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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Soltos no mundo virtual

No último dia cinco deste mês foi comemorado o Dia da Internet Segura. Li muitas reportagens e artigos a respeito das mais variadas ações que ocorreram em outros países para alertar sobre a importância do uso consciente, crítico e seguro da internet. Percebi que a maioria das escolas aderiu à reflexão promovida pela data.
E em nosso país, como essa questão caminha? Mal, muito mal. No ano passado, tomei conhecimento de muitos casos que envolviam alunos, internet e ofensas pessoais sérias. Alguns deles terminaram com advogados e polícia envolvidos.
De um modo geral, temos ignorado essa questão. De quando em quando, campanhas ocorrem alertando a população sobre a pornografia infantil no espaço virtual, cartilhas com regras de segurança são distribuídas, novelas dramatizam situações que envolvem os mais novos e os perigos da internet. E só.
Entretanto, sabemos que o uso seguro e consciente desse instrumento, que pode ser tão valioso, depende de um processo: o educativo. E processo não ocorre de modo sazonal, não é verdade? A educação para o melhor uso da internet deve começar em casa e seguir para a escola.
O que cabe aos pais nessa questão? Primeiramente, não acreditar que seus filhos, que são da geração que já nasceu com a internet, só por esse motivo sabem como se comportar no espaço virtual.
É interessante saber que essa tendência existe. Tenho conversado com muitos pais e quase todos afirmam que os filhos sabem se virar melhor na internet do que eles próprios. E você, leitor, pensa que eles se referem a filhos grandes? Os filhos têm menos de dez anos! E são devidamente equipados com celulares, tablets e tudo mais. Usam muito a internet, muitas vezes a pedido dos professores que solicitam "pesquisas" como trabalho de casa.
Crianças e adolescentes podem saber se virar mais com a tecnologia para acessar e navegar na internet, ter mais agilidade para descobrir o que querem, mas eles não têm ideia do contexto da rede. Os pais têm. Ou deveriam ter. E o grande risco de pensarem que os filhos sabem de tudo é o de não acompanhar, não ensinar, não transmitir os valores familiares e as normas de convivência adotadas, seja no mundo real, seja no virtual.
Mas o trabalho dos pais não é suficiente: é na escola que os mais jovens podem aprender muito sobre o melhor uso da rede. Mas, para isso, precisariam ter espaço para falar o que pensam, receber informações críticas, aprender a usar coletivamente a internet e a refletir sobre os usos e abusos que acontecem no mundo virtual.
E, como disse anteriormente, essa aprendizagem só poderá ocorrer se for realizado um trabalho educativo regular. Assim como há aulas semanais de todas as disciplinas, também deveria ser semanal a experiência do uso da rede tutelada e conduzida pelos professores.
O ano letivo mal começou, por isso ainda há tempo de as escolas programarem um trabalho nesse sentido. Ele é urgentemente necessário.
E você, caro leitor, já perguntou aos responsáveis pela escola que seu filho frequenta qual o projeto pedagógico dela para o uso da internet pelos alunos? Já usou um período do tempo que passa com seu filho para saber o que ele pensa a respeito da rede? Esse já é um bom começo de conversa sobre o assunto.
Rosely Sayão
Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. http://folha.com/no1229386

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