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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Quem tem medo da teoria do gênero?

Grupos fazem rondas em bibliotecas em busca de livros que tragam a palavra maldita e pressionam as instituições a retirar das prateleiras obras que façam menção a ela. Um abaixo-assinado na internet com mais de 30 mil nomes exige que um determinado filme não seja exibido na TV aberta. Pais e mães ameaçam impedir as crianças de irem à escola caso tal expressão continue sendo ensinada — e alguns de fato o fazem. Protestos de rua são organizados e, um domingo em Paris, contam-se 100 mil nas ruas, gritando palavras de ordem não muito diferentes da Alemanha nazista. O governo se vê obrigado a fazer pronunciamentos sobre o caso, tentando acalmar os ânimos. Páginas e mais páginas de jornais e minutos na TV são gastos discutindo-no.
Hoje,  a dita “teoria do gênero” é sem dúvida um dos assuntos que mais perturba a França.
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Cartaz convoca manifestação contra a “teoria do gênero”
O estopim do debate que toma conta do país foi a divulgação, em janeiro, do projeto “ABCD da igualdade” pelo Ministério da Educação e pelo Ministério dos Direitos das Mulheres. Aplicado desde o início do ano em algumas escolas em caráter experimental, o ABCD traz uma série de atividades, como jogos de “queimada” e aulas de história da arte, pensadas por pedagogxs, com o objetivo de promover a igualdade de gênero e combater os estereótipos de “masculino” e “feminino”.
A escola, dizem xs apoiadores da medida, é um lugar laico, onde deve-se ensinar que todxs têm direitos iguais e que as diferenças decorrem de uma construção social, não de uma vocação “natural”. Em outras palavras, não é porque determinadas pessoas têm certas características físicas que elas são inferiores a outras e/ou podem ser tratadas como tal. E “gênero” é justamente o conceito que permite refletir sobre essas relações de poder, retirando-as seu caráter essencialista. Tais ações, justificam ainda, estariam previstas em lei desde 1989.
Já aqueles que convocaram a reação ao ABCD acreditam que é preciso apegar-se à Biologia como ciência mestra para preservar a “integridade” dxs estudantes. Tal posicionamento foi, no entanto, rapidamente contestado por biólogxs e professores da área, que escreveram um manifesto bastante razoável lembrando que a humanidade é ricamente forjada na cultura, com conhecimentos acumulados durante milhões de anos, e não apenas um bando de corpos físicos.
Por que, afinal, em pleno século XXI, os estudos de gênero seriam tão problemáticos para alguns?
Refletir sobre o gênero significa mexer com a ordem das coisas e questionar o que aparentemente está estável. E isso incomoda.
A cada vez que novos caminhos são abertos em direção a uma sociedade mais horizontal, há uma reação contrária por parte daquelxs que não querem compartilhar seus privilégios. Pouco tempo antes do ataque ao gênero, o foco foi a luta contra a aprovação do casamento homossexual: certas pessoas acreditavam que esse direito era exclusivo delas. O mesmo ocorreu com a reprodução assistida e a defesa de que apenas mulheres heteros deveriam utilizar a técnica — algo que, por enquanto, se mantém.
Agora, a ideia é simplesmente impedir as as crianças de terem acesso ao conhecimento. Querem que parem de ensiná-las a pensar. Nada poderia ser mais perigoso.
“Querem que pensemos que as histórias feministas e dos direitos homossexuais são secundárias, não são importantes, que precisamos pensar primeiro na economia. Agora que estamos em crise isso se fortalece. E aumenta a homofobia dentro das instituições, junto com uma vontade do ultraliberalismo. Para mim, o ultraliberalismo e o sexismo estão mais conectados do que imaginamos. A primeira propaganda ultraliberal é a sexista. Ela começa no momento em que você nasce e lhe dizem se você está do lado dos dominantes ou dos dominados. E as duas categorias são ‘naturais’, então não há nada a fazer. Você não pode sair da categoria de dominante ou de dominado. Quando aceitamos isso, aceitamos também o liberalismo, a ordem do mercado, a autoridade religiosa. Esse é o primeiro lugar onde aprendemos a obedecer. E o fato da direita dar tanta importância à essa questão mostra que aí está a revolução”, afirmou ao blog, em 2013, a escritora Virginie Despentes.
Na França, o contexto econômico é de crise e apegar-se à identidade parece ser a saída mais fácil. Assim, no lugar de questionar o capitalismo e o sistema financeiro, prefere-se culpar xs imigrantes pela fragilidade econômica e reivindicar um país apenas para franceses “de raiz”. Hoje, tal identidade nacional não é somente territorial e familiar, mas passa também pelo gênero e está diretamente ligada à orientação sexual. Querem que xs franceses típicxs sejam brancxs, cisgêneros, heterossexuais e cujas famílias morem aqui pelo menos desde Carlos Magno.
Ao mesmo tempo, parte significativa dos imigrantes, que poderia se solidarizar com as pessoas LGBT* por experimentarem uma perseguição semelhante, opta por fazer alianças temporárias com os mesmos grupos que querem expulsá-los em defesa de um ideal de família que nem mesmo compartilham. No século passado, tanta divisão social e ódio, em meio a uma crise econômica, levaram a humanidade à guerra mundial.
“Imagine alguém segurando um cartaz em uma manifestação ‘contra a teoria do gênero’. Já vi protestos contra aborto, casamento gay e tudo mais. Mas contra uma teoria, só mesmo na França”, disse-me, na semana passada, entre risos e uma cara de surpresa, a historiadora Joan Scott (Instituto de Estudos Avançados, Princeton).
Seria quase cômico se não fosse trágico.

Africanas high tech

Projeto no Quênia capacita mulheres vulneráveis 
para trabalharem com Tecnologia da Informação

Por Thais Paiva

Africanas high tech
País é considerado laboratório digital da África
Elas são maioria na população e metade da força de trabalho na África. Entretanto, apenas 15% das mulheres africanas possuem profissões relacionadas à tecnologia, segmento estratégico para o desenvolvimento do continente. Considerado o laboratório digital do continente africano, o Quênia é sede de importantes centros de pesquisas e empresas, como Google, Microsoft e IBM.

A região próxima da capital Nairóbi ganhou o sugestivo nome de “Savana do Silício”, uma alusão ao Vale do Silício, localizado na Califórnia (EUA),  importante polo de desenvolvimento científico em eletrônica e informática do planeta.

Com foco na transformação da vida de muitas quenianas, a desenvolvedora de softwares Linda Kamau fundou, juntamente com um grupo de colegas mulheres do ramo, a organização AkiraChix. O objetivo? Capacitar jovens garotas de comunidades vulneráveis de Nairóbi em tecnologia da informação (TI) através de programas de orientação e treinamento.

“Percebemos que eram pouquíssimas as mulheres africanas que trabalhavam com TI, e queríamos mudar esse quadro. O treinamento tem duração de um ano e elas aprendem web design, programação e pacotes básicos de informática, além de empreendedorismo”, conta Linda. A proposta é que, por meio da habilitação, as jovens possam conquistar melhores oportunidades de trabalho, trazendo retorno financeiro e social para suas comunidades de origem e ampliando a oferta de mão de obra especializada em tecnologia.

“Essas mulheres vêm de lugares muito pobres, como Kibera, considerada a maior favela do mundo. Portanto, suas perspectivas profissionais costumam ser muito baixas, na maioria das vezes relegadas às ocupações precárias e até mesmo à prostituição”, afirma Linda, que exalta “a oportunidade de se tornarem independentes, arrumarem bons empregos e trilharem seus próprios caminhos”.

A primeira turma instruída pela AkiraChix formou-se em agosto de 2011 e mais da metade das alunas já obteve colocação em empresas do segmento. Fora a capacitação profissional, o projeto desenvolve um trabalho de orientação com alunas do Ensino Médio, no qual são apresentados os possíveis horizontes profissionais no campo da tecnologia. Outra ação, com crianças de 9 a 12 anos, ensina o funcionamento e os mecanismos por trás dos games, um universo que tanto as encanta.

Entre os planos da vice-presidente da AkiraChix está o de expandir o programa para outras cidades. “O programa é tão importante, porque ensinar tecnologia para essas jovens é capacitá-las para a inovação e para a demanda dos próximos tempos”, diz Linda.

#NÃOVAITERPROTEÇÃO? CONHEÇA DENÚNCIAS SOBRE O TURISMO SEXUAL NA COPA

O histórico dos mega-eventos pelo mundo revela um dado preocupante: em Copas e Olimpíadas, a exploração sexual de crianças e adolescentes cresce, além do tráfico de pessoas. A Fifa já declarou que não tem nada a ver com isso, se eximindo de qualquer responsabilidade. Os governos locais não apresentam campanhas de prevenção a esses abusos e a situação tende a piorar.

Turismo sexual na Copa Fifa, será este um legado da #CopadasCopas?

Confira algumas das denúncias de exploração sexual relacionada a Copa de 2014:

1. Camisetas oficiais do Mundial com clara conotações machistas e sexuais

Camisetas oficiais da Adidas para o Mundial
Camisetas oficiais da Adidas para o Mundial
Brasil: país do samba, do futebol e das belas mulheres (mulatas).. será esta a imagem que o país continua fortalecendo e tentando vender? Para a Adidas, patrocinadora oficial do evento e uma das grandes beneficiárias da Copa, sim. A empresa lançou uma série de camisetas do Mundial 2014, entre as quais duas fazem menção direta ao corpo das brasileiras. Será que a parceira da Fifa se esqueceu do problema do turismo sexual?

2. Florianópolis: recepção de delegações com propaganda de turismo sexual

Florianópolis, a capital de Santa Catarina, não é uma das doze cidades-sede dos jogos da Copa de 2014, mas está inclusa no calendário por receber alguns de seus eventos e, possivelmente, uma Fan Fest. No dia 18 de fevereiro, ocorreu na cidade o Congresso Técnico da Fifa, que reuniu comissões técnicas das 32 seleções que participarão do mega-evento. Os grupos foram recebidos com um caderno intitulado “Welcome to Florianopolis” encartado dentro do Diário Catarinense (RBS) com a foto de várias mulheres de biquini e embaixo, uma propaganda “do melhor clube de striptease da cidade”.

Se isto foi veiculado em um evento oficial da #CopadasCopas, imagina em hotéis e outros locais durante o evento?

3. “Garota Copa Pantanal 2014″: adolescentes com camisetas do Mundial em poses sensuais

Em março de 2012, foi denunciado o site “Garota Copa Pantanal 2014″ que publicava vídeos e fotos de garotas menores de 18 anos em posições sensuais e com camisetas promocionais alusivas ao torneio de futebol. O site era organizado por uma agência de modelos itinerante suspeita de levar jovens para a rede de exploração sexual.

Apesar de ter surgido na cidade de Várzea Grande, vizinha a Cuiabá – uma das cidades-sede do Mundial -, as garotas aparecem em diversas locações e, inclusive, outras cidades, aonde estiveram durante feriados conhecidos pelo turismo sexual, como o Carnaval. Além disso, entre os comentários dos vídeos, era possível notar a negociação de viagens internacionais para as garotas. “Vou sim, amigo, vou entrar em contato para marcarmos a ida das modelos da Copa do Mundo 2014 a Lisboa“, escrever um dos organizadores.

No site do grupo, uma notícia postada no dia 6 de agosto de 2011 informa que a mesma garota irá para Zurique, na Suíça, em 2013, participar do sorteio das sedes da Copa das Confederações, que também ocorrerá no Brasil. Atualmente, essa participante está com 15 anos.

4. No entorno dos estádios, surge rede de exploração de crianças, adolescentes e mulheres

Há denúncias do aumento de exploração sexual, incluindo crianças e adolescentes, nos arredores dos estádios e das grandes obras urbanas da Copa de diversas cidades-sede. Em São Paulo, uma reportagem do jornal britânico “Mirror” revelou que garotas de 11 a 14 anos estão se prostituindo na região do Itaquerão, Zona Leste de São Paulo.

5. Para trabalhar durante o evento, mulheres se submetem a cirurgias plásticas e são exploradas para pagar suas dívidas

Mulheres que desejam emprego como trabalhadoras sexuais durante a Copa de 2014 devem se submeter a cirurgias plásticas. Por não terem o dinheiro necessário para a intervenção médica, são obrigadas a trabalhar de dez a doze horas por dia para quitar suas dívidas, e nas piores condições. Em condição análoga ao trabalho escravo, essas mulheres não conseguem sair das redes de exploração sexual e com certeza, tem alguém lucrando pelo seu trabalho.

6. Empresários do sexo já preparam seu lucro para a Copa de 2014

O mercado da prostituição deve crescer em 60% durante o Mundial, revelou uma reportagem da Folha de São Paulo. Em entrevistas, os empresários da exploração sexual se mostraram estar muito animados com a #CopadasCopas, que deve superar o lucro obtido na Fórmula 1 e outros eventos conhecidos como o “natal” do ramo.

Pensando nisso, os empresários procuram preparar seus empregados – em sua grande maioria, mulheres – para receber os turistas interessados. As trabalhadoras de uma das casas pesquisadas pela Folha estão aprendendo a falar “Você faz anal? Sim, mas cobro um extra” e outras expressões em inglês.

Apenas agora, às vésperas do Mundial de 2014, a presidente Dilma Roussef resolveu lançar uma campanha de prevenção contra a exploração sexual, uma política exigida por movimentos sociais, entidades e ONGs há muitos anos. Por que o governo demorou tanto se estudos já comprovavam o crescimento de redes de exploração sexual e tráfico humano durante mega-eventos? Será que agora, não é tarde para muitos jovens, crianças, mulheres e homens?

Um estudo da fundação francesa Scelles comprova que as grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de pessoas que são prostituídas. Na África do Sul, por exemplo, o número estimado aumentou de 100 para 140 mil, durante o megaevento de 2010.

O Brasil possui um dos maiores níveis de exploração sexual infanto-juvenil do mundo. De acordo com o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, uma rede de organizações não-governamentais, estima-se que existam 500 mil crianças e adolescentes na indústria do sexo no Brasil (dados de 2012). Este índice tende a crescer ainda mais com a Copa de 2014[5].

No estado da Bahia, o terceiro em número de denúncias de violência sexual, apenas em dezembro de 2013 se divulgou uma campanha com o título “Fim da Prostituição e do Tráfico Infantil”. Além disso, as poucas campanhas realizadas até agora são relacionadas ao público infantil, campanhas estas que são mais aceitas pela sociedade e provocam adesão no combate.

Todavia, campanhas relacionadas a públicos estigmatizados, como mulheres e travestis, não recebem a devida ênfase, omitindo-se assim o fato de que se tratam de vítimas das condições sociais que as levaram à prostituição. Isso nos remete ao histórico de violação de direitos que perpassa até mesmo os planejamentos das políticas públicas.

Ativistas e organizações que combatem a exploração de pessoas indicam que o assunto não é prioridade para os governos, que continuam reprimindo as trabalhadoras e trabalhadores do ramo ao invés de desenvolver políticas públicas de prevenção à exploração sexual, dando-lhes outras condições e alternativas de sobrevivência. Políticas deveriam ter sido intensificadas logo que o país foi eleito sede da Copa do Mundo, o que não ocorreu.

É valido ressaltar que campanhas de combate à exploração sexual, até então, pouco tem se relacionado ao nome da Fifa. Será que esse é mais um requisito para trazer o torneio ao Brasil? Assim como é exigido a outras corporações, a Fifa também deveria cumprir leis de responsabilidade social, como, por exemplo, campanhas e ações na área do combate à exploração sexual, dados os inúmeros alertas e fatos que comprovam que o Mundial intensifica esse sombrio mercado.

http://comitepopularsp.wordpress.com/2014/02/25/naovaiterprotecao-conheca-denuncias-sobre-o-turismo-sexual-na-copa/


Brutalidade, emoções contidas e medo de ser livre

Blade Runner: a projeção sombria de uma sociedade hierarquizada ao extremo e dominada pelo medo
Blade Runner: a projeção sombria de uma sociedade hierarquizada ao extremo e dominada pelo medo
Violência social resulta frequentemente de prazeres frustrados e raiva reprimida. Só quem recupera a liberdade é capaz de transformar o mundo
Por Katia Marko, na coluna Outro Viver
Somos todos violentos. Podemos não reconhecer isso. Acreditamos não ser violentos porque não matamos, roubamos, batemos ou quebramos. Mas se olharmos com mais atenção, vamos perceber que a violência passiva, ou seja, de natureza emocional, faz parte do nosso dia a dia. E é ela que alimenta a fornalha da violência física. Atitudes egocêntricas, egoístas, manipuladoras, maliciosas, gananciosas, odientas, preconceituosas, suspeitosas e agressivas, muitas vezes, ferem e deixam marcas mais profundas.
É comum ouvirmos as pessoas dizerem: “Este é um mundo cruel, e, se a gente quer sobreviver, também tem de ser cruel”. Então, vamos continuar a educar para o ódio. Para afastar e, quem sabe, eliminar os que são “diferentes”. Sim, é isso que estamos fazendo. Estamos todos esperando que os outros mudem primeiro. Tudo que fazemos é condicionado por motivações egoístas: “Que vantagem eu levo nisso?”. Claro que eu sei que muitas pessoas estão buscando outros caminhos, mas de alguma forma estamos sendo coniventes com essa visão que ganha força no mundo. O conservadorismo está vencendo. Por que temos medo de avançar na garantia dos direitos humanos? Podemos pensar em vários motivos, políticos, sociais, econômicos, culturais, mas quero entrar mais profundamente na esfera emocional, na forma como lidamos com nossos sentimentos, principalmente, a raiva, desde a infância.
Num seminário em sua casa, em 1945, Wilhelm Reich declarou que a personalidade neurótica só se desenvolve quando a capacidade de uma criança de expressar raiva por um insulto à sua personalidade é bloqueada. Ele ressaltou que, quando o ato de ir em busca do prazer é frustrado, ocorre uma retração do impulso, criando uma perda de integridade no corpo. Essa integridade pode ser restaurada apenas através da mobilização da energia agressiva e sua expressão como raiva. Isso restabeleceria os limites naturais do organismo e sua capacidade de ir em busca do novo.
O médico Alexander Lowen, discípulo de Reich e autor da Terapia Bioenergética, afirma que se um indivíduo é incapaz de ficar com raiva, torna-se trancado numa posição de medo. Segundo ele, as duas emoções são antitéticas: quando se está com raiva, não se está com medo, e vice-versa. “Quando uma pessoa é muito medrosa, pode-se presumir que tem em sua personalidade um potencial equivalente de raiva reprimida. Expressar a raiva alivia o medo, assim como chorar alivia a tristeza. Na maioria dos casos, o medo é igualmente negado e reprimido, com isso a pessoa fica imobilizada ou morta.”
No livro Alegria, a entrega ao corpo e à vida, Lowen faz uma distinção entre raiva, ira e fúria. Na sua visão, a raiva é uma emoção restauradora ou protetora. Já a ira é uma ação destrutiva. Tem a intenção de machucar, de realmente quebrar alguém ou alguma coisa. Também é cega, e o ataque geralmente é contra uma pessoa ou criança inocente, impotente. A ira também é explosiva, o que significa que não pode ser controlada depois de irromper. Pode-se conter a raiva, mas não a ira. “A ira se desenvolve quando uma pessoa sente que seu poder foi contrariado ou frustrado. Uma criança que resiste insistentemente à ordem de um genitor pode lança-lo numa ira, cuja intenção é quebrar a resistência do filho, obrigando-o a submeter-se. Quando uma criança não faz o que o genitor manda, confronta-o com seu próprio sentimento de impotência, decorrente do fato de ter sido obrigado a submeter-se quando era criança, e foi incapaz de expressar sua própria raiva por medo. Essa raiva reprimida agora torna-se ira e é projetada sobre outra pessoa de quem ele não sente medo”, explica.
Uma raiva mais intensa do que a ira, é a fúria. “Estou furioso” expressa um sentimento de raiva extremo, simbolizado pelo furacão ou tornado, que destrói tudo em seu caminho. Como defesa contra a atuação de um impulso assassino, vem uma reação catatônica. “Essa qualidade congelada é o lado físico do ódio e só pode ser transformado pelo calor, especificamente, o calor da raiva. A ira, em oposição à raiva, é fria. Um indivíduo pode sentir o calor de sua raiva subir à sua cabeça à medida que a excitação move-se para cima. Ele vai ficar de cabeça quente devido ao aumento de sangue em sua cabeça, o que também pode fazê-lo literalmente ‘enxergar vermelho’. A raiva é uma força de vida positiva que tem fortes propriedades curativas. Em uma ocasião, quando havia vivenciado essa raiva, ela melhorou uma dor ciática que me incomodava a meses”, relata Lowen.
A forma como a sociedade lida com a raiva é muito contraditória. O ódio é alimentado, mas a raiva é reprimida, pois é moralmente errada. A maioria dos pais reprime energicamente um filho com raiva. Lowen acredita que isso é o mais lastimável, pois a criança que tem medo de expressar sua raiva dos pais torna-se um adulto frustrado. A raiva reprimida não desaparece. As crianças processarão o impulso proibido contra crianças menores, machucando-as deliberadamente. Ou, quando essa criança tornasse adulta, ela atuará contra seus próprios filhos, que são indefesos. “Pode-se pensar que punir uma criança por sua expressão de raiva seja uma maneira de ensiná-la a comportar-se socialmente, mas o efeito disso é anular o espírito da criança e torná-la submissa à autoridade. A criança de fato precisa aprender os códigos de comportamento social, mas isso deve ser feito de tal modo que a sua personalidade não seja prejudicada. As crianças cuja capacidade de expressar raiva não á abalada não se tornam adultos enraivecidos. Sua raiva geralmente é apropriada à situação, pois não é abastecida por conflitos não resolvidos e injúrias do passado.”
Lowen acredita que pesa sobre as pessoas esquentadas ou que perdem as estribeiras uma grande soma de raiva reprimida que está próxima da superfície e, portanto, é facilmente provocada. A raiva descarregada através da provocação pouco adianta para resolver o conflito subjacente, que é o medo de expressar os próprios sentimentos assassinos contra o genitor ou figura de autoridade que feriu a integridade da criança. Esse conflito é conservado e guardado na tensão do alto das costas e dos ombros, e só pode ser resolvido quando a raiva for direcionada contra a pessoa responsável pelo trauma. Contudo, ela não é dirigida contra essa pessoa, pois a injúria é antiga. O local apropriado para essa descarga é a situação terapêutica.
“A raiva, embora relacionada com o passado, decorre diretamente da existência de tensões musculares crônicas que prendem o organismo, reduzindo sua liberdade de movimento. A raiva é a reação natural à perda de liberdade. Isso significa que qualquer tensão muscular crônica no corpo está associada à raiva. É evidente que, se a pessoa não sente a tensão, não percebe raiva nenhuma. Interpreta as limitações de movimento e a perda de liberdade como normais, assim como um escravo poderia reconhecer a condição de sua escravidão sem raiva, posto que admitiu sua perda de liberdade.”
Somente quando recuperarmos a liberdade e a graça do nosso corpo, poderemos amar verdadeiramente e, aí sim, quem sabe, transformar o mundo. Mas, pra isso, é preciso parar de nos entorpecermos com remédios, alimentos cancerígenos, virtualidades e negação de nossas emoções, entre outras drogas. Quando assisti Blade Runner, de Ridley Scott, ainda na década de 1980, fiquei impressionada com a projeção sombria de uma sociedade dominada por uma minoria high-tech que relega à lata de lixo da história o restante da população. Será que assim caminha a humanidade ou ainda há tempo de nos resgatarmos e projetarmos comunitariamente o futuro?

Especialistas criticam empresa que exaltou em camiseta nádegas da mulher brasileira

Por Jovem Pan
A Adidas retirou do mercado camiseta que exalta as nádegas da mulher brasileira num momento em que o país combate o turismo sexual na Copa do Mundo. Em entrevista ao repórter JOVEM PAN Daniel Lian, o presidente da Embratur, Flávio Dino, disse que o governo continuará reagindo a esse tipo de busca de lucro fácil.

A ex-presidente da organização não-governamental SOS Ação Mulher e Família, destacou que o sexo feminino não é objeto para ser tratado de maneira pejorativa. Miriam Faury lamentou que a Adidas faça uma campanha como esta quando há uma luta intensa contra a exploração do turismo sexual

A presidente da república Dilma Rousseff se pronunciou sobre o episódio através do Twitter. Ela ressaltou sua indignação e disse que o país não aceita e está pronto para combater o turismo sexual.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Campanha de Enfrentamento à Violência contra a Criança e o Adolescente

PROTEJA NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Todos os anos, o governo federal, por meio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR, com o apoio do UNICEF e parceiros, realiza a Campanha Nacional de Carnaval pelo Fim da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, como forma de conscientizar a sociedade sobre a incidência dessa prática em todo o País.

Neste carnaval, não desvie o olhar! Denuncie a violência contra crianças e adolescentes.

O que fazer se identificar crianças ou adolescentes com seus direitos violados?

  • Informe ao Conselho Tutelar mais próximo;
  • Procure o policial ou o agente de segurança mais próximo de você;
  • Disque 100 (ligação gratuita e anônima); ou
  • Baixe o aplicativo PROTEJA BRASIL para iOS ou Android. O aplicativo mostrará para você a localização e os telefones da instituição especializada mais próxima a você, como delegacia ou conselho tutelar. Se você tiver dúvida sobre o tipo de violência, o aplicativo apresenta todas as informações.

Você precisa seguir apenas três passos

Passo 1  
Faça o download do app compatível com o seu celular (na Apple Store ou Google Play).

Passo 2  
Permita que o aplicativo acesse a sua localização. 

Passo 3  
Selecione a delegacia mais próxima de você e faça sua denúncia, que pode ser anônima.

Saiba mais em www.protejabrasil.com.br

Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. PROTEJA. Divulgue esta campanha, procure o Conselho Tutelar ou Disque 100.

Proteger nossos meninos e meninas de todas as formas de violência é uma responsabilidade de todos!



http://www.unicef.org/brazil/pt/activities_26769.htm

Fora da escola não pode!

Em 2010, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) deram início à Iniciativa Global Out of School Children (OOSC) – Pelas Crianças Fora da Escola. No Brasil, o projeto é desenvolvido em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Além do relatório Todas as Crianças na Escola em 2015, a iniciativa inclui a mobilização Fora da Escola Não Pode!

O desafio do País é grande. Uma análise feita pelo UNICEF e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação mostrou que, segundo a Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad) de 2012, mais de3,3 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil. Desse total, 1,2 milhão têm 4 e 5 anos; 507 mil, de 6 a 14 anos; e mais de 1,6 milhão têm entre 15 e 17 anos.

Os indicadores mostram que as crianças e os adolescentes mais vulneráveis à exclusão escolar são os negros e os indígenas, os com deficiência, os que vivem na zona rural, no Semiárido, na Amazônia e na periferia dos grandes centros urbanos.

Para que o Brasil possa garantir a cada criança e adolescente o direito de aprender, é necessário voltar a nossa atenção para os meninos e as meninas que estão fora da escola. E também àqueles que, dentro da escola, têm os riscos de abandono e evasão aumentados devido a fatores e vulnerabilidades diversos, como a discriminação e o trabalho infantil.

A exclusão escolar é um fenômeno complexo e a sua superação requer mais do que boa vontade. É preciso que o Estado cumpra o seu dever constitucional e que haja a participação e o compromisso de toda a sociedade e de cada um de nós para garantir o acesso, a permanência, a aprendizagem e a conclusão da educação básica na idade certa.

Novo relatório global sobre enfermagem obstétrica incluirá o Brasil

O Brasil será um dos 75 países examinados na nova edição do relatório O Estado da Obstetrícia no Mundo 2014 (State of the World's Midwifery Report – SoWMy 2014). O estudo global é coordenado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Confederação Internacional de Parteiras (CIP/ICM), em parceria com outras agências do Sistema ONU (Onu Mulheres, UNAIDS, UNICEF, Banco Mundial) e outras entidades internacionais. O relatório será publicado e lançado durante o Congresso da Confederação Internacional de Parteiras (CIP/ICM), previsto para ocorrer em Praga, República Tcheca, de 1 a 5 de junho deste ano.

Enfermeiros/as obstetras e obstetrizes são profissionais de saúde especializados na assistência integral à mulher, especialmente durante a gravidez, parto e pós-parto. “Apesar da necessidade desses profissionais no Brasil, o número de enfermeiros obstetras formados ainda é pequeno, e além disso enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho”, observa  o Coordenador Geral de Ações Técnicas da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, Aldiney Doreto; “Apesar de já existir a legislação e a regulamentação para isso, a gestão dos serviços de saúde ainda não incorporou esses profissionais na sua rotina”. Ele disse que o Ministério da Saúde lançou editais para fazer o levantamento da força de trabalho que atua na área de saúde, inclusive em obstetrícia.  

O relatório sobre a situação global da enfermagem obstétrica teve uma primeira edição em 2011, quando foi publicado o relatório Estado da Obstetrícia no Mundo 2011: Delivering Health, Saving Lives, que forneceu uma análise pormenorizada dos serviços, ensino, regulamentação, utilização e condições de trabalho de enfermagem obstétrica em 58 países. A iniciativa foi liderada pelo UNFPA e envolveu mais de 30 organizações internacionais, Incluindo UNICEF, OMS, CIP/ICM e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Esse relatório foi elaborado em resposta ao ‘Apelo Global para a Ação’, iniciativa lançada pelo Secretário-Geral da ONU,  Ban Ki-moon, em favor dos investimentos globais em saúde, com foco em saúde materna.

Na conferência Women Deliver, realizada em Kuala Lumpur, Malásia, em maio de 2013, ficou decidido que o próximo relatório SoWMy seria publicado este ano, numa versão ampliada, com evidências recolhidas nos 75 países que integram a iniciativa Contagem Regressiva para 2015 (Countdown to 2015) e que, juntos, representam mais de 95% das mortes maternas, neonatais e infantis no mundo.

Workshop Deliberativo

sowmy 2014Na última quinta-feira (30/01) foi realizado em Brasília um workshop deliberativo com a finalidade de apoiar o processo de pesquisa e elaboração do relatório, além de recolher dados qualitativos sobre os desafios que obstetrizes e enfermeiras/os obstetras enfrentam. O encontro, organizado pelo UNFPA e  pela OPAS/OMS, reuniu 25 representantes do Governo Federal, escolas e associações de enfermagem obstétrica,  outros profissionais de saúde e sociedade civil. A seguda etapa do trabalho ocorrerá no dia 13 de fevereiro.

Para Herdy Alves, presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) e representante do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) na reunião, a possibilidade do Brasil ser incluído no relatório O Estado da Obstetrícia no Mundo 2014 “vai ao encontro das políticas públicas de saúde, no redesenho do modelo assistencial proposto para a qualificação da formação continuada de profissionais de saúde, favorecendo os compromissos que o país assumiu nacional e internacionalmente com as Metas do Milênio, em especial o ODM5”. Ele reiterou que a ABENFO e o COFEN reconhecem a legitimidade do relatório e o papel dos profissionais de saúde envolvidos no processo de parto e nascimento como “atores imprescindíveis” para assegurar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Euzi Adriana Rodrigues, da Coordenação Geral da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, destacou a importância do relatório, afirmando que o estudo é uma “oportunidade para uma reflexão interna que terá visibilidade internacional, fortalecendo nossas ações para reverter os índices de mortes maternas, mostrando ao Governo e outras entidades o que precisa mudar”.

Desenvolvimento erra o caminho ao ignorar equidade, direitos e saúde da mulher, alerta ONU

Novo relatório da ONU diz que o desenvolvimento conquistado nos últimos 20 anos não pode ser sustentado a menos que os governos enfrentem as desigualdades que afetam os mais pobres e marginalizados 

• O número de pessoas vivendo na pobreza extrema em países em desenvolvimento caiu drasticamente, de 47% em 1990 para 22% em 2010
• Por outro lado, muitos dos cerca de 1 bilhão de pessoas que vivem nos 50 / 60 países pobres ficam estagnados, enquanto o resto do mundo está mais rico

Nações Unidas, Nova York — O crescimento das desigualdades pode fazer retroceder os ganhos significativos em saúde e longevidade alcançados nos últimos 20 anos. Para sustentar esses ganhos, o Relatório Global das Nações Unidas sobre a CIPD para Além de 2014, lançado no último dia 12, argumenta que os governos devem aprovar e cumprir leis que protejam os mais pobres e marginalizados, incluindo as garotas adolescentes e mulheres vítimas da violência, bem como as populações rurais. 

O relatório é a primeira revisão verdadeiramente global do progresso, lacunas, desafios e questões emergentes relacionados ao marco da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada em 1994 no Cairo, Egito. O documento reúne dados de 176 países, incluindo insumos da sociedade civil e ampla pesquisa acadêmica. Os resultados fornecem fortes evidências que confirmam o foco inovador do Programa de Ação do Cairo, colocando os direitos humanos e a dignidade individual no coração do desenvolvimento.

“Um compromisso fundamental com a dignidade individual e os Direitos Humanos é a base de um futuro resiliente e sustentável”, disse o Diretor Executivo do UNFPA, Dr. Babatunde Osotimehin. “Não podemos esperar outros 20 anos para resolver as desigualdades que assolam o nosso bem-estar coletivo. A hora de agir é agora. Os ganhos do desenvolvimento não devem ser limitados aos mais afortunados; eles devem alcançar todas as populações”.

O relatório mostra claramente que o Programa de Ação do Cairo contribuiu significativamente para o progresso tangível: menos mulheres estão morrendo na gravidez e no parto; o atendimento por profissionais qualificados durante o parto aumentou em 15% em todo o mundo desde 1990; mais mulheres têm acesso à educação, trabalho e participação politica; mais crianças estão indo para a escola; e menos garotas adolescentes estão tendo filhos. O ritmo de crescimento da população também diminui, em parte como resultado da nova abordagem que enfatiza a tomada de decisão individual e voluntária em questões populacionais.

Ele também mostra que este sucesso não está alcançando a todas e todos igualmente. Nas comunidades mais carentes o status das mulheres, as mortes maternas, o casamento infantil e muitas das preocupações da Conferência do Cairo observaram pouco progresso nos últimos 20 anos, e, de fato, estão piorando em alguns casos.

Garotas adolescentes, em particular, estão em risco nas comunidades mais pobres. Mais garotas estão terminando o ensino fundamental, mas estão encarando novos desafios para acessar e completar o ensino médio. Isso é problemático para todos porque as adolescentes e jovens – se tiverem acesso à educação, incluindo educação em sexualidade, e oportunidades de emprego – podem apoiar um maior desenvolvimento e crescimento econômico. Capitalizar suas aspirações requer um profundo investimento em educação e saúde reprodutiva, permitindo-lhes ter filhos mais tarde e adquirir uma formação para uma vida longa e produtiva em uma nova economia.

“Nós precisamos fazer a nossa parte para proteger o direito de acesso das adolescentes aos serviços de saúde sexual e reprodutiva”, disse Dr. Osotimehin. “O relatório fornece evidências convincentes de que a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos são fundamentais para o alcance do bem-estar individual, menor crescimento da população e crescimento econômico sustentável. Para garantir que as mulheres tenham uma participação no futuro, os governos devem fazer valer os direitos de garotas adolescentes”.

O relatório também conclui que a comunidade global ainda precisa fazer mais para proteger os direitos das mulheres, mesmo para além da adolescência. Ganhos significativos têm sido alcançados, particularmente em relação à morte materna, que diminuiu quase a metade (47%) desde 1994. No entanto, em uma das declarações mais alarmantes, o relatório diz que uma em cada três mulheres no mundo ainda relatam que sofreram abuso físico e/ou sexual e há áreas onde muitos homens admitem abertamente o estupro sem ter que enfrentar as consequências. Além disso, em nenhum país as mulheres são iguais aos homens em termos de poder político ou econômico.

Estes resultados fornecem uma base sólida de evidência de que, para manter os ganhos do desenvolvimento, os governos devem promulgar e aplicar leis que eliminem as desigualdades de gênero. De acordo com o relatório, 70% dos governos disseram que a igualdade e os direitos são prioridades para o desenvolvimento.

O relatório completo esta disponível aqui (somente em inglês): http://unfpa.org/public/home/sitemap/ICPDReport

Nota da Ministra Eleonora Menicucci sobre camisetas com alusão a turismo sexual

É inadmissível que uma multinacional de produtos esportivos como a Adidas, conforme reportado pela imprensa, venda camisetas com imagens e frases que ligam o Brasil ao turismo sexual.
 
Constitui-se não só em ofensa ao país, às brasileiras e aos brasileiros especificamente, como também em crime contra toda a Humanidade. Joga a esta e em especial as mulheres num estágio de barbárie, por meio da predação sexual que estimula e propaga. Desrespeita e agride o nosso país ao repor um imaginário que tanto lutamos para sepultar definitivamente.
 
Isso choca tanto mais por se dirigir a um país que  elegeu justamente uma mulher como sua autoridade máxima –e que sinalizou um avanço no grau de respeito às mulheres e tolerância zero com qualquer forma de violência contra as mulheres.
 
É imperativo, assim, que a empresa se retrate publicamente de sua atitude irresponsável e cesse imediatamente a distribuição de tais produtos, e, numa época em que se valoriza crescentemente a responsabilidade social das corporações, proponha alguma medida concreta de reparo pela ofensa cometida.
 
O Governo Federal, por meio da SPM, repudia  veementemente tais mensagens e reafirma seu compromisso com o respeito aos direitos humanos das mulheres, espelhado na Lei Maria da Penha e na implantação do Programa Mulher, Viver sem Violência.
 
Eleonora Menicucci
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Camisetas vendidas nos EUA com conotação sexual sobre Copa no Brasil causam polêmica

Adidas lançou roupas que fariam alusão ao "turismo sexual" segundo governo brasileiro.

Camisetas vendidas nos EUA com conotação sexual sobre Copa no Brasil causam polêmica Montagem sobre Reprodução/adidas.com/us/
Camisetas estão disponíveis para compra no site da empresa por 25 dólares, .Foto: Montagem sobre Reprodução / adidas.com/us/
Camisetas estão disponíveis para compra no site da empresa por 25 dólares, .Foto: Montagem sobre Reprodução / adidas.com/us/
Duas camisetas lançadas pela Adidas — marca esportiva patrocinadora da Copa —, em seu site americano, sobre o Mundial do Brasil causaram polêmica. As peças, segundo o presidente da Embratur, Flávio Dino, fariam alusão ao "turismo sexual" no país.
— O governo brasileiro discorda dessa linha de produtos, não aceitamos o turismo sexual. Claro que as pessoas podem namorar durante a Copa, mas não queremos uma mercantilização disso. Acaba sendo inclusive um desserviço à própria marca, porque ela está se associando a um tema muito negativo — avaliou Dino, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.
Uma das camisetas pode sugerir que o coração estampado na camiseta seja um "bumbum" de biquíni. A outra apresenta a frase "Lookin’ to score", que pode ser traduzida por "em busca dos gols" — mas também pode significar "se dar bem", ou "pegar garotas", em gírias.
Em nota, a Embratur afirmou que "repudia veementemente a comercialização de produtos que vinculem a imagem do Brasil a apelos sexuais" e que está em contato com a Adidas para que a empresa retire as camisetas do mercado.
Zero Hora entrou em contato com a assessoria de imprensa da Adidas no Brasil, que informou aguardar um posicionamento internacional da empresa.

Gestoras do Pacto de Enfrentamento à Violência apresentam ações estaduais em Brasília


25/02 – Gestoras do Pacto de Enfrentamento à Violência apresentam ações estaduais em Brasília
Gestoras do Pacto têm até quarta-feira (26) para discutir com governo federal iniciativas dos estados. Foto: Roseli Garcia/SPM
Balanço das atividades desenvolvidas nas unidades da federação começou a ser apresentado a SPM
 
Veja aqui fotos do evento
 
Os estados estão investindo nas políticas públicas para enfrentamento à violência contra as mulheres. Um balanço sobre as ações desenvolvidas por cada unidade da federação começou a ser apresentado à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), nessa segunda-feira (24/02), durante o Encontro das Gestoras Estaduais do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência, que acontece em Brasília.
 
Liderado pela secretária nacional de Enfrentamento à Violência da SPM, Aparecida Gonçalves, o encontro, além de avaliar as iniciativas estaduais, vai debater o programa Mulher, Viver sem Violência, a Casa da Mulher Brasileira, as campanhas Compromisso e Atitude e Quem ama Abraça, as ações preparatórias para a Copa do Mundo e as atividades da Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas.
 
As gestoras que acompanham o Pacto terão até quarta-feira (26) para discutir com o governo federal todas as iniciativas de combate à violência contra as mulheres. Entre os relatos está o de Alessandra Torres, de Alagoas, que informou que em 2012 eram oito organismos que tratavam da questão de gênero no estado. Atualmente, 19 municípios contam com estrutura física e capacitação. Outra contribuição é a de Maria Alice Ribeiro, do Amapá, que destacou a criação de Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos.
 
A programação ainda abordará o ‘Mulher, Viver sem Violência’, a humanização do atendimento, coleta de vestígios e cadeia de custódia, fóruns estaduais e campanhas públicas. 
 
Clique aqui e acesse a programação completa.

Trabalhos selecionados para 9ª Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero destacam diversidade do país


25/02 – Trabalhos selecionados para 9ª Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero destacam diversidade do país
Mais de dois mil trabalhos foram inscritos. Abordam temas como classe social, geração, raça, etnia e sexualidade no campo dos estudos das relações de gênero, mulheres e feminismos
 
Confira aqui a lista com os trabalhos premiados
 
Diversidade sexual e religiosa, raça, etnia, violência e experiências locais foram alguns dos temas abordados nos trabalhos recebidos na 9ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero. Foram mais de duas mil inscrições vindas de todo o país, em artigos científicos, redações e projetos pedagógicos que buscaram estimular e fortalecer a reflexão crítica e a pesquisa acerca das desigualdades existentes entre homens e mulheres no país.
 
Das 2.031 inscrições, 196 foram de estudantes de graduação; 230 de graduados e graduadas, especialistas e estudantes de Mestrado; 116 de mestres e estudantes de Doutorado; 1.430 de estudantes do Ensino Médio e 59 da categoria Escola Promotora da Igualdade de Gênero.
 
“Observamos uma ampla diversidade de temas descritos nos trabalhos. Experiências de dentro da escola ou da comunidade”, avalia a secretária nacional de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Vera Soares. “Esta 9ª edição também consolida o programa Escola Promotora da Igualdade de Gênero”, acrescenta, já que a categoria recebeu e vai premiar projetos vindos das cinco regiões do país.
 
A premiação consiste de R$ 46 mil em dinheiro para estudantes e graduados (sendo R$ 10 mil para cada um dos mestres e estudantes de Doutorado; R$ 8 mil para cada um dos graduados, especialistas e estudantes de Mestrado; e R$ 5 mil para cada estudante de graduação), R$ 10 mil para cada escola promotora da igualdade de gênero, laptops, computadores, além de nove bolsas de estudo do CNPq para as modalidades de Iniciação Científica até o Doutorado. Os professores orientadores recebem assinatura anual da Revista Estudos Feministas e Cadernos Pagu.
 
Avaliação – Para avaliar os artigos científicos, redações e projetos pedagógicos foram constituídas duas Comissões Julgadoras, compostas por: Durval Muniz de A. Júnior da (UFRN); Adriana Gracia Piscitelli (UNICAMP); Flávia M. Biroli Tokarski (UNB); Reinaldo Matias Fleuri (UFSC); Mônica Carvalho Alves Cappelle (UFLA); Maria Eulina P. de Carvalho  (UFPB); Cecilia Maria B. Sardenberg (UFBA); Maria Virginia de Freitas (Ação Educativa); Susana Martínez (UNB);  Keila Deslandes (UFOP); Glória de Lourdes Freire Rabay (UFPB); Iole Macedo Vanin (UFBA); Aparecida Suelaine Carneiro dos Santos (Geledés), Lucia Helena Rincon Afonso (CNDM).
 
O Prêmio é uma parceria entre SPM, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), Ministério da Educação (MEC) e ONU Mulheres. Foi instituído, em 2005, pela SPM, no âmbito do Programa Mulher e Ciência, que tem como objetivos estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismos no país; e promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas. Saiba mais: http://www.igualdadedegenero.cnpq.br/
 
Confira aqui a lista dos trabalhos premiados.

Mamografia é direito assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

Público prioritário é definido pela Organização Mundial de Saúde: mulheres de 50 a 69 anos. SUS não restringe acesso nas outras faixas etárias

Com informações do Ministério da Saúde
 
A oferta gratuita de mamografia é garantida a todas as mulheres brasileiras, independente de faixa etária, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O público prioritário para realização do exame é formado pelas mulheres entre 50 e 69 anos, conforme definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é seguida pelo Ministério da Saúde. Essa prioridade é baseada em pesquisas: a partir dos 50 anos o tecido mamário é substituído pela gordura e a visualização de um possível tumor é mais nítida.
 
As mulheres de 50 a 69 anos têm indicação para fazer mamografia bilateral de rastreamento sem necessidade de pedido médico e sem apresentação de sintomas ou histórico de câncer na família. O rastreamento prioritário em mulheres com 50 anos ou mais é usado também em outros países, como França, Suécia, Canadá e Japão.
 
Nas outras faixas etárias, também é possível realizar este mesmo exame, desde que as mulheres já tenham apresentado sintomas ou histórico de câncer na família. Outro exame, a mamografia unilateral, tem a finalidade de diagnóstico, avaliação do estágio do tumor e acompanhamento de doente operada de câncer de mama. Esse teste pode ser indicado para a mulher, em qualquer faixa etária, em uma ou nas duas mamas ao mesmo tempo e é feito a partir de solicitação médica.
 

SPM lança Manual de Práticas de Igualdade em programa voltado a empresas


21/02 - SPM lança Manual de Práticas de Igualdade em programa voltado a empresas
Ministra Eleonora e convidadas/os no lançamento do Manual de Práticas de Igualdade da 4ª edição do Pró-Equidade. Foto: Raquel Lasalvia/SPM,
Evento em Brasília teve participação da ministra da SPM, Eleonora Menicucci, de integrantes do CNDM, gestoras e representantes de instituições participantes do Pró-Equidade de Gênero e Raça
 
Confira aqui fotos do lançamento
 
Atenção à saúde da mulher, formação para o enfrentamento ao assédio moral e sexual, realização de encontro sobre mulheres, ciência e tecnologia. Estas são algumas ações contidas no Manual de Práticas de Igualdade da 4ª edição do Pró-Equidade de Gênero e Raça, lançado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), na terça-feira (18/02), em Brasília. A publicação reúne as iniciativas de destaque implementadas pelas instituições que receberam o selo na quarta edição do programa, encerrada em 2013.
 
A cerimônia de lançamento, conduzida pela ministra Eleonora Menicucci, ocorreu no âmbito da 15ª reunião ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Além da presença das conselheiras do CNDM, o evento contou com a participação da secretária de Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho, e da coordenadora da Área de Empoderamento Econômico para as Mulheres da ONU Mulheres, Ana Carolina Querino.
 
Menicucci reafirmou a relevância do Pró-Equidade dentre as ações executadas pela SPM. Segundo a ministra das Mulheres, o programa tem o objetivo de contribuir para a eliminação de todas as formas de discriminação “tanto no acesso, como na remuneração e, sobretudo, na ascensão e permanência das mulheres no emprego”, frisou.
 
Capilaridade – De acordo com a ministra, o Pró-Equidade procura estimular as empresas participantes a desenvolverem novas concepções e procedimentos na gestão de pessoas e na cultura organizacional, levando em conta a perspectiva de gênero e raça. “Para nós é um orgulho muito grande ver que este programa tem se desdobrado e criado uma capilaridade”, salientou Menicucci ao afirmar que, atualmente, organizações estatais, públicas e privadas já estão inseridas na iniciativa.
 
Ao lançar o Manual de Práticas de Igualdade, a SPM divulga os resultados alcançados pelo programa. “Ao compor o nosso programa, as instituições estão mudando não só a cultura organizacional, mas a cultura racista e sexista no mundo do trabalho, além de contribuir para eliminação de duas práticas inaceitáveis, que são o assédio sexual e o assédio moral”, assinalou Menicucci.
 
A secretária de Autonomia Econômica das Mulheres, Tatau Godinho, saudou as representantes dos comitês de gênero e raça. “São essas pessoas engajadas no cotidiano da instituição que fazem com que o programa Pró-Equidade de Gênero e Raça seja uma realidade e carro-chefe das políticas de gênero e raça do governo federal”, ressaltou.
 
Assinatura  – Tatau Godinho convidou as organizações e autoridades presentes para a cerimônia de assinatura do Termo de Compromisso das instituições que compõem a quinta edição do programa. A solenidade acontecerá no dia 18 de março, em Brasília. “Os planos de trabalho já foram apresentados, discutidos e retornados às organizações. Nós consideramos que o momento da assinatura da direção da empresa em conjunto com a ministra Eleonora é essencial”, argumentou.
 
Ana Carolina Querino reforçou o compromisso da ONU Mulheres com o Pró-Equidade de Gênero e Raça — parceira da SPM desde a primeira edição do programa — e parabenizou as empresas que receberam o selo na quarta edição. “Essas ações devem ser vistas como uma conquista, mas também como exemplo de que é possível fazer melhor e manter o nível de excelência daqui em diante”, pontuou Querino. A coordenadora espera que outras instituições, que se incorporaram ao programa na quinta edição, “tenham a publicação como espelho e um horizonte do que é possível fazer”.
 
A solenidade também foi prestigiada pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, pela secretária de Políticas para as Mulheres do Rio Grande do Sul, Ariane Leitão, pelo advogado-geral substituto da Advocacia-Geral da União (AGU), Fernando Albuquerque, e pelo reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Zacki Akel, além de mais de trinta organizações públicas e privadas que integraram a 4ª edição do Pró-Equidade.
 
Pró-Equidade  – Desde a primeira edição, o programa envolve um público de cerca de um milhão de funcionárias e funcionários de organizações públicas e privadas. Nesta edição, o Pró-Equidade vai atingir diretamente 83 organizações.
 
A ação é coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Saiba mais.