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terça-feira, 10 de julho de 2018

O perfil do agressor de assédio moral e a inércia das vítimas

Leidyane Alvarenga
Publicado em 

PERFIL DO AGRESSOR

O agressor é um sujeito perverso e estratégico na objetivação da destruição do outro, sem o menor sentimento de culpa. Ávila (2008) em seus estudos concluiu que toda pessoa em crise pode ser levada a utilizar mecanismos perversos como forma de defesa. O que diferencia pessoas normais de pessoas perversas é que, na pessoa normal, o sentimento de vingança é uma mera reação ocasional seguida de arrependimento ou remorso. Já uma pessoa perversa é movida pela estratégia de utilização e destruição do outro sem o menor sentimento de culpa.

Barreto (2000, apud DUARTE, p.8) definiu de uma forma bem-humorada os perfis de agressores segundo trabalhadores. Vejamos:
Agressor profeta: sua missão é “limpar” o mais rápido possível a “máquina”, demitindo indiscriminadamente os trabalhadores. Trata as demissões como se fosse a “grande realização da sua vida”. Humilha com cautela e reservadamente.
Agressor pitt-bull: é o chefe agressivo, violento e perverso em palavras e atos. Demite friamente e humilha por prazer.
Agressor mala-babão: é aquele chefe que bajula o patrão e não dá folga aos seus subordinados. É uma espécie de capataz moderno.
Agressor grande irmão: aproxima-se dos trabalhadores e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um, mas que, na primeira oportunidade, utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador, para rebaixá-lo, afastá-lo do grupo, demiti-lo ou exigir produtividade.
Agressor troglodita: é o chefe grotesco. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Sempre está com a razão. Seu tipo é: “eu mando e você me obedece”.
Agressor tigrão: esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos.
Agressor garganta: é o chefe que não conhece bem o seu trabalho, mas vive contando vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. Submete-o a situações vexatórias.
Percebe-se que nessas descrições fica caracterizada a perversidade dos agressores. Sendo que pode se manifestar de diversas formas, seja mais calmamente ou mais histérica, mas sempre com a finalidade de destruir a saúde física ou mental da vítima.
Além disso, insta ressaltar que o assediador é movido por diversos motivos, podendo ser a inveja, a ânsia pelo poder, a discriminação, dentre outros. O fato é que o agressor é um manipulador sem ética e sem caráter e que sente prazer na destruição de suas vítimas.

REAÇÃO DAS VÍTIMAS

Barifouse publicou uma reportagem sobre o tema assédio moral, através de uma pesquisa feita com 4.975 profissionais de todas as regiões do país. Eles foram ouvidos no fim de maio de 2015. Desse número, foi constatado que 52% dos profissionais já foram vítimas de assédio sexual ou moral. E, entre quem não passou por esta situação, 34% já presenciaram algum episódio de abuso.
A matéria destacou o depoimento de Mariana, 30 anos, que disse que sofreu assédio em diversas empresas, a primeira quando era estagiária. Mariana lembrou de como a chefe ficou furiosa quando ela não encontrou o fax que estava caído atrás de uma mesa. Mariana diz que este episódio foi apenas um de uma série. A chefe a tratava muito mal durante toda a semana, e, na sexta-feira, dava um presente na tentativa de compensá-la.
Lembrou ainda que, em outro emprego, ela e os colegas tinham de lidar com os frequentes gritos do acionista da empresa. Em um desses episódios o chefe disse: "Viu quanta formiga tem no chão? É de tanto doce que você está fazendo!". Também era comum ouvir pelo telefone que ela tinha 30 segundos para descobrir o que estava ruim em seus relatórios, seguido por uma contagem regressiva: "30, 29, 28...".
Outro caso é o de Mariana. Ela trabalhava em uma grande empresa farmacêutica, sob a supervisão de um executivo conhecido por pressionar sua equipe e, assim, conseguir bons resultados. Uma de suas colegas de trabalho lhe disse que não poderia mais elogiá-la, pois o chefe não gostava, porque, senão, Mariana viraria uma “estrela.” Ela conta que saía de reuniões chorando ao menos uma vez por semana. Tinha sua performance elogiada na avaliação anual, mas recebia do chefe um péssimo retorno em particular.
Após quatro anos fazendo terapia por causa do trabalho, Mariana decidiu mudar de emprego. Dizia que quando ia trabalhar, tinha dor de estômago e ânsia de vômito. Pensava em virar dona de casa para não passar mais por aquilo. Assim como outros inúmeros trabalhadores, Mariana nunca denunciou, optou por sofrer as consequências do assédio em silêncio.
Ainda, na pesquisa apresentada pelo jornalista, foi enviado um questionário para 70 mil profissionais de sua base de dados, escolhidos entre os que tinham atualizado seu currículo nos seis meses anteriores e tinham ao menos um emprego em seu histórico.
Nessa pesquisa ficou constatado que 47,3% dos trabalhadores já foram vítimas de assédio moral e 9,7% foram vítimas de assédio sexual. Ainda, 51,9 % das vítimas do assédio moral eram mulheres. Já 79,9% das mulheres já foram vítimas de assédio sexual. Além disso, 33,5% dos entrevistados já presenciaram algum tipo de abuso.
Infelizmente, dos entrevistados, apenas 12,5% das vítimas denunciaram o agressor. Ao serem questionados sobre o motivo da ausência de denúncia, 39,4% dos trabalhadores alegaram medo de perder o emprego, 31,6% alegaram medo de sofrer represália, 11% alegaram vergonha, e 8,2% alegaram receio por acharem ser sua culpa.
Dessa forma, tal pesquisa demonstrou que grande parte dos funcionários já sofreu algum tipo de assédio e que, infelizmente, muitos optam pela inércia quanto às denúncias, ou mudam de emprego. Assim, o agressor, na maioria das vezes, não é penalizado e continua praticando tais atos.

REFERÊNCIAS:

AVILA, Rosemari Pedrotti de. As consequências do assédio moral no ambiente de trabalho. Disponível em: < http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp067933.pdf>. Acesso em 18 de maio de 2016.
BARIFOUSE, Rafael. Metade dos brasileiros já sofreu assédio no trabalho, aponta pesquisa. Disponível em : ; Acesso em 13 de abril de 2016.
DUARTE, Luísa Sousa Afonso de Campos. Assédio Moral no Ambiente de Trabalho. Disponível em ; Acesso em 11 de maio de 2016.

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