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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Este vídeo serviu para prender agressor


27 DE NOVEMBRO DE 2016
DN/Lusa

O homem foi filmado por câmaras de vigilância a agredir a mulher

O caso aconteceu em Alicante, Espanha, e o vídeo foi divulgado pela Guardia Civil. As autoridades decidiram que as imagens deste vídeo deveriam servir de alerta contra a violência doméstica.

A mulher alvo das agressões não tinha sequer apresentado queixa. Tinha receio de represálias. Quem não hesitou foi a empresa de segurança que entregou as gravações à polícia.

A mulher foi agredida violentamente durante cinco minutos. E depois arrastado pelos cabelos.

As imagens são violentas.

A vítima concordou na divulgação das imagens - agora que o caso está na justiça - para que outras mulheres não hesitem como ela hesitou em denunciar a violência às autoridades.

Em Portugal, a violência doméstica é crime público. Em 2015, 29 mulheres morreram no nosso país, vítimas de violência doméstica. Registaram-se 26.595 denúncias. Na Europa, uma em cada três mulheres é vítima de violência física ou sexual. Em todo o mundo, 35% das mulheres são alvo de violência em algum momento das suas vidas, a maioria no contexto das suas relações de intimidade.

Um estudo do Observatório Nacional de Violência e Género, cujos resultados preliminares foram apresentados, dá conta de que em Lisboa a probabilidade de uma mulher ser discriminada é cinco vezes superior face a um homem.

Porém, em termos de violência doméstica, a "probabilidade de uma mulher ser vítima é duas vezes superior à de um homem", adianta.

Os autores apontam que as mulheres são sobretudo vítimas de homens (84,4%), enquanto os homens são vítimas de outros homens (58,4%).

Quanto à relação com o autor, no caso das mulheres, perto de metade eram parceiras, ex-parceiras ou familiares dos agressores, enquanto no caso dos homens esse valor baixa para os 30%.

No caso das mulheres, as ocorrências acontecem sobretudo no espaço privado (casa, casa de familiares ou carro), enquanto no caso dos homens ocorrem maioritariamente no espaço público (local de trabalho ou escola, bar ou café, supermercados, transportes públicos ou contexto militar).

Seis das 22 mulheres assassinadas este ano foram mortas pelos filhos ou netos, mas a maioria dos homicidas continuam a ser os maridos, companheiros ou namorados, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA).

Dez destas mulheres foram "barbaramente assassinadas por espancamento, estrangulamento, agressão com objeto e violação", descreve o relatório do observatório da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), que sublinha que na sequência dos 22 homicídios 32 crianças e jovens ficaram órfãos de mãe.

23 mulheres foram vítimas de tentativa de homicídio, entre 01 de janeiro e 20 de novembro.

Em média, foram verificados dois homicídios por mês, sendo que 45% das vítimas (10) tinham mais de 65 anos, 23% (cinco) entre os 36 e 50 anos e 14% (três) entre os 24 e os 35 anos.

Uma das vítimas tinha menos de 17 anos e outras duas tinham idades entre os 18 e os 35 anos, adiantam os dados avançados à agência Lusa.

Quanto à idade dos agressores, o relatório indica que a maioria (42%) tem entre os 51 e os 64 anos e 26% entre os 36 e os 50 anos. Já três homicidas (16%) têm mais de 65 anos.

Em 64% dos casos, a vítima tinha uma relação de intimidade com o agressor.

DN

A vida difícil das mulheres-soldado do Afeganistão

30 DE NOVEMBRO DE 2016
Josh Smith, Cabul


Sentem orgulho na sua carreira militar, mas as ameaças dos talibãs e a conservadora sociedade afegã não lhes facilitam a vida

A academia de treino militar de Cabul está agitada com turmas de mulheres entusiasmadas em servir no exército do Afeganistão, mas a realidade de uma violência crescente e de uma sociedade conservadora torna incerto o futuro destas jovens recrutas.

Na última turma, algumas das quase 150 mulheres que treinam para ser oficiais dizem que se sentem orgulhosas por fazer parte de um esforço para manter seguro o país, ainda atormentado por uma insurgência travada por militantes islamitas para derrubar o governo apoiado pelo Ocidente.

"Decidi juntar-me ao exército para salvar a vida do meu povo e para nos defender", diz Sakina Jafari, de 21 anos, acrescentando que o seu serviço dá um exemplo. "Isto encoraja outras raparigas a juntarem-se às fileiras do exército."

O Afeganistão é um dos locais mais duros do mundo para se ser mulher, de acordo com a ONU, apesar dos anos de pressão exercida por grupos de mulheres e doadores internacionais.

Homens e mulheres treinam separadamente na base nos arredores da capital, mas os oficiais dizem que o treino é semelhante, incluindo educação física, armas de fogo, tática e cuidados médicos.

Ao contrário de muitos afegãos, todas as mulheres que se formam na academia são alfabetizadas e irão para uma das muitas posições não combatentes, incluindo gestão, recursos humanos, operações de rádio, ou inteligência, afirma a tenente-coronel Cobra Tanha, uma veterana com de 28 anos de carreira militar. Algumas, no entanto, poderão ir dar assistência às forças especiais afegãs em missões como raides noturnos, que frequentemente precisam de mulheres para ajudar em buscas domiciliárias culturalmente sensíveis, acrescenta a mesma responsável.

Os Estados Unidos, que têm cerca de sete mil militares no Afeganistão integrados numa missão liderada pela NATO para ajudar e treinar as forças afegãs, orçamentaram pelo menos 93,5 milhões de dólares (cerca de 88,5 milhões de euros) neste para tentar aumentar o número de mulheres no exército.

Apesar dos anos de investimento, o exército afegão tem menos de 900 mulheres-soldado, muito abaixo do objetivo de cinco mil, de acordo com o inspetor-geral especial do governo norte-americano para a Reconstrução do Afeganistão (SIGAR, na sigla em inglês). Hasina Hakimi, de 19 anos, diz que não pode voltar à sua província natal por causa das ameaças talibãs, e muitas mulheres falam em enfrentar desafios dentro do próprio exército.

Mulheres a trabalhar em funções públicas são um assunto controverso no Afeganistão, onde no último ano quase 60% dos afegãos ouvidos pela Asia Foundation diziam não considerar aceitável ver mulheres a trabalhar no exército ou na polícia. Mesmo depois de se alistarem, as mulheres deparam--se com muitos obstáculos para conseguirem um posto ou serem promovidas, relata o SIGAR.

O formadores da NATO constataram que as razões mais comuns citadas pelas mulheres para abandonarem as forças de segurança eram "oposição dos familiares homens, problemas com os colegas do sexo masculino, baixos salários, obrigações familiares, falta de promoções ou de oportunidades para missões significativas e uma falta de treino e segurança", refere o mesmo organismo.

Estas dificuldades foram confirmadas por Benafsha Sarwari, uma professora de 20 anos na academia de Cabul, que, no entanto, expressou a sua determinação em continuar ao serviço.

"Já vivi muitos desafios", afirma Sarwari. "Vivemos numa sociedade conservadora e a maioria das pessoas são pessimistas em relação às mulheres que trabalham fora. Temos de superar os desafios e cumprir as nossas tarefas".

Jornalista da Reuters
DN

SOS Ação Mulher e Família na SIPAT da Brookfield Incorporações

No dia 25 de novembro de 2016, Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, as psicólogas Luciana Siqueira​ e Cristiane Costa​ falaram sobre relacionamentos abusivos para 400 colaboradores da empresa em Campinas.
O SOS Ação Mulher e Família agradece à Brookfield Incorporações​ pela oportunidade de levar esta reflexão para tantos homens!



Luciana, Maria e Cristiane

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Contra transfobia, campanha de ONG mostra que não importa como você nasceu

'Não importa quem você nasceu, e sim o que você é'

por Rafael de Almeida
25/11/2016



O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, e para conscientizar e combater a transfobia o grupo Pela Vidda criou uma campanha este mês. A ação reutilizou materiais com um propósito diferente do que eles foram feitos, veja no vídeo acima.

Com esse mote, a ONG pretende mostrar que não importa se uma pessoa nasceu homem ou mulher e sim como ela se sente no agora. Tudo isso de forma simples mas efetiva.

Campanhas como essa aos poucos começam a ganhar mais visibilidade nas ruas e também na mídia, igual à campanha em que uma mulher trans é colocada em um “teste de stress”. O Brasil, no entanto, ainda está bem longe de sair do topo da lista citada no primeiro parágrafo – campanhas como essas podem ajudar a mudar essa triste realidade.

A criação foi da agência Escala.

Clima natalino aproxima casal divorciado em nova campanha de O Boticário

Mais uma campanha que reforça o lado positivo das relações humanas

por Rafael de Almeida
28/11/2016



Em suas campanhas mais recentes O Boticário vem tratando de assuntos que soam delicados, mas que com uma abordagem certeira, consegue passar uma mensagem positiva para o público.

Depois do dia dos namorados com inclusão de casais homossexuais e a de dia dos pais com uma criança adotada, foi a vez de falar com casais separados. Veja no vídeo acima.

No filme vemos uma garotinha contar a história de um rei e rainha que vão começar a viver separados, analogia aos seus pais, deixando subentendido que eles se divorciaram. Ao longo do filme a garota mostra que mesmo distantes o importante é o respeito mútuo, já que eles são “os melhores amigos” algo que só clima natalino pode proporcionar.

“Acreditamos na beleza do Natal e no quanto as pessoas devem se permitir recuperar o olhar da criança que existe dentro de nós, aquele que enxerga as coisas boas e desperta bons sentimentos em todos os que a cercam”, diz o diretor de Marketing do Boticário, Alexandre Bouza. “E faremos isso com respeito à beleza da diversidade das relações humanas e com toda emoção que essa data e nossos consumidores merecem”.

A criação foi da AlmapBBDO.

B9

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Mulheres de até 19 anos sofrem mais violência em Campinas, diz Prefeitura

Balanço do Sisnov apontou dados de agressões durante o 1º semestre.
Notificações são de unidades de saúde; foram 884 casos de janeiro a junho.

Do G1 Campinas e Região
21/11/2016
A maioria dos registros de violência nas unidades de saúde das redes pública e privada de Campinas (SP) é contra mulheres de até 19 anos, de acordo com os dados do Sistema de Notificação de Violência do município (Sisnov). O balanço, divulgado nesta segunda-feira (21) pela administração municipal, apresenta números do primeiro semestre deste ano de qualquer tipo de agressão ou abuso contra mulheres, idosos, além de crianças e adolescentes.

De acordo com os dados, o número de notificações no primeiro semestre de 2016 chegou a 884, contra 702 do mesmo período do ano passado. Do total de casos de janeiro a junho deste ano, 71,3% (630) são de violência contra mulher, enquanto 54,1% das vítimas (479) são de 0 a 19 anos. A faixa etária dos 20 até 59 anos reúne 40% dos registros, com 354 agressões.

O balanço também apontou o tipo de violência mais comum no primeiro semestre deste ano. Das 884 notificações, foram 252 de violência física e 167 de abuso sexual. Os casos de negligência também chamam atenção, com 189 registros.

De acordo com os dados do Sisnov, dos 167 casos de violência sexual nos seis primeiros meses deste ano, 112 são de mulheres até 19 anos, sendo 55 na faixa etária de 0 a 9 anos e 57 no grupo dos 10 aos 19. Já os registros de abuso a vítimas de 20 a 59 anos chegam a 55 notificações.

Tendência de aumento
Segundo a Prefeitura, o sistema de medição existe desde 2005 e, em 2015, foi registrado o maior número de casos, com 1,8 mil notificações. A tendência de aumento se mantém para 2016, que pode bater o recorde do ano passado. Neste ano, o balanço contou com 121 unidades de saúde notificadoras, entre elas o HC da Unicamp, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e o Celso Pierro, da PUC-Campinas.

Segundo o Executivo, a intenção é mapear o perfil das vítimas para “desenvolver ações” de prevenção e combate. Há dois anos, foi implantado o alerta Sisnov, no qual todos os casos de violência sexual em menores de 18 anos são imediatamente comunicados para áreas de vigilância e saúde do município.

G1

Quem gosta, mostra

Quando as coisas são emocionalmente claras, os atos são simples

IVAN MARTINS
23/11/2016

Lembro perfeitamente da frustração: eu encantado pela moça e ela me driblando, por quase um mês. O primeiro encontro fora perfeito, mas nunca mais se repetiu. Ela se dizia ansiosa para me ver, mas sempre arrumava uma nova desculpa para adiar. Um dia, cansei das explicações, da incerteza e do desapontamento. Apesar da atração que sentia por ela, cortei a comunicação e nunca mais nos falamos.

Essa experiência marcante deu forma a um princípio que tento seguir à risca: relações amorosas começam de forma simples e recíproca, ou nem começam. Acredito que os sentimentos se expressam de maneira clara. Quem gosta, mostra. Quando as coisas são emocionalmente claras, os atos são simples. Quem está hesitando, enrolando ou adiando, é porque não sabe o que sente – e poucas coisas são mais dolorosas do que se envolver com quem não sabe o que quer.

Vale o mesmo para a reciprocidade. Se você está perdidamente apaixonada e a pessoa parece mais interessada na tela do celular, cuidado – esse costuma ser o preâmbulo de uma roubada. Gente que começa desinteressada pode virar a pessoa mais apaixonada do mundo, mas as chances são remotas. Atração e conexão costumam ser instantâneas e recíprocas. Como alguém pode começar uma relação sem elas?

Escrevo essas obviedades porque nossas carências – e nossa arrogância – costumam ser fonte de dolorosa confusão. Resolvemos correr atrás de gente que não está nem aí para nós e insistimos em cortejar pessoas que não nos dão atenção. É fácil detectar nos olhos e na atitude do outro os sinais de desinteresse, mas fingimos de bobo e persistimos.

Desesperados de solidão e carência, acreditamos, arrogantemente, que seremos capazes de seduzir quem nos ignora ou nos quer apenas como amigo – embora seja mais fácil, e mais bonito, renunciar ao que jamais teremos.

Quando você desencana do outro, simplifica a sua vida e a dele. Permite que as energias fluam. Mas para isso é preciso entender, no fundo da alma, que não será amado desta vez. É necessário abrir mão. Aqueles olhos imensos não olharão você como você olha para eles. Aquele corpo não estará em suas mãos, da forma que desejou. Se formos capazes de aceitar, virar as costas e sair andando, tudo fica mais simples. Ao desistirmos de controlar o mundo, ele se torna um problema menor.

A verdade, nós sabemos, é que ninguém seduz ninguém. Atrações acontecem espontaneamente, inexplicáveis para quem as experimenta. A aproximação entre duas pessoas se faz por uma ponte invisível que está lá desde o começo. A gente anda sobre ela, mas não sabe do que ela é feita. E podemos descobrir, como na história que abre esse texto, que nem a ponte é suficiente: a pessoa está atraída, ou parece atraída, mas falta à vida dela a simplicidade que torna as coisas possíveis.

Uma das razões que levam as pessoas jovens a amar e se envolver com tanta frequência é a simplicidade das suas vidas. Os jovens são disponíveis por natureza. Conhecem alguém hoje, dormem juntos na mesma noite, namoram no dia seguinte e podem estar na mesma casa em um mês. Por que não? Jovens tendem a ser emocionalmente leves porque têm menos história e menos compromissos.

Compare a disponibilidade emocional de uma garota de 25 anos com a de uma mulher de 40, separada e com dois filhos. Agora, pense num cara solteiro de 28 anos. Imagine quando ele tiver 40 e for divorciado, pai de uma garota, e estiver brigando por dinheiro com a ex-mulher. Quem vai estar mais livre para se apaixonar?

As pessoas têm problemas de trabalho, vêm de famílias difíceis, sofrem de depressões, são vítimas de doenças. Há uma multidão de pessoas adoráveis que lida com grandes dificuldades, todos os dias. Não se pode esperar delas a simplicidade de quem chegou à vida ontem, com um sorriso nos lábios e uma mochila nas costas.

Como estamos num mundo em que as pessoas se casam várias vezes e levam com elas tudo o que fizeram nas vidas anteriores, é importante aprender a lidar com a complexidade. Se você não foi casado, pode se apaixonar por alguém que foi. Se você não tem filhos, seu próximo parceiro ou parceira pode ter. Se a sua vida é leve e solta, destituída de problemas, sorte sua, mas um monte de gente não vive assim – e nem por isso são menos interessantes.

Compreender isso é essencial, mas não muda o fato de que a simplicidade é necessária. Alguém, em algum momento, tem de esticar a mão para o outro, que deve segurá-la sem hesitação. No meio da confusão, um gesto tem de ser simples. Juntas, pessoas apaixonadas lidam melhor com as dificuldades da vida. Mas os sentimentos têm de ser claros e recíprocos. Ou não rola.

Relatório do Unaids: A cada semana 7.500 mulheres contraem HIV no mundo

22/11/2016

Cerca de 7.500 mulheres jovens contraíram o HIV a cada semana em 2015, o que as tornou o grupo mais vulnerável contra a aids, especialmente na África Subsaariana, uma das regiões mais afetadas pela epidemia. “O mundo está falhando com as mulheres jovens, precisamos fazer mais e de maneira urgente”, reconheceu o diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids), Michel Sidibé, na apresentação em Windhoek, capital da Namíbia, do último relatório sobre a doença, que afeta 36,7 milhões de pessoas em todo o planeta.

Para as mulheres entre 15 e 24 anos, o risco de contrair o HIV é maior, e entre 2010 e 2015 o número de infecção caiu 6%, o que significa um fracasso na luta contra a epidemia, alertou o documento.

As mulheres enfrentam uma “ameaça tripla”, por estarem expostas um alto risco de contágio e não seguirem o tratamento.

As desigualdades de gênero, o acesso insuficiente aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, a pobreza, a insegurança alimentar e a violência são alguns dos fatores que aumentam a vulnerabilidade feminina ao HIV.

Outros grupos

Segundo a ONU, outro grande desafio é reduzir o número de mortes entre adolescentes soropositivos, que não costumam seguir o tratamento, o que, em muitos casos, a medicação fracassa.

Apesar do número de infecções continuar elevado, o acesso ao tratamento antirretroviral em nível global permitiu que o número de mortes ligadas à aids tenha diminuído 45% na última década.

Atualmente, 18,2 milhões de pessoas no mundo todo recebem tratamento contra o HIV, entre elas 910 mil crianças, o dobro que há cinco anos.

A ONU se mostrou otimista e garantiu que, se estes esforços continuarem e forem intensificados, o mundo poderá alcançar o objetivo de universalizar os antirretrovirais e garantir seu acesso a 30 milhões de pessoas em 2020.

“O progresso que alcançamos é notável, especialmente no que se refere ao tratamento, mas também é incrivelmente frágil. Novas ameaças estão surgindo e se não agirmos agora arriscamos que elas ressurjam e resistam”, advertiu Sidibé.

Agência AIDS

Lançamento dos Dados Parciais da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra à mulher – Fortaleza/CE, 08 e 09/12/2016

28/11/2016

No ano em que a Lei Maria da Penha completa 10 anos, o Instituto Maria da Penha-IMP está realizando, em parceria com a Universidade Federal do Ceará-UFC e o Instituto para Estudos Avançados de Toulouse (IAST/França), a Pesquisa de Condições Sócio Econômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – PCSVDFMulher sob a coordenação do Professor Doutor José Raimundo Carvalho (CAEN/UFC). O estudo conta com especialistas de instituições como a Escola de Economia de Toulouse (TSE/França), Universidade Federal do Ceará, Universidade de Oxford (Reino Unido) e Banco Mundial (USA). Este projeto é financiado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres-SPM e tem a parceria do Banco Mundial e da Universidade de Toulouse, na França.

A pesquisa longitudinal será realizada em duas ondas (2016 e 2017), nas nove capitais da região Nordeste. Tal estudo representa o maior sobre esse tema, quanto à sua escala, em toda a América Latina. Serão mais de 10 mil famílias pesquisadas. Ao longo desse processo, será observado de que forma se apresentam atitudes de violência doméstica nesses grupos familiares com o intuito de entender a violência doméstica dentro de várias perspectivas, aprofundando os conhecimentos sobre o tema, auxiliando no desenvolvimento de políticas públicas que possibilitem sua diminuição no Brasil, bem como servindo de fundamento para todas as organizações que trabalham com o assunto e fonte para estudos e trabalhos acadêmicos.

Para dar maior visibilidade a esta ação e, em consonância com a comemoração dos 10 anos da Lei Maria da Penha, os dados da primeira onda da PCSVDFMulher, coletados de março a julho de 2016, serão apresentados à sociedade em evento no qual muito nos honraria sua participação.

Dessa forma, vimos por meio desta, convidá-los para o Lançamento dos Dados Parciais da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra à mulher – PCSVDFMulher, que acontecerá dias 08 e 09 de dezembro de 2016, no Hotel Mareiro Beira Mar, em Fortaleza- Ceará, conforme programação abaixo.

ATENÇÃO: SOLICITAMOS QUE SEJA FEITA INSCRIÇÃO PARA A PARTICIPAÇÃO NO EVENTO ATRAVÉS DO


Após 181 anos, Luiza Mahin é absolvida por conspiração contra Coroa portuguesa



Júri simulado promovido pela Defensoria Pública deu oportunidade para a heroína negra, interpretada por uma atriz, se defender de acusações

Amanda Palma (amanda.palma@redebahia.com.br)
23/11/2016


Acusada de conspiração contra a Coroa portuguesa em 1835, Luiza Mahin teve voz nesta quarta-feira (23) e pôde se defender e ser absolvida das acusações. A heroína que tem destino incerto teve a oportunidade de falar sobre sua luta e enfrentar os argumentos da acusação que usou o discurso do ódio contra o povo negro para pedir a pena de morte dela.
“Eu não sei do que me acusam, mas sei que não podem me acusar de racismo, de apartheid, de intolerância religiosa. Eu não tenho que provar a minha inocência. Quem acusa é quem deve provar a culpa”, disse ela. A fala, que poderia ter sido verdadeira, foi dita pela atriz Valdineia Soriano, do Bando de Teatro Olodum, durante um júri simulado no Teatro da Uneb, promovido pela Defensoria Pública.
A iniciativa é a primeira de uma série promovida pelo órgão, com intuito de resgatar personagens importantes da história baiana. Luiza Mahin foi uma das líderes da Revolta dos Malês, um movimento que aconteceria no dia 25 de janeiro de 1835, mas que foi descoberto pela polícia. O grupo teve que entrar em combate e acabou sendo derrotado.

Luiza e outros líderes conseguiram escapar. Ela fugiu para o Rio de Janeiro e depois desapareceu. Por causa da organização da revolta, ela foi acusada de insurreição contra a Coroa, crime previsto na Constituição de 1830, já que as reuniões do grupo aconteciam em sua casa. “O que poderia ter na casa de negros, senão negros?”, disse a heroína, interpretada por Valdineia.

Encarnando o papel de acusação, a defensora Soraia Ramos lembrou os argumentos que eram usados contra os negros que lutavam pela libertação. “Ela se associou a escravos para promover a libertação dos negros por meio da força, como forma de exterminar todos os brancos”, disse a defensora, enquanto lia seus argumentos. “Os senhores muito bons deixavam que ela, negra liberta, trabalhasse em suas casas e depois ela foi ingrata. Usou de tudo isso para conspirar”, completou o discurso.

Para a bacharela em Direito Carolina Dias, 22 anos, que foi assistir ao júri, os argumentos usados pela acusação representam o pensamento racista que ainda existe na sociedade. “Foi chocante a fala da acusação, mas infelizmente ainda é realidade que algumas pessoas pensam assim. O nosso sistema criminal é racista também. Achei essencial essa iniciativa para que a gente conheça a nossa história”, disse.

Já o defensor público Raul Palmeira ficou responsável por fazer a defesa de Luiza Mahin. Ele lembrou de momentos do massacre que aconteceu durante a Revolta, como os 200 negros mortos em frente ao Quartel que funcionava em Água de Meninos e as humilhações as quais os escravizados eram submetidos. “Os negros sequer tinham direito de usar garfo e faca nas refeições. Tinham que comer de mão para que os utensílios não fossem usados como armas contra os seus patrões”, descreveu, durante a defesa.

Palmeira falou ainda sobre o suposto abandono de Luís Gama, filho da heroína. “Ela não abandonou o filho Luís Gama, que, na época, tinha 5 anos. Ela deixou com o pai”, contou o Palmeira. Uma carta escrita pelo filho, que também foi lida no júri, revela que o contato foi completamente perdido após a fuga da heroína.

Após o júri, a secretária estadual de Políticas para Mulheres (SPM), Olívia Santana, ressaltou a importância de saber detalhes da história, principalmente de quem participou das revoltas. “Precisamos contar a história da resistência, não dá pra continuar nos empanturrando de histórias sobre os vencedores, é preciso dar voz aos vencidos, é preciso que a sociedade tenha o direito de saber da trajetória de figuras como Luís Gama, Luiza Mahin, Zeferina, Maria Felipa”, disse.

Ela lembrou ainda que as mulheres são ainda mais excluídas dos documentos históricos. “As mulheres negras são as que foram mais lesadas, no que diz respeito ao direito à memória, os homens ainda conseguem recompor algumas coisas, mas as mulheres são sempre sem rosto, sem passado, sem registro”.

História
Para a atriz Valdineia, o júri é uma oportunidade de conhecer mais da própria história, principalmente das heroínas baianas. “Eu não sei se tem a ver com justiça, mas com reconhecer esses heróis nossos e uma heroína como Luiza. Os heróis, os mártires tiveram irmãs, mães, e a gente não fala das mulheres. Eu acho que o projeto resgata isso, a valorização da mulher negra”, disse.

Segundo Rafson Ximenes, subdefensor público geral do Estado, a  ideia do projeto surgiu para dar visibilidade a momentos da história de resistência baiana. “A gente percebeu que a população baiana em geral, as pessoas que tiveram educação formal têm pouco conhecimento da educação da Bahia, especialmente os líderes populares. Então, pensamos em um evento que chamasse a população, para ter conhecimento da história do nosso povo, da existência de lideranças negras, pobres, indígenas, e cada baiano poder olhar e se orgulhar”, contou.

Apesar de o órgão já ter definido que haverá uma série de júris, os próximos personagens ainda não foram escolhidos, nem as datas foram definidas. “A partir disso começar uma discussão para o próximo, fomentar o debate na sociedade, para que aconteçam os outros e os personagens sejam escolhidos assim”, explicou Ximenes.

Para a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fábia Reis, a iniciativa da Defensoria contribui para divulgar o movimento feminista negro. “Pra gente é de uma importância fantástica, que mostra todo esforço de movimento negro feminista, reafirmando a figura de Luiza Mahin, e que possa despertar na cabeça dos jovens o imaginário dessa contribuição, para que tivéssemos hoje a democracia no Brasil”, pontuou.

Correio 24 Horas

Lançamento da Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência Comentada


feminismo e religião | maria josé rosado (tv cultura)


com maria josé “zeca” rosado, socióloga e professora da puc-sp
“vivemos um movimento político de muito atrevimento. o nosso é por direito”, disse a socióloga e professora da puc-sp maria josé “zeca” rosado durante o café filosófico cpfl sobre “feminismo(s) e religião(ões): aproximações, ambiguidades e contradições”.
no encontro, o segundo da série “o que querem as mulheres? políticas e poéticas feministas da atualidade”, rosado afirmou que os direitos são o marco das convergências entre as concepções feministas e as religiosas.
“a primeira impressão que se tem é que estamos diante de uma contradição insuperável com agendas opostas. de um lado, a defesa do direito das mulheres para controlarem seus corpos autonomamente. de outro, as religiões, com discursos teológicos, doutrinas e normas dirigidas à regulação do comportamento individual e ao controle das regras sociais”, disse.
“como o país respeita a cidadania de toda a população brasileira se legisla em função de um único credo religioso?”, questionou.
confira também a íntegra do encontro:

movimento feminista negro no brasil | núbia regina moreira (versão tv cultura)

domingo, 27 de novembro de 2016

NÓS TAMBÉM FODEMOS! – O DOCUMENTÁRIO YES, WE FUCK! E SUA RECEPÇÃO NO BRASIL*

Não é raro, quando eu chego nos lugares em minha cadeira de rodas, as pessoas começarem a me encarar, encarar meu corpo, meus gestos. Percebo uma diversidade de olhares, uns mais pesarosos, outros mais ousados, mas todos curiosos. Meu corpo-cadeira-de-rodas causa incomodo e uma espécie mórbida de atração. Sinto que vivo em uma fronteira muito específica: entre o desejo curioso em meu corpo e a repulsa que desejá-lo provoca. Interessante é também experimentar essa a fronteira entre o desejo e a repulsa quando falo publicamente sobre minhas pesquisas sociológicas em torno de pessoas sem deficiência que 1) se atraem sexualmente por deficientes ou que 2) sentem a necessidade de se transformar em pessoas deficientes[i].
“Como é possível alguém desejar sistematicamente corpos deficientes? Como é possível alguém “normal” buscar amputar uma perna? Como esses indivíduos vivem? Essas pessoas realmente existem?” Essas são algumas questões que vem à mente das pessoas quando me apresento e ajudam a demonstrar que uma das curiosidades mais pontuais sobre os aspectos da vida das pessoas com deficiência é sobre seu corpo e sua ‘sexualidade’.
A partir do momento que mostramos interesse afetivo em alguém até o ponto em que temos desejo de explorar sexualmente nosso próprio corpo, as pessoas com deficiência são desacreditadas na sua capacidade de construir relações eróticas e afetivas. O documentário espanhol de 2015 Yes, We Fuck!, dos diretores Antonio Centeno e Raul de la Morena, faz a importante tarefa de desmitificar a vida sexual das pessoas deficientes, não só mostrando que elas fodem das mais diversas maneiras, mas também explorando formas menos padronizadas de nos relacionarmos intimamente com nossos corpos e com os corpos de outras pessoas.

Yes, We Fuck!
 (Sim, Nós Fodemos) vem para ser um interessante contraponto político e cultural para as perguntas que a sociedade constantemente faz para as pessoas deficientes: “mas, afinal, vocês transam? como?” A resposta positiva e provocante, por se utilizar de um termo que causa espanto aos mais pudicos (foder), foi a aposta da equipe de ativistas políticos deficientes espanhóis para discutir a intersecção entre deficiência e sexualidade. Mostrando exatamente o ‘local de fala’ das pessoas deficientes, isto é, suas perspectivas e posicionamentos, Yes, We Fuck! estreou em circuito mundial ao longo do ano de 2015 e tem ganhado cada vez mais destaque em eventos internacionais e festivais de cinema ao redor do mundo[ii]
cartaz-yesAos menos acostumados com diferentes possibilidades estéticas e corporais, o documentário é um ‘choque’. Como pesquisador sociocultural das relações entre deficiência e sexualidade, tive a oportunidade de participar e comentar duas sessões do documentário Yes, We Fuck!aqui no Brasil e o que percebi dos e das espectadoras é um momento inicial de incredulidade misturada a doses de ‘como isso é possível?!’. Durante o mês de setembro, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de Campinas (UNICAMP) promoveram duas sessões públicas do documentário e pude discuti-lo na companhia de duas antropólogas que acompanham de perto as movimentações sexo-ativistas espanholas: a pesquisadora Carolina Branco de Castro Ferreira e a pesquisadora espanhola, e uma das colaboradoras do filme, Andrea García-Santesmases Fernández (que estava de passagem pelo Brasil desde meados de 2016)[iii].
Yes, We Fuck! é um composto estético de vivências eróticas, pornográficas, afetivas e de cuidado que, em sua maioria, gira em torno da vida sexual e íntima das pessoas deficientes. Paraplégicos, tetraplégicos, paralisadas cerebrais, cegas, pessoas com síndrome de down, enfim, corpos e comportamentos que se enquadram na grande categoria da ‘deficiência’ são acompanhados em suas mais íntimas fantasias eróticas. Extrapolando a máxima feminista de que o pessoal é político, o documentário mostra o cotidiano e negociações afetivas que circulam entre as pessoas deficientes, a partir de uma parcela do ativismo deficiente espanhol. As pessoas com ‘diversidade funcional‘, nome politicamente adotado na Espanha para se referir a ‘deficiência’, relatam seus fetiches e mostram como criam relações e parcerias entre si e com outras ‘identidades sexuais’, para poderem fazer o que todos acham inacreditável que façamos: sexo.
O ativismo erótico-pornográfico dos diversos funcionais (deficientes), representado em Yes, We Fuck!, precisa ser visto e interpretado como extremamente entrelaçado ao ativismo feminista e queer[iv] de Barcelona. Somos introduzidos ao mundo erótico e pervertido da diversidade funcional por duas lésbicas, uma delas, inclusive, faz questão de que a chamem de sapatão. Ao longo do filme vamos nos deparando com histórias de discriminação e marginalização social por questões de sexualidade, gênero e corporalidade que criam uma identidade entre gays, lésbicas, viados, sapatões, deficientes e aleijados. Ao mesmo tempo são essas conexões que possibilitam o que o filme mostra de melhor: o redimensionamento da discriminação sofrida por esses indivíduos em uma estética crítica e comunitária dos padrões e normas dos relacionamentos sexuais e afetivos humanos.
SIM, NÓS FODEMOS! E SEU IMPACTO SOBRE AS IDENTIDADES DEFICIENTES NORMATIVAS
No Brasil, nem o ativismo político das pessoas deficientes e nem as teorias socioculturais sobre deficiência elegeram historicamente a sexualidade como uma categoria a ser colocada em tensão política nesses circuitos. Mesmo que este contexto esteja mudando, por aqui os ativistas e teóricos da deficiência no Brasil ainda estão muito centrados em um modelo biomédico de sua interpretação. Essa maneira de alocar a deficiência acaba dando ênfase a uma despolitização do corpo deficiente, pois só o considera uma consequência de falhas orgânicas, disfunções. Desse modo, falar de políticas sociais para a população com deficiência brasileira fica circunscrito a questões de acessibilidade no ambiente social para acesso ao mercado de trabalho.
Na verdade, temos visto no Brasil um apelo cada vez maior às ideias de autonomia e independência para pessoas com deficiência sem refletirmos criticamente sobre elas. Esses apelos acríticos, no meu modo de interpretar, tem nos levado a um tipo de acessibilidade estrutural e Inclusão com vistas a somente colocar mais indivíduos no mercado de trabalho, sem muitas preocupações com questões de permanência no serviço, horas trabalhadas, auxílios extras e recursos humanos (como cuidadores e acompanhantes diários).
O corpo deficiente, portanto, acaba sendo uma realidade fantasma. Ao mesmo tempo que muitas pessoas deficientes dizem que seu corpo não é impedimento algum, as estruturas sociais não comportam todo e qualquer tipo de corpo em suas dinâmicas. É por isso que muitas empresas que necessitam seguir a lei de cotas para pessoas com deficiência escolhem os e as deficientes ‘menos piores’ para preencherem seus cargos. As pessoas que mesmo com alguma deficiência física, sensorial ou cognitiva conseguem ‘se virar sozinhas’, são as preferidas, pois inclusive elas conseguiriam trabalhar em locais com pouca ou nenhuma acessibilidade.
Felizmente alguns de nossos e nossas ativistas deficientes já estão ligados nessas mobilizações coletivas internacionais e políticas em torno do documentário e estão interessados em começar um movimento semelhante no Brasil. É o caso de Ana Rita de Paula e Tuca Munhoz que têm incentivado o debate através das redes sociais e encontros presenciais entre os interessados na questão na cidade de São Paulo[v]. Por algumas coincidências cibernéticas, entrei em contato com Munhoz e mostrei a ele um pouco de meu trabalho como ativista e sociólogo que se interessa exatamente pela interface entre sexualidade e deficiência. Em uma breve conversa, Tuca Munhoz comentou que falar sobre a sexualidade na deficiência de uma maneira mais provocante pode fazer o movimento político de pessoas deficientes no Brasil prestar mais atenção em questões de cuidado e interdependência como pautas públicas e políticas.
Um documentário como Yes, We Fuck! nos dá a chance de extrapolar a ideia de acessibilidade para além das estruturas coletivas de nossa sociedade. O filme alarga as premissas da acessibilidade para o cotidiano íntimo das pessoas com deficiência, o que possibilita pensar os corpos humanos em espaços que não são considerados políticos por excelência, como o banheiro, a cama, o quarto, a relação de dependência familiar e amorosa. A ideia de ‘acesso sexual’ contida no filme é um ótimo exemplo para politizarmos tanto as estruturas sociais que rodeiam nossos corpos deficientes, como para deflagrar que sentir tesão em alguém e ser aceito sexualmente são coisas imersas em inúmeras relações de poder. Nesse ponto, o papel da assistência sexual ganha proeminência no longa metragem por ser um tipo de relação que possibilita a alguém deficiente uma pessoa que a auxilie a se masturbar ou a fazer sexo com seu companheiro. Em outras palavras, o papel da assistência sexual não é prover exatamente o sexo para as pessoas deficientes, mas ser um suporte interpessoal para que relações eróticas e afetivas possam se concretizar[vi].
SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA: UM BREVE CONTEXTO POLÍTICO
Ainda é muito comum ouvirmos falar na interação entre ‘sexualidade e deficiência’ quase que exclusivamente sob um registro biomédico. O discurso e investigação biomédica da sexualidade humana recebe o nome de sexologia. A sexologia, genericamente falando, é parte de uma rede de estudos ampla sobre o comportamento humano que parte do pressuposto que os indivíduos são movidos por necessidades fisiológicas universais como comer, dormir, cagar, mijar e fazer sexo.  É por isso que historicamente partimos do pressuposto que as pessoas com deficiência possuem ‘incapacidades naturais’ para o seu suposto problema com a sexualidade.
Durante muito tempo, como mostrei na postagem passada (https://desintegracoes.wordpress.com/2016/10/26/qual-e-teu-problema-a-deficiencia-como-duvida/ ), a deficiência foi única e exclusivamente interpretada como um problema anatômico e fisiológico, o que a relegou aos domínios médicos da reabilitação e da correção do corpo ‘incapaz’. Quando os movimentos de pessoas deficientes começaram a se tornar visíveis na segunda metade do século XX, essa noção de que a deficiência é algo natural, algo que sempre se define no corpo do indivíduo como uma falha\defeito, foi desestabilizada.
Isso se deve ao fato da militância antirracista, dos movimentos feministas e dos movimentos de liberdade sexual terem questionado, ao longo do século passado, o próprio estatuto natural dos corpos e de práticas afetivas e eróticas centradas em aspectos hierárquicos e segregacionistas de gênero, raça e desejo. Fundamentalmente, essas mobilizações mostraram o caráter histórico e político dos níveis mais íntimos das relações humanas. Uma vez que nos atraem coisas que podem estar a nosso alcance, mesmo que em projeção, o nosso próprio gosto possui condicionantes sociais e culturais que vão nos permitir achar alguém feio, bonito, interessante, amigável etc. Em suma, relacionar-se erótica e afetivamente com alguém vai muito além de um suposto ‘instinto sexual’. Então, fica a pergunta, como as pessoas deficientes podem ser um ‘objeto de desejo’ se elas não estão em plena ‘circulação erótica’ no mundo?
Em uma de suas apresentações, a pesquisadora Andrea García-Santesmases Fernández disse algo que me marcou: que um documentário como Yes, We Fuck! ‘não surge do nada’. Isto quer dizer que por mais que a deficiência entrelaçada ao sexo e sua prática teimam em aparecer de forma inacreditável e espetacular no ‘senso comum’, existem inúmeras negociações cotidianas sendo feitas por pessoas deficientes há muito tempo com vistas a terem sua sexualidade reconhecida e possível de ser praticada. Dizer ‘Sim, nós fodemos!’, vai muito além do orgasmo momentâneo; é uma nova maneira de se colocar em perspectiva sexo-política com o mundo; como dizem os espanhóis: é uma nova maneira de imaginar e fantasiar a deficiência.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: a vontade de saber. São Paulo: Graal, 2005.
GARCÍA-SANTESMASES, Andrea; BRANCO DE CASTRO, Carolina. Fantasmas y fantasías: controversias sobre la asistencia sexual para personas con diversidad funcional. Pedagogia i Treball Social. Revista de Ciències Socials Aplicades. Vol. 5, No 1 (2016). Disponível em: < http://ojs.udg.edu/index.php/pedagogia_i_treball_social/article/view/252/303 >
GAVÉRIO, Marco AntonioMedo de um Planeta Aleijado? – Notas Para Possíveis Aleijamentos Da Sexualidade. Áskesis. v. 4 n. 1, janeiro/junho – 2015. Disponível em:  < http://www.revistaaskesis.ufscar.br/index.php/askesis/article/view/29
*Agradeço imensamente à Andrea García-Santesmases Fernández pelas sugestões feitas em versão prévia desse texto.
[i] As pessoas que se atraem sexualmente por pessoas deficientes são chamadas de devotees. As pessoas sem deficiência que buscam infligir voluntariamente uma deficiência em seus corpos são conhecidos como wannabes. Em minha atual pesquisa de mestrado faço uma análise de artigos científicos que buscam explicar esses comportamentos.
[iii] Os eventos aconteceram no dia 6 de setembro na UFSCar e no dia 21 na UNICAMP. Na UFSCar, instituição na qual estou ligado, o debate foi iniciativa do Departamento de Sociologia, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Grupo de pesquisa sobre Sexualidade e Entretenimento (SEXENT), sob orientação do Prof. Dr. Jorge Leite Júnior. Na UNICAMP o debate foi promovido pelo Núcleo de Estudos de Gênero PAGU e fez parte do evento: Diálogos entre deficiências e questões trans: saberes, direitos e políticas e sua programação pode ser vista aqui neste link: < http://www.pagu.unicamp.br/pt-br/dialogos-entre-deficiencias-questoes-trans-saberes-direitos-politicas >
[iv] para uma introdução provisória de como o ativismo queer se mescla ao ativismo deficiente ver meu artigo GAVÉRIO, 2015.
[v] Recentemente o Memorial da Inclusão do estado de São Paulo promoveu um debate com a participação de De Paula e Munhoz sobre o movimento Yes, We Fuck! em uma mesa chamada Deficiência e os direitos reprodutivos e sexuais. A programação desse evento está no seguinte endereçohttp://www.memorialdainclusao.sp.gov.br/mesas-redondas-estudos-sobre-a-deficiencia/
[vi] Existe uma diferença entre assistentes sexuais e terapeutas sexuais. E ainda essas duas categorias se diferenciam das categorias mais amplas de prostituição. Há um grande debate sobre esse assunto e recomendo a leitura de García-Santesmases e Branco de Castro (2016) para um panorama dessas diferenças. Recentemente o filme hollywoodiano As Sessões (dir.: Be Lewin; 2013) representou a vida do poeta e ativista deficiente Mark O’Brien e suas primeiras experiências sexuais que aconteceram através de uma terapeuta sexual. Basicamente a terapia sexual envolve práticas sexuais entre o terapeuta e o paciente a fim de tornar este capaz de reconhecer em si, e no outro, maneiras de produzir prazer. Mark O’Brien era severamente deficiente devido à poliomielite.

Herdeiros não têm legitimidade para impugnar reconhecimento de paternidade

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os herdeiros não são parte legítima para impugnar o reconhecimento de paternidade. Com esse entendimento, os ministros julgaram extinto um processo movido na Justiça do Paraná por irmãos que pretendiam declarar inexistente o vínculo de filiação e anular o registro de nascimento de uma irmã.

Após um relacionamento amoroso, um homem assumiu a paternidade de uma filha, mesmo sem evidências que comprovassem o vínculo biológico. Em 2004, exame de DNA comprovou que ele não era pai biológico da menor. Mesmo assim, ele não ajuizou ação para anular a paternidade.

Após sua morte, os demais herdeiros ingressaram com ação para anular a paternidade. A filha alegou em sua defesa que o suposto pai praticou ato consciente e voluntário para assumir a paternidade e que os dois mantinham laços afetivos.

Legitimidade
O juízo de primeiro grau extinguiu o processo, sem julgamento do mérito, porque não reconheceu a legitimidade ativa dos herdeiros. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), no entanto, acolheu o apelo dos outros filhos, declarando a inexistência da paternidade e a nulidade do registro de nascimento.

Inconformada, a menor recorreu ao STJ. Alegou que "cabe somente ao pai contestar a paternidade do filho por meio de ação negatória, por se tratar de direito personalíssimo, restando aos demais interessados apenas a via anulatória quando o ato de reconhecimento não for juridicamente válido".

O caso foi relatado pelo ministro Marco Buzzi, para o qual “somente o pai registral tem legitimidade ativa para impugnar o ato de reconhecimento de filho, por ser ação de estado, que protege direito personalíssimo e indisponível do genitor”.

Livre manifestação
Para o relator, a paternidade biológica em registro civil, feita de “livre manifestação”, ainda que negada por exame de DNA, “não pode ser afastada em demanda proposta exclusivamente por herdeiros, principalmente havendo provas de laços afetivos entre pai e filha. O ministro ressaltou que, mesmo ciente do resultado do DNA, o pai não adotou qualquer medida para negar a paternidade.    

“A divergência entre a paternidade declarada no assento de nascimento e a paternidade biológica não autoriza, por si só, a desconstituição do registro, que somente poderia ser anulado uma vez comprovado erro ou falsidade, o que, no caso, inexistiu”, salientou Buzzi.

O relator julgou extinto o processo, sem resolução do mérito, por considerar a ilegitimidade dos herdeiros, restabelecendo assim a sentença do juízo de primeiro grau, decisão que foi acompanhada por unanimidade pelos demais ministros da Quarta Turma.

O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial.

sábado, 26 de novembro de 2016

Mais concorrido que a USP: por que tantas mulheres querem entrar no Exército?

  • 24 novembro 2016

Jovens fazem prova, em Campinas (SP)Image copyrightSEÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - ESPCEX
Image captionMais de 7,7 mil jovens se inscreveram para as 40 vagas reservadas pela primeira vez às mulheres na Escola Preparatória de Cadetes do Exército

A primeira seleção de mulheres para as escolas de preparação para funções de combate no Exército já pode ser considerada um sucesso: a concorrência é tanta que gerou uma relação candidato por vaga superior às das carreiras mais procuradas no vestibular da USP, um dos principais do país.
Mais de 7,7 mil jovens se inscreveram para as 40 vagas reservadas às mulheres na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, porta de entrada para a carreira de oficial na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras, o ensino superior dos militares).
Com isso, são 192 candidatas disputando cada vaga - a seleção ainda não chegou ao fim. Na escola de sargentos, que também abre suas portas a elas pela primeira vez, a relação é de 179/1.
Para comparação, o curso mais concorrido da Fuvest 2017 - Medicina em Ribeirão Preto - teve 6,8 mil candidatos inscritos para 90 lugares, ou 70,5 por vaga.
Mas por que tantas mulheres querem se tornar oficiais do Exército?
"Meu pai fez serviço militar. No último ano do colégio, os meus amigos começaram a se alistar e passei a vê-los correndo todos os dias de manhã fazendo exercício. Eu moro na frente do quartel e eles passam correndo na rua fazendo Educação Física", responde a candidata Andressa Muniz, de 19 anos.

Andressa Muniz (à esq.) e Isabela Caldas
Image captionAndressa Muniz (à esq.) e Isabela Caldas quererem uma carreira cheia de ação

"É uma profissão que eu idolatro bastante. Fui conversar com um sargento do quartel e ele me explicou sobre a estabilidade da carreira. Mas o meu interesse não é só nisso, mas tem também a questão da patente, a questão do respeito dos homens."
Andressa diz ter esperança de que, como oficial do Exército, seja mais respeitada em uma sociedade na qual ainda há muita discriminação contra as mulheres.
"Não digo que estou lutando contra o machismo. Mas entrando no Exército eu calaria a boca de muitas pessoas que dizem que mulher não serve para ser militar, para ser infante", afirma.
"Os homens começam a ver a gente de forma diferente. Na rua, uma mulher de farda é muito mais imponente. Eles vão olhar e pensar: 'ela deve se esforçar da mesma forma que os homens'."

Ação

A dedicação é tanta que Andressa frequenta um cursinho dedicado aos concorridos processos seletivos das escolas militares. E ela não é a única mulher ali.
A BBC Brasil conversou com um grupo de jovens que estuda no curso preparatório General Telles Pires, no centro de São Paulo. Todas apontam a possibilidade de ter um futuro emocionante - longe dos escritórios, por exemplo - como um atrativo da carreira militar.

Letícia Martins (à esq.) e Daniela Petrosino (à dir) em sala de aula no curso preparatório
Image captionLetícia (à esq.) e Daniela estudam para um concurso que tem concorrência de 192 candidatas por vaga

"Fiquei empolgada com a possibilidade da ação", diz Daniela Petrosino, de 15 anos. Uma vontade que, segundo a mãe, vem de longe.
"Eu não me envolvi, foi decisão dela. Ela fala disso desde pequena, então agora não tenho medo e dou muito apoio", conta Patrícia Petrosino.
As jovens já têm, inclusive, planos sobre quais carreiras querem seguir caso consigam ser aprovadas.
"Queria a Artilharia porque tenho mais interesse na ação do que nas atividades da Intendência (logística e administração)", diz Letícia Martins, de 16 anos - uma vontade compartilhada pela colega Daniela.
Andressa, por sua vez, sonha com a Infantaria, e Isabela Cristina Carleto Caldas, de 19 anos, com a Cavalaria.

Limitações

Mas ainda há um obstáculo: nenhuma das carreiras desejadas pelas jovens está aberta às mulheres, ao menos por enquanto.
Neste primeiro concurso, as oficiais poderão chegar apenas à Intendência e ao Quadro de Material Bélico - função relacionada à logística ligada a armamentos, veículos e aeronaves.
As candidatas a sargento, por sua vez, poderão atuar na área técnico-logística (manutenção de armamentos, equipamentos de comunicação, veículos e aeronaves e funções de Intendência e topografia).

Candidatos fazem prova na Escola Preparatória de Cadetes do ExércitoImage copyrightSEÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - ESPCEX
Image captionMulheres podem se tornar aspirantes a oficiais em funções de combate a partir de 2021

O Exército garante que isso não significa que elas assumirão papéis apenas secundários. Mas ansiosa pela ação, Isabela diz ter um plano:
"No ano que vem vou fazer prova para Quadro de Material Bélico. Quando eu já estiver lá dentro vou tentar fazer cursos mais ligados ao combate. Eu quero a especialização em 'Defesa Química, Biológica e Nuclear'", conta, citando a área que lida com a possibilidade de ameaças dessa natureza.
"Em geral, biologicamente o corpo do homem é mais forte que a mulher, mas isso não quer dizer que não haja mulheres melhor preparadas fisicamente que muitos homens", acrescenta.
"Não é só o físico que importa, há todo o lado psicológico. Não é o corpo que manda, e sim a cabeça. Se a pessoa leva um tiro na perna em uma batalha e é emocionalmente forte, não vai se dar por vencida."
O Exército afirma que, ao decidir incorporar mulheres nessas novas vagas, fez adaptações nas normas e nas instalações - como criar uniformes, alojamentos e banheiros específicos, além de padrões para o penteado e para o tamanho do cabelo e regulamentações sobre uso de pulseiras, anéis, brincos, maquiagem, correntes e bolsas.
"O Exército acompanha de forma permanente a evolução da sociedade brasileira, buscando adequar-se às novas necessidades e anseios da mesma", disse a instituição em nota à BBC Brasil.
As jovens que passarem no concurso deste ano poderão se tornar aspirantes a oficial em 2021. A primeira general, porém, pode surgir apenas em 2051.

Crise e carreira


Candidatos fazem prova na Escola Preparatória de Cadetes do ExércitoImage copyrightSEÇÃO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - ESPCEXESPCEX
Image captionMulheres oficiais terão acesso a carreiras relacionadas a administração e logística

Clodoaldo de Souza, professor de matemática e coordenador do cursinho, conta que as mulheres representam entre 10% e 15% dos alunos. Mas ele diz acreditar que essa porcentagem vai aumentar agora, com a abertura das carreiras.
"Elas costumam ser mais aplicadas e concentradas que os rapazes", elogia.
"A maioria começa a estudar com 15 ou 16 anos, porque podem prestar concurso logo que acabam o ensino médio. Elas geralmente chegam um pouco mais maduras que eles, sabendo o que querem."
Na avaliação de Souza, a estabilidade de um emprego público é um dos maiores atrativos.
Nelson Marconi, professor de economia da FGV e PUC-SP, afirma que, em meio à atual crise econômica, boa parte das carreiras públicas se tornou uma opção ainda mais atraente para jovens profissionais.
Isso porque, explica, oferecem salários iniciais mais altos e estabilidade, algo difícil de se conseguir como iniciante no setor privado.
"Há uma oferta de emprego menor no setor privado, e os salários estão se deteriorando", diz o professor. Ele acrescenta que essa queda nos níveis salariais é menor no serviço público.
Muitos candidatos de concursos, porém, já se preocupam com uma possível mudança nesse cenário: a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, que pretende amenizar o rombo nas contas públicas ao estabelecer um teto para o crescimento das despesas federais por 20 anos.

Clodoaldo de Souza, coordenador do Curso General Telles Pires
Image captionSegundo professor, meninas estão começando a se preparar para a carreira militar por volta dos 15 anos de idade

Marconi, porém, minimiza esse risco.
"A maior parte das carreiras públicas têm remuneração melhor que a do setor privado. (A política de austeridade) pode diminuir um pouco o poder de compra, mas ele não será depreciado a ponto da carreira não ser atrativa."
O que pode ocorrer, na opinião do especialista, é uma eventual diminuição no número de vagas nos concursos.

Resistência familiar

O Exército começou a aceitar mulheres em 1992, na chamada "linha não bélica". Elas se formavam no ensino convencional em áreas como administração, comunicação e saúde e depois eram integradas à instituição - mas não podiam chegar aos postos mais altos.
"Sonho desde pequena em ser militar, era louca para seguir a carreira, mas mulheres não podiam entrar no Exército. Eu entrei na faculdade de enfermagem pensando em entrar no Exército depois", conta Isabela.
"Eu estava com a minha vida pronta: trabalhava e fazia faculdade. Mas quando soube dessas vagas larguei tudo e vim para o cursinho."
Filha de um engenheiro químico e de uma protética, ela conta que precisou vencer a resistência deles.
"Não tenho militares na família, e no começo meus pais não gostaram. Acho que é porque meu pai é muito protetor, não queria que eu ficasse longe e pensou que eu poderia sofrer", diz.
"O meu namorado é da Aman. Nos primeiros três meses ele foi contra, mas depois começou a me incentivar. Ele queria me proteger porque sabia das dificuldades, como ficar longe de casa e da família."

BBC