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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ampliação do atendimento à mulher influencia no aumento de denúncias pelo disque 180

Da Redação
Agência Pará de Notícias
Um balanço anual divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da Republica (SPM-PR), divulgou o ranking nacional do Disque 180, voltado ao enfrentamento da violência contra mulheres. O Pará ocupa a segunda posição na classificação nacional de acesso ao Disque 180, com uma taxa de 809,44 registros por 100 mil habitantes em 2013, atrás apenas do Distrito Federal, com 1.171,02 registros por 100 mil habitantes.
O balanço mostra que a população está menos tolerante à violência cometida contra a mulher, além de mostrar que a ampliação dos serviços de atendimento nos municípios incentiva a denúncia contra esse tipo de crime.
O levantamento aponta um crescimento de 50% para 70% do percentual de municípios de origem das chamadas, além de um crescimento de 20% de mulheres que denunciaram a violência logo no primeiro caso. Ainda segundo o levantamento, o Pará teve, em 2013, um aumento de 6,29% nos números de municípios que ligaram para o Disque 180, em relação ao ano de 2012. Foram 130 municípios atendidos pelo serviço, deixando o estado como o quarto no ranking de municípios que mais ligaram para o serviço em busca de atendimento.
Segundo a coordenadora do Pro Paz Integrado, que atende mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência, Eugenia Fonseca, o Disque 180 é um canal de comunicação muito importante para as mulheres que sofrem diariamente com os diversos tipos de violências, além de incentivar a denúncia, seja pela vítima ou pelos parentes, amigos ou vizinhos.
Para Eugênia, os números divulgados pela SPM mostram que as mulheres paraenses estão perdendo o medo de denunciar os crimes cometidos contra elas, além de contar com um maior acesso a serviços especializados em atendimento às vítimas de violências em diversas regiões do estado, como é o caso dos núcleos do Pro Paz Integrado de Santarém, que atende toda a região do Baixo Amazonas, e o núcleo localizado no município de Bragança, que atende toda a região da Zona Bragantina.
“O Disque 180 é um aliado muito importante para nós e não vemos esses números como algo negativo. Isso mostra que as mulheres paraenses são as que mais denunciam esse crime cometido contra elas e que sabem que podem contar com novos serviços que estão a sua disposição”, declarou.
Histórias
Uma das pessoas que procurou por atendimento após ser vítima de violência, foi Z.M.V, de 19 anos, moradora no município de Prainha, localizado na região do Baixo Amazonas. A jovem tinha um relacionamento de três anos e um filho. Logo após dar à luz ao bebê, as agressões começaram.
A jovem sofria constantemente com a violência física e psicológica durante os três anos de relacionamento. Segundo Z.M.V, o seu ex-companheiro era alcoólatra e usuário de drogas e passava o dia todo fora de casa, até chegar à noite e recomeçar com os diversos tipos de agressões.
Z.M.V resolveu buscar ajuda quando seu ex-companheiro chegou em casa armado e ameaçou a ela e seu filho de morte. Ela foi até o núcleo do Pro Paz Integrado do Baixo Amazonas em busca de atendimento. “Eu vivi um período muito ruim com ele. Logo depois que tive o meu filho ele começou a me tratar muito mal. Ele começou com os xingamentos e dizia que não queria a criança na minha casa e que eu tinha que me livrar dele. Logo depois ele começou a me bater e, quando ele apareceu armado e me ameaçando, resolvi fugir com o meu filho e buscar ajuda. O atendimento que recebi no Pro Paz foi muito importante para que eu tivesse mais forças para superar tudo o que passei, principalmente por causa do meu filho. Estou muito feliz com o meu filho e agora que estou finalmente livre, espero seguir tranquila com a minha vida porque é apenas isso que importa”, disse.
Dos atendimentos realizados pelo Pro Paz Integrado no Estado, 44,8% são de violência contra a mulher. Segundo Eugenia Fonseca, desde 2012, com a descentralização do serviço do Pro Paz Integrado, as mulheres do interior têm procurado cada vez mais pelos atendimentos realizados pela equipe, que conta com a integração dos serviços médico, psicossocial, de defesa social e perícia em um único espaço, o que promove o atendimento integral, interdisciplinar e de qualidade às vítimas e seus familiares, além de garantir os direitos básicos relacionados à saúde física, emocional, mental e reprodutiva, além de prevenir DSTs/AIDS e gravidez decorrente de estupro, por meio de medidas profiláticas, nos casos detectados até 72 horas.
“Quando começamos a levar os serviços do Pro Paz Integrado para o interior, nos preocupamos em deixar todos os nossos atendimentos mais humanizados para que a vítima se sinta segura em denunciar, além de contar com todo o procedimento em um único espaço. A vítima de violência não vai precisar ir para outro lugar, como uma delegacia, por exemplo, e repetir o mesmo depoimento. Isso diminui a chance de que a vítima sofra com o trauma e com a revitimização no futuro”, afirmou.
Segundo o coordenador Geral do Pro Paz, Jorge Bittencourt, o processo de descentralização dos serviços do Pro Paz Integrado para outras regiões do estado vão continuar. Ainda no mês de maio serão inaugurados dois núcleos de atendimentos do Pro Paz Integrado, um no município de Altamira e outro em Tucuruí.
O primeiro vai atender a população dos municípios da região de integração do Xingu e o segundo, a população da região de integração dos Lagos. "Estamos ampliando nossa área de atendimento para que mais pessoas tenham acesso a esse tipo de serviço. Atender essas regiões é um compromisso do Governo do Estado, para que as mulheres vítimas de violência se sintam seguras em denunciar e deixem de ser reféns da violência, além de ter a garantia de um serviço integral e de qualidade”.
O Pro Paz Integrado é reconhecido pelo Ministério da Saúde como modelo na atenção à saúde integral das vítimas de violência. O projeto oferece em um único espaço atendimento com médicas, assistentes sociais, peritas, psicólogas e delegadas. O Pro Paz Integrado também tem o seu modelo de atendimento reconhecido internacionalmente pela World Childhood Foundation, ONG que que promove a defesa dos direitos da infância no mundo, com foco no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Tiago Furtado
Pró Paz

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