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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Gâmbia, na África, proíbe mutilação genital feminina

País africano ostenta um dos maiores índices de vítimas do procedimento, principalmente entre mulheres entre os 15 e 49 anos, segundo Unicef

25/11/2015 -  por Redação Marie Claire

IMAGEM USADA EM CAMPANHA CIRCULADA NA EUROPA EM COMBATE À MUTILAÇÃO GENITAL  (Foto: divulgação)
IMAGEM USADA EM CAMPANHA CIRCULADA NA EUROPA EM COMBATE À MUTILAÇÃO GENITAL  (Foto: divulgação)

O presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, anunciou uma nova lei que vai proibir a mutilação genital feminina no país, uma prática que afeta mais de 130 milhões de mulheres no mundo inteiro, a maioria na África e Oriente Médio.

Em seu pronunciamento, Jammeh disse que a prática deve ser banida do país com uma lei de efeito imediato, embora não tenha deixado claro quando a nova legislação entra em vigor, segundo o diário inglês Metro. Alvo de campanhas de ativistas, na Gâmbia a mutilação genital atinge 76% das mulheres.

"Estou realmente impressionado que o governo tenha feito isso. Não esperava uma notícia como essa nem em um milhão de anos. Estou orgulhoso do meu país e muito feliz", disse o ativista anti-mutilação Jaha Dukureh ao The Guardian.

A mutilação genital feminina, ou FGM (na sigla em inglês) é a remoção dos grandes lábios e do clitóris feita em muitas mulheres, geralmente ainda meninas, por motivos religiosos. O procedimento, feito com instrumentos rústicos como lâminas ou facas, causa sangramento, infecções e problemas de saúde e psicológicos que acompanham as vítimas a vida inteira.

O apoio a campanhas anti-FGM cresceu nos últimos anos na Gâmbia, país que, segundo o Unicef, figura entre os que ostentaram os maiores índices de vítimas de mutilação entre 2013 e 2014, sobretudo entre mulheres de 15 a 49 anos. 

Empresárias se unem e financiam investigação de mais de 10 mil casos de estupro nos EUA

Mulheres de negócios como Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook, se uniram para melhorar o sistema judicial de Detroit. Os resultados já começaram a aparecer

13/11/2015 -  por Redação Marie Claire
Kym L. Worthy decidiu que todos os kits deveriam ser testados, mesmo os mais antigos (Foto: Reprodução/Youtube)
Kym L. Worthy decidiu que todos os kits deveriam ser testados, mesmo os mais antigos 
(Foto: Reprodução/Youtube)

Em 2009, uma assistente de promotoria do condado de Wayne County descobriu milhares de kits de estupro empilhados nas prateleiras de uma sala do Departamento de Polícia de Detroit, nos Estados Unidos, por cerca de 30 anos. Os kits são usados para coletar e armazenar provas em DNA obtidas em exames do corpo de delito de vitimas de violência sexual. O material encontrado nunca havia sido levado para investigação.

Com a descoberta, Kym L. Worthy, chefe de gabinete da promotoria do condado de Wayne, soube que todos precisariam ser testados. "Queria tentar trazer justiça para cada uma daquelas vítimas", contou ao jornal "The New  York Times".

Mas havia o grande desafio financeiro de 27 milhões de dólares. "Não tínhamos recursos, dinheiro e apoio do condado de Wayne", disse Worthy, que buscou doações em ONG's, grupos, no governo  e até na TV para fazer o teste de mais de 10 mil kits.

A empresária Joanna Cline viu Worthy debatendo o tema em um programa de TV e ficou "furiosa" com a situação. Ela enviou um email para cerca de 200 empresários da região para que agissem de alguma forma. Dezenas de cidades acabaram, também, descobrindo kits de estupro que nunca foram analisados, porém elas não estavam na mesma situação crítica de Detroit, que declarou falência em 2013.
Sheryl Sandberg  foi uma das empresárias que disponibilizaram recursos para o financiamento (Foto: Reprodução/Facebook)
Sheryl Sandberg  foi uma das empresárias que disponibilizaram recursos para o financiamento (Foto: Reprodução/Facebook)

"Nós provavelmente temos recursos para fazer algo e mostrar que as vítimas importam, mostrar aos acusados que eles não sairão impunes e tornarmos a cidade mais segura", pensava a empresária na época.

Seu email estimulou um pequeno grupo de empresários de Detroit  a arrecadarem dinheiro para o teste dos kits. Como a indignação pública cresceu, uma iniciativa público-privada chamada Enough SAID foi criada para solucionar a crise do sistema criminal. A entidade recebeu milhões de dólares de empresárias mulheres para conceder dinheiro para comprar mais kits e contratar outros investigadores. Sheryl Sandberg, chefe operacional do Facebook, foi uma delas.

Os resultados em pouco tempo já começaram a aparecer. Desde a criação da entidade, a promotoria de Detroit identificou 652 suspeitos de abusos sexuais e condenou 27 pessoas. Além disso, 182 casos estão sendo investigados e 1598 estão na lista.

Mulheres que tiveram dentes quebrados por companheiros relatam como voltaram a sorrir

30/11/2015 06h01 -  por Letícia González

Violentadas por namorados e maridos, vítimas perderam dentes e tiveram ossos da boca quebrados. Com ajuda de ONG, reconstruíram o sorriso e a vontade de viver; veja antes e depois

Na manhã do último dia 25 de outubro, a recepcionista Regiane Oliveira, 40 anos, quebrou o silêncio de uma sala cheia de adolescentes numa escola da região central de São Paulo. “Todo mundo virou pra me olhar”, conta. É que, assim que abriu sua apostila do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, a paulista, que no dia usava cabelo curto estilo Joãozinho e batom cor de café, deu uma risada alta. Pudera. Este ano, o Ministério da Educação propôs para a redação um assunto de seu inteiro conhecimento: a violência contra a mulher.

Outro silêncio, bem mais pesado, Regiane rompera três anos antes, quando contou a uma psicóloga de um centro social o que sofria nas mãos do irmão, viciado em drogas. De tanto receber chutes e socos, perdera os dentes da frente e mergulhara num ostracismo cruel: sem trabalho e sem amigos, quase não saía de casa. “Me penteava pela sombra, para não olhar no espelho. Minhas filhas pediam que eu ficasse calada nas reuniões da escola.”

Foi com um “hum hum” que ela disse a uma assistente social querer, sim, participar de uma seleção para tratamento dentário. Os custos seriam pagos pela Turma do Bem (TdB), ONG que reúne 16 mil dentistas no país e que foca no atendimento gratuito a jovens de 11 a 18 anos.

Em 2012, a entidade passou a beneficiar também mulheres vítimas de violência doméstica por meio do projeto Apolônias do Bem, e foi assim que a vida de Regiane mudou. Com a arcada reconstruída, ela se tornou recepcionista da ONG e retomou os estudos – quer fazer faculdade de serviço social e poder, assim, ajudar outras vítimas.

Das 4.762 mulheres assassinadas no Brasil em 2013, mais da metade morreu pelas mãos de um familiar direto. Nos hospitais e postos de saúde, no ano passado, outras 127 mil feridas tiveram a coragem de dizer quem as machucou: homens que deveriam amá-las.

Os dados mostram que, enquanto o crime organizado mata rapazes nas ruas como numa guerra civil, o massacre feminino ocorre em casa. Segundo o Mapa da Violência, levantamento feito pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e divulgado no mês passado, o país é o quinto mais perigoso para as mulheres. Só não somos piores que El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. 

Em seu terceiro ano, o Apolônias já reconstruiu a dentição de 650 mulheres. Seu fundador, o dentista Fábio Bibancos (que conta com amigos como Luciano Huck, Ana Paula Arósio e Fábio Assunção para catapultar a popularidade de sua ação), diz que ainda é pouco para a realidade brasileira.

“O Estado deveria fazer isso. Não há trabalho psicológico que resolva a marca de uma porrada na boca.” Os resultados são contundentes como as imagens destas páginas, que mostram diferentes momentos de seis contempladas pelo projeto. A seguir, um pouco de suas histórias.

Marilene Moreira dos Santos
45 anos, faxineira
“Meu namorado tinha 21 anos e eu, 14. Na primeira vez que avançou em mim foi de supetão, na volta do trabalho, e não parou mais. Ele me batia e me deixava trancada em casa por semanas. Na rua, me puxava pela mão como se eu fosse uma coisa – eu só podia caminhar ao seu lado. Aos 17, num ato de desespero, me joguei de um ônibus em movimento para me suicidar. Lembro do olhar fulminante que ele me deu quando, no hospital, o médico perguntou o que havia ocorrido.

Sempre gostei de bolos e, numa noite de São João, fui com a prima dele a uma quermesse comer um pedaço. Ele sabia, mas ficou irritado. Quando voltei, me esperava com um doce de chocolate sobre a mesa e um pau para me bater. A cada golpe, esfregava na minha boca um naco do bolo, que ia se misturando com sangue. Só consegui fugir cinco anos depois, aos 19, quando ele esqueceu a porta aberta e eu corri para a casa da minha mãe. Brigamos pela guarda dos nossos filhos [Fernando, hoje com 25, e Fernanda, 23] na Justiça. Ele acabou criando meu menino.

Conheci meu atual marido há dois anos e, às vezes, não sei lidar com tanto carinho que recebo. Nunca tive isso na vida! Quando me pediu em casamento, respondi que só aceitaria se um dia tivesse meus dentes de volta. Isso aconteceu em setembro, graças ao trabalho da ONG. No último dia 22, meu aniversário, nos casamos.”

Claudiane Rosa Ângelo
37 anos, babá
“Não gosto de falar das agressões que sofri. Fiquei deprimida por muito tempo e, ainda hoje, uma grande tristeza me invade. Tive um casamento bom até que, depois de muitos anos juntos, meu ex começou a beber. As brigas se tornaram frequentes e evoluíram para o físico. Meus dentes foram ficando frouxos e precisei arrancálos, um por um. É ruim demais não ter vontade de levantar da cama e passar o dia em casa, sem forças. Já fui chamada de preguiçosa por isso.

Só acreditei que teria meu sorriso de volta quando, três meses atrás, sentei na cadeira da dentista voluntária. Não foi fácil. O molde inicial não encaixou, pois o osso do meu céu da boca estava todo quebrado e foi preciso reconstruí-lo por inteiro. Passei por uma cirurgia, me alimentei de sopas e tive muita, muita dor. Mas tudo valeu a pena. Ainda estou desempregada e não vejo a hora de voltar a ser babá.”

Ruth Orozco
36 anos, costureira
“Saí da Bolívia com meu marido aos 21 anos rumo ao Brasil. A proposta parecia boa: trabalhar numa oficina de costura em São Paulo, terminar os estudos e ter moradia garantida. Era tudo mentira. Quando chegamos, o casal de bolivianos que nos ‘contratou’ confiscou nossos documentos, me colocou na cozinha e nunca nos pagou.

As jornadas de trabalho duravam mais de 16 horas. Quando saía do fogão, me unia ao pessoal das máquinas de costura. Engravidei da nossa primeira filha nesse ambiente e não tinha permissão para ir ao médico nem telefonar para minha família. Tentaram me estuprar mais de uma vez, quando meu marido estava longe. Me defendia aos gritos e, uma vez, até com um cabo de vassoura.

‘Você se maquia demais’, disse a dona do local quando reclamei dos abusos. Passei a andar suja, desarrumada. Ganhei algumas cáries e, assim, vi meu sorriso se esburacar. Fiquei sete anos trabalhando como escrava. Conseguimos sair depois de uma pequena greve, quando a oficina já se desmantelava, após várias revoltas.

Em 2015, ganhei minha nova dentição. Por causa da violência, nunca mais quis ter um patrão. Hoje trabalho sozinha, costurando e desenhando roupas com meu estilo.”

Lauriete Martins
62 anos, aposentada
“Quando nos conhecemos, meu atual marido pensou ter causado uma péssima impressão em mim. É que eu estava monossilábica, sem olhar nos olhos dele nem sorrir. Era o meu jeito, eu dizia. Mas não era. Depois de muitas tentativas, ele matou a charada. ‘Você não fala comigo porque não tem dentes.’ Era isso mesmo. Recuperá­­­­­­­­­­‑los este ano foi essencial para minha autoestima, mas não só. Passei também a mastigar a comida e, em menos de dois meses, emagreci 6 quilos. Isso ameniza minhas dores nos quadris.

A falha que eu tinha na arcada era só uma das marcas que meu primeiro marido deixou. Foram 26 anos de abusos constantes, seguidos de ameaças de morte caso eu o denunciasse. Ele tinha um ciúme doentio, capaz de destruir a casa (e a mim) por um batom. Quando desenvolvi um câncer no útero, prestes a completar 40 anos, passei a recusá-lo na cama, o que o enfureceu. Ele dizia que eu estava dormindo com outros homens.

A pior surra foi planejada, com tapumes pregados nas janelas para que ninguém pudesse me socorrer. Quando voltei do trabalho sem perceber a armadilha, me atacou. Ele bateu na minha cabeça com um martelo e tomou remédios para se suicidar. Depois disso, consegui dar um basta final. Ele passou os nove anos seguintes pedindo para voltar. Não quero nunca mais vê-lo.”

Maria do Carmo Ferreira
66 anos, revendedora
“Meu pai era mau. Quando nasci, em Quipapá, no interior de Pernambuco, impediu minha mãe de me alimentar. De tanto berrar de fome, chamei a atenção da vizinha, que implorou para cuidar de mim. ‘Joga num poço’, disse ele. Sobrevivi e, aos 5 anos, mudei com toda a família para São Paulo. Aos 14, meu pai me obrigou a casar com um homem muito mais velho.

Tive seis filhos com esse carrasco, sob pancadas e ameaças de morte. Ele me jogava na parede e eu rezava para não cair no chão, pois seria o meu fim. A irmã dele morava ao lado e o incitava: ‘Mata ela, mata ela!’. Eu me defendia com pedaços de madeira que usava no fogão a lenha. Saía de casa com meus filhos e caminhava quilômetros para fugir. Ele nos achava e mandava voltar, com o revólver na cintura.

No início de 2015, consegui provar as agressões e um oficial de Justiça o expulsou da minha casa. Me senti um bebê, nascendo de novo. Pulava de alegria. Quando fiz o tratamento, em setembro, chorei ao ver meus dentes no espelho. Pensava: ‘Meu Deus, será que morri ou estou sonhando?’.”

Filme "Em três atos", de Lucia Murat

Sinopse
“Quando uma intelectual de 80 anos  é confrontada com questões da velhice e da morte, ela se vê 30 anos antes  enfrentando a morte de sua mãe. De forma poética, "Em Três Atos" contrapõe dança contemporânea, através de uma bailarina de 85 anos  e uma jovem bailarina em seu auge , com diálogos inspirados nos escritos de Simone de Beauvoir sobre a velhice e a morte. O projeto pretende revelar a crueza de um corpo velho, e lida com a diferença entre a experiência de perder alguém para a morte e o medo de morrer. "Em Três Atos" é um filme sobre o ciclo da vida, que trabalha o “corpo” através do espetáculo de dança contemporânea e a “palavra” a partir de textos de Simone de Beauvoir, uma das intelectuais que mais refletiu sobre o tema do envelhecimento e da morte. Protagonizado por Angel Viana, um dos ícones da dança contemporânea nacional e que se apresenta no palco aos 85 anos, e Maria Alice Poppe, uma jovem bailarina no auge de seu vigor, o espetáculo de dança consegue contrapor sem clichês esses dois corpos.

No papel da intelectual aos 80 anos, que reflete sobre a velhice e a morte hoje está Nathalia Timberg e essa mesma intelectual, aos 45 anos, que vive a dor da morte da mãe, é interpretada por Andrea Beltrão.
Com uma proposta poética e lírica, “Em três atos” é um filme que trata de questões densas sob uma nova ótica.

Imagem de cena do filme Em três atos, de Lucia Murat
Nota da diretora
Simone de Beauvoir diz em uma de suas entrevistas que um dos motivos que a levou a escrever o livro “A velhice” foi por ela mesma estar vivendo esse momento e que, por isso, sentiu necessidade de investigar a situação dos velhos na sociedade. Pelo mesmo motivo, decidi fazer o filme “Em três atos”. Pela minha formação como cineasta e também por ter sido bailarina na adolescência pensei em tentar exprimir essa sensação contrapondo o “corpo” e a “palavra”.

A proposta do filme é muito mais levantar questões e apontar sensações do que dar respostas. Por isso, o que busco são as nuances e contradições observadas no corpo: a dor de ter perdido o vigor convivendo com a vida que está presente na velhice.

Sobre a palavra, a opção por trabalhar com textos de Simone de Beauvoir foi imediata. Não somente por ela ter escrito e pensado sobre o tema, mas também por ter sido uma das intelectuais mais importantes da minha geração.

Já conhecia o livro “A velhice”, onde a questão é tratada aprofundadamente mas, ao realizar a pesquisa, fiquei encantada com as muitas entrevistas que ela tinha dado sobre o tema. A vantagem de trabalhar com as entrevistas é que elas têm uma vivacidade maior para serem reproduzidas na tela do que um texto feito para ser lido.

Durante o trabalho de pesquisa, me foi sugerida a leitura de “Une mort très douce”, livro em que Simone de Beauvoir descreve a morte de sua mãe, já que a questão da morte está intrinsecamente ligada à questão da velhice. Desse trabalho surgiu a proposta do filme, em que o mesmo personagem aparece com 80 anos e com 50 anos, sendo que os textos dessa segunda parte se baseiam no livro “Une mort très douce”.

Do ponto de vista dramático, o personagem ganhou assim uma força considerável pois ele é visto nesses dois tempos: hoje, aos 80 anos, refletindo sobre a velhice e a sua morte, e aos 50 anos, experimentando a dor da morte da mãe. O contraste entre os dois momentos humaniza e traz mais complexidade ao personagem.

Mas persistindo na idéia de trabalhar também visualmente sobre a questão do corpo, decidi acrescentar duas bailarinas, Angel Vianna e Maria Alice Poppe que realizam uma performance contrastando seus corpos.

A força do espetáculo está não somente no vigor e capacidade técnica de Maria Alice, mas principalmente no despudor com que Angel se entrega no palco com seus 85 anos, sem intimidação.

Com isso, nós passamos a trabalhar com 4 personagens. A intelectual em dois momentos e as duas bailarinas. Entrecruzar esses personagens é o trabalho desse filme, que se define numa proposta presente no cinema contemporâneo, trabalhando com a liberdade que o tema exige.

Lucia Murat

Mulheres Inspiradoras de 2015 – e uma surpresa

Este foi um ano muito especial para as mulheres brasileiras. Ainda que tenham sofrido ataques diretos à própria autonomia e liberdade e assistido retrocessos políticos inexplicáveis, este também foi um período em que elas tomaram as ruas para dizer basta a tudo isso; em que compartilhamos suas histórias por meio de hashtags, descobrindo que não estão sozinhas no sofrimento pessoal com que o machismo as aflige; elas viram, ainda, o principal exame de acesso ao ensino superior abraçar as pautas feministas.
Tudo isso foi capa de jornais e manchetes em grandes portais. E ficou registrado também em números e recordes. Aqui, a nossa surpresa: a Agência Ideal, em parceria com o Think Olga, realizou um estudo cujos resultados nos orgulham e emocionam. São dados que refletem a força do que estamos construindo juntas, nas ruas e na internet.
Observando a tendência dos termos “feminismo” e “empoderamento feminino”, observa-se um salto nítido no interesse por ambos esse ano. Vale lembrar que o ENEM aconteceu em outubro, mas esse pico no período só foi possível pelo aumento perene da popularidade do termo nos últimos meses.
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Já o empoderamento feminino era algo sobre o que pouco se falava até março do ano passado. Desde então, o crescimento foi constante: um total de 354,5% a mais em buscas no Google com esse termo. Em números gerais: até 2014, foram 3.960 buscas e, em 2015, foram 18.000 até o momento. A produção de conteúdo contendo a expressão “empoderamento feminino” em matérias de mídia tradicional e em blogs cresceu 137%! Em 2014 ao todo, a expressão foi usada em 261 matérias de imprensa enquanto em 2015, até agora, já foram 724 (crescimento de 177%). Em blogs, o crescimento da produção de conteúdo não fica muito atrás. Foram 248 blog posts com essa expressão no ano passado e 483 até esse momento de 2015 (crescimento de 95%).
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Tudo isso aconteceu graças às mulheres incríveis que, seja militando pela causa feminista, ou simplesmente arrasando nas mais diversas áreas do conhecimento, ajudam a mostrar a força das mulheres e a sua capacidade de brilhar muito, sempre e em todo o lugar, muito além dos papéis que tradicionalmente as destinam.
Reunimos aqui quase duas centenas delas para mostrar que existem muitos exemplos positivos de mulheres para inspirar e apontar novos caminhos. Não se trata de uma premiação, tampouco de uma lista definitiva (sabemos que ficam de fora muitas outras mulheres incríveis as quais vocês podem nos ajudar a completar ao divulgar este documento). Trata-se sim de uma referência geral de histórias e trabalhos femininos que se destacaram em 2015 e fizeram dele o grande ano que está sendo – e que será eternizado como o ano da Primavera Feminista. Obrigada, mulheres!

MULHERES INSPIRADORAS DE 2015

ARTE & ENTRETENIMENTO

Andressa Cor – Curitibana residente em Los Angeles é diretora de fotografia para cinema. “Stealth”, sua tese de mestrado na área, venceu o Student Emmy e o Student Academy Awards 2015 e ganhou menção honrosa no Festival de Cannes.
Anna Muylaert – Diretora do premiado “Que Horas Ela Volta?”, candidato brasileiro ao Oscar 2016. A repercussão do filme levantou a discussão sobre o machismo e a representatividade feminina na indústria cinematográfica.
Berna Reale – Artista paraense, realizadora de instalações e performances, representou o Brasil na 56ª Bienal de Veneza. Também foi selecionada para o 34º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna (MAM).
Carol Rodrigues – Concebeu e dirigiu o curta sobre aborto “A Boneca e o Silêncio”, que conta a história de Marcela, uma menina negra de 14 anos que se torna dona de si e do seu corpo ao tomar a decisão de interromper uma gravidez indesejada. O curta ganhou diversos prêmios entre eles, melhor curta-metragem eleito pelo público no 6 FESTin (festival itinerante de língua portuguesa) e melhor curta-metragem, por escolha do Júri Oficial e do Júri Popular da ENTRETODOS 8 (festival de curtas de Direitos Humanos da cidade de São Paulo). Carol também disponibiliza o filme em centros culturais, sedes de movimentos sociais e de trabalhadores (as) e escolas públicas para debater aborto, gênero e raça.
Clarice Falcão – Lançou novo single, uma versão de Survivor da banda Destiny’s Child. O clipe faz referência à violência contra a mulher e à resistência feminina.
Diane Lima – Atua no eixo interdisciplinar entre a arte, o design e a educação, dedicando-se a atividades e projetos focados em discutir, desenvolver e difundir a diversidade brasileira. É diretora criativa do Instituto NoBrasil, uma plataforma que conecta pessoas que estão transformando o país através da criatividade. Lançou em maio, no TEDxSãoPaulo, a campanha artística Deixa O Cabelo da Menina no Mundo, que trabalha a auto-estima de meninas e mulheres negras e valoriza os fios crespos.
Kaol Porfírio – Ilustradora, desenvolvedora de jogos e gamer gaúcha, criou a série “Fight Like a Girl” (Lute Como Uma Garota), que destaca guerreiras inspiradoras. O desenho da ativista Malala Yousafzai foi compartilhado pela própria no Instagram de sua fundação, The Malala Fund.
Lucia Murat – Dirigiu o filme Em Três Atos, no qual revisita a obra de Simone de Beauvoir para fazer um mergulho no que significa ser idoso na sociedade contemporânea.
Nina Pandolfo – A artista de São Paulo (SP) foi a primeira brasileira a ter uma exposição de arte solo em uma galeria de Nova Iorque. A convite da Rivington Street Gallery, Nina criou um mural na cidade utilizando técnicas de grafite.
Nós, Madalenas – Em sessão gratuita na Casa de Lua, o coletivo lançou o documentário “Mucamas”, que trata do trabalho das empregadas domésticas por meio de entrevistas com as mães de cinco integrantes do grupo.
Nós, Mulheres da Periferia – O coletivo conseguiu financiamento pelo Programa de Valorização das Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo, e organizou a exposição “Quem Somos (Por Nós)”, que transformou em arte as histórias de mais de 100 mulheres envolvidas no projeto.
Petra Costa – Escreveu, produziu e dirigiu “Olmo e a Gaivota”, que aborda a maternidade a partir das transformações, medos e escolhas que ela impõe às mulheres. O filme foi eleito Melhor Longa-Metragem de Documentário pelo Júri Oficial no Festival do Rio 2015, e sua divulgação integrou virais defendendo o direito ao aborto.
Taís Araújo – Protagonizou o seriado “Mister Brau” na Rede Globo e está em cartaz com a peça “O Topo da Montanha”, sobre o ativista Martin Luther King Jr. Vítima de racismo nas redes sociais, denunciou seus agressores e não se deixou intimidar.
Internacional
Amandla Stenberg – Com apenas 17 anos, a atriz de “Jogos Vorazes” entrou para a lista de 100 Adolescentes Mais Influentes do Ano da Revista Time e se destacou pelo posicionamento antirracista nas mídias sociais, manifestando-se contra a apropriação cultural e o estereótipo da “mulher negra raivosa”.
Ava DuVernay – Diretora e roteirista norte-americana. Assina o filme “Selma”, sobre Martin Luther King. Pelo longa-metragem, Ava foi a primeira mulher negra a ser indicada ao prêmio Globo de Ouro e a primeira diretora negra a receber a indicação de Melhor Filme no Oscar 2015.
Gabourey Sidibe – A atriz norte-americana recentemente protagonizou uma cena de sexo explícito na série “Empire” ao lado do ator Mo McRae e sofreu ataques nas redes sociais por conta de seu físico, negro e gordo. Ela não se abalou e ainda inspirou a hashtag #MyFatSexStory (Minha Grande História de Sexo, no trocadilho em inglês), onde usuárias e usuários reagiam contra a gordofobia.
Jody Houser e Marguerite Sauvage – Roteirista e desenhista da Valiant, respectivamente, assinam a história em quadrinhos (HQ) “Faith”, da primeira heroínagorda. Chega às bancas no começo de 2016.
Leslee Udwin – Documentarista britânica, produziu durante dois anos e meio o dolorido, mas poderoso “India’s Daughter” (Filha da Índia). O filme conta a história da estudante de Medicina Jyoti Singh, vítima de espancamento e estupro coletivo em 2012.
Misty Copeland – Fez história em junho ao se tornar a primeira dançarina negra a assumir o posto de primeira-bailarina do prestigiado American Ballet Theatre. A ascensão de Misty ao topo da companhia marcou uma ruptura com o padrão tradicional do meio, dominado por corpos brancos e de físico esguio.
Shonda Rhymes – Produtora e roteirista norte-americana. Em 2015, três séries criadas e escritas por ela ‒ “Grey’s Anatomy”, “How to Get Away With Murder” e “Scandal” ‒ foram ao ar no mesmo dia da semana na emissora ABC e alcançaram sucesso absoluto. Todas são protagonizadas por mulheres, sendo duas das personagens negras.
Viola Davis – Primeira mulher negra a ganhar o Emmy de Melhor Atriz, por seu papel no seriado “How To Get Away With Murder”. No discurso de aceitação do prêmio, destacou a urgência de mais oportunidades às atrizes negras na indústria do entretenimento.

ATIVISMO & CIDADANIA

Alessandra Orofino – Fundadora da Rede Meu Rio, a maior plataforma de mobilização social da cidade. Nas mídias sociais e no meio offline, o grupo tem dado amplo destaque ao problema da violência contra a mulher, organizando ações contra projetos que endurecem a criminalização do aborto e denunciando as acusações de violência doméstica contra o Secretário de Governo Pedro Paulo, pré-candidato à prefeitura em 2016.
Anette Trompeter, Viviane Santiago e Monica Souza – A equipe da Plan International Brasil lançou a campanha “Quanto Custa? (Custa Caro)” para provocar o debate sobre a violência sexual contra meninas. A iniciativa levou o documentário “India’s Daughter”, de Leslee Udwin, à exibição em várias cidades do país.
Babi Souza – Criou o movimento Vamos Juntas?, que incentiva mulheres a oferecer companhia e apoio umas às outras em espaços públicos, aumentando a sensação de segurança e incentivando a parceria feminina.
Carolina Ferrés – A designer e ativista de São Paulo (SP), idealizadora da iniciativa Viva Rio Pinheiros, criou em 2015 o projeto Cidade Azul, cuja proposta é revelar à população os rios, córregos e riachos da cidade através de passeios guiados. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre o impacto que o “enterro” das águas surte na vida urbana.
Daiara Figueroa – Indígena de etnia Tukano, a professora divulgou em setembro um vídeo em seu perfil pessoal no Facebook pedindo socorro a todos os movimentos sociais pelo massacre em curso no Mato Grosso do Sul contra diversas comunidades Guarani-Kaiowá.
Daniela Silva, Daniela Teixeira, Fernanda Shirakawa, Gabi Juns e Manoela Miklos – Lançaram o Não Tem Conversa, que convida os homens a assumirem o compromisso de não promover ou participar de painéis, palestras, eventos e debates exclusivamente masculinos.
Gisele Truzzi – Advogada especialista em direito digital, é referência no assunto e responsável por avanços na área, lutando pelos direitos da mulher e apresentando palestras sobre seus direitos na internet em diversos órgãos gonvernamentais.
Jacira Melo – Diretora executiva da Agência Patrícia Galvão, que divulgou neste ano o Dossiê Violência Contra as Mulheres. O documento reúne e sistematiza dados, pesquisas e análises estratégicas que contribuem para reprodução correta de informações sobre a violência contra a mulher na mídia.
Katiele Fischer – Primeira brasileira a obter na justiça a permissão para uso medicinal do canabidiol (CBD), substância derivada da maconha. Seu caso contribuiu para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberasse o CBD sob recomendação médica.
Pri Ferrari e Mila Alves – Com intervenções feitas com fita isolante e duas fotos compartilhadas nas redes sociais, conseguiram derrubar uma campanha publicitária machista de uma das maiores cervejarias do país, a poucos dias do Carnaval.
se essa rua fosse nossa – O coletivo divulgou o relato de um estupro ocorrido na região central de Porto Alegre (RS), narrado pela própria vítima. A repercussão da história mobilizou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Vereadores a vistoriar a Rede de Proteção às Mulheres da cidade e apresentar publicamente um relatório sobre a operação.  
Stephanie Ribeiro, Phran Noctuam e Ana Maria Sena – Lançaram o projeto colaborativo Afronta, cuja missão é ampliar a representação feminina e negra nas histórias contadas e ensinadas no Brasil.
Terezinha de Jesus – Após perder o filho, Eduardo de Jesus Ferreira, 10, pelas mãos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, teve a coragem de se levantar contra a violência policial e expor a arbitrariedade com que ceifam vidas nas favelas cariocas. O caso está sendo investigado pela Anistia Internacional e Terezinha se tornou um símbolo da luta por justiça.
Vanessa Rodrigues – Uma das idealizadoras da Casa de Lua, espaço coletivo com diversas atividades gratuitas para mulheres. Em 2015, a grade de eventos da ONG teve um enorme foco no empoderamento de mulheres negras.
Internacional
Alexandra Loras – Consulesa da França em São Paulo, é uma voz ativa sobre o racismo institucional no Brasil e no mundo. Em maio, participou do TEDxSaoPaulo, onde falou sobre a importância de ajudar a melhorar a auto-estima das crianças afro-descendentes.
Alicia Garza, Patrice Cullors e Opal Tometi – As três mulheres por trás da campanha #BlackLivesMatter, lançada em 2013 no Twitter após o assassinato do jovem norte-americano Trayvon Martin pelo policial branco George Zimmerman. Alcançando reconhecimento internacional após os protestos de Ferguson e Nova Iorque em 2014, neste ano, o grupo passou a questionar publicamente os candidatos à presidência dos Estados Unidos sobre suas posições acerca do racismo no país.
Brittany “Bree” Newsome – A ativista foi detida na Carolina do Sul (EUA) após remover a bandeira confederada do Capitólio do estado, em meio às tensões que se seguiram ao massacre de Charleston. A bandeira, antigo estandarte do grupo rebelde que defendia a escravidão na Guerra Civil Americana, é hoje considerada um símbolo da supremacia branca e da opressão racista nos Estados Unidos. 
Combatentes peshmerga – As unidades femininas do Exército Curdo vem se destacando como uma força necessária contra o avanço do Estado Islâmico (EI). Em janeiro, elas ajudaram a expulsar o EI da região de Kobani, em território curdo situado no norte da Síria. Foi uma das mais importantes derrotas sofridas pelo grupo jihadista em toda a sua história.
Johnetta “Netta” Elzie – Uma das líderes do grupo We The Protesters, participou dos protestos antirracistas em Ferguson, Missouri e Baltimore e, em parceria com o ativista DeRay McKesson, criou a newsletter “This is the Movement” e o projeto Mapping Police Violence, que coletou dados sobre homicídios cometidos por policiais nos Estados Unidos em 2014. Neste ano, Netta e McKesson receberam o Howard Zinn Freedom to Write Award pelo seu trabalho social e figuraram entre os 53 Maiores Líderes do Mundo no ranking da revista Fortune.
Maryanne Diamond – Fundadora da Aliança Internacional da Deficiência, lançou a campanha O Que As Mulheres Com Deficiência Querem, que convoca as mulheres e meninas com deficiência em todo o mundo para expressar o que elas querem da comunidade internacional para avançar no exercício dos seus direitos.
The Black Mambas – Grupo majoritariamente feminino que lidera a luta contra caça ilegal de animais selvagens na África do Sul.

BLOGS & MÍDIAS SOCIAIS

Aline Ramos – Idealizadora do blog Que Nega é Essa?, cujo conteúdo busca promover e ampliar os debates sobre feminismo e negritude no Brasil. Também se envolveu na organização da quinta edição do Estética das Periferias, evento idealizado pela Ação Educativa em São Paulo (SP).
Bruna de Lara – A estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fundou o blog Livre de Abuso, onde 15 mulheres oferecem informações e assistência jurídica a outras mulheres que estejam em relacionamentos abusivos ou gostariam de ajudar alguém envolvida em relações tóxicas.
Gabriela Franco – Jornalista especializada em cultura pop e criadora do MinasNerds, site voltado a meninas e mulheres amantes de HQs, games e “nerdices” em geral. Sua equipe marcou presença na Fest Comix 2015, inaugurando o primeiro espaço dedicado ao público nerd feminino no evento, e também participou do Festival International de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonte (MG).
Helaine Martins – Jornalista, fundou o projeto Entreviste Um Negro, banco de fontes inspirado no Entreviste Uma Mulher para que pessoas negras tenham mais voz na mídia.
Joanna Burigo – Lançou neste ano a Casa da Mãe Joanna, dedicada à criação e curadoria de conteúdo e à divulgação de iniciativas feministas. Uma das ações da Casa é a Espiral, mapa que reúne coletivos e projetos feministas de todo o Brasil.
Jout Jout Prazer – Usou seu canal no YouTube para falar de violência íntima de forma empoderadora, e ajudou a jogar luz sobre o tema com os vídeos “Não tira o batom vermelho” e “Vamos fazer um escândalo”.
Moara Correa – Militante do Coletivo Enegrecer, no Facebook, é uma das administradoras da página Nem Tenta Argumentar, que procura visibilizar o racismo no Brasil e convida as pessoas brancas a demandar representatividade negra em palestras, eventos, painéis e debates.
Nanda Cury – Criou o Blog das Cabeludas, onde compartilha imagens de mulheres crespas e cacheadas com o objetivo de inspirar as visitantes a assumirem e amarem seus cabelos volumosos. Foi também uma das organizadoras da Marcha do Orgulho Crespo, em São Paulo.
Teresa Rocha – A publicitária criou o movimento Bonita Também, que valoriza a autoestima feminina na diversidade inerente às mulheres, mas tão pouco celebrada pela mídia.
Thais Cimino – As dificuldades e o sentimento de desamparo que enfrentou logo após o parto resultaram no blog Temos que Falar Sobre Isso, onde mulheres podem desabafar de forma anônima e se informar sobre as angústias da maternidade.
Internacional
Saara Särmä – Pesquisadora de Relações Internacionais na Universidade de Tampere, na Finlândia, criou o Tumblr All Male Panels (Painéis Só de Homens), que se tornou um sucesso na rede ao apontar de maneira bem humorada eventos que só convidam homens para falar.

CIÊNCIA

Alice Cunha da Silva – Estudante de Engenharia Nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi a grande vencedora da Olimpíada Nuclear organizada pela Universidade Nuclear Mundial (WNU, na sigla em inglês), cujo principal objetivo é expandir a conscientização sobre as diferentes aplicações dos materiais radioativos.
Mariana Vasconcelos – Aos 23 anos, ganhou uma bolsa de estudos em uma universidade situada dentro de uma unidade da NASA após ter encontrado uma solução para ajudar a resolver a questão da falta de água.
Priscila Kosaka – Desenvolveu técnica para detecção de câncer que dispensa biópsias e que consegue identificar a doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas, por meio de um nanosensor 10 milhões de vezes mais sensível que os métodos tradicionais de exame.
Thaisa Storchi Bergmann e Carolina Horta Andrade – Astrofísica e química, respectivamente, as brasileiras foram ganhadoras da edição internacional do prêmio “Para Mulheres na Ciência” da UNESCO. Thaisa foi premiada pelos estudos sobre buracos negros, e Carolina, pelas pesquisas na área de química medicinal para o tratamento da leishmaniose.  
Internacional
Liliana e Luisa Terán – Engenheiras indígenas que melhoraram a vida de sua comunidade no deserto do Atacama ao instalar painéis de energia solar.
Olivia Hallisey – Aos 17 anos, foi a vencedora do 2015 Google Science Fair com o projeto de um diagnóstico barato e capaz de detectar o vírus Ebola em menos de 30 minutos, mesmo que o paciente não apresente sintomas.
“Underground Astronauts” – Marina Elliott, Becca Peixotto, K. Lindsay Hunter, Elen Feuerriegel, Hannah Morris e Alia Gurtov foram as seis intrépidas cientistas a explorar cavernas e descobrir um novo parente dos seres humanos: o Homo naledi.

COMUNICAÇÃO

Ana Luiza Gomes – Lançou o Projeto Andarilha, plataforma de pesquisa e curadoria dedicada a mapear processos criativos que caminham pela cultura brasileira.
Carol Patrocinio – Jornalista, blogueira e colunista de diversos portais online, escreveu reflexões importantes sobre o assédio à participante de 12 anos do MasterChef Júnior, e a perseguição da ativista Lola Aronovich.  
Cris Bartis e Juliana Wallauer – A dupla comanda o podcast Mamilos. Numa área tão dominada por homens, Cris e Ju fazem um programa com uma audiência fiel onde falam sobre todos os temas, sempre sob o espectro do feminino.
Djamila Ribeiro – Mestranda em Filosofia Política pela Unifesp, onde fundou o Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades, enriqueceu o Escritório Feminista da Carta Capital com textos sobre feminismo negro e hoje é colunista da publicação.
Karin Hueck – Em julho, a jornalista assinou a matéria de capa da Revista Superinteressante sobre o silenciamento das vítimas de estupro e como é engendrada a cultura que favorece essa violência.
Leda Letra – Jornalista da Rádio ONU em Português, baseada em Nova Iorque. Fez coberturas impactantes, em especial sobre violência contra a mulher e a questão dos refugiados, onde denunciou violações dos direitos humanos.
Luciana Barreto – Jornalista âncora do Repórter Brasil, foi convidada este ano para falar no Senado sobre a necessidade de políticas públicas para combater as desigualdades sociais.
Luíse Bello – Em uma releitura do Tumblr Liga da Criação, que destaca os publicitários mais famosos da área, criou a Liga das Heroínas para denunciar o alcance e o cotidiano do machismo nas agências. Por conta da iniciativa, foi convidada a participar da 3% Conference, evento realizado em Nova Iorque para discutir a representatividade feminina no ramo da criação publicitária.   
Maria Júlia “Maju” Coutinho – Em abril, passou a apresentar a previsão do tempo ao vivo no Jornal Nacional e foi alvo de ofensas racistas nas redes sociais. O caso mobilizou os usuários e seus próprios colegas de trabalho a repudiarem publicamente as agressões.
Renata Martins e Joyce Prado – As cineastas lançaram o Empoderadas, web série sobre a vida das mulheres negras. O conteúdo traz entrevistas com personagens dos mais diversos campos de atuação – empresárias, músicas, historiadoras – que quebram estereótipos racistas e ajudam a inspirar mais e mais mulheres.
Revista AzMina – Desenvolvida através de financiamento coletivo, surgiu para representar mulheres reais e diversas em seus corpos, formas de amar e de transar. Seu conteúdo está disponível online e é totalmente gratuito.
Tatiana Vasconcellos – Única radialista do horário nobre e única mulher a ganhar o prêmio Comunique-se em sua área, ela blinda a rádio BandNews FM de comentários machistas, sem medo de corrigir colegas e entrevistados. Em 2015, suas coberturas subverteram a lógica machista da grande mídia rompendo com estereótipos sexistas e a culpabilização da vítima. Está na direção de uma série documental em vídeo sobre mulheres no cinema com produção da SimonSays Filmes.

EDUCAÇÃO

Georgia Gabriela da Silva Sampaio – Selecionada em um programa da Universidade de Harvard em 2014 com uma pesquisa sobre endometriose, aos 19 anos, a baiana de Feira de Santana foi aprovada em nove instituições norte-americanas e já iniciou os estudos na Universidade de Stanford.
Geovana Soares e Linda Brasil – Criaram o EducaTrans, projeto promovido pela Associação do Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais (AMOSERTRANS) para preparar estudantes trans para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2015, o número de pessoas trans a prestar o Enem praticamente triplicou ‒ e pela primeira vez, elas puderam utilizar o nome social no cartão de inscrição.
Letícia Cardoso – Em 125 anos de história, foi a primeira aluna a entrar para o Pantheon Literário do Colégio Militar, quadro de alunos exemplares e honraria máxima da instituição.
Monique Evelle – Vencedora do Prêmio Laureate Brasil 2015 pela fundação da Desabafo Social, plataforma de educação e aprendizagem coletiva com foco em direitos humanos. O negócio agora é parceiro da rede mundial YouthActionNet, iniciativa da Fundação Internacional da Juventude (IYF, na sigla em inglês) que busca fortalecer e expandir o impacto dos empreendimentos sociais liderados por jovens no mundo inteiro.
Estudantes feministas do ensino médio – Em São Paulo e em outras cidades do país, alunas do ensino médio estão se organizando em coletivos feministas e iniciativas para combater o machismo ainda na adolescência.

EMPREENDEDORISMO

Ana Fontes – Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, uma plataforma de serviços que visa unir e apoiar mulheres de todo o Brasil no desenvolvimento do próprio negócio. Em 2015, falou sobre sua experiência no evento TEDx, em São Paulo (SP); foi finalista do Prêmio Cláudia na categoria Negócios; e também ganhou o Prêmio Spark Awards de Melhor Mentora.
Ana Laura Castro e Camila Cristina Conti – Fundaram o Maternativa, portal exclusivamente dedicado ao empreendedorismo materno. Todas as empresas cadastradas no site são gerenciadas por mães e ficam à disposição para pesquisa e consulta. O espaço também gera conteúdo e proporciona a troca de informações e experiências entre as empreendedoras.
Camila Fusco – Diretora de empreendedorismo do Facebook para a América Latina, começou em março deste ano o projeto Facebook na Comunidade, para estimular o empreendedorismo na periferia. Na comunidade de Heliópolis (SP), coordenou a implementação do laboratório de inovação para ensinar conceitos de marketingdigital e empreendedorismo. Até o momento, já atendeu cerca de 1.100 pequenos comerciantes.
Deb Xavier – Fundadora do Jogo de Damas e referência internacional em empreendedorismo feminino. Em 2015, foi escolhida novamente como embaixadora da Fundação das Nações Unidas para o Dia do Empreendedorismo Feminino e lançou projeto social de capacitação empreendedora de adolescentes grávidas.  Sua organização promoveu o Dama Mentoring, programa com duração de oito meses para auxiliar as novas empresárias a estruturar o seu negócio e fomentar o desenvolvimento dele através de oficinas e networking. Por sua atuação, também foi convidada a palestrar no Women’s Leadership Day e no Global Summit of Women.
Denise Guilherme – Mestre em Educação pela PUC-SP, é fundadora de A Taba, empresa que presta curadoria sobre literatura infantil desde 2013 e só comercializa livros infantis aprovados por uma comissão leitora. Somente este ano, fez a leitura crítica de mais de mil títulos para que fossem doados a 14 escolas.
Lorrana Scarpioni – Fundadora da rede social colaborativa Bliive, que promove a troca de experiências e habilidades usando o tempo como moeda. Cada minuto investido pelos usuários na plataforma é revertido em minutos que eles podem aproveitar para descobrir o conteúdo compartilhado pelos demais. Com quase 100 mil horas de experiência contabilizadas no site, aos 25 anos, Lorrana já foi eleita pela BBC como uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo. 
Renata Moraes – A jornalista, autora do “Guia de Boas Práticas em Diversidade de Gênero” da ONU Mulheres, fundou em 2015 a Impulso Beta, plataforma de orientação de carreira para mulheres que já atendeu mais de 100 usuárias. Suas atividades contam com cursos presenciais e online de liderança feminina e empreendedorismo para mães.
Samyra Cunha – Fundou com dois amigos a Veggie Box, empresa que presta curadoria e entrega de uma caixa mensal de cosméticos e produtos alimentícios veganos ecruelty-free a seus assinantes. O negócio foi viabilizado por financiamento coletivo e arrecadou R$ 18 mil em três meses, iniciando suas atividades em 2014.
Vera Moreira – Jornalista que trabalha com o mercado de orgânicos há mais de uma década e, em 2015, lançou o portal de notícias Organics News Brasil e o Guia de Orgânicos, para promover a sustentabilidade, conscientização e mudanças no padrão de consumo e segurança alimentar.

ESPORTE

Adriana Behar – Membra do Comitê Olímpico Brasileiro, a atleta está envolvida no desenvolvimento do projeto Uma Vitória Leva à Outra, uma parceria firmada em outubro entre a ONU Mulheres e o Comitê Olímpico Internacional (COI) para fomentar a liderança e o empoderamento de meninas por meio do esporte.
Aline Rocha – A paratleta de 23 anos conquistou o 3º lugar na Maratona de Oita, no Japão, que reúne as melhores do mundo. Com o resultado, estabeleceu um novo recorde brasileiro para a distância (42.195m) e entrou para o ranking mundial entre as 10 melhores do mundo, estabelecendo também o índice “A” paralímpico para essa prova.
Ana Paula Henkel – Aderindo à campanha #agoraequesaoelas, a ex-jogadora de vôlei escreveu um artigo impactante sobre a objetificação e sexualização sofrida pelas atletas e o sentimento de desamparo que isso traz em momentos de derrota no esporte.
Ana Marcela – A nadadora de Salvador (BA) completou a coleção de medalhas no Mundial de Esportes Aquáticos, disputado em Kazan, na Rússia. Após ser bronze nos 10 km e prata nos 5 km, Ana conquistou o ouro nos 25 km. Tornou-se bicampeã da prova, que já vencera no Mundial de Xanguai, em 2011.
Guerreiras Grenás – O time de futebol feminino Ferroviária/Fundesport, de Araraquara (SP), conquistou pela primeira vez a Libertadores da América. Apesar do pouco patrocínio e repercussão midiática, a equipe venceu o Colo-Colo (Chile) por 3 x 1 e trouxe a taça para casa.
Joanna Maranhão – A nadadora falou corajosamente à Revista TPM sobre o abuso sexual que sofreu pelo ex-treinador e manifestou publicamente seu repúdio a políticos retrógrados e conservadores em competições internacionais. Desde 2014, a atleta coordena a ONG Infância Livre, que ajuda crianças recifenses de baixa renda vítimas de violência sexual.
Marineide “Neide” dos Santos Silva – Fundadora da Associação de Moradores da Cohab Adventista de Capão Redondo (SP) e da Associação Projeto Vida Corrida, que incentiva a corrida de rua entre a comunidade. Os treinamentos do projeto já alcançam mais de 350 pessoas, dentre as quais 87% são mulheres e meninas de 4 a 80 anos.
Seleção Brasileira Feminina de Rugby Sete – Em sua estreia em Jogos Pan-Americanos, no Canadá, elevou a conversa sobre a participação feminina nesta modalidade esportiva batendo a Argentina por 29 x 0 e conquistando a medalha de bronze. Apesar de não ter nenhuma tradição ou incentivo no país, a equipe brasileira já é dez vezes campeã sul-americana do esporte.
Teliana Pereira – A tenista curitibana é a brasileira mais bem sucedida na quadras depois de Maria Esther Bueno. Está no top 50 da WTA (Associação de Tênis Feminino).
Internacional
Mieko Nagaoka – Aos 100 anos, foi a primeira atleta centenária a completar uma prova de 1.500 metros nado livre em uma piscina semi-olímpica, de 25 metros. Mieko começou nadar aos 82 anos e também detém o recorde de sua categoria (de 100 a 104 anos) na piscina olímpica, de 50 metros.
Sarah Tomas – Primeira mulher a ser árbitro oficial da National Football League (NFL) dos Estados Unidos.

INSPIRAÇÃO

Elena Crescia – Curadora do TEDxSãoPaulo, braço independente do TED, organização dedicada ao compartilhamento de ideias e projetos inovadores. Neste ano, promoveu uma edição exclusivamente feminina do evento, cujos ingressos se esgotaram em poucas horas.
Eliane Dias – Manda-chuva da Boogie Naipe, produtora responsável pelo grupo Racionais MC’s, a empresária deu uma entrevista absolutamente maravilhosa sobre machismo, empoderamento feminino, força, coragem, seu casamento com Mano Brown, filhos e drogas para a Revista TPM.
Marinalva Dantas – Em seus dez anos de atuação como auditora fiscal de Natal (RN), já libertou mais de 2.300 pessoas da escravidão no Brasil, em pleno século 21. Para isso, teve de abrir mão da convivência com a família e colocar a própria vida em risco. Sua história foi contada no livro “Dama da Liberdade”, do jornalista Klester Cavalcanti. Marinalva recebeu o Prêmio Claudia 2015 na categoria Políticas Públicas em reconhecimento ao seu trabalho.
Tati Stramandinoli e Marcela Guardiola – As duas tatuadoras criaram projetos dedicados a reconstituir gratuitamente o mamilo de mulheres que tenham se submetido à mastectomia devido ao câncer. Sócia do estúdio Pigmenta Tattoo, Tati atua em São José dos Campos (SP) com o projeto Reviva, e Marcela coordena o projeto itinerante Mamma no sul do país.
Internacional
Chipo Matimba e Elizabeth Simbi Petros – As duas capitãs do Zimbábue fizeram história. Elas formaram a primeira equipe de aviação totalmente feminina do país, bem como foram as primeiras mulheres a pilotar um Boeing 737.
Florence Ndagire – Primeira advogada cega de Uganda, Florence interessou-se desde pequena por política e atualidades. Derrubou muitas barreiras para conquistar sua profissão, já que seu país oferece poucas oportunidades para deficientes visuais.

LITERATURA

Adriana Carranca – Escreveu o livro infantil “Malala, a menina que queria ir para a escola”, contando de maneira lúdica a história da ativista paquistanesa Malala Yousafzai e apresentando a uma nova geração um exemplo a ser seguido.
Bianca Santana – Autora do livro “Quando me descobri negra”, que reúne a história de várias mulheres descobrindo a própria negritude e força em uma sociedade que não sabe lidar com a diversidade.
Jarid Arraes – Jornalista, cordelista e ativista de causas sociais, lançou neste ano o livro ilustrado “As Lendas de Dandara”, repleto de contos sobre a guerreira quilombola Dandara dos Palmares.
Maria Valéria Rezende e Carol Rodrigues – Vencedoras do Prêmio Jabuti nas categorias Romance e Contos e Crônicas, por “Quarenta Dias” e “Sem Vista para o Mar – Contos de Fuga”, respectivamente.
Matilde Campilho – Autora do livro “Jóquei”, que em 2015 bateu recorde de vendas na Feira Literária de Paraty, o maior evento do ramo no país.
Nana Queiroz – Jornalista e criadora do movimento Não Mereço Ser Estuprada, lançou neste ano o livro “Presos que menstruam”, sobre a situação das mulheres nas penitenciárias de todo o país. A obra provocando o início de novos movimentos sociais a favor das detentas.
Revista Capitolina – Em comemoração ao seu aniversário de um ano, a revista digital voltada ao público juvenil feminino compilou os melhores textos em um livro ilustrado, que traz também artigos inéditos.

MODA & BELEZA

Cooperárvore – Cooperativa de moda sustentável formada por 12 artesãs e um artesão em Betim (MG). Aproximadamente 11 mil acessórios de moda e decoração foram produzidos por elas a partir da reutilização de tecidos automotivos e cintos de segurança doados por empresas parceiras, como a Fiat Chrysler Automobiles. Além de gerar trabalho e renda, a cooperativa promove projetos de capacitação e protagonismo feminino para a comunidade.
Flávia Flores  Ex-modelo, escritora, palestrante e idealizadora do projeto Quimioterapia e Beleza. Em 2015, lançou o Banco de Lenços, que já distribuiu gratuitamente mais de mil lenços para pacientes com câncer.
Juliana Romano – Foi a primeira mulher gorda a estampar a capa da revista ELLE Brasil, seminua e sem Photoshop (e com muito arraso!). A foto virou matéria de mídias nacionais e internacionais.
Maria Clara Araújo – A ativista e estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) se tornou a primeira garota-propaganda trans do Brasil ao lançar a coleção Oh!Maria em parceria com a Lola Cosmetics.
Mel “Candy Mel” Gonçalves – A vocalista da banda UÓ estrelou a campanha #EuUsoAssim, veiculada pela Avon para promover a conscientização sobre o Outubro Rosa.
Naomi Faustino – Estudante de Economia e louca por estética, criou o The Black Cupcake para tratar de moda, estilo e comportamento com um enfoque especial em beleza e representatividade negra. A blogueira também abastece regularmente as redes sociais da página.

MÚSICA

Anelis Assumpção – A cantora e compositora é um dos nomes mais bombados da nova música brasileira. Por seu segundo disco, Anelis Assumpção & Os Amigos Imaginários, lançado em 2014, a artista foi homenageada em março no Prêmio da Associação Paulisya de Críticos de Arte e levou a estatueta de Melhor Intérprete de Música Popular.
Brisa Flow – Rapper, fala sobre emporamento feminino em suas composições. Este ano, lançou o single As de Cem e está prestes a lançar seu novo trabalho, “Newen”.
Elza Soares – Aos 78 anos, ela lançou o elogiado disco “A Mulher do Fim do Mundo”, com canções inéditas disponíveis para streaming gratuito. As letras das canções falam sobre sexo, violência contra a mulher, machismo e a sobrevivência de uma travesti.
Luana Hansen – A DJ e MC da uma aula sobre justiça social e feminismo em suas letras. Em junho, lançou o simbólico clipe da canção Negras em Marcha.
MC Soffia – Após participar de oficinas de hip hop, decidiu iniciar sua carreira de MC cantando o orgulho que sente de ser negra, aos 11 anos de idade.
Tássia Reis – A rapper paulista está em atividade desde 2011 e coleciona sucessos e parcerias bem sucedidas com músicos como Marcelo D2 e Emicida. Participou da Semana do Hip Hop de Bauru (SP) e se manifestou abertamente sobre o machismo em um meio ainda amplamente ocupado por homens.   
Xênia França – A magnética baiana é a única mulher e uma das vocalistas da banda Aláfia, integrada por outros 10 músicos e que canta a negritude ao tom de diferentes gêneros da black music.

POLÍTICA & ESTADO

Ana Lucia Keunecke, Valéria Sousa e Raquel Marques –  O trio forma a ONG Artemis, que denunciou Eduardo Cunha e os 11 deputados que escreveram o PL 5069/2013 na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Foi feito pedido de medida cautelar em razão da urgência da perda de direitos das mulheres no Brasil já que a lei dificulta o acesso de vítimas de estupro à medicamentos e ao aborto.  
Anamelka Albuquerque Formiga e Tânia Gonçalves de Miranda – Delegadas que atuaram no caso de estupro e tentativa de homicídio em Castelo do Piauí (PI). Foram as responsáveis por investigar e prender os autores do crime contra quatro adolescentes, enquadrando-o como feminicídio.
Carla Clausi – A Major paranaense é a primeira mulher a comandar uma unidade do Exército Brasileiro. Em janeiro, ela assumiu o comando do Hospital da Guarnição de João Pessoa (PB).
Carla Lyrio Martins – A Coronel Médica mineira é a primeira mulher a comandar uma organização militar da Força Aérea Brasileira (FAB). Ela chefia a Casa Gerontológica Brigadeiro Eduardo Gomes (CGABEG), no Rio de Janeiro.
Jandira Feghali – Em maio, a deputada federal eleita pelo Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro (PC do B-RJ) acusou o deputado Roberto Freire (PPS-SP) de agressão por conta de um empurrão durante o desentendimento dele com o deputado Orlando Silva (PC do B-SP). Ao ter sua denúncia questionada pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF) ‒ que afirmou no Plenário da Câmara que “mulher que participa da política e bate como homem tem que apanhar como homem também” ‒, Jandira repudiou o machismo na política e recebeu apoio de políticos, movimentos sociais e da própria presidenta Dilma Rousseff.
Maria Clara de Sena – Primeira mulher trans a assumir cargo em um Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, órgão ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e que atua em parceria com a ONU.
Maria do Rosário – A deputada federal eleita pelo Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (PT-RS) processou e ganhou a ação de danos morais contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que declarou em sessão no Plenário que “não a estupraria porque ela não merece”.
Maria Gabriela Mansur – Promotora do Ministério Público de São Paulo, foi homenageada neste ano com a medalha Ruth Cardoso, pelo trabalho em defesa dos direitos da mulher. Criou curso obrigatório para que homens condenados por violência doméstica reflitam sobre as consequências penais e sociais desse tipo de crime. Também é criadora e organiza o Movimento pela Mulher, corrida com grupos de mulheres que já sofreram algum tipo de violência (física ou psicológica) para melhorar a autoestima feminina. A última edição do evento reuniu 2 mil pessoas.
Nazareth Araújo – A procuradora do Estado é vice-governadora do Acre pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Pela primeira vez no estado, uma mulher vistoriou as tropas no Dia da Independência. Em 2015, também implementou o programa Mulher Cidadã, que levou até áreas mais isoladas representações de órgãos e entidades públicas para realizar atendimentos de saúde, organização comunitária e interação entre comunidade e escola, além de realizar ações de combate à violência doméstica
Internacional
Dina Kawar – Durante o mês de abril, a embaixadora jordaniana foi a primeira mulher árabe a presidir o Conselho de Segurança da ONU após quase 70 anos de história.
Hillary Clinton – A advogada e pré-candidata à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata incluiu em sua plataforma de campanha ações para diminuir a diferença salarial entre homens e mulheres nos EUA. Se eleita, será a primeira mulher da história a governar o país.
Madhu Kinnar – Tornou-se a pessoa trans a ser eleita como prefeita na Índia.
Marzieh Afkham – Primeira embaixadora do Irã desde a Revolução Islâmica, ocorrida em 1979. Ela assumiu o posto na Malásia, em novembro, aos 50 anos, tornando-se a segunda mulher a ocupar o cargo no país (a primeira foi Mehrangiz Dolatshahi, em 1970, na Dinamarca).

SAÚDE

Fabiana Mesquita – Jornalista e educomunicadora de Brasília (DF), é consultora da UNAIDS, programa da ONU para a universalização do tratamento do HIV-AIDS. É uma das idealizadoras do Curso de Formação de Jovens Lideranças para o Controle Social no Sistema Único de Saúde (SUS) e, somente em 2015, formou mais de 100 jovens líderes que atuam com questões como gênero, raça, direitos humanos e drogas. Graças à internet, ela mantém contato com mais de mil jovens de todo o Brasil para formar uma rede de solidariedade e combate à discriminação social.
Valéria Guimarães – A médica se tornou a primeira brasileira a conquistar o Prêmio Laureate Award Winners da Sociedade Americana de Endocrinologia, na categoria Serviço Público Extraordinário, pelo trabalho de conscientização sobre a questão da obesidade e outras discussões da área.

TECNOLOGIA

Anielle Guedes – Aos 22 anos, a paulistana tem um sonho: reduzir o deficit habitacional no mundo. Para realiza-lo, fundou a startup Urban 3D, que usa sistemas de computação inteligente para a construção de moradias de baixo custo.
Bárbara Paes, Fernanda Balbino e Ariane Cor – Criadoras do #MinasProgramam, projeto que incentiva o ensino de programação para mulheres. O curso é aberto ao público feminino em geral e traz temas como WordPress, CSS, HTML, PHP, Ruby on Rails, UX/front-end e até o uso de redes sociais.
Camila Achutti – Aos 21 anos, é sócia-fundadora da Ponte21, consultoria de inovação que promove a conexão da tecnologia com as pessoas. Em maio deste ano, conquistou o prêmio Women of Vision na categoria Student of Vision (ABIE Award), do Instituto Anita Borg, voltado para o incentivo à inclusão de mulheres no mundo digital.
Kamila Brito – Administradora de Belém (PA), criou o Barco Hacker, que viaja pelo estado e pelo Amazonas ensinando às populações ribeirinhas noções de tecnologia. Cerca de 500 pessoas participaram das viagens do barco em 2015. Também neste ano, ela reestruturou a Casa de Cultura Digital do Pará, iniciativa que fundou e que congrega empresas, startups e empreendedores em um espaço colaborativo para trabalharem em rede em projetos de webcidadania em todo o Brasil.
Internacional
Ellen Pao – Após ser levada a desistir de processo contra o machismo que enfrentou em uma empresa do setor financeiro, tornou-se CEO do Reddit, onde também foi vítima do mesmo problema. Foi redimida e, em 2015, tornou-se um símbolo definitivo da luta pelo fim do machismo no mundo da tecnologia
Emily May – Fundadora da ONG Hollaback, que combate o assédio sexual em locais públicos, lançou neste ano via financiamento coletivo o app Heartmob, para proteger vítimas e mobilizar usuários contra a violência de gênero na internet.

EM MEMÓRIA

Danielly Rodrigues – Estudante de Castelo do Piauí (PI) e única vítima fatal do crime brutal cometido contra ela e três amigas. Morreu no hospital aos 17 anos após ter sido estuprada e atirada em um penhasco junto às outras, que sobreviveram.
Estrella Bohadana  Professora universitária, sua primeira prisão foi aos 19 anos em 1970, no Rio de Janeiro, durante a ditadura. Fugiu para São Paulo, onde foi presa novamente e sofreu um aborto por conta da tortura. Faleceu no Rio no dia 11 de maio de 2015.
Iná Meireles de Souza – Médica infectologista da rede pública de saúde, foi fundadora do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT). Ex-diretora do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, presidiu a Comissão da Verdade de Niterói até o seu falecimento por conta de um câncer, em novembro (dois dias antes de completar 67 anos). Resistiu à ditadura cilvil-militar-empresarial na década de 1960, quando foi torturada de forma bárbara no presídio Ilha das Flores (RJ).
Maria Clara Siqueira Castro de Araújo  A advogada carioca faleceu em agosto em consequência da diabetes, doença contra a qual lutou desde os 12 anos. Sempre praticou a advocacia em favor dos mais necessitados ‒ o que contribuiu para que o escritório onde era sócia, Siqueira Castro Advogados, ganhasse o prêmio de Melhor Escritório de Advocacia da América Latina da Chambers Global, pelo atendimento de mais de 60 instituições de caridade. Os outros sócios do escritório criaram o Instituto Maria Clara, que concentrará todas as atividades de advocacia pro bono.
Sandra Bland – Por não dar sinal ao mudar de faixa e se recusar a apagar um cigarro, a norte-americana negra foi detida em condições irregulares e de violência policial ‒ o que gerou um debate sobre viés inconsciente e racismo no país. Foi encontrada morta em sua cela três dias após a prisão. A polícia texana afirmava se tratar de suicídio, para descrença de familiares, amigos, militantes e da mídia em geral.
Therezinha Zerbini – Faleceu em março, aos 87 anos. A advogada de São Paulo (SP), fundadora do Movimento Feminino pela Anistia durante os anos 1970, foi presa durante a ditadura civil-militar por sua resistência ao regime. Sua história foi contada no livro “A mulher que era o general da casa”, do jornalista Paulo Moreira Leite.
Zilda Xavier Pereira – Uma das líderes da Ação Libertadora Nacional (ALN), que resistiu à ditadura de forma armada, teve seus filhos Iuri e Alex assassinados pelo regime. Também dirigiu a Liga Feminina da Guanabara na década de 1960, e até o fim da vida, lutou para que fossem encontrados os restos mortais de seus filhos, tendo discursado em uma cadeira de rodas e com fala debilitada na Comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Faleceu em novembro no mesmo dia em que completou 90 anos, em sua residência em Brasília (DF)

MENÇÃO HONROSA

Mulheres do #primeiroassedio – Pela coragem de expor histórias de assédio que sofreram ainda na infância e pela fundamental participação em um movimento internacional de conscientização sobre a gravidade desse problema.