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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Em ‘The Marvelous Mrs. Maisel’, nova série da criadora de ‘Gilmore Girls’, a transgressão feminina acontece aos risos

‘Conseguimos um rabino!’: A adorável Rachel Brosnahan é Midge, protagonista de ‘The Marvelous Mrs. Maisel’.
‘Conseguimos um rabino!’: A adorável Rachel Brosnahan é Midge, protagonista de ‘The Marvelous Mrs. Maisel’.

HuffPost Brasil conversou com a atriz Rachel Brosnahan e a dupla de diretores e roteiristas Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino sobre a obra e a radiante (e tagarela) protagonista.


HuffPost Brasil 

02/12/2017

By Caio Delcolli


A primeira vez que Miriam Maisel faz comédia stand-up termina com ela na prisão. A jovem dona de casa judia de Manhattan consegue arrancar alguns risos da meia-dúzia de gatos pingados na plateia, mas o problema é seu comportamento: ela está completamente bêbada, falando palavrões indizíveis para uma mulher de sua estirpe e, para completar, mostra os seios para o público.

Midge, como é chamada pela família e pelos amigos, foi parar no palco de uma espelunca no centro de Nova York após entornar uma garrafa inteira de vinho sozinha. Isto veio após seu esposo Joel repentinamente anunciar que o casamento acabou e ele tem uma amante. E isto veio após Midge descobrir que Joel, a caminho de se tornar um comediante stand-up, sequer é autor das piadas que faz no palco — e nem dá os créditos a quem deve.
Um caminhão é descarregado sobre Midge — e também sobre o espectador — logo no rocambolesco episódio-piloto de The Marvelous Mrs. Maisel, nova série que Amy Sherman-Palladino, criadora de Gilmore Girls, concebeu para a Amazon Prime Video.
O tapete sob Midge é puxado bruscamente, mas é o que faz algo ser revelado naquela noite em que ela vai parar acidentalmente no palco — quem leva jeito de verdade para esse negócio de stand-up, na verdade, é ela. No entanto, trata-se de um ambiente dominado por homens. E, é claro, uma carreira como comediante com certeza não é o que se espera de uma dona de casa do Upper West Side em pleno 1958.
A atriz Rachel Brosnahan, 26, que vive a colorida Midge na série, diz em entrevista ao HuffPost Brasil que não conseguiu largar o roteiro do piloto de jeito nenhum quando o leu pela primeira vez.
"É um dos melhores que já li. É afiado, inteligente, coeso. Amei a personagem logo de cara. Ela é elétrica e é uma das mulheres mais autoconfiantes que eu já li em um script. Precisei de um minuto para perceber que não encontro muitas dessas", conta.
Midge é a típica personagem de Sherman-Palladino — não fosse pela série se ambientar nos anos 1950, ela poderia muito bem dar o ar da graça em Gilmore Girls.
Agitada, a protagonista fala pelos cotovelos, é bem humorada e diz o que pensa sem rodeios. Mãe de dois filhos pequenos com Joel (Michael Zegen) e filha dos neuróticos Abe (Tony Shalhoub), um professor universitário de matemática, e Rose (Marin Hinkle), também dona de casa, Midge ama ser mãe e cuidar de todo tipo de afazeres domésticos. Ela sempre prepara um brisket a ser oferecido em troca de um horário para Joel se apresentar em uma casa no centro. Sem ele perceber, depois de Joel dormir e antes de acordar, Midge corre para o banheiro para se arrumar. Para o esposo ela sempre acorda linda, pronta para o dia.
Brosnahan, indicada ao Emmy de melhor atriz convidada por viver a prostituta Rachel Posner em House of Cards (Netflix), não era estranha ao léxico de Sherman-Palladino — "Eu assisti a Gilmore Girls inteirinha mais de uma vez", disse aos risos —, entrou no papel com leveza e profundo entendimento de Midge e seu jeito de ser.
"Ninguém fala tão rápido quanto uma personagem de Amy Sherman-Palladino. Ninguém fala tão bem quanto um personagem de Amy Sherman-Palladino", constata (ainda dando risada).
"Já me disseram que às vezes eu falo rápido, mas Midge foi além de tudo que eu poderia imaginar. Envolveu bastante aquecimento de boca e treino na frente do espelho para algumas das frases mais complicadas."




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Michael Zegen, à direita, vive Joel Maisel — o personagem não sabe disso, mas sua esposa é a verdadeira comediante da casa.

As coisas não ficam mais fáceis para Midge e sua língua afiada. Seus pais estão desolados com a separação e a única pessoa que a considera boa em comédia ao vivo é a mal-encarada e pobretona Susie (Alex Borstein), que trabalha no bar no qual Midge confunde o palco com divã de terapia, e com quem a protagonista forma uma improvável amizade.
"Ela estava bem confortável em seu jeito de pensar e quando o mundo todo dela desaba, Midge é forçada a examinar a visão que tem dele. Ela passa a ver o mundo de uma maneira diferente, faz perguntas sobre ele, seu lugar nele, sobre o que é ser mulher nele, com todos ao seu redor dizendo o que você deveria fazer ou não", conta a atriz.
"A gente vê uma mulher se reinventar, o que não era aceito ou encorajado naquele tempo. Nosso objetivo, quando as pessoas assistirem à série, é fazer elas perceberem o quanto mudou, o quanto daquilo tudo é familiar para elas enquanto espectadores modernos, e também o quanto não mudou. Ainda temos essa conversa polarizadora a respeito do que significa ser mulher e o que se espera de nós."
Em entrevista ao HuffPost, Amy e Daniel Palladino, seu esposo e braço-direito na tarefa de escrever, dirigir e produzir seriados, contam que a plataforma de streaming da Amazon é o lugar perfeito para Midge desembarcar. Após o bem-sucedido revival de Gilmore Girls na Netflix, Maisel é o segundo trabalho do casal com streaming.
"Essas fontes estão à procura por diferentes tipos de ideias, coisas que não teriam espaço em uma emissora tradicional ou a cabo", conta Daniel.
"Eu e Amy escrevemos para emissoras e nunca nos sentimos tão em casa ou livres nelas. E nós tivemos bastante liberdade com Maisel a ponto de, se ficasse ruim, seria nossa culpa, e se fosse bom, seria por causa do que fizemos. Recriar 1958 não é barato. Tem funcionado muito melhor do que qualquer coisa que a gente esperava"
A roteirista e diretora usa seu clássico senso de humor seco para explicar casualmente como se deu o diálogo com a Amazon: "Bem, eu só estava em uma reunião com eles e disse 'oi, tudo bem? Estou sem trabalho. O que vocês querem fazer?'".
"E eu disse 'bem, eu meio que quero fazer algo sobre uma dona de casa nos anos 1950' e que deveria ser em Greenwich Village. Eles pareceram bastante empolgados com isso. 'A gente vai te dar dinheiro', disseram, e foi isso. Tem bastante gente interessante lá."




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Brosnahan, indicada ao Emmy por 'House of Cards', fala tão rápido na série que precisou fazer aquecimento antes de gravar algumas cenas.

The Marvelous Mrs. Maisel traz na equipe técnica dois dos profissionais mais aclamados do ramo. Bill Groom, vencedor de quatro Emmys por Boardwalk Empire (HBO), dirige o design de produção; Donna Zakowska, vencedora do Emmy pela minissérie John Adams (HBO), dirige o figurino. Todas as roupas vintage foram construídas do zero por Zakowska e sua numerosa equipe.
"Eles são brilhantes e fizeram pesquisas inacreditáveis e meticulosas para recriar a Nova York dos anos 1950 na Nova York dos dias atuais, o que é uma tarefa bastante complicada", conta Amy. "Eles foram tão seletivos a respeito de cores, texturas, grafismos, carros, figurinos — quando eu entrava no set, tudo estava pronto, tudo parecia 1958."
Tudo parece refletir a personalidade vibrante de Midge; mesmo após o pé-na-bunda do esposo, ela continua a praticamente soltar faíscas.
"Procurei por inspiração na minha fabulosa avó June" conta Brosnahan. "Ela estava viva naquela época e também era uma mulher bastante autoconfiante, alguém que não tinha medo de dizer o que pensa, era corajosa e estava lindamente vestida a qualquer momento."
Um mundo novo se abre diante de Midge — ela desenvolve meio que uma amizade com o famoso comediante boca-suja Lenny Bruce (1925–1966), interpretado pelo canadense Luke Kirby. Bruce fez fama também pela crítica social cortante em suas piadas e pelas duras reações contrárias que recebia. O legado do comediante, hoje, é ter feito o entretenimento norte-americano menos careta. No piloto, Midge divide o assento de trás do camburão da polícia com ele.
"Eu queria uma protagonista que tivesse essa força. Alguém que nunca aprendeu as coisas que poderia dizer e fazer, e as está descobrindo agora", explica Amy.
Midge já parece ter fascinado a Amazon — a segunda temporada de The Marvelous Mrs. Maisel foi confirmada antes mesmo de a primeira estrear nesta quarta-feira (29). É o primeiro projeto pós-Gilmore Girls dos Palladino que chega a ter uma segunda temporada.
Daniel diz que, no segundo ano de Maisel, a ser ambientado em 1959 — a série entrará nos anos 1960 no futuro —, a protagonista terá que lidar com o ex-esposo, que começa a perceber o erro que fez ao deixá-la e firmará os laços com Susie, sua "empresária".
"Ela nunca olhará para trás e sempre irá para frente, meio que levando todo mundo junto", conta. Um grupo do qual nós, felizmente, agora podemos fazer parte.




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Após a separação, Midge vislumbra um futuro para si na comédia stand-up, um mundo dominado por homens.

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