Contribua com o SOS Ação Mulher e Família: Banco Santander 033 / Agência 0632 / Conta Corrente 13000863 – 4 / CNPJ 54.153.846/0001-90

Pessoas físicas e jurídicas podem destinar IR para o SOS Ação Mulher e Família através do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente: http://fmdca.campinas.sp.gov.br/

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Maratona Gênero e Cidadania - Câmara dos Deputados


*O que é?
É uma oficina de uma semana com intuito de desenvolver aplicativos que contribuam para reduzir a violência contra a mulher e fortalecer as políticas de gênero. Não precisa ser programadorx para participar!

*Como funciona?
Podem se inscrever grupos de até três participantes, e cada grupo deve ter pelo menos uma mulher ou transgênero. Se não for o caso da interessada ser programadora, ela pode ficar na parte de gestão ou política, e chamar umx amigx para fazer a parte de programação.

A Comissão Organizadora do Hackathon selecionará até 50 participantes, incluindo os individuais e as equipes (participantes, não apenas os programadores!). Os critérios de avaliação das propostas são o interesse público, a criatividade e a qualidade técnica.

*Quem paga minha viagem se eu for selecionado?
A Câmara dos Deputados vai custear, para xs selecionadxs, as despesas da viagem até Brasília, como passagem aérea, hospedagem de quatro diárias na Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf), alimentação e traslado do alojamento até o local de realização do evento.

*Tem premiação?
Os dois melhores projetos da maratona serão premiados com a participação em encontro sobre projetos de e-cidadania na sede do Banco Mundial, em Washington (EUA). A inscrição no evento, as passagens aéreas e a hospedagem serão patrocinadas pelo Banco Mundial.

A inscrição vai até dia 3 de outubro!

Mais informações e inscrição no evento:

No caso de dúvidas ou se houver interesse no evento por alguém, e este precisar de um grupo ou programadorx, entre em contato comigo :) Estamos fazendo um networking que podemos inclui-lx.

Alunas lutam contra violência sexual com mulheres em universidades

28/09/2014

Casos de estupro têm se multiplicado em universidades do país. Alunas criam grupos para dar apoio a vítimas e tentar acabar com esse tipo de violência.

A atitude de um grupo de estudantes de uma universidade pública em Minas Gerais gerou polêmica. Eles cantaram uma música que incentiva o estupro em um lugar onde havia outras estudantes. Essa história aconteceu na mesma semana em que uma universitária americana chamou a atenção pela forma como resolveu protestar contra um suposto agressor sexual.
Belo Horizonte, sábado passado. As amigas Luísa e Marcela estavam em um bar. “Foram chegando outros jovens também e muitos deles identificados com a camisa da Bateria Engrenada da UFMG”, conta Luísa Turbino, estudante da UFMG.
A bateria é um grupo musical formado por estudantes de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais. Esse tipo de grupo - ou charanga, como também é chamado - se apresenta em festas da faculdade. Só que as músicas, naquela noite, chamaram a atenção.
“Eram músicas de conteúdo sexual que denegriam as mulheres. Principalmente de outras universidades”, lembra Marcela Linhares, analista internacional.
“Em determinado momento começou um grupo menor, começou a cantar a frase: ‘Não é estupro, é sexo surpresa’”, afirma Luísa.
“Eu fiquei muito chocada, muito triste, que as pessoas pudessem considerar aquilo uma brincadeira”, lamenta Marcela.
“Nessa hora, a revolta bateu, a gente já pediu a conta e foi embora do bar”, lembra o namorado de Luísa Daniel Arantes Castro.
Ouvir aquela música foi tão desconcertante que quando a Luísa chegou em casa, ela não conseguia pegar no sono e decidiu: na madrugada mesmo, fez um protesto nas redes sociais. “Mais triste ainda foi ver mulheres envolvidas na cantoria e mais ainda, perceber que ninguém se sentiu incomodado”, diz Luísa ao ler o protesto.
Mas o incômodo se espalhou entre os alunos depois da postagem de Luísa, que cursa o mestrado de Direito da UFMG. Em nota, a Bateria Engrenada afirma ‘lamentar profundamente’ o episódio. Diz que ‘não ignora o ocorrido e que está apurando’ o caso.
A universidade afirma que espera mais informações para abrir um processo administrativo. “Nós esperamos que os alunos, que supostamente estão envolvidos nesse episódio, nos apresentem um relato do que de fato aconteceu”, afirma Sandra Goulart Almeida, vice-reitora da UFMG.
O assunto estupro em universidades também ganhou força nas últimas semanas nos Estados Unidos, como mostra a repórter Renata Ceribelli.
Os casos de estupro e agressão sexual dentro dos campus das universidades viraram assunto de Estado. O Departamento de Educação dos Estados Unidos, a pedido do presidente Barack Obama, está investigando 78 universidades suspeitas de ignorar denúncias feitas por estudantes.
Uma delas virou símbolo dessa luta, e estuda na Universidade Columbia, uma das mais importantes do país. Emma diz que foi estuprada por um colega no quarto da universidade. Ela denunciou o caso à direção, que considerou o estudante inocente. Para protestar, Emma agora só anda pelo campus da universidade carregando o colchão onde teria acontecido a agressão.
“Eu vou levar o colchão comigo enquanto eu frequentar o mesmo campus que o meu estuprador”, conta a estudante.
Um relatório divulgado pelo governo americano mostra que uma em cada cinco mulheres sofreu abuso sexual na faculdade.
Depois da repercussão da história de Emma na imprensa, a Columbia agora obriga os alunos ouvir palestras sobre violência contra as mulheres. O brasileiro Guilherme, estudante de Direito, participou de uma delas. “Não é só porque está em silêncio, um não, um não meio assim, a menina está um pouco bêbada, significa que você pode fazer o que você quiser. Então eles entraram bem a fundo, educação mesmo”, explica Guilherme de Aguiar Franco, estudante.
Emma e outros estudantes montaram um grupo para ajudar outras vítimas de violência no campus. Uma iniciativa que também está acontecendo no Brasil, onde esses grupos são conhecidos como ‘coletivos’.
Um deles é o Coletivo Feminista Gení, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP. “Como nunca foi construída na faculdade essa cultura de acolhimento das vítimas, muitas vítimas também não se sentiam à vontade para falar sobre uma violência que elas tinham sofrido”, conta Ana Luísa Cunha, estudante de medicina da USP.
O grupo foi criado no final do ano passado, a partir da denúncia feita por uma estudante. O abuso, segundo ela, aconteceu em uma festa dentro da USP no em novembro de 2013. “Bebi bastante. Eu não estava inconsciente. Eu estava consciente. E aí dois meninos chegaram em mim e tentaram me convencer para ir no estacionamento com eles. E eu falava, não quero. E ele falava: ‘Você quer sim, eu sei que você quer. Eu sei que você gosta’”, lembra a jovem.
Ela diz que estava tonta por causa da bebida e que não conseguiu resistir. “Eles me beijaram, enfiaram a mão dentro da minha calça. Passavam a mão, tudo. Por dentro da roupa. E eu lembro nitidamente na hora que eu estava gritando que não queria e um deles ficou bravo, falou assim: ‘Para de gritar! Para de gritar!’”, conta.
A estudante escapou quando uma colega apareceu. “Ela viu que estava estranho, veio ver o que aconteceu e me chamou. Nisso que ela me chamou eu consegui sair”, afirma.
Quatro dias depois, ela foi aconselhada por amigas e por um professor a fazer um boletim de ocorrência na polícia. E, com ajuda do coletivo, a aluna levou o relato até a direção da faculdade.
“A partir da pressão que a gente fez, foi criada uma comissão para apurar questões de violência dentro da faculdade, entre elas violência contra a mulher”, conta Marina Souza Pickman, estudante de Medicina da USP.
Uma sindicância interna foi aberta em junho deste ano, seis meses depois da denúncia. A investigação está sob sigilo. Em nota, a Faculdade de Medicina da USP afirma que está ‘empenhada em aprimorar seus mecanismos de prevenção de casos de violência’. Diz também que ‘irá adotar punições disciplinares de acordo com o código de ética da USP’.

Fantástico: Eles têm culpa?
Vítima: Têm culpa.
Fantástico: E você se sente culpada?
Vítima: Eu já me senti culpada. Hoje eu não me sinto mais.
“Ninguém tem direito sobre o corpo do outro. Não é? Quer dizer, as meninas podem beber até cair, porque elas bebem ou porque os outros, algum outro fez com que ela bebesse, mas isso não quer dizer que o corpo dela esteja a disposição de ninguém”, afirma Miriam Abramovay, socióloga.
Não existem estatísticas sobre agressões sexuais em universidades brasileiras. Mas os casos se repetem por todo o país: Acre, Bahia, Espírito Santo, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo. Agressões cometidas pelos próprios estudantes e por pessoas de fora da universidade, que entram nos campus por falta de segurança.
“A universidade é responsável também. E ela tem que pensar estratégias de combate para todo tipo de violência”, afirma a socióloga.
É a insegurança e a falta de respeito às mulheres que os coletivos combatem em diversos estados. No Coletivo Iara, da Universidade Federal do Paraná, alunas conseguiram fazer com que a bateria do curso de Direito parasse de cantar músicas machistas na recepção aos calouros.
“A partir do momento que a bateria canta isso e isso gera um coro, isso também afeta diretamente as mulheres. Só uma reiteração realmente da violência que ocorre na universidade”, diz Barbara Cunha, estudante de Direito da UFPR.
Enquanto os autores do refrão ‘não é estupro, é sexo surpresa’ não são identificados e punidos, a Banda Feminista da Universidade Federal de Minas Gerais dá a resposta: canta contra o preconceito. “Eles me disseram algo que me deu tristeza, que estupro na verdade é sexo surpresa. Dá uma olhada nisso, é de se indignar. Isso é cultura do estupro e contra isso eu vou lutar. Fora machismo”, cantam as meninas da banda.

TJMS realiza em novembro VI FONAVID em Campo Grande

25/09/2014

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e em parceria com a Escola Judicial de Mato Grosso do Sul (Ejud-MS), sediará o VI Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (FONAVID), de 5 a 7 de novembro.
O encontro ocorrerá no auditório do Jandaia Hotel, em Campo Grande, e terá abertura no dia 5, às 19h30, com a palestra "O Poder Judiciário e a Lei Maria da Penha", proferida pela conselheira do Conselho Nacional de Justiça, Ana Maria Duarte Amarante.
No dia seguinte (6), o evento será dividido em quatro painéis nos períodos da manhã e tarde. O primeiro painel é "Relações Sociais de Gênero", com Carmen Hein de Campos; o segundo é "Direitos Sexuais, Direitos Reprodutivos e Feminicídio", com José Henrique Torres; o terceiro, "Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres", com Aparecida Gonçalves e o último painel "Cidadania e Direitos da Mulheres", com Herminia Maria Silveira Azoury.
Na sexta feira (7), último dia do encontro, também estão previsto quatro painéis: "Natureza Jurídica das Medidas Protetivas de Urgência", com Alice Bianchini, apresentação de práticas inovadoras, oficinas temáticas, que ocorrerão de manhã e a tarde, e por fim uma Plenária com a votação e aprovação dos enunciados e da "Carta de Campo Grande".
No FONAVID serão abordados, além dos temas relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher, assuntos como feminicídio, aborto, participação de empresas e institutos no enfrentamento da violência contra a mulher, políticas públicas voltadas para a mulher e tráfico internacional de mulheres.
A programação e demais informações sobre o VI FONAVID poderão ser encontradas no endereço http://ejud.tjms.jus.br/fonavid/  ou pelo banner na página inicial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (www.tjms.jus.br).
Autor da notícia: Secretaria de Comunicação Social - imprensa@tjms.jus.br

Justiça diz que ex-funcionária de prisão “contribuiu” para o próprio estupro nos EUA

25/09/2014
 por Redação Marie Claire




O presídio de Rockview, na Pensilvânia; segundo ação, não havia barreiras entre blocos de detentos e escritórios de funcionários à época do crime (Foto: Reprodução / SCI Rockview)
O PRESÍDIO DE ROCKVIEW, NA PENSILVÂNIA; SEGUNDO AÇÃO, NÃO HAVIA BARREIRAS ENTRE BLOCOS DE DETENTOS E ESCRITÓRIOS DE FUNCIONÁRIOS À ÉPOCA DO CRIME (FOTO: REPRODUÇÃO / SCI ROCKVIEW)

Procurador-geral escreveu que a ex-funcionária “agiu de maneira que contribuiu, no todo ou em parte, para o evento”, em resposta à ação movida pela mulher de 24 anos, estuprada por um detento

A Procuradoria Geral da Pensilvânia, nos Estados Unidos, está culpando uma ex-funcionária de um presídio pelo próprio estupro, em resposta a uma ação federal movida por ela.

Vítima foi desacordada e estuprada durante 27 minutos por detento, diz investigação (Foto: Think Stock)
VÍTIMA FOI DESACORDADA E ESTUPRADA DURANTE
 27 MINUTOS POR DETENTO, DIZ INVESTIGAÇÃO
 (FOTO: THINK STOCK)
De acordo com a CNN, a mulher, uma digitadora de 24 anos, trabalhava na prisão estadual de Rockview, em Bellefonte, quando foi atacada em 2013. Ela foi deixada inconsciente e estuprada por 27 minutos pelo preso Omar Best, condenado em três ações anteriores por crimes sexuais e transferido para a prisão depois de tentar atacar a funcionária de outro presídio.

“Apesar de ter conhecimento disso, os réus ainda permitiram o acesso de Omar Best sem ser monitorado à área reservada às funcionárias do sexo feminino”, diz a ação judicial, que também culpa o Estado pelo estupro.

O documento também diz que o superintendente da prisão havia mudado os escritórios para um andar seguro, sem contato com as celas dos detentos.  Antes, diz a ação, “não havia portas trancadas entre os escritórios e o bloco das celas, incluindo o bloco C onde a vítima trabalhava”.

Apesar de o detento ter sido condenado pelo estupro em maio e uma investigação na prisão ter levado à exoneração do superintendente, o procurador-geral escreveu na ação que a ex-funcionária “agiu de maneira que contribuiu, no todo ou em parte, para o evento”, na resposta à ação movida por ela.

“É o constrangimento da vítima na sua pior versão”, disse o advogado da ex-funcionária do presídio à CNN. “Pior que isso, é uma tentativa de constrangê-la”, disse Clifford Rieders.

Em nota à imprensa, a procuradoria-geral disse que “o documento é inicial e não deve necessariamente ser interpretado como a posição da instituição ao longo do caso”. O texto também diz que a promotora escolhida para o casao, Kathleen Kane, não estava ciente que o procurador-geral havia incluído este trecho na resposta à ação.

“A promotora Kane está desapontada por não ter tomado conhecimento do assunto antes da apresentação e ficou muito triste em saber que o documento, de forma implícita, afirma que a vítima contribuiu para o crime.”

Para a defesa da ex-funcionária, é “hipocrisia” culpar a vítima como forma de defender os responsáveis da prisão. “Isso mostra uma significativa falta de sensibilidade para entender o mal que esse caso tem feito à jovem, que está sendo novamente vítima agora”, disse a advogada Jennifer Storm.

Os advogados da vítima estão processando o Departamento Prisional do estado, seu antigo supervisor e o ex-superintendente. O detento está cumprindo pena de prisão perpétua.

Revista Marie Claire

Acusados de agredir mulheres assistem a aulas de combate à violência doméstica: “Não somos monstros”

24/09/2014



por Amauri Arrais


A reportagem de Marie Claire assistiu ao primeiro módulo do curso Tempo de Despertar, voltado a homens que respondem a processos pela Lei Maria da Penha por agressão a suas companheiras
Acusados de agressão a mulheres assistem a aulas em auditório do Fórum de Taboão da Serra, na Grande São Paulo (Foto: Elisa Gargiulo / MP-SP)
ACUSADOS DE AGRESSÃO A MULHERES ASSISTEM A AULAS EM AUDITÓRIO DO FÓRUM DE TABOÃO DA SERRA, NA GRANDE SÃO PAULO (FOTO: ELISA GARGIULO / MP-SP)


Almeida é um dos 30 convocados a participar do curso “Tempo de Despertar”, projeto-piloto do Ministério Público de São Paulo que dará aulas de combate ao machismo e à violência doméstica a homens que respondem a processos pela Lei Maria da Penha por agressão a suas companheiras.“Vivi 19.914 dias na face da Terra e tou sendo julgado por um único dia”, diz o comerciante José Emanoel de Almeida, de 54 anos. O dia em questão foi quando, durante uma discussão com a esposa, com quem vivia há 23 anos, perdeu a cabeça. “Dei um tapa na cara dela”, confessa. “Eu errei, tenho consciência disso. O ser humano tem que aprender com seus erros.”

“Tem que ter coerência das besteiras que a gente faz. Toda história tem dois lados. Estou aqui de coração aberto. Quero ser um exemplo”, diz o comerciante de Taboão da Serra, cidade da região metropolitana de São Paulo escolhida para a iniciativa, onde há mais de 2 mil processos por agressão a mulheres em curso –um dos maiores índices do estado.
Os participantes do curso com o material didático: aulas abordarão machismo e masculinidade, discussões de gênero e relações familiares (Foto: Elisa Gargiulo / MP-SP)
OS PARTICIPANTES DO CURSO COM O MATERIAL DIDÁTICO: AULAS ABORDARÃO MACHISMO E MASCULINIDADE, DISCUSSÕES DE GÊNERO E RELAÇÕES FAMILIARES (FOTO: ELISA GARGIULO / MP-SP)


Dividido em sete módulos, o curso terá seis encontros semanais sobre temas como a própria Lei Maria da Penha, machismo e masculinidade, discussões de gênero e relações familiares, em palestras com professores de direito, policiais, juízes e psicólogos. Caso condenados, os participantes poderão ter a pena atenuada e serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar que fará visitas domiciliares após a soltura para tentar evitar a reincidência.

O título Tempo de Despertar é uma homenagem ao ator Robin Williams, morto em agosto, que viveu um neurologista que muda a vida de pacientes de uma clínica psiquiátrica no drama homônimo, de 1990. “Esse projeto é a esperança real de uma mudança de comportamento, de romper com esse ciclo de violência que traz sofrimento a toda família”, diz a promotora Maria Gabriela Manssur, idealizadora do curso, após exibir um trecho do filme.

Diferente do comerciante José Emanoel Almeida, a maioria dos 22 acusados que participaram do primeiro dia de curso, um grupo heterogêneo de homens com idades entre 20 e 60 anos, diz se sentir injustiçada. Em silêncio durante as exposições, eles ficam mais à vontade durante as discussões em grupo, acompanhadas por dois monitores do projeto.
A promotora de justiça Maria Gabriela Manssur (à dir.), uma das idealizadoras do curso, fala em grupo de discussão (Foto: Elisa Gargiulo / MP-SP)
A PROMOTORA DE JUSTIÇA MARIA GABRIELA MANSSUR (À DIR.), UMA DAS IDEALIZADORAS DO CURSO, FALA EM GRUPO DE DISCUSSÃO (FOTO: ELISA GARGIULO / MP-SP)


Atento às discussões, que gravou com o celular, o mecânico Claudemir Silva Souza, 49, diz acreditar que boa parte dos que estão ali não são culpados. “No meu caso, por exemplo, eu estava trabalhando e, quando cheguei em casa, achei tudo revirado. Minha mulher tinha ido embora, levou meu filho e eu nem sabia que ela tava com outro cara.”

"NÃO SOMOS MONSTROS"
“Na hora que vão dar parte do companheiro, elas nunca falam a verdade”, diz um deles. “Ela puxou uma faca para mim na frente do meu filho. A lei serve só para ela?”, questiona outro. “Tá todo mundo olhando para nós como se a gente fosse monstro. A gente não é monstro”, desabafa um participante, segundo o qual a ex prometeu “acabar com a vida” dele após o rompimento.

A acusação, conta o mecânico, veio depois que tentou reaver a criança, quando a ex o teria agredido e ele revidado com um empurrão. “Moramos quatro anos juntos. No primeiro trabalho que ela arranjou, foi isso. Depois de 7 meses, disse que tinha se apaixonado por um colega do trabalho e saiu de casa.”
Participante do curso "Tempo de Despertar" folheia cartilha com conteúdo sobre violência doméstica (Foto: Elisa Gargiulo / MP-SP)
PARTICIPANTE DO CURSO "TEMPO DE DESPERTAR" FOLHEIA CARTILHA COM CONTEÚDO SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (FOTO: ELISA GARGIULO / MP-SP)


Junto com o companheiro Cléber Valentim de Oliveira, 31, ela foi acusada pela ex dele de agressão física durante uma discussão.“Sempre tentei apaziguar, me colocar no lugar de mulher. Mas teve um dia que ela veio para cima de mim e me defendi”, conta. Érika considera justo que Cléber, acusado no mesmo processo por agressão verbal, participe das aulas. “Não precisa necessariamente ter chegado nesse ponto. Acho que todo mundo como cidadão tinha que ter mais conhecimento, acho positivo sim.”

MULHER NA PLATEIA
Única mulher no grupo, a cabeleireira Érika Costa Romão, 29, acha que as mulheres dos acusados também deveriam ser convocadas. “Antes de a situação chegar nesse pé, o que eu posso fazer, aonde eu posso ir, quem pode me ajudar? Não temos esse tipo de conhecimento da lei.”

Já ele, apesar de considerar “a intenção boa”, diz se sentir pré-julgado por ser intimado. “De certa forma, a acusação ainda não foi apurada, não se sabe se é verdadeira ou não. Como só você é chamado, parece que você tem culpa no cartório”, afirma Cléber, que conta ter sido inocentado num outro processo em que a ex o acusava de ter agredido a própria filha. Em todo caso, acredita que as preleções sobre machismo e aspectos legais podem ser úteis.

“No dia a dia, você se depara com várias situações com mulheres, às vezes uma briga no trânsito. De repente uma mulher, por estar nervosa, pode partir para cima de você e, por ser mais forte, você tem que ter autocontrole. Se você for revidar, por mais que ela dê o primeiro tapa, você sempre vai ser errado.

Revista Marie Claire

Adolescente usada como isca para flagrar estuprador é violentada após plano falhar

23/09/2014 por Redação Marie Claire

ADOLESCENTE É VIOLENTADA APÓS PLANO PARA FLAGRAR ESTUPRADOR FALHAR (Foto: GETTY IMAGES)
ADOLESCENTE É VIOLENTADA APÓS PLANO PARA FLAGRAR ESTUPRADOR FALHAR (FOTO: GETTY IMAGES)






"Operação" teria sido planejada por professora de escola com aval da vice-diretora. O diretor da instituição declarou que a responsabilidade pela própria segurança era da vítima

Uma escola do Alabama, nos Estados Unidos, está sendo processada por usar uma aluna como isca em uma operação que teria culminado do estupro da jovem.
O caso teria acontecido em janeiro de 2010 na escola Sparkman Middle School depois que uma adolescente de 14 anos denunciou à professora que um colega de classe de 16 anos e com necessidades especiais teria proposto fazer sexo com ela no banheiro.  De acordo com documentos no processo, o jovem já teria um longo histórico de assédio sexual e comportamento violento.
A professora June Simpson, ao ouvir a queixa, elaborou um plano para flagrar o aluno "no ato" e pediu para a jovem aceitar a proposta. Simpson afirmou que a vice-diretora da escola, Jeanne Dunaway, estava no plano, mas não teria dado nenhum conselho sobre o assunto.
A "operação" era necessária, de acordo com Simpson, por acreditar que o jovem precisava supervisão constante, mas só poderia fazê-lo caso fosse flagrado "no ato". Esta teria sido a orientação do diretor da instituição.
Simpson pediu para a adolescente esperar no banheiro e lhe instruiu para não fazer nada. "Faça com que ele te encontre que eu o pegarei". No momento do crime,  a professora ficou vigiando a câmera de segurança em frente a um toalete, mas não viu nenhum dos dois e resolveu desistir do plano e ir embora. Porém, os jovens estavam em um banheiro localizado em outra parte da escola. A menina foi violentada.
O diretor alegou que a vítima "se tornou responsável por si própria no momento em que entrou no banheiro".
Os pais da aluna a retiraram da escola e se mudaram para outro estado, mas não sem abrir um processo contra a professora e os diretores da instituição. O jovem permaneceu estudando no mesmo lugar.
Uma investigação criminal foi encerrada sem acusações em 2010 até o Departamento de Justiça reabrir o caso na semana passada alegando que Corte Distrital do Alabama teria cometido um erro ao arquivar o processo.
Depois do crime, apenas a professora se afastou do cargo.  A vice-diretora foi promovida e o diretor permaneceu no comando da escola.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

AS COMBATENTES PESHMERGA


O início
A primeira unidade feminina das forças peshmerga, como o Exército curdo é conhecido, remonta a 1996. Segundo o próprio Exército, cada vez mais mulheres se unem à luta dos curdos contra o "Estado Islâmico", mas não há verificação independente dessa informação.



No front
Uma das maiores unidades femininas fica centenas de quilômetros ao sul de Dahuk, na província de Suleimânia. Cerca de 600 mulheres servem no local. Elas são responsáveis pela vigilância de prédios públicos e também de instalações militares. Cerca de cem já participaram de combates.


Número desconhecido
A quantidade exata de mulheres que servem no Exército curdo é segredo militar. Mas a noção de que a participação feminina nas forças peshmerga é necessária é muito forte. "Quero aprender a manusear armas para defender meu país", declarou uma das combatentes. Os curdos possuem autonomia no norte do Iraque e lutam pelo próprio Estado.


Solteiras e casadas
Algumas das mulheres que se alistam como voluntárias são casadas e têm filhos. Em alguns casos, os maridos também são combatentes. Outras são filhas de antigos soldados, ou lutam ao lado dos irmãos. Mas a maioria delas é solteira, e muitas se alistaram ainda adolescentes.


Aceitação
Algumas combatentes têm o apoio familiar. Mas nem sempre é o caso. De acordo com uma oficial, a unidade feminina ainda é vista com ceticismo por alguns homens. Mas muitos deles as apoiam e incentivam.


Engajamento
Para a comandante de um regimento, os batalhões femininos são um acréscimo importante para o Exército peshmerga. E o comprometimento das mulheres é exemplar, afirma. "Aqui estão mulheres armadas e dispostas a lutar por seu país."


Beleza e coragem
Peshmerga significa "aquele que encara a morte". O olhar determinado e a beleza de muitas das combatentes chamam a atenção.


Contra o "Estado Islâmico"
Unidades femininas já participaram de combate contra milícias do "Estado Islâmico". Com o avanço dos radicais, a participação das mulheres ganha em importância.


Medo das mulheres
Uma guerrilheira disse achar engraçada a ideia de encarar um dos jihadistas do Estado Islâmico, grupo radical que reprime as mulheres nas áreas que ocupa. "Acho que eles teriam mais medo de nós do que dos homens, pois acreditam que vão para o inferno se forem mortos por uma mulher."


Luta contra a repressão
Outra guerrilheira disse que se alistou justamente para combater um grupo radical que reprime as mulheres, proibindo-as de circular nas ruas e obrigando-as a vestir a burca.