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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Seminário Internacional inicia ressaltando importância da mudança social para coibir violência sexista

(Luciana Araújo/Agência Patrícia Galvão, 20/05/2015) A solenidade de abertura do I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, realizado pelos Institutos Patrícia Galvão e Vladimir Herzog em São Paulo, reafirmou a importância da educação, políticas de prevenção e ações articuladas entre Estado e sociedade civil para enfrentar o fenômeno mundial das violações aos direitos humanos das mulheres.


O evento reúne mais de mil pessoas no auditório do Século Pinheiros. Falando pela organização do evento, Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, ressaltou a importância do debate para todos os que defendem “uma perspectiva civilizatória”. Ivo Herzog homenageou sua mãe, Clarice, como um exemplo de força e resistência à violência cultural e institucional que afeta as mulheres - arrancando uma longa salva de palmas do público.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, lembrou que não é possível desconstruir a violência sem falar em educação. “Abordar as masculinidades e formas como as desigualdades de gênero se reproduzem inclusive nas escolas” é fundamental para discutir como essa cultura violenta se transmite em toda a sociedade.

Nilcéa Freire, representando a Fundação Ford, falou sobre a importância de refletir sobre o que avalia como um “aprofundamento de um padrão de crueldade na violência de gênero” especialmente nos espaços públicos, tendo como exemplos estupros coletivos e em transportes. Fenômenos da violência sexista que vêm sendo denunciados em realidades geográfica e culturalmente distantes como a Índia e o Brasil, reiterando o que já havia dito em sua mensagem em vídeo a subsecretária das Nações Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. “A violência contra mulheres e meninas não tem fronteiras, religião, classe social, raça ou nível educacional”.

Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência, lembrou a década de 1980, quando em São Paulo surgiu o SOS Mulher e as mobilizações contra a impunidade de tais crimes. “Infelizmente mantém-se até hoje o paradigma de banalização da violência às mulheres”, frisou, acrescentando que a cultura de violência de gênero não pode ser transformada apenas com políticas públicas, mas exige também campanhas, iniciativas educacionais e envolvimento de atores sociais e empresariais.

Menicucci anunciou a inauguração da segunda Casa da Mulher Brasileira, em Brasília, para o próximo dia 28.

A ministra também leu uma mensagem  enviada pela presidenta Dilma Rousseff apontava o combate à violência contra a mulher e à desigualdade de gênero como “premissas de uma sociedade justa e democrática que nos compete construir e promover”.

O secretário municipal de Direitos Humanos da capital paulista, Eduardo Suplicy, e o diretor do Sesc, Luiz Massaro Galina, também saudaram a abertura do evento.

Mensagens da ONU apontam fim da violência sexista como desafio do século

Por meio de mensagem em vídeo Phumzile Mlambo-Ngcuka, subsecretária geral das Nações Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres, frisou que é “inaceitável” que uma em cada três mulheres no mundo sofram violência em algum momento de suas vidas. “A violência contra mulheres e meninas – seja ela física, sexual, patrimonial ou psicológica – é uma estratégia de preservação e reprodução do patriarcado”.

Phumzile afirmou também que “a realização deste seminário no Brasil reforça a reputação do país no que diz respeito aos avanços legais e políticos nesse sentido. Aplaudo a recente lei criminalizando o feminicídio no Brasil como um importante investimento na implementação do programa Mulher, Viver sem Violência. Assim como a abertura das Casas da Mulher Brasileira, que asseguram o atendimento integrado às mulheres vítimas de violência”.

A subsecretária-geral da ONU frisou que “a mídia e as religiões têm um papel destacado na formação dessa realidade, e a necessidade de “encontrar o caminho para mudar as agendas econômicas e sociais que dão a homens e rapazes acesso privilegiado ao desenvolvimento econômico e social em detrimento das mulheres e meninas”.

Phumzile ressaltou ainda que para alcançar um planeta efetivamente igualitário em 2030, como prevê a agenda “Planeta 50-50”, lançada na reunião da Comissão sobre a Situação das Mulheres ocorrida em março deste ano em Nova York, é necessária uma transformação social real para assegurar a igualdade às mulheres e jovens. “Precisamos construir um aparato em todas as áreas e garantir a elas acesso ao desenvolvimento humano sustentável, paz e segurança”, disse, concluindo que o Seminário contribui para esse novo paradigma.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, também enviou mensagem audiovisual ressaltando que colocar fim à epidemia global de violência contra as mulheres é uma das prioridades da ONU e a motivação da campanha UNA-Se, que mobiliza governos, a sociedade civil e a mídia ao redor do mundo. E, como Phumzile, citou também a campanha ‘He for She’, da ONU Mulheres, que chama os homens à responsabilidade na garantia do direito das mulheres à igualdade de gênero, afirmando que os progressos obtidos nesse sentido ainda são insuficientes.

“A violência contra a mulher ainda acontece todos os dias em todos os países. E essa é a mais extrema manifestação da opressão social, sexual, política e econômica global das mulheres e meninas. Temos que entender as causas e saber o que fazer para eliminá-la. Isso inclui mudanças na percepção das masculinidades que promovem a dominação e a agressão às mulheres. Pôr fim à violência contra mulheres e meninas é um dos mais importantes objetivos deste século”, afirmou Ban.

Agência Patrícia Galvão

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