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domingo, 31 de agosto de 2014

Os roubos de recém-nascidos que comovem o Chile

A Justiça investiga cerca de trinta casos em hospitais públicos durante os anos 70 e 80

 Santiago do Chile 30 AGO 2014


A Justiça chilena investiga cerca de trinta roubos de recém-nascidos em hospitais públicos do Chile durante os anos 70 e 80, que afetaram principalmente mães e casais muito jovens e humildes. Os meninos e as meninas foram declarados mortos depois de nascerem e, por meio de mentiras e sem papéis oficiais, os funcionários de saúde os entregaram a famílias ricas, algumas vezes com a ajuda de padres e freiras.

Os casos começaram a ser revelados depois de uma investigação jornalística publicada em abril, mas nem os tribunais e nem o Governo sabem a verdadeira dimensão e o alcance dessa trama. "É provável que o que aconteceu no Chile tenha sido tão grande quanto o que ocorreu na Espanha, porque era uma prática generalizada", afirma a advogada do Serviço Nacional do Menor (Sename), Consuelo Gazmuri.

Em 8 de junho de 1980, Olivia deu à luz uma menina no hospital de Salvador, em Santiago. Vinha de uma família humilde, mas estava animada para ter uma garotinha porque era mãe de quatro filhos homens. A menina nasceu aos nove meses, pesava 3,2 quilos e, assim que terminou o parto, a mãe a pegou no colo. O médico que a atendeu, Gustavo Monckeberg, a viu abraçando a recém-nascida. Lhe repreendeu, incluindo um forte tapa na coxa dela. Poucas horas depois, disseram à mulher que sua filha estava morta. No dia seguinte, no entanto, levaram o mesmo bebê para que ela amamentasse: Olivia se deu conta de que era saudável e ficou com ela durante horas. Em certo momento, o médico chegou com um casal para observá-la:

– A mulher não é nada feia – comentou a visitante, e os três saíram da sala.

Nesse mesmo dia, uma enfermeira informou que a menina estava em estado grave e que deveriam transportá-la para outro hospital, especializado em crianças. A mãe resistiu, disse que não a havia visto doente, mas ela foi retirada dos seus braços mesmo assim. Foi a última vez que Olivia viu a sua filha. Algumas horas depois, disseram novamente que ela havia morrido. Quando quis fazer um funeral, afirmaram que o corpo havia sido doado para a ciência. A mãe foi ao hospital Calvo Mackenna, para onde supostamente sua filha teria sido levada, mas nesse centro disseram que seu bebê nunca havia sido internado ali. No Registro Civil também não foi possível encontrar uma certidão de óbito.

A mãe sempre suspeitou que sua filha havia sido dada para adoção pelo casal que apareceu para vê-la junto com o médico. Em 2014, Olivia foi incentivada a denunciar os acontecimentos depois de ver outras histórias de mulheres que tiveram os filhos roubados com o mesmo método na imprensa. Em alguns casos – não está determinada a quantidade exata –, o doutor Monckeberg, que morreu em 2008, também participou. O Sename abriu uma página na internet para reunir as denúncias e já chegaram cerca de 150. Na semana passada, o Governo abriu processo sobre seis casos ocorridos em Santiago. Um deles é da mãe que pariu no hospital de Salvador em 8 de junho de 1980. Seu relato está em poder da Justiça e será investigado. "Possivelmente, vamos abrir outros processos em outras cidades do país", disse a advogada Gazmuri.

O ministro da Corte de Apelações, Mario Carroza, investiga outros vinte casos. O magistrado dedica-se exclusivamente a causas de violações de direitos humanos entre 1973 e 1990 (notícia em espanhol), os 17 anos da ditadura de Pinochet. Carroza explica que a investigação ainda está no começo, mas que já conseguiu configurar o método que possibilitou a remoção das crianças: "As mães pobres foram atendidas em hospitais públicos e eram comunicadas do falecimento de seus filhos, mas eles haviam sido entregues a outras famílias. Estamos investigando a participação de parteiras, médicos, enfermeiros e religiosos". O juiz disse que não conseguiu determinar se houve pagamentos, descartou raptos sistemáticos de filhos de opositores da ditadura e afirmou que existem suspeitas de que alguns bebês roubados estejam fora do Chile.

Em alguns dos casos, houve a participação de padres e freiras. Carroza interrogou a religiosa María Graciela Soto, de 93 anos, que entregou crianças no hospital Barros Luco, da capital chilena, onde se concentra a maioria dos roubos. O advogado Cristian Letelier, que representa 13 casos, disse que pediu ao juiz para investigar a freira Gertrudis Kuijpers, que atualmente vive na Holanda. "Levou 99 crianças chilenas, filhos de mães vulneráveis, de forma absolutamente ilegal. Hoje, têm entre 30 e 35 anos", afirmou o advogado.

El País

Mulheres de minoria ameaçada 'são vendidas a US$1 mil na Síria'

Atualizado em  30 de agosto, 2014
Yazidi (EPA)
Milhares de integrantes da minoria yazidi foram deslocados com o avanço de militantes do EI no Iraque
Centenas de mulheres da minoria yazidi no norte do Iraque e que foram sequestradas durante ataques recentes do grupo Estado Islâmico (EI) foram levadas à Síria e vendidas por US$ 1 mil a militantes, segundo um grupo de direitos humanos.
O Observatório Sírio para Direitos Humanos, que acompanha a situação na Síria, disse que 300 mulheres teriam sido levadas ao norte da Síria e ao menos 27 delas foram vendidas a membros do EI para casamentos, após terem sido forçadas a se converterem ao Islã.
As mulheres da minoria yazidi foram separadas dos homens e levadas por militantes durante o avanço de membros do EI - inicialmente conhecido como Estado Islâmico da Síria e do Iraque (Isis, na sigla em inglês) - no norte do Iraque.
Ameaçados pelos combatentes do EI, os yazidis deixaram suas casas para se refugiar nas montanhas de Sinjar.
Há cerca de 50 mil membros dessa minoria no Iraque. Eles também estão presentes em partes da Síria e da Turquia.
Segundo o Observatório, esforços de simpatizantes árabes e curdos de comprar as mulheres para libertá-las foram negados, já que elas estariam sendo vendidas somente para adeptos do EI. O grupo condenou a venda das mulheres como se fossem mercadorias.

Esmalte que detecta 'Boa noite Cinderela' ganha elogios, mas vira polêmica

Atualizado em  28 de agosto, 2014
Esmalte (Thinkstock)
Ideia de esmalte que muda de cor com a presença de drogas para estupro gerou críticas de ativistas
A criação de um novo tipo de esmalte que muda de cor na presença de drogas usadas em estupro tem gerado polêmica - e justamente entre ativistas anti-estupro.
O projeto, que está sendo desenvolvido pela empresa "Undercover Colors", de quatro estudantes universitários da Universidade da Carolina do Norte, prevê que a tinta mude de cor em contato com uma bebida que contenha drogas usadas em estupros, como GHB e Rohypnol.
A ideia foi inicialmente elogiada, com centenas de milhares de curtidas e compartilhamentos no Facebook e no Twitter.
"Com o nosso esmalte, qualquer mulher vai ter poderes para garantir discretamente sua segurança, simplesmente mexendo a bebida com o dedo", disse a empresa.
"Se seu esmalte muda de cor, ela vai saber que algo está errado".
Segundo Adam Clark Estes, do blog Gizmodo, já existem métodos para testar bebidas para drogas. "Mas não é necessariamente fácil carregar estas coisas à noite e mostrá-las em bares".
No entanto, o projeto também recebeu críticas - e, surpreendentemente, de ativistas anti-estupro.
"Agradeço que jovens queiram frear o assédio sexual, mas qualquer coisa que coloca o ônus sobre as mulheres para 'discretamente' evitarem serem estupradas perde o ponto", escreveu Jessica Valenti para o jornal britânico The Guardian.
"Deveríamos estar tentando impedir o estupro, não apenas evitá-lo individualmente", disse.
Jessica argumenta que a promoção de produtos como o esmalte não é apenas ineficaz mas também pode levar à conduta de "culpar a vítima" se as mulheres não tomarem todas as precauções sugeridas.
Tara Culp-Ressler, para o blog Think Progress, também criticou tais produtos e disse que eles "reforçam a cultura de estupro" da sociedade.
Já Erin Gloria Ryan, na Jezebel, disse que melhorar a conscientização sobre assédio sexual poderia ser mais benéfico do que esmaltes que mudam de cor.
Apesar das críticas, a página da empresa no Facebook tem centenas de elogios - desde mulheres interessadas no produto, mães preocupadas com filhas e manicures que querem oferecer o novo esmalte a clientes.
E, claro, feministas criticando outras ativistas por serem contra a invenção.
O grupo disse que o produto ainda não está à venda e que testes estão sendo realizados para que o esmalte detecte diversos tipos de drogas.

Ensaio de moda criticado por ‘glamurizar estupro’ causa polêmica na Índia

Atualizado em  7 de agosto, 2014
Foto: Raj Shetye
EO ensaio de Raj Shetye foi considerado 'nojento' por alguns usuários de redes sociais
Um ensaio fotográfico de moda provocou polêmica na Índia ao mostrar um mulher sendo apalpada por homens dentro de um ônibus.
As imagens foram interpretadas por muitos como uma tentativa de glamurizar o estupro coletivo que chocou o país em 2012.
O fotógrafo Raj Shetye afirmou que o ensaio são "apenas um retrato da situação das mulheres no país".
No entanto, nas mídias sociais elas foram classificadas como "nojentas" e "horríveis", entre outros termos pejorativos.
O ensaio acabou sendo retirado do site Behance, em reação aos protestos irados no Twitter e no Facebook.
O estupro de uma estudante de fisioterapia de 23 anos, que foi apelidada pela imprensa indiana de Nirbhaya (destemida) em 2012, provocou dias de protestos e levou à criação de novas leis anti-estupro.

'Caminho errado'

Quatro pessoas foram condenadas à morte. Um quinto criminoso, menor de idade na época do estupro, serve pena de três anos.
O fotógrafo Shetye, de Mumbai, disse que o ensaio "O Caminho Errado" (em tradução livre) não foi inspirado no estupro de Nirbhaya.
Raj Shetye
O fotógrafo Raj Shetye disse que teve a intenção de chamar a atenção para o problema do estupro
"Não é baseado em Nirbhaya. Mas como parte da sociedade e como fotógrafo, este assunto me toca por dentro. Eu vivo em uma sociedade em que a minha mulher, a minha namorada, a minha irmã. Todas estão por aí e algo assim pode acontecer com elas também", disse Shetye ao site BuzzFeed.com.
Ele afirmou que tampouco teve a intenção de glamurizar o episódio.
"É apenas uma forma de chamar atenção para algo que pode acontecer com qualquer uma, rica ou pobre."
Shetye também disse que os trajes vestidos pelos modelos eram de estilistas famosos, mas que ninguém recebeu crédito, já que o ensaio não tinha fins lucrativos.
Mesmo assim, o tom nas redes sociais foi de indignação.
"Você viu o ensaio de moda retratando o estupro coletivo da Nirbhaya em Déli? Nojento! Tomara que todos os envolvidos morram de vergonha! Porcos insensíveis!", disse o diretor musical de Bollywood (como é conhecida a indústria cinematográfica indiana) Vishal Dadlani no Twitter.
"Quem quer que vocês sejam. Espero que acabem na cadeia por causa disso."
A atriz Amrita Puri tuitou também: "Estupro não é inspiração para um ensaio de moda. Não sei o que o fotógrafo estava pensando ao se inspirar na Nirbhaya para as fotos."
Outro usuário do Twitter perguntava até que ponto seria possível descer antes de "chegar ao inferno".

Espanhóis pedem renúncia de prefeito por comentário sobre estupro

Atualizado em  31 de agosto, 2014
Protesto em Valladolid (Reprodução)
Comentário sobre estupro do prefeito de Valladolid foi repudiado por muitos espanhóis
Mais de 500 pessoas protestaram em frente à Prefeitura de Valladolid, no noroeste da Espanha, depois que o prefeito, León de la Riva, fez um comentário sobre estupro em uma entrevista no rádio.
Os manifestantes formaram uma corrente de sutiãs e pediram a renúncia de La Riva, que tem um histórico de fazer comentários sexistas.
O prefeito havia dito que tinha receio de ficar sozinho com uma mulher e depois ela acusá-lo de ter tentado estuprá-la.
"Imagine se você entra num elevador, e tem uma garota que dá em cima de você. Ela entra no elevador, tira o sutiã e a saia e depois sai gritando que você tentou estuprá-la", ele disse.
Seu comentário causou revolta e logo estava entre os assuntos mais comentados no Twitter espanhol com a hashtag #EscracheDeSujetadores (protesto do sutiã, numa tradução livre).
O termo foi criado por Ada Colau, uma conhecida ativista social de Barcelona, que não havia pensado em desencadear um protesto quando a usou pela primeira vez.
"Foi uma boa forma de resumir a indignação de mulheres e homens decentes deste país, mas também uma forma de mostrar a machistas como o prefeito que eles não tirarão nossa dignidade nem nosso senso de humor", disse Colau à BBC.

Polêmicas

Protesto em Valladolid (Reprodução)
Protesto ocorreu em meio a uma série de polêmicas sobre estupro na Espanha
A entrevista do prefeito espanhol ocorreu em meio a uma série de polêmicas envolvendo o crime de estupro na Espanha, que também geraram uma forte reação na internet.
Na semana passada, um juiz espanhol desconsiderou um caso de estupro envolvendo cinco jovens na cidade de Málaga, no sul do país, o que gerou protestos nas ruas e na internet, junto com a hashtag #NoEstásSola (você não está sozinha, numa tradução livre).
A reação não se deu apenas pelo caso em si, mas por comentários feitos por autoridades espanholas.
O prefeito de Málaga pediu aos moradores para não alardarem o caso, porque mais de 1 mil casos de estupro são registrados todos os anos na Espanha e que, por isso, Málaga não deveria ganhar fama como um lugar perigoso.
Algumas semanas antes, o governo espanhol divulgou um guia para reduzir o número de estupros no país.
O guia recomenda que as cortinas de casa sejam mantidas fechadas e que os primeiros nomes dos moradores sejam removidos das caixas de correio.
Muitos ficaram chocados com a abordagem e disseram que as recomendações atribuíam a responsabilidade do estupro às vítimas, em vez de se concentrar nos criminosos.

Colômbia mobiliza agentes secretos para combater 'mão boba' em ônibus

Atualizado em  28 de agosto, 2014
Transmilenio (BBC)
O grupo, formado na maioria por mulheres, atua para evitar o assédio sexual em ônibus de Bogotá
À primeira vista, Laura, de 22 anos, se assemelha a qualquer outra estudante a caminho das aulas de manhã: em um terminal de ônibus em Bogotá, ela se veste em roupa casual e leva uma bolsa cruzada no peito.
Parece, mas não é. Laura é uma policial colombiana em uma missão: ela integra uma equipe especial de agentes à paisana cuja função é combater o abuso sexual na rede de ônibus de Bogotá.
Sete outros oficiais sem uniforme realizam a patrulha junto com ela, a maioria, mulheres.
Não é tarefa fácil: em média, o sistema Transmilenio de ônibus transporta cerca de 2 milhões de passageiros por dia.
Pesquisa realizada há alguns anos revelou que seis entre dez mulheres em Bogotá já haviam sofrido abuso sexual ao menos uma vez nos ônibus lotados da cidade.
Apesar de apenas uma minoria registrar queixas, o número de denúncias tem crescido: de 81 em 2013 para mais de 150 nos primeiros oito meses deste ano.
Laura acredita que a nova iniciativa está funcionando. "Não temos recebido tantas queixas de abusos como quando nós começamos", aponta.

'Maré está virando'

A tenente Lina Maria Ríos comanda as operações do Grupo de Elite Transmilenio. Ela confirma uma queda no número de casos registrados desde o início da iniciativa.
Transmilenio (BBC)
O sistema Transmilenio de ônibus transporta cerca de 2 milhões de passageiros por dia
"Ainda é cedo para dizer, mas parece que a maré está virando", diz ela.
A equipe realizou 17 prisões, a maioria nas duas primeiras semanas de patrulha.
"Pode ser que as pessoas estejam pensando duas vezes, porque não querem arriscar assediar uma garota que pode ser uma policial à paisana", disse Lina.
Mais que punir, o projeto visa a dissuadir potenciais criminosos. As integrantes garantem que não estão agindo como iscas - o que foi sugerido pela imprensa local após uma das oficiais ter participado de um encontro com a imprensa vestindo jeans apertados.
"Isso significaria que nós é que estaríamos cometendo o crime", disse Nestor, um dos quatro homens na equipe.
O maior número de mulheres não se justifica pelo gênero dos potenciais criminosos, e sim leva em conta a perspectiva das vítimas, dizem os agentes.
"Outras mulheres não se sentiriam à vontade se ficássemos olhando para elas durante uma situação potencialmente desconfortável", disse Yuri, especialista em coleta de inteligência, e treinado para identificar comportamento suspeitos.
"É também para informar as mulheres que elas não estão sozinhas, que as mulheres na polícia as estão protegendo", disse Lina.
As sete mulheres, assim como o restante dos 11 integrantes do projeto, foram selecionadas pela experiência com trabalho à paisana, com grupos vulneráveis e coleta de informações.

'Aparência normal'

Transmilenio (BBC)
Ônibus estão constantemente lotados, o que beneficia a ação de possíveis molestadores
Antes de se tornar coordenadora da equipe, Lina já estava acostumada com o trabalho à paisana, patrulhando os ônibus do sistema Transmilenio para evitar a ação de assaltantes.
O trabalho agora é diferente, diz ela. Lina explica que os criminosos que ela busca raramente agem com violência quando são flagrados - e que eles vêm de toda parte da sociedade, "jovens e velhos, ricos e pobres, com aparência estranha e normal".
Com um perfil tão variado, os membros da equipe foram treinados a observar comportamentos suspeitos, e não aparências estranhas.
Eles prestam atenção em homens que encaram os seios ou bumbuns de mulheres e aqueles que mantêm as mãos abaixadas quando faria mais sentido segurar as barras dos ônibus.
Os agentes estão prontos para agir ao menor sinal de contato impróprio não acidental.

Ação rápida

Flagrar criminosos é apenas parte do trabalho dos agentes. Eles também são acionados para agir rapidamente após queixas de abusos sexual na rede Transmilenio. A ideia é agir rapidamente para demonstrar que as autoridades levam a questão a sério.
Transmilenio (BBC)
Os integrantes do grupo atuam à paisana; número de casos caiu desde que projeto foi iniciado
"Muitas vítimas não denunciam os ataques porque elas acreditam que é perda de tempo. Queremos mudar isso", disse Leydi, que também integra a equipe.
Outra agente lembra o momento em que ela mesma foi assediada ao descer de um ônibus. "Consegui bater no peito do cara antes que as portas se fechassem, mas é uma situação horrível, você se sente impotente", relatou.
Pesquisas sugerem que um quarto dos homens de Bogotá não veem problema em tocar uma passageira - sinal de que a equipe ainda tem muito trabalho pela frente.
O grupo reconhece que, sob as leis atuais, a maioria dos criminosos não deve ser presa. Mas eles esperam que o trabalho possa pelo menos chamar atenção para o problema.
"É por isso que estamos fazendo isso. Para que essas coisas não aconteçam novamente", disse uma agente.

O mistério por trás do desmaio de 200 meninas na Colômbia

Atualizado em  29 de agosto, 2014
Meninas colombianas sofrem desmaios / Crédito: El Heraldo
Mais de 200 meninas sofrem com os sintomas, mas o mistério da causa deles ainda não foi desvendado
Nos últimos 12 dias, os médicos de El Carmen de Bolívar, uma cidade no norte da Colômbia, já atenderam pelo menos 200 meninas com sintomas muito parecidos: desmaios, tonturas, dor de cabeça, dormência e formigamento em várias partes do corpo. A razão para essas reações ainda é um mistério.
Elas não foram as primeiras a darem entrada no Hospital Nuestra Señora del Carmen com quadro similar. De acordo com o prefeito de El Carmen de Bolívar, Francisco Veja, foram registrados um total de 276 casos como esse desde o meio do ano. Todos com adolescentes, sendo a maioria deles estudantes do Colégio Espírito Santo.
O próprio Ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria, citou na última quinta-feira "246 meninas que apareceram com sintomas bizarros".
Diante desse quadro, aumentaram as especulações sobre as causas que estariam levando as jovens a desmaiarem. Na falta de um diagnóstico preciso, multiplicam-se as teorias que correm no boca a boca entre os colombianos.
Para acabar com as especulações, especialmente as que ligam os casos a uma possível reação adversa à vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), o ministro da Saúde convocou uma coletiva de imprensa e revelou a hipótese "que parece mais provável no momento" – e que é, inclusive, "apoiada por especialistas". Segundo Gaviria, os sintomas seriam uma ‘resposta psicogênica em massa’.

'Medo coletivo'

"A resposta psicogênica em massa é uma espécie de sugestão de medo coletivo que se contagia de um lado para o outro e termina apresentando um fenômeno estranho", explicou o ministro aos jornalistas.
"Os sintomas aparecem, mas quando os médicos vão examinar clinicamente as meninas, não encontram nenhum tipo de doença."
O ministro citou casos similares ao redor do mundo, um deles que aconteceu no Taiwan, após uma campanha de vacinação em massa para prevenir a gripe suína (N1H1), e outro na Austrália, mas sem dar datas, nem mais detalhes de como aconteceram.
Garotas colombianas / Crédito: El Heraldo
Famílias das garotas colombianas sofrem com falta de diagnóstico para o problema
No entanto, Gaviria insistiu que as meninas estão, sim, doentes.
"Não é que essas meninas não estejam doentes, elas estão. Não estamos subestimando o problema. O problema tem que ser levado a sério e seguiremos acompanhando e apoiando a comunidade, mas isso não parece ser um problema de uma doença clínica."
Alejandro Gaviria ainda acrescentou que o Ministério da Saúde colombiano quer trabalhar nesta semana com a Associação Colombiana de Psiquiatria, que se mostrou disposta a se deslocar até El Carmen de Bolívar para estudar os casos.
O ministro novamente reiterou que o motivo para os sintomas nas garotas não aparenta ser clínico e que nada tem a ver com a vacina contra o vírus do HPV. "Não há nenhuma evidência que possa haver uma relação entre as duas coisas", acrescentou ele, insistindo que tem o apoio da Organização Mundial da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde "e de todas as associações científicas."

Mistério continua

As explicações do ministro não convenceram a todos. "A coletiva de imprensa dele abalou os ânimos de vários pais das garotas", explicou Vicente Arcieri, jornalista da sucursal do El Heraldo em Cartagena das Índias.
Uma hora depois da coletiva de imprensa, várias pessoas protestaram por cinco horas em Troncal de Occidente - a estrada que liga o interior do país com a costa - pela postura das autoridades com o caso.
O jornalista Vicente Arcieri está acompanhando bem de perto o caso e esteve no Hospital Nuestra Señora del Carmen na última quinta. Segundo ele, somente nesse dia, 10 meninas deram entrada no hospital com os sintomas já conhecidos – desmaios, tonturas, dormência e formigamento em várias partes do corpo.
Foram esses os casos mais recentes de um fenômeno que tem preocupado cidadãos e autoridades colombianas há meses. Dez das primeiras pacientes que deram entrada no Hospital Nuestra Señora del Carmen estão sendo tratadas em Bogotá, no Hospital Infantil Universitário de San José.
Uma delas é a filha de María Romero. Foi a primeira das que apresentaram os sintomas em El Carmen de Bolívar, no dia 21 de março. Elas recorreram primeiro ao centro de saúde da região e tiveram que voltar para lá pela mesma razão em 23 de abril.
"Desde então não tivemos descanso", contou Romero à BBC por telefone.
No hospital de Bogotá, disseram que o resultado de um teste feito com a filha de Romero apontou que ela teve intoxicação por chumbo, assim como outra menina do grupo.
O chefe de toxicologia do hospital, Camilo Uribe, explicou na quarta-feira ao diário colombiano El Tiempo que não havia características claras ou específicas que indicassem o que as outras pacientes poderiam ter. E acrescentou que os próximos exames estariam focados em endocrinologia, imunologia e psiquiatria.
As autoridades informaram que o diagnóstico sairá em uma semana. Uma resposta que poderá acabar com o mistério e acalmar os ânimos na Colômbia.

Filhas dão mais atenção e carinho aos pais

Mulheres dedicam o dobro do tempo dos homens no cuidado com os idosos da família, revela estudo da Universidade de Princeton

POR ANTONELLA ZUGLIANI
22/08/2014
Amor filial. Odila e a filha Regina: ela vai vai visitar a mãe todas as tardes e faz as compras da casa junto com o marido Foto: Guito Moreto / Guito Moreto
Amor filial. Odila e a filha Regina: ela vai vai visitar a mãe todas as tardes e faz as compras da casa junto com o marido Foto: Guito Moreto / Guito Moreto 
RIO — Regina Sardenderg, de 60 anos, mora na mesma rua que a mãe. Todos os dias, à tarde, ela caminha um quarteirão para encontrar Odila Ribas Costa, de 88 anos, portadora de Alzheimer. Apesar de Odila ter a ajuda de duas cuidadoras, uma empregada e de eventuais visitas de um médico, sua filha afirma que toma conta “da casa e da vida” da mãe. Ela é apenas um caso que ilustra o novo estudo da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, segundo o qual as mulheres cuidam bem melhor de seus pais idosos do que os homens.

A pesquisa revelou que as filhas parecem dar bastante atenção aos pais na terceira idade, enquanto os filhos contribuem o mínimo possível. Por mês, as mulheres dedicam 12,3 horas para cuidar dos pais idosos, em comparação às 5,6 horas dos filhos, de acordo com o levantamento. Ou seja, o dobro do tempo ou quase sete horas a mais a cada mês.

— O estudo revelou uma diferença impressionante de tempo dispensado por homens e mulheres aos pais idosos em comparação com outras formas de trabalho doméstico, como arrumar a casa ou cuidar de uma criança — afirmou a responsável pelo estudo, Angelina Grigoryeva.

FILHOS REDUZEM ESFORÇOS

Os dados coletados são baseados no Estudo de Saúde e Aposentadoria de 2004 da Universidade de Michigan, uma amostra nacional realizada a cada dois anos com 26 mil americanos acima de 50 anos. O estudo foi replicado no levantamento de 2010 e o resultado foi bem similar, segundo Angelina.

Em famílias compostas por irmãos de ambos os sexos, a pesquisa indicou que os filhos reduzem seus esforços de cuidados com os pais quando têm uma irmã, enquanto as filhas aumentam os seus quando têm um irmão.

Aposentada há cinco anos, Regina realiza junto com o marido Hugo tarefas como fazer as compras para a casa de sua mãe, apesar de ter um irmão.

— Ele mora longe, fica mais difícil vir visitar — conta.

Comentando a pesquisa, Regina diz que a tendência ocorre por uma questão cultural, já que as mulheres são, desde pequenas, induzidas a cuidar dos outros — com as bonecas, por exemplo.

— Tenho uma filha de 25 anos que ainda mora comigo. Acredito, sim, que ela vá cuidar de mim quando eu for mais velhinha — brincou.

Para Marcus von Seehausen, secretário estadual de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, o que acontece em linhas gerais é que cuida do idoso aquele que está mais disponível.

— Assim, vemos muitas filhas, muitas noras, muitas tias, muitas primas indo com os idosos nos bailes da terceira idade que promovemos, por exemplo — diz.

Angelina relata, ainda, que as pessoas que se dispõem a cuidar de seus parentes idosos muitas vezes têm que equilibrar essa responsabilidade com seus empregos, o que potencialmente resulta em sacrifícios de carreira e salários mais baixos. Por isso, a psicóloga e mestre em geriatria e gerontologia Simone Burmeister considera que cuidar dos pais deve ser uma tarefa em que ambos os sexos se envolvam igualmente.

— É necessário paciência; então, dividir as funções é extremamente importante para não haver uma sobrecarga. A mulher acaba tendo que cuidar dos filhos, dos netos, dos maridos e de seus pais — pondera.

A psicóloga lembrou que outras pesquisas já apontaram que mulheres estão sofrendo mais de depressão, além de estarem sendo cada vez mais diagnosticadas com problemas cardíacos.

Em curta, caça a dragão serve de metáfora para falar sobre combate às drogas

Filme lançado por comissão internacional mostra monstro que se fortalece ao ser combatido com violência

POR DANDARA TINOCO
31/08/2014

Bicho de quatro cabeças: Em cena do filme, grupo decide que o melhor é cessar a violência contra o dragão que simboliza as drogas
Foto: Reprodução
Bicho de quatro cabeças: Em cena do filme, grupo decide que o melhor é cessar a violência contra o dragão que simboliza as drogas
Foto: Reprodução
RIO - Era uma vez um dragão chamado Drugo. O monstro fabuloso encantava habitantes do reino onde vivia. Fazia até com que alguns deles deixassem de trabalhar e cuidar de suas famílias para passar tempo com a criatura. O rei, então, deu início a uma caçada. Mas, mesmo escondido, o bicho continuou despertando atração. Grupos armados surgiram para lucrar com visitas a Drugo. E quem tinha contato com ele, passou a ser preso, o que deixou os calabouços lotados. Quanto mais se tentava combater o monstro, mais poderoso e agressivo ele ficava. Só depois de cinco décadas de guerra, um grupo decidiu que o melhor era cessar a violência contra o dragão e cuidar daqueles que dele dependiam.

A história é contada em “Guerra ao Drugo”, curta em animação lançado pela Comissão Global de Políticas sobre Drogas. Com a metáfora sobre a violência relacionada ao combate das substâncias ilícitas, o grupo pretende ampliar a discussão em torno do assunto.

- Pretendemos desconstruir a ideia da repressão e da criminalização das drogas. E Drugo ajuda nesse plano. É claro que em um filme de três minutos não é possível dar conta de todos os aspectos envolvidos nessa questão, como os de saúde, raciais e de geopolítica, mas funciona para pessoas que nunca pararam para pensar no assunto. Queremos que elas reflitam - explica Rebeca Lerer, coordenadora de comunicação do secretariado da comissão.

A história do curta, uma animação em stop motion (técnica que usa fotogramas) dirigida por Gabriel Nóbrega, foi criada pelo publicitário Marcello Serpa, da AlmapBBDO. Ele buscou inspiração na mitologia para criar a narrativa sobre Drugo.

- Os gastos no combate a drogas são de milhões, mas o consumo delas só aumenta. Por isso, lembrei de uma passagem da história dos doze trabalhos de Hércules, em que ele tentava matar a hidra de Lerna. Quanto mais a atacava, maior ela ficava. Daí nasceu a metáfora. - conta Serpa. - É uma forma diferente de falar sobre o tema com pessoas que não acreditam na causa, de maneira lúdica, clara e direta.

‘USUÁRIOS NÃO PRECISAM DE POLÍCIA’, DIZ MEMBRO DE CAMPANHA

As reações à fábula mostram que a metáfora sobre o dragão é para gente grande. Tarso Araujo, da campanha Repense, que reflete sobre o uso terapêutico da cannabis, crê que a iniciativa pode levar as pessoas a refletirem sobre o assunto. Para ele, a atual política de enfrentamento às substâncias ilícitas está fracassada e tem consequências “nefastas”:

- Apesar de, nas últimas duas décadas, os Estados Unidos terem gasto US$ 15 bilhões por ano em políticas de drogas (80% dos recursos em repressão), o consumo delas não parou de aumentar. Usuários não precisam nem de médico nem de polícia. E os doentes precisam de cuidado, não de repressão.

Araujo afirma que, no Brasil, o tema tem tido avanços apenas em exemplos localizados, com efeitos restritos. No plano nacional, cita o projeto de lei 7663/10 do deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) como um retrocesso.

A proposta, que já passou pela Câmara e aguarda votação no Senado, prevê aumento das penas para tráfico e internação compulsória de dependentes químicos. De acordo com o parlamentar, é preciso mais rigidez no assunto.

DEPUTADO CRITICA CURTA

- As drogas funcionam como uma epidemia viral: quanto mais vírus no ambiente, mais gente doente. E, com epidemia, temos de jogar duro, para proteger vítimas - argumenta Terra, criticando a metáfora de “Guerra ao Drugo”. -Não existe dragão no mundo real, existem pessoas, existe a saúde dessas pessoas. Essa é uma metáfora mal feita. Nós somos produtos de uma caminhada da história humana em que substâncias que causam alterações psíquicas, e que dão prazer no início, e, em seguida, causam problemas graves.

A opinião é divergente da avaliação de Cristovam Buarque (PDT-DF), relator da sugestão popular de regulamentação do uso da maconha que está em discussão no Senado. Para o senador, que dividirá seu relatório em duas partes - a primeira sobre o uso medicinal e a segunda sobre o consumo recreativo - desaprova a militarização do combate às substâncias ilícitas. No entanto, enumera algumas questões que, para ele, ainda estão em aberto no debate, assim como no curta lançado pela Comissão Global de Políticas sobre Drogas:

- Achei o filme extremamente criativo e bonito, mas, como toda metáfora, é simplista. A realidade é mais complicada que aquilo. Se nos acostumamos com o dragão que é a droga, a dependência por ele aumenta ou diminui? E será que aquele dragão levaria a pessoa a cair nos braços de um dragão muito pior? Ou não? O que o filme tem de bom é mostrar que proibir o dragão não resolve a questão. Mas, talvez, a solução não seja aceitar totalmente o dragão.




O Globo

Isabelle Delpla, filósofa: ‘O conceito de crime passional é uma invenção’

Filósofa francesa e professora da Universidade de Lyon, esteve no Rio para dar uma palestra sobre violência e paixão no evento Ciclo Mutações 2014

POR CARLOS ALBUQUERQUE
28/08/2014

A filósofa francesa Isabelle Delpla fala sobre violência e paixão em evento na Biblioteca Nacional
Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
A filósofa francesa Isabelle Delpla fala sobre violência e paixão em evento na Biblioteca Nacional
Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
“Tenho um filho de 10 anos e adoro fazer longas caminhadas. Faço parte de uma geração que ficou chocada com a guerra na antiga Iugoslávia e com o genocídio em Ruanda. Nos últimos anos, trabalhei em temas relacionados com a violência, acompanhando o julgamento de criminosos de guerra na Iugoslávia”

Conte algo que não sei.

O conceito de crime passional é uma invenção, uma criação judicial, feita para ajudar na defesa de criminosos, camuflando um histórico de violência contra as mulheres.

Qual a ligação entre violência e paixão? Aparentemente, são duas coisas que não combinam.

São dois conceitos que influenciam decisões judiciais e nossas percepções sobre suas relações. Durante minhas pesquisas, aprendi que existe sempre um aspecto humano na violência. A paixão, estritamente falando, não explica as causas da violência, mas ajuda a entender suas motivações. A violência sem paixão, por exemplo, foi usada pelos oficiais nazistas e muitos outros para justificar seus atos, sob o argumento de que estavam apenas cumprindo ordens.

Então a obediência cega às ordens é um mito?

Sim, sem dúvida. É uma criação jurídica para ajudar na defesa dessas pessoas. Há sempre um espaço de liberdade para interpretar ordens.

Recentemente, um policial aplicou uma gravata em um homem desarmado numa rua de Nova York e não largou, mesmo com a vítima dizendo que não conseguia respirar. O homem, que era asmático, morreu na calçada. Esse seria um exemplo de tal mito?

Sim, porque ele poderia ter soltado, ninguém tem ordem de enforcar alguém até a morte. Desde os julgamentos de Nuremberg, o argumento de que se está apenas obedecendo a uma ordem é falho porque é possível, dentro de uma ótica humana, saber que uma ordem é moralmente ilegal. (A filósofa alemã) Hannah Arendt cunhou a expressão “banalização do mal” após o julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann por genocídio e crimes contra a Humanidade, descrevendo-o como uma pessoa que apenas cumpria ordens, sem questioná-las. Mas ela se enganou porque engoliu o argumento da defesa. Isso seria um exemplo do mito do crime sem paixão, da indiferença frente aos horrores.

O recente assassinato de um jornalista americano por extremistas islâmicos na Síria também não pode ser visto como banalização do mal?

Não, porque há uma motivação política e um interesse disfarçado de religião por trás daquele crime. Tudo ali foi planejado, da mise en scène à divulgação pelas redes sociais. Não foi um ato puramente insano, como parece. Ninguém faz um exército com um bando de serial killers. Há uma logística na guerra e nos conflitos. Eles parecem ser dirigidos pelo caos, mas seguem uma organização e um comando humanos

E os crimes passionais, como podem ser analisados seguindo esse raciocínio?

São uma versão atualizada dos antigos crimes de honra. Buscam uma desculpa legal para justificar a dominação masculina na sociedade, onde os homens são, de alguma forma, induzidos a mandar porque há todo um sistema os apoiando.

A violência quase institucionalizada contra as mulheres na Índia é cultural ou política?

Muitas feministas vão dizer que é cultural, mas acredito que seja política, porque reflete não apenas uma dominação masculina, mas um poder enraizado que trata temas como os estupros dessas mulheres como algo corriqueiro.

Lei Maria da Penha pode ser aplicada quando machismo se une à lesbofobia no ambiente doméstico

28/08/2014

(Débora Prado / Agência Patrícia Galvão) No dia 29 de agosto é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data, criada no I Seminário Nacional de Lésbicas (Senale) em 1996, é um marco temporal importante para lembrar a luta de milhares de mulheres que têm seus direitos violados pela conjugação de preconceitos históricos no Brasil.
Ativistas participam da 12º Caminhada Lésbica em São Paulo no dia 03 de maio. (Foto: Marcelo Jacy Heral)
Ativistas participam da 12º Caminhada Lésbica em São Paulo no dia 03 de maio.
(Foto: Marcelo Jacy Heral)
De acordo com a fisioterapeuta e ativista Karen Lucia Borges Queiroz, da Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus, de Brasília, nesta data é preciso lembrar que, assim como acontece com mulheres héteros, é no ambiente doméstico e nas relações íntimas que acontece boa parte da violência contra mulheres lésbicas.
A Lei Maria da Penha, porém, ainda é pouco aplicada, sobretudo por conta do desconhecimento generalizado dessa possibilidade – inclusive pelas próprias vítimas de violência e pelos profissionais de Segurança e Justiça.
A associação, em 2006, coordenou por um ano as atividades de um Centro de Referência no Distrito Federal que recebia denúncias de agressão contra pessoas LGBT e de mulheres vítimas de violência doméstica, independentemente da sua prática sexual.
“A Lei Maria da Penha é uma lei incrível, que oferece todo um apoio específico às mulheres lésbicas que sofrem violência conjugal ou por membros da família, mas que ainda é pouco aplicada”, frisa a ativista.
“As relações entre mulheres, infelizmente, ainda reproduzem, muitas vezes, um modelo heterossexual em que há um homem que domina e uma mulher que é dominada. Também dentro de casa há toda uma opressão, um controle dos pais e familiares em cima da sexualidade da filha. Se essa mulher for adolescente e depender financeiramente, é ainda pior”, complementa.
Confira a entrevista:
Que demandas na agenda das mulheres lésbicas precisam de mais visibilidade atualmente no Brasil?
Particularmente, considero que uma das principais demandas é dar visibilidade às legislações já existentes. Por exemplo, a Lei Maria da Penha é uma lei incrível, que oferece todo um apoio específico às mulheres lésbicas que sofrem violência conjugal ou por membros da família, mas que ainda é pouco aplicada nesses casos.
Na Coturno de Vênus fizemos uma pesquisa há dois anos que revelou que a maioria das pessoas, inclusive as mulheres lésbicas, não sabiam que a Lei Maria da Penha tinha essa abrangência e que podia ser usada para casos de violência sofrida dentro de casa. Então, uma questão fundamental é dar visibilidade às legislações hoje vigentes.
Outra questão é a educação; é preciso mudar esse modelo de educação heteronormativa, baseada em uma heterossexualidade compulsória. Quanto antes trabalharmos com crianças e adolescentes questões como a ruptura de preconceitos e dessa norma tão violenta e já mostrarmos a homossexualidade feminina como algo natural e normal, mais avanços vamos conseguir.
Há também a questão da saúde. A realidade da saúde ainda não mudou, mas houve mudança na compreensão de certos governantes sobre o tema, e o próprio Ministério Saúde está tendo uma preocupação maior sobre a demanda de prevenção de sexo seguro entre mulheres lésbicas. Acho que um grande desafio no horizonte é transformar isso em uma realidade prática nos atendimentos cotidianos dessa população.
No caso da Lei Maria da Penha, como a violência doméstica e familiar atinge   o direito das lésbicas a uma vida livre de violência?
Tanto as relações entre lésbicas quanto as intrafamiliares são baseadas em modelos de poder, em uma estrutura hierárquica. As relações entre mulheres, infelizmente, ainda reproduzem, muitas vezes, um modelo heterossexual em que há um homem que domina e uma mulher que é dominada. Mesmo em uma relação entre mulheres, em que não deveria existir essa hierarquização, esses papéis sociais existem.
Também dentro de casa há toda uma opressão, um controle dos pais e familiares em cima da sexualidade da filha. Se essa mulher for adolescente e depender financeiramente, é ainda pior.
Nesse sentido, acontecem muitos casos de violência psicológica?
Com certeza.
O simples fato de o pai ou a mãe privar aquela criança ou adolescente de sair, usando como justificativa a homossexualidade, é uma forma de violência psicológica, conforme aponta a Lei Maria da Penha, que pode até chegar a uma situação de cárcere privado.
E esta é uma realidade muito presente na vida das adolescentes e, às vezes, até de mulheres lésbicas adultas. Não é só a violência física, mas as brigas, confiscar celular, não permitir que a filha saia da casa - tudo isso é violência doméstica contra a mulher, sob a forma de uma violência psicológica muito grande.
Essa aplicação inclui as mulheres transexuais?
Sim. A Lei Maria da Penha tem a abordagem de uma ação afirmativa de equidade de gênero e de apoio a essa classe mais submissa nos parâmetros da sociedade. Uma mulher trans, que tem sua vivência como mulher, certamente é estigmatizada e colocada dentro dos padrões do que é ser mulher – sem falar de outros preconceitos.
Que barreiras as mulheres lésbicas sofrem para ter acesso à Justiça?
Há um desconhecimento muito grande sobre a aplicação da Lei para as mulheres lésbicas e os profissionais que trabalham nos equipamentos específicos de violência contra as mulheres, muitas vezes, não têm sensibilidade para tratar dos casos dentro da Lei Maria da Penha.
Quando estávamos atuando no Centro de Referência, em 2006, recebíamos muitos casos de violência e encaminhávamos para os órgãos responsáveis. Na maior parte das vezes, os atendentes desses órgãos tinham uma grande dificuldade em aplicar a Lei Maria da Penha. Acabavam caracterizando como outra coisa, como intriga entre família, por exemplo, e nós tínhamos que acompanhar essa mulher novamente à Delegacia da Mulher para conseguir dar continuidade à denúncia sob a Lei Maria da Penha.
E isso ainda existe, sabemos de casos em que se tenta aplicar a Lei e há uma grande resistência dos profissionais em fazer o boletim de ocorrência.
Como isso pode mudar?
Minimamente, é preciso haver uma capacitação específica com o recorte da homossexualidade feminina. Muitas vezes se reproduz o mito de que a Lei Maria da Penha só serve para mulheres hétero e está vinculada a brigas de âmbito conjugal. Mesmo nas divulgações dos órgãos públicos, se dá pouquíssima visibilidade para a aplicação da Lei na defesa das mulheres lésbicas.
Então, apesar de uma parte da Lei falar explicitamente em orientação sexual - o que foi um avanço incrível e que faz toda a diferença na vida dessas mulheres - acho que o governo falha, talvez até por medo, em dar visibilidade a isso, porque imagina a demanda que vai existir se todas as lésbicas que se sentem acuadas e violentadas dentro de casa exigirem seus direitos.
Hoje em dia, é possível mensurar se as mulheres lésbicas sofrem mais violência em casa ou nas ruas? 
A violência acontece tanto na rua quanto em casa. Podemos pensar que, dentro de casa, a mulher acaba sofrendo mais porque é uma violência frequente e cotidiana, diferente da rua, onde nem sempre as lésbicas estão empoderadas para andar de mãos dadas, dar um beijo, ficar à vontade mesmo.
Então, de certa forma, dentro de casa a violência está mais presente no dia a dia, mas é banalizada, naturalizada. Muitas vezes, as próprias mulheres não veem como violência a situação que estão enfrentando por serem acostumadas a viver em um ambiente de submissão. E, nesse contexto, a Lei Maria da Penha é um instrumento poderoso que precisa ser divulgado.
Então, o governo precisa dar mais visibilidade, fazer campanhas, propagandas no rádio e televisão, para explicar que a Lei Maria da Penha se aplica no caso da violência contra as mulheres lésbicas, entre casais e por outros membros da família dentro de casa.

Britânico é preso por estupro virtual após forçar adolescentes a simularem sexo na internet



Muito abalada com chantagem, uma das meninas informou o caso à polícia
Da Redação
28/08/2014
Um britânico de 20 anos decidiu usar a internet para chantagear duas adolescentes. O homem, identificado como Mark Yeeles, obrigou uma jovem a ficar nua na webcam e simular cenas de sexo com uma amiga por oito horas. Caso contrário, ele divulgaria imagens dela nua para sua família.
Acuada, a jovem cedeu à chantagem de Yeeles, que disse por diversas vezes que, caso ela ignorasse a sua urdem, espalharia imagens dela nua pela internet. De acordo com investigação, ele convencia crianças e adolescentes a ficarem nuas para ele na webcam, gravava e prometia apagar, mas usava o material para chantageá-las. 
Mark Yeeles was jailed for six years at Newcastle Crown Court 
Muito abalada, a adolescente chantageada procurou a polícia pouco depois de simular as cenas de sexo com a amiga para denunciar o homem. O juiz responsável pelo caso, Guy Whitburn, determinou que o criminoso ficasse seis anos preso, por ter arruinado a vida das meninas. Além disso, ele determinou que as adolescentes recebessem cuidados psiquiátricos, já que uma delas estava em depressão e ameaçou suicídio.
O acusado admitiu a chantagem, mas disse se tratar de uma brincadeira, mas além disso, a polícia encontrou materiais de pedofilia em um computador de Yeeles. Ele foi acusado por chantagem, estimular atividade sexual em menores de idade e pedofilia. O juiz entendeu ainda que, como ele obrigou duas jovens a fazerem sexo, o caso pode ser enquadrado como estupro virtual.
"É bastante claro que ele usou do poder de ter as fotos em mãos para expor a menina para a família e para os amigos. Ela sabia que estava sendo chantageada e não sabia o que fazer. Ele fez tudo de forma bem pensada e totalmente sem coração. Essas meninas ainda são vulneráveis, por serem muito jovens. Essas meninas precisam ser protegidas contra as conseqüências de sua própria imaturidade", disse o juiz ao Daily Mail.
Yeeles continua preso. O caso aconteceu em South Shields, na Inglaterra.