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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Astrônoma pioneira no estudo da matéria escura morre aos 88 anos

Cientista americana Vera Rubin ajudou a comprovar a existência da matéria escura no espaço. Ao longo de sua carreira, Rubin também lutou ativamente por mais igualdade entre homens e mulheres na área científica.
27.12.2016
Rebecca Staudenmaier
A astrônoma americana Vera Rubin morreu, aos 88 anos, na cidade de Princeton, nos Estados Unidos. Segundo o jornal americano The Washington Post, a morte de Rubin foi confirmada nesta segunda-feira (26/12) por seu filho Allan Rubin, que trabalha como professor de geociências na Universidade Princeton. Segundo ele, Rubin sofria de um tipo de demência e morreu de "causas naturais".
Vera Rubin ganhou notoriedade na astronomia por ter sido a responsável por uma das mais importantes descobertas científicas do século 21. Durante os anos 1970, quando pesquisava movimentos de rotação de galáxias espirais, Rubin observou que as estrelas que ficavam na borda dessas galáxias se movimentavam mais rápido que as outras – algo que não poderia ser explicado levando-se em conta apenas a matéria "normal" e visível do universo.
Após uma pesquisa pioneira, Rubin concluiu que o que poderia explicar a velocidade de rotação dessas estrelas seria a ação da chamada matéria escura – que apesar de invisível, poderia ter seus efeitos gravitacionais observados. A suposta existência da matéria escura já havia sido citada nos anos 1930, mas só foi comprovada por meio da pesquisa de Rubin. 
"Em uma galáxia espiral, a proporção de matéria visível para a escura é de 1 para 10. Provavelmente, esse número também representa a proporção entre a nossa ignorância e conhecimento. Nós já saímos do jardim de infância, mas não passamos da terceira série (do Ensino Fundamental)", disse Rubin, certa vez.
Vera Rubin nasceu na Filadélfia, em 1928. Desde pequena, mostrava interesse pela astronomia e começou a observar suas primeiras estrelas ainda criança. Com a ajuda de seu pai, um engenheiro elétrico, construiu seu primeiro telescópio. Percebendo o quanto Vera se interessava por estrelas, seu pai passou a levá-la em diversos encontros de astrônomos amadores.
No final dos anos 1940, Rubin tentou se matricular no curso de graduação em Astronomia pela Universidade Princeton, mas foi barrada por ser mulher. Ela não desanimou e foi atrás de outras instituições. Graduou-se pela Vassar College, concluiu um mestrado pela Universidade Cornell e um doutorado pela Universidade Georgetown. Em 1965, foi trabalhar no Instituto Carnegie, em Washington, onde passou a maior parte de sua vida, dedicando-se a pesquisas científicas. Ao longo de sua carreira, Rubin observou mais de 200 galáxias.
Embora nunca tenha recebido um Nobel de Física, Rubin foi premiada diversas vezes ao longo de sua carreira. Em 1993, Bill Clinton, o então presidente dos Estados Unidos, lhe entregou pessoalmente a medalha nacional de Ciências por seu pioneirismo nas pesquisas de observação do universo. Rubin também foi a segunda astrônoma mulher escolhida para integrar a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
A trajetória de Vera Rubin também foi marcada por sua constante luta em defesa da igualdade de espaço e de oportunidades para mulheres nas ciências. Seu ativismo contribuiu, por exemplo, para o aumento de integrantes mulheres na Academia Nacional de Ciências.
Em uma entrevista concedida em 1989 ao Instituto Americano de Física, Rubin afirmou que o problema da pequena participação das mulheres no campo científico estava enraizado na forma como as americanas eram educadas. "Em vez de ensinar física às meninas, deveríamos ensiná-las, desde cedo, que elas podem aprender tudo aquilo que quiserem", afirmou Rubin.

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