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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Filme "Em três atos", de Lucia Murat

Sinopse
“Quando uma intelectual de 80 anos  é confrontada com questões da velhice e da morte, ela se vê 30 anos antes  enfrentando a morte de sua mãe. De forma poética, "Em Três Atos" contrapõe dança contemporânea, através de uma bailarina de 85 anos  e uma jovem bailarina em seu auge , com diálogos inspirados nos escritos de Simone de Beauvoir sobre a velhice e a morte. O projeto pretende revelar a crueza de um corpo velho, e lida com a diferença entre a experiência de perder alguém para a morte e o medo de morrer. "Em Três Atos" é um filme sobre o ciclo da vida, que trabalha o “corpo” através do espetáculo de dança contemporânea e a “palavra” a partir de textos de Simone de Beauvoir, uma das intelectuais que mais refletiu sobre o tema do envelhecimento e da morte. Protagonizado por Angel Viana, um dos ícones da dança contemporânea nacional e que se apresenta no palco aos 85 anos, e Maria Alice Poppe, uma jovem bailarina no auge de seu vigor, o espetáculo de dança consegue contrapor sem clichês esses dois corpos.

No papel da intelectual aos 80 anos, que reflete sobre a velhice e a morte hoje está Nathalia Timberg e essa mesma intelectual, aos 45 anos, que vive a dor da morte da mãe, é interpretada por Andrea Beltrão.
Com uma proposta poética e lírica, “Em três atos” é um filme que trata de questões densas sob uma nova ótica.

Imagem de cena do filme Em três atos, de Lucia Murat
Nota da diretora
Simone de Beauvoir diz em uma de suas entrevistas que um dos motivos que a levou a escrever o livro “A velhice” foi por ela mesma estar vivendo esse momento e que, por isso, sentiu necessidade de investigar a situação dos velhos na sociedade. Pelo mesmo motivo, decidi fazer o filme “Em três atos”. Pela minha formação como cineasta e também por ter sido bailarina na adolescência pensei em tentar exprimir essa sensação contrapondo o “corpo” e a “palavra”.

A proposta do filme é muito mais levantar questões e apontar sensações do que dar respostas. Por isso, o que busco são as nuances e contradições observadas no corpo: a dor de ter perdido o vigor convivendo com a vida que está presente na velhice.

Sobre a palavra, a opção por trabalhar com textos de Simone de Beauvoir foi imediata. Não somente por ela ter escrito e pensado sobre o tema, mas também por ter sido uma das intelectuais mais importantes da minha geração.

Já conhecia o livro “A velhice”, onde a questão é tratada aprofundadamente mas, ao realizar a pesquisa, fiquei encantada com as muitas entrevistas que ela tinha dado sobre o tema. A vantagem de trabalhar com as entrevistas é que elas têm uma vivacidade maior para serem reproduzidas na tela do que um texto feito para ser lido.

Durante o trabalho de pesquisa, me foi sugerida a leitura de “Une mort très douce”, livro em que Simone de Beauvoir descreve a morte de sua mãe, já que a questão da morte está intrinsecamente ligada à questão da velhice. Desse trabalho surgiu a proposta do filme, em que o mesmo personagem aparece com 80 anos e com 50 anos, sendo que os textos dessa segunda parte se baseiam no livro “Une mort très douce”.

Do ponto de vista dramático, o personagem ganhou assim uma força considerável pois ele é visto nesses dois tempos: hoje, aos 80 anos, refletindo sobre a velhice e a sua morte, e aos 50 anos, experimentando a dor da morte da mãe. O contraste entre os dois momentos humaniza e traz mais complexidade ao personagem.

Mas persistindo na idéia de trabalhar também visualmente sobre a questão do corpo, decidi acrescentar duas bailarinas, Angel Vianna e Maria Alice Poppe que realizam uma performance contrastando seus corpos.

A força do espetáculo está não somente no vigor e capacidade técnica de Maria Alice, mas principalmente no despudor com que Angel se entrega no palco com seus 85 anos, sem intimidação.

Com isso, nós passamos a trabalhar com 4 personagens. A intelectual em dois momentos e as duas bailarinas. Entrecruzar esses personagens é o trabalho desse filme, que se define numa proposta presente no cinema contemporâneo, trabalhando com a liberdade que o tema exige.

Lucia Murat

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