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quinta-feira, 2 de agosto de 2012


“Os maus-tratos contra crianças palestinas é inaceitável”



por Thalif Deen, da IPS
embaixador “Os maus tratos contra crianças palestinas é inaceitável”
Embaixador Palitha Kohona. Foto: UN Photo/Paulo Filgueiras
Nações Unidas, 2/8/2012 – Uma missão investigadora da Organização das Nações Unidas (ONU) no território palestino de Gaza determinou que as crianças dessa área sofrem maus-tratos inaceitáveis por parte das forças de ocupação israelenses. Depois da missão e de audiências realizadas no Cairo e em Amã, o Comitê Especial para Investigar as Práticas Israelenses que Afetem os Direitos Humanos do Povo Palestino iniciou um mordaz ataque ao Estado judeu pelo que considera sua contínua negação de direitos humanos fundamentais, e a qualificou de totalmente “inaceitável”.
O presidente do Comitê, embaixador Palitha Kohona, representante permanente do Sri Lanka na ONU, criticou especialmente as forças israelenses por seu inflexível tratamento dispensado às crianças, a maioria acusada de atirar pedras contra militares armados. “Soldados israelenses cercam as casas das crianças altas horas da noite, atiram granadas, quebram portas, frequentemente disparam projéteis letais e não apresentam nenhuma ordem judicial”, descreveu Kohona. Os menores são amarrados e têm os olhos vendados, em seguida são levados embora em veículos militares, acrescentou.
Em entrevista à IPS, o embaixador disse que a situação nos territórios ocupados não registra melhoras significativas desde suas últimas três visitas à região. Segundo testemunhas, as crianças detidas costumam ser proibidas de receber visitas de familiares e também defesa legal, permanecem encerradas em celas com adultos, têm negado o direito à educação, e mesmo com 12 anos de idade são julgados em tribunais militares israelenses, enfatizou Kohona.
O Comitê também recebeu denúncias sobre 192 crianças e adolescentes detidos, dos quais 39 eram menores de 16 anos, destacou Kohona, ex-chefe da seção de tratados das Nações Unidas. A prática israelense de demolir casas palestinas continua, e também aumentou a violência dos colonos judeus, acrescentou. O Comitê Especial, criado pela Assembleia Geral em dezembro de 1968, é completado com outros dois diplomatas: o malaio Dato Hussein Haniff e o senegalês Fod Seck.

Quando a maternidade é uma oportunidade para empreender

Empresas com sede em casa são alternativas para mulheres que querem conciliar seu próprio negócio com a criação dos filhos Leia mais



Nas favelas dominadas por facções criminosas, uma lei própria impera: mulher que trai o marido, briga, é homossexual ou faz qualquer coisa que desagrade o comando é condenada a ter o cabelo raspado

Por Mariana Sanches. Fotos André Vieira
A cabeleireira Silvia Regina Evangelista foi surrada e ficou careca a mando do ex-namorado, que cumpre pena por tráfico


"Carlos Renato ficou surpreso porque a mulher 
o denunciou por ter raspado a cabeça dela" 
Jorge Veloso, delegado

As cenas eram fortes. Especialmente para uma garotinha de um ano de idade. A porta da casa foi arrombada. Duas mulheres e três homens entraram e arrastaram a mãe do bebê, Silvia Regina Evangelista, aos tapas e pontapés para fora de sua casa — deixando para trás a menina de olhinhos assustados. Silvia foi levada até um matagal na Favela do Arrastão, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ali, foi surrada a pauladas e teve seus cabelos longos, lisos e pretos totalmente raspados. A sessão de tortura era a aplicação da pena prevista em uma espécie de “Código Penal” dos traficantes do Rio de Janeiro. Mulher que abandona o marido na cadeia é condenada a ser espancada e a ter os cabelos raspados. Os algozes dela eram: a ex-sogra, a ex-cunhada e três comparsas — todos agindo a mando do ex-namorado, Carlos Renato.
Ele ordenou a ação de dentro do Presídio Muniz Sodré, em Bangu, onde cumpre pena por tráfico de drogas. É acusado de ser integrante da facção criminosa Comando Vermelho. O crime contra Silvia foi o desfecho de uma relação que envolveu mais conflitos do que amor. O relacionamento durou dois anos, entre rupturas e reconciliações.

A gravidez aconteceu nesse conturbado contexto e Silvia não tem certeza de que Carlos Renato seja o pai da criança. Na versão dela, o envolvimento dele com o tráfico ocorreu durante o romance, depois que ele abandonou o mal remunerado emprego em um ferro-velho. Foi então que o comportamento do rapaz mudou. “Nos primeiros três meses, ele era carinhoso e fomos morar juntos. Depois, começou a se revelar. Ia para a rua e me deixava trancada em casa, chegava bêbado e queria me agredir”, diz Silvia. A prisão de Carlos Renato, pego em flagrante com drogas, teria sido o estopim da separação. Silvia diz que nunca quis ser mulher de bandido e que não era mais feliz com o namorado. “Fui visitá-lo três ou quatro vezes na cadeia. Da última vez, ele me tratou muito mal, começou a me xingar, discutimos. Eu estava grávida e quase perdi o bebê. Fiquei três dias no hospital. Depois disso, não quis mais saber dele, voltei para a casa da minha mãe”, afirma Silvia, que, ironicamente, trabalhava como cabeleireira antes de ter a cabeça raspada. Descontente com o abandono e disposto a “resolver” o assunto, Carlos Renato recorreu ao castigo aplicado pela própria mãe.

Denunciado por Silvia, ele demonstrou uma única consternação. “Carlos Renato ficou muito­ surpreso por ela ter procurado a polícia”, afirma o delegado Jorge Veloso, da 74a Delegacia de Polícia do Rio, em Alcântara. “Ele achou que ela ‘arquivaria’ a agressão, ficaria no âmbito do constrangimento e só. Jamais imaginava que a coisa tivesse essa repercussão, que ele fosse acusado de tortura e sequestro.”

O crime de Carlos Renato é bárbaro. E barbaramente corriqueiro nas favelas fluminenses. Há uma série de condutas que podem desencadear esse tipo de castigo em uma favela comandada pelo tráfico: traição (ou mesmo apenas suspeita de traição), rompimento de namoro, briga entre moradoras na favela, mulheres que visitam parentes em comunidades dominadas por quadrilhas rivais, briga de mulheres por um homem, homossexualidade feminina e qualquer outra coisa que possa ser feita por uma mulher e considerada inadequada pelos donos do morro. Todas as facções criminosas do Rio, à exceção das milícias (organizações militares e paramilitares que têm dominado os morros­ e que estabelecem outras regras de conduta e outros métodos punitivos), são temidas pelo castigo de arrancar da mulher os cabelos e, com ele, a feminilidade e a vaidade. Um dos traficantes mais procurados do estado, Anderson Rosa Mendonça, conhecido como Coelho, ligado à A.D.A. (Amigos dos Amigos), é descrito na página de internet da Polícia Civil fluminense como um bandido altamente perigoso, que “costumava castigar os moradores que se envolvessem em confusão e chegava a mandar raspar a cabeça das mulheres que brigam nos bailes funk”.


"Os traficantes aplicam um castigo exemplar porque isso também serve para ‘educar’ a favela" 
Julio Ludemir, escritor

Dor silenciosa Desde a década de 80, um número incalculável de mulheres no Rio de Janeiro passou pelo cruel ritual de terem seus cabelos extirpados depois de serem julgadas pelo­ Tribunal do Tráfico. Ao longo de três décadas, o sofrimento delas tem sido silencioso para o restante da sociedade. Sua humilhação e sua dor são expostos apenas dentro da comunidade, onde apanham e têm a cabeça raspada no meio da rua, diante da plateia de moradores. Embora abundantes, os casos não costumam chegar às autoridades. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, chefiada por uma mulher, a delegada Marta Rocha, não tem estatísticas sobre o assunto. E até ela pouco soube dizer. Marta afirmou já ter ouvido falar que as mulheres fluminenses são vítimas frequentes desse tipo de castigo, mas desconhece casos e detalhes do problema.

Raspar os cabelos femininos como forma de punição não é uma invenção carioca. Em 1944, tão logo a França se viu livre dos invasores alemães na Segunda Guerra Mundial, cerca de 20 mil mulheres acusadas de terem colaborado, de alguma maneira, com os nazistas tiveram seus cabelos raspados em praça pública, em sessões de humilhação que incluí­am também apedrejamentos e cusparadas da população que assistia. A intenção era criar uma marca indelével. A vida dessas francesas tornava-se quase insustentável em seu próprio país­. A dinâmica do que aconteceu no século passado é semelhante à da punição que o tráfico emprega até hoje. “Aplica-se um castigo exemplar, no meio da rua, porque isso também serve para ‘educar’ a comunidade”, afirma o escritor Julio Ludemir, autor de Sorria, Você Está na Rocinha, publicado pela Editora Record em 2004.

Os requintes de tortura aplicados à mulher considerada ­infratora variam. Há surras, obrigação de andar pelada pela comunidade, pular de uma ponte sobre o esgoto, entre outros. Há até mesmo agressões com cabos de fuzil ou armas de paintball. Em dois vídeos gravados em janeiro e espalhados pela internet, há uma amostra do tipo de sessão de tortura que elas sofrem. As vítimas são duas mulheres. Em cada vídeo, uma delas recebe dezenas de tiros de paintball, sem ter qualquer proteção na pele. Marcadas por hematomas e tinta, ambas têm seus cabelos, longos, totalmente cortados. Vozes no fundo pedem por mais crueldade. Outras, advogam pelo fim das agressões. Em um dos vídeos­, uma voz feminina chega a sugerir que vai vender as mechas cortadas. As duas mulheres suportam a dor e a vergonha como conseguem. Evitam reclamar ou se lamentar, o que aumentaria a carga do castigo.


Uma fonte que conhecia as vítimas dos vídeos e preferiu não se identificar afirmou que a agressão a elas aconteceu em Costa Barros, uma das áreas mais violentas do Rio, na zona norte do município. Uma das mulheres agredidas, que são primas, teria se envolvido com um traficante da A.D.A. A namorada do criminoso, insatisfeita com a traição, espalhou na boca de fumo que a amante dele tinha AIDS. Não houve exames, nem conversa. “Uma apanhou porque teria a doença e a outra porque foi cúmplice”, afirma quem acompanhou a situação. “E elas ainda saíram no lucro. Se fosse um maluco ruim, ia matar as duas, porque é um negócio muito sério espalhar a doença em um lugar onde ninguém transa de camisinha.” De cabelos cortados rente ao couro cabeludo, elas foram expulsas da favela. Marie Claire não conseguiu localizá-las.


"Aqui, a vaidade delas é o cabelo. 
É mais fácil pedir para elas fazerem dieta 
do que para cortar o cabelo" 
José Summer, dono de agência de modelos


A sessão de tortura de duas mulheres, moradoras de Costa Barros, no Rio, foi filmada e postada no Youtube, em janeiro


LEIA MAIS

http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI313737-17737,00-CABECAS+MARCADAS+PELO+TRAFICO+CODIGO+PENAL+DE+ALGUMAS+FAVELAS+CARIOCAS+CAST.html

“Interseccionalidade das agendas de Cairo e Durban” é tema de oficina no Paraná

SPM participou de oficina para a melhor discussão de temas sociais nas agendas de Cairo+20 e Durban, promovida pela Rede de Mulheres Negras do Paraná
 
Entre os dias 27 e 29 de julho,  autoridades do governo federal que participaram da oficina “Desafios de Interseccionalidade das Agendas de Cairo (1994) e Durban (2001) no Brasil – Cairo +20 e Decênio das e dos Afrodescendentes da ONU (2012 – 2022)”. O encontro, organizado pela Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN – PR), debateu os avanços e desafios a serem alcançados pelas agendas dos Planos de Ação da Conferência sobre População e Desenvolvimento estabelecida em Cairo, em 1994. 
 
O evento teve a participação da secretária de Articulação Institucionais e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Vera Soares. Ela destacou a importância do encontro por ser uma das primeiras iniciativas a discutir a interseccionalidade das agendas. “Os diálogos ajudaram a potencializar o controle social sobre a promoção da igualdade de gênero, raça e etnia”, frisou Vera Soares.
 
Entre os assuntos abordados, o evento tratou da análise das agendas de Cairo e Durban, do   processo de Revisão Global CIPD +20 e sobre o dDecênio das e dos Afrodescendentes.
 
Também foi compartilhado o Questionário Global de Avaliação do Programa de Ação da CIPD a ser respondido pelo governo brasileiro com o propósito de estimular o debate sobre como pode ser feita a articulação das agendas no âmbito nacional.


Delegadas debatem, nos dias 7 e 8/8, atendimento da segurança pública às mulheres em situação de violência

Durante o sexto aniversário da Lei Maria da Penha, titulares de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher se reunirão, em Brasília, para tratar do papel da autoridade policial nos casos de violência 
 
Acesse aqui a programação do encontro
 
A segurança pública tem papel central no enfrentamento à violência contra as mulheres. Recebe, em média, 60% dos encaminhamentos da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. No sexto aniversário da Lei Maria da Penha, 270 delegadas participação, em Brasília, do encontro nacional “O Papel das Delegacias no Enfrentamento à Violência contra as Mulheres”, organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) e pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública. 
 
O evento será inaugurado pela ministra Eleonora Menicucci, da SPM, e pelo ministro José Eduardo Cardozo, do Ministério da Justiça, entre outras autoridades do sistema de segurança pública e justiça. “A SPM  assumiu o compromisso de fortalecer as delegacias especializadas de atendimento à mulher. Entendemos  que esses são instrumentos estratégicos para agir com rigor no enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirma a ministra Eleonora Menicucci.
 
O grupo inscrito no encontro representa 54% das 378 titulares de delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAMs) e  120 postos policiais existentes no país. Dentre os estados, haverá participação integral das delegadas titulares do Acre (duas), Alagoas (três), Amapá (três), Bahia (15), Rio de Janeiro (13) e Roraima (uma). Minas Gerais é o estado que terá mais delegadas participantes, 42 das 63 existentes, sendo seguido por Santa Catarina com 26 das 32 profissionais registradas, e pelo Distrito Federal com 23 das 32 delegadas. Proporcionalmente, o estado de São Paulo terá a menor participação com apenas cinco das 129 delegadas atuantes na rede especializada de segurança pública.
 
O encontro tem como objetivo fortalecer as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e pactuar as Normas de Atendimento às Mulheres, de acordo com a Lei Maria da Penha. Também faz parte da estratégia de alcance das metas do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher de cobrir 10% dos municípios brasileiros com serviços especializados à mulher em situação de violência e aumentar em 30% a quantidade dos serviços em todo o país.
 
Encontro Nacional ‘O Papel das Delegacias no Enfrentamento à Violência contra as Mulheres’ 
Data: 7 e 8 de agosto de 2012
Horário: abertura no dia 7/8, às 9h
Local: Royal Tulip (SHTN Trecho 1, Conj. 1B, Bloco C) – Brasília/DF Período de inscrição: 1º a 30 de junho de 2012
 
Programação – “O Papel das Delegacias no Enfrentamento à Violência contra as Mulheres”
7 e 8 de agosto de 2012
 
7 de agosto de 2012 (terça-feira)
 
8h às 13h – Credenciamento
 
9h - Solenidade de abertura
 
10h - Lançamento da campanha “Compromisso e Atitude”
 
11h – Mesa-redonda: Panorama sobre as Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres: discussão sobre atendimento, procedimentos e desafios de implementação
 
12h-14h – Almoço
 
14h – Mesa-redonda: Papel das Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres frente a novos cenários de enfrentamento à violência: as formas de violência contra a mulher e a investigação policial, em especial nos casos de homicídios, violência sexual e tráfico de mulheres
 
15h30 às 16h – Intervalo
 
16h – Mesa-redonda: Papel das Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres frente a novos cenários de enfrentamento à violência: O impacto do uso das drogas na violência contra as mulheres e exploração sexual das mulheres enquanto usuárias
 
19h – Encerramento
 
8 de agosto de 2012 (quarta-feira)
 
9h - Palestra: Aplicação da Lei Maria da Penha e o enfrentamento à impunidade como forma de prevenção da violência
 
10h – Questionamentos
 
10h30 - Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência: funcionamento e fluxos para um atendimento especializado de qualidade.
 
13h - 14h30 – Almoço
 
14h30 - Síntese dos encaminhamentos propostos
 
18h - Encerramento


Cooperação entre SPM, Sudeco e CNPq vai investir na formação de mulheres em mecânica de automóveis e operação de máquinas agrícolas

02/08 - Cooperação entre SPM, Sudeco e CNPq vai investir na formação de mulheres em mecânica de automóveis e operação de máquinas agrícolas

Secretária-executiva aponta necessidade de investimento em ciência e tecnologia Foto: Isabel Clavelin/SPM
Serão disponibilizados R$ 2 milhões para realização de cursos de curta duração
Foi assinado, na manhã desta quinta-feira (02/08), um termo de cooperação técnica entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), do Ministério da Integração Nacional, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O acordo objetiva a realização de cursos de capacitação técnica, de curta duração, para ensinar mulheres a operar máquinas agrícolas e a mecânica de automóveis.
O termo tem a duração de 24 meses, existindo a possibilidade de renovação. Somente para o primeiro ano estão disponíveis R$ 2 milhões – metade de recursos da SPM e metade do Ministério da Integração Nacional (MI) – por meio da Sudeco.
Para a secretária-executiva da SPM, Lourdes Bandeira, o termo de cooperação rompe a visão tradicional das profissões “masculinas”, ainda mais quando exercidas por mulheres vulneráveis, como é o caso do projeto. Na sua fala, ela destacou a presença do CPNq no acordo faz lembrar que 54% dos doutores são mulheres, e atualmente elas ocupam 60% dos bancos das universidades. Porém, os salários mais baixos das mulheres e a pouca ocupação feminina em postos de comandos não refletem essa realidade. “Ainda precisamos investir para a inserção feminina em áreas mais tradicionalmente masculinas, como as científicas e tecnológicas”, explicou a secretária-executiva da SPM.
Lourdes Bandeira afirmou que o foco no Centro-Oeste se dá por ser uma região com a presença de grandes propriedades rurais, com ênfase na monocultura, tornando a entrada dessas mulheres no mercado de trabalho mais rápida. Segundo o superintendente da Sudeco, Marcelo Dourado, a inserção profissional será automática, promovida tanto pela Superintendência como pela SPM.
O CNPq vai, num primeiro momento, lançar uma chamada pública com ênfase no suporte dos arranjos produtivos locais. “Este edital se enquadra na visão estratégica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que é levar o conhecimento a todos o setores da sociedade brasileira”, lembrou. Ele acrescentou que o projeto contribui para o empoderamento da população brasileira – especialmente a feminina, buscando sempre a igualdade em todos os setores. O Conselho também vai capacitar os instrutores e pesquisadores que ministrarão os cursos.
“É importante que a academia saia de seus muros e capacite as pessoas”, disse o secretário executivo do MI, Alexandre Navarro. Ele acredita que o Brasil precisa de pessoas que ajudem na produção e que participem do mercado produtivo. “A presença da mulher proporciona mais correção em qualquer processo humano”, considerou.
Estiveram presentes ao evento representantes da Caixa Econômica Federal, Secretaria da Mulher do Distrito Federal, Secretaria para Assuntos da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria, Força Sindical, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir-PR), Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Ministério do Desenvolvimento Agrário.


Governo federal e Nações Unidas firmam, nesta 6ª feira, acordo em políticas de gênero, raça e etnia

Instituições assinarão uma Carta de Intenções pela promoção de políticas conjuntas. Durante o evento, serão lançados os conteúdos da Lei Maria da Penha, do Estatuto da Igualdade Racial, do Guia de Gênero Raça e Etnia para Jornalistas e do Guia da ONU para Denúncias de Discriminação Étnico-Racial, adaptados para celular. 
 
No marco de encerramento do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia, o governo federal e as Nações Unidas no Brasil assinarão uma Carta de Intenções na qual se comprometem a promover políticas conjuntas e interseccionais de gênero, raça e etnia. A cerimônia acontecerá na sexta-feira (03/08), às 10h, em Brasília.
 
A cerimônia terá a presença da secretária-executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Lourdes Bandeira; da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (seppir-PR), Luiza Bairros; o ministro da Agência Brasileira de Cooperação, Marco Farani; o coordenador-residente da ONU no Brasil, Jorge Chediek; o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara Hermoso; e o coordenador-geral da AECID, Jesús Molina. O ato terá, ainda, a presença de diversos representantes de agências da ONU, organismos internacionais, governo federal e organizações da sociedade civil.
 
Em seus três anos de trabalho conjunto, o Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia desenvolveu atividades para a implementação dos Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e de Promoção de Igualdade Racial. (saiba mais abaixo). Com o encerramento do Programa, a Carta de Intenções visa dar continuidade às ações e reafirmar o empenho do governo federal e da ONU no Brasil em desenvolver conjuntamente um plano de ação detalhado para promoção da igualdade de gênero, raça e etnia.
 
O documento aponta para o compromisso na geração de dados desagregados, com a produção de indicadores específicos e sensíveis a sexo, raça, etnia, idade, níveis geográficos e outras formas de exclusão; o fortalecimento institucional de organismos de gênero e raça e da sociedade civil brasileira para formular, implementar, monitorar e avaliar políticas públicas setoriais e intersetoriais; o treinamento de gestoras/es com foco na erradicação do sexismo e racismo institucional; a promoção da transversalidade e interseccionalidade de gênero, raça e etnia no Sistema ONU, nos governos e em iniciativas da sociedade civil.
 
Inovação tecnológica - Após a assinatura da Carta de Intenções, haverá o lançamento de aplicativos (APPs) para smartphones. O objetivo dos APPs é estimular o acesso de gestores públicos e da sociedade civil aos instrumentos de promoção da igualdade racial, por meio das novas tecnologias. Os APPs estarão disponíveis gratuitamente para download na Internet (www.generoracaetnia.org.br) e terão como conteúdo a Lei Maria da Penha, o Estatuto da Igualdade Racial, o Guia de Gênero Raça e Etnia para Jornalistas e o Guia da ONU para Denúncias de Discriminação Étnicorracial.
 
O Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia é uma iniciativa do Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com recursos do governo espanhol, para promover as metas de desenvolvimento humano acordadas pelos países-membros da ONU. Lançado em 2009 e com término previsto para 2012, o Programa é executado por seis organismos do Sistema ONU (ONU Mulheres, UNICEF, UNFPA, OIT, ONU-HABITAT e PNUD) e pelo governo do Brasil, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
 
O Programa Interagencial apoia a implementação dos Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e de Promoção de Igualdade Racial, estimulando o controle social de políticas públicas através da sociedade civil e a consolidação da transversalidade dos princípios de equidade de gênero, raça e etnia nas políticas de desenvolvimento humano.
 
O Programa atua em três linhas estratégicas:
 
Gestão pública: mensuração do impacto das políticas públicas de gênero, raça e etnia; especialização de gestoras e gestores públicos e fortalecimento dos organismos governamentais para mulheres e igualdade racial; e melhoria da rede de atendimento às mulheres.
 
Participação social: ampliação e consolidação da participação igualitária, plural e multirracial das mulheres nos espaços de decisão.
 
Comunicação: monitoramento dos conteúdos e incentivo para maior cobertura da temática de promoção da igualdade de gênero, raça e etnia nos meios de comunicação; especialização de profissionais de mídia nos temas de gênero, raça e etnia; e estímulo às ações de mídia e advocacy.
 
 
Saiba mais sobre o Programa:
 
Assinatura da Carta de Intenções entre a ONU e o governo brasileiro pela promoção de políticas de gênero, raça e etnia
Data: 3 de agosto de 2012 (sexta-feira)
Horário: 10h
Local: Auditório da Seppir (Esplanada dos Ministérios, térreo do bloco A) – Brasília/DF


Por Mariana Sanches

No Brasil, as estatísticas do câncer de mama assustam: uma mulher morre a cada 36 minutos por conta da doença. Organização criada por brasileiros e americanos arrecada dinheiro para comprar e doar mamógrafos para os rincões mais carentes do país

DONA ROSA, A FILHA E OS DOIS NETOS, ANTES DO EXAME. ELA ESTAVA PREOCUPADA DE TER QUE TIRAR A ROUPA EM PÚBLICO

O sorriso fácil não esconde um brilho de medo e dúvida nos olhos negros. Há 12 anos, Maria de Jesus Ferreira Leal, de 37, suspeita que por trás da fartura dos seios, que alimentaram seus quatro filhos, se esconda um inimigo mortal. Ao longo desses anos, ela não se lembra de nenhum dia que não tenha sentido dor na mama esquerda. Recentemente, gotas de sangue brotaram de seu mamilo. O temor dela é reeditar a história da tia, que sofreu com câncer de mama.

Dado o histórico familiar e os sintomas preocupantes, Maria já deveria ter realizado uma mamografia há tempos. Mas nem a saúde pública local nem o orçamento da família Leal permitiram. Maria mora em uma palafita na Ilha do Pau Rosa, em Marajó, Pará. Ali, não há sequer posto de saúde. Consultas médicas dependem de uma viagem de 24 horas em um barco, pelo Rio Pará, até Belém. O trajeto, desgastante, não sai por menos de R$ 30, um preço alto para quem depende do dinheiro do Bolsa-Família para viver. Conseguir marcar um exame de mamografia nos concorridos hospitais públicos da região exigiria muito mais tempo e dinheiro do que Maria poderia custear. Para tentar aplacar o incômodo, ela recorria a qualquer pílula que tivesse e tomou até antigripal. Se não curavam as dores no peito, os comprimidos davam algum alento a sua angústia. 

Graças a um improvável encontro com as altas sociedades brasileira e americana, Maria conseguiu fazer sua primeira mamografia recentemente. O encontro começou a ser gestado há cerca de cinco anos, quando a americana Bárbara Sobel era embaixatriz dos Estados Unidos no Brasil. Bárbara, cuja mãe morreu de câncer de mama, engajou-se em formar uma cooperação entre os países da América para pesquisar e combater a doença. Ela imaginou uma organização, batizada de "Américas Amigas", capaz de arrecadar dinheiro para comprar e doar mamógrafos para os rincões mais carentes do Brasil.

ROSA MARIA TAVARES, DE 54 ANOS, NUNCA TINHA OUVIDO FALAR SOBRE MAMOGRAFIA. ACREDITAVA SE TRATAR DE UM EXAME NA BARRIGA

Eike Batista, Gucci e os mamógrafos 

Em um país onde uma mulher morre a cada 36 minutos por conta da doença, o acesso ao diagnóstico é um problema evidente. “Infelizmente, o auto-exame sozinho não é capaz de detectar nódulos malignos no início, quando eles ainda são curáveis“, afirma Francisca de Paula Harley, presidente da organização. “Só a mamografia é capaz de fazer esse diagnóstico mais preciso. Como o acesso ao exame ainda é difícil, quase metade dos casos de câncer de mama das brasileiras são detectados já em estágio avançado. Duas em cada cinco mulheres não sobrevivem por causa disso.” Bárbara e Francisca convocaram amigos ilustres, como o casal Adrienne e Nelson Jobim, então ministro da defesa do Brasil e Chella Safra, mulher do banqueiro Moise Safra, para transformar o sonho em máquinas de mamografia. As doações vieram de gente como o bilionário empresário Eike Batista e de marcas como Gucci e Microsoft. E já foram convertidas em 20 aparelhos (cada um custou cerca de R$ 220 mil), espalhados por nove estados brasileiros.

Falta mamógrafo no Brasil? 

Um cruzamento entre os dados de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Sistema de Informação do Câncer de Mama (SISMAMA), de 2010, indica que não há falta de mamógrafos no Brasil. O país possui 32,6 mil mulheres com idade superior a 40 anos e que, por isso, deveriam se submeter à mamografia uma vez ao ano, segundo a recomendação do Ministério da Saúde. Os 7,9 mil mamógrafos existentes no país seriam, em tese, capazes de fazer 32,8 mil exames por ano e, portanto, dariam conta da demanda nacional. Mas a estatística é uma distorção da realidadeAssim como acontece com a renda, o problema dos mamógrafos está na má distribuição. Norte e Nordeste tem déficit de aparelhos. “Quando meu marido era ministro da Defesa, eu o acompanhei em visitas aos batalhões de fronteira e vi o quanto as pessoas da região norte são desamparadas. Quem remedia a situação ali são os médicos do Exército e da Marinha, que percorrem a região“, afirma Adrienne Jobim. “Fizemos um levantamento e verificamos que no estado do Pará só havia 27 mamógrafos. Então, sugeri que a "Américas Amigas" fizesse uma parceria com a Marinha para doar aparelhos para lá”. Em 2010, dois navios foram equipados com mamógrafos especialmente adaptados para compensar o balanço das águas e não prejudicar a qualidade das imagens feitas pelos aparelhos. A iniciativa é inédita no mundo. Leia mais

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Maior igualdade de gênero na política é ‘boa notícia’ para o mundo do trabalho, afirma OIT


Maior igualdade de gênero na política é boa notícia para o mundo do trabalho, afirma OITOs progressos alcançados recentemente em diversos países em favor da promoção de um maior número de mulheres em altos cargos políticos são “uma boa notícia para o mundo do trabalho”. A afirmação é da Diretora do Departamento para a Igualdade de Gênero da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Jane Hodges.
“Mais mulheres na política significa que a igualdade de gênero está penetrando na mente dos eleitores”, declarou Hodges, ao comentar os recentes eventos que conduziram à nomeação ou eleição de mulheres para altos cargos políticos em diversos países. Estes progressos compreendem, entre outros, a vigência da paridade de gênero no governo francês e a nomeação da primeira mulher como Presidenta da Comissão da União Africana.
“Os países ocidentais não necessariamente lideram a promoção da igualdade de gênero em nível político”, acrescentou, ao destacar que Ruanda alcançou de fato a paridade mulheres-homens no Parlamento já em 2003. Na atualidade, a África conta com duas mulheres chefes de Estados, na Libéria e no Malauí.
No entanto, mesmo quando as mulheres ocupam altos cargos políticos, podem receber um tratamento injusto. Por exemplo, as mulheres geralmente devem enfrentar um juízo mais severo sobre sua atuação, inclusive em relação a detalhes sobre como se vestem.
Mundo do trabalho pode fazer mais
Além disso, é possível realizar maiores esforços para melhorar a igualdade de gênero, inclusive no mundo do trabalho. Jane Hodges referiu-se especificamente às principais conclusões de um estudo intitulado ‘Equilíbrio de Gênero na Conferência Internacional do Trabalho’, que acaba de ser publicado sobre a representação de mulheres e homens na Conferência Internacional do Trabalho (CIT), a reunião anual da OIT que congrega mais de 3 mil delegados de governos, trabalhadores e empregadores.
As estatísticas recolhidas entre 2006 e 2012 mostram que o número de mulheres participantes da CIT diminuiu de 28,5% em 2009 para 26,9% em 2012. O estudo também analisa os ministros de governos que falaram na sessão plenária da CIT. Mostra que 24,8% dos oradores entre os ministros eram mulheres, em comparação com 29,3% do ano anterior.
A OIT, baseando-se neste déficit de gênero que resulta problemático para todos seus constituintes, decidiu começar a identificar iniciativas de boas práticas nos governos que têm ao menos 50% de mulheres em suas delegações. Estas práticas serão compartilhadas com o objetivo de deter a tendência atual.
“A eleição ou nomeação de mulheres, seja nos negócios ou na política, geralmente recebe muita atenção dos meios de comunicação. De maneira que uma maior igualdade de gênero nestes âmbitos envia um sinal muito forte a toda a comunidade. Qualquer passo à frente nos ajudará a promover o trabalho decente e a empoderar as mulheres em todos os níveis”, concluiu Hodges.
Acesse o estudo sobre a igualdade de gênero na Conferência Internacional do Trabalho clicando aqui.


A feminização do HIV alarma organizações de mulheres



por Gladis Torres Ruiz, da IPS

e4 A feminização do HIV alarma organizações de mulheres
Washington, Estados Unidos / Cidade do México, México, 1/8/2012 (IPS/Cimac) – A “feminização” do vírus HIV é um fenômeno que exige ações urgentes, afirmaram organizações civis durante a 19º Conferência Internacional sobre Aids, realizada na capital dos Estados Unidos entre 22 e 27 de julho. Mulheres, meninas e meninos representam quase 60% das pessoas com HIV/aids no mundo. Por isso, são necessários ações e orçamentos urgentes para enfrentar uma epidemia que com o passar dos anos se “feminizou”. Esta foi a principal demanda de organizações civis de mulheres que participaram da conferência Aids 2012.

Hilda Esquivel, consultora em HIV e mulheres no México, disse que uma das maiores preocupações das mulheres é a falta de financiamento contra a epidemia, devido à ideia de que a aids é uma “etapa superada” para a humanidade, quando isso não é verdade. As meninas e as mulheres são a população mais afetada pela falta de recursos para medicamentos contra a doença, alertou.
A Onusida informa que até 2011 havia no mundo 34 milhões de pessoas vivendo com HIV/aids. Destas, 15,9 milhões são mulheres e 3,4 milhões meninas e meninos. Esta população representa 57% dos casos registrados em escala global. A grande maioria das pessoas com HIV/aids vive em países de renda baixa ou média. Calcula-se que em 2010 2,7 milhões de pessoas contraíram a infecção. Na América Latina, cerca de 560 mil mulheres e meninas vivem com o HIV, o que equivale a 36% de todas as pessoas que têm o vírus na região. No México, segundo dados oficiais, há 220 mil adultos com HIV, dos quais 60% são homens, 23% mulheres heterossexuais e 6% clientes de “trabalhadoras sexuais”.
Na conferência Aids 2012, especialistas concordaram que as mulheres devem ser uma prioridade na pesquisa, no cuidado e no tratamento em todos os níveis da doença. Integrantes da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV/aids – Global (ICW-Global) criticaram o fato de, apesar de representarem mais da metade dos casos, elas não receberem a mesma proporção de fundos contra a epidemia. A ICW-Global é uma rede com mais de 15 mil mulheres de 120 países, presidida pela argentina Patricia Pérez.
Hilda Esquivel explicou à Cimac/IPS que apenas 46% dos países destinam em seus orçamentos recursos específicos para mulheres com HIV/aids. Acrescentou que muitas nações carecem de leis contra a “criminalização” das mulheres, adolescentes, meninas e jovens portadoras do vírus. Em sua intervenção na conferência, o diretor do Departamento de HIV da Organização Mundial da Saúde (OMS), Gottfried Hirnschall, considerou essencial fornecer tratamento antirretroviral a mulheres grávidas, HIV positivas e a populações vulneráveis. Isso para manter as pessoas com o vírus em boas condições de saúde e reduzir o contágio, explicou.
A maioria das crianças que vivem com HIV moram na África subsaariana e contraíram o vírus por meio de suas mães HIV positivas durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Pérez se reuniu com o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e com a secretária-executiva da Comissão Interamericana da Mulher, Carmen Moreno, para denunciar os problemas que enfrentam mulheres, meninas e adolescentes que vivem com HIV em vários países latino-americanos. “Elas são vítimas de violência doméstica, estigma e discriminação no trabalho e na sociedade”, ressaltou.
Insulza propôs uma série de ações regionais de alerta para evitar essa situação, e convidou Pérez para reuniões de trabalho em outubro, para estabelecer uma estratégia conjunta entre a OEA, com sede em Washington, e os capítulos nacionais da ICW-Global na região.
Ao falar na conferência Aids 2012, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, anunciou doação de US$ 80 milhões para a atenção com mulheres grávidas com HIV em países pobres, sem acesso aos antirretrovirais. “Os Estados Unidos estão enfatizando a igualdade de gênero porque as mulheres necessitam e merecem uma voz nas decisões que afetam suas vidas”, declarou Clinton. Entretanto, o governo dos Estados Unidos também recebeu reclamações das organizações de mulheres.
A Rede de Mulheres Positivas dos Estados Unidos afirmou que uma em cada quatro pessoas que vivem com HIV/aids nesse país é mulher, e que são elas que enfrentam maiores barreiras para ter acesso aos serviços de saúde. A situação se agrava para as mulheres afro-americanas, acrescentou.
A Conferência Aids 2012 foi encerrada com a Declaração de Washington, de nove pontos. No ponto dois solicita-se assegurar a prevenção, o tratamento e a atenção do HIV em relação aos direitos humanos de mulheres vulneráveis, pessoas jovens e mulheres grávidas que convivem com o vírus, já que são elas que correm maiores riscos e têm mais necessidades. No ponto cinco pede-se dar tratamento a todas as mulheres grávidas e na fase de amamentação que convivem com o HIV, para acabar com a transmissão perinatal. “Podemos apoiar as mulheres para que permaneçam vivas e em bom estado de saúde e para acabar com as infecções perinatais pelo HIV”, afirmaram os signatários.
Os especialistas concordaram que a condição social desigual das mulheres as expõem a um risco mais alto de contrair o HIV/aids. Alertaram que as mulheres estão em desvantagem no tocante ao acesso à informação sobre prevenção, na capacidade de negociar e no uso de preservativos nos encontros sexuais, e quanto ao acesso seguro ao tratamento uma vez contraída a infecção.
A conferência reuniu 21 mil delegados de 195 países, entre os quais especialistas no assunto, legisladores, funcionários, pessoas que vivem com HIV, bem como organizações civis.  O objetivo foi avaliar o estado atual da enfermidade, conhecer os avanços científicos recentes e traçar coletivamente o caminho a seguir na luta contra a aids. A reunião aconteceu nos Estados Unidos pela primeira vez em 20 anos, porque até 2010 as pessoas portadoras de HIV estavam proibidas de entrar nesse país. Envolverde/IPS

Pelo fim do preconceito com a adoção

O preconceito com o ato da adoção diminuiu. Mas ele continua na linguagem do dia-a-dia. E na mídia. É o que afirma, no post abaixo, a jornalista Germana Costa Moura, mãe de Roberto e Miguel. 


Eu adoro falar e escrever sobre adoção. Frequento grupos de apoio, escrevo em um blog sobre o assunto, participo (como ouvinte) de um fórum virtual no Facebook, até uma espécie de cartilha para amigos que querem adotar eu já produzi. Tudo muito informal, do meu jeito…. Não, não sou especialista, nem advogada, nem psicóloga, nem assistente social. Sou mãe – e ponto. E, antes que você entenda errado, destaco aqui o meu ponto de vista: eu tento falar de adoção sem diferenciar a adoção, sem sacralizar a adoção. Acho que a minha melhor contribuição é exatamente essa: apenas a de mãe, uma mãe que tenta ser o mais normal possível.
Quando me perguntam como é ser mãe adotiva, respondo: como é ser uma mãe adotiva que se preocupa quando o filho tem febre? Como é ser mãe adotiva e ficar exibindo as gracinhas dos seus filhos? Como é ser mãe adotiva e tentar conciliar filhos e trabalho?
Tudo isso é para dizer o seguinte: acreditem ou não, somos uma família normal. Igualzinha às outras. A diferença é que meus filhos não foram gerados por mim e meu marido. Demoraram bastante para chegar, houve processos, uma preparação, uma habilitação na Vara da Infância. Mas, depois que chegaram, cadê a diferença?
Óbvio que a questão é trabalhada, que conversamos sobre isso em casa, que tentamos explicar tudo aos nossos filhos de uma forma amorosa para que eles cresçam sabendo a verdade sem traumas. Mas, os nove meses que perdi sem gerar meus dois filhos são hoje um detalhe há muito tempo superados pela quantidade de beijos, de abraços, de broncas, de choros, de malcriações, de abraços, de soninhos no meu colo, de banhos de banheira, de almoços demorados que já vivemos juntos. Para mim o que me importa, é se meus filhos riem, se obedecem, se ficam doentes, se dormem na hora (como seria bom se dormissem na hora!), em resumo, se estão bem.
E é em nome dessa normalidade que fico assustada quando vejo na mídia a adoção ser destacada como uma característica, um diferencial. Quer um exemplo? Quando Chico Anísio morreu, alguns de seus filhos deram entrevistas sobre o pai. Um deles, André Lucas, é filho adotivo. É tão filho de Chico como os outros seis, tem o sobrenome paterno, os mesmos direitos e inclusive até seguiu a carreira artística. Mas nenhum jornal que eu tenha lido se referiu a ele simplesmente como filho. Havia sempre o adjetivo ao lado. Para que? A matérias eram sobre adoção? Totalmente desnecessário. Agora mesmo pesquisando na Wikipedia para descobrir o nome exato desse filho em especial, encontrei a descrição: “André Lucas  de Oliveira Paula é um humorista brasileiro, mais conhecido por interpretar  Seu Aranha, o “Puliça”, na Escolinha do Professor Raimundo entre 1993 e 2001. É filho adotivo de Chico Anysio”. Se eu fosse o ator, tentaria mudar essa definição no Wikipedia e na mídia em geral.  Para irritar mais ainda, dei de cara com este título em um site voltado para celebridades, a respeito da morte do grande comediante: “Meu pai é feito Pelé, diz filho adotivo de Chico Anysio”.  (os grifo são meus)
Na minha visão, isso é preconceito da mídia. Não tem outra explicação. O mesmo acontece com os fofos filhos de Marcelo Antony. Quando o ator se casou com Carolina Villar, notei a seguinte legenda em uma das fotos de revista de celebridade: “Francisco, 8 anos, filho adotivo de Marcello Antony, chegou acompanhando o pai” (o grifo novamente é meu).
E assim vai. Meus olhos treinados encontram preconceito e exageros em toda a parte. Uma vez, em São Paulo, quase engasguei o jantar quando apareceu na TV um comercial infeliz. Um pai revelava à sua filha que não era seu pai “de verdade”. E ela respondia que tudo bem, afinal o desconto da concessionaria de automóveis era de verdade. Esqueci a marca do carro, mas merecia um boicote. Que ideia mais idiota!!!
Nas novelas, nem preciso citar. “Fina Estampa” tinha o terrível segredo de Tereza Cristina (interpretada por Cristiane Torloni): ela era filha adotiva e era capaz de matar e chantagear para esconder essa questão. Ok, é ficção, mas o que dirão nossos filhos adotivos em contato com essa mensagem? A novela acabou e “Avenida Brasil” estreou com novos casos de adoção — Jorginho, Rita/Nina, Iran e Ágata. Adorei. Pensei: Taí uma chance de reposicionar a questão. E de fato João Emanuel Carneiro, o autor, foi muito feliz, mostrando a adoção tardia de Iran por Monalisa (já viram que sou noveleira, ne?) e a de Rita pela família Argentina. Mas nos capítulos mais recentes eu ficava desesperada de deixar meu filho na sala: a frase que eu mais ouvia (aos berros pelo personagens) era: “eu sou seu filho de verdade”. A menina Ágata, filha biológica de Carminha, mas adotada por Tufão, comemorava ao descobrir que Jorginho era “filho de sangue” da Carminha: “Então ele é meu irmão de verdade!”. Vem cá, Ágata, numa boa. Ele era seu irmão de mentira???
É por aí. Como eu disse lá no começo desse texto, não existe filho de verdade ou de mentira. Filho é filho e pronto. Com esse texto, queria pedir a vocês para combater o preconceito que ainda existe contra a filiação adotiva. Está nas entrelinhas… é um rótulo que gruda e é difícil combater. Essa história de adotivo não tem importância nenhuma. A melhor resposta foi dada pela filha de uma querida amiga, uma menina linda chamada Helena, que hoje está na adolescência e disse essa frase genial lá pelos seus dez anos por aí: “Mãe, eu fui adotada, sim. Mas hoje sou filha”.

Ex-mulher de pedófilo e assassino belga autorizada a entrar em convento | euronews, mundo


A ex-mulher do pedófilo e assassino belga Marc Dutroux poderá ser libertada depois de cumprir mais de metade da pena de 30 anos de prisão para entrar num convento.
A autorização dada pelo tribunal de Mons foi no entanto suspensa pela procuradoria-geral belga, que dispõe de 30 dias para se pronunciar sobre a libertação efetiva.
O advogado de Michelle Martin diz que “ela pretende ajudar as freiras em projetos humanitários, nomeadamente na preparação de alimentos para os mais necessitados. Ela quer realmente fazer coisas concretas para tentar redimir-se, pois sente-se culpada”.
A confirmar-se a libertação, Martin será acolhida pelo convento das irmãs Clarissas de Malonne, perto de Namur, no sul do país.
A notícia motivou reações de desagrado e receio por parte dos habitantes da pequena localidade belga.
Uma mulher explica que não se sente segura por que tem filhos, “um dos quais anda no jardim-escola [do convento]”.
Outro residente explica, indignado, que “o convento é um local que acolhe crianças e, hoje em dia, recebe assassinos. É uma vergonha, é monstruoso e não é normal”.
Na prisão desde 1996, Michelle Martin foi reconhecida culpada de sequestrar várias das vítimas de Marc Dutroux e de ter deixado morrer de fome duas crianças de oito anos, fechadas por trás de um muro na casa onde vivia com o então marido, perto de Charleroi.

Agressores de mulheres deverão ressarcir pagamento de benefícios previdenciários a suas vítimas

01/08 - Agressores de mulheres deverão ressarcir pagamento de benefícios previdenciários a suas vítimas
Ministra Eleonora Menicucci, Maria da Penha Maia Fernandes e ministro Garibaldi Alves em ato realizado em Brasília Foto: Nei Bomfim/SPM
INSS deve juizar a primeira ação regressiva relacionada à violência contra a mulher no dia 7 de agosto, quando a Lei Maria da Penha completa seis anos

Do Ministério da Previdência Social
Na próxima semana, no dia 7 de agosto, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deverá ajuizar a primeira ação regressiva relacionada à violência doméstica e familiar praticada contra a mulher. A data foi escolhida por ser o aniversário da Lei nº 11.340/2006, que ficou conhecida como a Lei Maria da Penha. Nessa terça-feira (31/07) foram formalizadas parcerias entre o Ministério da Previdência Social, a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPm-pr), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Instituto Maria da Penha para a realização de ações e políticas de proteção à mulher.
A ministra Eleonora Menicucci, da SPM, o ministro Garibaldi Alves Filho (Previdência Social), o presidente Mauro Hauschild (INSS) e a vice-presidente Regina Célia Almeida Silva Barbosa (Instituto Maria da Penha) foram signatários de um convênio e um acordo que estabelecem medidas preventivas e repressivas como ações socioeducativas e o ajuizamento de ações regressivas. 
Na avaliação da ministra Eleonora Menicucci, a iniciativa da Previdência Social de cobrar, aos agressores de mulheres, reparação financeira dos valores pagos em benefícios previdenciários resultado da violência doméstica terá, sobretudo, um caráter pedagógico. Ela elogiou o fato de, pela primeira vez na história, um ministério ter procurado a SPM solicitando e propondo uma parceria concreta.
Por sua vez, o ministro Garibaldi Alves Filho declarou que a Previdência Social procurará a Secretaria da ministra Eleonora Menicucci e o Instituto Maria da Penha para outros acordos que protejam a mulher contra a violência doméstica. “Temos que fazer com que a violência contra as mulheres se torne cada vez mais residual, minoritária e a expressão de um absurdo”, declarou o titular da Pasta da Previdência Social. Ele concluiu que a violência empobrece a condição humana. 
Já a fundadora do Instituto Maria da Penha, a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, parafraseando Martin Luther King, declarou que sonhou com o dia em que as mulheres do Brasil viveriam livres da violência doméstica. “A cada solenidade como essa de hoje vejo o meu sonho se aproximar da realidade”, afirmou Maria da Penha. O presidente do INSS, Mauro Hauschild, registrou que a parceria demonstra que o Estado não está mais inerte em relação às questões importantes e sensíveis às quais a sociedade está exposta.


SPM assina acordo, nesta 5ª feira, para realizar cursos para mulheres sobre mecânica e operação de máquinas agrícolas

Parceria será formalizada, nesta quinta-feira (2/8), com o CNPq e a Sudeco/Ministério da Integração Nacional para estimular arranjos produtivos locais do Centro-Oeste em favor de trabalho e renda para as mulheres. Projeto terá investimento de R$ 2 milhões do governo federal
 
Mulheres capacitadas em profissões tradicionalmente masculinas. Esse é o objetivo da cooperação técnica a ser assinada nesta quinta-feira (02/08), em Brasília, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) do Ministério da Integração Nacional e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O acordo será celebrado, às 9h, na sede da SPM. 
 
Os cursos terão curta duração e estarão voltados à capacitação técnica de mulheres em situação de vulnerabilidade social ou de baixa renda. O projeto tem investimento de R$ 2 milhões, a serem aportados pela SPM e pela Sudeco, e vai dar suporte aos Arranjos Produtivos Local – APL´s de base na agricultura e na indústria automobilística da região Centro-Oeste. O CNPq garantirá o atendimento técnico dos convênios.
 
A iniciativa tem como foco a profissionalização de mulheres, através de conhecimentos técnico-científicos na área da mecânica de automóveis, operação técnica de máquinas agrícolas, entre outros. Entre os resultados esperados, está o desenvolvimento econômico sustentável e solidário da região.
 
Para a secretária de Avaliação de Políticas e Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho, a intensificação da presença da mulher em profissões tidas como não tradicionais rompe com a noção, ainda comum, de que trabalho feminino é leve e complementar ao masculino, ou ainda ligado às tarefas do lar. “Capacitar mulheres para operação de máquinas e desenvolver competências técnicas, é uma forma de ampliar as possibilidades profissionais das mulheres da região Centro-Oeste, além de alargar as possibilidades de postos empregos”, aponta a secretária.
 
A cooperação técnica entre a SPM, a Sudeco e o CNPq faz parte das ações da coordenação de Autonomia Econômica das Mulheres da SPM que atua para inserir as mulheres no mercado de trabalho formal. Também contribui diretamente para superar as desigualdades sociais existentes no mundo do trabalho e pode servir de referência para novas iniciativas.