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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Série sobre domésticas latinas gera polêmica nos EUA

Foto: Getty Images
As atrizes Edy Ganem, Dania Ramirez e Ana Ortiz, e a produtora executiva Eva Longoria na festa de lançamento da série
Uma série que retrata o cotidiano de cinco domésticas latinas em mansões de Beverly Hills, na Califórnia, vem causando polêmica nos EUA e um bate-boca na internet entre os que acusam o programa de reforçar estereótipos ligados à comunidade hispânica e aqueles que defendem tratar-se apenas de bom entretenimento.
"Devious Maids", novo projeto de Marc Cherry, criador de "Desperate Housewives", é a primeira série de língua inglesa exibida no horário nobre da TV americana em que todas as protagonistas são latinas.
Baseada na telenovela mexicana Ellas son la Alegría del Hogar ("Elas são a alegria do lar", em tradução livre), a série traz no elenco Judy Reyes, Dania Ramirez, Ana Ortiz, Roselyn Sanchez e Edy Ganem.
O ineditismo da iniciativa, porém, vem sendo ofuscado pela controvérsia sobre a maneira como as personagens são retratadas. Na cena inicial do piloto, que foi ao ar no domingo passado no canal de TV por assinatura Lifetime, uma patroa acusa a empregada de dormir com seu marido e ameaça deportá-la. Mais adiante, outra dona de casa rica se surpreende pelo fato de a nova doméstica não ter sotaque.
As críticas, porém, começaram antes mesmo da estreia - que registrou audiência de 2 milhões de telespectadores, considerada modesta para o horário.

Discussão na internet

"O trailer de um minuto consegue retratar de maneira eficaz as latinas como hiperssexuais, intrometidas, dadas a intrigas e, às vezes, serviçais domésticas totalmente invisíveis", escreveu em maio a jornalista Tanisha Ramirez no portal The Huffington Post, ao descrever o programa como "uma oportunidade desperdiçada" de diversificar os papéis desempenhados por atrizes latinas - geralmente escaladas como domésticas ou babás.
Poucos dias depois, Eva Longoria, estrela de "Desperate Housewives" que assina a produção executiva de "Devious Maids", rebateu a crítica ao afirmar que as personagens têm mais de uma dimensão e não se limitam à profissão que exercem.
"A única maneira de acabar com um estereótipo é não ignorá-lo", escreveu Longoria, que além de atriz e produtora é considerada uma porta-voz da comunidade latina nos EUA.
"O estereótipo contra o qual estamos lutando é o de que, como latinas, domésticas é tudo o que somos. E esta é uma série que desconstroi o estereótipo ao mostrar que as domésticas são muito mais que isso."
A discussão continou com um texto da jornalista Michelle Herrera Mulligan, editora-chefe da revista Cosmopolitan para Latinas, da qual Longoria foi capa.
"Preciso lhe dizer que estou decepcionada", diz Mulligan a Longoria na carta aberta. "Acredito que a séria faz um tremendo desserviço às mais de 20 milhões de mulheres latinas que vivem nos EUA."

Reações

Nem todas as reações, porém, foram negativas. O presidente da National Hispanic Media Coalition (Coalizão Nacional de Mídia Hispânica), Alex Contreras, disse à BBC Brasil que assistiu ao piloto e não viu "nada de ofensivo".
"Seria ótimo que os programas de TV representassem os latinos como o presidente ou médicos. Mas não é o caso", afirmou.
"Nos 27 anos em que a coalizão existe, já organizamos vários boicotes a grandes redes de TV por difamarem a comunidade latina de uma maneira ou de outra. Mas não vejo estereótipos negativos nesta série. Se as pessoas quiserem ser contra apenas porque (as personagens) são domésticas, deveriam se envergonhar."
Além da polêmica na comunidade hispânica, a série também foi recebida com apreensão por representantes das domésticas nos EUA.
"As trabalhadoras domésticas costumam ser retratadas como não qualificadas ou como robôs, como se não fossem humanas. Ou, neste caso, como ardilosas. E isso tem uma conotação de não ser confiável", disse à BBC Brasil a coordenadora da Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas em Massachusetts, Francesca Contreras.
"Parte do trabalho de desenvolver a dignidade e o respeito que as trabalhadoras domésticas merecem na sociedade é desafiar os estereótipos", afirma Contreras.

Brasileiras

Entre a comunidade brasileira nos EUA, apesar do grande número de domésticas, a recepção foi menos polêmica. Nenhuma das personagens é brasileira.
"A imagem ligada às domésticas brasileiras nos EUA é outra", disse à BBC Brasil a diretora-executiva do Grupo Mulher Brasileira, Heloisa Galvão. O grupo, com sede em Massachusetts, é responsável pelo projeto Vida Verde, que oferece treinamento a faxineiras sobre riscos de produtos de limpeza.
"As faxineiras brasileiras são conhecidas por trabalhar bastante e limpar muito bem", afirma.
Ela faz ainda uma comparação com a imagem das domésticas retratada pela TV brasileira. "No Brasil a doméstica é sempre negra. Ou então, se for branca, é boazuda", diz.
A antropóloga americana Maxine Margolis, professora emérita da Universidade da Flórida e pioneira no estudo de imigrantes brasileiros nos EUA, observa que as brasileiras não se identificam com as hispânicas - ou com os estereótipos relacionados a elas.
"Estão sempre tentando se separar dessa comunidade", disse Margolis à BBC Brasil.
Ela afirma ter gostado do primeiro capítulo da série. "Sei que algumas pessoas dizem que não mostra as faxineiras hispânicas de uma maneira positiva. Mas não concordo", diz.
"Eva Longoria disse que as faxineiras hispânicas no programa são muito fortes. E eu achei isso também."

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