.

Mas não para as pessoas que o amam.

Você não acreditaria em mim se eu te dissesse que ele é meu estuprador; ele não é assim. Ele é bondoso, jamais faria mal a ninguém. Ele carregou as compras e sentou ao lado do bully no ônibus.

E você não poderia ter criado um estuprador.

O estuprador da minha avó era o marido dela. Ele era um político conhecido. As pessoas perguntavam para ela: "Como você consegue ficar casada com um homem tão charmoso?"

Ela não conseguia, porque apanhou desde a primeira noite da lua-de-mel. Ele tinha filhos com outras mulheres que não conseguiram aguentar seu charme. Quando minha avó descobriu e passou a se recusar a dormir com ele, ele a estuprava.

Ele tentou matá-la e aos filhos, minha mãe de seis, em um incêndio criminoso, para receber o seguro de vida. Não deu certo, e quando ele foi parar no hospital com queimaduras graves, recebia cestas de frutas e cartões, porque "George era um homem tão bom".

Quando ele se matou, sentiram sua falta. Às vezes ainda ouço as pessoas falando dele. Dizem: "Bem, ele batia em Grace, mas nunca encostou nos filhos".

Quando falam da minha avó, riem e dizem: "Bom, ela costumava provocá-lo. Ela o deixava nervoso".

"Ela sabia com quem estava se casando."

Qual é a cara de um estuprador? Seu filho. Seu irmão. Seu pastor. Seu melhor amigo. Seu marido.

Mas você não vai acreditar na gente porque estupradores são monstros, e as pessoas que você ama jamais poderiam ser monstros.

Então provavelmente estamos mentindo.

Talvez tenhamos inventado tudo porque eles não nos desejavam. Estávamos em busca de vingança. De atenção. Mesmo que atenção significasse meses de ataques pessoais ao nosso caráter. Perguntas sobre que roupa estávamos usando.

O que tínhamos bebido. Se sentíamos alguma coisa pelo cara. Se eles entenderam errado. Éramos sexualmente ativas? Com quem? Como? Gostamos de sexo violento? Têm certeza que realmente disseram "não"?

Não sabem que podem estar arruinando a reputação deles, a vida deles?

Mas tudo o que você precisava perguntar era: "Você consentiu?"

Vou de carro até a casa onde você me estuprou. Fico parada lá, sinto raiva e volto para casa, para minha família, meu filho. Preparo o jantar, vou dormir e penso em você. Mesmo quando tento não fazê-lo.

Procuro desesperadamente seu nome no Facebook, mas você não está lá.

Tento lembrar da sua cara, mas só lembro de seus braços sardentos, porque lembro de olhar para eles quando você estava em cima de mim. Lembro da sua cueca azul. Dos lençois azuis. Do despertador.

Mas não lembro de muita coisa por causa da bebida que você me deu. Eu era nova. Isso me confundiu. Então, durante dez anos, achei que tivesse sido um mal entendido. Bebi demais e transamos.

Você transou comigo e eu estava inconsciente durante a maior parte do tempo, mas como eu poderia saber? Eu tinha 15 anos. Bebi demais? Será que um drink poderia deixar uma menina inconsciente? Acho que depende do que você colocar nele.

Você sabia o que tinha naquele drink, mas eu tinha 15 anos e não sabia.

Não soube por dez anos, porque sentia tanta vergonha do que tinha feito. (Do que você tinha feito.) Dez anos pensando em você e te odiando e me odiando, mas nunca entendendo plenamente o contexto do que aconteceu.

Nunca considerando porque tinha me convencido e aceitado que não briguei o suficiente. Que talvez você não tivesse me ouvido dizer não. Talvez tivesse sido só um grande mal entendido.

Agora eu sei.

Foi calculado.

Você provavelmente nunca pensa em mim, mas eu tenho de pensar em você.

Tenho de pensar em você desde a manhã seguinte ao estupro, quando fiquei sentada no banheiro dos meus pais olhando para a minha calcinha por horas.

Tenho de pensar em você enquanto escrevo este texto. Me pergunto se, se mencionar seu nome, sua família e seus amigos virão atrás de mim?

Tenho de pensar em você toda vez que sinto cheiro de álcool no hálito de algum homem. Quando vejo sexo na TV. Quando assobiam para mim na rua.

Quando colocam o braço em mim no bar. Quando gritam comigo quando estou indo para o meu carro à noite. Quando me dizem para sorrir quando estou triste ou brava ou simplesmente não tenho vontade de sorrir.

Penso em você quando gritam "Nem todos os homens!", mas me pergunto por que uma em cada cinco mulheres passam pelo mesmo que eu passei. Por que é "Nem todos os homens!", mas todas as mulheres são mentirosas no tribunal.

Penso em você e penso em todos esses homens e sei que ensinaram essas coisas para vocês. Você aprendeu a se achar no direito de receber nossa atenção, nossos sorrisos.

Nossos corpos.

Penso em você quando vou para casa e não há nada que me distraia da ideia que te odeio. Penso em você quando me dou conta de que falar a respeito faz as pessoas ficarem em silêncio e pouco à vontade, esperando que eu pare.

Penso em você quando sinto a solidão de carregar essa coisa que ninguém quer ouvir. Essa coisa que provavelmente te fez comemorar com seus amigos.

Essa coisa que sei que jamais será trazida à Justiça, porque acompanho os julgamentos de agressões sexuais.

Nem mesmo com testemunhas, testes médicos, marcas internas e externas. Nem com todas as provas necessárias.

Porque poderia arruinar sua vida.

Penso em você, homem sem nome de braços sardentos, namorado de alguém, filho de alguém, amigo de alguém. Você é todas essas coisas.

Mas também é meu estuprador.

Marisa Peters é blogueira do site, um blog sobre feminismo, igualdade e reflexões sobre a maternidade.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

Especialista em educação fala sobre o projeto Escola sem Partido

Publicado em 25 de jul de 2016

O movimento Escola sem Partido defende uma “neutralidade do ensino” e conseguiu emplacar um projeto de lei no Congresso Nacional -- o PLS 193/2016. Uma enquete sobre o projeto no site do Senado já engajou mais de 350.00 internautas. Na sociedade a ideia divide opiniões, mas a maioria dos educadores rechaça a proposta. 

O cientista político e educador Daniel Cara veio até a redação da IstoÉ e analisou tanto o projeto quanto a conjuntura política que o impulsionou. Confira no vídeo.


O renascimento das princesas

Nova onda de best-sellers tem Cinderela DJ, Bela Adormecida ligada no Whatsapp e Pequena Sereia que disputa a Olimpíada

29.07.16

Caçula de seis irmãs, Arielle Botrel tem 16 anos, é ruiva de cabelos ondulados e figura entre as maiores promessas da natação brasileira na disputa por uma medalha olímpica nos Jogos Rio-2016. Filha de um ex-nadador profissional e de uma cantora que morreu de complicações durante seu parto, Arielle vive as angústias, dilemas e sonhos de qualquer garota da sua idade, embora sua rotina seja um pouco diferente. Para cumprir a extenuante agenda de treinos, ela é impedida de ter uma vida “normal”. Não pode ir a baladas nem perder tempo com ficantes. Enquanto suas irmãs, que formam a banda de música pop Memaid Sisters, vivem perfumadas e rodeadas de fãs, ela está sempre cheirando a cloro.

Os sonhos e aventuras de Arielle cobrem as páginas de “Princesa das Águas” (Galera Record), adaptação da fábula “A Pequena Sereia”, do dinamarquês Hans Christian Andersen, recém-lançada pela escritora Paula Pimenta, 42 anos. A obra se encaixa na mais forte tendência mundial da literatura teen. Recordista de vendas entre as escritoras que se dedicam a esse público, Paula estreou no mundo do “Era uma vez…” ao ser convidada para fazer parte da coletânea “O Livro das Princesas”, ao lado das norte-americanas Meg Cabot e Lauren Kate e da carioca Patrícia Barbosa. Em seu conto para o livro, a autora transformou Cinderela em uma DJ maltratada pela madrasta. Depois, em “Princesa Adormecida”, fez a heroína se apaixonar via whatsapp. “Eu gosto de escrever sobre o cotidiano, mas sempre fui louca por contos de fadas”, afirma. “Tento seguir a linha básica do conto original, trazendo a história para a realidade presente. Foi pensando nisso que coloquei a Olimpíada em ‘Princesa das Águas’”, diz.

A fórmula tem dado certo, com mais de 150 mil cópias vendidas até agora apenas da série Princesas. Para lançar seu mais recente livro, a escritora está em uma turnê por 12 cidades, de Belém a Porto Alegre.

Parte desse fenômeno se deve ao uso inteligente que a autora faz das redes sociais. “A internet ajuda a criar expectativa e permite um contato direto com as leitoras”, diz. “Eu sou a primeira a mostrar as capas dos meus livros na rede. Gosto de saber o que estão achando, peço opiniões e até uso comentários no contexto das histórias”. Segundo Paula, essa interação é saudável para as duas partes. “As leitoras me ajudam a perceber características das personagens que eu sequer havia notado, como o fato de uma das minhas princesas ser muito chorona”, revela.

Final feliz

Do lado das fãs, a proximidade com a autora estimula o gosto pela leitura e serve de inspiração para que escrevam – seja seus próprios livros ou blogs literários que acabam se tornando fundamentais na divulgação de cada novo trabalho lançado por Paula. “A tiragem inicial de ‘Fazendo meu filme’ foi de apenas 1 mil exemplares”, recorda, atribuindo o espetacular aumento das vendas ao velho e bom “boca a boca”. No seu caso, um boca a boca via blogs, Twitter, Snapchat e YouTube.

Curiosamente, apesar de esse renascimento das princesas se dever em grande parte à internet, Paula vende bem mais cópias de suas obras em papel que na versão digital. Ter uma estante cheia de livros parece ter se tornado um sonho de consumo das jovens leitoras. “Uma delas me disse que cada livro meu é como um bichinho de estimação”, diz a autora, que apesar do sucesso de suas princesas já planeja novos horizontes na literatura. “Vou começar uma série sobre uma menina apaixonada por livros”, avisa. Não resta dúvida de que essa história também terá final feliz.

Uma vida fora de série

Famosa pelos sucessos adolescentes “Fazendo meu filme” e “Minha vida fora de série”, ambos lançados em vários volumes e já publicados em Portugal, Espanha, Itália e em toda a América Latina, Paula Pimenta (foto), nasceu em Belo Horizonte e acumula 1,2 milhão de exemplares vendidos desde 2001, quando estreou na literatura ao publicar o conto “Confissões”. Os direitos de toda a sua obra já foram negociados para cinema e televisão.

IstoÉ

G, o novo risco das baladas

Como é a substância sintética que pode ser diluída em água, causa excitação e tem levado jovens brasileiros à morte

Ludmilla Amaral
29.07.16

Ela age rápido, é discreta, provoca forte excitação – e mata. A droga que vem conquistando espaço entre os jovens frequentadores de baladas no Brasil ficou conhecida como “G” (ou “Di”, em referência à pronúncia em letra em inglês) e representa um perigo a mais justamente por suas aparentes vantagens para os usuários. Oferecida pela internet, longe dos tradicionais pontos de venda de maconha e cocaína, a substância sintética é diluída em água com a ajuda de um conta-gotas e levada para o local de consumo dentro de uma insuspeita garrafa plástica. De acordo com o Departamento de Narcóticos de São Paulo (Denarc-SP), a nova droga está bombando em festas e casas noturnas desde o ano passado. De lá para cá, pelo menos dois jovens morreram depois de ingerir “G” com bebidas alcoólicas. Um rapaz de 25 anos teve parada cardiorrespiratória após tomar o entorpecente em uma festa, em Florianópolis. Outro, de 24 anos, morreu em Belo Horizonte.

O massagista Pedro*, 34 anos, diz que ingeriu a droga sem saber em uma festa no bairro da Lapa, em São Paulo. O resultado foi uma noite de pânico. “Eu fiquei eufórico e excitado. Passei a noite com uma pessoa e tive medo de dormir, pois meu coração estava acelerado”, relata. As sensações que ele descreve, de euforia e excitação, costumam ser o que os usuários da droga buscam: passar noite em claro e com o desejo sexual à flor da pele. “Antes de anestesiar, ela aumenta muito a libido”, explica Clarice Madruga psicóloga e pesquisadora da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Se a droga for usada em excesso, pode causar uma parada cardiorrespiratória. Essa é uma brincadeira muito perigosa”, alerta.

Convulsões e delírio

O nome “G” vem de GHB, sigla em inglês para ácido gama-hidroxibutirato. A substância foi desenvolvida para ser usada como agente anestésico. Seus efeitos colaterais – diminuição do nível de consciência, contrações musculares involuntárias, convulsões e delírio – fizeram com que fosse banida pelo FDA, o órgão do governo dos Estados Unidos que regula alimentos e drogas. Antes do uso recreativo iniciado nos últimos tempos, uma variação da mesma droga ficou conhecida como “Boa noite, Cinderela” devido a seu poder sedativo. Capaz de “apagar” vítimas de forma a facilitar crimes como roubo e estupro, a droga passou a ser consumida em dosagens menores por quem quer perder a inibição e elevar a libido. Tanto que é vendida como “ecstasy líquido”, ainda que nada tenha em comum com a droga favorita dos adeptos das “raves”, as festas de música eletrônica em que jovens varam madrugadas.

Além do “G”, drogas como maconha sintética, NBOMe e MDMA (leia ao lado) têm chegando ao Brasil com mais força desde o ano passado, conforme dados do Global Drug Survey e do II Levantamento Nacional de Ácool e Drogas (Lenad). “Elas entram camufladas dentro de outras substâncias e vão se transformando muito rapidamente”, explica Camila Silveira, médica-psicoterapeuta do Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) da USP. Como ainda não se sabe qual a dosagem segura dessas substâncias – se é que existe – elas se tornam um perigo ainda maior. O delegado Ruy Ferraz Fontes, do Denarc-SP, afirma que essas são drogas destinadas à elite. Um grama de MDMA, por exemplo, é vendido por cerca de R$ 200. “Elas são negociadas via internet e é muito difícil rastrear”, afirma. Ainda que não tenham sido feitas apreensões, o delegado explica que o Denarc tem atuado em duas frentes para coibir o tráfico: monitorando as mídias eletrônicas em busca de sites de venda e colocando equipes infiltradas nos locais em que pode haver consumo.

IstoÉ

Dove combate o sexismo da mídia em nova campanha

Aparência vs. desempenho



por Rafael de Almeida
28/07/2016

Aproveitando a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio, a Dove lançou nos Estados Unidos uma evolução da campanha “My Beauty, My Say“ em que estimula as mulheres a definirem a sua beleza própria. Nessa nova fase, o objetivo é combater e criticar referências sexistas às mulheres na mídia, seja ela esportiva ou não. Assista acima alguns exemplos.

Para provocar a discussão entre o público e estimular a repreensão de citações que ofendam as atletas, alguns dos comentários sexistas estão sendo exibidos em painéis digitais nas cidades de Nova York, Los Angeles e Toronto.

campanha_dove_mybeautymysay2
“ELA CRESCEU PARA SER UMA MULHER BEM ATRAENTE”- ESPNW

“Em vez de focar no desempenho atlético, eles estão frequentemente falando sobre as roupas ou como elas estão. Não é tão apropriado mencionar os seios ou a bunda enquanto estiverem conversando sobre seu desempenho como esportista”, diz Jennifer Bremner, diretora de marketing da Dove.

A campanha também tem um hotsite onde o público é incentivado a enviar tweets para as contas oficiais dos jornais e sites que fizeram algum tipo de comentário depreciativo para atletas que estavam competições.

Lá é possível ter uma noção da quantidade de comentários sexistas feitos por veículos de comunicação, tudo isso acompanhado de várias estatísticas que só reforçam como a mídia ainda precisa evoluir e deixar de ser machista.

sábado, 30 de julho de 2016

Artista cria "mosaico de Barbie" para denunciar violência contra mulheres

Redação RedeTV!
28/07/2016
A artistas plástica Lady Be, que mora em Roma (Itália), criou um mosaico criativo e curioso. Com o projeto "Beaten Barbie — Stop Domestic Violence" (Barbie espancada – vamos acabar com a violência doméstica, em tradução livre), ela criou uma obra de uma boneca Barbie espancada e contundida, chamando a atenção para a violência baseada no gênero.

Exposto entre os dias 9 e 12 de junho na Trienal de Arte Contemporânea, em Verona, na Itália, o mosaico é composto de fragmentos de centenas de bonecas e brinquedos, além de partes outros objetos que perderam sua função original.

"Muitas pessoas encaram as mulheres como bonecas – acham que elas podem ser tratadas como brinquedos, jogadas fora ou maltratadas”, disse a artista em entrevista ao "HuffPost Itália". Lady Be escolheu a boneca Barbie porque "ela é um símbolo de grande popularidade e com o qual um público amplo pode se identificar".

"Para transmitir uma imagem universal [a de acabar com a violência], escolhi uma figura para representar todas as mulheres de todas as idades", explicou. "Alguma coisa negativa acontece com mulheres todos os dias. Com minha ‘Barbie espancada’, quero conscientizar as pessoas e transmitir uma mensagem forte que possa chegar a todo o mundo."

Rede TV

#QueroTreinarEmPaz

#QueroTreinarEmPaz: Mulheres contam casos de machismo no esporte; participe

Do UOL, em São Paulo

Às vésperas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o UOL Esporte, em parceria com as ONGs feministas Think Olga e AzMina, ergue bandeira de combate ao machismo no esporte - foi ao ar, nesta segunda-feira (25), o primeiro de uma série de cinco vídeos especiais sobre o tema (veja acima). E a campanha#QueroTreinarEmPaz repercute. 
O chavão "isso não é coisa de menina" já lhe prejudicou de alguma forma? Use ahashtag e conte a sua história. Confira algumas abaixo.

De Rosana Peixoto, no Facebook

De Mariana Pedroso, no Facebook

De Helena Altmann, no Facebook

De Paula Ralo, no Facebook

Já ouvi diversas vezes que futebol era esporte pra menino, que menina não podia jogar, que eu era "Maria Homem", que menina não tinha capacidade suficiente pra jogar, ainda mais em certo time, entre outras coisas que eu prefiro nem comentar. Ao longo dos anos isso foi me "desgastando" e eu acabei abaixando a cabeça e a minha autoestima. No final, eu acabei largando o futebol e esse é um dos meus maiores arrependimentos. Eu acabei perdendo uma paixão pro machismo. ?#‎QueroTreinarEmPaz? ?#‎MachismoNoEsporte?. 

De Karen Cunsolo, no Facebook

Quinta-feira de rodada no Brasileirão. Peço um táxi e digo: "Palestra Itália, por favor". Taxista diz:
- Estranho esse trânsito na Sumaré.
- É o jogo.
- Não tem jogo hoje. Hoje é quinta.
- Tem sim. Tou indo pra lá.
- Lá onde? Mora perto do estádio? Não tem jogo hoje, não, fia.
- EU ESTOU INDO PARA O JOGO, SENHOR. TEM JOGO SIM, PALMEIRAS X FIGUEIRENSE.
- Mas hoje? Tem certeza? Tá indo sozinha?
Acontece toda vez. E é por essas e muitas outras que, quando me perguntam por que eu não jogava futebol na escola, eu nem sei responder. Vivia na lateral da quadra ou do campo, mas nunca sequer acharam que era o caso de me perguntar se eu tinha interesse por aquilo.
Que as Olimpíadas sejam das mulheres que trocaram as satisfações diárias sobre suas escolhas e seus corpos por recordes incríveis e medalhas douradas.
?#‎QueroTreinarEmPaz?. 

De Fernanda Schimidt, no Facebook

Muita gente que me conheceu na maturidade não tem ideia do meu passado esportivo. E, o mais importante, que foi o esporte que despertou em mim o feminismo. Era um conceito embrionário ainda, sem nome, mas estava lá, forte e muito bem definido. Quando, aos 6 anos, saí de uma escola de bairro e entrei no mundo cheio de regras da São Paulo tradicional do começo dos anos 90, descobri que meninas não podiam jogar futebol. Na na ni na não. Era proibido. Isso mesmo, esporte masculino. Como não pode? Mas eu jogava! E era boa! Melhor que muitos dos meninos! Lá pelos 11, nas aulas de educação física, vira e mexe fazíamos umas partidas ilegais, quando a professora saía da sala, com uma bola de vôlei murcha. Não lembro quando foi incluído no currículo esportivo feminino, naquele momento eu já tinha enveredado para outras modalidades... O triste é ver como essa história é a mesma para várias mulheres, pior ainda é saber que para tantas e muitas outras, aquele primeiro 'não' já é suficiente para minar o interesse. Assim como as piadas, e a falta de espaço (físico e virtual), e o pouco investimento, e os salários menores, e a estrutura precária, e o assédio. Se você parar para pensar, são tantas as barreiras, mas tantas, que é impressionante termos esse grupo incrível de atletas e ex-atletas, suando todo dia em busca do sonho olímpico. Várias delas são tão indescritivelmente foda que, no meio da loucurama pré-Rio 2016, pararam para compartilhar suas histórias e ajudar a dar forma a essa campanha absolutamente necessária, não só pela nova geração olímpica, mas principalmente por todas as mulheres que querem ir à academia tranquilamente, correr no parque sem medo ou que buscam apenas juntar um grupo de meninas suficiente para fazer uma partida na quadrinha atrás de casa. #QueroTreinarEmPaz.

De Aline Santiago Luz, no Facebook

A necessidade de parar com piadinhas do tipo: O time das meninas começa! Ta jogando igual menininha! Perder para uma menina não é perder para alguém fraco, e pior que você. Perder para uma menina é perder para alguém que possui as mesmas habilidades e potencial que você. Não menospreze a vitória delas! Entenda, mulheres podem ser tão boas ou até melhor que qualquer homem. ?#‎QueroTreinarEmPaz?. 

De Letícia Bahia, no Facebook

Me lembro do dia em que aprendi a dar um soco. Era a segunda aula dos 2 anos e meio em que fiz kung fu. É impressionante o que acontece no punho fechado quando você rotaciona o pé e o giro vai subindo, passando pelo quadril e ganhando força, subindo pelo corpo e culminando no ombro que empurra braço e finalmente o punho: PÁ! "Eu sei dar um soco!", pensei! Que delícia me acabar de suar enfiando a mão no saco de pancadas! Depois disso ensinei muito marmanjo a dar soco. Como tudo na vida, lutar também é algo que se aprende. Basta ter vontade - e dar risada de quem acha que o pré requisito é um pênis! ?#‎QueroTreinarEmPaz?. 

Papa Francisco terá uma mulher como porta-voz no Vaticano

(O Estado de S. Paulo, 29/07/2016) Jornalista espanhola Paloma García Ovejero será a primeira da história a ocupar função executiva na cúpula da comunicação da Igreja Católica
A jornalista espanhola Paloma García Ovejero, de 41 anos, assumirá na segunda-feira, dia 1.º, o cargo de subdiretora da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao lado do também jornalista Greg Burk, americano de 55 anos, nomeado diretor, em substituição ao padre Federico Lombardi, jesuíta, de 74 anos. Paloma García é a primeira mulher a ocupar função executiva na cúpula da Sala de Imprensa, como porta-voz do papa.
“Ah, uma galega no Vaticano!”, brincou Francisco, usando o tratamento que os argentinos dão aos espanhóis, ao receber seus novos auxiliares em audiência, no dia 11 deste mês. Era um encontro de trabalho, no qual o papa pediu equilíbrio, fidelidade e clareza na transmissão das informações. Padre Lombardi deixa o cargo após dez anos, durante os quais serviu a Bento XVI e a Francisco. Pediu demissão em dezembro, por causa da idade avançada. Desde então, Burk vinha ocupando o cargo de subdiretor.
Nascido em Saint Louis, Greg Burk especializou-se em Jornalismo, depois de estudar em colégios jesuítas da cidade e de se formar em Ciências Comparadas na Universidade de Columbia, em Nova York. Trabalhou na agência United Press International (UPI), em Chicago, na Reuters e na revista Metropolitan, antes de ser enviado a Roma como correspondente da revista National Catholic Register. Em 1990, passou a colaborar com a revista Time e, em 2001, tornou-se correspondente da Fox News em Roma. Era assessor de comunicação, desde 2012, quando em dezembro do ano passado foi trabalhar com padre Lombardi.
Paloma García nasceu em Madri e trabalhava desde 2012 como correspondente em Roma da rádio Cope (Cadenas de Ondas Populares Españolas), da Conferência dos Bispos da Espanha. A nomeação para a diretoria da Sala de Imprensa surpreendeu a jornalista, conforme afirmou em entrevista ao Serviço Brasileiro da Rádio Vaticano. “Tenho um pouco de medo, é certo, porém, ao mesmo tempo, a tranquilidade de saber que não foi uma escolha minha”, disse Paloma. Em sua opinião, o fato de ser mulher não foi determinante para a sua escolha, pois lhe parece normal na revolução da normalidade, da natureza e da lógica que o papa Francisco está fazendo.
José Maria Mayrink

Tina Turner Queen Of Rock'n'roll

Celebridades que foram vitimas de violência doméstica





A violência doméstica é um problema grave pelo qual muitas pessoas passam, ela pode ser dividida em maus-tratos contra idosos, violência e abuso sexual contra crianças, violência contra mulher, entre outros.
Abaixo você encontrará algumas celebridades que passaram por algo parecido, todas são mulheres, mas isso não quer dizer que os homens também não sofram com esse problema, muito deles sequer falam sobre isso por vergonha ou pelo fato de se sentirem ameaçados assim como as mulheres.
Vemos os artistas e achamos que todos têm uma vida perfeita, mas não podemos esquecer que todos nós somos humanos e passamos por dificuldade e alegrias da mesma maneira, a violência doméstica pode afetar a todos.

Charlize Theron
Ela passou a infância com um pai alcoólatra e abusivo que ameaçou matar Charlize e sua mãe quando ela tinha 15 anos. Sua mãe Gerda Maritz, atirou e matou seu pai em legítima defesa.

Luana Piovani
Luana Piovani atriz e modelo brasileira sofreu agressão doméstica quando namorava em 2008 com o ator Dado Dolabella, após uma discussão em uma boate Luana foi estapeada e empurrada por ele, o ator chegou a ser acusado na justiça por conta da agressão que conta com outro processo pelo mesmo motivo, que foi aberto por outra ex-namorada Viviane Sarahyba com denúncia de agressão contra o próprio filho registrada pela mãe em 2012.

Hale Berry
Halle Berry que ganhou o Oscar de melhor atriz no filme A Última Ceia é totalmente contra violência doméstica, ela sentiu na pele o que é isso. Em 2004 ela admitiu que foi atingida tão forte por um de seus ex-namorados que ela perdeu a audição do ouvido direito. Mas Hale Berry nunca revelou a identidade do agressor.

Pamela Anderson
Conhecida pela série de TV SOS Malibu, Pamela Anderson casou com o baterista Tommy Lee em 1955 depois de o ter conhecido apenas por 4 dias. O seu casamento tempestuoso durou 3 anos e nesse tempo Tommy Lee ficou preso por 4 meses por abuso doméstico contra Pamela Anderson. Apesar disso Pamela havia convencido Lee que ela iria esperar por ele quando saísse da cadeia e eles se reconciliaram e ficaram juntos por um tempo. Agora, eles estão separados.

Tina Turner
O casamento violento de Tina com Ike Turner é conhecido em grande parte graças a um filme baseado em sua vida chamado Tina (Love Got To Do With It). No filme a cantora e atriz sofre espancamentos graves, foi estuprada e tinha marcas de queimaduras de cigarro em sua pele. Seu marido Ike é retratado como uma pessoa violenta e sociopata manipulador. Quando a autobiografia de Tina foi publicada ela realmente admitiu que o livro era extremamente preciso. Os dois foram casados por 16 anos antes de Tina ter coragem de terminar o relacionamento. Seu ex-marido Ike está morto.

O machismo das ausências

O machismo na literatura se manifesta bem antes do mercado editorial. De forma sutil, empurra autoras para as margens e para o esquecimento.
por Aline Valek — publicado 27/07/2016


Com alguma frequência, respondo a entrevistas. Ou tento, quando o volume de trabalho me permite. Fico feliz quando me procuram para falar de literatura, afinal, é meu trabalho, mas noto a repetição de uma mesma pergunta: “você já sofreu machismo no meio literário?”
Como se não bastasse o machismo galopante que transborda do mundo e a que estão sujeitas todas as mulheres, inclusive as escritoras, a pergunta vem com a expectativa de uma resposta contundente, com exemplos que escandalizem, com depoimentos tocantes. É onde costumo decepcionar.
Veja bem, é fácil responder de forma a satisfazer a pessoa jornalista ou o público a quem é destinada a matéria. Mas, considerando que o meio literário não é uma realidade à parte e que o machismo raramente começa e termina num só lugar, responder fica difícil.
Primeiro, porque a resposta mais completa é aquela que a pergunta não contempla. Mas é especialmente difícil porque a resposta está nas perguntas que não nos fazem. Nos exemplos que não existem. Nos “nãos” que nem chegam a ser ditos porque nem precisa.
O problema do preconceito de gênero é que dificilmente ele é explícito; ele está mais presente nas coisas que não vemos. Isso também na literatura: nos convites para eventos que deixamos de receber. Quando uma autora é deixada de lado para darem destaque a um escritor. Nas faltas de indicação a prêmios. No esquecimento.
Apesar da relevância do trabalho das escritoras, ainda é difícil vê-las podendo falar de seu trabalho nas mesmas condições que um autor pode falar. Nas mesas de debates compostas só por homens, por exemplo, eles podem transcender todas essas questões e falar de seus trabalhos, de seus personagens, de literatura.
Se convidada (e será raridade se numa mesa composta apenas de mulheres), a escritora provavelmente acabará tendo que falar sobre suas dificuldades, sobre o preconceito, sobre ser mulher e escrever.
Ser homem é não ter gênero, é pairar acima dele; enquanto uma mulher, não importa que seja escritora, cientista ou jardineira, será primeiramente e acima de tudo uma mulher.
A ausência está nas perguntas que não nos fazem, aquelas que são esquecidas enquanto vêm as questões sobre as nossas maiores dificuldades de escrever sendo mulher, o único assunto que nos cabe.
Mas as histórias que escrevemos não importam? Nosso trabalho, por si só, não interessa? Não podemos falar sobre literatura, pura e simplesmente? Essa é uma barreira difícil de romper.
A ausência também grita nas presenças. Alardearam que a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2016 seria a “FLIP das mulheres”. Como se 44% de autoras convidadas fosse uma quantidade exagerada de mulheres, como se uma participação que ainda não chega perto do equilíbrio de repente representasse uma dominação feminina – qualquer ruído é um escândalo quando tudo o que havia era silêncio.
Mas, apesar deste ter sido o ano com mais autoras na programação oficial, nenhuma delas era negra. Como se escritoras negras não existissem hoje, agora, aqui. E de novo, o esquecimento, o silêncio, a ausência.
Este é só mais um indício de como o machismo dentro da literatura se manifesta bem antes de chegar no mercado editorial; e, como dito, é um machismo que se manifesta de forma sutil, empurrando as autoras para as margens.
É o machismo de tornar as mulheres invisíveis. É o machismo da ausência de oportunidades. E isso vem desde muito cedo, desde quando as jovens mulheres, ainda mais quando são pobres, especialmente quando são negras, são desmotivadas a escrever; quando escrevem, têm dificuldade de ser publicadas; quando são publicadas não recebem tanta projeção.
Então, mesmo que rompamos uma série de barreiras para poder chegar a ser escritoras, mesmo quando conseguimos, ainda seremos barradas em algum momento. E nem poderemos usar isso como um exemplo contundente de machismo, afinal, não aconteceu. Nada existiu.
Esse "não estar" é mais cruel do que alguém fazendo um comentário machista na minha cara, porque é mais difícil apontar para essa ausência de oportunidades do que para um preconceito explícito.
Em seu ensaio Um Teto Todo Seu, Virginia Woolf propôs a seguinte reflexão: imagine que Shakespeare teve uma irmã tão inclinada à criação quanto ele; conseguiria ela alcançar o mesmo reconhecimento e fama que teve o irmão?
Judith, essa irmã hipotética, conforme Virginia desenvolvia a reflexão, “era tão audaciosa, tão imaginativa, tão ansiosa por ver o mundo quanto ele. Mas não foi mandada à escola.” Nunca foi incentivada a estudar, a ler, a escrever, a desbravar o mundo.Deveria se ocupar de afazeres domésticos e logo deveria se casar, com quem o pai desejasse. Mas ela fugiria e tentaria a sorte no teatro, que amava tanto quanto o irmão. Ela, no entanto, seria rejeitada. Jamais conseguiria escrever e se mataria em uma noite de inverno para ninguém nunca mais ouvir falar nela.
Ali, Virginia me apontou para o fato de que a maioria das escritoras que eu gostaria de ter lido nunca chegaram a escrever. As minhas escritoras favoritas que nunca conheci, se escreveram, não chegaram à minha época. Seus nomes foram apagados e seus trabalhos jogados no anonimato. Tiveram suas vidas empurradas para a miséria e para longe da ficção.
Não é um caso isolado de machismo dentro do meio literário que cria barreiras para as escritoras. É todo um sistema, presente no mundo no qual estamos imersas, que garante que fiquemos à margem.
São essas ausências que garantem que o escritor a quem se refere o Dia do Escritor, comemorado na última segunda-feira, dia 25, seja homem (como 72% dos autores brasileiros publicados) e branco (como 93,9% dos que escrevem literatura no Brasil). Então é sobretudo para as ausências que precisamos prestar atenção.

Carta Capital

Carolina Maria de Jesus, em folhas recolhidas

HQ descreve a escritora em meio ao caos da favela
por Rosane Pavam — publicado 29/07/2016

Carolina Maria de Jesus cata papéis em meio ao lixo. À noite, após combater violências contra seus iguais, faz literatura nas folhas recolhidas. Esta é a artista afrodescendente que ainda espelhamos, aqui e em dezenas de países nos quais sua imagem se faz reconhecível, como os Estados Unidos. Este é o personagem que a pesquisadora Sirlene Barbosa e o desenhista João Pinheiro alcançam com zelo na HQ Carolina. Sua escritora é um anseio. Ela parece jamais deixar a favela, sobre a qual faz um samba em que exalta a vedete. 

A história em quadrinhos mostra também momentos variados de sua iconografia e de suas “escrevivências”. Carolina diz: “A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra”. A escritora aprendeu a literatura do século XIX no colégio público mineiro Allan Kardec. Sua sala de aula era aberta. Durante toda a vida, leu os folhetins, cujas tramas buscou mimetizar. 

Quando desembarcou em São Paulo, achou que as pessoas pareciam fugir umas das outras. Lutou toda a vida para ser publicada. Segundo a pesquisadora Elena Pajaro Peres,Carolina havia sido entrevistada pelo menos duas vezes antes de conhecer Audálio Dantas, o jornalista que a levou a descrever seu cotidiano em Quarto de Despejo – Diário de uma favelada (1960). A reportagem “Carolina Maria, poetiza preta”, de Willy Aureli, foi publicada na Folha de S.Paulo em 1940, reeditada em A Gazeta 20 anos depois.

A segunda, “Carolina, a poetisa negra do Canindé”, saiu em 1952, no jornal Última Hora de São Paulo. Os estudos sobre Carolina apenas começam. Mas já sabemos que ela sempre desejou ser poeta.
Carolina. Sirlene Barbosa e João PinheiroVeneta, 128 págs., R$ 39,20