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sábado, 30 de setembro de 2017

Especialistas alertam para explosão do número de casos de sífilis no país

Brasil registra, em cinco anos, aumento de 5.174% nas notificações da doença em sua forma adquirida

27 SET 2017
EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA


O Brasil registrou, nos últimos anos, um aumento vertiginoso de casos de sífilis, doença infectocontagiosa causada pela bactériaTreponema pallidum. Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença, em sua forma adquirida – contraída a partir de relações sexuais sem proteção –, teve um crescimento de 5.174% entre 2010 (1.249 casos) e 2015 (65.878 notificações). Já a forma congênita, transmitida durante a gravidez, teve um aumento de 851% entre 2005 (3.508 casos) até 2015 (33.381). Os números de 2016 e 2017 ainda não foram tabulados pelo Ministério.
As notificações, que passaram a ser obrigatórias a partir de 2005 (congênitas) e 2010 (adquiridas), ajudaram a mapear o crescimento de casos de sífilis e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Entre as causas do aumento no número de pessoas que contraíram a doença, as hipóteses mais prováveis, segundo os especialistas, são a diminuição do uso de preservativos entre a população mais jovem, o despreparo de profissionais e a falta de políticas públicas adequadas no campo da educação sexual para essa parcela da população.


Foto: Scarpa
Os médicos Francisco Hideo Aoki e Felipe Monte Cardoso

Segundo dados da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira 2016, do Ministério da Saúde, 45% da população sexualmente ativa do país não usou preservativo nas relações sexuais casuais nos últimos 12 meses.
A escassez da produção por parte de laboratórios farmacêuticos do antibiótico penicilina benzatina, a popular benzetacil, é outra hipótese levantada para a explosão de casos da doença.
Para o infectologista Francisco Hideo Aoki, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Medicas (FCM) da Unicamp, “a guarda está baixada”, e falhas nos programas de educação acerca do uso adequado de preservativos aumentam os riscos de proliferação da doença. "Apesar de o sistema público fazer distribuição gratuita de preservativos entre jovens e adultos, o índice de utilização não é muito elevado. E isso faz com que aumentem os riscos para todas as DSTs, incluída a sífilis".
Felipe Monte Cardoso, médico de família e professor do Departamento de Medicina de Família e Comunidade da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia ser necessário entender o que leva jovens a terem comportamentos que ajudam na disseminação de DSTs. “Em minha experiência com adolescentes como médico da família em uma comunidade pobre no Rio de Janeiro, constatei que muitos não entendem o que são doenças sexualmente transmissíveis, seus riscos e respectivas formas de transmissão. Muitas vezes, os serviços de saúde não estão capacitados para dialogar com isso".
A manifestação da sífilis adquirida se dá por meio de feridas no local de entrada da bactéria no corpo, levando posteriormente a causar manchas no corpo. Em sua fase avançada, a doença leva ao aparecimento de lesões na epiderme, olhos e sistemas cardíaco e neurológico, podendo levar a morte. No caso da sífilis congênita, a infecção ocorre ainda no útero da mãe, podendo levar a má formação do feto, aborto e morte.
Ambas as formas da doença são tratáveis se diagnosticadas a tempo. A contenção da doença pode ser feita a partir do uso de preservativos e outras formas de relações sexuais seguras. O tratamento deve ser feito com o uso da benzetacil.
Ouça a seguir o podcast do Jornal da Unicamp sobre o tema. Francisco Hideo Aoki e Felipe Monte Cardoso falam sobre a escalada da doença no país e as consequências para a saúde pública no Brasil.


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