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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cientista tenta desvendar mente de psicopata que matou menina

Estudo pode levar à melhor compreensão e tratamento da psicopatia.

Da BBC
Dugan matou uma menina de 7 anos em 1983 (Foto: AP/BBC)
Dugan matou uma menina de 7 anos em 1983
(Foto: AP/BBC)

Cientistas nos Estados Unidos examinam o cérebro de um assassino serial como parte de um estudo para tentar entender a ligação entre comportamento antissocial e a estrutura cerebral.
Quando Brian Dugan se declarou culpado pelo estupro violento e assassinato da menina Jeanine Nicarico, de sete anos de idade, ele parecia se enquadrar no estereótipo do assassino serial.
Ela foi morta em 1983, embora o crime só tenha sido confessado em 2009. Naquela época, ele já havia sido condenado por estupro algumas vezes e por mais dois assassinatos: uma outra menina de sete anos e uma enfermeira de 27 anos que ele atropelou antes de violentar e matar.
Se a pena de morte não tivesse sido suspensa no Estado americano de Illinois, Dugan teria sido executado.
Curiosamente, ele não mostrou remorso por nenhum de seus crimes. Cientistas acreditam que a falta de empatia possa ter relação com isso.
O neurocientista Kent Kiehl da Universidade do Novo México examinou seu cérebro como parte de um estudo.
"Ele tem dificuldade para entender porque as pessoas se importam com o que ele fez", diz Kiehl, descrevendo sua impressão de Dugan. "Clinicamente, é fascinante".
Kiehl é considerado um pioneiro em uma área avançada da neurociência comportamental: a que tenta entender as funções dos cérebros dos psicopatas e desenvolver tratamentos para suas condições.
Ela é controversa porque, por milhares de anos, homens como Dugan foram rotulados não como doentes, mas malignos.
Na literatura e no cinema, o termo psicopata não é usado para diagnosticar alguém por quem deveríamos ter simpatia, mas sim medo.
"Tendo a ver os psicopatas como pessoas que sofrem de uma desordem, portanto não usaria o termo 'mau' para descrevê-los", diz Kiehl.
O assassino não consegue entender a gravidade de seus atos (Foto: AP/BBC)
O assassino não consegue entender a gravidade
de seus atos (Foto: AP/BBC)

Culpa
Então o que exatamente é um psicopata?
"Clinicamente a definição é alguém com uma pontuação alta em traços como falta de empatia, culpa e remorso", diz Kiehl.
"Eles são muito impulsivos: tendem a não planejar ou pensar antes de agir. Eles têm a tendência de se envolver em problemas desde muito jovens".
Sabemos há tempos que muitas pessoas em prisões apresentam sintomas de psicopatia, mas até hoje sabemos pouco sobre a condição.
Para entendê-la usando a neurociência, Kiehl construiu em seu laboratório um inédito scanner cerebral móvel. Ele é equipado com a mais moderna tecnologia e transportado em um caminhão, para poder entrar em prisões de segurança máxima.
Ele o usou para dois tipos de análises do cérebro de Dugan: para examinar sua densidade e suas funções.
"O cérebro de Brian tem níveis baixos de densidade em um sistema que chamamos de paralímbico", diz ele.
O sistema paralímbico é um "circuito comportamental" no cérebro que inclui regiões como a amígdala e o córtex pré-frontal.
Cientistas já sabiam que estas áreas são associadas com o processamento das emoções.
Ao longo do século passado, pessoas com danos cerebrais nestas áreas foram estudadas porque seu comportamento mudava repentinamente e eles se tornavam antissociais.
"Concluímos que estes sistemas não se desenvolveram normalmente em Brian", diz Kiehl. A psicopatia parece envolver uma falta de desenvolvimento nestas regiões, o que pode ser geneticamente determinado.

Método
Kiehl também monitorou a reação do cérebro de Brian Dugan a algumas imagens perturbadoras, como a de rostos de pessoas sofrendo. Ao examinar o cérebro em tempo real, a meta era testar suas funções cerebrais.
Os exames mostraram que havia relativamente pouca atividade no sistema paralímbico de Dugan durante o processamento de emoções.
"Durante os estudos, Brian terminava as sessões de scanner dizendo 'tive dificuldade em entender o que você queria que eu fizesse'", diz Kiehl.
"Ele cometeu mais erros do que outros cometeriam".
Segundo Kiehl, este é um padrão de atividade cerebral que prova que os psicopatas simplesmente não têm uma habilidade emocional, da mesma forma que outros tem menores habilidades intelectuais.
Ele obteve resultados similares com um grande número de pessoas, em prisões americanas.
Isto significa que Dugan simplesmente não tem noção do mal que causou. "Falar com ele sobre seus crimes é como perguntar o que ele comeu no café da manhã", diz Kiehl.
Ele também admite que, de certa forma, não é surpresa que o cérebro de alguém tão diferente e antissocial também pareça diferente de outros cérebros.
"Mas só agora que podemos ver o quanto seus cérebros são diferentes, é que as pessoas estão prestando atenção", diz ele.

Futuro
Então, o que o sistema legal deve fazer com esses dados?
Pesquisas como a feita por Kiehl alimentam o debate sobre quanto as leis deveriam mudar para acomodar o que hoje sabemos sobre como o "mau comportamento" é causado por condições físicas.
Esta visão da lei criminal é geralmente chamada de "neuro-lei".
É uma visão de futuro controversa, na qual o julgamento moral de um criminoso é substituído pela visão de que alguns deles têm cérebros doentes que precisam ser tratados.
Kiehl acredita que um maior entendimento da psicopatia possa levar a sentenças diferentes e, em especial, o fim de penas de morte para psicopatas.
"Minha esperança é que a neurociência ajude o sistema legal a entender que estes indivíduos têm uma deficiência tratável", diz ele.
Tais tratamentos não deveriam começar após alguém cometer um ato terrível, diz ele. Por isso, Kiehl trabalha junto com outros cientistas para projetar intervenções em crianças que demonstram os sintomas, antes que eles piorem.
Ele acredita que a história de vida de Dugan demonstra que ocorreram momentos cruciais nos quais poderiam ter sido feitas intervenções.
"Brian sofreu desde pequeno. Ele teve um comportamento clássico: incendiou, machucou animais, feriu seus irmãos e irmãs".
Embora ele tenha ido a psicólogos na infância, estes não entendiam bem sua condição. De fato, crianças com sintomas ligados a psicopatia geralmente respondem mal às técnicas usadas para outras crianças com problemas de comportamento. .
Por terem falta de habilidades emocionais, quando os professores tentam fazer com que sintam remorsos, isto os confunde e aumentam as chances de eles ferirem os outros.
A esperança é o desenvolvimento de um diagnóstico específico para estas crianças -- desordem de insensibilidade -- e a partir daí, o desenvolvimento de programas e treinamentos específicos para a doença.
Na essência, estas crianças devem ser ensinadas a terem reações que a maioria tem automaticamente.
O estudo de Kiehl em prisões de segurança máxima vem inspirando outros laboratórios nos EUA e na Grã-Bretanha, que trabalham diretamente com crianças.
"Você pode prevenir estes indivíduos como Brian de se tornarem os indivíduos que são hoje", diz ele.

*O programa "Brain Culture" é transmitido pela BBC por rádio para a Grã-Bretanha.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/11/cientista-tenta-desvendar-mente-de-psicopata-que-matou-menina.html

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

09/11/2011 às 13:00

Publicidade com Datoka Fanning é banida por exaltar sexualidade infantil


Atriz de 17 anos aparece com frasco de perfume entre suas pernas

Foto de Dakota Fanning que gerou polêmica no Reino Unido. Fonte: Divulgação.
 
Uma campanha do perfume Oh Lola!, do estilista Marc Jacobs, foi banida do Reino Unido. A publicidade mostra a atriz Dakota Fanning, de 17 anos, com look mais jovem e em pose polêmica. Na imagem, ela aparece sentada no chão com o frasco da fragância entre as pernas.

A marca de beleza Coty, responsável pela produção do perfume, já havia sido alvo de críticas pelo uso excessivo de imagens com grande carga sexual em seus anúncios. Dessa vez, a proibição de veiculação do anúncio de Oh Lola! foi anunciada pelo órgão oficial de propaganda no Reino Unido. Segundo o jornal inglês “Daily Mail”, a medida está em linha com as ações do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

"Notamos que o frasco de perfume repousava no colo, entre as pernas da modelo, e consideramos que sua posição era sexualmente provocante", divulgou o órgão em comunicado.

Em recente entrevista, o estilista Marc Jacobs descreveu Dakota Fanning como uma “Lolita contemporânea”, fazendo referência ao nome do perfume. O convite para estrelar o anúncio foi motivado pela atuação da atriz em “The Runaways”, onde ela interpreta uma roqueira adolescente. "Dakota estava no filme e eu sabia que ela poderia ser essa Lolita contemporânea, sedutora, mas doce", definiu Marc.
http://gnt.globo.com/beleza/noticias/Publicidade-com-Datoka-Fanning-e-banida-por-exaltar-sexualidade-infantil.shtml

sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Convite para a Jornada Temática
" Mulher, Família e Violência"

Promoção: SOS Ação Mulher e Família e Projeto de Extensão "Observatório da Convivência Familiar e Comunitária na Terceira Idade" FSS/PUC-Campinas.

No dia 16 de novembro próximo estaremos realizando uma jornada temática intitulada "Mulher, família e violência", com a finalidade de refletir sobre o atendimento a mulheres, mulheres idosas e suas famílias.
Se você tem experiências de atenção e intervenção com este segmento, venha colaborar conosco no aprofundamento do debate.

A programação do evento é a que segue:

- A família e o direito;
- Mulher e violência;
- Intervenções nas relações familiares.

Local: PUC-Central, sala 199.
Horário: 14.00 - 17.00hs.
Será expedido certificado para os/as participantes.

No aguardo da sua presença, agradecemos a colaboração no sentido de ajudar a divulgar o evento.
Cordialmente,

Profª Dra. Mirian Faury
FSS/PUC - Campinas

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desigualdade entre homens e mulheres deixa Brasil atrás de 79 países

 

Medida reflete diferença em relação a mercado de trabalho, saúde reprodutiva e capacitação

02 de novembro de 2011 | 10h 05
Agência Brasil - estadao.com.br


A desigualdade de condições entre homens e mulheres deixa o Brasil atrás de 79 países em um ranking de 146 nações, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG) é um dos indicadores complementares ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

O IDG é uma medida composta que reflete a desigualdade entre homens e mulheres em três dimensões: saúde reprodutiva, capacitação e mercado de trabalho, de acordo com o Pnud. O índice considera variáveis como mortalidade materna, gravidez na adolescência, assentos do Parlamento nacional e taxa de participação na força de trabalho.

No Brasil, 48,8% das mulheres adultas têm alcançado pelo menos o nível de educação secundária, contra 46,3% dos homens. O país reduziu significativamente a taxa de mortalidade materna nos últimos anos, que caiu de 110 para 58 a cada mil nascimentos, entre 2010 e 2011. No entanto, apenas 9,6% dos assentos do Congresso Nacional são ocupados por mulheres. Na Suécia, por exemplo, essa proporção é 45%. Outro fator de desigualdade de gênero marcante no Brasil é a participação no mercado de trabalho: a taxa é 60,1% para as mulheres e 81,9% para os homens.

Os resultados no IDG deixam o Brasil na 80ª posição do ranking, atrás do Chile, da Argentina, do Peru, México, da Venezuela e até dos árabes como a Líbia, o Líbano e o Kuwait. Os melhores índices são da Suécia, dos Países Baixos e da Dinamarca. Os piores desempenhos, que refletem desigualdades mais profundas entre homens e mulheres, são do Iêmen, Chade e Níger. O Irã é o 92° colocado no ranking. A Arábia Saudita aparece na 135ª posição.

SOS Ação Mulher e Família comemorou o Dia da Criança no CIC Campinas

Caça ao tesouro com crianças e adolescentes no Centro de Integração da Cidadania, no bairro Vida Nova.
As crianças ficaram com o ECA na ponta da lingua, e ainda por cima se divertindo e brincando! Agradecemos a contribuição dos Irmãos Vicentinos de Valinhos, que tornaram possível nosso evento para mais de 100 crianças e famílias, com direito a muitos doces e lanche com cachorro quente, bolo e suco.


http://www.facebook.com/media/set/?set=a.269524769751429.63360.199166503453923&type=3
SOS AÇÃO MULHER E FAMÍLIA COMEMOROU O DIA DA CRIANÇA NA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DA POLÍCIA MILITAR DE CAMPINAS

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Relato de uma aluna do curso de PLPs2011 de Campinas


Sou uma vítima de estupro. Sou filha de uma mulher que quase foi estuprada. Irmã de um homossexual que poderia ser agredido a qualquer momento. O que existe de comum? A incapacidade da sociedade aceitar que o respeito não é algo que se constrói, mas um direito fundamental. De que nosso corpo e nossa sexualidade dizem respeito somente a nós.
Fui a terceira estuprada em menos de uma semana em Barão Geraldo. No dia, a blusa de lã, sapatos fechados e calça jeans contradisseram ao velho discurso da "vadia" que pede por seu assédio. Para ser estuprada, basta ser mulher, independente do juízo de valor.
Assalto seguido de estupro. Fui obrigada a fazer sexo oral, o que me valeu alguns comentários dizendo que podia ser pior. Não há nada pior do que o domínio atroz de seu corpo.
Assim que saí de lá e cheguei ao meu destino inicial, havia um carro da polícia querendo impedir a festa de uma república acontecer. Carro este que chegou a passar na rua enquanto meu orgulho de ser mulher era destruído por um desconhecido. A ronda policial em Barão tem apenas um objetivo: estabelecer o toque de recolher aos estudantes para que juízes, delegados, professores universitários e empresários sintam o distrito como uma grande fazenda, sem barulho, sem nada. A segurança das pessoas está e sempre esteve em segundo plano, já não é uma novidade.
A delegacia que funciona em horário comercial (porque crimes só acontecem neste período), não pôde fazer meu B.O. Já a escrivã do quarto DP quase me convenceu de que era eu a culpada, teve de ligar no celular do delegado para confirmar se registrava estupro ou não. E a delegacia da mulher torceu para que eu arquivasse o caso.
No CAISM, mais de quinze injeções e remédios contra a AIDS que me deram efeitos colaterais por 28 dias...
A militante que eu era estava enterrada na culpa de existir, na vontade de abandonar tudo, no medo da ameaças, no "podia ser pior".
Em casa, depois de muito tentar entender meu total desânimo, fui lembrando de todos os fatos históricos que incluíram mulheres, de todas as revoluções que foram conquistadas pela participação ativa feminina. Pude alimentar ainda mais o ódio por ouvir absurdos como o do bispo Bergonzini de que o estupro só ocorre pela permissão da mulher.
Conversei com pessoas estratégicas, quem poderia me ajudar de fato e logo fiquei sabendo das mobilizações que rolavam em Barão. Soube também das discussões sobre o "coloca ou não o telefone da delegacia no panfleto", "se queremos ou não punição dos agressores". Recebi a carta da ANEL (que aliás nunca se deu ao trabalho de saber as informações verdadeiras, inventou o dia, a situação e a descreveu como bem quis, deixando claro para mim que o que importava era "fingir" que algo era feito.)
Apesar de todo o descaso da polícia, ainda são eles que possuem as condições materiais necessárias para garantir as investigações e, no mínimo impedir que determinado estuprador continue agindo.
A punição tem que ser dada, não se trata apenas de um oprimido que rouba como forma de existir num sistema capitalista, mas de um agressor ao corpo da mulher, que as coloca em risco de vida, que as oprime pelo autoritarismo independente da classe. Defender que não tenham punição é estar ao lado dos estupradores.
Só me senti verdadeiramente segura quando vi o cartaz "Mexeu com uma Mexeu com todas", porque acredito que a única forma das mulheres se defenderem da opressão e lutar por sua liberdade é se auto-organizando. E foi pela conscientização e ação política que pude me fortalecer, me reerguer, cerrar os pulsos e ter a certeza de que NINGUÉM TIRA MEU ORGULHO DE SER MULHER.
Façamos outras passeatas, nossa luta apenas começou!
Se usar a roupa que eu escolhi, andar no horário em que decidi, ou ser mulher me faz vadia. Vadia sou e exijo respeito!
Agradeço a todas as vadias que saíram nas ruas no dia 11.
Vítima número 3 do mês de julho.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Passeata contra a onda de estupros em Barão Geraldo!

Quando:  quinta, 11 de agosto · 14:00 - 17:00
Localização:
Barão Geraldo

Mais Informações:
A idéia da passeata é mostrar a indignação diante dessa onda de estupros ocorridos em Barão Geraldo, além disso, refletir e buscar soluções práticas para que esses crimes sejam evitados.

Concentração no Balão da av 1, subiremos a 2 no sentido Pão de Açúcar, passaremos pelo retorno e o ponto de chegada é na delegacia da Polícia Civil da av 2.

Vivemos numa sociedade que ainda ensina a não ser estuprada ao invés de não estuprar.

Qual a roupa que a vítima usava no momento do ataque?
Quantas relações sexuais ela já teve?
Como ela se comporta? É moça de família?

Estupro é crime, independente da roupa, do comportamento e de qualquer outro pretexto que se possa pensar.
A culpa é do estuprador.

Todas as mulheres devem ter direito de se vestir como quiserem e ninguém tem o direito de mexer, fazer gracinhas ou violentá-las.

3 de agosto ao 12:00 discussão sobre a passeata no teatro de arena.

Alunas da Unicamp organizam protesto contra estupros em Barão Geraldo

Manifestação está prevista para agosto e 1,3 mil pessoas confirmaram presença pela rede social

15/07/2011 - 18:39
Alunas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) organizam uma passeata pela rede social Facebook contra os casos de estupro no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, onde fica um dos campus da universidade. A manifestação está marcada para o dia 11 de agosto, às 14h. Até o começo da noite desta sexta-feira (15), 1.356 pessoas confirmaram a presença no evento.
A frase "Você pode ser a próxima estuprada" (foto abaixo) foi pichada em um muro na avenida Atílio Martini, próximo ao 7º Distrito Policial. Moradores e estudantes enviaram e-mails e comentários dizendo que uma onda de estupros têm assustado quem reside no local.
Segundo os organizadores da passeata, a ideia é "mostrar a indignação diante dessa onda de estupros ocorridos em Barão Geraldo, além disso, refletir e buscar soluções práticas para que esses crimes sejam evitados. Vivemos numa sociedade que ainda ensina a não ser estuprada ao invés de não estuprar", informa texto publicado na rede social.

As estudantes também enfatizam na página da internet que "Estupro é crime, independente da roupa, do comportamento e de qualquer outro pretexto que se possa pensar. A culpa é o estuprador. Todas as mulheres devem ter direito de se vestir como quiserem e ninguém tem o direito de mexer, fazer gracinhas ou violentá-las".
A concentração está programada para ocorrer no balão da Avenida 1 do campus. Os manifestantes devem subir a Avenida 2, e seguem até o 7º DP.
Estatísticas
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 80 estupros na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Campinas, onde são concentradas as ocorrências deste tipo. Mas de acordo com a coordenadora da entidade SOS Ação Mulher e Família, Lúcia Octaviano, os dados são irreais, já que muitas mulheres não registram boletim de ocorrência na maior parte dos casos. A instituição oferece acompanhamento psicológio e jurídico gratuito às vítimas de estupro em Campinas e atende atualmente cerca de 60 famílias.
A coordenadora da entidade explica que as mulheres têm medo e se sentem vulneráveis, principalmente quando o agressor é conhecido ou parente da vítima.
A Polícia Civil pede que qualquer ocorrência ou atitude suspeita seja comunicada para os distritos policias ou para a Delegacia da Mulher, responsável pelas investigações neste caso. A Polícia Militar informou que faz rondas na região de Barão Geraldo e não foi informada sobre o aumento deste tipo de crime.
Segurança
O delegado responsável pela delegacia do distrito de Barão Geraldo, o 7° DP, Tadeu de Almeida, informou que a região tem algumas características que contribuem para a ocorrência desse tipo de crime como, por exemplo, a concentração de estudantes que são de cidades menores e até de outros países, não têm o hábito de tomar os mesmos cuidados de quem já reside em Campinas. O delegado reforça que não há motivo para preocupação, uma vez que o número de casos registrados está dentro da média esperada.
As recomendações para evitar um estupro, segundo o delegado do 7º DP são: evitar sair sozinho em horários de menor movimento e evitar locais isolados e ficar atento ao entrar e sair de casa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Rio de Janeiro inaugura os 5º Jogos Mundiais Militares neste sábado.

Evento com atletas de 112 países está sendo apoiado pelas Nações Unidas e tem como tema o combate à violência contra mulheres; Pelé deve acender a tocha ao lado de três atletas olímpicos.



O evento é apoiado pela ONU Mulheres e conta com a participação de 112 países

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Neste sábado, o Rio de Janeiro dará início aos Jogos Mundiais Militares. O evento, na sua 5ª. edição, conta com o apoio da ONU Mulheres, a entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Autonomia das Mulheres.

Milhares de atletas de 112 países já começaram a chegar à cidade para as competições que deverão durar oito dias.

Campanha

O combate à violência a mulher é o foco dos Jogos Mundiais Militares este ano. Um dos organizadores, o almirante Julio Saboya de Araújo Jorge falou à Rádio ONU, de Brasília, sobre a contribuição das Forças Armadas à campanha.

“O que nós precisamos é evitar a violência, é prevenir a violência. E para isso, o fundamental é educação, principalmente, para crianças, adolescentes e jovens que são aqueles que podem interferir, diretamente, na vida doméstica. Neste aspecto, há um enorme potencial para a ação das Forças Armadas tanto na conscientização quanto na prevenção à violência”, afirmou.

De acordo com a assessoria dos Jogos Mundiais, a tocha do evento será acesa por Pelé. O ex-jogador será acompanhado de três atletas olímpicos, todos militares: Vanderlei do vôlei, Júlio Almeida e Jadel Gregório.

Corpo-a-Corpo e Mochilas

O uso do esporte para promover desenvolvimento e paz é apoiado pela ONU.

Para participar das competições é preciso ser atleta e militar. Segundo analistas, o evento deve servir de teste para a realização ds Copa do Mundo em 2014 e despertar o interesse de outras partes do mundo.

A parceria das Nações Unidas com o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil e o Ministério da Defesa, possibilitou a campanha “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres” chega ao maior evento militar já realizado no Brasil.

No corpo-a-corpo, as Nações Unidas e uma equipe de voluntário vão distribuir mochilas, fitas de pulso e folhetos da campanha “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres”.

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2011/07/rio-de-janeiro-inaugura-os-5%c2%ba-jogos-mundias-militares-neste-sabado/

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Por um futuro melhor e digno às pessoas idosas.

Lúcia Helena Octaviano(1)

A violência doméstica contra a pessoa idosa tem sido cada vez mais freqüente no Brasil e no mundo. Constantemente em noticiários vemos familiares maltratando seus idosos, em grande parte das vezes para ter o uso completo de seus bens ou valores de recebimento de aposentadoria, pensão ou benefício. Em casos extremos, vemos filhos e netos matando pais e avós, para que possam se utilizar de bens materiais que só lhes seriam passados em caso de falecimento do idoso.

Além do fato em si, é de se considerar extremamente chocante, também, os comentários que a população em geral pode deixar em qualquer matéria publicada pela internet. Frases do tipo “o idoso é o culpado por ter educado mal ou sido ruim para seus familiares”, “o idoso tem que aprender a passar em vida seus bens a seus filhos”, ou ainda “ ninguém mandou que (o idoso) fosse assim egoísta por não querer dividir seus bens”.

Involuntariamente, não posso deixar de pensar na obra cinematográfica “Parente é serpente”, de Mario Monicelli. Quem assiste ao filme chega a rir com o andamento da história, que não deixa de ter um final chocante e que nos remete à culpa - por tanto riso durante o desenvolvimento do tema.  O problema é que ver uma história ser encenada por divertidos atores italianos é bem diferente do que saber do fato real cometido por pessoas reais, com suas consciências reais – e com uma falta de bom senso tão irracional.

Diferentemente das sociedades orientais, o ocidente parece não ter aprendido a honrar seus idosos. Ao contrário, o idoso é constantemente visto como um objeto inútil, arcaico e démodé, que deve conhecer seu lugar, invariavelmente distante da família, para que não atrapalhe os mais novos. As cãs, diferentemente de tempos distantes, não nos inspiram mais confiança e respeito, e sim trabalho e desamor.

Em um mundo globalizado de prerrogativas excessivamente consumistas, onde modas são lançadas diariamente, padrões de beleza são implementados ditatorialmente e o novo é passado no seguinte instante após seu lançamento, o idoso é um fator emperrante que parece ter o perigo de poder prender no tempo, ou fazer com que se perca tempo... Mas por que é necessário tanto tempo? Qual a utilidade desse tempo que tanto se quer preservar longe de alguém que já foi atuante no núcleo familiar?

A deterioração da família passa certamente pelas perdas de ensinamento moral e de bons costumes. Será possível que o ser humano seja assim tão inconseqüente que tenha passado a desconsiderar seu próximo como humano?

Dos princípios constitucionais que costumam basear países de consolidação democrática, volto-me especialmente com carinho para a dignidade da pessoa humana. O respeito à vida ao lado até que essa se esvaia por vontade cósmica – e não pela vontade própria do incomodado.

De ninguém há de ser exigida gratidão pela vida que levou enquanto provedor o idoso de seu lar. Cada qual, afinal, conhece a vida que teve, ou à qual foi submetido. Mas quando saímos do microcosmo e passamos a ver o todo, dando um pequeno passo atrás, é que podemos garantir que nossos próprios direitos sejam respeitados quando formos idosos, cumprindo agora o dever de respeitar o idoso que provavelmente chegaremos a ser amanhã.

Todo direito é ligado a um dever, e, apesar do fato parecer de um bom senso indubitável, que deveria ser inato em qualquer cidadão comum, é fato que a preferência aos direitos é sempre maior que aos deveres. Mais que isso, é sempre boa a lembrança de que, se hoje temos direitos a gozar, é porque muitos deles foram motivos de luta dos que hoje são nossos idosos, em busca de tempos mais leves para nós mesmos.

Voltando aos princípios basilares democráticos, a promoção da dignidade da pessoa humana é mote para que prevaleça a liberdade, esta sim querida por todos, moderna em todos os tempos, a cada segundo, mesmo que caiam modas, conceitos ou rituais.

É de nós mesmos que depende nossos direitos futuros, quando nem mesmo pudermos nos lembrar se temos direitos (ou até mesmo para quê eles nos servem), e é nosso dever garantir que até lá esses só se modifiquem para melhor.

Que possamos começar ainda hoje a tratar melhor de nosso próprio futuro, cuidando dignamente de nossos idosos.

(1) Advogada, especialista em Direito Constitucional, atualmente como Coordenadora da Equipe Técnica da ONG SOS Ação Mulher e Família